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Desígnios: Capítulo 25

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 25

    

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Cont. Imediata do Capítulo Anterior.

A família Monteiro Diniz, Celso e os empregados estão surpresos com a presença e a fala de Álvaro.

ROBERTO

(sério, firme para Álvaro) Você não tem mais o direito de entrar nessa casa quando bem quer.

CLARA

(alterada) É muita cara de pau se intrometer em nossa vida.

ÁLVARO

(debochado, altivo) A vida de vocês não me interessa em nada... Como eu falei essa casa agora é minha.

CELSO

Álvaro... O prazo da promissória venceu, mas a lei ainda garante aos meus clientes quarenta e oito horas para regularizar a dívida. Até lá, você não pode exigir a desocupação da mansão.

ÁLVARO

(raiva contida) Seus clientes?...

CELSO

Isso mesmo. Farei de tudo para que Roberto recupere tudo o que você roubou.

ÁLVARO

(sorri maldoso) Não roubei nada... Roberto assinou a cessão de poderes.

ROBERTO

(alterado) Porque você me enganou!

ELISA

(firme) você não é bem vindo aqui Álvaro! Ouviu o Celso? Temos quarenta e oito horas para pagar a dívida, então vai embora!

ÁLVARO

(encara Elisa) Cuidado como fala minha querida... Você pode se arrepender.

ANTÓNIO SÉRGIO

(encara Álvaro) Não fales assim com a Elisa.

ÁLVARO

(encara António Sérgio) Não é porque você acha que vai se casar com Elisa que muda alguma coisa motorista... Eu terei o maior prazer em te colocar no seu lugar.

António Sérgio se aproxima de Álvaro, eles ficam frente a frente, se encaram.

ANTÓNIO SÉRGIO

(firme, altivo) Eu não penso casar-me com a Elisa… Eu vou casar-me com ela. Agora… mostra-me como tencionas pôr-me no meu lugar.

ROBERTO

Chega... Vocês não vão brigar aqui. (pausa) Sérgio... Eu sei que dá vontade de quebrar a cara desse infeliz, mas não vale a pena. (encara Álvaro) Sai da minha casa.

Álvaro sorri debochado encarando António Sérgio, vai saindo, olha para todos.

ÁLVARO

Ainda está nas mãos de Elisa... Se ela voltar atrás e se casar comigo (pausa) devolvo tudo a vocês.

Elisa fica sem ação.

CLARA

Arlindo...

ARLINDO

Sim senhora.

CLARA

(firme) Coloca esse miserável para fora.

ARLINDO

Com todo o prazer.

Arlindo se aproxima de Álvaro. Álvaro faz um sinal para Arlindo parar, Arlindo para de andar.

ÁLVARO

(altivo) Eu saio sozinho... (sorri maldoso) Vou esperar as quarenta e oito horas, farei isso escolhendo novos móveis para essa mansão porque tenho certeza que ninguém aqui tem quinze milhões de reais para pagar a dívida.

Álvaro sai.  

MALU

(inconformada) Mais que praga dos infernos esse Álvaro hein.

BERTA

O que é isso menina? Não se mete.

CLARA

Malu tem razão Berta...

Elisa se senta.

ELISA

(chateada) Ele insiste em jogar a responsabilidade para mim.

MAYA

Não se preocupa Elisa, esse é o objetivo dele, te deixar mal.

ROBERTO

Maya tem razão... Presta atenção no que eu vou falar Elisa... Nós poderíamos estar na rua, mas eu jamais iria permitir que você se sacrificasse dessa maneira por nós. Quero te ver bem e feliz como você merece minha filha. Então toda vez que ele disser que tudo depende de você, não dê atenção.

Elisa se levanta, abraça Roberto.

ELISA

Te amo papai.

BENÍCIO

Cena linda, mas eu não sabia que a divida era de quinze milhões de reais... De onde vamos tirar esse dinheiro?

ANTÓNIO SÉRGIO

Já te disse, Benício. Eu vou pagar.

BENÍCIO

(sorri) E você dá quinze milhões como quem dá quinze reais?

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri tímido) Não gosto de falar sobre quanto dinheiro tenho… Mas vou dar esse dinheiro com todo o prazer. Vocês fizeram-me voltar a acreditar no verdadeiro significado da palavra família.

BENÍCIO

(ri debochado) Fala aí príncipe... O que você é? Milionário ou Bilionário?

Todos olham curiosos para António Sérgio que sorri pensativo.

ROBERTO

Não interessa Beny, para com isso.

ANTÓNIO SÉRGIO

Senhor Roberto, quer que faça a transferência agora?

ROBERTO

O que você acha Celso?

CELSO

Amanhã vamos formalizar a operação. O valor será depositado na conta de Roberto e, da mesma conta, será feita a quitação da hipoteca. Assim não haverá qualquer questionamento jurídico.

ANTÓNIO SÉRGIO

Tudo bem.

CELSO

Eu preciso ir agora, mais tarde nos falamos.

ROBERTO

Obrigado pela ajuda meu amigo.

CELSO

(sorri um pouco) Fico feliz em ajudar. Com licença.

Celso sai.

CLARA

(aos empregados) Vocês já podem voltar aos seus afazeres.

MALU

(chateada) Ah não dona Clara... Esse demônio do Álvaro entrou aqui numa hora tão bonita, falta o beijo dos noivos aí.

Todos acham graça, menos Estela e Maya.

ARLINDO

Ê Malu, você essa sua mania de se intrometer.

CLARA

(sorri) Malu está certa, nós estávamos felizes e temos que continuar assim.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri para Elisa) Então, vamos continuar de onde parámos, meu amor.

António Sérgio estende a mão para Elisa, ela sorri, segura a mão dele. Elisa e António Sérgio se beijam, todos ficam felizes, aplaudem. Maya fica séria e pensativa.

Corta Para:

Cena 2/Ext./Mais Tarde – Autódromo de Interlagos/Dia.

António Sérgio estaciona o carro. Benício desce animado. António Sérgio desce do carro e observa o movimento de carros e mecânicos.

ANTÓNIO SÉRGIO

(olha em volta, curioso) Então… podes explicar-me porque é que viemos até um autódromo?

BENÍCIO

(sorri) Eu vim por causa de um trabalho.

ANTÓNIO SÉRGIO

(estranha) Um trabalho?

BENÍCIO

É. Um amigo meu trabalha numa equipe da Stock Car. Ele disse que estavam contratando e marcou uma entrevista para mim.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri surpreso) Olha… estou realmente surpreendido.

Um rapaz se aproxima.

LUCAS

(animado) Beny!

Os dois se cumprimentam.

BENÍCIO

Lucas, esse é o Sérgio, um grande amigo e noivo da minha irmã Elisa.

LUCAS

Prazer Sérgio.

ANTÓNIO SÉRGIO

(simpático) O prazer é meu.

LUCAS

O chefe já chegou. Vem comigo.

Os três caminham até a área dos boxes. Um homem de cerca de cinquenta anos observa um carro enquanto conversa com mecânicos.

LUCAS

Chefe, esse é o Benício. O rapaz de quem eu falei.

O homem aperta a mão de Benício.

CHEFE

Lucas falou muito bem de você. Disse que é responsável e aprende rápido.

BENÍCIO

(sorri debochado, disfarça) Pois é... Sou muito responsável mesmo... Eu adoro stock car, além de trabalhar aqui eu quero aprender a pilotar.

CHEFE

(sorri) É exatamente isso que procuro. Alguém com vontade de aprender. (pausa) O trabalho é pesado. Tem que chegar cedo, ajudar a equipe nos boxes, organizar equipamentos, preparar pneus, abastecer o carro com tudo o que a equipe precisa durante os treinos e as corridas. Não tem glamour.

BENÍCIO

(sorri cínico) Quem gosta de glamour é minha irmã Maya, eu não... Como disse sou muito responsável e estou pronto para fazer tudo o que você falou.

António Sérgio e Benício se olham cumplices, sorriem sabendo que Benício não é nada daquilo.

CHEFE

Por tudo que Lucas falou de você, vou te dar um voto de confiança Benício. (estende a mão) O emprego é seu Benício.

Benício aperta a mão dele.

BENÍCIO

(feliz) Muito obrigado! Eu não vou decepcionar vocês.

Ricardo sorri e sai para atender um mecânico. Lucas dá um tapinha nas costas de Benício.

LUCAS

Parabéns Beny! Te vejo amanhã.

Lucas sai.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Parabéns, Beny.

BENÍCIO

(empolgado, feliz) Valeu Sérgio. Nem tô acreditando nisso, não vejo a hora de contar para o meu pai.

ANTÓNIO SÉRGIO

Tenho a certeza de que ele vai ficar muito orgulhoso.

BENÍCIO

(um pouco preocupado) Tomara...

Corta Para:

Cena 3/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro Figueroa/Escritório de Gonçalo/Dia.

Gonçalo está lendo alguns documentos, Manuela invade o escritório, a secretária de Gonçalo entra em seguida.

SECRETÁRIA

(aflita) Desculpe senhor Gonçalo, a dona Manuela/

MANUELA

(alterada, para a secretária) Saia daqui imediatamente!

GONÇALO

(calmo, para a secretária) Peço desculpa por isso. Pode sair.

A secretária sai, Manuela encara Gonçalo, Gonçalo se levanta.

GONÇALO

Senhora Manuela… não tem o direito de entrar assim no meu escritório.

MANUELA

(alterada/raiva) Vai para o inferno, cão fiel! E diz-me porque é que o António Sérgio levantou dois milhões e quinhentos mil euros!

GONÇALO

(curioso) Como é que a senhora sabe disso? Mandou alguém vigiar os passos do meu amigo?

MANUELA

(altiva) Eu sou a duquesa viúva Manuela Castro Figueroa. Sei de tudo o que acontece!" (eleva a voz) E diz! Diz-me aquilo que eu já sei, mas não quero acreditar!

GONÇALO

Que seria?...

MANUELA

(raiva) O António Sérgio levantou esse dinheiro por causa daquela brasileira! Não foi?

GONÇALO

Não sei… Mas, seja lá o que for, tudo isto e o dinheiro pertencem ao António Sérgio. Ele é livre de fazer o que quiser."

MANUELA

(alterada) Parte de tudo isto também é meu! Não admito que o António Sérgio leve as minhas joias! O meu dinheiro para dar àquela vagabunda brasileira!

GONÇALO

(sorri provocativo) Tenha cuidado, senhora Manuela… está a falar da futura mulher do António Sérgio.

MANUELA

(séria, raiva) ... Como é?

GONÇALO

Eu não deveria estar a dizer-lhe isto, mas, devido à sua falta de postura e de respeito para com a Elisa… eu vou dizer. O António Sérgio e a Elisa vão casar-se

Manuela recebe a notícia com impacto, seu olhar escurece, o ódio no olhar é palpável.

MANUELA

(ódio, frieza) O António Sérgio só se casará com outra mulher por cima do meu cadáver!

GONÇALO

(sorri) A senhora não pode fazer nada. Já sabe que, se tentar alguma coisa, o António Sérgio vai agir contra si

MANUELA

(encara Gonçalo de forma assustadora) A mulher que consegue sair do inferno descobre que já não precisa de temer o fogo… cão fiel.

Manuela sai, bate a porta. Gonçalo fica pensativo, preocupado.

Cena 4/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro Figueroa/Corredor/Dia.

Manuela se encosta na parede, fecha os olhos, está ofegante. Manuela olha para frente, pensativa.

MANUELA

(tom rancoroso) O António Sérgio é meu… assim como tudo isto que lutei para conquistar. Vou tirar aquela vadia do meu caminho de uma vez por todas. (fria, determinada) Nem que, para isso, tenha de acabar com a vida dela.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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