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Desígnios: Capítulo 33

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 33

   

Cena 1/Int./Portugal – Lisboa/Castelo Castro Figueroa/Escritório/Dia.

Manuela e António Sérgio estão sentados, Manuela está lendo um documento.

MANUELA

Isso é ridículo… Não vou aceitar essa quantia pela guarda da Maria Alice. Ela deve valer mais, não?

ANTÓNIO SÉRGIO

(sério) Primeiro, quero que fique muito claro que não estou a comprar a minha filha. Estou a oferecer-te uma última oportunidade de resolver isto sem transformar a Maria Alice no objeto de uma disputa judicial. E, além disso, não estás em condições de exigir nada. Duzentos mil euros é até mais do que mereces.

MANUELA

(altiva) Quero falar contigo a sós.

ANTÓNIO SÉRGIO

Não, Manuela… Por mim, nem estaria aqui a falar contigo, mas sou obrigado.

MANUELA

Se não mandares o… Gonçalo sair, não há acordo.

ANTÓNIO SÉRGIO

(contra a vontade) Está bem… Gonçalo, espera um instante na sala.

Gonçalo sai.

ANTÓNIO SÉRGIO

Pode falar.

Manuela se levanta, se aproxima de António Sérgio, se ajoelha de frente para ele, acaricia as pernas dele.

MANUELA

Não podes estar a falar a sério… Para com isso, meu querido. Sou eu… A mulher que veneravas.

António Sérgio se levanta impaciente, se afasta de Manuela.

ANTÓNIO SÉRGIO

(irritado) Manuela, qual é a parte do (ênfase) “eu não sinto mais nada por ti” que não consegues entender? O que sinto por ti não é nada bom. É tão mau que nem eu gosto de sentir isto. Por isso, para de fazer cenas. Se eu fosse a ti, assinava já o acordo pela guarda da Maria Alice, porque, mesmo sem mereceres, vais receber por isso. Se formos para a justiça, vais sair de mãos vazias.

Manuela ainda está de joelhos, se levanta devagar, encara António Sérgio.

MANUELA

(olhar distante, pensativa) É por causa dela, não é?… (com nojo) A brasileira.

ANTÓNIO SÉRGIO

(impaciente) Não, Manuela. É por tua causa. A Elisa é a mulher que amo e que me mostrou o que é o amor puro, verdadeiro… Um amor que não é baseado em interesse ou conveniência. E podes ter a certeza de que vou atrás dela e lutar pelo perdão da Elisa. Agora quero saber: aceitas ou não o acordo para me entregares a guarda da Maria Alice?

MANUELA

(pensativa, séria) Aceito.

ANTÓNIO SÉRGIO

Ótimo. Então assina o documento e vamos acabar com isto.

Manuela assina o documento, entrega a António Sérgio.

ANTÓNIO SÉRGIO

Ainda hoje o Gonçalo vai depositar o valor na tua conta. (encara Manuela) Agora apelo ao teu bom senso: não me persigas mais. Esquece que eu existo, porque, se continuares a atormentar-me, vou ser obrigado a denunciar-te. Adeus.

António Sérgio sai. Manuela fica estática, pensativa. Santiago entra.

SANTIAGO

(com cuidado) Senhora Manuela... Está tudo bem?

MANUELA

(fria, raiva contida, calma, olha Santiago) Não… Mas vai ficar, Santiago… Assim que eu matar a brasileira… Aí, sim, as coisas vão ficar ótimas.

Santiago fica preocupado.

Corta Para:

Cena 2/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Maya e Elisa entram discutindo.

MAYA

(nervosa) Elisa você só pode estar ficando louca!

ELISA

(impaciente) Maya eu já falei que sei o que estou fazendo!

Berta vem da cozinha, se aproxima.

MAYA

Berta, me ajuda a convencer a Elisa de não fazer essa besteira!

BERTA

Se eu souber qual...

MAYA

Ela vai se casar com o Álvaro!

BERTA

(espanto) Elisa, você não pode fazer isso filha, você vai estar jogando a sua vida fora.

ELISA

Berta... Eu sei o que estou fazendo. Confia em mim.

BERTA

António Sérgio te ligou umas três vezes/

ELISA

(irritada) Que ligue dez! Não quero saber dele, não vou atender e até vou mudar o número de telefone daqui de casa, do mesmo jeito que mudei o número do meu celular! Agora me deixem em paz!

Elisa sobe as escadas. 

MAYA

(pensativa) Não vou deixar Elisa fazer uma besteira dessa... E vou contar para o António Sérgio.

BERTA

Então agora você acredita nele?

MAYA

Sim Berta. Mas tudo isso que está acontecendo é culpa dele, que contou um monte de mentiras. Agora Elisa quer se casar com o inimigo porque deve estar desiludida.

BERTA

(cumplice) Então vamos falar com o António Sérgio, vamos até o meu quarto, lá a Elisa não vai ouvir.

Maya e Berta saem.

Corta Para:

Cena 3/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.

Estela está sentada, tomando suco. Dante se aproxima.

DANTE

(nervoso) Mamãe não adianta fugir! Você já passou de todos os limites tentando destruir o meu namoro com a Sol.

ESTELA

(indiferente) Meu filho, se é para falar dessa sua loucura em insistir namorar com essa fulana, é melhor ir embora.

DANTE

(se recompõe) Mamãe... Eu amo a Sol, não entendo por que essa implicância.

Estela se levanta, encara Dante.

ESTELA

Entende sim! Eu acho que ela é pouca coisa para você!

DANTE

(tom alto) Mas eu não! Ela é uma mulher incrível. (toma coragem) E vou me casar com ela.

ESTELA

(inconformada) Não meu filho! Não faça isso. Não jogue sua vida fora e/

DANTE

(firme) A Sol está grávida mamãe...

ESTELA

(impactada) Como é...

DANTE

É isso que você ouviu... A Sol está grávida.

Estela começa a sorrir aos poucos, é tomada pela alegria.

ESTELA

(feliz) Eu vou ser avó... Meu filho que alegria!

Estela abraça Dante. 

DANTE

(tentando entender) Mamãe... Eu vou ter um filho com a Sol... Lembra dela? A pessoa que você mais detesta?

ESTELA

(emocionada, feliz) Não mais meu filho, ela está esperando o meu neto! Eu preciso falar com ela agora.

DANTE

(sorri sem entender) É sério mesmo ou mais um truque?

ESTELA

Que truque Dante? (feliz) Eu estou feliz de verdade! Parabéns meu amor!

Estela abraça Dante novamente.

DANTE

(sorri) Se eu soubesse disso antes já teria te contado.

ESTELA

Vamos logo falar com a Sol!

Dante e Estela saem apressados.

Passagem de Tempo – 1 Semana Depois.

Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Dia.

Álvaro abre a porta, Elisa entra.

ÁLVARO

(sorri) Que bom te ver meu amor.

ELISA

(aflita) Álvaro eu mudei de ideia... Não quero mais me casar com você.

ÁLVARO

(a expressão muda, fica sério) O que? Mas por que? O casamento é amanhã.

ELISA

(altiva) Eu sei, mas eu pensei muito antes de terminar com você. Eu busquei nas minhas lembranças e não encontrei nada que me mostrasse que você realmente me ama, que me deseja, que sou única para você.

ÁLVARO

(sério) Você sabe que te amo mais do que tudo.

ELISA

Se eu soubesse não teria tomado essa decisão. Cansei de ser a imbecil da história. (raiva, as lágrimas escorrem) Primeiro o homem que mais amei na vida que foi o Bruno, queria me dizer que tinha outra. (nojo, raiva) Aquele desgraçado já deve estar no inferno!... Depois foi o António Sérgio... Não estou disposta a passar por isso novamente. Não Álvaro... Se não me provar que realmente me ama, não tem mais casamento.

ÁLVARO

(tentando se controlar) Elisa você não pode fazer isso as vésperas do casamento! Eu amo você! Você é o meu maior troféu.

ELISA

(séria, altiva) Não me sinto assim... Sinto muito.

Elisa vai saindo, Álvaro se desespera.

ÁLVARO

(tom alto) Eu fiz algo por você.

Elisa para em frente a porta, fecha os olhos, se vira altiva para olhar Álvaro.

ELISA

O que Álvaro?... O que você fez por mim?

ÁLVARO

(pensativo, encara Elisa) O que vou te falar não pode nunca ser dito a ninguém, mas se é uma prova de amor e do que sou capaz por você... Vou te contar.

ELISA

(se aproxima de Álvaro) O que?

ÁLVARO

(frio) Quando Bruno me disse que estava apaixonado por outra e que ia terminar com você... eu não poderia permitir que ele te abandonasse e você passasse essa vergonha. Não depois de tudo que você significava para mim. Então eu coloquei veneno no champanhe do Bruno... Ele sofreu o acidente porque o veneno fez efeito... Foi tudo planejado Elisa, tudo por você.

Elisa chora inconsolável pela confissão de Álvaro, pensa muito rápido para disfarçar o que realmente está sentindo.

ELISA

(chorando) Álvaro... Você fez isso por mim? É verdade?

ÁLVARO

(carinhoso) E faria novamente meu amor.

Elisa abraça Álvaro, chora.

ELISA

Era isso que eu queria Álvaro... Como sempre só você consegue me fazer sentir amada e desejada. Amanhã vamos nos casar.

Álvaro sorri maldoso e vitorioso, enquanto Elisa tenta mascarar o que está sentindo.

Corta Para:

Cena 5/Ext./Rua do Prédio onde Álvaro mora/Dia.

Elisa sai do prédio, entra no carro da família pela porta de trás.

Corta Para:

Cena 6/Int./Carro da família Monteiro Diniz/Dia.

ELISA

Pode me levar para o escritório do doutor Celso por favor.

O motorista dá a partida, segue para o endereço onde Elisa pediu. Elisa tira da bolsa um celular que estava gravando toda a conversa que teve com Álvaro. O motorista liga o rádio do carro, começa a tocar a música “Canção do Mar – Dulce Pontes”. Elisa fica séria, olha para o motorista pelo espelho retrovisor interno, ao ver os olhos do motorista, Elisa reconhece António Sérgio.

ELISA

(nervosa, mas usa tom baixo) Eu quero que você tire essa música e encoste o carro.

António Sérgio desliga o rádio.

ANTÓNIO SÉRGIO

Desculpe, senhorita… Não sabia que a música a ia incomodar.

ELISA

(irritada) Para com isso! E encosta já esse carro!

ANTÓNIO SÉRGIO

Não... Não até a senhorita ouvir o que eu tenho para lhe dizer.

ELISA

Isso é sequestro sabia!

ANTÓNIO SÉRGIO

Não é um sequestro. O teu pai deu-me autorização para vir buscar-te.

ELISA

Claro... Só podia ser.

António Sérgio encosta o carro, Elisa tenta abrir a porta, mas está travada.

ELISA

(irritada) Abre a porta!

António Sérgio se vira para Elisa.

ANTÓNIO SÉRGIO

Não… Como te disse, preciso que me ouças… E, se depois quiseres ir embora, não te vou impedir.

ELISA

(séria) Então tira essa porcaria de chapéu!

ANTÓNIO SÉRGIO

Por que?

ELISA

(quase chorando) Porque me lembra uma mentira que vivi.

António Sérgio tira o chapéu de motorista.

ANTÓNIO SÉRGIO

Nada foi mentira Elisa... Eu só não te disse o meu nome.

ELISA

(ri sem humor) Você ainda quer que eu te ouça... Você mentiu sobre quem você era, você é casado e tem uma filha!

ANTÓNIO SÉRGIO

Elisa… Nem que eu quisesse mentir sobre quem sou, conseguiria. Eu omiti a minha origem porque estava cansado de ver as pessoas aproximarem-se de mim por interesse. Fui muito mais feliz a ser o motorista Sérgio do que o duque António Sérgio Castro Figueroa. E quanto à Manuela… Eu não sou casado com ela. O meu pai, sim, era casado com ela. Elisa… Eu fui amante da Manuela. Não é algo de que goste de falar. Sinto vergonha e, acima de tudo, arrependimento. Traí o meu pai por uma paixão. Quando me cansei de viver às escondidas com ela, disse-lhe para fugirmos e começarmos uma vida nova, longe de tudo aquilo… livres. Mas a Manuela não quis. Porque o que ela realmente ama são o dinheiro e o poder. Foi então que vim sozinho para o Brasil, decidido a recomeçar a minha vida… E encontrei-te. Tu amaste-me quando eu era apenas um humilde motorista. Pela primeira vez, senti que alguém gostava de mim pelo homem que eu era, e não pelo meu título ou pelo meu dinheiro. E quanto à Maria Alice… A minha filha… Eu só soube que ela era minha quando fui a Portugal. A Manuela só me contou porque queria obrigar-me a ficar lá. Tudo o que te escondi foi por medo de perder a única coisa verdadeira que encontrei na minha vida: tu.

ELISA

Eu lembro como você voltou de lá... E agora faz sentido todas as vezes que você me dizia que eu te amava pelo que você é.

ANTÓNIO SÉRGIO

Acreditas em mim?

ELISA

Não... Manuela me mostrou a certidão de casamento.

ANTÓNIO SÉRGIO

Eu tenho provas, Elisa. Trouxe-as comigo. A Manuela comprou uma certidão de casamento falsa. Também trouxe o documento do acordo que fiz com ela para ficar com a guarda da minha filha

António Sérgio entrega uma pasta para Elisa.

ANTÓNIO SÉRGIO

E aí também está a certidão de casamento da Manuela com o meu pai, além de algumas notícias sobre o casamento deles.

Elisa abre a pasta, vê tudo o que António Sérgio falou. 

ELISA

(chora) Ela foi tão convincente...

ANTÓNIO SÉRGIO

Eu sei… É uma das qualidades que a Manuela tem para fazer o mal.

ELISA

Abre a porta por favor.

ANTÓNIO SÉRGIO

Elisa/

ELISA

Abre a porta!

António Sérgio fica triste, destrava as portas, Elisa desce do carro, António Sérgio desce em seguida.

Corta Para:

Cena 7/Ext./Rua./Dia.

Elisa se aproxima de António Sérgio o abraça, eles se emocionam.

ELISA

(emocionada) Você não sabe como eu sofri por toda a mentira que ela contou.

ANTÓNIO SÉRGIO

(emocionado, aliviado) Eu também, meu amor… Achei que te tinha perdido para sempre.

António Sérgio e Elisa se beijam. 

ANTÓNIO SÉRGIO

(acaricia o rosto de Elisa) Agora já podes cancelar o casamento com o Álvaro.

ELISA

(séria) Não posso.

ANTÓNIO SÉRGIO

(confuso) Por que não?

ELISA

Porque falta pouco António Sérgio, muito pouco para Álvaro pagar por todo o mal que nos fez.

António Sérgio fica pensativo.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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