
Genivaldo está sentado no sofá com uma caneca sobre a mesa de centro; a TV está ligada. Ele pega a caneca, antes que leve a boca, há batidas na porta. Em seguida a familiar voz de Donato:
– Valdo! Ô, Valdo!
– Entre! A porta tá aberta – responde Genivaldo.
Donato entra afoito e senta-se rapidamente ao lado do amigo. Antes que Genivaldo oferecesse café, ele já foi falando.
– Rapaz, tu visse que explodiram de novo o banco em Torres?
Genivaldo balança negativamente a cabeça. Coça o queixo.
– Oxe! Tô sabendo não. Acho que vai passar no noticiário. Mas quem te contou?
– Cida. Uma amiga dela mandou mensagem pelo uaitizap. Meu amigo, o tumulto foi grande; parece que explodiram o banco e o correio, tudo de uma vez – completa Donato.
– Tu quer um cafezinho?
– Nada. Tomei agorinha.
Genivaldo coloca a mão no ombro de Donato.
– Parece que agora a gente não vai ter aquele antigo problema, né não, Donato?
– Qual?
– Homi, vai dizer que tu não vai admitir que ter correio aqui melhorou a vida da gente? – questiona, Genivaldo.
– Tá! Todo canto tinha. Uma hora São Miguel ia ter que ter também, oras.
– Mas diga que João Delmiro não acertou em colocar caixa-eletrônico e Correio aqui. Três meses atrás tava a gente indo no ônibus da escola e pirraio vomitando no seu pé – diz Genivaldo, sorrindo.
– Meu amigo, que mania da porra que vocês têm de achar que
político faz favor pro povo.
Político ganha e ganha muito
bem pra fazer
as coisa pro povo. E a família
de Delmiro, com os negócio de
material de construção tá ganhando
muito, visse! Pra tu que não sabe. Ou faz que não sabe.
Neste ponto Genivaldo ficou sem ter resposta. Aliás, esta era uma questão que Donato sabia explorar muito bem. Se, agora, a maioria dos moradores não precisava mais sair de São Miguel dos Confins para receber, pagar, transferir dinheiro, a família Delmiro estava cada vez melhor. A Câmara Municipal aprovou uma lei onde a compra de materiais para obras e construções na cidade não poderia ser feita em outra localidade. O intuito da lei era fortalecer a economia local. O grande problema que muitos não conseguiam rebater as acusações de Donato era que, além de pequeniníssimas lojas, o maior comércio de materiais de construção, ferragens, produtos elétricos e hidráulicos, pertencia a um sobrinho de João Delmiro. O próprio Donato conseguiu que um neto acessasse o site da prefeitura para conferir os preços de alguns materiais de construções comprados pela Prefeitura Municipal e comprovou que os mesmos teriam custado muito menos se houvessem sido comprado em Torres.
– Mas essas coisas
sempre existiram, Donato.
Aqui ou em qualquer canto do
Brasil.
– Mas o errado é errado. Não é porque Delmiro trouxe banco
pra cá que a gente tem que aceitar que a família
dele é ladrona.
– Homi, esqueça João Delmiro. Por enquanto tudo o que ele fez tá dando certo. A polícia e a Guarda Municipal tão protegendo a cidade e nós não vamo precisar sair daqui.
Após um anúncio na TV, começa o jingle do jornal matinal.
– Bora assistir, bora – Genivaldo finaliza a conversa.
NOVELA ESCRITA POR:
Marcelo Caronesi
ELENCO
Donato
Genivaldo
João Delmiro
Neuza
Delegado Nogueira
Judite
Comandante Couto
Artur Vieira
Raul Delmiro
Cabo Jonas
TRILHA SONORA
Forró Esferográfico - Cabruera
DIREÇÃO
Carlos Mota
PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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