
Cena 1/Ext./Portugal – Estoril/Casa de
Sérgio/Jardim/Dia.
Cont. Imediata do capítulo anterior.
António Sérgio está em choque, parado, enquanto
Manuela o encara vitoriosa e se aproxima, lentamente, dele.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(tentando
assimilar o que ouviu) Manuela... Por que disseste isso?
MANUELA
(firme) Porque
é a verdade! A Maria Alice é tua filha, e não tua meia-irmã.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(as lágrimas
escorrem, a incredulidade está estampada no rosto dele) Estás a mentir... É
mentira! Queres destruir a minha vida porque sabes que estou apaixonado por
outra mulher e estás a jogar sujo e baixo, como sempre!
MANUELA
(prazer/maldosa)
Desta vez, estou a falar a verdade, António Sérgio. Engravidei na viagem que
fizemos juntos… (pausa) Lembras-te? (sorri sedutora) Quando disse ao teu pai
que ia viajar com uns amigos e eu disse que ia para uma semana de moda em
Paris. (ri debochada) E foi em Paris, meu querido… Ali, engravidei de ti. (fica
séria, pensativa, devaneia) Eu não podia perder o meu marido, não podia perder
tudo o que tinha conquistado ao lado dele… (pausa) Eu estava dividida entre o
desejo que sentia por ti e tudo o que tinha construído ao lado do teu pai… a
minha posição na sociedade… (sorri) Tudo o que o dinheiro pode proporcionar. (séria)
Eu pensei em fazer um aborto. Não me via mãe, não me via com o corpo a mudar.
(pausa) Mas, depois, parei e pensei… um filho iria fazer o meu marido
idolatrar-me, ainda mais e, assim, eu poderia ter tudo o que quisesse. Então,
preparei uma noite romântica, e… depois de uns dias, disse que estava grávida
dele mas, na verdade, o que eu carregava no meu ventre era o fruto do nosso
amor. (séria, altiva) Como disse, não tenho vocação para ser mãe e, assim que a
Maria Alice teve idade suficiente, coloquei-a num colégio interno… e foi melhor
assim.
António Sérgio está ouvindo tudo, incrédulo, com
vontade de chorar, com raiva. Manuela acaricia o rosto de António Sérgio.
MANUELA
(sorri) Agora
que estás aqui… se quiseres… tiro-a do internato e trago-a para casa. O que me
dizes?
António Sérgio, num acesso de fúria, parte para cima
de Manuela, apertando-lhe o pescoço.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(raiva,
chorando) A menina não é tua marioneta! É uma vida! Eu odeio-te!
MANUELA
(sufocando,
desesperada) Solta-me! Por favor…
António Sérgio empurra Manuela para longe dele, tem
uma crise de choro. Manuela está assustada, se recuperando e, ao mesmo tempo, sentindo-se
vitoriosa. António Sérgio se aproxima dela.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(se
recuperando, ofegante) Exijo um teste de D.N.A.!
MANUELA
(sorri um
pouco) O momento que quiseres, mas... com duas condições.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Não podes
exigir nada!
MANUELA
Posso e
vou. Para que tenhas material genético de Maria Alice ou qualquer tipo de
contacto com ela, terás de ficar em Portugal e esquecer que a pobre coitada da
Elisa existe.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(ódio) Manuela...
Vai embora... Sai da minha frente ou eu te mato com as minhas próprias mãos!
Consegues despertar o pior em mim mas, hoje... hoje conseguiste despertar os
meus demónios interiores! Sai... não te quero ver mais!
MANUELA
(o
enfrenta) E não vais querer saber da tua filha?
ANTÓNIO
SÉRGIO
Se a Maria Alice for mesmo minha filha... (raiva) eu vou mover
céus e terra para a tirar de ti!
António
Sérgio entra na casa. Manuela sorri vitoriosa mas, aos poucos, vai mudando o
semblante, ficando séria, pensativa.
Corta Para:
Cena 2/Ext./Portugal – Estoril/Casa de António
Sérgio/Sala/Dia.
António Sérgio entra, se senta no sofá, tem uma
crise de choro. Está nervoso, com raiva, lamentando tudo o que acabou de saber.
Fica pensativo, pega o telefone celular, escreve uma mensagem, chora, depois
faz uma ligação.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(ao
telefone) Gonçalo... vou voltar para o Brasil, hoje, mesmo. Não vou aguentar
ficar aqui, depois do que aconteceu. (ouve) Eu vou contar-te.
Corta Para:
Cena 3/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro
Diniz/Sala/Dia.
Elisa está sentada no sofá, segurando o celular, preocupada,
Berta se aproxima.
BERTA
Elisa...
Está tudo bem?
ELISA
Não sei,
Berta... Sérgio acabou de me mandar uma mensagem que me deixou preocupada.
BERTA
O que ele
disse?
ELISA
(tom de segredo) Que vai voltar, hoje, para o Brasil, e pediu para esperar por ele no aeroporto, porque ele está precisando muito de mim.
BERTA
(tom de
segredo) Manda outra mensagem para ele e pergunta se aconteceu alguma coisa.
ELISA
(tom de
segredo) Eu já perguntei, mas ele disse que não pode falar por mensagem.
BERTA
(tom de
segredo) Então, é melhor você fazer o que ele pediu.
ELISA
(tom de
segredo) Eu vou, mas ele, ainda, não sabe o horário que vai chegar, porque vai
trocar as passagens.
Dante entra.
BERTA
Dante, que
bom te ver aqui.
DANTE
(sorri) Oi,
Berta. Eu vim porque minha mãe disse que não estava se sentindo bem.
BERTA
Quando?
DANTE
Agora há
pouco. Vocês sabem o que ela tem?
BERTA
Eu não quero me meter nisso, mas... Pra mim ela não tem nada, só se passou mal de repente.
DANTE
Eu vou até
ao quarto dela, com licença.
Dante sobe as escadas, Elisa se levanta.
ELISA
O pior,
Berta, é que não vou ficar tranquila até Sérgio chegar.
Elisa sobe as escadas, Berta fica pensativa.
Corta Para:
Cena 4/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de
Roberto/Dia.
Gustavo está desesperado, enquanto usa o computador
de Roberto, que entra.
ROBERTO
Gustavo,
porque você pediu urgência em me ver?
Gustavo se levanta, está visivelmente aflito.
GUSTAVO
Seu
Roberto... Aconteceu uma coisa, que eu já fiz de tudo para ver se não é um erro
dos computadores mas, infelizmente, não é.
ROBERTO
(preocupado)
O que aconteceu?
GUSTAVO
(não sabe
como explicar) Seu Roberto... As contas estão zeradas.
ROBERTO
(sem reação) O quê?
GUSTAVO
Eu não sei
como isso aconteceu, mas... sumiram Oitocentos Milhões de Reais do grupo
Monteiro Diniz.
Roberto não se sente bem, vai, rapidamente, se
sentar em frente ao computador, Álvaro entra sem ser visto, devido à tensão.
ROBERTO
(nervoso)
Isso não é possível, Gustavo! Algum erro deu no computador, Oitocentos Milhões
não somem assim, do dia para a noite.
ÁLVARO
(frio,
calmo) Claro que não, Roberto...
Roberto se levanta, se aproxima de Álvaro.
ROBERTO
(aflito)
Que bom que você chegou, Álvaro. Gustavo acaba de dizer que sumiram Oitocentos
Milhões/
ÁLVARO
Eu ouvi.
ROBERTO
(nervoso) E
você fica calmo, assim? Você sabe o que aconteceu?
ÁLVARO
(encara
Roberto) Sei... O dinheiro está comigo, Roberto... E o grupo Monteiro Diniz,
agora... é meu!
Gustavo fica com raiva, Roberto está pensativo,
tentando entender.
ROBERTO
Ficou
louco? Do que você está falando?
ÁLVARO
(sorri um
pouco) O seu problema Roberto é que confia demais nas pessoas, meu querido
Roberto... Você nunca leu os documentos que eu te dei para assinar.
Álvaro se senta no lugar de Roberto, o encara.
ÁLVARO
E, assim,
você assinou uma cessão de poderes e transferência de administração; o que me deu
controle legal e operacional sobre os negócios da família Monteiro Diniz.
(sorri maldoso).
ROBERTO
(decepção)
Você não fez isso... É brincadeira, não é?
ÁLVARO
(sério)
Fiz. E eu quero você fora daqui!
Roberto está sem acreditar, triste, decepcionado,
começa a se sentir mal. Gustavo o ampara.
ROBERTO
Eu te
considerava um filho, Álvaro.
ÁLVARO
Mentira!
Você sempre me tratou como um subordinado qualquer. Nem mesmo sendo noivo de
Elisa, eu tive o lugar que sempre mereci... (raiva) E, agora, Roberto, você e
ela resolvem dar mais valor para um motorista do que pra mim! (sorri) Mas,
agora, vocês estão no mesmo nível que ele... Pobres, sem... nada! (tom alto)
Fora daqui! Eu tenho muito o que mudar no grupo.
Roberto não aguenta a decepção, a dor, desmaia.
Gustavo fica preocupado.
ÁLVARO
(frio) Tira
ele daqui, Gustavo. Que Roberto morra em outro lugar.
Corta Para:
Cena 5/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Monteiro
Diniz/Suíte de Manuela/Dia.
Manuela está falando ao telefone celular.
MANUELA
(raiva) Não
acredito que o António Sérgio foi embora! E tu sabes para onde é que ele foi?
(ouve) Para o Brasil... Então, é lá que a Elisa deve estar. Eu quero saber a
morada de onde ele está. (ouve) Trata disso! Descobre e serás ainda mais
recompensada. (desliga o celular) Brasil... A terra da mãe dele; como é que não
pensei nisto antes... (altiva) Eu vou encontrar-te, António Sérgio, e fazer com
que voltes para mim, de uma vez por todas... Ou, então, não me chamo Manuela
Castro Figueroa... Duquesa viúva.
Corta Para:
Cena 6/Int./Brasil – São Paulo/Mais
Tarde/Hospital/Recepção/Dia.
Clara está preocupada, andando de um lado para o
outro, Berta e Gustavo entram.
CLARA
Até que
enfim! Como está o Roberto?
BERTA
Dona
Clara... Ele já acordou; está bem, dentro do possível.
CLARA
Como assim,
dentro do possível? Berta, você pode me falar tudo o que está acontecendo, eu
aguento.
GUSTAVO
Dona Clara,
ele está bem mas, devido ao estado de choque, não se lembra o que aconteceu
antes de desmaiar.
CLARA
(pensativa)
E o que aconteceu?
BERTA
Eu acho
melhor a senhora tomar um calmante antes de saber.
CLARA
(impaciente)
Para de enrolar! Me contem logo, e aí eu decido se tomo calmante, ou não.
GUSTAVO
Certo...
Dona Clara... Eu descobri que as contas do grupo Monteiro Diniz estão...
zeradas. Sumiram Oitocentos Milhões de Reais...
CLARA
(assustada)
Quê? E... como isso aconteceu?
GUSTAVO
Álvaro... além
de roubar o dinheiro, ele... está no comando do grupo Monteiro Diniz.
Clara se senta, Berta fica atenta.
CLARA
(sem
acreditar) Berta... Me traga dois calmantes.
Corta Para:
Cena 7/Int./Aeroporto/Sala Vip/Dia.
Elisa está sentada, esperando por Sérgio. Sérgio
entra, está vestido de forma simples. Elisa se levanta ao vê-lo, sorri
receptiva, Sérgio se aproxima dela, apressado, a abraça forte, chora. Elisa
fica preocupada.
ELISA
O que
aconteceu? Por que você está assim, meu amor?
SÉRGIO
Eu não
devia ter ido para casa; aqui estava tudo perfeito.
Elisa e Sérgio se sentam.
ELISA
(consolando
Sérgio) Ainda está, meu amor... Aqui, nada mudou.
SÉRGIO
(pensativo)
Elisa... Ainda não posso contar-te o que aconteceu, mas... hei de contar.
Peço-te que me dês o tempo necessário para isso. A única coisa que quero, agora,
é a tua companhia, o teu abraço... Posso contar contigo?
ELISA
(pensativa,
sorri um pouco) Claro que sim, meu amor! Seja lá o que for, fale no seu tempo.
Sérgio abraça Elisa.
SÉRGIO
Amo-te
tanto.
ELISA
(sorri)
Também amo você.
O celular de Elisa toca, ela atende.
ELISA
(ao
telefone) Oi, Maya. (ouve) Não, não estou sabendo de nada, o que foi? (ouve,
fica preocupada) E como ele está, agora? (ouve) Eu já vou para a casa. Obrigada
por avisar. (desliga).
SÉRGIO
Que
aconteceu, meu amor?
ELISA
(preocupada)
Parece que meu pai passou mal no trabalho e precisou de atendimento médico.
Maya disse que ele está indo para casa.
SÉRGIO
Então,
vamos para lá, também.
ELISA
Vamos mas,
antes, eu quero ter a certeza de que você está melhor.
SÉRGIO
(sorri um
pouco) Não, mas vou ficar. Agora, estou ao teu lado.
Sérgio e Elisa se beijam.
Corta Para:
Cena 8/Int./Mais tarde/ Mansão Monteiro
Diniz/Sala/Noite.
Elisa, Maya, Benício, Estela e Dante, estão
reunidos, abalados.
ELISA
Eu ainda
não acredito no que Álvaro fez.
MAYA
Eu sabia
que ele era capaz de tudo, mas não podia imaginar que faria uma coisa assim...
BENÍCIO
As coisas
estão confusas na minha cabeça, ainda.
Clara desce as escadas.
CLARA
Roberto
está bem, mas não se lembra o que aconteceu.
ESTELA
É até
melhor...
Álvaro entra, todos o olham com raiva.
ELISA
(inconformada)
Como você tem coragem de vir até a nossa casa?
ÁLVARO
(sorri
maldoso) Eu entro aqui a hora que eu quiser, Elisa. Esta casa vai ser minha,
muito em breve.
ESTELA
Ficou louco
de vez!
ÁLVARO
A casa
estava como garantia de uma dívida hipotecária que eu acabei de resgatar e que,
em poucos dias, irá vencer. (sorri) E vocês, pobrezinhos, não têm dinheiro para
pagar. (encara Elisa) Portanto, esta bela mansão será minha.
Elisa, com raiva, encara Álvaro.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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