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Desígnios: Capítulo 15

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 15

   

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Maya/Noite.

A porta do quarto está entreaberta, Maya está falando ao telefone.

MAYA

Perfeito, Beatriz! Amanhã, meu pai e eu vamos chegar aí, à tarde. Faça de tudo para Elisa e Sérgio ficarem aí dentro. (ouve) Certo. Boa noite.

Maya desliga o celular, sorri, Berta bate na porta, entra, está trazendo uma bandeja com um copo de suco.

BERTA

Com licença, Maya, vim trazer seu suco.

Maya pega o copo de cima da bandeja.

MAYA

Obrigada, Berta.

Maya toma um pouco de suco, Berta a observa, está pensativa. Maya a olha.

MAYA

Algum problema, Berta?

BERTA

(sorri um pouco) Sim... Eu poderia me calar, fingir que não ouvi o que você falou antes que eu entrasse.

MAYA

(séria) Deu para ouvir atrás da porta, agora?

BERTA

Não. Em anos, nunca fiz isso; mas eu vim trazer o seu suco e foi impossível não ouvir.

MAYA

(raiva) Nem se atreva a abrir a boca para a sua queridinha.

Berta ri, sem humor, balança a cabeça negativamente, pega o copo de suco da mão de Maya, coloca em cima de uma mesa, junto com a bandeja, se aproxima de Maya, a olha nos olhos.

BERTA

Por que você odeia a sua irmã?

MAYA

Eu não a odeio.

BERTA

Não? Mas, de uns anos para cá, parece que você a odeia, e muito.

MAYA

(se afasta de Berta, está nervosa) Você não vai entender. E não é um assunto seu.

BERTA

É, sim...

Berta se aproxima de Maya novamente, a olha nos olhos.

BERTA

Eu ajudei a criar vocês. Sei exatamente como cada um é... E você, Maya, não era assim... Eu vi o rancor e a inveja tomar conta de você.

Maya se afasta de Berta novamente, está nervosa.

MAYA

(com vontade de chorar) Eu não tenho inveja de Elisa!

BERTA

Se não é ódio e nem inveja, o que é?

MAYA

(raiva) Sai do meu quarto!

BERTA

Saio... Mas não antes de te falar uma coisa... Elisa não merece isso que você quer fazer com ela.

MAYA

Merece, e merece muito! (tom alto) Eu gostava do Bruno! Era para ele ficar comigo e não com ela! E, agora, aconteceu a mesma coisa com o Sérgio!

BERTA

(entendendo) Então, é isso... Maya... Você sempre foi inteligente... Me diz uma coisa... Você gostava do Bruno, mas... e ele... gostava de você? Alguma vez ele mostrou interesse? Porque, pelo que me lembro, ele sempre gostou da Elisa, desde quando faziam faculdade juntos.

MAYA

Não interessa! Eu o queria, ele era meu amigo e Elisa se intrometeu no meu caminho!

BERTA

Maya, ele era seu amigo, você acabou de dizer... E o Sérgio, alguma vez, demonstrou interesse por você? Porque ele conheceu a Elisa primeiro e está na cara que ele trabalha aqui por causa dela.

MAYA

(impaciente e se segurando para não chorar) Onde você quer chegar? Fala logo e some daqui!

BERTA

Maya... Sou eu, a Berta, que sempre te ajudou, que te acolheu... Não fala assim comigo, porque dói.

Maya chora, Berta se aproxima, a abraça.

BERTA

(consolando Maya, carinhosa) Você se lembra quando vocês eram crianças e a Elisa te protegia? Você se lembra de como você a admirava?... E aquela vez que ela não foi viajar com as amigas porque você estava doente?... Lembra quando ela tomou suas dores na escola, porque aquela menina te empurrou?... Elisa te ama, Maya, e sempre quis o melhor para você... Elisa sofreu muito quando Bruno morreu e, mais ainda, nas mãos do Álvaro... Agora, ela está se reencontrando, está feliz, porque Sérgio é um homem diferente. Eles se amam, Maya... Não estraga isso.

Maya enxuga as lágrimas, se afasta de Berta. Berta vai saindo, volta, olha Maya.

BERTA

A Maya que eu conheço e que ajudei a criar, está aí, em algum lugar... Pense bem, minha querida.

Berta sai, Maya chora.

Corta Para:

 

Cena 2/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Roberto/Noite.

Álvaro e Roberto entram.

ROBERTO

(feliz) A inauguração do mercado foi como eu esperava.

ÁLVARO

Embora, tudo tenha saído bem, ainda acho um desperdício tanta pompa para um lugar como aquele.

ROBERTO

Nossa qualidade não depende do lugar. É como Sérgio disse... Essas pessoas também merecem um lugar de qualidade para fazerem suas compras.

ÁLVARO

(sério) Você, realmente, ouviu os conselhos do motorista. Da próxima vez peça a ele, conselhos de finança.

ROBERTO

(sorri) Não duvido que ele saiba.

ÁLVARO

Roberto, agora, que já estamos aqui, eu quero falar sobre a Elisa.

ROBERTO

Álvaro... Sabe que eu gosto de você como se fosse meu filho, mas a Elisa é, realmente, minha filha. Eu fiz uma coisa que nunca parei para fazer: a ouvi! E ela está decidida... ou melhor... ela já decidiu que não quer se casar com você.

ÁLVARO

Mas eu ainda não conversei com ela; isso não é justo! As coisas não podem acabar, assim, de uma hora para a outra. Ficamos juntos um ano e meio, e eu a amo!

ROBERTO

(pensativo) Tudo bem, Álvaro... Se você quer conversar com a Elisa, pode ir até minha casa na semana que vem, porém, se ela aceitar falar com você, porque se ela não quiser, não posso fazer nada, além de dar o meu apoio para minha filha.

ÁLVARO

Se ela não quiser, eu peço que insista; é o mínimo.

ROBERTO

(cansado) Tudo bem, pode deixar. Agora eu vou para casa. E, Álvaro, antes de sair, faça um relatório sobre a inauguração do mercado. Boa noite.

Roberto sai, Álvaro fica com raiva.

Corta Para:

Cena 3/Int./Interior de São Paulo/Fazenda/Casa/Quarto/Noite.

Elisa e Sérgio estão deitados abraçados.

SÉRGIO

Fazia muito tempo que não me sentia assim... Pleno, leve, feliz...

ELISA

(sorri) Eu, também... Na verdade, fazia muito tempo que eu não era eu mesma.

SÉRGIO

(pensativo) É... Quando não sabemos quem somos, torna-se difícil encontrar um rumo. Mas acho que o pior é não gostarmos de quem somos.

ELISA

(pensativa, curiosa) Você não gosta de quem você é?

SÉRGIO

Não gosto de quem eu era... Mas agora isso mudou, e tudo porque te encontrei, Elisa. És a luz que eu estava à procura.

Elisa e Sérgio se beijam.

ELISA

(sorri um pouco) Reparou que você sempre faz isso?... Começa a falar do seu passado, e muda de assunto.

SÉRGIO

É porque não quero falar sobre isso, agora. (pausa) Mas vou falar contigo, Elisa... e, em breve.

ELISA

(sorri) Tudo bem. O importante é que você e eu, por mais que tenhamos um passado de dores e problemas, tudo ficou lá atrás, onde tem que ficar... Passou! Agora, o presente é o que importa, meu amor.

SÉRGIO

(sorri um pouco) É por isso que eu te amo... porque tu olhas para mim.

ELISA

E você, para mim.

Sérgio e Elisa se abraçam, Sérgio fica preocupado, pensativo.

Corta Para:

Cena 4/Int./Cidade de São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Maya está sentada no sofá, Roberto entra, ela se levanta.

ROBERTO

(sorri) Oi, minha querida. Achei que você iria sair.

MAYA

(contida) Não fui. Eu fiquei te esperando, porque preciso te falar uma coisa importante.

ROBERTO

O quê, minha filha?

MAYA

(pensativa, sem jeito) Papai, me desculpa. (pausa) Eu achei que o Sérgio tinha ficado na fazenda com a Elisa mas, na verdade, ele ficou uns poucos minutos. (pausa) Ele a ajudou com as malas, almoçou e foi embora. Sei, porque a Beatriz me falou. Elisa, realmente, está sozinha lá.

ROBERTO

(pensativo) E o beijo que Álvaro viu?

MAYA

(pensativa) Eu menti... Não teve beijo nenhum.

ROBERTO

Maya... Por que você fez isso?

MAYA

Porque eu estava com ciúmes, papai... Todas as atenções estavam voltadas para a Elisa. (com vontade de chorar) Eu fui muito egoísta, desculpa!

Roberto abraça Maya.

ROBERTO

Não fica assim, filha, está tudo bem. O importante é que você viu a besteira que ia fazer.

Corta Para:

Cena 5/Int./Dia Seguinte – Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.

Lívia está tomando café, Gustavo entra.

GUSTAVO

Bom dia, Lívia.

LÍVIA

Bom dia.

GUSTAVO

Lívia, você já foi se matricular na faculdade?

LÍVIA

(sorri) Já, ontem.

GUSTAVO

Você pode pegar informações sobre o curso de advocacia para mim?

LÍVIA

Claro.

Maya entra.

MAYA

Bom dia. Lívia, o papai pediu para te falar que antes de você o Beny irem para a padaria, que é para você passar no escritório.

LÍVIA

Eu vou lá, então, já terminei meu café. Com licença.

Lívia sai, Gustavo está sem graça pela presença de Maya.

MAYA

Gustavo, você pode me fazer um favor?

GUSTAVO

Claro, Maya.

MAYA

Eu fui contratada para elaborar um evento, mas não sou boa com números. Você faz o orçamento para mim?

GUSTAVO

(sorri) Faço. Para quando é?

MAYA

Me pediram o orçamento em até três dias. Se você puder, nós nos reunimos quando você chegar ou, se preferir, amanhã.

GUSTAVO

Hoje está bom para mim.

MAYA

(sorri) Então, está combinado, obrigada.

Maya sai, Gustavo respira aliviado.

GUSTAVO

Se eu não tiver atitude, nunca vou conseguir nada com ela.

Corta Para:

Cena 6/Int./Interior de São Paulo/Fazenda/Casa/Quarto/Dia.

Elisa está se arrumando em frente ao espelho, Sérgio entra, a admira, se aproxima dela por trás, a olha pelo espelho.

SÉRGIO

(sorri) “O sol, que tudo vê, nada vê que se possa igualar à mulher amada.” (beija o rosto dela) Amo-te.

ELISA

(sorri gostando) Também te amo. Que linda essa frase, de onde é?!

SÉRGIO

Shakespeare. Romeu e Julieta.

Elisa se vira de frente para Sérgio.

ELISA

(sorri) Eu adoro isso, sabia? Você parece saber muito sobre tudo.

SÉRGIO

(sorri) És tu que me inspiras. E, então, o que vamos fazer hoje? Infelizmente, temos pouco tempo.

ELISA

Nós vamos caminhar pela fazenda e, depois, vamos voltar para cá e aproveitar nossas horas de paz.

SÉRGIO

É... (pensativo) Amanhã, vou para Lisboa.

ELISA

E, pelo jeito, você não quer ir.

SÉRGIO

Não. Mas não há volta a dar. Só eu posso resolver o que está pendente.

ELISA

Ainda bem que serão três dias. Agora, que estamos juntos, seria difícil ficar longe de você.

SÉRGIO

(sorri) Pode deixar que, quando eu voltar, vamos recuperar o tempo perdido.

Elisa e Sérgio se beijam.

Corta Para:

Cena 7/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Castro Figueroa/sala/Dia.

Santiago está em pé, Manuela desce as escadas.

MANUELA

Santiago... diz-me que, desta vez, não falhaste...

SANTIAGO

(sorri) Tenho a informação, dona Manuela.

MANUELA

(sorri) Então, diz-me, Santiago...

SANTIAGO

O António Sérgio vai ficar na casa do Estoril. Está tudo pronto para quando ele chegar.

MANUELA

(sorri maldosa) Finalmente... Chegou a hora de rever o meu amado enteado!


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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