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Desígnios: Capítulo 11

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 11

   

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Sérgio e Elisa se afastam, Clara os encara.

CLARA

O que está acontecendo aqui?

ELISA

O de sempre... Eu tive uma crise de ansiedade, Sérgio entrou e ajudou a me acalmar, e eu estava agradecendo.

CLARA

(calma, tom acolhedor, sorri) Ah, sim. (pausa) Obrigada, Sérgio. (a Elisa) Desculpe o modo que me intrometi; não sabia que se tratava disso.

ELISA

(sorri) Tudo bem, mamãe.

SÉRGIO

Agora que está tudo bem, eu vou para o meu quarto. Com licença.

Sérgio sai. Clara abraça Elisa.

CLARA

Meu amorzinho, isso vai passar; você vai ver.

ELISA

(sorri feliz) Eu sei.

Corta Para:

Cena 2/Ext./Mais Tarde – Rua/Noite.

Sérgio está parado na calçada, olha o relógio. Um táxi se aproxima, estaciona. Sérgio abre a porta, Elisa desce do táxi. Sérgio fecha a porta do táxi, que segue. Sérgio e Elisa se olham, sorriem. 

SÉRGIO

(sorri) Estás linda, Elisa.

ELISA

(sorri) Obrigada.

SÉRGIO

Vamos entrar no restaurante...

ELISA

Restaurante? Você não disse que iríamos na padaria do seu amigo?

SÉRGIO

(sorri) Disse, mas disse isso porque queria fazer-te uma surpresa. Vim a este lugar, uma vez, e gostei muito. Tenho a certeza de que tu também vais gostar.

ELISA

(sorri) Se é assim... Vamos lá, então.

Sérgio e Elisa entram no restaurante.

Corta Para:

Cena 3/Int./Restaurante Alfama dos Marinheiros/Noite.

Sérgio e Elisa se sentam em uma das mesas.

SÉRGIO

Então, o que achaste daqui?

ELISA

Muito bonito e aconchegante e, pelo que vi, tem características de Portugal.

SÉRGIO

(sorri) Exactamente. O que queres jantar?

ELISA

(pensativa) Vou deixar você escolher. Tenho certeza que, conhecendo a culinária de Portugal, vai ser melhor.

SÉRGIO

(sorri) Está bem, vou escolher.

Sérgio pega o cardápio, o garçom se aproxima.

GARÇOM

Boa noite.

SÉRGIO

Boa noite. Para entrada, vamos querer caldo verde. Como prato principal, bacalhau à Brás. E, para sobremesa, pastéis de nata.

GARÇOM

(anota) E para beber?

Sérgio aponta um vinho no cardápio. O garçom anota o pedido e sai.

ELISA

(pensativa) Você me disse, uma vez, que Alfama é um bairro que fica em Lisboa, é isso mesmo?

SÉRGIO

Sim, e é lindíssimo. É um dos meus lugares preferidos; principalmente, o Castelo de São Jorge. Fica no topo de uma colina e, de lá, vê-se toda a cidade. (sorri).

ELISA

(sorri) Realmente, deve ser muito bonito.

Sérgio pega o celular, faz uma pesquisa, mostra para Elisa.

SÉRGIO

Não é a mesma coisa ver fotografias do que estar lá, mas é só para te mostrar como são Alfama e o Castelo de São Jorge.

ELISA

(olhando as fotos, sorri) Gostei, não sei como nunca pensei em ir a Portugal. Eu já fui a Paris, Roma e Nova York. Quem sabe, meu próximo destino seja Lisboa.

Sérgio guarda o celular, fica pensativo por uns segundos.

SÉRGIO

(sorri) Bem... podes escolher esse destino para a tua viagem de lua-de-mel... O Álvaro vai gostar de lá. (observa Elisa).

ELISA

(séria) Sério, mesmo, que você vai estragar o momento, falando no Álvaro e nesse casamento que eu nem quero que aconteça?

Sérgio acha graça.

UMA VOZ

Minhas senhoras e meus senhores... silêncio, por favor. Vai-se cantar o fado.

ELISA

(estranhando um pouco, sorri) O que é isso?

SÉRGIO

O fado é uma música muito tradicional de Portugal... Fala de amor, saudade, encontros, despedidas... É cantado com a alma. Quando se canta o fado, o costume é fazer silêncio e ouvir.

ELISA

Entendi... E sempre pedem silêncio antes de começar?

SÉRGIO

Sim. Estive a reparar que, aqui no Brasil, os cantores sobem ao palco, cantam, as canções são belíssimas, românticas... e as pessoas, sentadas às mesas, conversam, riem, mexem no telemóvel... parece-me que não há... (não quer terminar a frase).

ELISA

(sorri) Respeito?

SÉRGIO

(concorda, com delicadeza) Isso...

ELISA

Não precisa ficar sem jeito. Eu concordo, totalmente, com você.

UMA VOZ

Silêncio, por favor. Vai-se cantar o fado.

Sérgio segura a mão de Elisa, a olha nos olhos, aproxima o rosto do dela, fala em seu ouvido.

SÉRGIO

Silêncio... que vou dizer-te que te amo.

Elisa sorri, gostando. O fado começa a tocar, Sérgio e Elisa se beijam.

Corta Para:

Cena 4/Int./Outro restaurante/Noite.

Álvaro e Celso estão jantando.

CELSO

E como vão os preparativos para o casamento?

ÁLVARO

(indiferente) Bem... Quem cuida dessas coisas são Clara e Elisa. A minha parte é muito pouca, tio.

CELSO

(sorri) Entendo. Realmente, as mulheres entendem melhor dessas coisas do que nós, homens. E onde vão passar a lua-de-mel?

ÁLVARO

Nós ainda não falamos sobre isso, tio.

CELSO

(estranha) Não? Mas o casamento é para daqui a poucos meses.

ÁLVARO

Pois é, tio... Elisa e eu não estamos tendo muito tempo juntos.

CELSO

(pensativo) Álvaro... Eu sei que tudo que você quer, você consegue, mas nós dois sabemos o quanto Elisa e Bruno se amavam e que, talvez, o casamento de vocês seja porque a ocasião os uniu, e não o amor. Você acha, mesmo, que vale a pena?

ÁLVARO

(frio) Acho, porque, pra mim, pouco importa o amor. Você é o único que sabe quem eu sou, tio... Sabe que sempre achei injusto que tudo que eu desejava para mim era o Bruno que tinha.

CELSO

Na verdade, é ao contrário, Álvaro... Tudo que seu irmão tinha, você queria.

ÁLVARO

(sorri malicioso) Pode ser... Estou muito perto de ter tudo o que era dele, tio... E Elisa é minha.

CELSO

Mas ela não é um objeto; é um ser humano, que tem vontades e sentimentos.

ÁLVARO

(pensativo) O único sentimento que eu quero que ela tenha, é o de culpa... Enquanto Elisa se sentir culpada por coisas ruins, ela será toda minha. (sorri, levemente).

Celso fica pensativo.

Corta Para:

Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Roberto e Clara estão sentados no sofá, conversando. Estela desce as escadas, está nervosa.

ESTELA

(nervosa) Roberto, você não tinha que deixar o Beny sair! Meu filho aproveitou e foi com ele. Tenho certeza que aquela portuguesinha vai estar lá.

ROBERTO

Estela, deixa seu filho em paz; ele é um adulto e namora com quem quiser.

ESTELA

Dante não namora com ela, e nem vai!

CLARA

Não entendo essa implicância gratuita com a Sol; ela é uma jovem encantadora.

ESTELA

(nervosa) Você pensa assim, porque tem borboletas no lugar do cérebro.

CLARA

(chateada) Não precisa ofender.

ROBERTO

Concordo! Estela, você atrapalhou a nossa conversa. Vai descarregar sua raiva em outro lugar.

Estela sai, com raiva.

CLARA

Eu, hein... Vida, sua irmã está cada dia mais insuportável. Não entendo porque ela trata o Dante como se ele fosse uma criança.

ROBERTO

Depois que o marido morreu ela ficou assim. O Dante acabou se tornando o centro da vida dela.

CLARA

Mesmo assim, vida... Desse jeito, ela vai afastar o Dante e, se isso acontecer, ele terá meu apoio.

ROBERTO

Acho que todos vamos ficar do lado dele, como já estamos a favor do relacionamento dele com a Sol.

CLARA

(sorri) Com certeza.

ROBERTO

Bem... Vamos jantar, Clarinha.

Roberto beija Clara, eles se levantam, vão para a sala de jantar.

Corta Para:

Cena 6/Int./Restaurante Alfama dos Marinheiros/Noite.

Sérgio e Elisa estão sentados em uma das mesas.

SÉRGIO

Elisa, vou precisar de voltar a Portugal, mas será apenas por três dias.

ELISA

(pensativa) Por que você vai voltar para lá?

SÉRGIO

Preciso de resolver um assunto muito importante, relacionado com a minha família... O meu pai morreu há três meses. Não quis ir ao funeral, porque nós... estávamos zangados um com o outro e, vê-lo morto, só me iria deixar, ainda mais, arrependido da discussão que tivemos.

ELISA

(chateada) Sinto muito.

SÉRGIO

Eu, também... E vou para lá porque preciso de tratar de algumas questões burocráticas.

ELISA

Entendo.

Sérgio segura a mão de Elisa.

SÉRGIO

(sorri) Vou viajar para a semana. Seria perfeito se pudesses ir comigo, mas sei que isso te traria problemas.

ELISA

E muitos... Eu nem sei como vou cancelar o meu casamento. Não sei com quem eu falo primeiro; se com Álvaro, ou com meus pais.

SÉRGIO

O importante é falares com ele, ou, ao ritmo a que as coisas vão, ainda acabas por subir ao altar com ele.

ELISA

(pensativa) Eu deveria estar muito vulnerável quando aceitei me casar com Álvaro... Não que ele seja uma pessoa ruim, mas eu nunca o amei... Bruno, sim, era amor e... (receio) Achei que nunca mais fosse sentir, novamente, o que sentia por ele, até... Conhecer você.

SÉRGIO

(sorri feliz) Elisa, não imaginas o quanto fico feliz por ouvir isso.

ELISA

(sorri) E eu fico feliz em falar, sentir... amor, Sérgio... Da mesma forma que você falou que me ama, eu digo o mesmo... Te amo!

Sérgio e Elisa se beijam.

SÉRGIO

E o mais bonito é que me amas pelo que eu sou.

ELISA

Claro que sim... Por que mais seria?

SÉRGIO

(disfarça) Ultimamente, as pessoas dão mais importância aos bens materiais e, como eu não tenho nada, fico feliz por saber que me amas pelo que sou.

ELISA

(sorri) Você pode não ter nada, materialmente falando, mas você é uma pessoa incrível, inteligente, educada, sei lá... Você tem um ar diferente... Diferente das pessoas que conheço, e gosto disso.

SÉRGIO

Não... És tu quem é, exatamente, como te descreveste. (sorri).

ELISA

(olha a hora, fica preocupada) Sérgio, nós temos que ir. Preciso chegar em casa antes que você chegue na balada, para buscar Beny e Maya.

SÉRGIO

É verdade... nem demos pela hora passar.

ELISA

(sorri) Não, mesmo... Por mim, ficaria aqui, com você, a noite toda.

Sérgio e Elisa se beijam.

Corta Para:

Cena 7/Ext./Rua/Noite.

Sérgio e Elisa atravessam a rua. Álvaro e Celso saem de dentro de um restaurante do outro lado da rua, Elisa e Sérgio não o veem.

ELISA

(sorri) Eu gostei muito do nosso jantar; fazia muito tempo que não me sentia assim.

SÉRGIO

Eu também, Elisa. Fico imensamente grato por te ter encontrado e por teres dado um novo sentido à minha vida.

Sérgio e Elisa se beijam, Álvaro os vê, fica sério, olhar frio, com raiva.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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