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Desígnios: Capítulo 08

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 08

 

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Letreiro: Alguns dias depois...

Benício acaba de chegar do hospital, Clara o está abraçando.

CLARA

Que bom ter você de volta em casa, meu filho.

BENÍCIO

Eu que o diga mamãe; não via a hora de sair daquele hospital.

Benício se senta no sofá, Roberto entra, Elisa desce as escadas, fica feliz ao ver Benício, se senta ao lado dele no sofá, o abraça.

ELISA

Que susto você deu na gente, Beny. Que bom que o pior já passou.

BENÍCIO

(sorri) Estou ótimo, Elisa! E pronto para outra.

ROBERTO

Mas eu não estou pronto... E você já sabe que as coisas vão mudar.

BENÍCIO

De novo essa história, papai?

ROBERTO

Não é história... É como as coisas vão ser. Hoje você vai ter o dia para se organizar e, amanhã, o Sérgio vai te levar até a padaria em que você vai trabalhar.

BENÍCIO

(irritado) Eu não vou! Mas que droga! Eu sofro um acidente e, ainda, sou punido?

ROBERTO

Coitadinho do Benyzinho, nem parece que foi ele quem encheu a cara, pegou o carro da amiga e resolveu correr feito um louco... Deu no que deu.

CLARA

Vida... Eu não quero que Beny vá trabalhar em padaria nenhuma.

ROBERTO

Lamento, meu amor, mas quem sempre limpa a barra do playboy aí sou eu e, desta vez, não vou deixar passar e ele não vai morrer por trabalhar, está decidido!

Roberto sobe as escadas.

ELISA

Beny, acho melhor você mostrar para o papai que é capaz de se comportar, fica na tal padaria alguns dias e depois sai.

BENÍCIO

(nervoso) Tudo bem... Eu vou! (maldoso) Mas vou ser despedido no primeiro dia.

Benício se levanta, Clara o ajuda.

CLARA

Meu filho, assim fica difícil te defender. Já está falando em aprontar, de novo.

BENÍCIO

Deixa comigo mamãe, eu resolvo tudo. Dante está em casa?

CLARA

No quarto dele.

BENÍCIO

Vou lá falar com ele.

CLARA

Eu te ajudo.

Benício e Clara sobem as escadas, Sérgio entra.

SÉRGIO

(sorri) Bom dia, Elisa.

Elisa se levanta, se aproxima de Sérgio.

ELISA

Bom dia. Que bom que você está aqui, eu quero te mostrar uma coisa. Vamos até o ateliê.

SÉRGIO

Tens a certeza de que posso subir? A tua tia está em casa.

ELISA

E daí?

SÉRGIO

Não te quero arranjar problemas.

ELISA

Para com isso, Sérgio; e eu já falei... minha tia vive de mal com o mundo.

SÉRGIO

(sorri) Então, vamos lá.

Elisa e Sérgio sobem as escadas, Maya que estava escondida, ouvindo a conversa, entra na sala, cruza os braços, pensativa, sorri maldosa, pega o celular, faz uma ligação.

MAYA

Álvaro, como vai? Você está no grupo? (ouve, sorri um pouco) Que bom que está vindo pra cá. Elisa e Sérgio acabaram de subir para o ateliê. E foi ela quem convidou o Sérgio; disse que queria mostrar uma coisa para ele. (ouve) Perfeito, não demora!

Maya desliga o celular.

MAYA

(satisfeita) Quero ver você sair dessa, Elisa.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

Sérgio e Elisa entram, o ateliê está arrumado, Elisa está feliz. Sérgio admira o lugar.

SÉRGIO

Elisa, deste uma vida nova ao ateliê; está realmente muito bonito. Muitos parabéns!

ELISA

(sorri) Obrigada! Eu não teria feito nada disso sem sua ajuda... Seus bilhetes me ajudaram, e muito.

SÉRGIO

(sorri) Fico muito contente por saber isso. Até me ocorre uma frase que cai que nem uma luva para o momento... É de Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

ELISA

(sorri) Gostei... Realmente, as coisas mudam e, às vezes, até, inesperadamente... (a expressão muda) Por isso te chamei aqui, também... Eu quero fazer uma coisa, mas... sozinha, não tenho coragem.

SÉRGIO

O quê?

ELISA

Eu não vou conseguir seguir em frente, se ficar olhando para trás... Por isso eu quero tirar o quadro de Bruno daqui.

SÉRGIO

Tens a certeza, Elisa? Não te vais arrepender?

ELISA

(sorri um pouco) Não... Por que eu tenho certeza que Bruno não iria gostar de me ver infeliz, triste pelos cantos, por causa dele.

SÉRGIO

(sorri) Se é assim... Eu ajudo-te a tirar o quadro.

Elisa e Sérgio se aproximam do quadro pendurado na parede, Álvaro chega, fica parado na porta do ateliê, sem ser visto por Elisa e Sérgio. Ele encara, fixamente, o quadro que tem o irmão. Sérgio e Elisa tiram o quadro da parede, colocam delicadamente no chão, se olham nos olhos.

ELISA

(emocionada) Pronto... Está feito.

SÉRGIO

(enxuga as lágrimas de Elisa) O que vais colocar no lugar?

ÁLVARO

Um quadro de nós, depois que casarmos.

Elisa e Sérgio se assustam ao ouvirem Álvaro, que entra no ateliê, encara Sérgio.

ÁLVARO

Engraçado... Toda vez que procuro minha noiva, encontro ela com você. (frio, encarando os dois) Agora eu quero ouvir a verdade... O que está acontecendo entre vocês?

Corta Para:

Cena 3/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro Figueroa/Escritório de Gonçalo/Dia.

Gonçalo está em reunião com três homens, Manuela entra sem bater, encara Gonçalo.

MANUELA

(irritada) Podes dizer-me por que razão não pude levantar as joias que estão no banco?

GONÇALO

(calmo) Dona Manuela, se a senhora não percebeu, estou numa reunião.

MANUELA

(tom alto, irritada) Não interessa! Exijo que responda à pergunta que lhe fiz.

GONÇALO

(aos homens) Senhores, peço desculpa por isto; esperem na sala ao lado, por favor.

Os homens saem, Gonçalo se levanta.

GONÇALO

Uma senhora tão educada a prestar-se a fazer escândalo à frente das pessoas desta forma, é vergonhoso.

MANUELA

(nervosa) Vai para o diabo, Gonçalo! Diz logo por que fui ao banco e não me entregaram as minhas joias!

Gonçalo encosta na mesa, cruza os braços.

GONÇALO

As joias não são suas; pertenciam à mãe do António Sérgio.

MANUELA

Disseste bem... Pertenciam! Quando casei, o meu marido disse-me que, agora, eram minhas!

GONÇALO

(calmo) E foi um erro dele! As joias pertencem ao António Sérgio. A mãe dele deixou-as como parte da herança.

MANUELA

(inconformada) O quê? Mas com a morte do meu marido, elas são minhas por direito.

Gonçalo dá a volta na mesa, se senta, encara Manuela.

GONÇALO

(sorri) Não, as joias pertencem ao António Sérgio e, respondendo à sua pergunta: não conseguiu levantar as joias do banco por ordem dele.

MANUELA

(raiva, firme) Ele não pode fazer-me isto! O que é? Vingança?

GONÇALO

Não sei, mas depois de tudo o que aconteceu, se for vingança, acho muito pouco. Agora, por favor, preciso de terminar a minha reunião.

MANUELA

(bate na mesa, o encara) Não ouse falar-me assim, só porque é amigo do António Sérgio... Você não sabe do que sou capaz quando quero alguma coisa.

Manuela vai saindo, encara Gonçalo.

MANUELA

Nem você, nem o António Sérgio... Diga-lhe que a nossa história não acabou.

Manuela sai, bate a porta. Gonçalo fica pensativo.

Corta Para:

Cena 4/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

Álvaro está encarando de forma fria e calma, Sérgio e Elisa.

ELISA

Álvaro, não gostei do seu tom e nem da sua pergunta, mas faço questão de responder... Entre Sérgio e eu não há nada além de amizade.

ÁLVARO

(sorri debochado) Amizade?... Então, vocês devem ser super amigos, porque você passa seu tempo mais com ele do que comigo.

SÉRGIO

Senhor Álvaro, não posso permitir que duvide da Elisa.

ÁLVARO

Não duvido da minha noiva, mas eu já saquei qual é a sua, faz muito tempo... Você não entrou nessa casa por acaso; está aqui por causa de Elisa.

SÉRGIO

(sorri um pouco) Não vou ficar aqui a ouvir as suas suposições. (a Elisa) Depois falamos.

ELISA

Claro, e desculpe por isso.

Sérgio vai saindo, Álvaro o segura. Sérgio não gosta, encara Álvaro, com raiva.

ÁLVARO

(firme) Se você não ficar longe de Elisa, vou ter que falar com Roberto.

ELISA

(inconformada) Álvaro, para com isso!

Sérgio se solta de Álvaro. 

SÉRGIO

(encarando Álvaro) Peço-lhe que não me toque, novamente, ou poderá arrepender-se.

Sérgio sai.

ELISA

(nervosa) É impressionante, Álvaro! Você consegue estragar tudo! Você não sabe o que estava acontecendo aqui.

ÁLVARO

Então explica, Elisa.

ELISA

Eu pedi para o Sérgio me ajudar a tirar o quadro de Bruno daqui. Arrumei o ateliê, porque quero recomeçar a fazer as coisas que fazia antes.

ÁLVARO

(carinhoso) Isso é muito bom, meu amor, fico feliz em saber. Mas não precisava pedir a ajuda do motorista.

ELISA

(firme) Precisava sim, Álvaro, e sabe por quê? Porque Sérgio e eu temos muita coisa em comum... diferente de nós.

Elisa sai, Álvaro fica com raiva, encara o quadro de Bruno.

ÁLVARO

(raiva) Não adianta, Bruno... Meu casamento com Elisa vai acontecer. Até lá, eu vou tirar o motorista do meu caminho e fazer com que Elisa o odeie. (sorri maldoso, olhar frio e fixo no quadro).

Corta Para:

Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Sérgio desce as escadas, está irritado. Maya se aproxima.

MAYA

Sérgio, que bom que te encontrei aqui. Hoje, à noite, eu vou precisar que me leve até um evento e, depois, vá me buscar.

SÉRGIO

Certo. Diga-me apenas o horário. Com licença, preciso de apanhar ar.

Álvaro vem descendo as escadas.

MAYA

(para Sérgio) Está tudo bem?

Sérgio encara Álvaro.

SÉRGIO

Não... Mas vai ficar. Com licença.

Sérgio sai. Maya sorri, curiosa, olhando Álvaro.

MAYA

O que aconteceu?

ÁLVARO

(sério) Foi como você falou, Maya... Elisa e esse infeliz estavam juntos no ateliê e o clima me deixou desconfortável.

MAYA

Eu te disse mil vezes... Elisa e Sérgio estão cada vez mais próximos.

ÁLVARO

Não por muito tempo... Vamos acabar com isso.

MAYA

(sorri maldosa) Sabe que outro dia eu ouvi o Sérgio falando de uma tal Manuela... Sinto que se descobrirmos quem ela é, pode ser útil.

ÁLVARO

Então, faça isso... (frio, firme) Descubra quem é essa mulher, o número que Sérgio calça, o que gosta de comer, o que ele faz quando não está trabalhando... Tudo, absolutamente tudo sobre esse português intrometido. Ninguém é perfeito, algum podre esse cara deve ter e nós vamos descobrir e acabar de uma vez com o favoritismo dele.

Maya e Álvaro se encaram, cúmplices.

Corta Para:

Cena 6/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Roberto/Dia.

Roberto está sentado em sua mesa, Lívia entra. Roberto se levanta.

ROBERTO

Que bom que você chegou, Lívia, e obrigado por ter vindo.

LÍVIA

(sem jeito) Magina... Mas confesso que estou curiosa para saber o que o senhor quer falar comigo, aqui, que não poderia ser dito em casa.

Roberto faz um gesto para Lívia se sentar, e ela assim o faz. Roberto se senta de frente para ela.

ROBERTO

Eu não queria que Beny nos visse conversando. Eu sei que você e meu filho são amigos e que, quando precisa, você não se intimida em puxar a orelha dele.

LÍVIA

Roberto... Beny e eu já fomos muito amigos, mas nos afastamos.

ROBERTO

Mas eu confio em você para fazer uma coisa que será preciso... Beny vai começar a trabalhar, amanhã, numa padaria, como ajudante.

LIVIA

(não consegue segurar o riso) Como é que é?

ROBERTO

É... Eu decidi que ele vai trabalhar, para ele ver que as coisas não são fáceis como ele pensa que são.

LÍVIA

Olha... essa, realmente, me surpreendeu.

ROBERTO

Imagino... Lívia, eu quero te contratar para ficar de olho em Beny. Quero que você vá com ele até o trabalho, não deixe ele fazer besteira. Fiscalize o trabalho, mas sem ajudar. Quero que você não o deixe manipular as coisas, como ele sempre faz.

LÍVIA

(surpresa, um pouco inconformada) O senhor está me contratando para ser babá de um marmanjo? Desculpa, mas... não posso aceitar.

ROBERTO

(sorri) Tá vendo? É isso que gosto em você, Lívia. Mas, por favor... Aceita! Não é ser babá; você vai fiscalizar o trabalho dele e me contar todos os dias como ele está se saindo, só isso. E, em troca, eu, além de pagar a sua faculdade, te garanto que terá uma vaga de emprego aqui.

LÍVIA

(surpresa, gostando) Mesmo? (sorri) se eu bancar a babá do Beny, o senhor paga a minha faculdade e me contrata?

ROBERTO

(sorri) Sim, Lívia... O que me diz, temos um acordo?

LÍVIA

(feliz) Temos, claro que temos! Obrigada, seu Roberto!

ROBERTO

Eu que agradeço, Lívia! Errei por dar tudo nas mãos de Beny e, agora, tenho que consertar, antes que seja tarde demais!

Corta Para:

Cena 7/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Noite.

Maya sai de dentro da mansão, Sérgio se aproxima.

MAYA

(sorri) Já estou pronta para irmos ao evento.

SÉRGIO

Vou buscar o carro.

MAYA

(olhando Sérgio nos olhos) Não precisa ter pressa, Sérgio.

Maya se aproxima de Sérgio, acaricia o rosto dele.

MAYA

Por que você não tira esse uniforme e vem comigo? Espero você se arrumar.

SÉRGIO

(incomodado) Agradeço o convite. Mas, ainda, não terminei o meu horário de trabalho.

MAYA

Você não se diverte, nunca?

SÉRGIO

Sim, mas nos dias de folga.

MAYA

(sedutora) Eu posso fazer você se divertir em qualquer dia... É só deixar a porta do seu quarto aberta.

Elisa se aproxima por trás de Sérgio, ele não a vê. Maya vê Elisa, beija Sérgio. Elisa fica sem reação, triste.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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