Seas 1x06


 


 

TEASER

FADE IN:


 

  1. INT. ESCADARIA - DIA:

    Par de sapatos masculinos sobem, ligeiros, os degraus de uma escadaria. Chega ao fim da escada, adentra um

    CORREDOR

    Vai até uma porta. SOM DE CAMPAINHA.


     

  2. INT. APARTAMENTO - DIA:

    A vista da cidade de São Paulo é enquadrada por uma janela, grande. Eis que surge Flávio. Está em um apartamento amplo, sem mobília, piso e paredes claros.

                       FLÁVIO

    Eu tenho certeza de que se trata de um ótimo negócio.


     

    Ele vira-se e observa um SENHOR (terno e gravata, mala em mãos, expressão séria).

                       SENHOR

    Tal como este, não vai encontrar, sem dúvidas. Quer dizer, não nesse preço.

    Flávio cata o celular do bolso e disca alguns números.

                       FLÁVIO

    Eu vou falar com o interessado.

                       SENHOR

    Fique à vontade.

                       FLÁVIO

                       (ao tel.)

    Encontrei o perfeito e o negócio está praticamente fechado. (pausa) O preço está ótimo, senhor. Acho que não achamos melhor... (pausa) Excelente!

    Flávio desliga o telefone e vai até o SENHOR.


     

    FLÁVIO

    Vamos fechar negócio.

    O senhor retribui com um sorriso. CORTE DESCONTÍNUO.

    As mãos do senhor entregam meia dúzia de papéis a Flávio.

                       FLÁVIO (cont.)

    Perfeito.

    Por último, um molho de chaves também é entregue.

                       SENHOR

    Eu espero que façam bom proveito desse apartamento.

                       FLÁVIO

    Nós faremos, tenha certeza disso.

    O senhor dá as costas e sai, carregando sua mala. Bate à porta. Flávio vai até a vista e observa a panorâmica. SAI, repentino.


     

  3. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - DIA:

    Búlgaro sentado na cama, falando ao telefone.

                       BÚLGARO

                       (ao tel.)

    Ótima notícia, Flávio. Isso será útil em breve. Muito em breve.


     

    Búlgaro levanta-se e vai até uma mesa, onde há um pequeno banquete de café da manhã. Despeja café na xícara quando, de repente, alguém bate à porta. Búlgaro vai até ela e abre-a. Trata-se da SECRETÁRIA.

    SECRETÁRIA

    Bom dia, senhor capitão, só para lembra-lo de que chegaremos, em trinta minutos, ao porto de Santos.

    BÚLGARO

    Ótimo. Obrigado, Janaína.

    Ela sorri e ele fecha a porta. Escora-se nela. Vai à xícara e toma um gole dela.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Está chegando a hora de acabar tudo... Tudo...

    CLOSE nele.

    FLASHBACK - Regina ameaça Búlgaro com uma arma. FIM DO FLASHBACK.

    Búlgaro começa a rir.

    FLASHBACK 2 - Orlando pula da proa. FIM DO FLASHBACK.

    Ele ri mais ainda.

    FLASHBACK 3 - Búlgaro sorri para a enfermeira. FIM DO FLASHBACK.

    Búlgaro joga a xícara no chão. Ela rola, despejando café. FLASHBACK 4 - Búlgaro encara Flávio.

    FIM DO FLASHBACK.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Eu vou morrer. Hoje.

    Ele aproxima-se de seu quadro, à frente de um navio gigante, e atira-o ao chão.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    Ambiente parcialmente danificado. Búlgaro sentado em sua cadeira, sério.

    O telefone começa a tocar. Ele atende.

    BÚLGARO (cont.)

    E então? (pausa) Ótimo. Mantenha-as sob controle. Eu estou chegando.

    SUPER CLOSE DE BÚLGARO.


     

    CORTA RÁPIDO PARA:

  4. INT. CORREDOR - INDT:

    CÂMERA percorre o estreito lugar, de luzes piscando e pacatez absoluta.


     

    OUVIMOS berros femininos, altos. Eis que, então, em um movimento brusco, a CÂMERA vaza pela parede, chegando a uma

    SALA.

    Quem berra é Lívia e Kênia, desesperadas, amarradas numa cadeira e iluminadas por uma luz amarela, que pisca a todo tempo.


     

    ZOOM delas, até que a CÂMERA gira e revela, encarando-as, um HOMEM alto, careca, 30 e poucos anos, com parte da pele da face descamada e um machado em mãos.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO TEASER ATO I

    FADE OUT.


 

 



1x06 - FUGA


 

  1. EXT. FÁBRICA ABANDONADA - DIA:

    Lugar cercado de vegetação alta, janelas quebradas, em completo abandono.


     

  2. INT. FÁBRICA ABANDONADA - SALA - DIA:

    Lívia e Kênia encaram o HOMEM da cena anterior.

                       LÍVIA

    Quem é você? (berra) Me fala!!! Quem é você?

                       HOMEM

    Ninguém.

                       KÊNIA

    Tira a gente daqui. Eu te imploro! Tira a gente daqui!

    O homem ri.


     

    HOMEM

    A pessoa que quer vocês vai chegar só amanhã. Enquanto isso, tenho ordens pra cuidar de vocês.


     

                       LÍVIA

    De quem você tá falando? (alto) De quem você tá falando? Me responde!!! Você não pode deixar a gente aqui. Quem tá vindo? Em?

                       HOMEM

    Vocês só vão saber amanhã.

    Lívia começa a chorar. O homem abre a porta e SAI. Lívia faz força com a corda, tentando se soltar, mas é inútil.

                       KÊNIA

    Calma, Lívia. Você precisa ficar calma.


     

    LÍVIA

    Calma, Kênia?! Como você me pede calma? A gente saiu do navio, a gente tava livre, de frente pra Regina, pro Mauro, de frente pra uma vida nova!!! E o Búlgaro pega a gente de novo/

    KÊNIA

    Pera aí, como assim? O Búlgaro?

    LÍVIA

    É óbvio, Kênia. Se não for ele, quem mais vai ser? O Búlgaro descobriu a gente. Não tem mais saída. A gente tá ferrada!

    KÊNIA

    Não é possível, Lívia. A gente escapou em segredo. Ninguém viu a gente. É impossível, o Búlgaro não sabe onde a gente tá!

    LÍVIA

    Pode ser. Mas eu não sei o que o Búlgaro sabe ou não, Kênia; o que eu sei é que isso aqui não me cheira nada bem.


     

  3. EXT. PRAÇA - DIA:

    POV DE ALGUÉM - olha pra todos os lados de uma praça, com bancos, árvores, mas pouco movimento. O local é em frente à Igreja do episódio anterior.

    VOLTA À CENA.


     

    É Regina, lágrimas nos olhos, olhando pros lados.

                       REGINA

                       (chorosa)

    Cadê você, Lívia? Cadê você?

    Mãos masculinas pairam em seu ombro e ela vira-se, assustada, dando de cara com Mauro. Abraça-o, então.

                       REGINA

    Não é possível, Mauro. Depois de tudo... Depois de tudo que nós fizemos... A Lívia, a Kênia...

                       MAURO

    Calma, Regina. Não vai adiantar ficar aqui, no meio da praça, olhando pro nada. A gente vai voltar pro Rio e vamos recomeçar a nossa vida.

    Ela larga-o.


     

    REGINA

    Recomeçar? Como assim, recomeçar? Você tá louco? Pirou? Eu vou atrás da Lívia e da Kênia. Eu estou com elas nessa. A gente tá juntas, Mauro, e eu não vou pra minha casa, sorridente, como se estivesse tudo bem/


     

                       MAURO

    (exaltado)

    E qual a sua ideia genial? Abrir o mapa e ir pro primeiro lugar que você ver? (pausa) A gente não sabe quem são aqueles homens, pra onde eles levaram a Lívia e a Kênia... A gente não sabe de nada, Regina!

                       REGINA

    A gente não sabe quem são eles? Como assim, Mauro? Eles são da companhia! Eles querem Lívia e Kênia de volta! É simples: eles estão à mando de Búlgaro. Ou do Orlando, ou seja lá qual crápula esteja por trás disso.

                       MAURO

    Não adianta você ficar assim, Regina. A gente pode, sim, agir,

                       (MAIS)


     

    MAURO (cont.)

    mas só se tivermos alguma pista. Se não, o melhor a fazer é ficar longe daqui, longe de qualquer coisa que nos remeta a esse navio, ou os próximos a serem sequestrados seremos nós. Nós, Regina!


     

    Regina olha pros lados. Caio e Lianna vêm andando, apressados.


     

                       REGINA

    E aí, o que conseguiram?

    Caio entrega uma foto para Regina.

                       CAIO

    O dono daquele bar (aponta um bar, próximo à Igreja), ele autorizou a gente a ver as câmeras e...

                       REGINA

                       (completa)

    E essa é a placa do carro.

    CLOSE na foto: a cidade da placa é SANTOS.

    REGINA (cont.) (O.S.)

    Nós vamos pra Santos. A gente vai salvar essas meninas.


     

    MAURO (O.S.)

    Pra Santos?

    CAIO

    Pode ser perigoso, Regina. Existem muitas pessoas da SEAS que estão atrás de nós. Nós fugimos de um navio... Um navio com um sistema horrível... Com um sistema do qual conhecemos, do qual vivemos!

    REGINA

    Nada pode ser mais alarmante e perigoso do que ir pra casa, Caio, e colocar minha cabeça no travesseiro, dormir e aceitar que tá tudo bem, quando, na real, não está!

    MAURO

    E você pretende fazer o que em Santos, em, Regina?

    REGINA

    Simples, Mauro. Fazer aquilo que todos nós sonhamos desde de que conseguimos sair daquele navio: acionar a polícia. Uma operação em segredo. (pausa) Acabar, de uma vez por todas, com essa história maldita.

    CLOSE geral.


     

  4. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - JARDIM - DIA:

    Uma bola de golfe está posicionada. Enfim, recebe uma forte tacada.


     

    CÂMERA ABRE e revela-nos Clark, de óculos escuros e roupa despojada.

    Ao longe, um HOMEM levanta uma bandeira verde. Clark sorri e joga o taco no chão.


     

  5. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - PISCINA - DIA:

    Clark toma whisky e lê um jornal, agora em baixo de um guarda-sol, sentado numa espreguiçadeira.


     

    ORLANDO (O.S.)

    A velha foi salva, senhor.

                       CLARK

         Ótimo.

    Orlando aproxima-se por trás e senta-se numa cadeira ao lado de Clark, com um cigarro na boca.

    CLARK (cont.)

    É sempre bom manter os contatos, não acha, Orlando?

    ORLANDO

    Com certeza, senhor. Um telefone e várias coisas se resolvem. (ri) Tudo bem que, nada é de graça. Tudo muito bem pago.


     

    CLARK

    Cair no prejuízo não é um bom indicativo. Você está certo de que, salvando a mãe dessa mulher, teremos ela ao nosso lado?

    ORLANDO

    Eu vou fazer de tudo para que dê certo, senhor.

    CLARK

    Eu espero que sim. (pausa) Mas... Você não me falou sobre o atirador. Pra quem trabalhava?


     

    CORTA PARA FLASHBACK:


     

  6. EXT. TELHADO DE UM PRÉDIO - NOITE:

    Através da janela, vamos Tonica com seus afazeres, dentro da cozinha de casa.


     

    Eis que surge na tela um HOMEM, todo de preto, apontando uma arma grande.

    POV DA MIRA - A cabeça de Tonica está na mira. VOLTA À CENA.

    Eis, então, que um HOMEM (negro, barbudo, 30 e poucos anos) surge atrás, apontando uma arma para o atirador (branco, roupas pretas, boné, jovem). Tensão.


     

    O homem dispara contra o joelho do atirador, que dá um berro de dor e cai de cara no chão. O homem aproxima-se dele, com o celular no ouvido.


     

    HOMEM

    Eu to com ele na minha frente. (pausa) Certo. (para o atirador) Pra quem você trabalha?

    O atirador não responde.

    HOMEM (cont.) Senhor/ (pausa) Certo.

    Ele desliga o telefone.

                       ATIRADOR

    Me mata logo! Acaba com isso, cara!


     

    HOMEM

    Eu recebi ordens pra descobrir pra quem você trabalha e eu não vou sair daqui/

                       ATIRADOR

                       (geme/berra)

    Isso não vai acontecer!

                       HOMEM

    Nem que você fique tetraplégico, você vai me dizer, seu merda!!! (pausa/alto) Eu quero saber! Pra quem você trabalha?

                       ATIRADOR

    Me mata!!!

                       HOMEM

    Eu sinto muito pelo seu outro joelho, mas você implorou por isso!


     

    Ele mira o joelho do atirador e prepara-se para atirar mais uma vez.

    FIM DO FLASHBACK. VOLTA À CENA.

                       CLARK

    E então? Pra quem o atirador trabalha? Quem da companhia está por trás dele?

                       ORLANDO

    O capitão. Búlgaro.

    Orlando amassa o cigarro num cinzeiro, próximo.

                       CLARK

    É ótimo que seja Búlgaro. (pausa) É impressionante como as cartas chegam até a mim, sem que eu mova uma palha! É quando percebo que as jogadas estão sendo melhores do que podiam ser. (sorri/encara-o) Parece que eu já tenho minha próxima jogada, Orlando.


     

    CLOSE no jornal que Clark tem em mãos: "EMPIRE ATRACA HOJE, EM SANTOS".


     

    CLARK (cont.)

    Vamos até Santos buscar nossa arma contra a companhia. (pausa) Eu quero todas do nosso lado. (tempo) Lívia, Regina, Kênia e Lianna. Cada uma lutando contra o SEAS, como elas mesmas sempre sonharam.


     

  7. INT. RODOVIÁRIA - DIA:

    Regina, Mauro, Caio e Lianna caminham, separados um dos outros. Entreolham-se, em alguns momentos, enquanto driblam as várias pessoas no lugar.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    Chegam, enfim, em uma PLATAFORMA.

    Um ônibus estacionado. O motorista recebe os bilhetes dos passageiros, que adentram o veículo.


     

    Regina aproxima-se. Depois, vai Caio; Lianna e Mauro, como se não se conhecessem. O motorista, enfim, ENTRA no veículo. A porta fecha-se.


     

    Da janela, sentada ao lado de Mauro, Regina olha lá pra fora.

    SUPER CLOSE na placa: "De SERRINHA / com destino a SANTOS". PLANO GERAL. O ônibus vai saindo do lugar.


     

  8. EXT. EMPIRE - DIA:

    Os PASSAGEIROS divertem-se, descontraídos, meio as atrações da área externa, comandada por vários ANIMADORES.

    CLOSE num autofalante.

    VOZ (V.O.)

    Atenção, passageiros, a nossa viagem está chegando ao fim. Recomendamos a todos que estejam prontos para o desembarque, em uma hora.

  9. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - DIA:

    As mãos de Búlgaro puxam o zíper e fecham, finalmente, a mala.


     

    Búlgaro está de pé, dentro de um terno. Ao lado da mala, está seu quepe. Ele pega o objeto e fita-o por alguns segundos.


     

    FLASHBACK PARA:


     

  10. INT. PRÉDIO SEAS - SALA DE REUNIÕES - DIA (ANOS ANTES):

    Uma mesa redonda. Búlgaro e seis outros HOMENS (todos em trajes formais) discutem alguma coisa, FORA DE ÁUDIO. Uma cadeira está vaga.

    Eis que Clark abre a porta e ENTRA. ABRE áudio.

    CLARK

    Desculpem meu atraso. Um trânsito infernal, nessa cidade, como sempre.

    Clark senta-se.


     

    BÚLGARO

    Nós já começamos a discussão do projeto, investidor Clark.

    CLARK

    E o que eu perdi?

    Búlgaro pega um controle, sobre a mesa, e aponta para a parede. Um projetor lança um pequeno texto, cujo título é: "SEXO EM ALTO MAR".


     

    BÚLGARO

    Um novo negócio. Um negócio que depende de todos vocês.

    Clark vira-se para ele.

    CLARK

    "Sexo em alto mar". (ri) Do que se trata?


     

    HOMEM

    De um investimento da companhia, Clark. A SEAS está disposta, dentro do maior navio do mundo, criar um esquema de prostituição.


     

    BÚLGARO

    Não seja tão frio, Régis. (pausa) Não se trata de um esquema de prostituição. É um prazer a mais para nossos passageiros.

    CLARK

    Investimentos... (pausa) Você sabe que a SEAS está devendo pra cada um de nós, não sabe, capitão?

    BÚLGARO

    O Empire será comandado por mim, Clark. Eu sinto muito, mas eu sou apenas um contratado da companhia. Eu sou pago para negociar todas as atrações do meu navio e essa é a proposta. Talvez, com ela, o lucro chegue rápido e essas... E essas dívidas sejam erradicadas, finalmente, mas/

    CLARK

    (corta-o)

    Qual é a garantia de que, com mais investimentos, não seremos passados pra trás? Vocês devem a cada de um de nós, que injetamos grana nos navios!


     

    HOMEM 2

    É uma ótima proposta, Clark. Você, como líder dos investidores, deveria nos ouvir. É a chance de termos a dívida paga: um esquema como esse gera lucros absurdos!

    CLARK

    Uma proposta como essa exigiria segurança, exigiria muita gente calada, consentida, ou vocês acreditam que manter um esquema de exploração deva ser fácil?

    BÚLGARO

    É claro que não. Por isso investimentos. (pausa) A cima de tudo, queremos lucrar. Tripulantes em alto mar não podem rejeitar serviço: esse será só mais um. E, caso deem problemas, é bem simples, teremos a família, os bens, tudo, de cada um deles, como garantia.

                      
                       (MAIS)


     

    BÚLGARO (cont.)

    (apoia os braços na mesa) A única maneira de os investimentos valerem a pena e a companhia sair lucrando, é com esse projeto, Clark.

    CLARK

    E quem o criou, está disposto a vende-lo?


     

    Búlgaro mete a mão dentro do bolso do paletó e retira uma foto.


     

    BÚLGARO

    Quem o criou está disposto a doá-lo à SEAS.


     

    Por fim, ele abre a foto e põe-na sobre a mesa. CLOSE na foto: Orlando.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Orlando, um velho amigo meu.

    CLOSE em Clark; nos demais; enfim, em Búlgaro.

    BÚLGARO (cont.)

    E então, podemos fazer a votação?

    FIM DO FLASHBACK.


     

       FADE OUT.


     


     

    FADE IN:

    FIM DO ATO I ATO II


     

  11. INT. EMPIRE - TEATRO - TARDE:

    O teatro lotado. As luzes apagam-se. Uma luz surge no meio do palco. Búlgaro entra, dentro de um terno.

    BÚLGARO

    Gostaria de saudar a todos os que passaram dias maravilhosos, embarcados no Empire, o maior navio do mundo!

    Muitas palmas.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Certamente, esta viagem ficará marcada em toda a história da companhia SEAS e do navio Empire, construído com muito esmero e com muita valia. Esse navio é fruto de um projeto coletivo, um projeto dignamente brasileiro e nós nos orgulhamos disso. Por isso, trazer o Empire ao Brasil, com uma rota nova, viajar por pontos importantes da América do Sul e levar destaque para um país tão belo como o nosso, foi algo extremamente importante para a companhia. (pausa) Obrigado. Obrigado pelas palmas, pela presença de vocês e por cada um que se deliciou com as acomodações e com as atrações que só o Empire pode oferecer. (pausa) Desde já, agradecemos pela confiança em nossas estruturas e desejamos um bom desembarque a todos. (pausa) Acima de tudo, viagem sempre; viagem conosco. SEAS: a companhia de cruzeiros presente em todo o mundo!


     

    A luz do palco apaga-se e a do teatro acende, mas Búlgaro não está mais lá. Todos os passageiros levantam-se, com palmas e assovios.


     

  12. EXT. EMPIRE - TARDE:

    O navio encaminha-se para o porto de Santos, à vista. Buzina.


     

  13. EXT. EMPIRE - TEATRO - BASTIDORES - TARDE:

    Búlgaro caminha pelo corredor, extremamente sério. Passos de sapatos femininos aproximam-se por trás e Búlgaro para.

    Vira-se. Dá de cara com a enfermeira do episódio anterior. Ela retira uma pequena cápsula de dentro do jaleco e entrega ao capitão.


     

    ENFERMEIRA

    Exatamente como/

    BÚLGARO

    (corta-a) Obrigado.

    Ele aproxima-se da boca dela e dá um selinho. SAI, andando. A mulher leva uma das mãos à boca e fica ali, paralisada.


     

  14. EXT. RODOVIA - TARDE:

    O ônibus com destino a SANTOS passa, erguendo as folhas do asfalto.


     

  15. INT. ÔNIBUS - TARDE:

    Regina cochila, deitada no ombro de Mauro, que observa a vista, sério. Lianna está mais atrás, ao lado de Caio.

    LIANNA

    Tanta cosa aconteceu de ontem para hoje...


     

                       CAIO

    Ainda bem que deu tudo certo. Eu não me perdoaria se... Se Búlgaro tivesse ficado com Mauro e Regina.

                       LIANNA

    Usted hiciste su mejor!

                       CAIO

    Será mesmo?

                       LIANNA

    Por que diz isso?

                       CAIO

    A Lívia, Lianna. A Lívia não olha pra mim.


     

    LIANNA

    (sorri) Gosta mesmo dela?

    CAIO

    Eu sou completamente apaixonado pela Lívia.

    LIANNA

    Livia siempre ha estado muy preocupada con nosotros, con su familia, la vida que tenía, que ella tendrá ahora... tudo muy confuso para ella, Caio. Creo que no tenía tiempo para comprender usted. Entiende?


     

                       CAIO

    Pode ser, Lianna, mas eu... Eu não vou aguentar me separar dela. E eu só estou aqui, agora, indo pra qualquer lugar, porque eu quero a Lívia e eu vou procura-la até onde/

                       LIANNA

    Espere! Espere! Caio, no...

                       CAIO

    O quê?

                       LIANNA

    No, no es así! Ese es tu erro, Caio. Livia quiere a alguien para lutar com ella en momentos como éste, que estamos viviendo. No para, simplemente, casarse, tener hijos y la vida que todos tiene. Yo conheço Livia, Caio, y sei que ella siente algo por ti, mas/

    CAIO

    Mas o quê, Lianna?

    LIANNA

    Usted tiene que entender que Livia no es cualquier mujer; que no tiene sueños, sueños con un castillo de princesas. (pausa) Livia es humana e quiere alguien que es también.

    CLOSE em Caio.


     

  16. EXT. FÁBRICA ABANDONADA - TARDE:

    Um carro preto estaciona em frente à porta de entrada, onde dois HOMENS altos fazem a segurança. Flávio sai do veículo e ENTRA.


     

  17. INT. FÁBRICA ABANDONADA - SALA - TARDE:

    Lívia e Kênia gritam por "socorro" e choram.

                       LÍVIA

                       (grita)

    Eu to com fome!!!


     

    KÊNIA

    Tira a gente daqui, seus monstros!!!

    LÍVIA

    Não vai adiantar, Kênia. Parece que não tem ninguém aqui.

    Kênia se mexe na cadeira.

    KÊNIA

    A gente tem que sair daqui. Tem que ter um jeito de sair daqui Lívia.

    LÍVIA

    Não. (pausa) Não tem, Kênia!

    KÊNIA

    Eles vão matar a gente, Lívia! Eles vão matar a gente. Não é possível, o que mais eles iriam querer de nós?


     

                       LÍVIA

    Não. Eles não vão matar a gente. Eles já teriam feito isso. (pausa) Eles estão mantendo a gente aqui por algum motivo. Por algum motivo que eu não sei qual, Kênia.

                       KÊNIA

    A pessoa que quer vocês só chega amanhã, não foi isso? Não foi isso que aquele monstro falou?

                       LÍVIA

    Búlgaro?

                       KÊNIA

    Orlando?


     

  18. INT. FÁBRICA ABANDONADA - SALA DE CÂMERAS - TARDE:

    ABRE em dois monitores, exibindo imagens de Kênia e Lívia, amarradas, no meio da sala.

    CÂMERA ABRE até revelar Flávio, ao lado do homem da cena 6.

                       FLÁVIO

    Pode entregar comida pra elas, Dil.


     

                       DIL

    Tem certeza? Elas aguentam/

                       FLÁVIO

                       (corta-o)

    Dá a comida e ponto. O chefe quer as meninas sadias, prontas pra todo tipo de pergunta.

                       DIL

    Sim, senhor.

    Flávio bate no pescoço de Dil e ri.

                       FLÁVIO

    Eu sabia que você seria o mesmo homem eficiente das outras épocas.

    DIL

    Eu prefiro não me lembrar de outra época, Flávio.

    FLÁVIO

    Você sempre soube reconhecer suas dívidas. Isso é uma nobreza sem tamanho.

    Flávio ri e encara o monitor.

    FLÁVIO (cont.)

    Trate as meninas bem e receberá uma ótima recompensa por isso. (olha-o) Estamos combinados?

                       DIL

    Eu estou às ordens, Flávio.

                       FLÁVIO

    Ótimo.

    Flávio vira-se, em direção à saída.

                       DIL

    Só mais uma pergunta, Flávio.

    Flávio vira-se para Dil, sorridente.

    DIL (cont.) Por que você mudou tanto?

    Flávio aproxima-se dele.


     

                       FLÁVIO

    Apenas faça seu trabalho, meu amigo. Apenas isso. (pausa) Eu farei de tudo para que o chefe goste tanto de você quanto eu. Eu prometo.

    Flávio vira-se e SAI. CLOSE em Dil.


     

  19. INT. FÁBRICA ABANDONADA - SALA - TARDE:

    Lívia e Kênia de cabeça baixa, tristes. Dil abre a porta e ENTRA com uma bandeja, com dois sanduíches embalados.

    LÍVIA

    Cadê o homem? Cadê o homem que você disse que queria nos ver?

                       KÊNIA

    (alto) Fala!!!

    Dil afrouxa as cordas das mãos de Kênia e Lívia.

                       LÍVIA

    Eu não quero comida!!!

                       DIL

    Então não coma.

                       KÊNIA

    O quê?

    Ele joga um sanduíche no colo de Lívia e outro, no de Kênia.

    LÍVIA

    (berra) Cadê o homem?


     

    E Lívia se mexe até jogar o sanduíche no chão. Dil ergue uma das mãos e aponta para uma câmera. Lívia e Kênia encaram o objeto. Dil SAI e bate a porta. Ouvimos as trancas. Lívia chora muito; Kênia afaga a amiga.

    KÊNIA

    Calma, Lívia, calma. A gente vai dar um jeito. A gente vai sair daqui!


     

  20. EXT. PORTO DE SANTOS - TARDE:

    O navio está atracado e há intensa movimentação à frente do navio, desembarcando as malas.

    MONTAGEM:

         A) As pessoas tiram as últimas fotos dentro do navio;

         B) Corredores movimentados.

         C) Uma funcionária varre a House Pink.

         D) Camareiras limpam os quartos.

         E) As pessoas vão deixando as cabines.

         F) O restaurante está cheio. FIM DA MONTAGEM.


     

  21. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE:

    Búlgaro ENTRA e bate a porta. Retira o blazer e joga sobre a cama. Ele olha para a vista da janela e retira algo de dentro do bolso da calça.


     

    CORTA para as mãos de Búlgaro. Trata-se da cápsula entregue pela enfermeira.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    PLANO-DETALHE: a cápsula é aberta por Búlgaro e seu pó branco é despejado dentro de um copo, cheio d’água.


     

    PLANO GERAL. Búlgaro pega o copo e observa-o por alguns instantes.

    PLANO-DETALHE: Um corpo de fundo vai se formando. ABRE. Neste momento, Búlgaro dá uma golada só na água.

    POV DE BÚLGARO - Tudo fica turvo. Ele cambaleia para trás. Os olhos prestas a fecharem. De repente, CAI no chão. Os olhos relutam, até que, finalmente...


     

            FADE OUT.

    FADE IN:


     

  22. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE:

    Do rosto desfalecido de Búlgaro, a câmera dá um repentino ZOOM-OUT.

    A porta abre-se e a secretária ENTRA. CLOSE nela. GRITO DE HORROR.


     

  23. INT. RODOVIÁRIA DE SANTOS - TARDE:

    A porta do ônibus abre-se e Regina, Mauro, Caio e Lianna descem do veículo. Movimentação forte ao entorno. Reúnem-se, meio deslocados.


     

    CAIO

    Pessoal... Tem alguém que pode nos ajudar a chegar no porto.

    REGINA

    Pera aí, Caio, você conhece alguém daqui?


     

                       CAIO

    Confiem em mim.


     

  24. EXT. BECO - TARDE:

    Um carro preto estacionado.

    Caio e todos ENTRAM. Regina lança um olhar desconfiado para Mauro.

    Caio aproxima-se do carro e dá duas batidas no capô.

    A porta traseira é aberta e um JOVEM, magro, 19 anos, cabelos loiros, sai de lá. Ele encara Caio por alguns instantes.


     

                       JOVEM

                       Caio?


     

    Caio sorri para ele. Felizes, abraçam-se.

    Lianna, Mauro e Regina estão mais atrás, desconfiados.

    CAIO

    Como você tá, Júlio?


     

    (CONTINUA)


     

    JÚLIO

    Eu to... Eu to vivendo por aí, né? No trampo. To aqui, fazendo hora. (pausa) Mas e você, tá fazendo o que aqui? O cruzeiro, Caio, o que, que houve?


     

    CAIO

    Longa história. (aponta pra trás) Esses são Regina, Mauro e Lianna. Amigos meus. Será que rola de tu dar uma carona pra gente?

    Júlio encara-o, indeciso.

    CAIO (cont.)

    Quebra esse galho pro teu primo, vai?


     

    JÚLIO

    Sei não, Caio. Eu não posso tá saindo muito com o carro. Eu sou pago pra tá de vigia. Tu sabe, não sabe?


     

    CAIO

    Calma, Júlio. É rápido, cara. Só levar a gente ali, no porto, e voltar. Nada demais.

    JÚLIO

    Quer dinheiro pro táxi? Eu te arranjo/


     

    CAIO

    Júlio, a gente precisa de segurança. Eu preciso que você leve a gente até lá.

    Júlio vira pra trás, pensativo.

    JÚLIO

    O patrão vai bolar, mas vai, entra aí.


     

    CAIO

    (festeja) Isso, moleque!


     

    Regina, Mauro e Lianna, ainda meio estranhos, avançam no carro. Todos ENTRAM e Júlio parte com o veículo.

  25. EXT. RUA DO PORTO - TARDE:

    Esta rua é um dos caminhos para a entrada ao porto.

    Um caminhão grande, com o logotipo da companhia SEAS, para em frente ao porto. A janela do carona abaixa e Flávio aponta lá dentro, observando a movimentação.


     

  26. EXT. RUA OPOSTA AO PORTO - TARDE:

    Esta rua é sem saída e tem visão direta para todos os arredores do porto.


     

    POV DE ALGUÉM - Observa o porto, ao longe, assim como o EMPIRE.

    VOLTA À CENA.

    É Orlando. Ao lado dele está Clark, com um binóculo, observando tudo.


     

                       ORLANDO

    E então? Vê alguma coisa?

                       CLARK

    Desembarque de malas, apenas.

                       ORLANDO

    Ótimo. Em breve os passageiros saem, incluindo Regina e o marido. Depois, os tripulantes, incluindo Lianna, Kênia, Lívia e Caio. Enfim, sai o capitão...

    Clark retira o binóculo do rosto e encara Orlando.

                       CLARK

    Búlgaro.

                       ORLANDO

    Exato, senhor.

    CORTA para o carro, onde está Luciano e um HOMEM (careca, mesma faixa de idade de Luciano).

    TENSÃO.

    ZOOM-OUT dá um PLANO GERAL da rua; do Empire; do porto; do mar.


     

    FADE OUT.

    FIM DO ATO II


     

    (CONTINUA)

    ATO III

    FADE IN:


     

  27. INT. EMPIRE - CORREDOR - TARDE:

    A enfermeira e mais dois HOMENS fortes, todos vestidos de branco, correm com Búlgaro, sobre uma maca.


     

  28. INT. EMPIRE - ENFERMARIA - TARDE:

    A enfermeira faz massagem cardíaca em Búlgaro. Agitação ao redor.


     

    ENFERMEIRA

    Vamos! Acorde! Vamos, capitão! (pausa) O desfibrilador.


     

    Um dos homens da cena anterior entrega o desfibrilador à enfermeira. Ela prepara e encosta o aparelho no peito de Búlgaro, que responde com um pulo imediato. Ela leva o dedo ao pescoço do capitão, respira fundo e encosta, mais uma vez, o desfibrilador. Outro pulo. Mede os batimentos, mais uma vez, e encara o homem, atrás dela.

    ENFERMEIRA

    (lágrimas) Ele tá morto!

    CLOSE no corpo de Búlgaro.


     

  29. INT. EMPIRE - CORREDOR - TARDE:

    Movimentação intensa em frente à porta da enfermaria. Muitos tripulantes vagam por ali, aflitos, comentando entre si. Um deles, porém, um HOMEM alto, traje de mecânico, barba e cabelos ralos, afasta-se um pouco e disca um número no celular.


     

    HOMEM

    (voz baixa/ao tel.) Deu certo. Ele tá morto.


     

  30. EXT. PORTO - TARDE:

    Os passageiros desembarcam do Empire em ritmo tranquilo. Ao fim da rampa de acesso ao porto, entregam seus cartões a UMA TRIPULANTE.

    Mais afastados, estão DOIS HOMENS, altos, estilo segurança.


     

  31. EXT. RUA OPOSTA AO PORTO - TARDE:

    Clark, Orlando e Luciano observam o porto, de longe. Orlando com o binóculo.


     

                       ORLANDO

    Isso tá muito estranho!

                       CLARK

    Nada, ainda, né?

                       ORLANDO

    Nem sinal do casal. (pausa) Cadê vocês, em? Aparece Regininha, aparece...


     

  32. EXT. RUA PRÓXIMA AO PORTO - TARDE:

    O carro de Júlio estaciona. Vemos uma ponta do Empire, atracado.


     

  33. INT. CARRO DE JÚLIO - TARDE:

                       JÚLIO

    No que vocês tão metido? Em?

                       CAIO

    Nada, Júlio, calma. É só um lance aí, mas tá próximo de ser resolvido. A gente só precisa tirar uma foto do capitão.

                       JÚLIO

    Uma foto?

                       CAIO

    Isso.

                       REGINA

    Depois disso a gente vai na polícia e acaba com a farra desse desgraçado.

    JÚLIO

    Eu não to gostando nada disso, Caio. Eu acho melhor vocês/

    Caio olha pelo vidro do carro. Ninguém desembarca.


     

                       CAIO

    Tem alguma coisa estranha...

                       MAURO

    O que foi?

                       LIANNA

    La tripulación deberia estar en el suelo, pero no tiene ninguém...

    JÚLIO

    Pera aí... Todos vocês estavam no navio?


     

    REGINA

    Ele já disse que é pra você não se meter!


     

    JÚLIO

    Qual foi, dona?! Vocês estão atrapalhando meu serviço; tão aqui de favor!


     

                       MAURO

    Regina/

                       REGINA

    Tá, ok. Eu to um pouco nervosa. Me desculpa, tá, Júlio?


     

    Júlio encara-a. O telefone dele começa a tocar. Atende, rapidamente.


     

    JÚLIO

    (ao tel.) Alô? Alô?

    Desliga o telefone.


     

                       JÚLIO

    O negócio é o seguinte. Meu chefe deve estar precisando de mim. Eu preciso voltar.

                       CAIO

            Tá.

                       MAURO

    A gente espera escondido, por aqui, Caio.


     

    REGINA

    Isso. Vamos!

    Regina abre a porta, aflita, e sai. Mauro e Lianna vão saindo também. Caio fica com Júlio.

    CAIO

    Meu primo, eu/

    JÚLIO

    Fica tranquilo, Caio. (pausa) Quando você ver sua mãe, diz a ela que... Que ela não teve culpa de nada.


     

    CAIO

    Eu não sei se eu vou ver a mamãe, primo.


     

                       JÚLIO

    Você não conseguiu tratamento?

    FLASHBACK - Caio lembra-se da conversa com Lívia.

                       CAIO

    Para, para com esse discurso. Claro que importa. Você vive aquilo que eles querem que você viva,

    Lívia. Entende que você faz parte de um sistema. Eu posso ter te ajudado hoje, mas muito em breve eu não devo estar mais aqui.

                       LÍVIA

    Como assim, Caio? Por quê?

                       CAIO

    Eu tenho um tumor, Lívia. Um tumor que me dá meses de vida...

    FIM DO FLASHBACK.

    Regina aponta na porta de trás. E ela bate a porta.

                       REGINA

    Vamos, Caio!

                       CAIO

    A gente se vê.

    Caio abre a porta e SAI. CORTE DESCONTÍNUO PARA A RUA.


     

    O carro vai embora. CLOSE em Regina.

                       REGINA

    Vamos.

    Eles vão em direção ao porto.


     

  34. EXT. RUA DO PORTO - TARDE:

    Flávio, no caminhão, ainda com o binóculo. Retira o objeto do rosto.


     

                       FLÁVIO

    (ao MOTORISTA do caminhão) Ele tá demorando muito...


     

    Nisso, o motorista aponta para algo fora da tela. Flávio vira-a àquela direção. Desposta um sorriso em seu rosto.


     

  35. INT. EMPIRE - TARDE:

    SONOPLASTIA - Dream No More, por Metallica.

    Um corpo é descido pela rampa, sobre uma maca, levado pelos enfermeiros. Vão abrindo espaço.


     

  36. EXT. RUA OPOSTA AO PORTO - TARDE:

    Orlando retira o binóculo do rosto, completamente abismado.

                       ORLANDO

    Mas que porra é essa?

                       CLARK

    O que foi, Orlando?

                       ORLANDO

    Tem um corpo. (encara Clark) Tem um corpo descendo do navio!

                       LUCIANO

    É claro. O capitão. O capitão tá morto!

    CLOSE em Clark, surpreso. Ele saca um rádio comunicativo.

                       CLARK

                       (ao rádio)

    Sigam essa maca! Sigam!!!


     

  37. EXT. RUA PRÓXIMA AO PORTO - TARDE:

    Regina, Caio, Lianna e Mauro, abismados, acompanham, atrás de uma cerca, o corpo sendo levado.

                       REGINA

    Não pode ser. O que é aquilo.

                       MAURO

    Alguém morreu dentro do navio.

                       CAIO

    O capitão morreu.

                       LIANNA

    Dios!


     

  38. EXT. PORTO - TARDE:

    Uma ambulância estacionada. O corpo, coberto, é colocado dentro da ambulância, por dois paramédicos.

    CLOSE na enfermeira.

    Os homens de Clark estão mais atrás. Falam algo no rádio comunicador e, enfim, dão as costas, SAINDO.


     

    A enfermeira olha pros lados. A porta da ambulância é fechada e o veículo vai embora, com a sirene soando por todos os lados.

    Ela sai de nosso PV.


     

  39. EXT. RUA OPOSTA AO PORTO - TARDE:

    Clark com o rádio comunicador. Orlando no binóculo. Luciano escorado no carro.


     

    CLARK

    Vamos! Respondam!

    LUCIANO

    Você acha que o carro vai conseguir seguir a ambulância? Eles vão despistá-los.

    CLARK

    Não é possível. Esse maldito capitão não pode ter morrido. (a Orlando) Continue aí Orlando. Eu quero me certificar de que esse

                       (MAIS)

    CLARK (cont.)

    avelho não tá se escondendo, com medo do que vai encontrar aqui fora. Se ele sair, é a nossa chance.


     

                       ORLANDO

    Por enquanto, nada...

                       CLARK

                       (rádio comunicador)

    E então? Alguma notícia? Respondam!


     

  40. EXT. RUA - TARDE:

    Um carro preto, com os homens de Clark, segue a ambulância. Ambos em alta velocidade.


     

  41. EXT. AMBULÂNCIA - TARDE:

    O motorista fala palavras de ordem, em chinês, para alguém, na parte de trás do veículo. Ele entra nas ruas, rapidamente, e observa, atento, pelo retrovisor externo, o carro preto perseguindo-o.

    CORTE DESCONTÍNUO. EXT./

    A ambulância, enfim, entra em um beco e para. Motor é desligado. O caminhão está estacionado mais à frente.

    INT./

    O motorista olha pelo retrovisor e não vê ninguém. Olha pra trás e balança a cabeça positivamente para alguém, fora da tela.

    EXT./

    Eis que, atrás de uma parede, surge um dos homens de Clark. Ele porta o rádio comunicador em mãos. Aperta no botão.

    Porém, nesse instante, uma bala o atinge. Cai no chão, morto.


     

    A CÂMERA gira e revela-nos Flávio, segurando uma arma com silenciador. Ele dá um leve chute no corpo do homem e aproxima-se da ambulância. Bate duas vezes na porta, que se abre.


     

    POV - Visão embaçada vê, não nitidamente, a figura de Flávio, sorridente.


     

    VOLTA À CENA.

    Flávio ajuda, junto dos paramédicos falsos, Búlgaro a descer. Ele está pouco consciente. Flávio olha pra trás, certificando-se de que não há ninguém.

    FLÁVIO

    Vamos colocar ele no caminhão. Eu quero tudo rápido e com o máximo de silêncio possível! Vamos!!!

    E eles vão levando Búlgaro. FIM DA SONOPLASTIA.


     

  42. EXT. RUA OPOSTA AO PORTO - TARDE:

    CLARK

    Que merda! Eu perdi o contato com eles!


     

                       LUCIANO

    E agora?

                       ORLANDO

    (mexendo o binóculo)

    Pera aí, eu conheço aquele rosto. Oh, não! Quem diria!!!

    CLARK

    O que foi, Orlando?

    POV DE ORLANDO - No binóculo, vê-se Mauro, Regina, Caio e Lianna, conversando entre si, próximos à grade.

    VOLTA À CENA.

    (ORLANDO)

    Parece que não perdemos a viagem. (pausa) São eles. Regina, Caio e Lianna.


     

    CLARK (cont.)

    Vamos! Vamos pegar eles, então! Rápido!!!


     

    Clark entra em um dos carros, junto de Luciano. Orlando vai em outro, onde tem alguns homens. Os carros dão marcha ré e saem cantando pneus.


     

  43. EXT. RUA PRÓXIMA AO PORTO - TARDE:

    REGINA

    Não tem mais o que fazer! A gente tem que ir embora. Quem quer que seja naquela maca, não vai fazer diferença.


     

    CAIO

    Se for o Búlgaro vai!

    REGINA

    Não, Caio. Se foi o Búlgaro, ele já deve estar longe há muito tempo, e aquilo não passou de uma ilusão.

    CAIO

    De qualquer forma, a gente precisa achar um lugar seguro.

                       LIANNA

    Pessoal...

    Todos viram-se para Lianna, que observa os dois carros pretos de Clark se aproximar deles, rapidamente. Eles encostam nas grades e olham-se, aflitos. Os carros estacionam em frente a ele. Orlando sai do carro.

                       CAIO

    Merda.

                       REGINA

    Orlando?


     

    Eis que Clark sai do outro carro e aproxima-se.

    CLARK

    Então são vocês!

    Todos se olham, medrosos.

    CLARK (cont.)

    Eu esperei muito por esse momento!


     

    FADE OUT.


     

    FADE IN:

  44. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - NOITE:

    Os carros da cena anterior parados em frente à escadaria. Dois seguranças em pé, ali.


     

  45. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - SALA DE INTERROGATÓRIO - NOITE:

    Regina, Mauro, Lianna e Caio, todos sentados na cadeira. Uma mesa separa-os de Orlando. Todos sérios.


     

  46. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - SALA DE INTERROGATÓRIO - OBSERVATÓRIO - NOITE:


     

    Clark, Luciano e outras pessoas observam, atentos, a sala de interrogação, separada desta sala por um vidro preto.


     

  47. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - SALA DE INTERROGATÓRIO - NOITE:

    ORLANDO

    Vocês não vão falar nada? (tempo) Tudo bem. Eu já entendi. Vocês estão com raivinha de mim.

    Acontece. A vida é feita de negócios e vocês deveriam entender melhor as posições de uma pessoa.

    MAURO

    Você é um monstro.

    ORLANDO

    Eu? (ri) Vocês estão enganados. Eu estou disposto a me vingar da companhia, do capitão/

    CAIO

    Não seja patético, Orlando. Você está do lado deles e só está mantendo a gente aqui para alguma coisa que, até agora, eu não sei. Eu acho que todos nós concordamos: você já pode nos matar. Chega desse show. Acabou.

    ORLANDO

    Sabe, Caio, você sempre se mostrou muito interessante, muito inteligente... Ligeiro pra tudo.

    Mas você falhou, quando entendeu que isso daqui é o fim.

    Orlando levanta-se, perambulando de um lado pro outro.


     

    ORLANDO (cont.)

    Isso daqui é o recomeço, na verdade. A facção/

                       REGINA

    Facção?

                       ORLANDO

    A justiceira desperta para as palavras chaves. (pausa) Você é ótima, Regina.

    REGINA

    (berra)

    Chega!!!! Eu estou cansada desse jogo ridículo. O que você quer, seu monstro? Você acha que com esse seu faro manso engana alguém daqui? Nós já presenciamos quem você é de verdade, Orlando! Nós já vimos o quão cruel você é! Para com esse show! (pausa) Pisou na Kênia até o fim; fez da vida daquelas meninas um inferno! (pausa) Você acha o quê? Que com esse papinho mole vai nos conquistar? Ninguém aqui passou por amnésia, Orlando; não, ainda!

    ORLANDO

    Eu tenho certeza que não.

    CAIO

    Então para de brincadeira e fala logo o que você quer.

    ORLANDO

    Vocês iam na polícia, não iam?

    REGINA

    (escora-se na cadeira) Ah, ótimo. Era isso.

    ORLANDO

    Tudo bem. Tudo bem. Eu vou tentar de novo. (pausa) Quando eu pulei da proa, me arisquei em alto mar, subi num barco e fugi daquele navio/

    REGINA

    Era porque você estava com medo de morrer!


     

                       ORLANDO

    Sim, você tá certa, Regina. Eu estava com medo de morrer. Mas alguém, alguém, que está do outro lado desse vidro, me convenceu de que seria muito válido me unir para acabar com SEAS; com Búlgaro e com toda essa organização/

                       REGINA

    Você não me engana, Orlando.

                       LIANNA

    Usted no engaña a ninguén! ¿O crees que voy a olvidar lo todo que me diciste? Hein?

                       ORLANDO

    Eu me arrependo de muitas coisas.

                       CAIO

    Teatro... Tudo teatro.

                       REGINA

    Você pode falar o quanto você quiser, Orlando. Ninguém vai te atender.


     

    ORLANDO

    OK. Chega! Eu tentei. Eu juro que eu tentei.


     

    Orlando puxa uma arma da cintura e põe sobre a mesa. Todos encaram, espantados.


     

    ORLANDO (cont.)

    Então, agora, eu vou direto pra pergunta. Chega de enrolação. Me olhem como quiserem. (pausa) Vocês estão aqui para lutar conosco, sim, e isso não vai mudar se eu estiver aqui ou não; se acreditarem ou não no que eu digo. (pausa) O que eu quero de vocês resume-se a uma simples pergunta.

                       REGINA

    Fala longo, bandido.

    SONOPLASTIA - Love Will Tear Us Apart - Joy Division.


     

    ORLANDO

    Eu quero saber, exatamente, onde estão Kênia e Lívia.


     

    Todos se olham. CLOSE em Orlando, à espera da resposta. CÂMERA, então, vaza pelo vidro escuro e chega ao

    OBSERVATÓRIO DA SALA DE INTERROGATÓRIO.

    Clark de pé, observando tudo, atento.


     

  48. INT. FÁBRICA ABANDONADA - SALA - TARDE:

Aqui estão Lívia e Kênia, meio sonolentas.

As trincas da porta começam a ser abertas. Elas se olham por alguns instantes. A porta abre-se, então, repentina, e Búlgaro ENTRA.

Reação de Lívia e Kênia, apavoradas. Ele solta uma risada.

BÚLGARO

Como vão, meninas? Eu estava morrendo de saudades.

CLOSE em Búlgaro, mais demoníaco do que nunca. SONOPLASTIA ENCERRA COM OS CRÉDITOS.

FADE TO BLACK.



 Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
 
 
 REALIZAÇÃO
 
 
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