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Relações Perigosas - Capítulo 44

Novela de Felipe Porto
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  NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "RELAÇÕES PERIGOSAS":

Perceu — Tava fugindo de mim, né sua safada?

Heloísa — Do que você tá falando?

Perceu passa a mão na perna de Heloísa e mostra um revólver em sua cintura.

Perceu — To falando que agora você vai me pagar tudo o que me prometeu.

Na tensão de Heloísa.

...

Karina desce com o tablet em mãos.

Karina — (Entrega) Toma. (Tom) O que tem nesse pen drive?

Tarsila — Não sei.

Karina — O jantar vai demorar muito? To com fome?

Tarsila — Não sei. Acho que seu pai vai demorar hoje.

Karina vai para a cozinha. Tarsila conecta o pen drive no tablet, começa a mexer nele até que leva um susto ao ver as imagens: Gregório e Bianca aos beijos.

Tarsila — Canalha!

Na decepção de Tarsila.

...

Gregório — Onde você tá querendo chegar?

Wagner — Se eu pudesse voltar no tempo, eu não teria aceitado o dinheiro de vocês. Ele custou a minha felicidade.

Gregório — Tá arrependido agora? Você é tão culpado quanto eu ou a Bianca.

Wagner — Não sou não. Se eu tenho a consciência suja, vocês têm as mãos sujas.

Wagner se levanta.

Wagner — Essa história custou a minha felicidade e acho que tá custando a sua também. E olha que eu sei de muito menos coisas que você. (Tom) O cerco tá se fechando, Gregório.

Gregório — E daí?

Wagner — Daí que quando a coisa apertar de verdade, a Bianca não vai te poupar. Ou você confia nela?

Gregório não responde.

Wagner — Eu desconfio que a morte do seu filho não foi um acidente. É muita coincidência. Pensa se vale a pena continuar com isso. Como eu disse: se pudesse voltar no tempo, eu teria feito diferente.

Wagner sai da sala. Gregório fica ali, pensativo, aflito.

Gregório — Ele tá certo. A Bianca não tá merecendo a minha lealdade.

Gregório pega o celular, tecla e leva-o até o ouvido.

Gregório — (Cel) Alô, delegado Nogueira? É Gregório Mascarenhas. Desculpa o avançado da hora, mas eu preciso falar com você. Eu tenho algumas informações sobre Bianca Giacomelli que vão ser do seu interesse.

Em Gregório decidido.

 
     
 
     
     
     

CAPÍTULO 44
 
     
 

CENA 01. barão do alambique. sala de gregório. Interior. Noite.

Continuação da última cena do capítulo anterior.

Tensão. Gregório falando ao celular.

Gregório — (Cel) Claro, fica combinado pra amanhã. Até lá.

Gregório desliga o celular, tenso.

CENA 02. ap de otávio. sala. Interior. Noite.

Giovanna e Juliana conversando.

Giovanna — E você tem receio de se envolver com esse Bernardo porque ele era amigo do cara que fez o vídeo?

Juliana — Isso, mãe. Eu tenho medo de me magoar de novo.

Giovanna — Ô meu amor. Você vai se magoar tantas vezes na vida e nem por isso você vai deixar de viver.

Juliana — Então o que eu faço? Corro o risco?

Giovanna — A vida é cheia de riscos, Juliana. Principalmente quando o assunto é o coração.

Juliana — Eu não to preparada pra isso.

Giovanna — Ninguém tá. Tenta, se não der certo, você tenta de novo até acertar. Assim é feita a vida: mais de erros do que acertos.

Juliana — E como eu faço pra acertar mais do que errar?

Giovanna — (Sorri) Não sei e acho que ninguém sabe. Deve ser por isso que dizem que a gente só aprende com os erros.

Giovanna pega na mão de Juliana, amiga. Juliana sorri e Giovanna retribui o sorriso.

CENA 03. CASA DE GREGÓRIO. SALA. Interior. Noite.

Continuação da cena 43 do capítulo anterior. Tarsila ainda incrédula olhando para as imagens de Gregório e Bianca no tablet.

Tarsila — Canalha! Como eu fui idiota em acreditar que já tinha acabado tudo o que ele e aquela piranha tiveram um dia!

Karina vem da cozinha.

Karina — Falando sozinha, mãe?

Tarsila — Você vai jantar no quarto e com o fone de ouvido no máximo. O que vai acontecer hoje nessa casa é impróprio pra sua idade.

Karina — Mas o que tá acontecendo? Você nunca deixa eu/

Tarsila — (Corta) Sem questionamento. Vai, vai, vai.

Karina sobe as escadas.

Tarsila — Ah Gregório. Hoje você vai se arrepender de ter nascido.

Na raiva de Tarsila.

CENA 04. rua deserta. ambiente. Exterior. Noite.

Continuação da cena 42 do capítulo anterior. Perceu tira a arma da cintura e aponta para Heloísa.

Heloísa — (Enfrenta) Vai me matar? Você não teria coragem.

Perceu — Não duvide. Mas não é esse o meu objetivo.

Heloísa — O que você quer comigo?

Perceu — Já disse: Cobrar aquilo que você me prometeu.

Heloísa — Cê tá louco? Eu não te prometi nada!

Perceu — Prometeu sim: Disse que ia me dar o que eu quisesse se você saísse da cadeia. (Tom) Agora cala a boca e vai andando.

Perceu conduz Heloísa pela rua.

CENA 05. terreno baldio. ambiente. Exterior. Noite.

Terreno com muito mato, lixo em volta e pouco iluminado. Perceu conduz Heloísa até o interior do terreno. Heloísa muito tensa.

Heloísa — Me larga! Eu não te devo nada! Eu sai da cadeia por causa dos advogados e não por sua causa!

Perceu — To nem aí, cachorra! Prometeu agora vai ter que cumprir. Se não quer por bem, vai ser por mal.

Heloísa — Eu vou gritar!

Perceu — Pode gritar a vontade. Mas aposto que você vai gritar ainda mais depois que conhecer o meu amiguinho.

Heloísa — (Tensa) Que amigo?

Perceu põe a mão sobre a sua calça, no meio das pernas, e aperta.

Perceu — Eu chamo ele de Big Black e aposto que você vai fissurar nele.

Perceu rasga um pouco da blusa de Heloísa, deixando-a parte do sutiã a mostra e a joga no chão. No pavor de Heloísa.

CENA 06. casa de giancarlo. sala de jantar. Interior. Noite.

Continuação da cena 44 do capítulo anterior.

Rogério em pé. Bianca tensa. Giancarlo, Milena e Yasmin à mesa, olhado ela.

Bianca — Isso é mentira! (Pra Rogério) O que deu em você pra fazer essas acusações?

Rogério — Deu que eu cansei de ver você enganando todo mundo. Você não vale nada Bianca.

Giancarlo — Eu não to entendendo. Esse áudio que o Rogério mostrou é verdade, Bianca? Você andou no roubando.

Rogério — Por vários anos, Dr. Giancarlo.

Bianca — Eu nunca roubei nada! Tudo isso é meu por direito!

Rogério — Essa foi a justificativa que você usou, mas agora nega que você desviava dinheiro da Exportadora pra uma conta pessoal. Nega.

Bianca — Eu não vou negar nada. Não tenho que dar satisfações pra você.

Bianca se levanta, irritada e faz menção de sair.

Giancarlo — Mas a mim você deve. Eu sou dono da empresa e exijo saber se to sendo roubado.

Bianca — (Revoltada) Você tá desconfiando da sua própria filha?!

Giancarlo — Não queria, mas o que eu ouvi é muito sério. Quase uma confissão de culpa.

Bianca engole seco.

Bianca — Eu me dediquei durante anos à aquela empresa. Nada mais justo que eu tivesse uma gratificação extra.

Giancarlo — Eu não acredito que você fez isso, Bianca. A empresa é sua!

Bianca — Por isso mesmo eu tinha o direito de fazer o que eu fiz! Tudo aquilo é meu!

Giancarlo — Isso não te dá o direito de roubar o meu patrimônio, o patrimônio que vai ser das suas filhas!

Bianca — Ah pai! O que eu peguei, comparado ao que essa empresa lucra, é mixaria.

Milena — Mas isso é roubo. Nada justifica o que você fez.

Rogério — Esse dinheiro foi só por cobiça ou você usou ele pra mais alguma coisa?

Bianca — Que coisa? Tá delirando?

Giancarlo — Você me decepcionou muito Bianca. Eu sempre soube que você não era santa. Mas rouba o próprio pai?

Bianca — Não é nada contra você. Só comecei a pegar o que seria meu por direito.

Giancarlo se levanta.

Giancarlo — A sua sorte é que você é minha filha, se não eu chamaria a polícia.

Bianca — Eu só fiz o que foi melhor pra todo mundo.

Giancarlo — Que forma estranha de ver as coisas.

Giancarlo vai sair, mas volta.

Giancarlo — Ah! E mesmo você sendo herdeira, enquanto eu estiver vivo, você não coloca mais os pés na Exportadora.

Na tensão geral.

CENA 07. casa de gregório. sala. Interior. Noite.

Tarsila sentada no sofá com o tablet em mãos. Tempo e Gregório entra da rua.

Gregório — Boa noite, Tarsila. Já tá pronto o jantar?

Tarsila vai até Gregório, ainda com o tablet em mãos.

Tarsila — A noite só vai ser boa depois que eu der na sua cara.

E Tarsila esbofeteia Gregório.

Gregório — Mas o quê é isso?! Tá maluca?!

Tarsila — To muito louca! Louca de vontade de colocar fogo nessa sua cara de pau!

Gregório — Você não tá falando coisa com coisa! O que aconteceu?!

Tarsila mostra as imagens dele beijando Bianca.

Tarsila — Ó! Tá vendo? (Vai passando) Tem essa... Essa... Mais essa... Tem várias foto de você atracado naquela piranha!

Gregório — Calma, Tarsila. Eu posso explicar.

Tarsila arremessa o tablete longe.

Tarsila — Se você falar que é montagem eu quebro a primeira coisa que eu encontrar na sua cabeça!

Gregório — Não é montagem. É real.

Tarsila — Canalha! Ainda admite!

Tarsila pega um vaso e arremessa na direção de Gregório, que desvia.

Gregório — Eu posso explicar, Tarsila.

Tarsila — Explicar o quê?! Que você me mentiu quando você me prometeu que nunca mais ia se encontrar com aquela vagabunda?! Que você mentiu pra mim esses anos todos?!

Gregório — Eu não menti! Quando eu disse que ia me afastar da Bianca, eu me afastei!

Tarsila — Mentiroso!

Gregório — Verdade! A gente só foi se reencontrar anos depois, quando o Leandro começou a noivar com a Milena.

Tarsila — Eu não acredito em uma palavra que você tá dizendo!

E Tarsila pega um objeto e arremessa na direção de Gregório, que desvia.

Gregório — Para com isso! Você vai destruir a casa toda!

Tarsila — To nem aí! Eu vou quebrar a casa toda na sua cabeça!

Tarsila pega outro objeto, mas Gregório segura o braço dela. Tarsila dá uma joelhada nos meio das pernas de Gregório, que sente a dor.

Tarsila — Não encosta em mim, seu canalha! Anos de casamento e você ainda teve a coragem de fazer isso?

Gregório — Desculpa, Tarsila. Mas/

Tarsila — (Corta/Revoltada) Desculpa? Você me trai e vem me pedir desculpa? Você não pisou no meu pé pra pedir desculpas.

Gregório — Eu sei. Me diz o que eu posso fazer pra reparar o mal que eu fiz.

Tarsila — Nada que você faça vai conseguir reparar o que você fez. Há mais de vinte anos eu te dei um voto de confiança, mas você jogou ele fora.

Gregório — Me dá uma chance.

Tarsila — Eu te dei uma chance, mas você desperdiçou! Agora eu quero você fora dessa casa!

Gregório — Calma, Tarsila. As coisas não funcionam assim.

Tarsila — Funcionam assim sim! A música vai tocar conforme eu quero e o que eu quero agora é você longe de mim.

Gregório — Pensa na nossa filha. Ela vai ficar traumatizada.

Tarsila — Vai nada! Não vem com essa! Não inventa desculpinha que nada do que você falar vai salvar a sua pele! Cachorro!

Gregório — Tarsila/

Tarsila — (Corta) Cala a boca. Pega as suas malas e vai procurar abrigo nos braços da sua amante.

Gregório — A Bianca e eu... A gente/

Tarsila — Não quero saber. Já mandei arrumarem as suas malas e colocar ali no canto pra você não precisar subir e entrar no meu quarto. (Firme) Agora pega as malas e sai daqui.

Gregório suspira e concorda.

Gregório — Tudo bem, eu vou.

Enquanto Tarsila abre a porta da rua, Gregório pega as suas malas. Gregório vai até a porta e olha para Tarsila.

Tarsila — Os meus advogados vão entrar em contato com você.

Gregório sai. Tarsila bate a porta e começa a chorar.

CENA 08. terreno baldio. ambiente. Exterior. Noite.

Continuação da cena 05. Perceu olha para Heloísa caída ao chão.

Heloísa — (Nervosa) Se você fizer alguma coisa, eu vou gritar.

Perceu — Pode gritar a vontade. Adoro mulher escandalosa.

Perceu desabotoa a calça.

Heloísa — (Grita) Socorro!

Heloísa se levanta e corre. Perceu corre atrás dela.

Perceu — Volta aqui, sua vagabunda!

Heloísa — (Grita) Socorro!

Perceu consegue alcançar Heloísa e a segura pelo cabelo.

Perceu — Não pensa em fugir de novo, se não vai ser pior pra você.

Heloísa — Me deixa ir, por favor.

Perceu puxa Heloísa pelos cabelos e a arrasta até o local que eles estavam.

Perceu — Não.

Perceu empurra Heloísa e ela cai no chão.

Heloísa — Por favor, eu pago o que você quiser.

Perceu — Será que você não entendeu que não é dinheiro que eu quero de você?

Perceu pega a arma que está na cintura, tira a calça e se deita sobre Heloísa. Ela se debate.

Heloísa — Sai de cima de mim, seu nojento!

Perceu coloca a arma na cabeça de Heloísa.

Perceu — Eu poderia dar uma coronhada na sua cabeça e fazer o serviço. Mas eu quero você bem acordada, lembrando de tudo e fazendo desse um momento inesquecível.

Heloísa cospe no rosto de Perceu e imediatamente ele revida com uma bofetada no rosto dela. Perceu limpa o rosto.

Perceu — Putinha ordinária. Eu vou te arrebentar e da pior maneira.

Heloísa reluta, mas Perceu consegue tirar as calças de Heloísa. Perceu começa a fazer os movimentos de vai e vem com muita intensidade e violência. Fecha no rosto de Heloísa amedrontada e com a arma na cabeça.

Fade Out.

Fade In.

Minutos depois. Perceu em pé, se vestindo. Ele olha para Heloísa no chão, encolhida e assustada.

Perceu — (Sorri) Pronto. Agora a divida tá paga.

Perceu sai. Heloísa senta e abraça as suas pernas, muito assustada.

CENA 09. CASA DE GIANCARLO. SALA DE JANTAR. Interior. Noite.

Continuação da cena 06.

Bianca — Não se preocupe que eu não vou continuar na Exportadora e muito menos nessa casa.

Giancarlo — Eu não to te expulsando de casa, Bianca.

Bianca — Mas eu não vou ficar em um lugar onde eu sou odiada.

Rogério — Para de drama, Bianca.

Giancarlo — Eu não te odeio, só não confio mais em você. Mas faça como quiser. Se quer sair daqui, ninguém vai te impedir do contrário.

Giancarlo sai da sala. Todos olham para Bianca.

Bianca — Tão olhando o quê?!

Milena — A cada dia que passa eu me surpreendo mais com você.

Bianca — (Ri/Irônica) Você é tão inocente, Milena.

E Bianca sai. Rogério senta ao lado de Milena.

Milena — (Baixo/Para Rogério) Rogério, pra que outra coisa você acha que a mãe usou esse dinheiro?

Rogério — (Baixo) São só suspeitas, mas eu acho que a sua mãe tá envolvida no suborno daquele juiz que arquivou o processo da morte do seu pai.

Milena — (Surpresa) Será?!

Yasmin — Será o quê? O que vocês tão cochichando?

Milena — Nada não.

Em Milena desconfiada.

CENA 10. AP DE OTÁVIO. ESCRITÓRIO. Interior. Noite.

Juliana entra, vai até a mesa e pega uma caneta. O tablet, que está sobre a mesa, sinaliza o recebimento de uma mensagem. Juliana olha para o tablet.

Juliana — (Lê) A munição solicitada já chegou. Pode vir buscar.

Juliana se afasta da mesa, pensativa.

Juliana — Que munição?

Otávio entra e Juliana se assusta.

Otávio — O que você tá fazendo aqui?

Juliana — Vim pegar uma caneta.

Otávio — Já pegou. Agora dá licença.

Juliana sai, um pouco desconfiada. Otávio vai até a mesa e mexe no tablet.

Otávio — Ótimo! Chegou!

E Otávio sorri.

CENA 11. rua deserta. ambiente. Exterior. Noite.

Heloísa caminha pela rua, toda suja e com a roupa um pouco rasgada. Ela olha fixo para frente.

Heloísa — (Ódio/Nojo) Aquele homem nojento vai me pagar caro por tudo isso. Ele vai se arrepender de ter nascido.

No ódio de Heloísa.

CENA 13. casa de giancarlo. quarto de bianca e rogério. Interior. Noite.

Uma mala aberta com algumas roupas dentro em cima da cama. Bianca colocando as roupas na mala. Rogério entra.

Bianca — O que você quer?

Rogério — Para de teatro, Bianca. Eu já disse que vou sair dessa casa. Nosso casamento acabou.

Bianca — To pouco me importando pra o que você vai fazer. Eu já disse que não vou ficar num lugar que eu não sou bem-vinda.

Rogério — (Dá de ombros) Faça como quiser, mas fique sabendo que você não vai sair de vítima dessa história.

Rogério e Bianca se encaram por um tempo. Rogério sai e Bianca pega o celular e tecla.

Bianca — (Com o celular ao ouvido) Por que você não tá atendendo, Gregório?

CENA 12. sobrado de gregório. sala. Interior. Noite.

Amplo ambiente com: sofá, poltronas, uma mesinha de centro, uma mesa de jantar com cadeiras em um canto e alguns outros objetos compões o ambiente, que possui uma decoração moderna.

Gregório entra da rua com sua mala. Ele olha tudo em volta. O celular de Gregório toca, ele tira-o do bolso e olha na tela o nome de Bianca. Gregório desliga o celular e o coloca de volta no bolso.

Gregório — Esse lugar vai servir pra eu morar.

CENA 13. rio de janeiro. ambiente. exterior. Noite.

Música: Chasing Pirates - Norah Jones.

Stock-shot da cidade ao amanhecer. Carros circulam pelas ruas e avenidas movimentadas, pessoas circulam pela rua, esperam o ônibus no ponto, entram e saem da estação do metrô e etc. [Música off].

CENA 14. casa de gregório. sala de jantar. Interior. Dia.

Mesa do café posta. Tarsila e Karina terminando de conversar.

Tarsila — E foi isso, filha. Seu pai não vai mais morar conosco. Você entende, né?

Karina — Claro que entendo, mãe. Se o casamento de vocês não ta dando mais certo, nada mais justo que cada um seguir pra um lado.

Tarsila sorri.

Tarsila — Que bom que você me entende.

Tarsila beija o rosto de Karina.

Tarsila — É tão triste ver essa mesa quase vazia.

Karina — Você precisa sair, ver gente. Você tá muito pra baixo.

Tarsila — Acho que agora não é o momento pra isso, filha.

Karina — É sim! Você não pode deixar se abater! Pensa nisso.

Tarsila — (Sorri) Ta bom, Karina. Eu vou pensar.

CENA 15. shopping. ambiente. Interior. Dia.

Giovanna e Juliana sentada em um banco conversando.

Giovanna — Que munição, Juliana?

Juliana — Deve ser munição de armas.

Giovanna — Mas o Otávio não tem porte de armas.

Juliana — Mas essa história não é estranha?

Giovanna — Sim, mas...

Juliana — Segue ele e descobre o que o pai ta fazendo. Se tá mexendo com arma, não deve ser coisa boa.

Giovanna — Segue ele... Você anda vendo muito filme policial.

Juliana — Não custa nada.

Giovanna — (Tom) Você não deveria tá na escola, garota?

Juliana — Sim, to indo pra lá agora. Só vim te falar sobre isso.

Giovanna — Tá, eu vou pensar no assunto. Agora vai pra aula.

Giovanna dá um beijo em Juliana. Juliana se levanta e sai. Giovanna fica ali, pensativa.

CENA 16. cafeteria. ambiente. Exterior. Dia.

Área externa. Gregório e Nogueira sentados à mesa.

Nogueira — Nós deveríamos ter essa conversa na delegacia. Aqui nada do que for dito vai ser colocado nos autos do processo.

Gregório — Eu sei e nós vamos ter essa conversa na delegacia de forma oficial, mas não agora.

Nogueira — E por quê? Você me disse que tinha informações sobre Bianca Giacomelli que seriam do interesse da polícia.

Gregório — Tenho sim.

Nogueira — E sobre o que seria?

Gregório — Eu tenho provas que foi a Bianca quem subornou o juiz que arquivou o caso do primeiro marido dela: Eduardo Coimbra.

Nogueira se ajeita na cadeira.

Nogueira — (Interessado) Essa é uma denúncia muito séria. O senhor tem certeza disso?

Gregório — Absoluta. Eu tenho provas disso, mas elas não estão comigo. Eu tive que sair de casa e não consegui recolher os papéis que comprovam tudo.

Nogueira — E quando o senhor vai ter essas provas em mãos?

Gregório — Isso vai depender de você.

Nogueira — Como assim?

Gregório — Eu entrego as provas, mas não quero sair prejudicado nessa história.

Nogueira — Se as provas que o senhor tiver forem realmente boas, nós podemos conseguir com o juiz uma delação premiada.

Gregório — Ótimo, agora a gente começa a falar a mesma língua. Assim que eu tiver as provas em mãos, eu entro em contato.

Nogueira concorda.

Corta para o outro lado da rua. Bianca dentro do seu carro, observando Gregório e Nogueira conversarem.

Bianca — A informação era verdadeira. O Gregório tá se encontrando com o delegado.

Em Bianca séria.

CENA 17. barão do alambique. antessala. Interior. Dia.

Adelaide trabalhando. Otávio sai de seu escritório.

Otávio — Dona Adelaide, vou precisar dar uma saída e provavelmente não volte mais hoje. Anote os recados e só me ligue se for algo realmente urgente.

Adelaide — Sim senhor.

Otávio entra no elevador e sai do ambiente.

Adelaide — É esse aí que sai antes do meio-dia, o Dr. Gregório que ainda nem chegou... É, essa empresa tá atirada às traças.

Em Adelaide com ar de desaprovação.

CENA 18. rua. ambiente. Exterior. Dia.

Música: Instrumental Suspense.

Dentro de um táxi, Giovanna observa Otávio sair de dentro de uma casa com uma sacola em mãos.

Giovanna — Deve ser a munição.

Taxista — Falou comigo?

Giovanna — Não.

Otávio entra no seu carro.

Giovanna — Segue aquele carro.

O carro de Otávio arranca e o táxi começa a seguir o carro.

CENA 19. casebre. frente. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Otávio para o carro, desce e entra no casebre. Tempo e um táxi para um pouco mais afastado de onde Otávio parou. Giovanna desce do táxi e ele vai embora.

Giovanna — O que o Otávio veio fazer nesse casebre no meio do nada? Bem que a Juliana falou que tinha algo de estranho acontecendo.

Em Giovanna olhando desconfiada para o casebre. [Instrumental off].

CENA 20. ap de otávio. quarto de juliana. Interior. Dia.

Yasmin e Juliana. Conversa já iniciada.

Juliana — Eu fico na dúvida se ele ta mesmo sendo sincero, Yasmin. Não to afim de me ferrar num relacionamento de novo. O que você acha?

Juliana perece que Yasmin tá distante.

Juliana — Ei! Ta me ouvindo?

Yasmin — (Olha para Juliana) To. Não sei o que você tem que fazer. É uma decisão que só você pode tomar.

Juliana — Eu sei, mas bem que você poderia me ajudar.

Yasmin — Você gosta dele? Ou é só diversão?

Juliana — Eu acho que gosto dele. Sei lá, Yasmin, eu sinto uma coisa diferente.

Yasmin — Então quando você tiver certeza do que você sente, você vai ter a resposta.

Juliana — Cê acha?

Yasmin — Não sei... É o que dizem.

Juliana ri.

Juliana — Idiota. (Tom) Por que você tá assim tão displicente?

Yasmin — Tá rolando uns problemões aqui em casa.

Juliana — É com a sua irmã? Ela não tá aqui, né?

Yasmin — Ai Juliana, desencana dela! A Milena nem lembra o que você fez. Ela já tá em outra. E em breve você também pode estar.

Juliana — Quem sabe...

CENA 21. carro de bianca. ambiente. Interior. Dia.

Carro estacionado. Bianca fala com alguém que ainda não vemos quem é.

Bianca — Descobriu o que o Gregório foi conversar com o delegado?

Revelamos Perceu diante de Bianca.

Perceu — O delegado Nogueira não falou com todas as letras, mas parece que esse cara tem provas que podem incriminar alguém muito importante.

Bianca — Esse alguém só pode ser eu. (Indignada) Traidor!

Bianca tira da bolsa um maço de notas de dinheiro e entrega para Perceu.

Bianca — Obrigada pelas informações.

Perceu — Foi um prazer fazer negócio com a senhora.

Perceu abre a porta do carro e sai.

Bianca — Você me paga, Gregório.

Em Bianca revoltada.

CENA 22. casebre. frente. Exterior. Dia.

Giovanna se aproxima lentamente do casebre. Tenta olhar pela fresta de uma janela, mas não consegue. Giovanna pisa em um galho e faz barulho, mas não muito alto.

Giovanna — (Baixo) Droga.

Receosa, Giovanna se afasta um pouco do casebre.

CENA 23. casebre. ambiente. Interior. Dia.

Otávio com uma arma em mãos, olha para Jardel amarrado no chão.

Otávio — Para de reclamar. Eu até te dei uma colher de chá, você nem tá mais pendurado.

Jardel — (Sem folego) Você acha que tá me fazendo um favor?

Otávio — Lógico! Só de deixar você vivo é um favor pra você.

Jardel — (Irônico) Não sei nem como agradecer.

Otávio — Até que você tá bem engraçadinho pra alguém na situação que você tá.

Otávio dá uma cotovelada no rosto de Jardel.

Jardel — (Provoca) Isso. Continua me batendo amarrado. Só assim pra você ser páreo pra mim.

Otávio sorri e aponta a arma para a cabeça de Jardel.

Otávio — Tá me provocando por quê? Quer levar uma bala no meio das fuças?

Jardel — Tá esperando o quê pra fazer isso? Atira.

Tensão. Otávio engatilha a arma. Os dois se encaram. Tempo, Otávio sorri e guarda a arma.

Otávio — A sua hora não chegou. Mas não se preocupe que é uma questão de tempo pra você tá numa cova rasa como se fosse um indigente.

Na tensão entre os dois.

CENA 24. delegacia. sala do delegado. Interior. Dia.

Nogueira diante de Rogério, que está dando um depoimento. Ao canto, um escrivão digita tudo.

Nogueira — Recapitulando: o senhor confirma que o celular estava com o senhor no momento do assalto?

Rogério — Confirmo. Inclusive liguei pra minha filha minutos antes.

Nogueira — E o celular foi levado pela pessoa que atirou em você.

Rogério — Exatamente.

Nogueira — Eu sei que o senhor sofreu uma espécie de amnésia, mas o senhor realmente não lembra quem atirou?

Rogério respira fundo.

Rogério — Lembro sim delegado.

Nogueira — E o senhor poderia fazer o retrato falado do suspeito?

Rogério — Melhor que isso: eu posso dar o nome. Foi a Bianca, minha esposa.

Nogueira — O senhor tem certeza do que está dizendo? O choque pode ter causado confusão em sua cabeça.

Rogério — Tenho certeza, delegado. A verdade é que eu nunca tive essa amnésia. Eu inventei isso por medo.

Nogueira — Medo do quê? De represália da sua esposa?

Rogério — Exatamente, mas agora eu vou estar longe dela e ela não vai mais poder fazer nada contra mim.

Nogueira — Fique você sabendo que a polícia conta com um programa de proteção à testemunhas, caso você se sinta ameaçado.

Rogério — Se a polícia prender ela, eu não vou ter nada o que temer.

Nogueira — Com o depoimento do senhor, mais algumas provas contra a senhora Bianca que estão prestes a serem anexadas no processo, vai ser questão de tempo pro mandado de prisão dela sair.

Rogério — Que provas são essas?

Nogueira — A investigação ainda está sob sigilo.

Rogério — Claro, desculpe. Mas pode anotar no meu depoimento: Bianca Giacomelli foi a responsável pelo tiro que me atingiu.

Nogueira — Provavelmente o senhor vá ser chamado pra uma acareação com a senhora Bianca.

Rogério — Não tem problema. Eu falo na cara dela, tudo o que eu falei aqui.

CENA 25. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite.

Música: Dia Especial – Tiago Iorc.

Stock-Shot da cidade ao anoitecer.

[Música off].

CENA 26. gafieira. ambiente. Interior. Noite.

Banda tocando um samba no palco. Pessoas conversam e casais dançam no meio do salão. Daiane e Jamal conversam em algum canto.

Daiane — (Irritada) Não começa, Jamal!

Jamal — Ele parece tá arrependido. O quê que custa você dar uma nova chance pra ele?

Daiane — Custa que você não tem nada ver com a minha vida.

Jamal — Tenho sim! Sou seu amigo.

Daiane — Mas não manda em mim! E vamos parar com essa conversa, se não eu vou acabar brigando com você.

Daiane se afasta de Jamal. Corta para outro ponto: Tarsila entra no local, olha tudo em volta, desanimada. Seu Coisinha.

Seu Coisinha — Tarsila! Que bom ver você aqui!

Tarsila — Seu Troçinho, como vai o senhor?

Seu Coisinha — É Coisinha.

Tarsila — Isso. Coisa, troço, às vezes eu me confundo.

Seu Coisinha — (Ri) Verdade, mas você acaba se acostumando.

Tarsila — Com certeza.

Seu Coisinha — Você tá tão pra baixo. Não parece tá no clima daqui.

Tarsila — Vou te confessar que não to mesmo.

Seu Coisinha — Talvez eu possa ajudar.

Tarsila — Ninguém pode me ajudar. A minha vida que tá passando por um turbilhão de desventuras e eu to torcendo pra que elas passem o mais rápido.

Seu Coisinha — É a morte do seu filho, né? Eu li a respeito nos jornais. Eu sinto muito.

Tarsila — Obrigada, mas não é só isso. Outras coisas também aconteceram. A verdade é que eu acho que não deveria ter vindo aqui. Eu vou embora.

Seu Coisinha — Não. Espera. Se você veio até aqui é porque no fundo você quer sair dessa fossa.

Tarsila — Claro que eu quero. Mas não sei se eu vou conseguir.

Seu Coisinha — É claro que vai! E eu vou te ajudar!

Tarsila — Como?

Seu Coisinha — Fazendo você esquecer todos os seus problemas, nem que seja por algumas horas. (Tom) Vamos dançar.

Tarsila — Será? Eu só vim por que minha outra filha insistiu, mas a verdade é que eu ainda to de luto.

Seu Coisinha — Aposto que seu falecido filho não ia querer ver você triste. (Estende a mão) Vem.

Tarsila hesita, mas sorri e acaba pegando a mão de Seu Coisinha. Ele conduz Tarsila até o meio do salão, no meio dos outros casais dançando.

CENA 27. SOBRADO DE GREGÓRIO. SALA. Interior. Noite.

A campainha toca. Gregório abre a porta e vê Bianca ali, com uma bolsa a tira colo. Ele revira os olhos.

Gregório — O que você tá fazendo aqui, Bianca?

Bianca — A gente precisa conversar.

Gregório — A partir do momento que você atirou o meu filho daquele prédio, a gente não tem mais nada o que conversar.

Gregório vai fechar a porta, mas Bianca coloca o pé, impedindo-o. Os dois se olham.

Bianca — Deixa eu entrar. Dependendo do rumo que essa conversa tomar, eu prometo que essa vai ser a nossa última.

Na tensão dos dois se olhando.

CENA 28. CASA DE GREGÓRIO. SALA. Interior. Noite.

Karina no sofá, mexendo no celular. Tarsila entra da rua com um leve sorriso no rosto.

Tarsila — Ainda acordada, filha?

Karina — Você que voltou cedo. Não gostou do lugar onde você foi?

Tarsila — Muito pelo contrário: eu adorei. Você tinha toda razão, Karina. (Senta) A morte do seu irmão me abalou, mas eu tenho que tocar a minha vida.

Karina — E o pai? Sem chances de vocês voltarem?

Tarsila — Zero. Desculpa te falar isso, mas pra mim o seu pai tá morto.

CENA 29. sobrado de gregório. sala. Interior. Noite.

Gregório abre a porta e Bianca entra.

Gregório — Seja breve que eu tive um dia exaustivo. Por causa daquelas fotos com você, a Tarsila me expulsou de casa.

Bianca — Eu fiquei sabendo.

Gregório — Como você descobriu que eu estaria aqui?

Bianca — Desconfiei. Lembrei que aqui foi nosso ninho de amor durante muito tempo. (Tom) Por que a gente nunca mais voltou aqui, Gregório?

Gregório — Foi pra falar do nosso passado que você veio até aqui?

Bianca — De certa forma sim, mas vim pra falar principalmente de nós dois.

Gregório — Não existe mais nós dois, Bianca. Eu posso não ter provas, mas sei que foi você a responsável pela morte do Leandro.

Bianca — Você não pode me julgar. Eu fiz tudo isso pra nos proteger.

Gregório — Fez isso pra proteger você.

Bianca, sem largar a bolsa, vai até a bancada que contém algumas garrafas de bebidas e serve um copo de whisky.

Bianca — Não tem Barão do Alambique?

Gregório — Que diferença faz? Você nunca gostou de cachaça.

Bianca — Quer um drink? Você precisa relaxar.

Gregório — O que eu preciso é que você saia daqui.

Bianca coloca sua bolsa ao lado das bebidas e serve uma dose para Gregório.

Bianca — Mas vou servir mesmo assim.

Música: Instrumental Suspense.

Discretamente, Bianca tira de dentro de sua bolsa um pequeno frasco, abre e despeja o liquido no copo de Gregório. Ele não vê, pois está de costas para ela, abalado. Bianca vai até Gregório com dois copos em mãos.

Bianca — Pega.

Gregório — Já disse que eu não quero.

Bianca — Por que você não olha pra mim?

Gregório olha para Bianca e toma o copo das mãos dela.

Gregório — Por que você me faz lembrar de muita coisa.

Bianca — Você tá arrependido à essa altura do campeonato?!

Gregório — Não! Eu nunca me arrependi do que a gente fez! Você sabe disso! Mas você passou dos limites!

Bianca — Você preferia o quê? Ir pra cadeia? As manchetes policiais de todos os jornais estampando os nossos nomes? Era isso que você queria?

Gregório — É claro que não!

Silêncio. Bianca olha para Gregório com o copo em mãos.

Gregório — Eu sei que você matou o Leandro, mas eu quero ouvir isso da sua boca. Fala.

Bianca — Sim, eu empurrei ele. Como eu empurrei o Coimbra.

Gregório entorna todo o liquido do copo de uma só vez.

Bianca — Empurrei porque as coisas fugiram do nosso controle. E você é o culpado de tudo isso!

Gregório — Eu?! Você tá querendo insinuar que eu fui o responsável pela morte do meu filho?!

Bianca — Eu to afirmando! Se não fosse aquele maldito dossiê, nada disso teria acontecido e o Leandro ainda estaria vivo!

Gregório — Você bem que poderia ter dado um jeito/

Bianca — E eu dei! O mesmo jeito que eu dei no Coimbra, o mesmo jeito que a gente deu no juiz Nicolau Cardoso, o mesmo jeito que você queria dar na Ana Carolina! (Tom) Por que você fez aquele dossiê?

Gregório — Pra me prevenir.

Bianca — Pra se prevenir ou pra me denunciar?

Gregório — Nunca passou pela minha cabeça te denunciar.

Bianca — Mesmo? Então por que eu vi você conversando com o delegado Nogueira?

Reação surpresa de Gregório.

Gregório — Do que você tá falando?

Bianca — Não precisa negar. Ninguém me contou, eu vi com os meus próprios olhos.

Gregório respira fundo, meio tonto.

Bianca — Por que você ia fazer isso comigo, Gregório? Tantos anos juntos e é assim que você retribui? Com uma punhalada nas costas.

Gregório — (Ofegante) Não venha querer falar de traição, porque você me traiu muito antes.

Bianca — Eu não teria tanta certeza assim.

Gregório desabotoa um botão da camisa.

Gregório — (Ofegante) To sentindo um calor e uma falta de ar.

Gregório olha para o copo vazio que ele está segurando.

Gregório — (Ri/Cansado) Não to acreditando que você fez isso, Bianca?

Bianca — Deus é testemunha que eu fiz de tudo pra que essa história tivesse um final diferente.

Gregório — Você falar em Deus chega até a ser um sacrilégio.

Gregório põe a mão no peito e com dificuldades, vai até Bianca.

Gregório — Você não vai escapar, Bianca. Eu contei o que você fez.

Bianca — Contou, mas não provou. Eu sei.

Gregório — Por que você tá fazendo isso?

Bianca — Gregório, eu não vou servir de boi de piranha. Se alguém tiver que ser sacrificado pra um bem maior, esse alguém não vai ser eu.

Gregório — Vagabunda.

Bianca — Sim. Eu sou. Mas sempre te amei.

Bianca dá um beijo em Gregório e ele cai no chão desmaiado. Bianca olha para Gregório caído.

CENA 30. casebre. frente. Exterior. Noite.

Instrumental continua. Giovanna observa ao longe Otávio sair do casebre.

Giovanna — Achei que o Otávio ia passar a noite aí.

Otávio entra no carro e vai embora. Lentamente, Giovanna se aproxima do casebre. Ela procura e pela parede de madeira, até que encontra um buraco. Ela olha. PV dela: o interior está escuro e ela vê um homem.

Giovanna — Quem tá aí?

Silêncio.

Giovanna — Responde.

Jardel — (Off) Giovanna?! Sou eu, Jardel! Me ajuda!

Giovanna — (Baixo) Jardel?

Na surpresa de Giovanna.

CENA 31. sobrado de gregório. sala. Interior. Noite.

Instrumental continua. Bianca olha para Gregório desacordado no chão. Ela se aproxima dele, pega os seus braços e com certa dificuldade, começa a arrastar o corpo em direção à poltrona.

Corte descontinuo: Bianca ajeita Gregório desacordado na poltrona.

Bianca deixa Gregório ali, enquanto vai até o balcão, abre sua bolsa e tira uma pistola de dentro dela. Bianca vai até Gregório e coloca a pistola na mão dele, como se fosse ele a atirar. Bianca coloca a sua mão sobre a mão de Gregório que está segurando a pistola.

Bianca — Desculpa meu amor. Eu juro que não queria que as coisas terminassem assim.

Com a mão que está livre, Bianca pega os cabelos de Gregório e ergue a cabeça dele para frente. Bianca olha para Gregório com melancolia.

Bianca coloca o seu dedo sobre dedo de Gregório que segura o gatilho.

Bianca olha para Gregório desacordado e coloca o cano do revólver na boca dele. Closes alternados: Bianca com lágrimas nos olhos e Gregório desacordado com o cano da pistola na boca, sendo segurada por ele e por Bianca. Instantes. Bianca fecha os olhos, aperta o gatilho e a arma dispara. O sangue espirra no rosto de Bianca e ela abre os olhos. Fecha no rosto de Bianca, todo respingado de sangue. Fade Out.

   

 

     



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