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Desígnios: Capítulo 19

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 19


  

Cena 1/Ext./Portugal – Estoril/Casa de Sérgio/Jardim/Dia.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

António Sérgio está em choque, parado, enquanto Manuela o encara vitoriosa e se aproxima, lentamente, dele.

ANTÓNIO SÉRGIO

(tentando assimilar o que ouviu) Manuela... Por que disseste isso?

MANUELA

(firme) Porque é a verdade! A Maria Alice é tua filha, e não tua meia-irmã.

ANTÓNIO SÉRGIO

(as lágrimas escorrem, a incredulidade está estampada no rosto dele) Estás a mentir... É mentira! Queres destruir a minha vida porque sabes que estou apaixonado por outra mulher e estás a jogar sujo e baixo, como sempre!

MANUELA

(prazer/maldosa) Desta vez, estou a falar a verdade, António Sérgio. Engravidei na viagem que fizemos juntos… (pausa) Lembras-te? (sorri sedutora) Quando disse ao teu pai que ia viajar com uns amigos e eu disse que ia para uma semana de moda em Paris. (ri debochada) E foi em Paris, meu querido… Ali, engravidei de ti. (fica séria, pensativa, devaneia) Eu não podia perder o meu marido, não podia perder tudo o que tinha conquistado ao lado dele… (pausa) Eu estava dividida entre o desejo que sentia por ti e tudo o que tinha construído ao lado do teu pai… a minha posição na sociedade… (sorri) Tudo o que o dinheiro pode proporcionar. (séria) Eu pensei em fazer um aborto. Não me via mãe, não me via com o corpo a mudar. (pausa) Mas, depois, parei e pensei… um filho iria fazer o meu marido idolatrar-me, ainda mais e, assim, eu poderia ter tudo o que quisesse. Então, preparei uma noite romântica, e… depois de uns dias, disse que estava grávida dele mas, na verdade, o que eu carregava no meu ventre era o fruto do nosso amor. (séria, altiva) Como disse, não tenho vocação para ser mãe e, assim que a Maria Alice teve idade suficiente, coloquei-a num colégio interno… e foi melhor assim.

António Sérgio está ouvindo tudo, incrédulo, com vontade de chorar, com raiva. Manuela acaricia o rosto de António Sérgio.

MANUELA

(sorri) Agora que estás aqui… se quiseres… tiro-a do internato e trago-a para casa. O que me dizes?

António Sérgio, num acesso de fúria, parte para cima de Manuela, apertando-lhe o pescoço.

ANTÓNIO SÉRGIO

(raiva, chorando) A menina não é tua marioneta! É uma vida! Eu odeio-te!

MANUELA

(sufocando, desesperada) Solta-me! Por favor…

António Sérgio empurra Manuela para longe dele, tem uma crise de choro. Manuela está assustada, se recuperando e, ao mesmo tempo, sentindo-se vitoriosa. António Sérgio se aproxima dela.

ANTÓNIO SÉRGIO

(se recuperando, ofegante) Exijo um teste de D.N.A.!

MANUELA

(sorri um pouco) O momento que quiseres, mas... com duas condições.

ANTÓNIO SÉRGIO

Não podes exigir nada!

MANUELA

Posso e vou. Para que tenhas material genético de Maria Alice ou qualquer tipo de contacto com ela, terás de ficar em Portugal e esquecer que a pobre coitada da Elisa existe.

ANTÓNIO SÉRGIO

(ódio) Manuela... Vai embora... Sai da minha frente ou eu te mato com as minhas próprias mãos! Consegues despertar o pior em mim mas, hoje... hoje conseguiste despertar os meus demónios interiores! Sai... não te quero ver mais!

MANUELA

(o enfrenta) E não vais querer saber da tua filha?

ANTÓNIO SÉRGIO

Se a Maria Alice for mesmo minha filha... (raiva) eu vou mover céus e terra para a tirar de ti!

António Sérgio entra na casa. Manuela sorri vitoriosa mas, aos poucos, vai mudando o semblante, ficando séria, pensativa.

Corta Para:

Cena 2/Ext./Portugal – Estoril/Casa de António Sérgio/Sala/Dia.

António Sérgio entra, se senta no sofá, tem uma crise de choro. Está nervoso, com raiva, lamentando tudo o que acabou de saber. Fica pensativo, pega o telefone celular, escreve uma mensagem, chora, depois faz uma ligação.

ANTÓNIO SÉRGIO

(ao telefone) Gonçalo... vou voltar para o Brasil, hoje, mesmo. Não vou aguentar ficar aqui, depois do que aconteceu. (ouve) Eu vou contar-te.

Corta Para:

Cena 3/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Elisa está sentada no sofá, segurando o celular, preocupada, Berta se aproxima.

BERTA

Elisa... Está tudo bem?

ELISA

Não sei, Berta... Sérgio acabou de me mandar uma mensagem que me deixou preocupada.

BERTA

O que ele disse?

ELISA

(tom de segredo) Que vai voltar, hoje, para o Brasil, e pediu para esperar por ele no aeroporto, porque ele está precisando muito de mim.

BERTA

(tom de segredo) Manda outra mensagem para ele e pergunta se aconteceu alguma coisa.

ELISA

(tom de segredo) Eu já perguntei, mas ele disse que não pode falar por mensagem.

BERTA

(tom de segredo) Então, é melhor você fazer o que ele pediu.

ELISA

(tom de segredo) Eu vou, mas ele, ainda, não sabe o horário que vai chegar, porque vai trocar as passagens.

Dante entra.

BERTA

Dante, que bom te ver aqui.

DANTE

(sorri) Oi, Berta. Eu vim porque minha mãe disse que não estava se sentindo bem.

BERTA

Quando?

DANTE

Agora há pouco. Vocês sabem o que ela tem?

BERTA

Eu não quero me meter nisso, mas... Pra mim ela não tem nada, só se passou mal de repente.

DANTE

Eu vou até ao quarto dela, com licença.

Dante sobe as escadas, Elisa se levanta.

ELISA

O pior, Berta, é que não vou ficar tranquila até Sérgio chegar.

Elisa sobe as escadas, Berta fica pensativa.

Corta Para:

Cena 4/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Roberto/Dia.

Gustavo está desesperado, enquanto usa o computador de Roberto, que entra.

ROBERTO

Gustavo, porque você pediu urgência em me ver?

Gustavo se levanta, está visivelmente aflito.

GUSTAVO

Seu Roberto... Aconteceu uma coisa, que eu já fiz de tudo para ver se não é um erro dos computadores mas, infelizmente, não é.

ROBERTO

(preocupado) O que aconteceu?

GUSTAVO

(não sabe como explicar) Seu Roberto... As contas estão zeradas.

ROBERTO

(sem reação) O quê?

GUSTAVO

Eu não sei como isso aconteceu, mas... sumiram Oitocentos Milhões de Reais do grupo Monteiro Diniz.

Roberto não se sente bem, vai, rapidamente, se sentar em frente ao computador, Álvaro entra sem ser visto, devido à tensão.

ROBERTO

(nervoso) Isso não é possível, Gustavo! Algum erro deu no computador, Oitocentos Milhões não somem assim, do dia para a noite.

ÁLVARO

(frio, calmo) Claro que não, Roberto...

Roberto se levanta, se aproxima de Álvaro.

ROBERTO

(aflito) Que bom que você chegou, Álvaro. Gustavo acaba de dizer que sumiram Oitocentos Milhões/

ÁLVARO

Eu ouvi.

ROBERTO

(nervoso) E você fica calmo, assim? Você sabe o que aconteceu?

ÁLVARO

(encara Roberto) Sei... O dinheiro está comigo, Roberto... E o grupo Monteiro Diniz, agora... é meu!

Gustavo fica com raiva, Roberto está pensativo, tentando entender.

ROBERTO

Ficou louco? Do que você está falando?

ÁLVARO

(sorri um pouco) O seu problema Roberto é que confia demais nas pessoas, meu querido Roberto... Você nunca leu os documentos que eu te dei para assinar.

Álvaro se senta no lugar de Roberto, o encara.

ÁLVARO

E, assim, você assinou uma cessão de poderes e transferência de administração; o que me deu controle legal e operacional sobre os negócios da família Monteiro Diniz. (sorri maldoso).

ROBERTO

(decepção) Você não fez isso... É brincadeira, não é?

ÁLVARO

(sério) Fiz. E eu quero você fora daqui!

Roberto está sem acreditar, triste, decepcionado, começa a se sentir mal. Gustavo o ampara.

ROBERTO

Eu te considerava um filho, Álvaro.

ÁLVARO

Mentira! Você sempre me tratou como um subordinado qualquer. Nem mesmo sendo noivo de Elisa, eu tive o lugar que sempre mereci... (raiva) E, agora, Roberto, você e ela resolvem dar mais valor para um motorista do que pra mim! (sorri) Mas, agora, vocês estão no mesmo nível que ele... Pobres, sem... nada! (tom alto) Fora daqui! Eu tenho muito o que mudar no grupo.

Roberto não aguenta a decepção, a dor, desmaia. Gustavo fica preocupado.

ÁLVARO

(frio) Tira ele daqui, Gustavo. Que Roberto morra em outro lugar.

Corta Para:

Cena 5/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Monteiro Diniz/Suíte de Manuela/Dia.

Manuela está falando ao telefone celular.

MANUELA

(raiva) Não acredito que o António Sérgio foi embora! E tu sabes para onde é que ele foi? (ouve) Para o Brasil... Então, é lá que a Elisa deve estar. Eu quero saber a morada de onde ele está. (ouve) Trata disso! Descobre e serás ainda mais recompensada. (desliga o celular) Brasil... A terra da mãe dele; como é que não pensei nisto antes... (altiva) Eu vou encontrar-te, António Sérgio, e fazer com que voltes para mim, de uma vez por todas... Ou, então, não me chamo Manuela Castro Figueroa... Duquesa viúva.

Corta Para:

Cena 6/Int./Brasil – São Paulo/Mais Tarde/Hospital/Recepção/Dia.

Clara está preocupada, andando de um lado para o outro, Berta e Gustavo entram.

CLARA

Até que enfim! Como está o Roberto?

BERTA

Dona Clara... Ele já acordou; está bem, dentro do possível.

CLARA

Como assim, dentro do possível? Berta, você pode me falar tudo o que está acontecendo, eu aguento.

GUSTAVO

Dona Clara, ele está bem mas, devido ao estado de choque, não se lembra o que aconteceu antes de desmaiar.

CLARA

(pensativa) E o que aconteceu?

BERTA

Eu acho melhor a senhora tomar um calmante antes de saber.

CLARA

(impaciente) Para de enrolar! Me contem logo, e aí eu decido se tomo calmante, ou não.

GUSTAVO

Certo... Dona Clara... Eu descobri que as contas do grupo Monteiro Diniz estão... zeradas. Sumiram Oitocentos Milhões de Reais...

CLARA

(assustada) Quê? E... como isso aconteceu?

GUSTAVO

Álvaro... além de roubar o dinheiro, ele... está no comando do grupo Monteiro Diniz.

Clara se senta, Berta fica atenta.

CLARA

(sem acreditar) Berta... Me traga dois calmantes.

Corta Para:

Cena 7/Int./Aeroporto/Sala Vip/Dia.

Elisa está sentada, esperando por Sérgio. Sérgio entra, está vestido de forma simples. Elisa se levanta ao vê-lo, sorri receptiva, Sérgio se aproxima dela, apressado, a abraça forte, chora. Elisa fica preocupada.

ELISA

O que aconteceu? Por que você está assim, meu amor?

SÉRGIO

Eu não devia ter ido para casa; aqui estava tudo perfeito.

Elisa e Sérgio se sentam.

ELISA

(consolando Sérgio) Ainda está, meu amor... Aqui, nada mudou.

SÉRGIO

(pensativo) Elisa... Ainda não posso contar-te o que aconteceu, mas... hei de contar. Peço-te que me dês o tempo necessário para isso. A única coisa que quero, agora, é a tua companhia, o teu abraço... Posso contar contigo?

ELISA

(pensativa, sorri um pouco) Claro que sim, meu amor! Seja lá o que for, fale no seu tempo.

Sérgio abraça Elisa.

SÉRGIO

Amo-te tanto.

ELISA

(sorri) Também amo você.

O celular de Elisa toca, ela atende.

ELISA

(ao telefone) Oi, Maya. (ouve) Não, não estou sabendo de nada, o que foi? (ouve, fica preocupada) E como ele está, agora? (ouve) Eu já vou para a casa. Obrigada por avisar. (desliga).

SÉRGIO

Que aconteceu, meu amor?

ELISA

(preocupada) Parece que meu pai passou mal no trabalho e precisou de atendimento médico. Maya disse que ele está indo para casa.

SÉRGIO

Então, vamos para lá, também.

ELISA

Vamos mas, antes, eu quero ter a certeza de que você está melhor.

SÉRGIO

(sorri um pouco) Não, mas vou ficar. Agora, estou ao teu lado.

Sérgio e Elisa se beijam.

Corta Para:

Cena 8/Int./Mais tarde/ Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Elisa, Maya, Benício, Estela e Dante, estão reunidos, abalados.

ELISA

Eu ainda não acredito no que Álvaro fez.

MAYA

Eu sabia que ele era capaz de tudo, mas não podia imaginar que faria uma coisa assim...

BENÍCIO

As coisas estão confusas na minha cabeça, ainda.

Clara desce as escadas.

CLARA

Roberto está bem, mas não se lembra o que aconteceu.

ESTELA

É até melhor...

Álvaro entra, todos o olham com raiva.

ELISA

(inconformada) Como você tem coragem de vir até a nossa casa?

ÁLVARO

(sorri maldoso) Eu entro aqui a hora que eu quiser, Elisa. Esta casa vai ser minha, muito em breve.

ESTELA

Ficou louco de vez!

ÁLVARO

A casa estava como garantia de uma dívida hipotecária que eu acabei de resgatar e que, em poucos dias, irá vencer. (sorri) E vocês, pobrezinhos, não têm dinheiro para pagar. (encara Elisa) Portanto, esta bela mansão será minha.

Elisa, com raiva, encara Álvaro.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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