
Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.
Cont. Imediata do capítulo anterior.
Sérgio e Elisa se afastam, Clara os encara.
CLARA
O que está
acontecendo aqui?
ELISA
O de
sempre... Eu tive uma crise de ansiedade, Sérgio entrou e ajudou a me acalmar,
e eu estava agradecendo.
CLARA
(calma, tom
acolhedor, sorri) Ah, sim. (pausa) Obrigada, Sérgio. (a Elisa) Desculpe o modo
que me intrometi; não sabia que se tratava disso.
ELISA
(sorri)
Tudo bem, mamãe.
SÉRGIO
Agora que
está tudo bem, eu vou para o meu quarto. Com licença.
Sérgio sai. Clara abraça Elisa.
CLARA
Meu
amorzinho, isso vai passar; você vai ver.
ELISA
(sorri
feliz) Eu sei.
Corta Para:
Cena 2/Ext./Mais Tarde – Rua/Noite.
Sérgio está parado na calçada, olha o relógio. Um táxi se aproxima, estaciona. Sérgio abre a porta, Elisa desce do táxi. Sérgio fecha a porta do táxi, que segue. Sérgio e Elisa se olham, sorriem.
SÉRGIO
(sorri) Estás
linda, Elisa.
ELISA
(sorri)
Obrigada.
SÉRGIO
Vamos
entrar no restaurante...
ELISA
Restaurante?
Você não disse que iríamos na padaria do seu amigo?
SÉRGIO
(sorri) Disse,
mas disse isso porque queria fazer-te uma surpresa. Vim a este lugar, uma vez,
e gostei muito. Tenho a certeza de que tu também vais gostar.
ELISA
(sorri) Se
é assim... Vamos lá, então.
Sérgio e Elisa entram no restaurante.
Corta Para:
Cena 3/Int./Restaurante Alfama dos
Marinheiros/Noite.
Sérgio e Elisa se sentam em uma das mesas.
SÉRGIO
Então, o
que achaste daqui?
ELISA
Muito
bonito e aconchegante e, pelo que vi, tem características de Portugal.
SÉRGIO
(sorri) Exactamente. O que queres jantar?
ELISA
(pensativa)
Vou deixar você escolher. Tenho certeza que, conhecendo a culinária de
Portugal, vai ser melhor.
SÉRGIO
(sorri) Está
bem, vou escolher.
Sérgio pega o cardápio, o garçom se aproxima.
GARÇOM
Boa noite.
SÉRGIO
Boa noite.
Para entrada, vamos querer caldo verde. Como prato principal, bacalhau à Brás.
E, para sobremesa, pastéis de nata.
GARÇOM
(anota) E
para beber?
Sérgio aponta um vinho no cardápio. O garçom anota o
pedido e sai.
ELISA
(pensativa)
Você me disse, uma vez, que Alfama é um bairro que fica em Lisboa, é isso
mesmo?
SÉRGIO
Sim, e é
lindíssimo. É um dos meus lugares preferidos; principalmente, o Castelo de São
Jorge. Fica no topo de uma colina e, de lá, vê-se toda a cidade. (sorri).
ELISA
(sorri)
Realmente, deve ser muito bonito.
Sérgio pega o celular, faz uma pesquisa, mostra para Elisa.
SÉRGIO
Não é a
mesma coisa ver fotografias do que estar lá, mas é só para te mostrar como são
Alfama e o Castelo de São Jorge.
ELISA
(olhando as
fotos, sorri) Gostei, não sei como nunca pensei em ir a Portugal. Eu já fui a
Paris, Roma e Nova York. Quem sabe, meu próximo destino seja Lisboa.
Sérgio guarda o celular, fica pensativo por uns
segundos.
SÉRGIO
(sorri) Bem...
podes escolher esse destino para a tua viagem de lua-de-mel... O Álvaro vai
gostar de lá. (observa Elisa).
ELISA
(séria)
Sério, mesmo, que você vai estragar o momento, falando no Álvaro e nesse
casamento que eu nem quero que aconteça?
Sérgio acha graça.
UMA VOZ
Minhas
senhoras e meus senhores... silêncio, por favor. Vai-se cantar o fado.
ELISA
(estranhando
um pouco, sorri) O que é isso?
SÉRGIO
O fado é uma música muito tradicional de Portugal... Fala de amor, saudade, encontros, despedidas... É cantado com a alma. Quando se canta o fado, o costume é fazer silêncio e ouvir.
ELISA
Entendi...
E sempre pedem silêncio antes de começar?
SÉRGIO
Sim. Estive a reparar que, aqui no Brasil, os cantores sobem ao
palco, cantam, as canções são belíssimas, românticas... e as pessoas, sentadas
às mesas, conversam, riem, mexem no telemóvel... parece-me que não há... (não
quer terminar a frase).
ELISA
(sorri) Respeito?
SÉRGIO
(concorda, com delicadeza) Isso...
ELISA
Não precisa ficar sem jeito. Eu concordo, totalmente, com você.
UMA VOZ
Silêncio,
por favor. Vai-se cantar o fado.
Sérgio segura a mão de Elisa, a olha nos olhos,
aproxima o rosto do dela, fala em seu ouvido.
SÉRGIO
Silêncio... que vou dizer-te que te amo.
Elisa sorri, gostando. O fado
começa a tocar, Sérgio e Elisa se beijam.
Corta Para:
Cena 4/Int./Outro
restaurante/Noite.
Álvaro e Celso estão jantando.
CELSO
E como vão os preparativos para o casamento?
ÁLVARO
(indiferente) Bem... Quem cuida dessas coisas são Clara e Elisa.
A minha parte é muito pouca, tio.
CELSO
(sorri) Entendo. Realmente, as mulheres entendem melhor dessas
coisas do que nós, homens. E onde vão passar a lua-de-mel?
ÁLVARO
Nós ainda não falamos sobre isso, tio.
CELSO
(estranha) Não? Mas o casamento é para daqui a poucos meses.
ÁLVARO
Pois é, tio... Elisa e eu não estamos tendo muito tempo juntos.
CELSO
(pensativo) Álvaro... Eu sei que tudo que você quer, você
consegue, mas nós dois sabemos o quanto Elisa e Bruno se amavam e que, talvez,
o casamento de vocês seja porque a ocasião os uniu, e não o amor. Você acha,
mesmo, que vale a pena?
ÁLVARO
(frio) Acho, porque, pra mim, pouco importa o amor. Você é o
único que sabe quem eu sou, tio... Sabe que sempre achei injusto que tudo que
eu desejava para mim era o Bruno que tinha.
CELSO
Na verdade, é ao contrário, Álvaro... Tudo que seu irmão tinha,
você queria.
ÁLVARO
(sorri malicioso) Pode ser... Estou muito perto de ter tudo o
que era dele, tio... E Elisa é minha.
CELSO
Mas ela não é um objeto; é um ser humano, que tem vontades e
sentimentos.
ÁLVARO
(pensativo) O único sentimento que eu quero que ela tenha, é o
de culpa... Enquanto Elisa se sentir culpada por coisas ruins, ela será toda
minha. (sorri, levemente).
Celso fica pensativo.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mansão Monteiro
Diniz/Sala/Noite.
Roberto e Clara estão sentados no
sofá, conversando. Estela desce as escadas, está nervosa.
ESTELA
(nervosa) Roberto, você não tinha que deixar o Beny sair! Meu
filho aproveitou e foi com ele. Tenho certeza que aquela portuguesinha vai
estar lá.
ROBERTO
Estela, deixa seu filho em paz; ele é um adulto e namora com
quem quiser.
ESTELA
Dante não namora com ela, e nem vai!
CLARA
Não entendo essa implicância gratuita com a Sol; ela é uma jovem
encantadora.
ESTELA
(nervosa) Você pensa assim, porque tem borboletas no lugar do cérebro.
CLARA
(chateada) Não precisa ofender.
ROBERTO
Concordo! Estela, você atrapalhou a nossa conversa. Vai
descarregar sua raiva em outro lugar.
Estela sai, com raiva.
CLARA
Eu, hein... Vida, sua irmã está cada dia mais insuportável. Não
entendo porque ela trata o Dante como se ele fosse uma criança.
ROBERTO
Depois que o marido morreu ela ficou assim. O Dante acabou se
tornando o centro da vida dela.
CLARA
Mesmo assim, vida... Desse jeito, ela vai afastar o Dante e, se isso
acontecer, ele terá meu apoio.
ROBERTO
Acho que todos vamos ficar do lado dele, como já estamos a favor
do relacionamento dele com a Sol.
CLARA
(sorri) Com certeza.
ROBERTO
Bem... Vamos jantar, Clarinha.
Roberto beija Clara, eles se
levantam, vão para a sala de jantar.
Corta Para:
Cena 6/Int./Restaurante Alfama dos
Marinheiros/Noite.
Sérgio e Elisa estão sentados em uma das mesas.
SÉRGIO
Elisa, vou
precisar de voltar a Portugal, mas será apenas por três dias.
ELISA
(pensativa)
Por que você vai voltar para lá?
SÉRGIO
Preciso de
resolver um assunto muito importante, relacionado com a minha família... O meu
pai morreu há três meses. Não quis ir ao funeral, porque nós... estávamos
zangados um com o outro e, vê-lo morto, só me iria deixar, ainda mais,
arrependido da discussão que tivemos.
ELISA
(chateada)
Sinto muito.
SÉRGIO
Eu,
também... E vou para lá porque preciso de tratar de algumas questões
burocráticas.
ELISA
Entendo.
Sérgio segura a mão de Elisa.
SÉRGIO
(sorri) Vou
viajar para a semana. Seria perfeito se pudesses ir comigo, mas sei que isso te
traria problemas.
ELISA
E muitos... Eu nem sei como vou cancelar o meu casamento. Não sei com quem eu falo primeiro; se com Álvaro, ou com meus pais.
SÉRGIO
O
importante é falares com ele, ou, ao ritmo a que as coisas vão, ainda acabas
por subir ao altar com ele.
ELISA
(pensativa)
Eu deveria estar muito vulnerável quando aceitei me casar com Álvaro... Não que
ele seja uma pessoa ruim, mas eu nunca o amei... Bruno, sim, era amor e...
(receio) Achei que nunca mais fosse sentir, novamente, o que sentia por ele,
até... Conhecer você.
SÉRGIO
(sorri
feliz) Elisa, não imaginas o quanto fico feliz por ouvir isso.
ELISA
(sorri) E
eu fico feliz em falar, sentir... amor, Sérgio... Da mesma forma que você falou
que me ama, eu digo o mesmo... Te amo!
Sérgio e Elisa se beijam.
SÉRGIO
E o mais
bonito é que me amas pelo que eu sou.
ELISA
Claro que
sim... Por que mais seria?
SÉRGIO
(disfarça) Ultimamente,
as pessoas dão mais importância aos bens materiais e, como eu não tenho nada,
fico feliz por saber que me amas pelo que sou.
ELISA
(sorri)
Você pode não ter nada, materialmente falando, mas você é uma pessoa incrível,
inteligente, educada, sei lá... Você tem um ar diferente... Diferente das
pessoas que conheço, e gosto disso.
SÉRGIO
Não... És
tu quem é, exatamente, como te descreveste. (sorri).
ELISA
(olha a
hora, fica preocupada) Sérgio, nós temos que ir. Preciso chegar em casa antes
que você chegue na balada, para buscar Beny e Maya.
SÉRGIO
É
verdade... nem demos pela hora passar.
ELISA
(sorri) Não,
mesmo... Por mim, ficaria aqui, com você, a noite toda.
Sérgio e Elisa se beijam.
Corta Para:
Cena 7/Ext./Rua/Noite.
Sérgio e Elisa atravessam a rua. Álvaro e Celso saem
de dentro de um restaurante do outro lado da rua, Elisa e Sérgio não o veem.
ELISA
(sorri) Eu
gostei muito do nosso jantar; fazia muito tempo que não me sentia assim.
SÉRGIO
Eu também,
Elisa. Fico imensamente grato por te ter encontrado e por teres dado um novo
sentido à minha vida.
Sérgio e Elisa se beijam, Álvaro os vê, fica sério, olhar frio, com raiva.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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