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Desígnios: Capítulo 10

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 10


  

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Dia.

Cont. imediata do capítulo anterior.

Sérgio e Elisa estão se beijando, se olham, sorriem.

SÉRGIO

Não há outra, Elisa... és só tu que eu quero beijar.

ELISA

(pensativa, confusa) Eu nem sei o que dizer/

SÉRGIO

Não precisas de dizer nada. O que eu precisava de saber... eu senti.

Sérgio acaricia o rosto de Elisa, que fecha os olhos.

ELISA

E o que foi?

SÉRGIO

(sorri) Que, também, gostas de mim, da mesma forma que eu gosto de ti.

Elisa abre os olhos, olha Sérgio.

ELISA

(sorri) E não é de hoje... Mas eu não sabia o que fazer.

MALU

(v.O, tom alto, está distante) Vocês já vão entrar, dona Clara e dona Estela.

Sérgio acha graça.

SÉRGIO

A Malu está a avisar-me, subtilmente, que devo sair.

ELISA

(preocupara) Elas não podem te ver aqui.

SÉRGIO

Eu sei.

ELISA

Já sei... Entra no ateliê e, quando elas entrarem aqui, você sai.

SÉRGIO

(sorri) Está bem... mas vamos arranjar maneira de nos vermos com mais tempo, ainda, hoje.

ELISA

(sorri) Vamos.

Sérgio beija Elisa, sai apressado. Elisa sorri, feliz. Clara e Estela entram.

CLARA

Essa Malu tem cada coisa...! Nos chamar para mostrar um brotinho que nasceu.

ESTELA

Ela age assim, porque vocês dão muita liberdade para ela.

Clara percebe que Elisa está feliz.

CLARA

(sorri) Meu amor, é a primeira vez que te vejo com essa carinha feliz por causa do casamento. Eu sabia que quando estivesse perto, você iria ficar assim.

ELISA

(irônica, sorri) Pois, é... Você estava certa, mamãe; eu, realmente, estou feliz.

Corta Para:

Cena 2/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Castro Figueroa/Escritório/Dia.

Santiago está sentado, Manuela entra, Santiago se levanta, Manuela se senta.

MANUELA

Trouxeste boas notícias?

SANTIAGO

(sorri) Trouxe, senhora.

MANUELA

(sorri surpresa) Mesmo? Então, diga logo.

SANTIAGO

O António Sérgio vai estar em Portugal dentro de poucos dias.

MANUELA

(maldosa) Realmente... não é apenas uma boa notícia; é a melhor notícia que eu poderia receber! (pensativa) Mas como soube?

SANTIAGO

Um amigo ouviu o Gonçalo a falar com alguém, enquanto entrava no elevador, e era com o António Sérgio. Parece que tem a ver com ele assumir os negócios.

MANUELA

(altiva) Com certeza, que ele vai nomear aquele cão fiel do Gonçalo como representante dele... Preciso de estar presente quando o António Sérgio chegar. Descubra o dia e a hora a que ele estará lá.

SANTIAGO

Sim, senhora, com licença.

Santiago sai. Manuela permanece imóvel por alguns segundos, pensativa. Em seguida, pega o porta-retrato com a foto de António Sérgio e acaricia o vidro.

MANUELA

(maldosa, sedutora) Volte para os meus braços, meu amor... O meu corpo e a minha alma sentem a sua falta.

Corta Para:

Cena 3/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Dante, Benício e Lívia entram. Benício se joga no sofá, está cansado.

BENÍCIO

Eu vou pedir clemência ao papai; falar que já entendi o recado. Não quero voltar para aquela padaria, amanhã, e nem nunca mais.

LÍVIA

Para de frescura, Beny. Você nem fez tanta coisa, assim.

DANTE

Eu fiz mais do que ele. Seu Manuel me colocou para trabalhar no balcão e nem adiantou falar que eu não tava lá pra isso; eu só queria ver a Sol.

BENÍCIO

(ri debochado) Bem feito! Quis rir da minha cara e se deu mal.

LÍVIA

Credo, gente, parecem dois velhos rabugentos reclamando. Dá licença, tenho mais o que fazer.

Lívia sai, Benício se senta.

BENÍCIO

(sorri) Ela é linda demais, Dante.

 

DANTE

Lá vem você, Beny.

Maya entra.

MAYA

Beny, você vai na balada, hoje, á noite? Me convidaram para fazer presença vip.

BENÍCIO

Me convidaram, também, e eu quero muito ir, mas o papai está de olho em mim; não posso fazer nada.

DANTE

É só você se comportar, Beny. Fala que não vai aprontar, e cumpre.

BENÍCIO

Vou tentar.

Elisa desce as escadas, se aproxima.

ELISA

(sorri) Como foi o trabalho, Beny?

BENÍCIO

Péssimo, Elisa! Nem quero mais voltar.

MAYA

Como o Dante disse, é só você se comportar, que sai do castigo.

ELISA

Vocês vão sair, hoje, á noite?

DANTE

É sobre isso que estamos falando.

BENÍCIO

Dante e a Maya vão; já, eu, só vou poder ir se o papai deixar.

ELISA

(pensativa) Deixa comigo, eu falo com o papai, mas você tem que me prometer que não vai aprontar das suas.

BENÍCIO

(feliz) Se você conseguir que ele me libere, serei o anjo da balada. (ri, debochado).

ELISA

(sorri) Tudo bem, então.

MAYA

(estranha a atitude de Elisa, pensativa) E você, Elisa... Vai sair, hoje, á noite?

ELISA

Talvez... Estou pensando, ainda.

MAYA

Com o Álvaro?

ELISA

Sozinha, Maya. Álvaro disse que o tio dele está voltando de viagem e vai buscar ele no aeroporto.

BENÍCIO

Sorte sua, aquele cara é um chato; não sei como você aguenta ele.

ELISA

Às vezes, me pergunto o mesmo, Beny... (sorri) Vou falar com a Berta, na cozinha. Com licença.

Elisa sai, Maya fica pensativa.

Corta Para:

Cena 4/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Roberto/Dia.

Roberto está sentado em sua mesa, Álvaro entra trazendo uns documentos.

ÁLVARO

Roberto, aqui estão os documentos para você assinar.

ROBERTO

Ah sim, já tinha esquecido.

Álvaro entrega os documentos para Roberto, que os assina sem ler. Álvaro observa, Roberto lhe entrega os documentos.

ROBERTO

Você vai jantar lá em casa, hoje?

ÁLVARO

Não, preciso ir buscar o meu tio no aeroporto.

ROBERTO

(sorri) Que bom que o Celso está de volta; ele me faz falta como advogado e como amigo.

ÁLVARO

(pensativo) Roberto... Eu quero falar com você sobre um assunto que, talvez, você não se agrade, mas é meu dever, como futuro genro, te contar.

ROBERTO

(preocupado) O que é?

ÁLVARO

É sobre o Sérgio... Eu tenho observado como ele e Elisa estão próximos... E, também, já o vi, aos beijos, com Maya. Não acho que seja algo prudente deixar o motorista tão perto das suas filhas.

ROBERTO

(sério) Maya e Sérgio, aos beijos? Quando você viu isso?

ÁLVARO

Semana passada.

ROBERTO

(nervoso) Essa Maya... Ela tanto insistiu, que conseguiu.

ÁLVARO

(confuso) Mas, Roberto... Sérgio é o culpado! Com aquela pose de galã de filme de quinta... Ele quer conquistar suas filhas.

ROBERTO

(ri debochado) De onde você tirou isso? Eu já cansei de ver a Maya se insinuando para o Sérgio e, entre ele e Elisa tem uma amizade... amizade essa, que faço muito gosto.

Roberto se levanta, se aproxima de Álvaro.

ROBERTO

Tire essas coisas da sua cabeça, Álvaro. Está tudo bem, não se preocupe.

Roberto sai, Álvaro fica com raiva.

ÁLVARO

(para si mesmo) Velho imbecil...

Corta Para:

Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Quarto de Sérgio/Dia.

Sérgio está sentado em sua cama, vendo no notebook as passagens de avião que Gonçalo comprou para ele ir para Portugal. As passagens são na primeira classe. Sérgio se levanta, deixa o notebook aberto em cima da cama, vai até o baú preto, abre, pega um celular que estava dentro do baú, o liga, escreve uma mensagem para Gonçalo, coloca o celular em cima de uma mesa, ao lado do que costuma usar, vai até o guarda-roupa, pega uma toalha, entra no banheiro. Alguém bate na porta, Maya entra, olha em volta, ouve o barulho do chuveiro, fica tentada em ir olhar, sorri maldosa, olha o notebook em cima da cama, fica curiosa, se aproxima, olha para a tela do notebook, fica espantada ao ver as passagens de Sérgio. O celular que Sérgio pegou de dentro do baú começa a tocar, Maya se aproxima da mesa, vê na tela do celular que Gonçalo está ligando, mas percebe que Sérgio desligou o chuveiro e sai apressada.

Corta Para:

Cena 6/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.

Maya pega seu celular, faz uma ligação.

MAYA

(ao telefone, tom baixo) Alô, Álvaro, tudo bem? Eu preciso te contar uma coisa muito estranha que acabei de ver... Sérgio vai fazer uma viagem para Portugal. (ouve) Não, Álvaro, isso não é o mais importante... Ele vai viajar de avião na primeira classe... Você já viu quanto custa esse tipo de viagem? Tenho certeza que o salário dele não paga nem a metade. (ouve) Muito estranho; e tem mais... O celular dele começou a tocar, mas não é o celular que ele usa sempre, e era um tal de Gonçalo que estava ligando. (ouve) Vou tentar... Não garanto que seja hoje mas, assim que der, eu entro no quarto dele, de novo.

Corta Para:

Cena 7/Int./Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Dia.

Elisa está se arrumando, se olhando no espelho. Sorri, ao se lembrar do beijo de Sérgio. Benício entra.

BENÍCIO

Berta falou que você quer falar comigo.

ELISA

Sim... Beny, eu já falei com o papai e ele deixou você sair.

BENÍCIO

(feliz) Valeu, irmãzinha.

Benício abraça Elisa.

ELISA

(sorri) Tudo bem. (séria) Mas, agora, você vai ter que me fazer um favor.

BENÍCIO

(tom de brincadeira) Não sabia que você era assim, Elisa. Estar há muito tempo com Álvaro não tá te fazendo bem. (ri)

ELISA

(acha graça) Não é chantagem; é, realmente, um favor.

BENÍCIO

O que você quer?

ELISA

Que você fique na balada por três horas e que volte com o Sérgio.

BENÍCIO

(pensativo, estranha) Por quê?

ELISA

(não sabe como falar, pensativa) Promete não contar para ninguém, nem que você beba o bar todo?

BENÍCIO

Bem... Bêbado eu não garanto nem que vou acertar o meu nome... Mas prometo que o que você falar aqui, ficará aqui.

ELISA

Ótimo... Enquanto você estiver na balada... Sérgio e eu vamos nos encontrar, longe daqui... na tal padaria que você foi, hoje.

Benício entende, olha Elisa com cumplicidade e, ao mesmo tempo, com deboche.

BENÍCIO

(tom alto, empolgado, debochado) Fala sério, Elisa...! Você e o motorista?

ELISA

(aflita, tom baixo) Fala baixo, Beny!

BENÍCIO

(tom baixo, ri) Desculpa, essa me pegou de surpresa.

ELISA

Você vai fazer o que eu pedi, ou não?

BENÍCIO

(sorri) Claro que vou. Você conseguiu dobrar o papai, então, é justo que te ajude.

ELISA

(sorri) Obrigada, Beny e, por favor, não conta para ninguém – nem para o Dante – e, principalmente, para a Maya.

BENÍCIO

Tô ligado... Maya não esconde que está interessada nele.

ELISA

Justamente, por isso.

Benício olha Elisa, com vontade de rir.

BENÍCIO

Quem diria, hein... Tão santinha, e colocando chifres no Álvaro.

Benício não se aguenta, ri. Elisa dá uns tapas nele.

ELISA

(tom baixo) Para com isso, menino. As coisas não são assim. Agora, vai lá e, por favor, não beba nada hoje; eu tô pedindo.

BENÍCIO

Não vou... Preciso me livrar das algemas do papai.

Benício vai saindo, olha Elisa.

BENÍCIO

Você é ruim de pretendentes, hein, irmãzinha! O secretário falido e o príncipe do volante. (ri, debochado).

ELISA

(séria) Beny... Sai daqui, antes que eu faça o papai te prender aqui, por uma semana.

BENÍCIO

(sorri) Te amo.

ELISA

(sorri) Também te amo.

Benício sai. Elisa acha graça.  

Corta Para:

Cena 8/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.

Malu e Berta estão conversando, Sérgio entra. Não esperava encontrar elas ali.

BERTA

Você está precisando de alguma coisa, Sérgio?

SÉRGIO

(pensativo) Sim... Malu... podes fazer-me um favor?

MALU

O quê?

SÉRGIO

Lembras-te daquilo que fizeste hoje?

MALU

(entendendo, sorri) Lembro, sim.

SÉRGIO

Será que consegues repetir aquele favor que me fizeste hoje, de manhã? (ele dá indireta que é para sair com Berta).

MALU

(entendendo) Tá... Mas, agora, não tem como.

BERTA

Do que vocês estão falando?

Elisa entra.

MALU

Oi Elisa, precisa de alguma coisa?

ELISA

(pensativa) Sim...

BERTA

(pensativa, cruza os braços) Você vai falar, ou vai começar a falar em código, também?

ELISA

(sem entender) Como?

BERTA

Nada... Ninguém precisa falar nada, porque eu já entendi... Malu, vamos arrumar os quartos.

Berta e Malu saem, Sérgio e Elisa sorriem, se olhando.

ELISA

Tudo certo para hoje, à noite. Beny vai nos ajudar.

SÉRGIO

(sorri) Que bom... Mal posso esperar por poder estar a sós contigo.

ELISA

Eu, também. A gente mal conseguiu conversar; sempre tem alguém por perto.

SÉRGIO

Sim... mas tenho a certeza de que, para onde vamos, ninguém nos vai interromper.

Sérgio e Elisa dão as mãos.

ELISA

E eu preciso muito conversar com você.

SÉRGIO

Claro... Então, até logo mais.

Sérgio e Elisa se abraçam, Clara entra, fica surpresa e inconformada ao ver Sérgio e Elisa se abraçando.

CLARA

(reprovando, tom alterado) Elisa!

Sérgio e Elisa se assustam ao ouvirem e verem Clara, se olham pensativos e preocupados.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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