
Cena 1/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Noite.
Cont. Imediata do capítulo anterior.
Elisa está vendo Maya beijando Sérgio. Sérgio segura
Maya, delicadamente, pelos braços e a afasta. Maya olha Elisa.
MAYA
(sorri) Oi
Elisa, quer falar comigo?
Sérgio fica preocupado e assustado ao ver Elisa.
ELISA
(desconcertada)
Não... Desculpa, eu não queria atrapalhar vocês; com licença!
Elisa sai, Sérgio vai indo atrás dela, Maya o
segura.
MAYA
Onde você
vai?
SÉRGIO
(preocupado)
Preciso de falar com a Elisa.
MAYA
(sorri)
Depois você fala com ela; esqueceu que vai me levar até o evento? Preciso sair,
agora, ou vou me atrasar.
SÉRGIO
(chateado) Está
bem... Maya, quero pedir-te que não voltes a fazer isso.
MAYA
(sedutora)
Fazer o quê? Te beijar?
SÉRGIO
É... Não
quero ser indelicado, mas não há outra forma de o dizer. Não quero ter nada
consigo, nem por um dia, porque sei que seria algo passageiro... e não é isso
que procuro.
MAYA
E o que
você procura, Sérgio?
SÉRGIO
É um assunto meu, mas volto a pedir-lhe: não me beije novamente.
Agora, vou buscar o carro.
Sérgio sai, Maya fica séria, pega o celular, faz uma
ligação.
MAYA
(ao
telefone) Álvaro, vou te dar uma deixa para hoje no jantar aqui em casa...
(sorri maldosa) Eu beijei o Sérgio na frente de Elisa e ela não gostou nada do
que viu. No jantar, faz um comentário... Diz que nós parecemos muito próximos.
O resto ela vai imaginar sozinha.
Corta Para:
Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Elisa entra, ainda desconcertada, se encosta na
parede, coloca a mão no rosto, chora. Berta entra, fica preocupada, se aproxima
de Elisa.
BERTA
O que
aconteceu, minha querida?
ELISA
(disfarça,
está sofrendo) Nada demais, Berta.
BERTA
E eu não te
conheço?! Nada não te faz chorar.
ELISA
(triste,
quase chorando) É que eu sou muito sentimental, Berta... Só isso. Vi uma coisa
que não queria ter visto.
BERTA
O quê?
ELISA
Não tem
importância, Berta... Eu vou subir um pouco.
Elisa sobe as escadas, Berta fica preocupada. Estela
e Dante entram, estão nervosos.
DANTE
Mamãe, já
falei para a senhora não ir me buscar quando eu estiver com meus amigos.
ESTELA
Eu vi você
com aquela mocinha, outra vez! E não me agradou nada.
DANTE
(irritado)
Mas é a mim que a Sol tem que agradar e não à senhora!
ESTELA
Filho, essa
moça é muito inferior a você.
DANTE
(inconformado)
A Sol é uma mulher maravilhosa e o que mais gosto nela é a simplicidade.
ESTELA
Simples até
demais, não é? Os pais são donos de uma padariazinha.
DANTE
(raiva) E
eles têm muito mais do que nós! Ou a senhora já esqueceu que nós moramos nesta
casa de favor e que tudo o que temos é porque o tio Roberto paga?
ESTELA
Não fale
assim, Dante! Esta casa também é minha!
DANTE
É nada,
mamãe, acorda! E para de ficar atrás de mim, como se eu fosse criança, porque
eu não sou!
Dante sobe as escadas, Estela fica séria.
Corta Para:
Cena 3/Ext./Mais Tarde/Rua/Noite.
Sérgio está do lado de fora do carro, fazendo uma
ligação; a pessoa não atende, Sérgio fica irritado.
SÉRGIO
(a si
mesmo) Atende, Elisa. Preciso de falar contigo.
Sérgio resolve mandar uma mensagem para Elisa,
pedindo para ela retornar à ligação. Sérgio está aflito, chateado. Ele entra no
carro, fica pensativo.
Corta Para:
Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala de
jantar/Noite.
Estão a mesa: Clara, Roberto, Benício, Elisa,
Álvaro, Estela e Dante. Elisa está triste, com o pensamento distante.
CLARA
(animada)
Amanhã, será a primeira vez que Elisa vai experimentar o vestido de noiva.
Estou muito ansiosa.
Roberto observa Elisa.
ÁLVARO
(sorri)
Conhecendo Elisa, tenho certeza que o vestido é lindo e ela será a noiva mais maravilhosa
que já vimos.
CLARA
(feliz)
Modéstia a parte, eu a ajudei escolher o vestido e, realmente, é lindo, parece
de princesa, não é minha filha?
Elisa não responde porque não está acompanhando a
conversa.
CLARA
Elisa...
(Elisa olha Clara) Está tudo bem?
ELISA
(voltando a
si) Está sim, mamãe.
CLARA
(sorri) Não
é verdade que seu vestido de noiva é tão lindo, que parece de princesa?
ELISA
(distante)
É... É sim.
Álvaro segura a mão de Elisa, a olha nos olhos.
ÁLVARO
(sombrio)
Minha princesa, você pode ter certeza que ninguém vai te amar como eu amo
você... Nenhum outro será capaz de te fazer feliz.
Álvaro beija a mão de Elisa, que observa o gesto de
Álvaro, com atenção.
ROBERTO
Fico feliz
em ouvir isso, Álvaro... Você sabe que não confio em mais ninguém nos negócios,
além de você. Então, fico em paz, sabendo que minha filha e meus negócios estão
em boas mãos.
BENÍCIO
(irônico) Valeu pai, agradeço sua admiração por mim.
ROBERTO
Eu te amo
filho, mas se não provar que é capaz de ser um homem honrado, não posso confiar
os negócios a você.
ESTELA
Daí, você
coloca o menino para trabalhar numa padaria... Faça-me o favor, Roberto!
ROBERTO
Esse
assunto não é seu, Estela... É entre Beny e eu.
DANTE
Eu decidi
que vou com Beny, amanhã.
ROBERTO
Nem pensar,
você vai querer ajudar a ele, e isso eu não quero.
BENÍCIO
(debochado)Não
é por minha causa que ele quer ir, papai... É por causa da Sol, filha do dono
daquela porcaria de padaria.
ESTELA
(séria) Nem
pense nisso, Dante!
ELISA
(incomodada)
Gente, eu não estou me sentindo muito bem, vou para meu quarto. Com licença,
boa noite.
Elisa se levanta, sai. Álvaro se levanta, vai atrás
dela. Roberto fica preocupado.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Elisa está quase chegando na escada, Álvaro se
aproxima, a segura com delicadeza.
ÁLVARO
Espera, meu
amor... O que aconteceu?
ELISA
Nada demais,
Álvaro, eu só estou com dor de cabeça.
ÁLVARO
Se você
quiser, eu peço para preparar um chá.
ELISA
Não,
obrigada.
ÁLVARO
Elisa, eu
preciso falar com a Maya. Será que ela demora muito para voltar?
ELISA
(chateada)
Não sei.
ÁLVARO
Eu vou
esperar mais um pouco... (maldoso) Se bem que Sérgio a levou e pode ser que ela
nem volte hoje.
ELISA
(espantada,
disfarça) Por que você acha isso?
ÁLVARO
(malicioso)
Está na cara, meu amor... A Maya e o motorista estão ficando. Outro dia eu vi
eles se beijando.
Elisa fica triste.
ELISA
Nunca
percebi que estava tendo algo entre eles... Álvaro, eu preciso, realmente,
subir. Boa noite.
ÁLVARO
Boa noite,
meu amor.
Elisa sobe as escadas, Álvaro sorri vitorioso.
Corta Para:
Cena 6/Int./Dia seguinte/Padaria Camões/Dia.
Benício e Dante chegam, Benício está de mal humor,
Manuel se aproxima.
MANUEL
(animado)
Bom dia, rapazes.
BENÍCIO
(entediado)
Só se for para você.
MANUEL
Rapaz, o
teu pai já me disse que estás aqui contra a tua vontade. Também me disse para
te dar trabalho e ter paciência. E eu tenho... mas não abuses.
BENÍCIO
O que eu
tenho que fazer? Fala logo, que é para eu fazer e me mandar daqui.
Lívia entra, sorri para Benício, que fica surpreso
ao vê-la.
BENÍCIO
O que você
está fazendo aqui?
LÍVIA
O mesmo que
você, vim trabalhar. Serei a sua babá.
Dante ri, debochado.
BENÍCIO
(sério, irritado) Não tem graça, Lívia...! Que palhaçada é essa?
LÍVIA
(sorrindo)
Não é palhaçada, Beny... Seu pai me contratou para ficar te vigiando e para ter
certeza que você está trabalhando; aliás, Seu Manuel, já pode dar o uniforme
para o Beny. Eu peguei as tarefas que o senhor falou que ele vai fazer e fiz
uma lista. A primeira coisa será varrer toda a padaria.
Lívia pega uma vassoura, entrega para Benício.
BENÍCIO
Eu nunca
varri nada na vida.
LÍVIA
Ótimo!
Então, hoje, vai aprender.
BENÍCIO
(sério,
irritado) Você sabe o que faz com essa vassoura?
LÍVIA
(sorri) É
você quem tem que fazer, Beny! Vai varrer, vai...!
Lívia se senta, Dante não se aguenta de rir, Benício
fica com raiva e envergonhado.
Corta Para:
Cena 7/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.
Malu está lavando louça, Sérgio entra, se aproxima.
SÉRGIO
Bom dia,
Malu.
MALU
(sorri) Bom
dia, Sérgio!
SÉRGIO
Malu, viste
a Elisa, hoje?
MALU
Vi, ela tá
no quarto dela.
SÉRGIO
Preciso de
falar com ela mas, desde ontem, que não consigo. Sabes quem está em casa?
MALU
Sei... A
dona Clara e a chata da dona Estela.
SÉRGIO
Quando elas
saírem, podes avisar-me? Assim poderei falar com a Elisa, à vontade.
MALU
Bonitinho...
Impressão minha ou vocês brigaram?
SERGIO
(sorri um
pouco) Não, mas houve um mal-entendido e quero esclarecê-lo.
MALU
(pensativa)
Eu vou te ajudar. (sorri) Vou chamar as duas para ver qualquer coisa no jardim
e, daí, você sobe e fala com a Elisa.
SÉRGIO
(sorri)
Muito obrigado, Malu.
MALU
Por nada.
Eu gosto de você; aliás, de vocês dois. Elisa é uma pessoa muito boa para mim.
SÉRGIO
(sorri) Que
bom, Malu.
Malu para de lavar a louça, enxuga as mãos.
MALU
Vou lá,
hein, fica esperto aí!
Malu sai, Sérgio fica pensativo.
Corta Para:
Cena 8/Int./Minutos depois/Mansão Monteiro
Diniz/Suíte de Elisa/Dia.
Elisa está usando o vestido de noiva, se olhando no
espelho, pensativa. Batem à porta, Sérgio entra, Elisa fica surpresa. Sérgio
fica encantado ao ver Elisa vestida de noiva.
ELISA
(surpresa)
Sérgio, o que você está fazendo aqui?
SÉRGIO
(admirado) Elisa...
estás ainda mais linda.
ELISA
(chateada)
Eu preciso terminar de me arrumar... Sai, por favor.
SÉRGIO
Não. Estou
a tentar falar contigo, desde ontem, e não consigo.
ELISA
Agora não é
o momento.
SÉRGIO
É sim,
porque se eu deixar passar mais tempo, vais evitar-me ainda mais, e eu não
quero isso. Ontem, o que viste foi/
ELISA
Sérgio...
Tudo bem, você e Maya são livres, solteiros... Não tem porque se explicar.
Sérgio se aproxima de Elisa, a olha nos olhos.
SÉRGIO
Tem, sim... Foi a Maya que me beijou de surpresa. Eu não a beijei.
ELISA
(chateada)
Mas vocês estão ficando, não é?
SÉRGIO
Não. Ontem
foi a primeira – e única vez – que isso aconteceu e, como te disse, foi ela que
me beijou.
ELISA
(abaixa os
olhos) Já disse que vocês são livres.
Sérgio levanta o rosto de Elisa, delicadamente, com
o dedo, a olha nos olhos.
SÉRGIO
Não sou livre, Elisa, porque estou apaixonado pela única mulher
que quero beijar de verdade... tu.
Sérgio e Elisa se beijam.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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