
Cena 1/Int./Escritório de Celso/Dia.
Cont. Imediata do capítulo anterior.
Elisa está em choque com a revelação de Celso.
ELISA
(as
lagrimas escorrem) Celso... Como assim Álvaro envenenou o Bruno?
CELSO
É muito
triste Elisa, mas a verdade é que Álvaro queria tudo o que pertencia a Bruno,
por inveja, por maldade... Ele confessou para a Diana que colocou veneno para
bruno porque ele descobriu que Álvaro estava desviando dinheiro do grupo
Monteiro Diniz e iria te contar.
Elisa se levanta, está nervosa.
ELISA
Então era
isso que Bruno disse que queria me contar...
CELSO
Sim...
Elisa, eu mandei exumar o corpo do Bruno e tinha uma quantidade de arsênico nos
restos mortais... Eu encontrei nos arquivos pessoais do Álvaro a nota de compra
do veneno.
ELISA
(chora,
raiva) Esses anos todos Álvaro dizia que eu era a culpada pela morte do Bruno!
Que foi por minha causa que ele saiu aquela noite! (pausa) Desgraçado,
assassino!
CELSO
Calma
Elisa... Eu preciso da sua ajuda.
ELISA
(enxuga as
lagrimas, está com raiva) Para que?
CELSO
Preciso de
uma confissão do Álvaro, só assim consigo fazer uma denuncia e colocar ele
atrás das grades.
ELISA
(se senta)
Ele nunca vai me contar o que fez com o Bruno.
CELSO
(pensativo)
Elisa, ele é obcecado por você... Você é a pessoa que ele se sente bem tendo
total poder.
ELISA
Isso é
horrível...
CELSO
Eu sei, mas
é a verdade... Nós dois podemos virar o jogo dele e conseguir com que ele
assuma a culpa pela morte do Bruno.
ELISA
(pensativa,
séria) Não sei como, mas pode contar comigo.
Elisa e Celso se olham cumplices.
Corta Para:
Cena 2/Int./Portugal – Lisboa/Castelo Castro
Figueroa/Sala/Dia.
António Sérgio e Gonçalo entram, Manuela desce as escadas, se aproxima deles.
MANUELA
António
Sérgio… (sorri, maldosa) Arrependeste-te e resolveste finalmente voltar para
casa?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(firme) A
única coisa de que me arrependo é de um dia ter-me envolvido contigo.
MANUELA
(irônica)
Nossa... Tudo isso porque a brasileira te deixou?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(encara
Manuela) Não vim aqui para falar da Elisa. Temos coisas para resolver.
MANUELA
E por isso
trouxeste o cão fiel?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Manuela, a
partir de agora vais tratar o meu representante legal pelo nome: Gonçalo.
MANUELA
(sorri
debochada) Eu sei o nome dele, mas gosto de chamá-lo pelo que ele é… Mas tudo
bem. Vou chamá-lo pelo nome.
GONÇALO
A senhora
pretende chamar o seu advogado?
MANUELA
Para quê?
GONÇALO
Porque o
António Sérgio está aqui para tomar posse da herança que os pais lhe deixaram.
Manuela sente o chão sumir de seus pés.
MANUELA
(atordoada)
Não… Aqui não há nada para ti! Esta casa é minha, assim como tudo o que está
aqui dentro.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Sabes que o
meu pai te deixou apenas uma pensão.
MANUELA
(altiva) E
esta casa! Esta casa é minha.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Sim…
Infelizmente, é verdade. A casa que durante tantos anos abrigou a felicidade
dos meus pais… (pausa) Podes ficar com a casa. (encara Manuela, com raiva) Mas
vazia. Sem os móveis que aqui estão, sem as tapeçarias, as baixelas, os objetos
de arte, as roupas… Nada! Apenas as paredes, Manuela. (altivo) Não és digna de
te sentares numa cadeira desta casa. Não és digna de tocar num único objeto que
aqui está! Eu avisei-te, Manuela… Agora vais ver que falei a sério.
MANUELA
(aflita, tom alto) Não podes fazer-me isto! Recuso-me a deixar-te levar as minhas coisas!
ANTÓNIO
SÉRGIO
Tenho a certeza de que não te recusarás, Manuela. Para o teu
próprio bem… (frio) Sou um homem que perdeu aquilo que mais desejava na vida.
Estou disposto a tudo.
MANUELA
(raiva) Essa brasileira só pode ter-te enfeitiçado! Ela não pode
valer tanto assim… Eu valho muito mais, António Sérgio. (altiva) Nada sai desta
casa! Já disse.
GONÇALO
Se a senhora tentar impedir-nos, vou ter de chamar a polícia.
António Sérgio observa o colar de
Manuela.
ANTÓNIO SÉRGIO
Quero esse colar! Assim como quero todas as joias que
pertenceram à minha mãe, bem como todos os objetos pessoais do meu pai.
Manuela coloca a mão em cima do
colar.
MANUELA
Esse colar é meu!
ANTÓNIO SÉRGIO
Não é. Era da minha mãe e faz parte da herança que ela me
deixou. Foste tu que te fizeste dona dele, mas a lei está do meu lado. Se não
me deres esse colar imediatamente, vou chamar a polícia.
Manuela tira o colar e entrega para António Sérgio.
ANTONIO SÉRGIO
Como já disse… Quero todas as joias que pertenceram à minha mãe
e todos os objetos pessoais do meu pai. (para Gonçalo) Podes subir e começar a
fazer o levantamento de tudo o que me pertence. Hoje mesmo vou levar tudo.
Gonçalo sobe as escadas. Manuela se
sente perdida, um pouco desesperada.
MANUELA
(devaneio) Não… Não podes fazer-me isto.
ANTÓNIO SÉRGIO
Já estou a fazê-lo. E agora posso até deixar-te algumas
migalhas… Tudo vai depender do acordo que fizermos.
MANUELA
(raiva) Que acordo?
ANTÓNIO SÉRGIO
Quero a guarda da Maria Alice… E estou disposto a pagar-te o que
for preciso para que me entregues a guarda da minha filha.
Manuela e António Sérgio se encaram
com raiva.
Corta Para:
Cena 3/Int./Brasil – São
Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Roberto e Bella entram conversando,
Gustavo se aproxima.
ROBERTO
Gustavo, que bom que você está em casa. Bella e eu estamos com
uma dúvida sobre alguns pagamentos.
BELLA
É meu amor, entraram alguns funcionários novos no mercado e fiz
uma pequena confusão com os valores entre eles e os funcionários que saíram.
GUSTAVO
Claro eu vejo sim, mas antes eu preciso falar uma coisa... Eu me
demiti do grupo Monteiro Diniz.
ROBERTO
(aflito) Você não poderia ter feito isso Gustavo. Você era meus
olhos e ouvidos lá dentro.
GUSTAVO
Eu sei, mas não se preocupa, eu deixei uma pessoa de confiança
fazendo isso. O problema é que aturar o Álvaro não é fácil, não aguentei e sai.
Agora vou poder me matricular na faculdade de advocacia que sempre quis.
ROBERTO
(pensativo, sorri um pouco) Está certo... Quando eu recuperar o
meu negócio, já sei que terei mais um excelente advogado.
Dante e Benício entram.
DANTE
A louca da minha mãe está por aqui?
GUSTAVO
Ela saiu com a dona Clara faz pouco tempo.
ROBERTO
O que minha irmã aprontou agora?
BENÍCIO
(debochado) A tia Estela fez um monte de reclamação da padaria
na internet e um fiscal sanitário foi lá.
DANTE
Não tem graça não Beny! Eu preciso ter uma conversa definitiva
com a minha mãe e se ela não tomar jeito eu vou internar ela!
ROBERTO
E eu te ajudo. Francamente Estela só pode estar ficando louca.
Corta Para:
Cena 4/Int./Restaurante/Dia.
Álvaro está sentado. Elisa entra.
Álvaro se levanta, Elisa se aproxima.
ÁLVARO
(sorri) Elisa... Que bom que você veio.
ELISA
(séria) Eu não tive escolha... Você foi muito insistente.
Álvaro puxa a cadeira para Elisa se
sentar. Elisa se senta. Álvaro se senta.
ÁLVARO
(calmo) Eu estava preocupado com você minha querida.... Fiquei com receio de te procurar... Você ficou muito distante de mim, mas eu sei que somente eu consigo fazer você se sentir bem.
ELISA
Isso era antes Álvaro, quando eu confiava em você. Mas suas
atitudes mostram que eu também estava errada ao seu respeito.
Elisa recebe uma notificação no
celular, pega o aparelho, lê a mensagem. Desliga o celular.
ELISA
(quase chorando) Me deixa em paz António Sérgio!
Álvaro segura a mão de Elisa.
ÁLVARO
(tom baixo, calmo) Imagino como deve estar sendo difícil para
você Elisa. (frio) Por mais que a culpa seja sua por se envolver com o
motorista... Quer dizer... Com o homem que se passou por motorista. Eu já sei
de tudo que António Sérgio é um aristocrata português. Sei que ele é casado/
ELISA
(chora) Por favor... Não quero falar sobre isso.
ÁLVARO
(calmo) Mas é preciso... Você não deveria ter me trocado por
ele... Agora está sofrendo.
ELISA
(pensativa) Pois é Álvaro... Eu estive pensando muito sobre as
coisas que me aconteceram, com Bruno, com António Sérgio... E me sinto uma
estúpida.
ÁLVARO
Estou aqui como sempre Elisa.
ELISA
(raiva) Nenhum de vocês me merecem!
ÁLVARO
(estranha) Nem o Bruno?
ELISA
(olha
Álvaro nos olhos) Eu estive
pensando muito em tudo... Em Bruno... Em António Sérgio... E percebi que fui
uma estúpida. (abaixa os olhos)
Porque eu sempre aceitei muito pouco dos homens que amei. Eu amei o Bruno... mas ele nunca me deu uma prova de amor de verdade. Nunca fez alguma coisa que me mostrasse que eu era única para ele.
ÁLVARO
(segura a mão de Elisa, carinhoso) Você tem razão Elisa...
(frio, calmo) E tem outra coisa... Eu sei o que Bruno queria te contar.
ELISA
(surpresa) Sabe? O que era?
ÁLVARO
(frio, carinhoso) Sei que não é o momento para isso mas já que
você está desabafando sobre meu irmão, não vou me sentir bem se não te
contar... Bruno queria te contar que estava apaixonado por outra.
ELISA
(finge que acredita, chora) Como você sabe?
ÁLVARO
Porque ele me contou antes de sair.
ELISA
(raiva, chora) Cretino!... Falso!
ÁLVARO
(acaricia o rosto de Elisa) Sinto muito, mas eu achei que você
merecia saber a verdade.
ELISA
(raiva, secando as lágrimas) Você fez o certo e eu agradeço.
(frágil) Você sempre está ao meu lado. Mas você errou... Eu ainda estou muito
magoada por você ter nos roubado e/
ÁLVARO
Elisa... Eu fiz isso por desespero. Estava te perdendo para o
motorista, não sabia mais o que fazer. Então para chamar a sua atenção e fazer
você se casar comigo... Fiz o que você já sabe.
ELISA
(séria) Viu... Você disse que fez isso por mim, por me
desejar... (raiva) Quando Bruno fez isso? Quando António Sérgio fez algo
assim?... Ao contrário... Esse imbecil é casado, estava me engando!
ÁLVARO
(maldoso) Eu sempre disse que ele escondia algo... Sinto muito
que você tenha passado por isso.
ELISA
(altiva) Não sinta... Eu não sinto. Estou feliz porque isso
abriu os meus olhos. Não vou me trancar e chorar como fiz no passado... Não...
Agora eu sou uma nova mulher... o homem que realmente quiser ficar comigo, vai
ter que provar que me merece!
ÁLVARO
(beija a mão de Elisa) Então você já encontrou esse homem... Eu
te perdoo por tudo... Casa comigo Elisa e eu devolvo tudo para seu pai.
ELISA
(encara Álvaro) Não sei... Como vou saber que você não está me
enganando de novo?
ÁLVARO
Dou a minha palavra Elisa.
ELISA
(firme) É pouco, sua palavra não está valendo nada pra mim.
(pensativa) Eu aceito me casar com você se assinarmos ao mesmo tempo o termo de
casamento e o documento de cessão. (pausa) E tem que ser o juiz que seu tio
indicar. Se não for assim... Não tem casamento.
ÁLVARO
(sorri vitorioso) Isso é tão pouco meu amor... Faço qualquer
coisa para me casar com você e se essas são as condições... Eu aceito. Então...
Você quer se casar comigo?
ELISA
(altiva, sorri maldosa) Sim Álvaro, aceito me casar com você.
Álvaro fica realizado. Elisa o encara fria e maldosa.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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