
Cena 1/Int./Portugal – Lisboa/Castelo Castro
Figueroa/Escritório/Dia.
Manuela e António Sérgio estão sentados, Manuela
está lendo um documento.
MANUELA
Isso é
ridículo… Não vou aceitar essa quantia pela guarda da Maria Alice. Ela deve
valer mais, não?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério) Primeiro,
quero que fique muito claro que não estou a comprar a minha filha. Estou a
oferecer-te uma última oportunidade de resolver isto sem transformar a Maria
Alice no objeto de uma disputa judicial. E, além disso, não estás em condições
de exigir nada. Duzentos mil euros é até mais do que mereces.
MANUELA
(altiva) Quero
falar contigo a sós.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não,
Manuela… Por mim, nem estaria aqui a falar contigo, mas sou obrigado.
MANUELA
Se não
mandares o… Gonçalo sair, não há acordo.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(contra a
vontade) Está bem… Gonçalo, espera um instante na sala.
Gonçalo sai.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Pode falar.
Manuela se levanta, se aproxima de António Sérgio,
se ajoelha de frente para ele, acaricia as pernas dele.
MANUELA
Não podes
estar a falar a sério… Para com isso, meu querido. Sou eu… A mulher que
veneravas.
António Sérgio se levanta impaciente, se afasta de
Manuela.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(irritado) Manuela,
qual é a parte do (ênfase) “eu não sinto mais nada por ti” que não consegues
entender? O que sinto por ti não é nada bom. É tão mau que nem eu gosto de
sentir isto. Por isso, para de fazer cenas. Se eu fosse a ti, assinava já o
acordo pela guarda da Maria Alice, porque, mesmo sem mereceres, vais receber
por isso. Se formos para a justiça, vais sair de mãos vazias.
Manuela ainda está de joelhos, se levanta devagar,
encara António Sérgio.
MANUELA
(olhar
distante, pensativa) É por causa dela, não é?… (com nojo) A brasileira.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(impaciente) Não, Manuela. É por tua causa. A Elisa é a mulher que amo e que me mostrou o que é o amor puro, verdadeiro… Um amor que não é baseado em interesse ou conveniência. E podes ter a certeza de que vou atrás dela e lutar pelo perdão da Elisa. Agora quero saber: aceitas ou não o acordo para me entregares a guarda da Maria Alice?
MANUELA
(pensativa,
séria) Aceito.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Ótimo.
Então assina o documento e vamos acabar com isto.
Manuela assina o documento, entrega a António
Sérgio.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Ainda hoje
o Gonçalo vai depositar o valor na tua conta. (encara Manuela) Agora apelo ao
teu bom senso: não me persigas mais. Esquece que eu existo, porque, se
continuares a atormentar-me, vou ser obrigado a denunciar-te. Adeus.
António Sérgio sai. Manuela fica estática,
pensativa. Santiago entra.
SANTIAGO
(com
cuidado) Senhora Manuela... Está tudo bem?
MANUELA
(fria,
raiva contida, calma, olha Santiago) Não… Mas vai ficar, Santiago… Assim que eu
matar a brasileira… Aí, sim, as coisas vão ficar ótimas.
Santiago fica preocupado.
Corta Para:
Cena 2/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro
Diniz/Sala/Dia.
Maya e Elisa entram discutindo.
MAYA
(nervosa)
Elisa você só pode estar ficando louca!
ELISA
(impaciente)
Maya eu já falei que sei o que estou fazendo!
Berta vem da cozinha, se aproxima.
MAYA
Berta, me
ajuda a convencer a Elisa de não fazer essa besteira!
BERTA
Se eu
souber qual...
MAYA
Ela vai se
casar com o Álvaro!
BERTA
(espanto)
Elisa, você não pode fazer isso filha, você vai estar jogando a sua vida fora.
ELISA
Berta... Eu
sei o que estou fazendo. Confia em mim.
BERTA
António
Sérgio te ligou umas três vezes/
ELISA
(irritada) Que
ligue dez! Não quero saber dele, não vou atender e até vou mudar o número de
telefone daqui de casa, do mesmo jeito que mudei o número do meu celular! Agora
me deixem em paz!
Elisa sobe as escadas.
MAYA
(pensativa)
Não vou deixar Elisa fazer uma besteira dessa... E vou contar para o António
Sérgio.
BERTA
Então agora
você acredita nele?
MAYA
Sim Berta.
Mas tudo isso que está acontecendo é culpa dele, que contou um monte de
mentiras. Agora Elisa quer se casar com o inimigo porque deve estar desiludida.
BERTA
(cumplice)
Então vamos falar com o António Sérgio, vamos até o meu quarto, lá a Elisa não
vai ouvir.
Maya e Berta saem.
Corta Para:
Cena 3/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.
Estela está sentada, tomando suco. Dante se
aproxima.
DANTE
(nervoso)
Mamãe não adianta fugir! Você já passou de todos os limites tentando destruir o
meu namoro com a Sol.
ESTELA
(indiferente) Meu filho, se é para falar dessa sua loucura em insistir namorar com essa fulana, é melhor ir embora.
DANTE
(se
recompõe) Mamãe... Eu amo a Sol, não entendo por que essa implicância.
Estela se levanta, encara Dante.
ESTELA
Entende
sim! Eu acho que ela é pouca coisa para você!
DANTE
(tom alto)
Mas eu não! Ela é uma mulher incrível. (toma coragem) E vou me casar com ela.
ESTELA
(inconformada)
Não meu filho! Não faça isso. Não jogue sua vida fora e/
DANTE
(firme) A
Sol está grávida mamãe...
ESTELA
(impactada)
Como é...
DANTE
É isso que
você ouviu... A Sol está grávida.
Estela começa a sorrir aos poucos, é tomada pela
alegria.
ESTELA
(feliz) Eu
vou ser avó... Meu filho que alegria!
Estela abraça Dante.
DANTE
(tentando
entender) Mamãe... Eu vou ter um filho com a Sol... Lembra dela? A pessoa que
você mais detesta?
ESTELA
(emocionada,
feliz) Não mais meu filho, ela está esperando o meu neto! Eu preciso falar com
ela agora.
DANTE
(sorri sem
entender) É sério mesmo ou mais um truque?
ESTELA
Que truque
Dante? (feliz) Eu estou feliz de verdade! Parabéns meu amor!
Estela abraça Dante novamente.
DANTE
(sorri) Se
eu soubesse disso antes já teria te contado.
ESTELA
Vamos logo
falar com a Sol!
Dante e Estela saem apressados.
Passagem de Tempo – 1 Semana Depois.
Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Dia.
Álvaro abre a porta, Elisa entra.
ÁLVARO
(sorri) Que bom te ver meu amor.
ELISA
(aflita)
Álvaro eu mudei de ideia... Não quero mais me casar com você.
ÁLVARO
(a
expressão muda, fica sério) O que? Mas por que? O casamento é amanhã.
ELISA
(altiva) Eu
sei, mas eu pensei muito antes de terminar com você. Eu busquei nas minhas
lembranças e não encontrei nada que me mostrasse que você realmente me ama, que
me deseja, que sou única para você.
ÁLVARO
(sério)
Você sabe que te amo mais do que tudo.
ELISA
Se eu
soubesse não teria tomado essa decisão. Cansei de ser a imbecil da história.
(raiva, as lágrimas escorrem) Primeiro o homem que mais amei na vida que foi o
Bruno, queria me dizer que tinha outra. (nojo, raiva) Aquele desgraçado já deve
estar no inferno!... Depois foi o António Sérgio... Não estou disposta a passar
por isso novamente. Não Álvaro... Se não me provar que realmente me ama, não
tem mais casamento.
ÁLVARO
(tentando
se controlar) Elisa você não pode fazer isso as vésperas do casamento! Eu amo
você! Você é o meu maior troféu.
ELISA
(séria,
altiva) Não me sinto assim... Sinto muito.
Elisa vai saindo, Álvaro se desespera.
ÁLVARO
(tom alto)
Eu fiz algo por você.
Elisa para em frente a porta, fecha os olhos, se
vira altiva para olhar Álvaro.
ELISA
O que
Álvaro?... O que você fez por mim?
ÁLVARO
(pensativo,
encara Elisa) O que vou te falar não pode nunca ser dito a ninguém, mas se é
uma prova de amor e do que sou capaz por você... Vou te contar.
ELISA
(se
aproxima de Álvaro) O que?
ÁLVARO
(frio) Quando
Bruno me disse que estava apaixonado por outra e que ia terminar com você... eu
não poderia permitir que ele te abandonasse e você passasse essa vergonha. Não
depois de tudo que você significava para mim. Então eu coloquei veneno no
champanhe do Bruno... Ele sofreu o acidente porque o veneno fez efeito... Foi
tudo planejado Elisa, tudo por você.
Elisa chora inconsolável pela confissão de Álvaro,
pensa muito rápido para disfarçar o que realmente está sentindo.
ELISA
(chorando)
Álvaro... Você fez isso por mim? É verdade?
ÁLVARO
(carinhoso)
E faria novamente meu amor.
Elisa abraça Álvaro, chora.
ELISA
Era isso
que eu queria Álvaro... Como sempre só você consegue me fazer sentir amada e
desejada. Amanhã vamos nos casar.
Álvaro sorri maldoso e vitorioso, enquanto Elisa
tenta mascarar o que está sentindo.
Corta Para:
Cena 5/Ext./Rua do Prédio onde Álvaro mora/Dia.
Elisa sai do prédio, entra no carro da família pela
porta de trás.
Corta Para:
Cena 6/Int./Carro da família Monteiro Diniz/Dia.
ELISA
Pode me
levar para o escritório do doutor Celso por favor.
O motorista dá a partida, segue para o endereço onde
Elisa pediu. Elisa tira da bolsa um celular que estava gravando toda a conversa
que teve com Álvaro. O motorista liga o rádio do carro, começa a tocar a música
“Canção do Mar – Dulce Pontes”. Elisa fica séria, olha para o motorista pelo
espelho retrovisor interno, ao ver os olhos do motorista, Elisa reconhece
António Sérgio.
ELISA
(nervosa,
mas usa tom baixo) Eu quero que você tire essa música e encoste o carro.
António Sérgio desliga o rádio.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Desculpe,
senhorita… Não sabia que a música a ia incomodar.
ELISA
(irritada)
Para com isso! E encosta já esse carro!
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não... Não
até a senhorita ouvir o que eu tenho para lhe dizer.
ELISA
Isso é
sequestro sabia!
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não é um
sequestro. O teu pai deu-me autorização para vir buscar-te.
ELISA
Claro... Só
podia ser.
António Sérgio encosta o carro, Elisa tenta abrir a
porta, mas está travada.
ELISA
(irritada)
Abre a porta!
António Sérgio se vira para Elisa.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não… Como
te disse, preciso que me ouças… E, se depois quiseres ir embora, não te vou
impedir.
ELISA
(séria)
Então tira essa porcaria de chapéu!
ANTÓNIO
SÉRGIO
Por que?
ELISA
(quase
chorando) Porque me lembra uma mentira que vivi.
António Sérgio tira o chapéu de motorista.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Nada foi
mentira Elisa... Eu só não te disse o meu nome.
ELISA
(ri sem
humor) Você ainda quer que eu te ouça... Você mentiu sobre quem você era, você
é casado e tem uma filha!
ANTÓNIO
SÉRGIO
Elisa… Nem
que eu quisesse mentir sobre quem sou, conseguiria. Eu omiti a minha origem
porque estava cansado de ver as pessoas aproximarem-se de mim por interesse.
Fui muito mais feliz a ser o motorista Sérgio do que o duque António Sérgio
Castro Figueroa. E quanto à Manuela… Eu não sou casado com ela. O meu pai, sim,
era casado com ela. Elisa… Eu fui amante da Manuela. Não é algo de que goste de
falar. Sinto vergonha e, acima de tudo, arrependimento. Traí o meu pai por uma
paixão. Quando me cansei de viver às escondidas com ela, disse-lhe para
fugirmos e começarmos uma vida nova, longe de tudo aquilo… livres. Mas a
Manuela não quis. Porque o que ela realmente ama são o dinheiro e o poder. Foi
então que vim sozinho para o Brasil, decidido a recomeçar a minha vida… E
encontrei-te. Tu amaste-me quando eu era apenas um humilde motorista. Pela
primeira vez, senti que alguém gostava de mim pelo homem que eu era, e não pelo
meu título ou pelo meu dinheiro. E quanto à Maria Alice… A minha filha… Eu só
soube que ela era minha quando fui a Portugal. A Manuela só me contou porque
queria obrigar-me a ficar lá. Tudo o que te escondi foi por medo de perder a
única coisa verdadeira que encontrei na minha vida: tu.
ELISA
Eu lembro
como você voltou de lá... E agora faz sentido todas as vezes que você me dizia
que eu te amava pelo que você é.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Acreditas
em mim?
ELISA
Não...
Manuela me mostrou a certidão de casamento.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Eu tenho
provas, Elisa. Trouxe-as comigo. A Manuela comprou uma certidão de casamento
falsa. Também trouxe o documento do acordo que fiz com ela para ficar com a
guarda da minha filha
António Sérgio entrega uma pasta para Elisa.
ANTÓNIO
SÉRGIO
E aí também
está a certidão de casamento da Manuela com o meu pai, além de algumas notícias
sobre o casamento deles.
Elisa abre a pasta, vê tudo o que António Sérgio falou.
ELISA
(chora) Ela
foi tão convincente...
ANTÓNIO
SÉRGIO
Eu sei… É
uma das qualidades que a Manuela tem para fazer o mal.
ELISA
Abre a
porta por favor.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Elisa/
ELISA
Abre a
porta!
António Sérgio fica triste, destrava as portas,
Elisa desce do carro, António Sérgio desce em seguida.
Corta Para:
Cena 7/Ext./Rua./Dia.
Elisa se aproxima de António Sérgio o abraça, eles
se emocionam.
ELISA
(emocionada)
Você não sabe como eu sofri por toda a mentira que ela contou.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(emocionado,
aliviado) Eu também, meu amor… Achei que te tinha perdido para sempre.
António Sérgio e Elisa se beijam.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(acaricia o
rosto de Elisa) Agora já podes cancelar o casamento com o Álvaro.
ELISA
(séria) Não
posso.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(confuso)
Por que não?
ELISA
Porque
falta pouco António Sérgio, muito pouco para Álvaro pagar por todo o mal que
nos fez.
António Sérgio fica pensativo.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
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