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Desígnios: Capítulo 31

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 31

    

Cena 1/int./Mais Tarde - Hotel/Suíte de Manuela/Noite.

Santiago está arrumando as malas de Manuela, alguém bate na porta. Santiago abre a porta, António Sérgio entra.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sério) Santiago… Estranho seria se não estivesses aqui para beijar o chão por onde a Manuela passa.

SANTIAGO

(um pouco envergonhado) é o meu trabalho, senhor António Sérgio.

ANTÓNIO SÉRGIO

Não… Tu eras o homem de confiança do meu pai e tornaste-te o capacho da Manuela… Onde é que ela está?

SANTIAGO

Está a tomar banho… vamos voltar para Portugal ainda esta noite.

ANTÓNIO SÉRGIO

Vais sair daqui agora. Quero falar com a Manuela.

SANTIAGO

Não posso sair, senhor/

ANTÓNIO SÉRGIO

(firme) Faz o que te mandei ou arranjo outro capacho para a Manuela.

SANTIGO

(abaixa a cabeça) Com licença, senhor.

Santiago sai. António Sérgio caminha pela suíte. Manuela entra, fica surpresa ao vê – lo.

MANUELA

António Sérgio… Não esperava ver-te aqui.

ANTÓNIO SÉRGIO

Nem eu esperava que viesses ao Brasil para destruir o meu casamento com a Elisa.

MANUELA

(sorri) Ela não é mulher para ti, meu querido… Não é do tipo de mulher de que gostas… A brasileirinha é uma brisa que passa e quase não se sente. Já eu… (se aproxima de António Sérgio, o olha sedutora) Sou como uma ventania que antecede uma tempestade. Intensa..

Manuela beija António Sérgio com vontade e paixão. Manuela vai perdendo a altivez ao sentir que António Sérgio não retribuiu ao beijo, os olhos enchem de lágrimas, está pasma.

MANUELA

(as lágrimas escorrem) Porque é que não me beijas como antes?

ANTÓNIO SÉRGIO

(sério, frio) Porque não sinto mais nada por ti. O único sentimento que tenho em relação a ti não é bom… Prefiro mil vezes a calmaria da Elisa à tua intensidade… Tu és destrutiva.

Manuela se afasta desesperada. 

MANUELA

(inconformada) Não! Não podes estar a falar a sério! Queres vingar-te porque menti àquela água-com-açúcar!

ANTÓNIO SÉRGIO

Tu não queres ver, Manuela… Ou finges que não vês por medo. Deixei de te amar há muito tempo e, na verdade, talvez nunca tenha sido amor. Com a Elisa é diferente. É amor. E vou lutar pelo perdão dela. Vou casar com ela, quer tu queiras, quer não. Portanto, para de te meter na minha vida!

MANUELA

(as lagrimas escorrem, raiva) Enquanto eu viver, tu e ela nunca ficarão juntos.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sério, altivo) Vais ter outras coisas com que te preocupar além da minha vida. Eu também vou para Portugal… Mas vou para tirar-te tudo, incluindo a guarda da minha filha.

MANUELA

(séria) Não te atrevas a fazer isso.

ANTÓNIO SÉRGIO

Já estou a fazê-lo. O Gonçalo já está a caminho de Portugal para adiantar as coisas e eu vou amanhã.

MANUELA

(tom alto, nervosa) Não podes fazer isso!

ANTÓNIO SÉRGIO

(se aproxima olha Manuela nos olhos) E tu não podias ter mentido à Elisa ao ponto de ela cancelar o nosso casamento. Agora aguenta as consequências.

MANUELA

(segura os braços de António Sérgio) Dá-nos outra oportunidade, querido. Esquece essa Elisa! Vamos ser felizes em Portugal. Eu tiro a Maria Alice do internato e começamos uma vida nova juntos.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sério) Tiveste a tua oportunidade e desperdiçaste-a… Mas sou-te grato. Sem isso, eu não teria vindo para cá e descoberto o que é o amor de verdade. Quanto à minha filha, quando eu voltar para cá, ela virá comigo.

MANUELA

(fria) Entrego-te a Maria Alice embrulhada para presente, se quiseres… Mas não te atrevas a tirar-me aquilo que é meu.

ANTÓNIO SÉRGIO

(inconformado) Que triste ver como és superficial, Manuela.

António Sérgio vai saindo, olha Manuela.

ANTÓNIO SÉRGIO

Mas, se quiseres, faço um acordo sobre a guarda da Maria Alice. E esse será o único dinheiro que terás de mim.

António Sérgio sai. Manuela está irada, chora, grita.

MANUELA

(olhar enlouquecido) Tudo culpa dessa maldita brasileira!… Mas, se eu perder tudo o que conquistei… António Sérgio vai perder a mulher que ama.

Manuela encara a porta por onde António Sérgio saiu, com um olhar frio e determinado.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Noite.

Elisa triste, pensativa, sentada perto da janela, olhando para o céu. Berta entra trazendo uma bandeja.

BERTA

Elisa, como você não foi jantar eu vim te trazer um chá com aqueles biscoitinhos que você adora.

ELISA

(chateada) Obrigada Berta, mas estou sem fome.

Berta coloca a bandeja em cima de uma mesinha, se senta ao lado de Elisa.

BERTA

Eu poderia fingir que não sei o que está acontecendo e perguntar o motivo de você está assim, mas eu já sei.

ELISA

(saudosa, olhando a paisagem) Berta você se lembra de como era essa casa quando eu era criança?

BERTA

Lembro querida.

ELISA

(olha Berta, saudosa) Eu adorava como era... O jardim tinha umas flores que só de olhar alegrava o meu dia. (pausa) Tinha bastante espaço na área da piscina e eu lembro que Maya, Beny e eu ficávamos horas brincando, correndo ali, as vezes a gente brigava, mas era por pouco tempo. (pausa, se lembrando) E a decoração... A mamãe tinha um vaso de porcelana que era o meu favorito. (pausa, triste) Mas um dia Beny passou correndo e sem querer esbarrou no vaso e ele caiu e quebrou... Ele era muito frágil... Assim como os desígnios da vida... As coisas vêm e vão... Eu sinto falta.

BERTA

(pensativa) Do que exatamente, minha querida?

ELISA

(as lagrimas escorrem) De tudo Berta... Dá época de infância, do jardim, das brincadeiras, da decoração, do vaso...

BERTA

E de António Sérgio...

ELISA

(chora) Não... Não sinto falta dele. (pausa) Sinto falta do Sérgio. (abraça Berta, chora inconsolável).

BERTA

(consolando Elisa, com pena) Detesto de ver assim minha querida, mas é melhor que chore e coloque tudo para fora.

Berta fica abraçada com Elisa a consolando.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Estela e Clara estão sentadas no sofá conversando.

ESTELA

Eu acho que Elisa está sendo muito radical ao deixar António Sérgio.

CLARA

Agora né, porque enquanto ele fingiu ser pobre você era contra.

ESTELA

Sim era contra mesmo, da mesma forma que não quero o meu filho com a Sol.

CLARA

E com isso você está perdendo o carinho do seu filho e eu estou do lado dele.

Benício entra, Clara se levanta.

CLARA

Beny meu querido, eu preciso falar com você.

BENÍCIO

Pode falar mamãe.

CLARA

(sorri) Seu aniversário está chegando e quero saber quantas pessoas você pretende chamar para a festa.

BENÍCIO

(sorri) Eu não quero festa mamãe.

CLARA

(estranha) Como é? Você não quer comemorar os seus dezoito anos?

BENÍCIO

Não... Nós ainda precisamos recuperar muita coisa e não tem clima para festa depois do que aconteceu com a Elisa.

CLARA

(sorri admirada) Embora eu ache sua atitude muito madura e bonita, eu insisto... Afinal meu caçula merece uma festa.

BENÍCIO

(sorri, se aproxima, beija a testa de Clara) De verdade não quero uma festa mamãe, mas para você ficar feliz, aceito um jantar, só a nossa família, pode ser?

CLARA

(achando sem graça) Pode... Se é isso que você quer né.

BENÍCIO

(sorri) Ótimo. Agora vou subir e me arrumar, vou sair com a Lívia daqui a pouco.

Benício sobe as escadas.

ESTELA

(pouco caso) Não bastasse o Dante, agora tem o Beny namorando a filha da empregada.

CLARA

(revira os olhos) Para com isso Estela! Coisa mais chata.

Corta Para:

Cena 4/Int./Dia Seguinte – Portugal – Lisboa/Colégio Interno/Diretoria/Dia.

António Sérgio está sozinho, a diretora entra trazendo Maria Alice, a menina corre e abraça António Sérgio assim que o vê.

MARIA ALICE
António Sérgio, tinha tantas saudades tuas.

ANTÓNIO SÉRGIO
(abraçando Maria Alice, emocionado) Eu também tinha muitas saudades tuas.

MARIA ALICE
(olha para António Sérgio) A mamã veio contigo?

ANTÓNIO SÉRGIO
Não… Na verdade, ela não sabe que estou aqui.

MARIA ALICE
(triste) Já faz algum tempo que ela não vem visitar-me.

ANTÓNIO SÉRGIO
Não fiques assim, meu amor… Eu vim aqui para te contar uma coisa. Talvez não consigas entender, mas quero muito que saibas.

MARIA ALICE
O quê?

ANTÓNIO SÉRGIO
Maria Alice… Não sei como te contar isto, por isso vou ser direto. (pausa) Eu não sou teu irmão… Sou o teu pai.

MARIA ALICE
(surpresa, tentando entender) Meu pai?… Tu és o meu pai?

ANTÓNIO SÉRGIO
Sou, meu amor. Mas eu não sabia… A tua mãe contou-me há pouco tempo. Só vim aqui agora porque quero saber duas coisas de ti. (pausa) A primeira… (receoso) Gostaste de saber que sou o teu pai?

MARIA ALICE
(pensativa, sorri e abraça António Sérgio) Eu sempre te amei… E agora vou amar-te ainda mais.

ANTÓNIO SÉRGIO
(sorri, emocionado) Fico imensamente feliz por saber disso, meu amor.

MARIA ALICE
(sorri) E qual é a outra coisa?

ANTÓNIO SÉRGIO
Quero tirar-te daqui… Quero levar-te para casa. Mas para o Brasil, que é onde vivo agora.

MARIA ALICE
Porque é que foste para lá?

ANTÓNIO SÉRGIO
A história é complicada para ti… Mas eu quero ficar lá porque… porque a mulher que amo vive lá.

MARIA ALICE
(sorri) Então tens uma namorada?

ANTÓNIO SÉRGIO
(sorri) Tenho.

MARIA ALICE
(curiosa) Qual é o nome dela? É bonita?

ANTÓNIO SÉRGIO
(sorri) Chama-se Elisa. (pega no telemóvel, abre uma fotografia de Elisa e mostra-a a Maria Alice) E é linda.

MARIA ALICE
(sorri) Gostei dela.

ANTÓNIO SÉRGIO
Que bom, meu amor… Gostarias de ir viver comigo no Brasil?

MARIA ALICE
(pensativa, sorri e faz que sim com a cabeça) Quero.

ANTÓNIO SÉRGIO
Então não saio de Portugal sem ti. Vou falar com a tua mãe.

António Sérgio e Maria Alice se abraçam.

Corta Para:

Cena 5/Int./Escritório de Celso/Dia.

Elisa e Celso estão conversando.

ELISA

Celso eu confesso que estou muito curiosa para saber o que você precisa me falar.

CELSO

É uma coisa que não poderia ser dita na sua casa e nem por telefone.

ELISA

Foi isso que mais me chamou a atenção.

CELSO

Elisa... É sobre a morte do Bruno.

ELISA

(incomodada) Celso, desculpa, mas não gosto de falar sobre isso é uma coisa que mexe muito comigo.

CELSO

Eu sei... Álvaro sempre te culpou pelo acidente do Bruno, mas na verdade (pausa) ele é o culpado.

ELISA

(tentando entender) Celso... Como assim Álvaro é o culpado pela morte do Bruno? Bruno morreu por causa de um acidente de carro.

CELSO

Bruno sofreu o acidente porque minutos antes ele foi envenenado por Álvaro.

Elisa fica atônita.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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