
Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Letreiro: Alguns dias depois...
Benício acaba de chegar do hospital, Clara o está
abraçando.
CLARA
Que bom ter
você de volta em casa, meu filho.
BENÍCIO
Eu que o
diga mamãe; não via a hora de sair daquele hospital.
Benício se senta no sofá, Roberto entra, Elisa desce
as escadas, fica feliz ao ver Benício, se senta ao lado dele no sofá, o abraça.
ELISA
Que susto
você deu na gente, Beny. Que bom que o pior já passou.
BENÍCIO
(sorri)
Estou ótimo, Elisa! E pronto para outra.
ROBERTO
Mas eu não
estou pronto... E você já sabe que as coisas vão mudar.
BENÍCIO
De novo
essa história, papai?
ROBERTO
Não é
história... É como as coisas vão ser. Hoje você vai ter o dia para se organizar
e, amanhã, o Sérgio vai te levar até a padaria em que você vai trabalhar.
BENÍCIO
(irritado) Eu não vou! Mas que droga! Eu sofro um acidente e, ainda, sou punido?
ROBERTO
Coitadinho
do Benyzinho, nem parece que foi ele quem encheu a cara, pegou o carro da amiga
e resolveu correr feito um louco... Deu no que deu.
CLARA
Vida... Eu
não quero que Beny vá trabalhar em padaria nenhuma.
ROBERTO
Lamento,
meu amor, mas quem sempre limpa a barra do playboy aí sou eu e, desta vez, não
vou deixar passar e ele não vai morrer por trabalhar, está decidido!
Roberto sobe as escadas.
ELISA
Beny, acho
melhor você mostrar para o papai que é capaz de se comportar, fica na tal
padaria alguns dias e depois sai.
BENÍCIO
(nervoso)
Tudo bem... Eu vou! (maldoso) Mas vou ser despedido no primeiro dia.
Benício se levanta, Clara o ajuda.
CLARA
Meu filho,
assim fica difícil te defender. Já está falando em aprontar, de novo.
BENÍCIO
Deixa
comigo mamãe, eu resolvo tudo. Dante está em casa?
CLARA
No quarto
dele.
BENÍCIO
Vou lá falar com ele.
CLARA
Eu te
ajudo.
Benício e Clara sobem as escadas, Sérgio entra.
SÉRGIO
(sorri) Bom
dia, Elisa.
Elisa se levanta, se aproxima de Sérgio.
ELISA
Bom dia.
Que bom que você está aqui, eu quero te mostrar uma coisa. Vamos até o ateliê.
SÉRGIO
Tens a
certeza de que posso subir? A tua tia está em casa.
ELISA
E daí?
SÉRGIO
Não te
quero arranjar problemas.
ELISA
Para com
isso, Sérgio; e eu já falei... minha tia vive de mal com o mundo.
SÉRGIO
(sorri)
Então, vamos lá.
Elisa e Sérgio sobem as escadas, Maya que estava
escondida, ouvindo a conversa, entra na sala, cruza os braços, pensativa, sorri
maldosa, pega o celular, faz uma ligação.
MAYA
Álvaro,
como vai? Você está no grupo? (ouve, sorri um pouco) Que bom que está vindo pra
cá. Elisa e Sérgio acabaram de subir para o ateliê. E foi ela quem convidou o
Sérgio; disse que queria mostrar uma coisa para ele. (ouve) Perfeito, não
demora!
Maya desliga o celular.
MAYA
(satisfeita)
Quero ver você sair dessa, Elisa.
Corta Para:
Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.
Sérgio e Elisa entram, o ateliê está arrumado, Elisa
está feliz. Sérgio admira o lugar.
SÉRGIO
Elisa,
deste uma vida nova ao ateliê; está realmente muito bonito. Muitos parabéns!
ELISA
(sorri) Obrigada!
Eu não teria feito nada disso sem sua ajuda... Seus bilhetes me ajudaram, e
muito.
SÉRGIO
(sorri) Fico
muito contente por saber isso. Até me ocorre uma frase que cai que nem uma luva
para o momento... É de Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
ELISA
(sorri)
Gostei... Realmente, as coisas mudam e, às vezes, até, inesperadamente... (a
expressão muda) Por isso te chamei aqui, também... Eu quero fazer uma coisa,
mas... sozinha, não tenho coragem.
SÉRGIO
O quê?
ELISA
Eu não vou
conseguir seguir em frente, se ficar olhando para trás... Por isso eu quero
tirar o quadro de Bruno daqui.
SÉRGIO
Tens a
certeza, Elisa? Não te vais arrepender?
ELISA
(sorri um
pouco) Não... Por que eu tenho certeza que Bruno não iria gostar de me ver
infeliz, triste pelos cantos, por causa dele.
SÉRGIO
(sorri) Se
é assim... Eu ajudo-te a tirar o quadro.
Elisa e Sérgio se aproximam do quadro pendurado na
parede, Álvaro chega, fica parado na porta do ateliê, sem ser visto por Elisa e
Sérgio. Ele encara, fixamente, o quadro que tem o irmão. Sérgio e Elisa tiram o
quadro da parede, colocam delicadamente no chão, se olham nos olhos.
ELISA
(emocionada)
Pronto... Está feito.
SÉRGIO
(enxuga as
lágrimas de Elisa) O que vais colocar no lugar?
ÁLVARO
Um quadro
de nós, depois que casarmos.
Elisa e Sérgio se assustam ao ouvirem Álvaro, que
entra no ateliê, encara Sérgio.
ÁLVARO
Engraçado...
Toda vez que procuro minha noiva, encontro ela com você. (frio, encarando os
dois) Agora eu quero ouvir a verdade... O que está acontecendo entre vocês?
Corta Para:
Cena 3/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro
Figueroa/Escritório de Gonçalo/Dia.
Gonçalo está em reunião com três homens, Manuela
entra sem bater, encara Gonçalo.
MANUELA
(irritada) Podes
dizer-me por que razão não pude levantar as joias que estão no banco?
GONÇALO
(calmo)
Dona Manuela, se a senhora não percebeu, estou numa reunião.
MANUELA
(tom alto,
irritada) Não interessa! Exijo que responda à pergunta que lhe fiz.
GONÇALO
(aos
homens) Senhores, peço desculpa por isto; esperem na sala ao lado, por favor.
Os homens saem, Gonçalo se levanta.
GONÇALO
Uma senhora
tão educada a prestar-se a fazer escândalo à frente das pessoas desta forma, é
vergonhoso.
MANUELA
(nervosa) Vai
para o diabo, Gonçalo! Diz logo por que fui ao banco e não me entregaram as
minhas joias!
Gonçalo encosta na mesa, cruza os braços.
GONÇALO
As joias
não são suas; pertenciam à mãe do António Sérgio.
MANUELA
Disseste bem... Pertenciam! Quando casei, o meu marido disse-me que, agora, eram minhas!
GONÇALO
(calmo) E
foi um erro dele! As joias pertencem ao António Sérgio. A mãe dele deixou-as
como parte da herança.
MANUELA
(inconformada)
O quê? Mas com a morte do meu marido, elas são minhas por direito.
Gonçalo dá a volta na mesa, se senta, encara
Manuela.
GONÇALO
(sorri) Não,
as joias pertencem ao António Sérgio e, respondendo à sua pergunta: não
conseguiu levantar as joias do banco por ordem dele.
MANUELA
(raiva,
firme) Ele não pode fazer-me isto! O que é? Vingança?
GONÇALO
Não sei,
mas depois de tudo o que aconteceu, se for vingança, acho muito pouco. Agora,
por favor, preciso de terminar a minha reunião.
MANUELA
(bate na
mesa, o encara) Não ouse falar-me assim, só porque é amigo do António Sérgio...
Você não sabe do que sou capaz quando quero alguma coisa.
Manuela vai saindo, encara Gonçalo.
MANUELA
Nem você,
nem o António Sérgio... Diga-lhe que a nossa história não acabou.
Manuela sai, bate a porta. Gonçalo fica pensativo.
Corta Para:
Cena 4/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro
Diniz/Ateliê/Dia.
Álvaro está encarando de forma fria e calma, Sérgio
e Elisa.
ELISA
Álvaro, não
gostei do seu tom e nem da sua pergunta, mas faço questão de responder... Entre
Sérgio e eu não há nada além de amizade.
ÁLVARO
(sorri
debochado) Amizade?... Então, vocês devem ser super amigos, porque você passa
seu tempo mais com ele do que comigo.
SÉRGIO
Senhor
Álvaro, não posso permitir que duvide da Elisa.
ÁLVARO
Não duvido
da minha noiva, mas eu já saquei qual é a sua, faz muito tempo... Você não
entrou nessa casa por acaso; está aqui por causa de Elisa.
SÉRGIO
(sorri um
pouco) Não vou ficar aqui a ouvir as suas suposições. (a Elisa) Depois falamos.
ELISA
Claro, e
desculpe por isso.
Sérgio vai saindo, Álvaro o segura. Sérgio não
gosta, encara Álvaro, com raiva.
ÁLVARO
(firme) Se
você não ficar longe de Elisa, vou ter que falar com Roberto.
ELISA
(inconformada)
Álvaro, para com isso!
Sérgio se solta de Álvaro.
SÉRGIO
(encarando
Álvaro) Peço-lhe que não me toque, novamente, ou poderá arrepender-se.
Sérgio sai.
ELISA
(nervosa) É
impressionante, Álvaro! Você consegue estragar tudo! Você não sabe o que estava
acontecendo aqui.
ÁLVARO
Então
explica, Elisa.
ELISA
Eu pedi
para o Sérgio me ajudar a tirar o quadro de Bruno daqui. Arrumei o ateliê,
porque quero recomeçar a fazer as coisas que fazia antes.
ÁLVARO
(carinhoso)
Isso é muito bom, meu amor, fico feliz em saber. Mas não precisava pedir a
ajuda do motorista.
ELISA
(firme)
Precisava sim, Álvaro, e sabe por quê? Porque Sérgio e eu temos muita coisa em
comum... diferente de nós.
Elisa sai, Álvaro fica com raiva, encara o quadro de
Bruno.
ÁLVARO
(raiva) Não
adianta, Bruno... Meu casamento com Elisa vai acontecer. Até lá, eu vou tirar o
motorista do meu caminho e fazer com que Elisa o odeie. (sorri maldoso, olhar
frio e fixo no quadro).
Corta Para:
Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Sérgio desce as escadas, está irritado. Maya se
aproxima.
MAYA
Sérgio, que
bom que te encontrei aqui. Hoje, à noite, eu vou precisar que me leve até um
evento e, depois, vá me buscar.
SÉRGIO
Certo. Diga-me
apenas o horário. Com licença, preciso de apanhar ar.
Álvaro vem descendo as escadas.
MAYA
(para
Sérgio) Está tudo bem?
Sérgio encara Álvaro.
SÉRGIO
Não... Mas
vai ficar. Com licença.
Sérgio sai. Maya sorri, curiosa, olhando Álvaro.
MAYA
O que
aconteceu?
ÁLVARO
(sério) Foi
como você falou, Maya... Elisa e esse infeliz estavam juntos no ateliê e o
clima me deixou desconfortável.
MAYA
Eu te disse
mil vezes... Elisa e Sérgio estão cada vez mais próximos.
ÁLVARO
Não por
muito tempo... Vamos acabar com isso.
MAYA
(sorri
maldosa) Sabe que outro dia eu ouvi o Sérgio falando de uma tal Manuela...
Sinto que se descobrirmos quem ela é, pode ser útil.
ÁLVARO
Então, faça
isso... (frio, firme) Descubra quem é essa mulher, o número que Sérgio calça, o
que gosta de comer, o que ele faz quando não está trabalhando... Tudo,
absolutamente tudo sobre esse português intrometido. Ninguém é perfeito, algum
podre esse cara deve ter e nós vamos descobrir e acabar de uma vez com o
favoritismo dele.
Maya e Álvaro se encaram, cúmplices.
Corta Para:
Cena 6/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de
Roberto/Dia.
Roberto está sentado em sua mesa, Lívia entra.
Roberto se levanta.
ROBERTO
Que bom que
você chegou, Lívia, e obrigado por ter vindo.
LÍVIA
(sem jeito)
Magina... Mas confesso que estou curiosa para saber o que o senhor quer falar
comigo, aqui, que não poderia ser dito em casa.
Roberto faz um gesto para Lívia se sentar, e ela
assim o faz. Roberto se senta de frente para ela.
ROBERTO
Eu não
queria que Beny nos visse conversando. Eu sei que você e meu filho são amigos e
que, quando precisa, você não se intimida em puxar a orelha dele.
LÍVIA
Roberto... Beny e eu já fomos muito amigos, mas nos afastamos.
ROBERTO
Mas eu
confio em você para fazer uma coisa que será preciso... Beny vai começar a
trabalhar, amanhã, numa padaria, como ajudante.
LIVIA
(não
consegue segurar o riso) Como é que é?
ROBERTO
É... Eu
decidi que ele vai trabalhar, para ele ver que as coisas não são fáceis como
ele pensa que são.
LÍVIA
Olha... essa,
realmente, me surpreendeu.
ROBERTO
Imagino...
Lívia, eu quero te contratar para ficar de olho em Beny. Quero que você vá com
ele até o trabalho, não deixe ele fazer besteira. Fiscalize o trabalho, mas sem
ajudar. Quero que você não o deixe manipular as coisas, como ele sempre faz.
LÍVIA
(surpresa,
um pouco inconformada) O senhor está me contratando para ser babá de um
marmanjo? Desculpa, mas... não posso aceitar.
ROBERTO
(sorri) Tá
vendo? É isso que gosto em você, Lívia. Mas, por favor... Aceita! Não é ser
babá; você vai fiscalizar o trabalho dele e me contar todos os dias como ele
está se saindo, só isso. E, em troca, eu, além de pagar a sua faculdade, te
garanto que terá uma vaga de emprego aqui.
LÍVIA
(surpresa,
gostando) Mesmo? (sorri) se eu bancar a babá do Beny, o senhor paga a minha
faculdade e me contrata?
ROBERTO
(sorri) Sim,
Lívia... O que me diz, temos um acordo?
LÍVIA
(feliz)
Temos, claro que temos! Obrigada, seu Roberto!
ROBERTO
Eu que
agradeço, Lívia! Errei por dar tudo nas mãos de Beny e, agora, tenho que consertar,
antes que seja tarde demais!
Corta Para:
Cena 7/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Noite.
Maya sai de dentro da mansão, Sérgio se aproxima.
MAYA
(sorri) Já
estou pronta para irmos ao evento.
SÉRGIO
Vou buscar
o carro.
MAYA
(olhando
Sérgio nos olhos) Não precisa ter pressa, Sérgio.
Maya se aproxima de Sérgio, acaricia o rosto dele.
MAYA
Por que
você não tira esse uniforme e vem comigo? Espero você se arrumar.
SÉRGIO
(incomodado)
Agradeço o convite. Mas, ainda, não terminei o meu horário de trabalho.
MAYA
Você não se diverte, nunca?
SÉRGIO
Sim, mas
nos dias de folga.
MAYA
(sedutora)
Eu posso fazer você se divertir em qualquer dia... É só deixar a porta do seu
quarto aberta.
Elisa se aproxima por trás de Sérgio, ele não a vê. Maya vê Elisa, beija Sérgio. Elisa fica sem reação, triste.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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