
Cena 1/int./Mais Tarde - Hotel/Suíte de
Manuela/Noite.
Santiago está arrumando as malas de Manuela, alguém
bate na porta. Santiago abre a porta, António Sérgio entra.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério) Santiago…
Estranho seria se não estivesses aqui para beijar o chão por onde a Manuela
passa.
SANTIAGO
(um pouco
envergonhado) é o meu trabalho, senhor António Sérgio.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não… Tu
eras o homem de confiança do meu pai e tornaste-te o capacho da Manuela… Onde é
que ela está?
SANTIAGO
Está a
tomar banho… vamos voltar para Portugal ainda esta noite.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Vais sair
daqui agora. Quero falar com a Manuela.
SANTIAGO
Não posso
sair, senhor/
ANTÓNIO
SÉRGIO
(firme) Faz
o que te mandei ou arranjo outro capacho para a Manuela.
SANTIGO
(abaixa a
cabeça) Com licença, senhor.
Santiago sai. António Sérgio caminha pela suíte.
Manuela entra, fica surpresa ao vê – lo.
MANUELA
António
Sérgio… Não esperava ver-te aqui.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Nem eu
esperava que viesses ao Brasil para destruir o meu casamento com a Elisa.
MANUELA
(sorri) Ela
não é mulher para ti, meu querido… Não é do tipo de mulher de que gostas… A
brasileirinha é uma brisa que passa e quase não se sente. Já eu… (se aproxima
de António Sérgio, o olha sedutora) Sou como uma ventania que antecede uma
tempestade. Intensa..
Manuela beija António Sérgio com vontade e paixão.
Manuela vai perdendo a altivez ao sentir que António Sérgio não retribuiu ao
beijo, os olhos enchem de lágrimas, está pasma.
MANUELA
(as
lágrimas escorrem) Porque é que não me beijas como antes?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério,
frio) Porque não sinto mais nada por ti. O único sentimento que tenho em
relação a ti não é bom… Prefiro mil vezes a calmaria da Elisa à tua
intensidade… Tu és destrutiva.
Manuela se afasta desesperada.
MANUELA
(inconformada)
Não! Não podes estar a falar a sério! Queres vingar-te porque menti àquela
água-com-açúcar!
ANTÓNIO
SÉRGIO
Tu não
queres ver, Manuela… Ou finges que não vês por medo. Deixei de te amar há muito
tempo e, na verdade, talvez nunca tenha sido amor. Com a Elisa é diferente. É
amor. E vou lutar pelo perdão dela. Vou casar com ela, quer tu queiras, quer
não. Portanto, para de te meter na minha vida!
MANUELA
(as
lagrimas escorrem, raiva) Enquanto eu viver, tu e ela nunca ficarão juntos.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério,
altivo) Vais ter outras coisas com que te preocupar além da minha vida. Eu
também vou para Portugal… Mas vou para tirar-te tudo, incluindo a guarda da
minha filha.
MANUELA
(séria) Não
te atrevas a fazer isso.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Já estou a
fazê-lo. O Gonçalo já está a caminho de Portugal para adiantar as coisas e eu
vou amanhã.
MANUELA
(tom alto, nervosa) Não podes fazer isso!
ANTÓNIO
SÉRGIO
(se
aproxima olha Manuela nos olhos) E tu não podias ter mentido à Elisa ao ponto
de ela cancelar o nosso casamento. Agora aguenta as consequências.
MANUELA
(segura os
braços de António Sérgio) Dá-nos outra oportunidade, querido. Esquece essa
Elisa! Vamos ser felizes em Portugal. Eu tiro a Maria Alice do internato e
começamos uma vida nova juntos.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério) Tiveste
a tua oportunidade e desperdiçaste-a… Mas sou-te grato. Sem isso, eu não teria
vindo para cá e descoberto o que é o amor de verdade. Quanto à minha filha,
quando eu voltar para cá, ela virá comigo.
MANUELA
(fria) Entrego-te
a Maria Alice embrulhada para presente, se quiseres… Mas não te atrevas a
tirar-me aquilo que é meu.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(inconformado)
Que triste ver como és superficial, Manuela.
António Sérgio vai saindo, olha Manuela.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Mas, se
quiseres, faço um acordo sobre a guarda da Maria Alice. E esse será o único
dinheiro que terás de mim.
António Sérgio sai. Manuela está irada, chora,
grita.
MANUELA
(olhar
enlouquecido) Tudo culpa dessa maldita brasileira!… Mas, se eu perder tudo o
que conquistei… António Sérgio vai perder a mulher que ama.
Manuela encara a porta por onde António Sérgio saiu,
com um olhar frio e determinado.
Corta Para:
Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de
Elisa/Noite.
Elisa triste, pensativa, sentada perto da janela,
olhando para o céu. Berta entra trazendo uma bandeja.
BERTA
Elisa, como
você não foi jantar eu vim te trazer um chá com aqueles biscoitinhos que você
adora.
ELISA
(chateada)
Obrigada Berta, mas estou sem fome.
Berta coloca a bandeja em cima de uma mesinha, se
senta ao lado de Elisa.
BERTA
Eu poderia
fingir que não sei o que está acontecendo e perguntar o motivo de você está
assim, mas eu já sei.
ELISA
(saudosa,
olhando a paisagem) Berta você se lembra de como era essa casa quando eu era
criança?
BERTA
Lembro
querida.
ELISA
(olha
Berta, saudosa) Eu adorava como era... O jardim tinha umas flores que só de
olhar alegrava o meu dia. (pausa) Tinha bastante espaço na área da piscina e eu
lembro que Maya, Beny e eu ficávamos horas brincando, correndo ali, as vezes a
gente brigava, mas era por pouco tempo. (pausa, se lembrando) E a decoração...
A mamãe tinha um vaso de porcelana que era o meu favorito. (pausa, triste) Mas
um dia Beny passou correndo e sem querer esbarrou no vaso e ele caiu e
quebrou... Ele era muito frágil... Assim como os desígnios da vida... As coisas
vêm e vão... Eu sinto falta.
BERTA
(pensativa)
Do que exatamente, minha querida?
ELISA
(as
lagrimas escorrem) De tudo Berta... Dá época de infância, do jardim, das
brincadeiras, da decoração, do vaso...
BERTA
E de
António Sérgio...
ELISA
(chora)
Não... Não sinto falta dele. (pausa) Sinto falta do Sérgio. (abraça Berta,
chora inconsolável).
BERTA
(consolando
Elisa, com pena) Detesto de ver assim minha querida, mas é melhor que chore e
coloque tudo para fora.
Berta fica abraçada com Elisa a consolando.
Corta Para:
Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Estela e Clara estão sentadas no sofá conversando.
ESTELA
Eu acho que
Elisa está sendo muito radical ao deixar António Sérgio.
CLARA
Agora né,
porque enquanto ele fingiu ser pobre você era contra.
ESTELA
Sim era
contra mesmo, da mesma forma que não quero o meu filho com a Sol.
CLARA
E com isso
você está perdendo o carinho do seu filho e eu estou do lado dele.
Benício entra, Clara se levanta.
CLARA
Beny meu
querido, eu preciso falar com você.
BENÍCIO
Pode falar
mamãe.
CLARA
(sorri) Seu
aniversário está chegando e quero saber quantas pessoas você pretende chamar
para a festa.
BENÍCIO
(sorri) Eu não quero festa mamãe.
CLARA
(estranha)
Como é? Você não quer comemorar os seus dezoito anos?
BENÍCIO
Não... Nós
ainda precisamos recuperar muita coisa e não tem clima para festa depois do que
aconteceu com a Elisa.
CLARA
(sorri
admirada) Embora eu ache sua atitude muito madura e bonita, eu insisto...
Afinal meu caçula merece uma festa.
BENÍCIO
(sorri, se
aproxima, beija a testa de Clara) De verdade não quero uma festa mamãe, mas
para você ficar feliz, aceito um jantar, só a nossa família, pode ser?
CLARA
(achando
sem graça) Pode... Se é isso que você quer né.
BENÍCIO
(sorri)
Ótimo. Agora vou subir e me arrumar, vou sair com a Lívia daqui a pouco.
Benício sobe as escadas.
ESTELA
(pouco
caso) Não bastasse o Dante, agora tem o Beny namorando a filha da empregada.
CLARA
(revira os
olhos) Para com isso Estela! Coisa mais chata.
Corta Para:
Cena 4/Int./Dia Seguinte – Portugal – Lisboa/Colégio
Interno/Diretoria/Dia.
António Sérgio está sozinho, a diretora entra
trazendo Maria Alice, a menina corre e abraça António Sérgio assim que o vê.
MARIA ALICE
António Sérgio, tinha tantas saudades tuas.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(abraçando Maria Alice, emocionado) Eu também tinha muitas saudades
tuas.
MARIA ALICE
(olha para António Sérgio) A mamã veio contigo?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não… Na verdade, ela não sabe que estou aqui.
MARIA ALICE
(triste) Já faz algum tempo que ela não vem visitar-me.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não fiques assim, meu amor… Eu vim aqui para te contar uma coisa. Talvez não
consigas entender, mas quero muito que saibas.
MARIA ALICE
O quê?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Maria Alice… Não sei como te contar isto, por isso vou ser direto. (pausa)
Eu não sou teu irmão… Sou o teu pai.
MARIA ALICE
(surpresa, tentando entender) Meu pai?… Tu és o meu pai?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Sou, meu amor. Mas eu não sabia… A tua mãe contou-me há pouco tempo. Só vim
aqui agora porque quero saber duas coisas de ti. (pausa) A primeira… (receoso)
Gostaste de saber que sou o teu pai?
MARIA ALICE
(pensativa, sorri e abraça António Sérgio) Eu sempre te amei… E agora
vou amar-te ainda mais.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri, emocionado) Fico imensamente feliz por saber disso, meu amor.
MARIA ALICE
(sorri) E qual é a outra coisa?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Quero tirar-te daqui… Quero levar-te para casa. Mas para o Brasil, que é onde
vivo agora.
MARIA ALICE
Porque é que foste para lá?
ANTÓNIO
SÉRGIO
A história é complicada para ti… Mas eu quero ficar lá porque… porque a mulher
que amo vive lá.
MARIA ALICE
(sorri) Então tens uma namorada?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri) Tenho.
MARIA ALICE
(curiosa) Qual é o nome dela? É bonita?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri) Chama-se Elisa. (pega no telemóvel, abre uma fotografia de
Elisa e mostra-a a Maria Alice) E é linda.
MARIA ALICE
(sorri) Gostei dela.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Que bom, meu amor… Gostarias de ir viver comigo no Brasil?
MARIA ALICE
(pensativa, sorri e faz que sim com a cabeça) Quero.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Então não saio de Portugal sem ti. Vou falar com a tua mãe.
António Sérgio e Maria Alice se abraçam.
Corta Para:
Cena 5/Int./Escritório de Celso/Dia.
Elisa e Celso estão conversando.
ELISA
Celso eu
confesso que estou muito curiosa para saber o que você precisa me falar.
CELSO
É uma coisa
que não poderia ser dita na sua casa e nem por telefone.
ELISA
Foi isso
que mais me chamou a atenção.
CELSO
Elisa... É sobre a morte do Bruno.
ELISA
(incomodada)
Celso, desculpa, mas não gosto de falar sobre isso é uma coisa que mexe muito
comigo.
CELSO
Eu sei...
Álvaro sempre te culpou pelo acidente do Bruno, mas na verdade (pausa) ele é o
culpado.
ELISA
(tentando
entender) Celso... Como assim Álvaro é o culpado pela morte do Bruno? Bruno
morreu por causa de um acidente de carro.
CELSO
Bruno
sofreu o acidente porque minutos antes ele foi envenenado por Álvaro.
Elisa fica atônita.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
Copyright © 2026 - WebTV
www.redewtv.com
Todos os direitos reservados
Proibida a cópia ou a reprodução




Comentários:
0 comentários: