
Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de
Maya/Noite.
A porta do quarto está entreaberta, Maya está
falando ao telefone.
MAYA
Perfeito,
Beatriz! Amanhã, meu pai e eu vamos chegar aí, à tarde. Faça de tudo para Elisa
e Sérgio ficarem aí dentro. (ouve) Certo. Boa noite.
Maya desliga o celular, sorri, Berta bate na porta,
entra, está trazendo uma bandeja com um copo de suco.
BERTA
Com licença,
Maya, vim trazer seu suco.
Maya pega o copo de cima da bandeja.
MAYA
Obrigada,
Berta.
Maya toma um pouco de suco, Berta a observa, está
pensativa. Maya a olha.
MAYA
Algum
problema, Berta?
BERTA
(sorri um
pouco) Sim... Eu poderia me calar, fingir que não ouvi o que você falou antes
que eu entrasse.
MAYA
(séria) Deu
para ouvir atrás da porta, agora?
BERTA
Não. Em
anos, nunca fiz isso; mas eu vim trazer o seu suco e foi impossível não ouvir.
MAYA
(raiva) Nem
se atreva a abrir a boca para a sua queridinha.
Berta ri, sem humor, balança a cabeça negativamente,
pega o copo de suco da mão de Maya, coloca em cima de uma mesa, junto com a
bandeja, se aproxima de Maya, a olha nos olhos.
BERTA
Por que
você odeia a sua irmã?
MAYA
Eu não a
odeio.
BERTA
Não? Mas,
de uns anos para cá, parece que você a odeia, e muito.
MAYA
(se afasta
de Berta, está nervosa) Você não vai entender. E não é um assunto seu.
BERTA
É, sim...
Berta se aproxima de Maya novamente, a olha nos
olhos.
BERTA
Eu ajudei a
criar vocês. Sei exatamente como cada um é... E você, Maya, não era assim... Eu
vi o rancor e a inveja tomar conta de você.
Maya se afasta de Berta novamente, está nervosa.
MAYA
(com
vontade de chorar) Eu não tenho inveja de Elisa!
BERTA
Se não é
ódio e nem inveja, o que é?
MAYA
(raiva) Sai
do meu quarto!
BERTA
Saio... Mas
não antes de te falar uma coisa... Elisa não merece isso que você quer fazer
com ela.
MAYA
Merece, e
merece muito! (tom alto) Eu gostava do Bruno! Era para ele ficar comigo e não
com ela! E, agora, aconteceu a mesma coisa com o Sérgio!
BERTA
(entendendo)
Então, é isso... Maya... Você sempre foi inteligente... Me diz uma coisa...
Você gostava do Bruno, mas... e ele... gostava de você? Alguma vez ele mostrou
interesse? Porque, pelo que me lembro, ele sempre gostou da Elisa, desde quando
faziam faculdade juntos.
MAYA
Não
interessa! Eu o queria, ele era meu amigo e Elisa se intrometeu no meu caminho!
BERTA
Maya, ele
era seu amigo, você acabou de dizer... E o Sérgio, alguma vez, demonstrou
interesse por você? Porque ele conheceu a Elisa primeiro e está na cara que ele
trabalha aqui por causa dela.
MAYA
(impaciente
e se segurando para não chorar) Onde você quer chegar? Fala logo e some daqui!
BERTA
Maya... Sou
eu, a Berta, que sempre te ajudou, que te acolheu... Não fala assim comigo,
porque dói.
Maya chora, Berta se aproxima, a abraça.
BERTA
(consolando
Maya, carinhosa) Você se lembra quando vocês eram crianças e a Elisa te
protegia? Você se lembra de como você a admirava?... E aquela vez que ela não
foi viajar com as amigas porque você estava doente?... Lembra quando ela tomou
suas dores na escola, porque aquela menina te empurrou?... Elisa te ama, Maya,
e sempre quis o melhor para você... Elisa sofreu muito quando Bruno morreu e,
mais ainda, nas mãos do Álvaro... Agora, ela está se reencontrando, está feliz,
porque Sérgio é um homem diferente. Eles se amam, Maya... Não estraga isso.
Maya enxuga as lágrimas, se afasta de Berta. Berta
vai saindo, volta, olha Maya.
BERTA
A Maya que
eu conheço e que ajudei a criar, está aí, em algum lugar... Pense bem, minha
querida.
Berta sai, Maya chora.
Corta Para:
Cena 2/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de
Roberto/Noite.
Álvaro e Roberto entram.
ROBERTO
(feliz) A
inauguração do mercado foi como eu esperava.
ÁLVARO
Embora,
tudo tenha saído bem, ainda acho um desperdício tanta pompa para um lugar como
aquele.
ROBERTO
Nossa
qualidade não depende do lugar. É como Sérgio disse... Essas pessoas também
merecem um lugar de qualidade para fazerem suas compras.
ÁLVARO
(sério)
Você, realmente, ouviu os conselhos do motorista. Da próxima vez peça a ele,
conselhos de finança.
ROBERTO
(sorri) Não
duvido que ele saiba.
ÁLVARO
Roberto,
agora, que já estamos aqui, eu quero falar sobre a Elisa.
ROBERTO
Álvaro... Sabe que eu gosto de você como se fosse meu filho, mas a Elisa é, realmente, minha filha. Eu fiz uma coisa que nunca parei para fazer: a ouvi! E ela está decidida... ou melhor... ela já decidiu que não quer se casar com você.
ÁLVARO
Mas eu
ainda não conversei com ela; isso não é justo! As coisas não podem acabar,
assim, de uma hora para a outra. Ficamos juntos um ano e meio, e eu a amo!
ROBERTO
(pensativo)
Tudo bem, Álvaro... Se você quer conversar com a Elisa, pode ir até minha casa
na semana que vem, porém, se ela aceitar falar com você, porque se ela não
quiser, não posso fazer nada, além de dar o meu apoio para minha filha.
ÁLVARO
Se ela não
quiser, eu peço que insista; é o mínimo.
ROBERTO
(cansado)
Tudo bem, pode deixar. Agora eu vou para casa. E, Álvaro, antes de sair, faça
um relatório sobre a inauguração do mercado. Boa noite.
Roberto sai, Álvaro fica com raiva.
Corta Para:
Cena 3/Int./Interior de São
Paulo/Fazenda/Casa/Quarto/Noite.
Elisa e Sérgio estão deitados abraçados.
SÉRGIO
Fazia muito
tempo que não me sentia assim... Pleno, leve, feliz...
ELISA
(sorri) Eu,
também... Na verdade, fazia muito tempo que eu não era eu mesma.
SÉRGIO
(pensativo)
É... Quando não sabemos quem somos, torna-se difícil encontrar um rumo. Mas
acho que o pior é não gostarmos de quem somos.
ELISA
(pensativa,
curiosa) Você não gosta de quem você é?
SÉRGIO
Não gosto
de quem eu era... Mas agora isso mudou, e tudo porque te encontrei, Elisa. És a
luz que eu estava à procura.
Elisa e Sérgio se beijam.
ELISA
(sorri um
pouco) Reparou que você sempre faz isso?... Começa a falar do seu passado, e
muda de assunto.
SÉRGIO
É porque
não quero falar sobre isso, agora. (pausa) Mas vou falar contigo, Elisa... e,
em breve.
ELISA
(sorri)
Tudo bem. O importante é que você e eu, por mais que tenhamos um passado de
dores e problemas, tudo ficou lá atrás, onde tem que ficar... Passou! Agora, o
presente é o que importa, meu amor.
SÉRGIO
(sorri um
pouco) É por isso que eu te amo... porque tu olhas para mim.
ELISA
E você,
para mim.
Sérgio e Elisa se abraçam, Sérgio fica preocupado,
pensativo.
Corta Para:
Cena 4/Int./Cidade de São Paulo/Mansão Monteiro
Diniz/Sala/Noite.
Maya está sentada no sofá, Roberto entra, ela se
levanta.
ROBERTO
(sorri) Oi,
minha querida. Achei que você iria sair.
MAYA
(contida)
Não fui. Eu fiquei te esperando, porque preciso te falar uma coisa importante.
ROBERTO
O quê,
minha filha?
MAYA
(pensativa,
sem jeito) Papai, me desculpa. (pausa) Eu achei que o Sérgio tinha ficado na
fazenda com a Elisa mas, na verdade, ele ficou uns poucos minutos. (pausa) Ele
a ajudou com as malas, almoçou e foi embora. Sei, porque a Beatriz me falou.
Elisa, realmente, está sozinha lá.
ROBERTO
(pensativo)
E o beijo que Álvaro viu?
MAYA
(pensativa)
Eu menti... Não teve beijo nenhum.
ROBERTO
Maya... Por
que você fez isso?
MAYA
Porque eu
estava com ciúmes, papai... Todas as atenções estavam voltadas para a Elisa.
(com vontade de chorar) Eu fui muito egoísta, desculpa!
Roberto abraça Maya.
ROBERTO
Não fica
assim, filha, está tudo bem. O importante é que você viu a besteira que ia
fazer.
Corta Para:
Cena 5/Int./Dia Seguinte – Mansão Monteiro
Diniz/Cozinha/Dia.
Lívia está tomando café, Gustavo entra.
GUSTAVO
Bom dia,
Lívia.
LÍVIA
Bom dia.
GUSTAVO
Lívia, você
já foi se matricular na faculdade?
LÍVIA
(sorri) Já,
ontem.
GUSTAVO
Você pode
pegar informações sobre o curso de advocacia para mim?
LÍVIA
Claro.
Maya entra.
MAYA
Bom dia.
Lívia, o papai pediu para te falar que antes de você o Beny irem para a
padaria, que é para você passar no escritório.
LÍVIA
Eu vou lá,
então, já terminei meu café. Com licença.
Lívia sai, Gustavo está sem graça pela presença de
Maya.
MAYA
Gustavo,
você pode me fazer um favor?
GUSTAVO
Claro,
Maya.
MAYA
Eu fui
contratada para elaborar um evento, mas não sou boa com números. Você faz o
orçamento para mim?
GUSTAVO
(sorri)
Faço. Para quando é?
MAYA
Me pediram
o orçamento em até três dias. Se você puder, nós nos reunimos quando você
chegar ou, se preferir, amanhã.
GUSTAVO
Hoje está bom para mim.
MAYA
(sorri)
Então, está combinado, obrigada.
Maya sai, Gustavo respira aliviado.
GUSTAVO
Se eu não
tiver atitude, nunca vou conseguir nada com ela.
Corta Para:
Cena 6/Int./Interior de São
Paulo/Fazenda/Casa/Quarto/Dia.
Elisa está se arrumando em frente ao espelho, Sérgio
entra, a admira, se aproxima dela por trás, a olha pelo espelho.
SÉRGIO
(sorri) “O
sol, que tudo vê, nada vê que se possa igualar à mulher amada.” (beija o rosto
dela) Amo-te.
ELISA
(sorri
gostando) Também te amo. Que linda essa frase, de onde é?!
SÉRGIO
Shakespeare.
Romeu e Julieta.
Elisa se vira de frente para Sérgio.
ELISA
(sorri) Eu
adoro isso, sabia? Você parece saber muito sobre tudo.
SÉRGIO
(sorri) És
tu que me inspiras. E, então, o que vamos fazer hoje? Infelizmente, temos pouco
tempo.
ELISA
Nós vamos
caminhar pela fazenda e, depois, vamos voltar para cá e aproveitar nossas horas
de paz.
SÉRGIO
É...
(pensativo) Amanhã, vou para Lisboa.
ELISA
E, pelo
jeito, você não quer ir.
SÉRGIO
Não. Mas
não há volta a dar. Só eu posso resolver o que está pendente.
ELISA
Ainda bem
que serão três dias. Agora, que estamos juntos, seria difícil ficar longe de
você.
SÉRGIO
(sorri) Pode
deixar que, quando eu voltar, vamos recuperar o tempo perdido.
Elisa e Sérgio se beijam.
Corta Para:
Cena 7/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Castro
Figueroa/sala/Dia.
Santiago está em pé, Manuela desce as escadas.
MANUELA
Santiago...
diz-me que, desta vez, não falhaste...
SANTIAGO
(sorri) Tenho
a informação, dona Manuela.
MANUELA
(sorri) Então,
diz-me, Santiago...
SANTIAGO
O António
Sérgio vai ficar na casa do Estoril. Está tudo pronto para quando ele chegar.
MANUELA
(sorri maldosa) Finalmente... Chegou a hora de rever o meu amado enteado!
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
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