
Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Cont. Imediata do Capítulo Anterior.
A família Monteiro Diniz, Celso e os empregados
estão surpresos com a presença e a fala de Álvaro.
ROBERTO
(sério,
firme para Álvaro) Você não tem mais o direito de entrar nessa casa quando bem
quer.
CLARA
(alterada)
É muita cara de pau se intrometer em nossa vida.
ÁLVARO
(debochado,
altivo) A vida de vocês não me interessa em nada... Como eu falei essa casa
agora é minha.
CELSO
Álvaro... O
prazo da promissória venceu, mas a lei ainda garante aos meus clientes quarenta
e oito horas para regularizar a dívida. Até lá, você não pode exigir a
desocupação da mansão.
ÁLVARO
(raiva
contida) Seus clientes?...
CELSO
Isso mesmo.
Farei de tudo para que Roberto recupere tudo o que você roubou.
ÁLVARO
(sorri maldoso) Não roubei nada... Roberto assinou a cessão de poderes.
ROBERTO
(alterado)
Porque você me enganou!
ELISA
(firme) você
não é bem vindo aqui Álvaro! Ouviu o Celso? Temos quarenta e oito horas para
pagar a dívida, então vai embora!
ÁLVARO
(encara
Elisa) Cuidado como fala minha querida... Você pode se arrepender.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(encara
Álvaro) Não fales assim com a Elisa.
ÁLVARO
(encara
António Sérgio) Não é porque você acha que vai se casar com Elisa que muda
alguma coisa motorista... Eu terei o maior prazer em te colocar no seu lugar.
António Sérgio se aproxima de Álvaro, eles ficam
frente a frente, se encaram.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(firme,
altivo) Eu não penso casar-me com a Elisa… Eu vou casar-me com ela. Agora…
mostra-me como tencionas pôr-me no meu lugar.
ROBERTO
Chega...
Vocês não vão brigar aqui. (pausa) Sérgio... Eu sei que dá vontade de quebrar a
cara desse infeliz, mas não vale a pena. (encara Álvaro) Sai da minha casa.
Álvaro sorri debochado encarando António Sérgio, vai
saindo, olha para todos.
ÁLVARO
Ainda está
nas mãos de Elisa... Se ela voltar atrás e se casar comigo (pausa) devolvo tudo
a vocês.
Elisa fica sem ação.
CLARA
Arlindo...
ARLINDO
Sim
senhora.
CLARA
(firme)
Coloca esse miserável para fora.
ARLINDO
Com todo o
prazer.
Arlindo se aproxima de Álvaro. Álvaro faz um sinal
para Arlindo parar, Arlindo para de andar.
ÁLVARO
(altivo) Eu
saio sozinho... (sorri maldoso) Vou esperar as quarenta e oito horas, farei
isso escolhendo novos móveis para essa mansão porque tenho certeza que ninguém
aqui tem quinze milhões de reais para pagar a dívida.
Álvaro sai.
MALU
(inconformada)
Mais que praga dos infernos esse Álvaro hein.
BERTA
O que é
isso menina? Não se mete.
CLARA
Malu tem
razão Berta...
Elisa se senta.
ELISA
(chateada)
Ele insiste em jogar a responsabilidade para mim.
MAYA
Não se
preocupa Elisa, esse é o objetivo dele, te deixar mal.
ROBERTO
Maya tem
razão... Presta atenção no que eu vou falar Elisa... Nós poderíamos estar na
rua, mas eu jamais iria permitir que você se sacrificasse dessa maneira por
nós. Quero te ver bem e feliz como você merece minha filha. Então toda vez que
ele disser que tudo depende de você, não dê atenção.
Elisa se levanta, abraça Roberto.
ELISA
Te amo
papai.
BENÍCIO
Cena linda,
mas eu não sabia que a divida era de quinze milhões de reais... De onde vamos
tirar esse dinheiro?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Já te disse, Benício. Eu vou pagar.
BENÍCIO
(sorri) E
você dá quinze milhões como quem dá quinze reais?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri
tímido) Não gosto de falar sobre quanto dinheiro tenho… Mas vou dar esse
dinheiro com todo o prazer. Vocês fizeram-me voltar a acreditar no verdadeiro
significado da palavra família.
BENÍCIO
(ri
debochado) Fala aí príncipe... O que você é? Milionário ou Bilionário?
Todos olham curiosos para António Sérgio que sorri
pensativo.
ROBERTO
Não
interessa Beny, para com isso.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Senhor
Roberto, quer que faça a transferência agora?
ROBERTO
O que você
acha Celso?
CELSO
Amanhã
vamos formalizar a operação. O valor será depositado na conta de Roberto e, da
mesma conta, será feita a quitação da hipoteca. Assim não haverá qualquer
questionamento jurídico.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Tudo bem.
CELSO
Eu preciso
ir agora, mais tarde nos falamos.
ROBERTO
Obrigado
pela ajuda meu amigo.
CELSO
(sorri um
pouco) Fico feliz em ajudar. Com licença.
Celso sai.
CLARA
(aos
empregados) Vocês já podem voltar aos seus afazeres.
MALU
(chateada)
Ah não dona Clara... Esse demônio do Álvaro entrou aqui numa hora tão bonita,
falta o beijo dos noivos aí.
Todos acham graça, menos Estela e Maya.
ARLINDO
Ê Malu,
você essa sua mania de se intrometer.
CLARA
(sorri)
Malu está certa, nós estávamos felizes e temos que continuar assim.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri para
Elisa) Então, vamos continuar de onde parámos, meu amor.
António Sérgio estende a mão para Elisa, ela sorri,
segura a mão dele. Elisa e António Sérgio se beijam, todos ficam felizes,
aplaudem. Maya fica séria e pensativa.
Corta Para:
Cena 2/Ext./Mais Tarde – Autódromo de
Interlagos/Dia.
António Sérgio estaciona o carro. Benício desce
animado. António Sérgio desce do carro e observa o movimento de carros e
mecânicos.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(olha em
volta, curioso) Então… podes explicar-me porque é que viemos até um autódromo?
BENÍCIO
(sorri) Eu
vim por causa de um trabalho.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(estranha) Um
trabalho?
BENÍCIO
É. Um amigo
meu trabalha numa equipe da Stock Car. Ele disse que estavam contratando e
marcou uma entrevista para mim.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri
surpreso) Olha… estou realmente surpreendido.
Um rapaz se aproxima.
LUCAS
(animado) Beny!
Os dois se cumprimentam.
BENÍCIO
Lucas, esse
é o Sérgio, um grande amigo e noivo da minha irmã Elisa.
LUCAS
Prazer
Sérgio.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(simpático)
O prazer é meu.
LUCAS
O chefe já
chegou. Vem comigo.
Os três caminham até a área dos boxes. Um homem de
cerca de cinquenta anos observa um carro enquanto conversa com mecânicos.
LUCAS
Chefe, esse
é o Benício. O rapaz de quem eu falei.
O homem aperta a mão de Benício.
CHEFE
Lucas falou
muito bem de você. Disse que é responsável e aprende rápido.
BENÍCIO
(sorri
debochado, disfarça) Pois é... Sou muito responsável mesmo... Eu adoro stock
car, além de trabalhar aqui eu quero aprender a pilotar.
CHEFE
(sorri) É exatamente isso que procuro. Alguém com vontade de aprender. (pausa) O trabalho é pesado. Tem que chegar cedo, ajudar a equipe nos boxes, organizar equipamentos, preparar pneus, abastecer o carro com tudo o que a equipe precisa durante os treinos e as corridas. Não tem glamour.
BENÍCIO
(sorri
cínico) Quem gosta de glamour é minha irmã Maya, eu não... Como disse sou muito
responsável e estou pronto para fazer tudo o que você falou.
António Sérgio e Benício se olham cumplices, sorriem
sabendo que Benício não é nada daquilo.
CHEFE
Por tudo
que Lucas falou de você, vou te dar um voto de confiança Benício. (estende a
mão) O emprego é seu Benício.
Benício aperta a mão dele.
BENÍCIO
(feliz) Muito
obrigado! Eu não vou decepcionar vocês.
Ricardo sorri e sai para atender um mecânico. Lucas
dá um tapinha nas costas de Benício.
LUCAS
Parabéns
Beny! Te vejo amanhã.
Lucas sai.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri) Parabéns,
Beny.
BENÍCIO
(empolgado,
feliz) Valeu Sérgio. Nem tô acreditando nisso, não vejo a hora de contar para o
meu pai.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Tenho a
certeza de que ele vai ficar muito orgulhoso.
BENÍCIO
(um pouco
preocupado) Tomara...
Corta Para:
Cena 3/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro
Figueroa/Escritório de Gonçalo/Dia.
Gonçalo está lendo alguns documentos, Manuela invade
o escritório, a secretária de Gonçalo entra em seguida.
SECRETÁRIA
(aflita) Desculpe
senhor Gonçalo, a dona Manuela/
MANUELA
(alterada,
para a secretária) Saia daqui imediatamente!
GONÇALO
(calmo,
para a secretária) Peço desculpa por isso. Pode sair.
A secretária sai, Manuela encara Gonçalo, Gonçalo se
levanta.
GONÇALO
Senhora
Manuela… não tem o direito de entrar assim no meu escritório.
MANUELA
(alterada/raiva)
Vai para o inferno, cão fiel! E diz-me porque é que o António Sérgio levantou
dois milhões e quinhentos mil euros!
GONÇALO
(curioso) Como
é que a senhora sabe disso? Mandou alguém vigiar os passos do meu amigo?
MANUELA
(altiva) Eu
sou a duquesa viúva Manuela Castro Figueroa. Sei de tudo o que acontece!"
(eleva a voz) E diz! Diz-me aquilo que eu já sei, mas não quero acreditar!
GONÇALO
Que
seria?...
MANUELA
(raiva) O
António Sérgio levantou esse dinheiro por causa daquela brasileira! Não foi?
GONÇALO
Não sei…
Mas, seja lá o que for, tudo isto e o dinheiro pertencem ao António Sérgio. Ele
é livre de fazer o que quiser."
MANUELA
(alterada) Parte
de tudo isto também é meu! Não admito que o António Sérgio leve as minhas
joias! O meu dinheiro para dar àquela vagabunda brasileira!
GONÇALO
(sorri
provocativo) Tenha cuidado, senhora Manuela… está a falar da futura mulher do
António Sérgio.
MANUELA
(séria, raiva) ... Como é?
GONÇALO
Eu não
deveria estar a dizer-lhe isto, mas, devido à sua falta de postura e de
respeito para com a Elisa… eu vou dizer. O António Sérgio e a Elisa vão
casar-se
Manuela recebe a notícia com impacto, seu olhar
escurece, o ódio no olhar é palpável.
MANUELA
(ódio,
frieza) O António Sérgio só se casará com outra mulher por cima do meu cadáver!
GONÇALO
(sorri) A
senhora não pode fazer nada. Já sabe que, se tentar alguma coisa, o António
Sérgio vai agir contra si
MANUELA
(encara
Gonçalo de forma assustadora) A mulher que consegue sair do inferno descobre
que já não precisa de temer o fogo… cão fiel.
Manuela sai, bate a porta. Gonçalo fica pensativo,
preocupado.
Cena 4/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro
Figueroa/Corredor/Dia.
Manuela se encosta na parede, fecha os olhos, está
ofegante. Manuela olha para frente, pensativa.
MANUELA
(tom rancoroso) O António Sérgio é meu… assim como tudo isto que lutei para conquistar. Vou tirar aquela vadia do meu caminho de uma vez por todas. (fria, determinada) Nem que, para isso, tenha de acabar com a vida dela.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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