
Cena 1/Int./Shopping/Ateliê de alta
costura/provador/Dia.
Cont. Imediata do capítulo anterior.
Elisa está em choque, Maya se aproxima da irmã,
Manuela encara Elisa.
ELISA
(as
lagrimas escorrem, tentando entender o que está acontecendo) Você não pode ser
casada com ele... António Sérgio disse que não se dá bem com você... Como eu
vou acreditar em você?
MANUELA
(sorri)
Típico dele... O meu querido marido sempre foi um grande ator.... Mas eu trouxe
provas. Veja com os seus próprios olhos.
Manuela entrega uma pasta para Elisa.
ELISA
O que é
isso?
MANUELA
A certidão
do meu casamento com ele
Elisa abre lentamente a pasta. Seus olhos percorrem
o documento. Ao encontrar os nomes de António Sérgio e Manuela, perde a
respiração. As lágrimas começam a escorrer. está muito triste, Maya abraça a
irmã.
ELISA
(chora) Isso não pode estar acontecendo Maya...
MANUELA
(altiva) Mas
está, Elisa… Tu foste apenas a mulher que ele encontrou para tentar esquecer-se
de mim…" (olhar frio) "O António Sérgio jamais abandonaria a nossa
filha.
ELISA
(incrédula)
Filha?...
MANUELA
(sorri) Maria
Alice. Tem sete anos. (Manuela retira uma fotografia da pasta e entrega para
Elisa. Na imagem, António Sérgio aparece na maternidade segurando um bebê
recém-nascido nos braços.) Esta fotografia foi tirada no dia em que a nossa
menina nasceu.
ELISA
(tampa os
ouvidos) Não quero ouvir mais nada! Já chega!
MANUELA
(maldosa,
altiva) Lamento muito, Elisa… Mas tu não podes casar com o meu marido. Tive de
intervir.
MAYA
(raiva)
Você é surda? Elisa já entendeu, você já pode calar a boca!
ELISA
(enxuga as
lagrimas, tenta se recompor, encara Manuela) Fica tranquila Manuela... Não vai
ter casamento... E nunca mais quero ver António Sérgio na minha frente.
Elisa sai apressada.
MAYA
(tom alto,
para Elisa) Elisa, calma! Você não tirou o vestido!
Maya vai atrás de Elisa. Manuela se olha no espelho.
MANUELA
(sorri
vitoriosa) A brasileira sem graça está fora do caminho, Manuela… Parabéns, duquesa.
Corta Para:
Cena 2/Int./Shopping/corredor das lojas/Dia.
Elisa sai do ateliê de alta costura em lágrimas.
Ainda está vestida de noiva. Ao dobrar o corredor, dá de cara com António
Sérgio. Ele sorri ao vê-la, mas logo percebe seu estado.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(preocupado)
Elisa, o que aconteceu meu amor?
Sem dizer uma palavra, Elisa lhe dá um forte tapa no
rosto. O barulho ecoa pelo corredor. Algumas pessoas param para olhar. António
Sérgio leva a mão ao rosto, completamente sem entender. Elisa sai correndo
chorando. Maya deixa o ateliê logo em seguida.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Maya, o que
está a acontecer com a Elisa?
MAYA
(raiva) Pergunta para a sua esposa!
Maya sai correndo atrás da irmã. António Sérgio fica
imóvel, tentando compreender o que acabou de acontecer. Nesse instante, Manuela
deixa o ateliê. Os dois se encaram. O semblante de António Sérgio muda
imediatamente.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(atônito) O
que estás a fazer aqui?
MANUELA
(sorri) Vim
buscar o que é meu… Tu, querido.
Gonçalo se aproxima, fica surpreso ao ver Manuela.
MANUELA
(para
Gonçalo) Cão fiel… Tinhas de estar aqui, não tinhas?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério, tom
de raiva) O que disseste à Elisa para a deixares naquele estado?
MANUELA
(cínica) O
que mais poderia ser, querido?… Que tu e eu somos comprometidos.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(segura o
braço de Manuela com força, tom alto) Eu quero a verdade!
MANUELA
(encara António Sérgio, altiva) Eu disse-lhe que nós somos casados e que temos uma filha. (sorri, maldosa) Trata de esquecer essa brasileirinha água-com-açúcar, António Sérgio. Não haverá casamento.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(aperta
mais o braço de Manuela) Veremos! (para Gonçalo) Gonçalo… Não percas Manuela de
vista. Se a Elisa não me ouvir e não me perdoar… as consequências serão
enormes.
António Sérgio sai correndo atrás de Elisa, Gonçalo
encara Manuela.
MANUELA
(sorri) Já
que serás o meu segurança… Quero champanhe. Preciso de comemorar a minha
vitória (ri de forma cruel).
Corta Para:
Cena 3/Int./Estacionamento do shopping/Dia.
Elisa corre até seu carro, se encosta nele, chora.
Maya se aproxima, está cansada.
MAYA
(ofegante)
Sinto muito que você tenha descoberto sobre a Manuela dessa forma Elisa.
ELISA
(tentando
se recompor, está destruída) Não tinha um jeito bom de descobrir uma coisa
assim Maya... (chora) António Sérgio mentiu para mim sobre muitas coisas... Eu
acreditei em tudo, cada palavra, cada gesto de carinho, cada declaração de
amor. (fecha os olhos sentindo dor) Eu acreditei em tudo.
MAYA
(abraça
Elisa a consolando) Eu deveria ter te contado assim que/
ELISA
(sem
acreditar) Você sabia que ele é casado?
MAYA
(Receio,
faz que sim com a cabeça) Sim Elisa... Faz uns meses que Manuela ligou em casa
e disse que era a esposa de António Sérgio.
ELISA
(tom alto,
inconformada) E por que você não me contou?!
MAYA
(aflita)
Porque ele disse que não era verdade e que se eu te contasse estaria estragando
a sua felicidade... Me desculpa.
ELISA
(pensativa,
triste) Ele me manipulou... Igual ao Álvaro... Eu caí na mesma armadilha outra
vez.
António Sérgio se aproxima, está cansado.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(ofegante)
Elisa/
ELISA
(tom alto/raiva) Sai daqui! Eu não quero mais te ver! (pensativa, raiva, encara António Sérgio) Me diz uma coisa... Quando você iria acabar com o teatrinho? Quando o juiz perguntasse “ António Sérgio Castro Figueroa, você aceita se casar com Elisa Monteiro Diniz?”... E você iria responder (tom alto, raiva) “Não!”... “Porque eu já sou casado”... Seria assim?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(as
lagrimas escorrem) Eu não sou casado com a Manuela.
Elisa dá um tapa no rosto de António Sérgio.
ELISA
(as
lagrimas escorrem, tom alto) Acabou! Não precisa mais mentir!... (tom baixo)
Nunca mais eu quero te ver... Nunca mais.
Elisa entra no carro do lado do motorista.
MAYA
Ah não, eu
não vou deixar você dirigir assim/
ELISA
Entra logo
Maya! Ou fica aí se quiser.
MAYA
Calma... Eu
vou com você.
Maya dá a volta, entra no carro. António Sérgio se
aproxima da janela do carro, olha Elisa.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Elisa/
ELISA
(raiva) Eu
vou deixar o anel que você me deu com o Arlindo, não precisa entrar na minha
casa para pegar.
Elisa dá a partida e sai em alta velocidade com o
carro. António Sérgio chora inconsolável.
Corta Para:
Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Dia.
Álvaro está encarando Diana.
CELSO
(Sério) Não
fala assim com a Diana.
ÁLVARO
(sorri sem
humor) Claro que você vai defender ela afinal como eu disse vocês estão
transando.
CELSO
Não fale
assim... Já que você sabe não tem mais porque esconder... Você nunca deu valor
para Diana, eu sim.
ÁLVARO
Que valor?
Diana não tem, mas se você gosta de sobras pode ficar com as minhas... Quero
Diana fora da minha casa.
DIANA
Eu saio
feliz.
ÁLVARO
Mas antes
eu quero saber o porque está me acusando pela morte do Bruno.
DIANA
(encara
Álvaro) Você me contou que envenenou Bruno.
ÁLVARO
Eu nunca disse isso... Sabia que posso te processar por calúnia. Bruno morreu pelo acidente de carro.
CELSO
Não... Eu
pedi a exumação do corpo de Bruno e no corpo dele tem arsênico, portanto, Bruno
foi envenenado... E pelo mesmo veneno que você comprou dias antes do acidente.
ÁLVARO
(sério)
Isso não vai levar a lugar algum... Não admito que me acusem dessa maneira.
DIANA
Foi você
Álvaro, você matou o seu irmão.
ÁLVARO
(raiva,
sorri) As provas são mínimas... (encara Celso) Eu fiz tio... Eu envenenei o
Bruno. Agora prova... (sorri maldoso).
Celso dá um soco em Álvaro.
CELSO
(nervoso)
Eu vou te colocar atrás das grades!
ÁLVARO
(mão no
rosto, raiva) Vai embora! E leva essa vadia com você ou hoje mesmo dou um fim
nela!
Celso segura a mão de Diana e a conduz para fora. Os
dois saem. Álvaro permanece sozinho na sala. Ele toca o canto da boca, onde há
um pequeno corte provocado pelo soco. Seu olhar muda. A raiva dá lugar a um
sorriso frio e calculista.
ÁLVARO
(para si, baixo) Quero ver quem vai conseguir provar que eu matei o Bruno...
Corta Para:
Cena 5/Int./Mais Tarde – Mansão Monteiro
Diniz/Sala/Dia.
Roberto e Clara estão sentados conversando, os dois
estão pasmos.
CLARA
Nossa filha
não merece passar por uma coisa dessas Vida... Eu deveria ter falado sobre
Manuela assim que Maya me contou... Mas eu dei um voto de confiança para
António Sérgio e olha o que aconteceu. (fecha os olhos, as lágrimas escorrem)
Coitada da Elisa.
António Sérgio entra, está sem jeito. Roberto e
Clara se levantam, encaram António Sérgio.
CLARA
É muita
coragem sua vir até aqui.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Dona Clara,
preciso de falar com a Elisa. Quero contar-lhe a verdade
CLARA
Minha filha
não quer falar com você... E nem eu. Pode se retirar.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Eu imploro… Deixe-me falar com a Elisa
ROBERTO
(sério)
Elisa não quer te ver e nem ouvir o que você tem a dizer... Mas eu sim quero
ouvir... Quero acreditar que tudo isso não passa de um mal entendido e você não
é esse crápula que estamos vendo agora. (altivo, firme) Fala de uma vez António
Sérgio... O que você esconde?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(abaixa a
cabeça, respira fundo, olha Roberto e Clara nos olhos) Está bem… Vou contar-vos
toda a verdade
Maya desce as escadas.
MAYA
(desprezo)
Você não desiste não é? Veio fazer o que aqui?
CLARA
Filha por
favor nos deixe a sós.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não… Quero
que a Maya também ouça o que vou dizer. Afinal, estão a julgar-me mal
ROBERTO
Certo...
Comece a contar a verdade e dessa vez toda ela.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(toma
coragem) Está bem… Em Portugal, eu era um jovem muito parecido com o Beny…
Vivia na noite, em festas, rodeado de mulheres, de amigos que o dinheiro
comprava. A vida era uma diversão constante para mim… As coisas começaram a
mudar quando o meu pai se casou com a Manuela… Ela era mais jovem do que o meu
pai, mas era perfeita para mim… Nós sentimos uma atração um pelo outro. No
início, evitei ao máximo uma aproximação com a Manuela, afinal ela era casada com
o meu pai… Mas ela foi determinada. (pausa) Ela não desistiu de me conquistar
e, quando dei por mim… já estava na cama com ela. (envergonhado) Eu não sei em
que momento me apaixonei de verdade pela Manuela, mas essa paixão cegou-me. Eu
idolatrava-a. Traí o meu pai por causa dessa paixão. Fomos amantes durante
anos… Até que eu já não suportava mais aquela situação. Não tinha coragem de
olhar o meu pai nos olhos. (pausa) Então disse à Manuela para fugir comigo,
para que pudéssemos viver o nosso amor em liberdade… Mas ela não quis. Disse
que lutou muito para chegar onde estava e que não iria abandonar tudo aquilo
que tinha conquistado… Disse que não deixaria aquela vida por nada, mas que me
amava e queria continuar o nosso relacionamento às escondidas. Então vim
sozinho para o Brasil… (as lágrimas escorrem) Não estava nos meus planos
apaixonar-me novamente… Aliás, paixão não. (chora) Com a Elisa eu conheci o
amor verdadeiro… Ela amou-me quando eu era apenas um humilde motorista. Nunca,
em toda a minha vida, soube se as pessoas gostavam de mim pelo homem que eu era
ou pelo que eu possuía… Agora que eu estava feliz… Que ia casar com o amor da
minha vida… A Manuela destrói tudo! (raiva, choro) Porque é isso que ela faz!
Ela destrói tudo e todos! (chora inconsolável).
Maya, Roberto e Clara, estão com pena de António
Sérgio. Roberto se aproxima de António Sérgio, coloca a mão no ombro dele.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(chorando) Eu
não queria contar que fui amante da Manuela… Porque é algo que me envergonha
muito… Traí o meu pai… Nunca vou conseguir perdoar-me por isso.
MAYA
E a sua
filha?... Você nunca contou sobre ela.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(contém as
lágrimas) Para mim, a Maria Alice era a minha meia-irmã… A Manuela contou-me
que ela era minha filha quando fui a Portugal… Ela só me contou isso para
destruir o meu relacionamento com a Elisa.
CLARA
António
Sérgio... Se tudo isso for verdade/
ANTÓNIO
SÉRGIO
É! É a
verdade, dona Clara… Acredite em mim. (chora).
ROBERTO
(pensativo,
emotivo) Eu acredito em você e sinto muito por tudo que está acontecendo.
António Sérgio chora aliviado, Roberto o abraça.
Elisa entra.
ELISA
(inconformada,
raiva) Não posso acreditar que vocês deixaram ele entrar aqui!
CLARA
Filha/
ELISA
(tom alto)
Não mamãe!... Eu não quero ouvir nada, só quero que António Sérgio saia daqui!
ROBERTO
Elisa...
Apenas ouça o que ele tem a dizer.
ELISA
(séria)
Pelo jeito vocês ouviram mais mentiras e acreditaram... É bom saber que eu não
sou a única idiota da família. Mas eu quero que vocês façam uma escolha
agora... Ou ele... ou eu.
MAYA
Não precisa
exagerar Elisa!
ELISA
Se ele não
sair daqui agora eu vou sair e não volto mais!
ANTÓNIO
SÉRGIO
(triste) Eu
vou sair, Elisa… Mas quero que saibas que, independentemente do tempo que
passar… Não vou desistir de ti… Tu és o amor da minha vida."
Elisa conduz António Sérgio até a porta, abre-a e o
empurra para fora. Fecha a porta com força, encara Clara, Roberto e Maya.
ELISA
(quase
chorando) Dá próxima vez que eu encontrar António Sérgio aqui eu vou embora!
Elisa sobe as escadas apressada, Roberto, Clara e
Maya se olham pensativos.
Corta Para:
Cena 6/int./Hotel/Suíte de Manuela/Dia.
Manuela abre a porta, Álvaro entra, os dois se
encaram sorrindo e cumplices.
ÁLVARO
Deu
certo?... Elisa e António Sérgio terminaram?
MANUELA
(vitoriosa)
Sim, e perdeste um espetáculo e tanto. A tua Elisa correu pelo centro comercial
vestida de noiva, arrasada, como toda mulher patética
ÁLVARO
(sorri
gostando) Perfeito... Agora volto ao jogo.
Manuela e Álvaro se encaram sorrindo com frieza.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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