
Cena 1/Int./Restaurante/Noite.
Cont. Imediata do capítulo anterior
António Sérgio e Álvaro estão se encarando. Elisa
está inconformada com a atitude de Álvaro.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(firme) Estás
a passar dos limites, Álvaro. Não tens o direito de nos perseguir desta forma
ÁLVARO
(firme,
frio) Não estou perseguindo ninguém... Você que insiste em atravessar o meu
caminho... (desprezo) Português.
ELISA
Álvaro o
restaurante é grande, fique bem longe de nós.
Diana se aproxima, segura o braço de Álvaro com
delicadeza.
DIANA
Álvaro
vamos para a nossa mesa.
ELISA
(sorri um
pouco, sarcástica) Você está muito bem acompanhado Álvaro e fico feliz porque
assim você me deixa em paz.
Álvaro puxa o braço da mão de Diana um pouco
ríspido.
ÁLVARO
Engano seu
Elisa. Essa é Diana, ela é secretária do meu tio, estamos aqui para uma reunião
de negócios.
Diana fica inconformada, sentida, Elisa percebe.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(tentando
se conter) Então vai para a reunião. Estás a atrapalhar-nos.
Álvaro pega sua carteira do bolso, a abre, conta
umas notas de dinheiro, joga em cima da mesa.
ÁLVARO
(frio,
sorriso maldoso) Para ajudar na conta.
António Sérgio se levanta, encara Álvaro, Elisa
aflita se levanta, se aproxima de António Sérgio.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(raiva) Estás
a ultrapassar todos os limites e eu estou a perder a paciência. (pega o dinheiro
e atira-o contra Álvaro) Sai daqui, ou vou pedir ao gerente que te ponha na
rua.
ÁLVARO
(sorriso
persistente) Estou sendo gentil motorista, Vai precisar de todo o trocado que
conseguir.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(altivo,
raiva) Não sabes com quem estás a falar
ELISA
(intervém)
Sérgio... Vamos jantar em outro lugar.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(alterado) Não!
Tu gostaste daqui e eu também. O que eu não gosto é que o Álvaro nos cerque
como um abutre!
O gerente se aproxima.
GERENTE
Senhores o
que está acontecendo aqui?
ELISA
(altiva)
Meu noivo e eu estamos sendo importunados pelo Álvaro.
ÁLVARO
(sorri um
pouco) Não está acontecendo nada demais, apenas uma conversa, mas nós já vamos
para a nossa mesa.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sério) Exijo
que seja afastado de nós.
GERENTE
Vamos
cuidar disso.
ÁLVARO
(para
Elisa) Você deveria estar acendendo uma vela Elisa... Ou esqueceu que hoje faz
sete anos que Bruno saiu para te ver e morreu no caminho. (sorri maldoso).
António Sérgio vai para cima de Álvaro, O gerente e
um garçom seguram António Sérgio, Elisa está imóvel pelo choque que levou com
as palavras de Álvaro.
GERENTE
Senhor por favor... Calma. (para Álvaro) Senhor é melhor o senhor e sua acompanhante irem para outro lugar.
ÁLVARO
(sorri)
Farei isso... (encara António Sérgio e Elisa, sorri maldoso) Espero que vocês
tenham uma boa noite.
Álvaro e Diana saem.
GERENTE
Agora que
ele já foi está tudo bem?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(se
recompondo) Está bem… obrigado.
O gerente sai. Elisa se senta, está com o olhar
distante, António Sérgio se senta, segura a mão de Elisa.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não fiques
assim, meu amor. Não deixes que ele estrague a nossa noite
ELISA
Eu
realmente havia esquecido que hoje é aniversário da morte de Bruno... (olha
António Sérgio, as lagrimas escorrem) E se isso aconteceu é por sua causa meu
amor... Quando estou com você parece que não existe nada de ruim.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(enxuga as
lágrimas de Elisa, sorri um pouco) Fico feliz por saber disso e digo o mesmo…
Queres ficar aqui ou preferes voltar para casa?
ELISA
(sorri)
Vamos ficar.
António Sérgio e Elisa se beijam.
Corta Para:
Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Roberto e
Clara/Noite.
Roberto está deitado na cama pensativo, Clara se
aproxima, se deita ao lado dele.
CLARA
(carinhosa,
preocupada) Vida você quase não comeu nada no jantar...
ROBERTO
(chateado) Como
é que eu vou comer, Clarinha?... Eu só consigo pensar no golpe em que caí....
Pior que isso é pensar em uma solução e não encontrar...
CLARA
Não fique
assim meu amor, tenho certeza que tudo vai dar certo, o importante é estarmos
unidos.
ROBERTO
(sorri com
carinho) Sabia que eu sempre admirei seu modo de ver as coisas... Por mais
ruins que elas estejam, você busca um sorriso.
CLARA
(sorri um pouco) Eu tenho que fazer isso, vida... Acha que eu não chorei? Que não me desesperei quando vi a nossa família nessa situação?... Mas descobri que o desespero só faz a gente perder as forças. Então eu prefiro sorrir e seguir em frente de cabeça erguida. Você é um homem inteligente, tenho certeza de que logo vai encontrar uma solução.
ROBERTO
(sorri) Tem
razão... Eu te amo Clarinha, obrigado por estar ao meu lado.
CLARA
(acaricia o
rosto dele) Nunca vou desistir de você... Nós vamos vencer isso juntos.
Roberto e Clara se beijam, se abraçam.
Corta Para:
Cena 3/Int./Casa de Sol/Sala/Noite.
Sol abre a porta, Dante entra.
DANTE
(sem jeito)
oi Sol...
SOL
Oi.
DANTE
Posso falar
com você?
SOL
Já está
falando.
DANTE
(chateado)
Sol... já faz dias que você está me tratando assim... Isso quando fala
comigo... Por que você ainda está brava comigo?
SOL
(irritada)
Dante o que você quer aqui?
DANTE
Você de
volta... Sinto sua falta e seja lá o que te fiz peço perdão.
Sol fica com pena de Dante, abaixa a guarda.
SOL
Dante...
Você não me fez nada.
DANTE
Então
porque você não quer mais falar comigo?
SOL
(pensativa)
Por causa da sua mãe.
DANTE
(sem
entender) O que minha mãe tem a ver com isso?
SOL
(receio)
Ela não gosta de mim... Ela finge que gosta e que aceita nosso namoro, mas ela
me ameaçou, disse que iria destruir a padaria do meu pai se eu não me afastasse
de você.
DANTE
(sério,
raiva) Esse tipo de atitude baixa é bem a cara dela...
SOL
Por
favor... não fala nada para ela.... Tenho medo que ela cumpra as ameaças.
DANTE
(pensativo)
Não se preocupa com isso... E prepara o quarto de cima da padaria porque vou
voltar a morar aqui.
SOL
Dante/
DANTE
Você me ama
Sol? Me ama como eu te amo?
SOL
(olha Dante
nos olhos) Amo... Amo muito, mas eu não tenho paciência com certas coisas...
Sua cegueira em relação a sua mãe é uma delas.
DANTE
(sorri) A
partir de hoje eu vou abrir os olhos e vou contar com a sua ajuda para pegar a
dona Estela... Vamos deixar que ela mesma mostre quem realmente é... Topa?
SOL
(sorri
feliz) Topo.
Dante abraça e beija Sol.
Corta Para:
Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Noite.
Celso está sozinho na sala. Ele revira algumas
gavetas, mas não encontra nada. Senta-se diante do notebook de Álvaro, liga o
computador e começa a pesquisar entre os arquivos. Pastas. Documentos.
Comprovantes. De repente, um arquivo chama sua atenção. Celso abre o documento.
Na tela aparece um comprovante de compra. "Trióxido de Arsênio." A
data é de sete anos atrás. Celso fica paralisado. Seus olhos se enchem de
lágrimas.
CELSO
(com a voz
embargada) Arsênico... Você comprou arsênico, Álvaro...
Ele fecha os olhos por um instante, tentando conter
a emoção.
CELSO
(firme,
emocionado) Eu vou até o fim, Bruno... O Álvaro vai pagar pelo que fez.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mais Tarde - Mansão Monteiro
Diniz/Quarto de António Sérgio/Noite.
Elisa e António Sérgio entram.
ELISA
(sorri,
feliz) Adorei a nossa noite, meu amor.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri) Contigo
tudo é perfeito, Elisa.
ELISA
(sorri) Sabia
que amanhã vou começar a escolher o vestido do nosso casamento?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri,
satisfeito) Fico muito feliz em saber disso.
ELISA
Claro que
essa ideia de correr contra o tempo foi da minha mãe. (acha graça)
ANTÓNIO
SÉRGIO
Mas ela tem razão. É melhor tratar dessas coisas com antecedência. Diz-me uma coisa, meu amor... Irias comigo a Portugal?
ELISA
(pensativa)
Pra morar?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não... Ou
pelo menos não de imediato. Mas para apresentar aos meus amigos... a minha
esposa. (sorri)
ELISA
(sorri) Claro...
Eu ia adorar. Mas e a sua madrasta? Você disse que vocês não se dão bem...
ANTÓNIO
SÉRGIO
Eu disse
que te apresentaria aos meus amigos... não aos meus inimigos. Quanto mais longe
estiveres da Manuela... melhor.
ELISA
(sorri) Bom...
Eu já vou. Obrigada por essa noite, meu amor.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri) Ainda
é cedo... Se você quiser... pode ficar mais um pouco.
ELISA
(sorri,
brincando) Você está me convidando pra passar mais um tempo aqui?
ANTÓNIO
SÉRGIO
(sorri) Estou.
ELISA
Então eu
aceito.
Elisa e António Sérgio se beijam. Enquanto se
beijam, o celular de António Sérgio vibra. Na tela aparece uma notificação: "O
resultado do seu teste de ADN já está disponível." António Sérgio não
percebe a mensagem.
Corta Para:
Cena 6/Int./Dia Seguinte – Grupo Monteiro
Diniz/Escritório de Álvaro/Dia.
Celso e Roberto estão em pé conversando, Álvaro
entra.
ÁLVARO
(sarcástico)
Então você veio realmente pagar a divida Roberto? Ou... Veio matar a saudades
daqui. (sorri um pouco).
ROBERTO
(sério)
Celso e eu viemos trazer pessoalmente o comprovante de pagamento.
CELSO
(entrega o
comprovante para Álvaro) Aí está Álvaro, a dívida está paga.
ÁLVARO
(sorri
maldoso) É... Quem bom ter um pé de meia...
ROBERTO
(sério) Em
breve eu vou ter tudo de volta.
ÁLVARO
(ri debochado) Duvido... A menos que Elisa se case comigo.
ROBERTO
Isso nunca
vai acontecer... Eu disse que vou ter tudo de volta porque vou trabalhar
Álvaro, como eu sempre fiz. Comecei com um mercado de bairro e é isso que vou
fazer novamente.
ÁLVARO
(frio,
debochado) Que triste fim de carreira.
ROBERTO
(encara
Álvaro) Triste é ser como você... Vazio e frio.
Roberto sai, Álvaro se senta, olha Celso.
ÁLVARO
Que
dramático não?
Celso sai, Álvaro fica pensativo olhando o
comprovante de pagamento.
Corta para:
Cena 7/Int./Mansão Monteiro Diniz/Quarto de António
Sérgio/Dia.
António Sérgio está terminando de vestir o uniforme
de motorista, pega seu celular, vê a notificação do resultado de DNA, fica
sério, tenso, abre o e-mail, lê.
António
Sérgio
(As lagrimas escorrem, sentido) Eu não queria acreditar nesta monstruosidade… A Maria Alice é minha filha. (fecha os olhos, chora).
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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