ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste capítulo possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.

CENA 01. CASA DE SUZETE. QUARTO DE SUZETE.
INTERIOR. DIA.
CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO ANTERIOR. ADEMAR SE APROXIMA DA
MÃE. SUZETE SENTA NA CAMA.
SUZETE: Como explicar algo desse tipo,
Ademar? Trabalhar de transformista em uma boate gay?
Você ficou maluco?
ADEMAR: Foi o único trabalho digno que
eu consegui, mãe. Foram as únicas pessoas que abriram as
portas pra mim. Depois do acontecido comigo, depois que
eu caí no fracasso ninguém quis me dar um emprego. Se
não fosse a boate, se não fosse o Vavá, com a sua boa
vontade, eu estaria sem trabalhar até agora.
SUZETE: E você acha legal esse tipo de
serviço? Você poderia muito bem estar me ajudando na
pastelaria, ganhando seu dinheirinho por fora. Logo
agora que começamos a fazer entregas... Você poderia
ficar de motorista.
ADEMAR: Eu sei mãe. Isso já me passou
pela cabeça.
SUZETE: E por que não largou essa vida?
ADEMAR: Porque eu acabei me adaptando!
Eu gosto do que eu faço, mãe!
SUZETE
LEVANTA.
SUZETE: Gosta? Você gosta de trabalhar
entre gays, entre um povo que só pensa em sexo?
ADEMAR: Eles são como qualquer um de
nós. E eu sinto muito orgulho do meu trabalho. Eles não
só pensam em sexo! Depravados existem entre todos os
sexos! A única coisa que eu queria que a senhora
entendesse é que o Ademar de antes continua vivo.
Continua aqui, na sua frente, mãe. Eu não mudei em nada.
SUZETE: Você mudou sim. Só por estar
gostando do serviço de transformismo, é uma mudança
radical. Eu vejo que perdi aquele filho de antes.
ADEMAR: É, mãe... Em partes. (LEVANTA)
Em partes aquele Ademar de antes morreu. Hoje em dia eu
sou livre, faço da minha vida o que eu bem entender.
Hoje em dia eu faço sucesso, se bobear, mais que
antes... Hoje eu estou livre de uma doença que todo o
mundo tem! O preconceito! Isso eu extirpei de mim, com a
convivência com o diferente, aceitando o próximo.
SUZETE: Você está me julgando
preconceituosa?
ADEMAR: De maneira nenhuma. Quem sou eu
pra julgar? Eu só quero que a senhora entenda que meu
trabalho é comum, é divertir o povo... É levar alegria
aquela gente que é mal-tratada pela sociedade, que é
tida como o resto de uma sociedade hipócrita e que vive
as amarras de uma falsa aceitação. Eu, mãe, amo o que
faço. Recebo o apoio da mulher que amo, recebi agora o
apoio de meu filho, quem eu pensei que ia me levar a
cruz... Recebo o apoio dos meus irmãos... Até do
Valdson, meu grande irmão... Mas da mulher que eu mais
amo nesse mundo, acho que apoio fica difícil, não é?
(SUSPIRA) Bem... Já falei o que tinha pra falar. Agora
eu vou deixar à senhora aí. Se não quiser mais falar
comigo eu vou entendê-la, com uma profunda dor no
coração, mas eu vou entender.
ADEMAR
VAI SAINDO DO QUARTO.
SUZETE: Ademar!
ELE
PARA E VOLTA.
ADEMAR: Oi, mãe.
SUZETE: Não vai. Essa conversa ainda
não acabou.
EM
ADEMAR.
CENA 02. LAPA. RUA PRINCIPAL. EXTERIOR. DIA.
TAVINHO ANDA POR ALI. ALGUMAS PESSOAS OLHAM PARA ELE E
COCHICHAM. DARINHO E DAVIDSON APARECEM.
DARINHO: Então quer dizer que o papai
dele é na verdade uma menininha de sainha.
DARINHO E DAVIDSON RIEM. TAVINHO PARA, RESPIRA FUNDO E
VIRA-SE.
TAVINHO: Pois saiba que meu pai é muito
homem.
DARINHO: Homem? Tem certeza, moleque?
DAVIDSON: Se aquilo ali no outdoor for
homem, eu mudo meus conceitos.
ELES
RIEM.
TAVINHO: Vou mostrar a vocês como é que
se deve respeitar as pessoas.
E
TAVINHO ACERTA UM MURRO EM DAVIDSON. DARINHO SAI EM
DEFESA DO IRMÃO. VALDSON CHEGA E SEPARA.
VALDSON: Vamos parando, vamos parando?!
Não quero saber de briga aqui não.
TAVINHO: Esse imbecil que tá falando
mal do meu pai.
DARINHO: (CÍNICO) Mas se ele é um gayzinho mesmo! Dançarina de boate gay!
TAVINHO VAI PARTIR PRA CIMA, MAS VALDSON IMPEDE.
VALDSON: Não. (PARA OS OUTROS DOIS) E
vocês dêem linha daqui. Vazem. Vão tirar sarro da cara
de outro. Do lek aqui não. Vaza, vaza...
DARINHO E DAVIDSON VÃO EMBORA.
TAVINHO: Obrigado pela ajuda aí,
Valdson. Esses caras são mó otários. Não agüento
perturbação. Parto logo pra mão.
VALDSON: Eles não voltarão a gozar de
você. Seu pai é um grande homem. Tenho muito orgulho de
ser amigo dele... E aquilo ali... (APONTA PARA O
OUTDOOR) É só arte!
VALDSON RI PARA TAVINHO, QUE RETRIBUI.
TAVINHO: É verdade!
ELES
DÃO-SE AS MÃOS.
CENA 03. SHOPPING GALERIA. FRENTE. EXTERIOR.
DIA.
EVELYN
ACABA DE CHEGAR EM SEU CARRO. DIEGO SE APROXIMA DELA.
ELA JOGA AS CHAVES, SEM DAR A MINIMA PRA ELE.
EVELYN: Cuide de meu carro, Diego!
DIEGO: Sim, senhora!
VIVIANE VEM ATÉ ELA.
VIVIANE: Estão todos comentando o
babado do Ademar. As amiguinhas da Daniela estão loucas
da vida.
EVELYN: (SORRISO FALSO) Verdade? Oh,
que pena... Ele mereceu.
EVELYN
E VIVIANE ENTRAM.
CENA 04. SHOPPING GALERIA. CORREDOR. INTERIOR.
DIA.
RAISSA
E TIARA ENCONTRAM VIVIANE E EVELYN.
TIARA: Foi você quem armou pra cima do
Ademar. Não foi, Evelyn?
EVELYN: Mas é claro que fui eu. Como
não seria? O Ademar tinha que mostrar sua verdadeira
face, eu apenas dei um empurrãozinho.
VIVIANE: E um empurrãozinho e tanto...
RAISSA: Cala a boca sua puxa-saco!
EVELYN: Era isso que vocês queriam
falar? Pois bem, não quero perder meu precioso tempo com
maritacas. Tenham um bom dia!
ELA
VAI SAINDO, MAS TIARA PEGA-A PELO BRAÇO. EVELYN OLHA
PARA A MÃO DE TIARA A APERTANDO.
EVELYN: Tire essas patas sujas de cima
de mim. Eu estou mandando.
TIARA: Fica esperta, sua cachorra. Fica
esperta que teus dias aqui estão contados.
EVELYN: Ah, é? Por quê? Vai me matar,
órfãzinha?
TIARA: (PARA VIVIANE) Você quem contou
pra ela... Desgraçada!
EVELYN: Volta pro orfanato, sua
relenta.
VIVIANE RI DE TIARA E SAI COM EVELYN. TIARA FICA MEXIDA.
RAISSA: Não liga pro que ela disse,
amiga. Não desanima.
TIARA: A Viviane não tinha o direito de
falar da minha vida para essa bruxa.
RAISSA
CONSOLA TIARA.
CENA 05. SHOPPING GALERIA. SEX SHOP. INTERIOR.
DIA.
ABRE
EM VIVIANE E EVELYN BRINDANDO COM CHAMPANHE.
VIVIANE: A vitória da musa, a rainha da
destruição!
EVELYN: Menos, bem menos... (RI) Ao
fracasso do Ademar! A discórdia entre a família Dias!
VIVIANE E EVELYN BRINDAM. ELAS BEBEM.
EVELYN: Eu quero mais. Muito mais! Eles
não perdem por esperar!
CLOSE
NO OLHAR DELA, QUE FUNDE COM:
CENA 06. SÃO PAULO. GERAIS. EXTERIOR. DIA.
TOMADA
AÉREA DE SÃO PAULO AO SOM DE “PARTIDA DE FUTEBOL –
SKANK”
CENA 07. SPFC. CORREDOR. INTERIOR. DIA.
WALLACE E SIVUCA CONVERSAM.
SIVUCA: Como é que é? Tão te
perturbando aqui no clube?
WALLACE: Eu não queria falar nada pro
senhor, mas é o que tá acontecendo. Tem dois garotos
aqui.../
NESTE
EXATO MOMENTO DANIEL E LUÍS PASSAM POR WALLACE E O
ENCARAM. SIVUCA PERCEBE.
WALLACE: O senhor viu? Esses dois são
os riquinhos que estão me perseguindo aqui no time. Hoje
mesmo já tiraram mó onda com a minha cara. Falaram até
que aqui não é lugar pra mim. Poxa, Sivuca! Eu to aqui
como profissional, não para disputar com ninguém. Os
outros garotos são legais comigo, mas esses filhinhos de
papai ai tão me tirando do sério.
SIVUCA: Fica na sua que vou resolver
isso agora.
SIVUCA
VAI SAINDO.
WALLACE: Sivuca? Cê vai fazer o quê?
MAS
SIVUCA JÁ FOI.
CENA 08. SPFC. DIREÇÃO. INTERIOR. DIA.
SIVUCA, O DIRETOR, DANIEL E LUÍS.
DIRETOR: Vocês dois são ótimos, mas
dessa vez passaram dos limites. Como ousam ameaçar um
colega de equipe?
LUÍS: Mas nós estávamos brincando com
ele, diretor.
DANIEL: A gente não sabia que isso ia
magoá-lo. Se for o caso pedimos desculpas ao Wallace.
SIVUCA: É o melhor a se fazer.
DIRETOR: Vocês vão pedir desculpas,
sim, mas antes vão ficar de suspensão.
DANIEL: Suspensão?
LUÍS: Não, diretor/
DIRETOR: (POR CIMA) Pra vocês
aprenderem que aqui o trabalho é coletivo. E parem de
ameaçar o garoto seja por brincadeira ou não. Estamos
entendidos?
DANIEL
E LUÍS AFIRMAM POSITIVAMENTE COM A CABEÇA.
DIRETOR: Podem ir.
ELES
SAEM.
SIVUCA: Gostei. Tem que ter pulso firme
com esses garotos.
CENA 09. SPFC. CORREDOR. INTERIOR. DIA.
DANIEL
E LUÍS PASSAM POR WALLACE E FAZEM SINAL DE MORTE.
WALLACE FICA ASSUSTADO. ELES PARAM EM UM CANTO, LONGE DE
WALLACE.
DANIEL: Só fico bem quando esse garoto
estiver longe daqui do time de base.
LUÍS: O sonho dele, de ser um brilhante
jogador, está por um fio. Pode apostar.
DANIEL: Relaxa que hoje à noite nós damos o troco.
CLOSE
NELES QUE ENCARAM WALLACE, QUE JÁ ESTÁ INCOMODADO.
CENA 10. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA.
SUZETE
E ADEMAR VÊM DO QUARTO. DANIELA, ANDRÉ E FABIANE ESTÃO
ANSIOSOS.
FABIANE: E aí, gente? Não vão falar
nada?
SUZETE
SORRI, AINDA TÍMIDA.
SUZETE: É meu filho, não é? Eu tenho
que apoiá-lo em qualquer circunstância!
DANIELA ABRAÇA ADEMAR E O BEIJA.
DANIELA: Tá vendo meu amor?
SUZETE: Eu que sou uma preconceituosa.
Estava pensando o que os outros iriam dizer, o que já
estão dizendo... Mas que os outros se explodam! O que eu
prezo é a felicidade de meus filhos!
ANDRÉ: É isso aí, mãe! Vamos estar
sempre do lado do Ademar, apesar dele agora se chamar
Dedê Veneno!
ADEMAR
JOGA UMA ALMOFADA EM ANDRÉ.
ADEMAR: Seu idiota... Só não quero que
fique pegando em meu pé.
ANDRÉ: (DEBOCHADO) Dedêzinha Venenosa!
TODOS
RIEM.
DANIELA: Minha Dedê Veneno! (DANDO TAPA
NA BUNDA DELE) Gostosa!
E OS
DOIS SE BEIJAM.
CENA 11. CASA DE ANA BELA. SALA. INTERIOR. DIA.
AARTHUR
SENTADO NO SOFÁ. MELISSA ACABA DE ENTRAR.
ARTHUR: Passou o dia todo na rua com
medo de enfrentar o amorzinho mais uma vez, foi?
MELISSA: Tenho certeza que foi você
quem me entregou para o Peter, não foi? É ser muito
baixo. Quero ver quando ele souber que você tenta me
agarrar.
ARTHUR: (INDO EM DIREÇÃO A ELA) Ele não
vai falar nada... (RI) Bem que você gosta, não gosta?
Diz que gosta.
MELISSA: (TENTADA) Não gosto.
ARTHUR: Gosta sim, sabe por quê? Porque
você é vagaba... Vagabazinha... E mulher do seu tipo
gosta de uma boa sacanagem, de uma velha putaria.
E ELE
A BEIJA COM INTENSIDADE. PASSA A MÃO POR BAIXO DE SUA
SAIA. QUANDO TATIANA ENTRA E VÊ.
TATIANA: (FIRME) Essa safadeza já foi
longe demais!
ELES
SE SOLTAM ASSUSTADOS. CLOSE EM TODOS.
TATIANA: Dentro da casa de minha mãe,
aos olhos do Peter. Eu já tinha sacado esse envolvimento
de vocês há muito tempo. Só não abri a boca ainda pra
não estragar a alegria de meu irmão.
ARTHUR: Você está equivocada, Tatiana.
TATIANA: Eu? Equivocada?
MELISSA: Ele que me agarrou. Eu não
queria.
TATIANA: Eu bem que vi as palavras que
ele disse pra você, o seu jeito derretido. Não é de
hoje, seus traíras. Podres. Vocês vão ver como essa
história vai terminar.
TATIANA SOBE PARA O QUARTO.
ARTHUR: E agora?
MELISSA: E agora que essa garota vai
abrir o bico e contar tudo para o Peter. Logo agora que
o nosso relacionamento está estremecido. Tudo culpa sua.
(BATE EM ARTHUR) Vagabundo, idiota, eu te odeio! Te
odeio!
ARTHUR EMPURRA MELISSA NO SOFÁ E SAI DA CASA.o:p>
CENA 12. MEGA-BOATE. PISTA DE DANÇA. INTERIOR.
DIA.
PPETER
TESTA O SOM. PLANO GERAL DA BOATE EM LIMPEZA. ARTHUR
CHEGA ALI. ELE ESTÁ MEIO DESNORTEADO. PETER PERCEBE E
VAI ATÉ ELE.
PETER: Está tudo bem com você, cara?
ARTHUR: Tá tudo sim. Vou ali ver se
meus materiais chegaram.
ARTHUR VAI PARA A PARTE DO BAR E ENCARA PETER.o:p>
CENA 13. FÁBRICA LA VITTA. PRODUÇÃO. INTERIOR.
DIA.
TTOMADA
GERAL DA PRODUÇÃO. PEDRO E RAFAEL INSPECIONAM.
RAFAEL: Não sei mais o que fazer pra
Tâmires me deixar em paz. Ela não larga do meu pé depois
que me viu com a Fabiane.
PEDRO: Milagre ela ainda não ter aberto
o bico e contado tudo para Dona Elvira.
RAFAEL: Vira essa boca pra lá, cara. Se
minha mãe souber ela vai me matar.
PEDRO: Então trate de fazer a Tâmires
parar de te perseguir.
RAFAEL: Como?
PEDRO: Não sei, cara. Tem que ter mais
cuidado ao se encontrar com a Fabiane.
RAFAEL: A gente nem se pegou mais. O
último dia foi na inauguração da boate.
PEDRO: Evite se encontrar com ela lá no
bairro, porque a Tâmires é ave de rapina, é esperta.
RAFAEL: Cê tem razão. Mas não vou
deixar ela acabar com tudo. Tava tão bom... E vai
continuar, porque aquela recalcada vai largar do meu pé.
PEDRO
RI. DART PASSA E SE BATE COM ELE.
PEDRO: Não olha mais pra onde anda não
é? Se batendo em tudo.
D’ARTAGNAN: Fala menos e trabalha mais,
protelariado.
PEDRO: E você vê se dá a escritura pra
Quitéria. Ela tá passando por uma barra. E tudo por
culpa sua.
D’ARTAGNAN: Ah, agora ela tá mandando
recadinho por você é? Pois diga a ela que não aceito
mensagem de pombo-correio.
DART
SAI E PEDRO FICA INDIGNANDO.
PEDRO: É mole?
RAFAEL AFIRMA NEGATIVAMENTE.o:p>
CENA 14. SÃO PAULO. CENTRO. EXTERIOR. DIA.
TTOMADA
GERAL DO CENTRO DE SÃO PAULO. QUITÉRIA, TÂMIRES E
CAROLINA SAEM DE UMA CASA DE EMPRESTIMO. CAMINHAM ALI
PELO CENTRO POR ENTRE AS PESSOAS.
CENA 15. CENTRO DE SAMPA. LANCHONETE. INTERIOR.
DIA.
TÂMIRES, CAROLINA E QUITÉRIA LANCHAM.
QUITÉRIA: Agora sim! Com esse
empréstimo quito as minhas dívidas.
TÂMIRES: E a senhora nem queria tomar
dinheiro emprestado.
QUITÉRIA: É... Tomei, mas agora como
pagar?
CAROLINA: Isso a gente vê depois. O
Salão esse mês vai começar a dar mais clientes. Tenho
certeza disso. E com a minha ajuda e a ajuda da Tâmires
a senhora quita essa dívida.
QUITÉRIA: E tudo por culpa do vagabundo
do seu pai. Aquele traste me paga!
TÂMIRES: Ih... No stress, dona
Quitéria. Não vale a pena.
QUITÉRIA: Mas eu fico indignada. Como
fui gostar de um traste daqueles? Ah, não... Meu Deus!
Eu estava louca.
CAROLINA: (RINDO) Se arrependimento
matasse, hein, mamãe?
QUITÉRIA: Nem me fale! Mas eu já sei o
que fazer pra colocar aquele traste na linha! Enquanto
eu ficava aqui louca da xereca acabei tendo uma idéia
ótima e a colocarei em prática já!
CAROLINA: Que idéia?
TÂMIRES: Olha lá pra não fazer
besteira...
QUITÉRIA: Eu farei o que deveria ter
feito há anos! Colocarei o Dart na justiça! Ele vai me
pagar tudo que deve e além do mais: vai passar a
escritura da casa e do salão, que é minha por direito!
Ele não perde por esperar! Comigo não, violão!
EM QUITÉRIA.o:p>
CCENA 16. APARTAMENTO DE DANIELA. SALA. INTERIOR.
DIA.
MARA
PASSA CREMES NO ROSTO DE CATARINA. MARISINHA FAZ
MASSAGEM NOS PÉS DELA. EVERTON ALI DO LADO. COME UMA
MAÇÃ.
CATARINA: Aí, que tudo! Agora posso
voltar a usar meus creminhos!
EVERTON: Vocês já estão sabendo da mais
nova notícia?
CATARINA: Conta logo. Odeio suspense.
EVERTON: O Ademar, namorado de sua
filha Daniela, tá trabalhando de drag Queen em uma boate
lgbt!
CATARINA ARREGALHA UM OLHO.
CATARINA: Como é que é?
MARISINHA: (DESCRENTE) Ademar?
Gostosão? Peludão? Macho? De drag Queen? Conta outra.
EVERTON: Eu estou falando sério. Tá em
todos os jornais!
MARA: Eu não queria falar nada, mas eu
também li isso nos jornais. É o comentário do dia!
CATARINA: Como você sabia disso e não
me contou, sua mentecapta? Pega lá esse jornal pra eu
ver.
MARA
VAI PEGAR. CORTE DESCONTINUO PARA CATARINA LENDO O
JORNAL.
CATARINA: (RINDO) É! Daniela é azarada
mesmo! Quando o cara era podre de rico, tava no sucesso,
no alto, ela não correu atrás. E agora que o cara tá no
fracasso, no baixo, trabalhando de transformista pra se
sustentar, são rios de amores! Altos & Baixos de um amor
água com açúcar! Francamente!
CATARINA FAZ CARA DE NOJO.
INSERIR EFEITO: A
IMAGEM SE TRANSFORMA EM HQ.
AS
FOLHAS DO GIBI SE PASSAM. PARAMOS NA IMAGEM SEGUINTE,
TAMBÉM EM HQ, QUE AOS POUCOS VAI TOMANDO VIDA.
CENA 17. SÃO PAULO. GERAIS. EXTERIOR. NOITE.
TOMADA NORTURNA DE SÃO PAULO.
FADE OUT: APAIXONADA – MIRANDA
CENA 18. BOATE DE VAVÁ. PISTA. INTERIOR. NOITE.
PLANO
GERAL DA BOATE FERVENDO. DADINHO, ESTELA E VAVÁ.
VAVÁ: É uma pena o Ademar não vir se
apresentar hoje.
DADINHO: As bees estão todas
revoltadas. Queriam até ferver com a rasha que causou
com essa história.
ESTELA: Violência não vai levar a nada.
Agora é esperar o Ademar resolver se volta ou não.
VAVÁ: Mas eu tenho certeza que amanhã
mesmo ele vai estar aqui na boate.
DADINHO: Espero!
VAVÁ: E o Julião... Cês viram?
ESTELA: Foi lá pro camarim pegar água
pras drags.
VAVÁ VAI ATRÁS DELE.o:p>
CCENA 19. BOATE DE VAVÁ. PARTE DOS FUNDOS.
INTERIOR. NOITE.
ABRE
EM JULIÃO AO CELULAR.
JULIÃO: (AO CEL.) Eu quero dinheiro,
Evelyn. Eu te ajudei e estou precisando de dinheiro.
Oxente! Como não vai me dar nada? Você quer que eu.../
Evelyn.../ Eu ajudei você a prejudicar o Ademar... Com
isso acabei prejudicando a boate do/
VAVÁ
INTERROMPE, PUXANDO O CELULAR.
VAVÁ: Não posso acreditar.
JULIÃO: (ASSUSTADO) Vixe Maria! Vavá?
VAVÁ: (COM LÁGRIMAS NOS OLHOS) Então
foi você, Julião?
EM JULIÃO, SEM SAÍDA.o:p>
CCENA 20. SPFC. ALOJAMENTO. INTERIOR. NOITE.
WALLACE ACABA DE REZAR, LEVANTA-SE E QUANDO VAI SAIR DÁ
DE CARA COM DANIEL E LUÍS.
WALLACE: O pessoal já foi pro
refeitório.
DANIEL: E você não vai?
WALLACE: Estou indo agora.
LUÍS
ABRE CAMINHO E WALLACE PASSA.
LUÍS: Wallace? Antes de irmos tenho que
te dar uma coisa. Sei que não podemos ficar nessa de
desavença e por isso eu quero te dar um presente.
WALLACE: Não é preciso, cara. Valeu.
DANIEL: Mas nós fazemos questão.
WALLACE ESPERA O PRESENTE. OS DOIS SE OLHAM. DANIEL PEGA
UMA BARRA DE FERRO DE CIMA DA CAMA E GOLPEIA A CABEÇA DE
WALLACE. ELE CAI NO CHÃO SENTINDO DOR. DANIEL ABAIXA-SE
E TAMPA A BOCA DE WALLACE E LUÍS CHUTA O GAROTO, ATÉ ELE
DESMAIAR. ELES RIEM DO FEITO. CLOSE EM WALLACE CAÍDO NO
CHÃO.
CENA 21. BOATE DE VAVÁ. PARTE DOS FUNDOS.
INTERIOR. NOITE.
CONTINUAÇÃO DA CENA 20.
VAVA: Vai embora daqui agora.
JULIÃO: Não, meu/
VAVÁ: Não me toca, canalha. Saia da
minha vida. Vai embora daqui agora! (GRITA) Vai embora,
seu traidor!
JULIÃO
COMEÇA A CHORAR.
JULIÃO: Eu só fiz isso porque estava
com ciúmes.
VAVÁ: (EMPURRANDO ELE PRA SAIR) Você
vai pro olho da rua.
E A CONFUSÃO VAI EM DIREÇÃO A SAÍDA.o:p>
CCENA 22. BOATE DE VAVÁ. PISTA. INTERIOR. NOITE.
VAVÁ
VEM GRITANDO E EXPULSANDO JULIÃO. CHAMA A ATENÇÃO DE
TODOS.
DADINHO: O que está acontecendo?
ESTELA
E DADINHO VÃO PRA PERTO DE VAVÁ.
VAVÁ: Eu não quero te ver nunca mais.
Vai embora daqui agora. Sai já daqui seu cabra da peste!
JULIÃO: Me perdoa, Vavá. Pelo amor de
Deus!
VAVÁ
EMPURRA JULIÃO.
VAVÁ: Sai já! Rua! Rua! Vai pra sarjeta
que lá é teu lugar!
ESTELA: Mas o que ele fez?
VAVÁ: Foi ele quem entregou Ademar para
a cobra da Evelyn. Ele quem está por trás de toda essa
sujeirada dos jornais. Foi esse vagabundo!
VAVÁ EXPULSA JULIÃO QUE SAI DE CABEÇA BAIXA.o:p>
CCENA 23. BOATE DE VAVÁ. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.
JULIÃO
VAI SAINDO DE CABEÇA BAIXA. O POVO VAIANDO. VAVÁ VEM COM
AS ROUPAS E AS COISAS DE JULIÃO, COM DADINHO E ESTELA
AJUDANDO. ELES JOGAM EM CIMA DELE.
VAVÁ: Nunca mais me procura. Ok? Some!
Volta pro Nordeste, volta pro sertão, pro agreste, pra
caatinga, pro diabo que o parta, mas saia de minha vida,
suma daqui!
VAVÁ ENTRA E JULIÃO VAI CATANDO AS ROUPAS, TOTALMENTE HUMILHADO.o:p>
CCENA 24. LAPA. PRAÇA. EXTERIOR. NOITE.
SABRINA SENTE O VENTO BATER EM SEU ROSTO. FRANCISCA COM
ELA.
SABRINA: Como é bom sentir o vento
assim. Eu amo respirar o ar livre!
FRANCISCA: A partir de agora você vai
sentir a liberdade quando quiser.
IRLANDA SE APROXIMA.
IRLANDA: Eu já falei que não quero essa
menina na rua. Muito menos a essa hora.
SABRINA: Que pena, pois eu sairei a
hora que eu quiser. E a senhora não vai me impedir!
IRLANDA: Passada em Cristo! Agora minha
filha me enfrentando. E tudo por influência sua,
Francisca. Você está colocando a Sabrina contra mim.
SABRINA: Não, mamãe, quem me colocou
contra a senhora, foi você mesmo. Por me tratar como um
bicho, por me manter trancada em casa! Agora eu sou
livre! Livre! E não vai ser a senhora quem vai me
impedir de viver essa liberdade! De conhecer o mundo!
IRLANDA BUFA DE ÓDIO. SABRINA SORRI COM FRANCISCA.o:p>
CCENA 25. CASA DE ANA BELA. SALA. INTERIOR.
NOITE.
MELISSA VEM DA RUA E ENCONTRA TATIANA ASSISTINDO TV.
TATIANA ENCARA ELA E VIRA OS OLHOS.
MELISSA: Tatiana... Nós precisamos
conversar.
TATIANA: Eu não tenho nada pra falar
com você. Sua cínica. Não tem vergonha na cara não?
MELISSA SENTA AO LADO DELA.
MELISSA: Você não pode contar ao Peter/
PETER
VEM DESCENDO AS ESCADAS, ARRUMADO PARA IR À BOATE.
PETER: O que a minha irmã não pode me
contar, Melissa? Mais uma de suas armações? Ou será
coisa pior?
CLOSES ALTERNADOS.o:p>
CCENA 26. ESPAÇO DE DANÇA. SALA 1. INTERIOR.
NOITE.
ANA
BELA DANÇA SOZINHA AO SOM DE UMA MÚSICA CLÁSSICA. ANDRÉ
ENTRA, SEM ELA PERCEBER, E A OBSERVA. ANA BELA O VÊ E
PARA DE DANÇAR.
ANA BELA: Está aí há
muito tempo?
ANDRÉ: Acabei de chegar para te ver
dançar. Estava passando aqui pela frente e ouvi a
música... (SE APROXIMANDO DELA) você está linda!
ANA BELA: Acho melhor
não.
ANDRÉ: Sim... É melhor sim!
ANDRÉ
ENCOSTA ANA BELA EM SEU CORPO. OS DOIS SE OLHAM.
ANA BELA: Me beija,
André.
ANDRÉ
FECHA OS OLHOS, ANA BELA TAMBÉM. OS DOIS SE CHEIRAM, SE
RECONHECEM E ACABAM SE BEIJANDO.
CENA 27. TUDO DE BÃO. INTERIOR. NOITE.
ELVIRA
SERVE TALES E BRENO.
ELVIRA: Espero que gostem dos salgados.
Com licença.
TALES: À vontade.
BRENO: Então, cara? Conseguiu a parada
do emprego que você falou?
TALES: Consegui algo bem melhor. Que
vai nos dar muito dinheiro... Agora, você tem que ter
muita coragem.
BRENO: Do jeito que estou, to com
coragem pra tudo. Desenrola o processo aí...
TALES OLHA PARA OS LADOS E FALA:
TALES: Nós vamos assaltar um banco!
BRENO
ARREGALA OS OLHOS.
BRENO: Como é que é?
CENA 28. FÁBRICA LA VITTA. SALA DE JAMAL.
INTERIOR. NOITE.
JAMAL
ESTÁ NA SALA COM EVELYN.
EVELYN: O que o senhor quer de mim,
titio?
JAMAL: Calma. Vamos esperar mais uma
pessoa chegar. O que tenho pra falar é pras duas.
EVELYN: Pras duas?
DANIELA ENTRA NA SALA. EVELYN E DANIELA SE ENCARAM. A
PRIMEIRA LEVANTA.
EVELYN: Era ela quem você esperava?
DANIELA: (JOGANDO A BOLSA POR ALI) O
que essa vagabunda faz aqui, Jamal?
DANIELA E EVELYN SE CONFRONTAM. PLANO GERAL DELES.
EFEITO: A IMAGEM SE TRANSFORMA EM IMAGEM DE HQ.
“Os créditos sobem ao som de: Stereo Love –
Edward Maya feat. Vika Jigulina”

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