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Desígnios: Capítulo 28

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 28


 

Cena 1/Int./Restaurante/Noite.

Cont. Imediata do capítulo anterior

António Sérgio e Álvaro estão se encarando. Elisa está inconformada com a atitude de Álvaro.

ANTÓNIO SÉRGIO

(firme) Estás a passar dos limites, Álvaro. Não tens o direito de nos perseguir desta forma

ÁLVARO

(firme, frio) Não estou perseguindo ninguém... Você que insiste em atravessar o meu caminho... (desprezo) Português.

ELISA

Álvaro o restaurante é grande, fique bem longe de nós.

Diana se aproxima, segura o braço de Álvaro com delicadeza.

DIANA

Álvaro vamos para a nossa mesa.

ELISA

(sorri um pouco, sarcástica) Você está muito bem acompanhado Álvaro e fico feliz porque assim você me deixa em paz.

Álvaro puxa o braço da mão de Diana um pouco ríspido.

ÁLVARO

Engano seu Elisa. Essa é Diana, ela é secretária do meu tio, estamos aqui para uma reunião de negócios.

Diana fica inconformada, sentida, Elisa percebe.

ANTÓNIO SÉRGIO

(tentando se conter) Então vai para a reunião. Estás a atrapalhar-nos.

Álvaro pega sua carteira do bolso, a abre, conta umas notas de dinheiro, joga em cima da mesa.

ÁLVARO

(frio, sorriso maldoso) Para ajudar na conta.

António Sérgio se levanta, encara Álvaro, Elisa aflita se levanta, se aproxima de António Sérgio.

ANTÓNIO SÉRGIO

(raiva) Estás a ultrapassar todos os limites e eu estou a perder a paciência. (pega o dinheiro e atira-o contra Álvaro) Sai daqui, ou vou pedir ao gerente que te ponha na rua.

ÁLVARO

(sorriso persistente) Estou sendo gentil motorista, Vai precisar de todo o trocado que conseguir.

ANTÓNIO SÉRGIO

(altivo, raiva) Não sabes com quem estás a falar

ELISA

(intervém) Sérgio... Vamos jantar em outro lugar.

ANTÓNIO SÉRGIO

(alterado) Não! Tu gostaste daqui e eu também. O que eu não gosto é que o Álvaro nos cerque como um abutre!

O gerente se aproxima.

GERENTE

Senhores o que está acontecendo aqui?

ELISA

(altiva) Meu noivo e eu estamos sendo importunados pelo Álvaro.

ÁLVARO

(sorri um pouco) Não está acontecendo nada demais, apenas uma conversa, mas nós já vamos para a nossa mesa.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sério) Exijo que seja afastado de nós.

GERENTE

Vamos cuidar disso.

ÁLVARO

(para Elisa) Você deveria estar acendendo uma vela Elisa... Ou esqueceu que hoje faz sete anos que Bruno saiu para te ver e morreu no caminho. (sorri maldoso).

António Sérgio vai para cima de Álvaro, O gerente e um garçom seguram António Sérgio, Elisa está imóvel pelo choque que levou com as palavras de Álvaro.

GERENTE

Senhor por favor... Calma. (para Álvaro) Senhor é melhor o senhor e sua acompanhante irem para outro lugar.

ÁLVARO

(sorri) Farei isso... (encara António Sérgio e Elisa, sorri maldoso) Espero que vocês tenham uma boa noite.

Álvaro e Diana saem.

GERENTE

Agora que ele já foi está tudo bem?

ANTÓNIO SÉRGIO

(se recompondo) Está bem… obrigado.

O gerente sai. Elisa se senta, está com o olhar distante, António Sérgio se senta, segura a mão de Elisa.

ANTÓNIO SÉRGIO

Não fiques assim, meu amor. Não deixes que ele estrague a nossa noite

ELISA

Eu realmente havia esquecido que hoje é aniversário da morte de Bruno... (olha António Sérgio, as lagrimas escorrem) E se isso aconteceu é por sua causa meu amor... Quando estou com você parece que não existe nada de ruim.

ANTÓNIO SÉRGIO

(enxuga as lágrimas de Elisa, sorri um pouco) Fico feliz por saber disso e digo o mesmo… Queres ficar aqui ou preferes voltar para casa?

ELISA

(sorri) Vamos ficar.

António Sérgio e Elisa se beijam.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Roberto e Clara/Noite.

Roberto está deitado na cama pensativo, Clara se aproxima, se deita ao lado dele.

CLARA

(carinhosa, preocupada) Vida você quase não comeu nada no jantar...

ROBERTO

(chateado) Como é que eu vou comer, Clarinha?... Eu só consigo pensar no golpe em que caí.... Pior que isso é pensar em uma solução e não encontrar...

CLARA

Não fique assim meu amor, tenho certeza que tudo vai dar certo, o importante é estarmos unidos.

ROBERTO

(sorri com carinho) Sabia que eu sempre admirei seu modo de ver as coisas... Por mais ruins que elas estejam, você busca um sorriso.

CLARA

(sorri um pouco) Eu tenho que fazer isso, vida... Acha que eu não chorei? Que não me desesperei quando vi a nossa família nessa situação?... Mas descobri que o desespero só faz a gente perder as forças. Então eu prefiro sorrir e seguir em frente de cabeça erguida. Você é um homem inteligente, tenho certeza de que logo vai encontrar uma solução.

ROBERTO

(sorri) Tem razão... Eu te amo Clarinha, obrigado por estar ao meu lado.

CLARA

(acaricia o rosto dele) Nunca vou desistir de você... Nós vamos vencer isso juntos.

Roberto e Clara se beijam, se abraçam.

Corta Para:

Cena 3/Int./Casa de Sol/Sala/Noite.

Sol abre a porta, Dante entra.

DANTE

(sem jeito) oi Sol...

SOL

Oi.

DANTE

Posso falar com você?

SOL

Já está falando.

DANTE

(chateado) Sol... já faz dias que você está me tratando assim... Isso quando fala comigo... Por que você ainda está brava comigo?

SOL

(irritada) Dante o que você quer aqui?

DANTE

Você de volta... Sinto sua falta e seja lá o que te fiz peço perdão.

Sol fica com pena de Dante, abaixa a guarda.

SOL

Dante... Você não me fez nada.

DANTE

Então porque você não quer mais falar comigo?

SOL

(pensativa) Por causa da sua mãe.

DANTE

(sem entender) O que minha mãe tem a ver com isso?

SOL

(receio) Ela não gosta de mim... Ela finge que gosta e que aceita nosso namoro, mas ela me ameaçou, disse que iria destruir a padaria do meu pai se eu não me afastasse de você.

DANTE

(sério, raiva) Esse tipo de atitude baixa é bem a cara dela...

SOL

Por favor... não fala nada para ela.... Tenho medo que ela cumpra as ameaças.

DANTE

(pensativo) Não se preocupa com isso... E prepara o quarto de cima da padaria porque vou voltar a morar aqui.

SOL

Dante/

DANTE

Você me ama Sol? Me ama como eu te amo?

SOL

(olha Dante nos olhos) Amo... Amo muito, mas eu não tenho paciência com certas coisas... Sua cegueira em relação a sua mãe é uma delas.

DANTE

(sorri) A partir de hoje eu vou abrir os olhos e vou contar com a sua ajuda para pegar a dona Estela... Vamos deixar que ela mesma mostre quem realmente é... Topa?

SOL

(sorri feliz) Topo.

Dante abraça e beija Sol.

Corta Para:

Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Noite.

Celso está sozinho na sala. Ele revira algumas gavetas, mas não encontra nada. Senta-se diante do notebook de Álvaro, liga o computador e começa a pesquisar entre os arquivos. Pastas. Documentos. Comprovantes. De repente, um arquivo chama sua atenção. Celso abre o documento. Na tela aparece um comprovante de compra. "Trióxido de Arsênio." A data é de sete anos atrás. Celso fica paralisado. Seus olhos se enchem de lágrimas.

CELSO

(com a voz embargada) Arsênico... Você comprou arsênico, Álvaro...

Ele fecha os olhos por um instante, tentando conter a emoção.

CELSO

(firme, emocionado) Eu vou até o fim, Bruno... O Álvaro vai pagar pelo que fez.

Corta Para:

Cena 5/Int./Mais Tarde - Mansão Monteiro Diniz/Quarto de António Sérgio/Noite.

Elisa e António Sérgio entram.

ELISA

(sorri, feliz) Adorei a nossa noite, meu amor.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Contigo tudo é perfeito, Elisa.

ELISA

(sorri) Sabia que amanhã vou começar a escolher o vestido do nosso casamento?

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri, satisfeito) Fico muito feliz em saber disso.

ELISA

Claro que essa ideia de correr contra o tempo foi da minha mãe. (acha graça)

ANTÓNIO SÉRGIO

Mas ela tem razão. É melhor tratar dessas coisas com antecedência. Diz-me uma coisa, meu amor... Irias comigo a Portugal?

ELISA

(pensativa) Pra morar?

ANTÓNIO SÉRGIO

Não... Ou pelo menos não de imediato. Mas para apresentar aos meus amigos... a minha esposa. (sorri)

ELISA

(sorri) Claro... Eu ia adorar. Mas e a sua madrasta? Você disse que vocês não se dão bem...

ANTÓNIO SÉRGIO

Eu disse que te apresentaria aos meus amigos... não aos meus inimigos. Quanto mais longe estiveres da Manuela... melhor.

ELISA

(sorri) Bom... Eu já vou. Obrigada por essa noite, meu amor.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Ainda é cedo... Se você quiser... pode ficar mais um pouco.

ELISA

(sorri, brincando) Você está me convidando pra passar mais um tempo aqui?

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Estou.

ELISA

Então eu aceito.

Elisa e António Sérgio se beijam. Enquanto se beijam, o celular de António Sérgio vibra. Na tela aparece uma notificação: "O resultado do seu teste de ADN já está disponível." António Sérgio não percebe a mensagem.

Corta Para:

Cena 6/Int./Dia Seguinte – Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Álvaro/Dia.

Celso e Roberto estão em pé conversando, Álvaro entra.

ÁLVARO

(sarcástico) Então você veio realmente pagar a divida Roberto? Ou... Veio matar a saudades daqui. (sorri um pouco).

ROBERTO

(sério) Celso e eu viemos trazer pessoalmente o comprovante de pagamento.

CELSO

(entrega o comprovante para Álvaro) Aí está Álvaro, a dívida está paga.

ÁLVARO

(sorri maldoso) É... Quem bom ter um pé de meia...

ROBERTO

(sério) Em breve eu vou ter tudo de volta.

ÁLVARO

(ri debochado) Duvido... A menos que Elisa se case comigo.

ROBERTO

Isso nunca vai acontecer... Eu disse que vou ter tudo de volta porque vou trabalhar Álvaro, como eu sempre fiz. Comecei com um mercado de bairro e é isso que vou fazer novamente.

ÁLVARO

(frio, debochado) Que triste fim de carreira.

ROBERTO

(encara Álvaro) Triste é ser como você... Vazio e frio.

Roberto sai, Álvaro se senta, olha Celso.

ÁLVARO

Que dramático não?

Celso sai, Álvaro fica pensativo olhando o comprovante de pagamento.

Corta para:

Cena 7/Int./Mansão Monteiro Diniz/Quarto de António Sérgio/Dia.

António Sérgio está terminando de vestir o uniforme de motorista, pega seu celular, vê a notificação do resultado de DNA, fica sério, tenso, abre o e-mail, lê.

António Sérgio

(As lagrimas escorrem, sentido) Eu não queria acreditar nesta monstruosidade… A Maria Alice é minha filha. (fecha os olhos, chora).


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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