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Desígnios: Capítulo 09

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 09

Cena 1/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Noite.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Elisa está vendo Maya beijando Sérgio. Sérgio segura Maya, delicadamente, pelos braços e a afasta. Maya olha Elisa.

MAYA

(sorri) Oi Elisa, quer falar comigo?

Sérgio fica preocupado e assustado ao ver Elisa.

ELISA

(desconcertada) Não... Desculpa, eu não queria atrapalhar vocês; com licença!

Elisa sai, Sérgio vai indo atrás dela, Maya o segura.

MAYA

Onde você vai?

SÉRGIO

(preocupado) Preciso de falar com a Elisa.

MAYA

(sorri) Depois você fala com ela; esqueceu que vai me levar até o evento? Preciso sair, agora, ou vou me atrasar.

SÉRGIO

(chateado) Está bem... Maya, quero pedir-te que não voltes a fazer isso.

MAYA

(sedutora) Fazer o quê? Te beijar?

SÉRGIO

É... Não quero ser indelicado, mas não há outra forma de o dizer. Não quero ter nada consigo, nem por um dia, porque sei que seria algo passageiro... e não é isso que procuro.

MAYA

E o que você procura, Sérgio?

SÉRGIO

É um assunto meu, mas volto a pedir-lhe: não me beije novamente. Agora, vou buscar o carro.

Sérgio sai, Maya fica séria, pega o celular, faz uma ligação.

MAYA

(ao telefone) Álvaro, vou te dar uma deixa para hoje no jantar aqui em casa... (sorri maldosa) Eu beijei o Sérgio na frente de Elisa e ela não gostou nada do que viu. No jantar, faz um comentário... Diz que nós parecemos muito próximos. O resto ela vai imaginar sozinha.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Elisa entra, ainda desconcertada, se encosta na parede, coloca a mão no rosto, chora. Berta entra, fica preocupada, se aproxima de Elisa.

BERTA

O que aconteceu, minha querida?

ELISA

(disfarça, está sofrendo) Nada demais, Berta.

BERTA

E eu não te conheço?! Nada não te faz chorar.

ELISA

(triste, quase chorando) É que eu sou muito sentimental, Berta... Só isso. Vi uma coisa que não queria ter visto.

BERTA

O quê?

ELISA

Não tem importância, Berta... Eu vou subir um pouco.

Elisa sobe as escadas, Berta fica preocupada. Estela e Dante entram, estão nervosos.

DANTE

Mamãe, já falei para a senhora não ir me buscar quando eu estiver com meus amigos.

ESTELA

Eu vi você com aquela mocinha, outra vez! E não me agradou nada.

DANTE

(irritado) Mas é a mim que a Sol tem que agradar e não à senhora!

ESTELA

Filho, essa moça é muito inferior a você.

DANTE

(inconformado) A Sol é uma mulher maravilhosa e o que mais gosto nela é a simplicidade.

ESTELA

Simples até demais, não é? Os pais são donos de uma padariazinha.

DANTE

(raiva) E eles têm muito mais do que nós! Ou a senhora já esqueceu que nós moramos nesta casa de favor e que tudo o que temos é porque o tio Roberto paga?

ESTELA

Não fale assim, Dante! Esta casa também é minha!

 

 

DANTE

É nada, mamãe, acorda! E para de ficar atrás de mim, como se eu fosse criança, porque eu não sou!

Dante sobe as escadas, Estela fica séria.

Corta Para:

Cena 3/Ext./Mais Tarde/Rua/Noite.

Sérgio está do lado de fora do carro, fazendo uma ligação; a pessoa não atende, Sérgio fica irritado.

SÉRGIO

(a si mesmo) Atende, Elisa. Preciso de falar contigo.

Sérgio resolve mandar uma mensagem para Elisa, pedindo para ela retornar à ligação. Sérgio está aflito, chateado. Ele entra no carro, fica pensativo.

Corta Para:

Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala de jantar/Noite.

Estão a mesa: Clara, Roberto, Benício, Elisa, Álvaro, Estela e Dante. Elisa está triste, com o pensamento distante.

CLARA

(animada) Amanhã, será a primeira vez que Elisa vai experimentar o vestido de noiva. Estou muito ansiosa.

Roberto observa Elisa.

ÁLVARO

(sorri) Conhecendo Elisa, tenho certeza que o vestido é lindo e ela será a noiva mais maravilhosa que já vimos.

 

CLARA

(feliz) Modéstia a parte, eu a ajudei escolher o vestido e, realmente, é lindo, parece de princesa, não é minha filha?

Elisa não responde porque não está acompanhando a conversa.

CLARA

Elisa... (Elisa olha Clara) Está tudo bem?

ELISA

(voltando a si) Está sim, mamãe.

CLARA

(sorri) Não é verdade que seu vestido de noiva é tão lindo, que parece de princesa?

ELISA

(distante) É... É sim.

Álvaro segura a mão de Elisa, a olha nos olhos.

ÁLVARO

(sombrio) Minha princesa, você pode ter certeza que ninguém vai te amar como eu amo você... Nenhum outro será capaz de te fazer feliz.

Álvaro beija a mão de Elisa, que observa o gesto de Álvaro, com atenção.

ROBERTO

Fico feliz em ouvir isso, Álvaro... Você sabe que não confio em mais ninguém nos negócios, além de você. Então, fico em paz, sabendo que minha filha e meus negócios estão em boas mãos.

BENÍCIO

(irônico) Valeu pai, agradeço sua admiração por mim.

ROBERTO

Eu te amo filho, mas se não provar que é capaz de ser um homem honrado, não posso confiar os negócios a você.

ESTELA

Daí, você coloca o menino para trabalhar numa padaria... Faça-me o favor, Roberto!

ROBERTO

Esse assunto não é seu, Estela... É entre Beny e eu.

DANTE

Eu decidi que vou com Beny, amanhã.

ROBERTO

Nem pensar, você vai querer ajudar a ele, e isso eu não quero.

BENÍCIO

(debochado)Não é por minha causa que ele quer ir, papai... É por causa da Sol, filha do dono daquela porcaria de padaria.

ESTELA

(séria) Nem pense nisso, Dante!

ELISA

(incomodada) Gente, eu não estou me sentindo muito bem, vou para meu quarto. Com licença, boa noite.

Elisa se levanta, sai. Álvaro se levanta, vai atrás dela. Roberto fica preocupado.

Corta Para:

Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Elisa está quase chegando na escada, Álvaro se aproxima, a segura com delicadeza.

 

ÁLVARO

Espera, meu amor... O que aconteceu?

ELISA

Nada demais, Álvaro, eu só estou com dor de cabeça.

ÁLVARO

Se você quiser, eu peço para preparar um chá.

ELISA

Não, obrigada.

ÁLVARO

Elisa, eu preciso falar com a Maya. Será que ela demora muito para voltar?

ELISA

(chateada) Não sei.

ÁLVARO

Eu vou esperar mais um pouco... (maldoso) Se bem que Sérgio a levou e pode ser que ela nem volte hoje.

ELISA

(espantada, disfarça) Por que você acha isso?

ÁLVARO

(malicioso) Está na cara, meu amor... A Maya e o motorista estão ficando. Outro dia eu vi eles se beijando.

Elisa fica triste.

ELISA

Nunca percebi que estava tendo algo entre eles... Álvaro, eu preciso, realmente, subir. Boa noite.

ÁLVARO

Boa noite, meu amor.

Elisa sobe as escadas, Álvaro sorri vitorioso.

Corta Para:

 

Cena 6/Int./Dia seguinte/Padaria Camões/Dia.

Benício e Dante chegam, Benício está de mal humor, Manuel se aproxima.

MANUEL

(animado) Bom dia, rapazes.

BENÍCIO

(entediado) Só se for para você.

MANUEL

Rapaz, o teu pai já me disse que estás aqui contra a tua vontade. Também me disse para te dar trabalho e ter paciência. E eu tenho... mas não abuses.

BENÍCIO

O que eu tenho que fazer? Fala logo, que é para eu fazer e me mandar daqui.

Lívia entra, sorri para Benício, que fica surpreso ao vê-la.

BENÍCIO

O que você está fazendo aqui?

LÍVIA

O mesmo que você, vim trabalhar. Serei a sua babá.

Dante ri, debochado.

BENÍCIO

(sério, irritado) Não tem graça, Lívia...! Que palhaçada é essa?

LÍVIA

(sorrindo) Não é palhaçada, Beny... Seu pai me contratou para ficar te vigiando e para ter certeza que você está trabalhando; aliás, Seu Manuel, já pode dar o uniforme para o Beny. Eu peguei as tarefas que o senhor falou que ele vai fazer e fiz uma lista. A primeira coisa será varrer toda a padaria.

Lívia pega uma vassoura, entrega para Benício.

BENÍCIO
Eu nunca varri nada na vida.

LÍVIA
Ótimo! Então, hoje, vai aprender.

BENÍCIO

(sério, irritado) Você sabe o que faz com essa vassoura?

LÍVIA

(sorri) É você quem tem que fazer, Beny! Vai varrer, vai...!

Lívia se senta, Dante não se aguenta de rir, Benício fica com raiva e envergonhado.

Corta Para:

Cena 7/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.

Malu está lavando louça, Sérgio entra, se aproxima.

SÉRGIO

Bom dia, Malu.

MALU

(sorri) Bom dia, Sérgio!

SÉRGIO

Malu, viste a Elisa, hoje?

MALU

Vi, ela tá no quarto dela.

SÉRGIO

Preciso de falar com ela mas, desde ontem, que não consigo. Sabes quem está em casa?

MALU

Sei... A dona Clara e a chata da dona Estela.

SÉRGIO

Quando elas saírem, podes avisar-me? Assim poderei falar com a Elisa, à vontade.

MALU

Bonitinho... Impressão minha ou vocês brigaram?

SERGIO

(sorri um pouco) Não, mas houve um mal-entendido e quero esclarecê-lo.

MALU

(pensativa) Eu vou te ajudar. (sorri) Vou chamar as duas para ver qualquer coisa no jardim e, daí, você sobe e fala com a Elisa.

SÉRGIO

(sorri) Muito obrigado, Malu.

MALU

Por nada. Eu gosto de você; aliás, de vocês dois. Elisa é uma pessoa muito boa para mim.

SÉRGIO

(sorri) Que bom, Malu.

Malu para de lavar a louça, enxuga as mãos.

MALU

Vou lá, hein, fica esperto aí!

Malu sai, Sérgio fica pensativo.

Corta Para:

Cena 8/Int./Minutos depois/Mansão Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Dia.

Elisa está usando o vestido de noiva, se olhando no espelho, pensativa. Batem à porta, Sérgio entra, Elisa fica surpresa. Sérgio fica encantado ao ver Elisa vestida de noiva.

ELISA

(surpresa) Sérgio, o que você está fazendo aqui?

SÉRGIO

(admirado) Elisa... estás ainda mais linda.

ELISA

(chateada) Eu preciso terminar de me arrumar... Sai, por favor.

SÉRGIO

Não. Estou a tentar falar contigo, desde ontem, e não consigo.

ELISA

Agora não é o momento.

SÉRGIO

É sim, porque se eu deixar passar mais tempo, vais evitar-me ainda mais, e eu não quero isso. Ontem, o que viste foi/

ELISA

Sérgio... Tudo bem, você e Maya são livres, solteiros... Não tem porque se explicar.

Sérgio se aproxima de Elisa, a olha nos olhos.

SÉRGIO

Tem, sim... Foi a Maya que me beijou de surpresa. Eu não a beijei.

ELISA

(chateada) Mas vocês estão ficando, não é?

SÉRGIO

Não. Ontem foi a primeira – e única vez – que isso aconteceu e, como te disse, foi ela que me beijou.

ELISA

(abaixa os olhos) Já disse que vocês são livres.

Sérgio levanta o rosto de Elisa, delicadamente, com o dedo, a olha nos olhos.

SÉRGIO

Não sou livre, Elisa, porque estou apaixonado pela única mulher que quero beijar de verdade... tu.

Sérgio e Elisa se beijam.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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