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Passos da Paixão - Capítulo 31

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 31

 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

JÚLIO: - Como é?!

LAERTE: - A Melissa é sua filha. Sua com a Rosana.

JÚLIO: - Não pode ser!

LAERTE: - É a verdade. Mas a sua amada Sílvia escondeu esse segredo por mais de vinte anos!

JÚLIO: - É sério, Sílvia?

SÍLVIA: - Eu posso explicar, Júlio.

LAERTE: - Vamos ao acerto de contas!

JÚLIO: - Então fala! Eu quero saber tudo! Por que você nunca me falou isso, Sílvia?! 

Júlio encara Sílvia.




 

 

 


 

CENA 01. CASA SÍLVIA. INT. NOITE. 

Continuação do capítulo anterior. Júlio cobra explicações de Sílvia.

JÚLIO: - Eu sempre falei desse filho, sempre quis saber... E você nunca me disse nada, Sílvia?! Por quê?!

SÍLVIA: - Eu simplesmente não podia! Eu estava presa nas armações da Rosana!

LAERTE: - Se a Sílvia contasse qualquer coisa, a Rosana cortava a nossa mesada.

SÍLVIA: - E eu poderia perder a minha filha pra sempre.

JÚLIO: - Minha filha!

SÍLVIA: - É minha também, Júlio! Eu fui à mãe dela durante todos esses anos!... A Rosana nunca quis saber dessa criança e você sabe muito bem.

JÚLIO: - O bendito acidente... Foi neste dia que ela me falou que estava grávida e que iria abortar.

SÍLVIA: - Eu a convenci a não abortar a criança e me prontifiquei a cuidar dela... Mas em troca, a Rosana exigiu que eu fizesse todos os desenhos que ela quisesse, para mostrar para GF... Foi assim que tudo começou.

LAERTE: - E foi assim que você, Sílvia, enganou a mim, ao Júlio e a Melissa...

SÍLVIA: - Eu não enganei ninguém! Eu fiz isso para proteger vocês! Será que não entendem? A Rosana seria capaz de tudo para não ser descoberta.

JÚLIO: - A Melissa... Minha filha! E onde ela está?

SÍLVIA: - A Rosana veio aqui em casa, despejou toda verdade pra garota. A gente discutiu e ela saiu, sem rumo! Eu já estou até preocupada, porque já é de noite e ela ainda não chegou!

JÚLIO: - Não tem uma amiga, alguém que ela possa ter entrado em contato?

LAERTE: - Ela passou por mim muito abalada... Eu logo deduzi o que foi. E quando ela me disse que sabia da verdade... Confesso que por um lado, eu fiquei aliviado. Finalmente essa farsa acabou!

SÍLVIA: - Você nunca suportou ter que criar a filha do Júlio, Laerte. Eu sei...

LAERTE: - Eu fiz isso por você, Sílvia. Eu amava você e estava disposto a construir uma família com você e com a Melissa... Mas você não quis outros filhos. Só queria saber da garota, tudo era para ela. Até o seu amor.

SÍLVIA: - Eu cuidei da Melissa como se fosse minha filha de sangue. E a cada dia que passava, eu pensava em como seria para você, Júlio, saber que a sua filha estava bem, aqui fora, comigo...

JÚLIO: - Você fez isso tudo por mim, Sílvia?

SÍLVIA: - Eu sempre amei você, Júlio. Estar com a Melissa do meu lado era como estar com você por perto, sempre.

LAERTE: - E de certa forma ele estava sempre por perto, atrapalhando a nossa felicidade.

SÍLVIA: - A Melissa nunca atrapalhou a nossa felicidade!

LAERTE: - Mas o Júlio sim!... Sempre tinha a sombra dele, em tudo! Tudo! Nada era suficiente pra você! Tudo o que eu fazia por você não chegaria aos pés do que o Júlio fizesse... Só fato dele existir, já reduzia as minhas chances com você. Você é uma ingrata, Sílvia!

JÚLIO: - Não fala assim com ela, Laerte!

LAERTE: - Ingrata sim!... Mas não tem problema. Você ainda vai perceber que a sua escolha não foi a certa. Você vai ver, Sílvia. Você e o Júlio não vão ficar juntos.

SÍLVIA: - Você está nos ameaçando, Laerte?

Laerte encara Sílvia e Júlio e vai embora, enfurecido. Júlio pensa em ir atrás dele, mas Sílvia o detém.

SÍLVIA: - Deixa Júlio... Deixa.

JÚLIO: - Ele não pode falar assim com você, Silvinha.

SÍLVIA: - Ele está magoado porque sabe que ele não é o homem que eu amo. Eu nunca escondi isso de ninguém. É você o homem da minha vida, Júlio.

JÚLIO: - Só você mesmo seria capaz de uma bondade tão grande em nome do amor, Sílvia. Cuidar da minha filha com tanto carinho, tanto amor!

SÍLVIA: - Era o mínimo que eu poderia fazer...

JÚLIO: - Você é uma mulher tão especial. É você a mulher da minha vida!

Os dois se beijam, apaixonados. De repente, o telefone de Sílvia toca. Ela se afasta.

SÍLVIA: - Deve ser a Melissa!

Sílvia atende ao telefone.

SÍLVIA (ao telefone): - Alô? Filha? (pausa) Mauro? (pausa) Sim... Aí na sua casa? (pausa) Claro, estou indo com o Júlio, tudo bem? (pausa) Está certo. (desliga)

JÚLIO: - O que foi?

SÍLVIA: - O Mauro quer falar comigo. Parece ser coisa séria.

JÚLIO: - Será que é por causa da proposta?

SÍLVIA: - Não. Pareceu ser algo grave mesmo.

JÚLIO: - Bom, então vamos!

CENA 02. CASA GILSON E SELMA. INT. NOITE.

Selma pressiona Rosana.

SELMA: - Responda, Rosana! O que as minhas joias estavam fazendo nas suas coisas?

ANDRÉ: - Está na cara que ela estava te roubando, mãe!

ROSANA (vira-se para André): - Mas você é muito fofoqueiro, garoto! (vira-se para Selma) Selma, nós somos amigas! Você acha que eu seria capaz de roubar suas coisas?

GILSON: - Você roubava a empresa do próprio marido. Não respeita ninguém!

SELMA: - E eu ainda te acolhi na minha casa, te dei comida, uma cama boa para dormir.

ROSANA: - Selma, eu posso explicar tudo!

SELMA: - Eu não quero ouvir a sua voz de sem vergonha aqui dentro! Estava indo embora, não estava? Então suma! Vai embora daqui, Rosana!

ROSANA: - É assim que você trata uma amiga de anos?

SELMA: - Não... Uma amiga de anos merece coisa melhor...

Selma dá um tapa no rosto de Rosana.

SELMA: - Pronto. Agora sim, tratamento mais do que merecido. Vá embora daqui, sua ladra! Vai!

Rosana pega sua bolsa e a mala e sai da casa. Selma senta-se no sofá.

GILSON: - Não fique triste, querida. Ela teve o que mereceu.

SELMA: - Ela só quis me usar...

ANDRÉ (senta-se ao lado de Selma): - Mas ela não conseguiu, mãe. Você foi mais esperta!...

SELMA: - Você acha filho?

ANDRÉ: - Claro! A gente pode até dar uma festa para comemorar!

SELMA (empolga-se): - Adorei a ideia!

GILSON: - Ih, não bota pilha, André!

SELMA: - Uma festa de arromba! Que tudo!

André ri do deslumbre de Selma.

CENA 03. MANSÃO LINHARES. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Fernando, Geórgia e Orestes estão reunidos para falar sobre o lançamento da Áurea.

FERNANDO: - Lamento ter interrompido seus dias de folga, Geórgia. Mas o lançamento da nova coleção está chegando e a gente precisa agilizar tudo o que está atrasado.

GEÓRGIA: - Eu entendo, Fernando. Eu já evitei sair em viagem para estar disponível.

ORESTES: - E o Renato, como está?

GEÓRGIA: - Está bem. Ficou de me buscar após o jantar.

ORESTES: - E o Tarso, não vem?

FERNANDO: - Ele já tinha avisado que não viria. Mas achei estranho. Sandra ligou há pouco tempo, perguntando de uma reunião de negócios da empresa... Talvez ela tenha se confundido.

GEÓRGIA: - Mas se perguntou da reunião, talvez ele esteja vindo pra cá.

ORESTES: - Se vier, que bom!...

FERNANDO: - Eu liguei para a Estér, mas ela resolveu não comparecer pra não encontrar a mamãe... Mas ela enviou por e-mail o material dela.

GEÓRGIA: - Ótimo!

FERNANDO: - Todas as peças que serão expostas, e as demais que as modelos da Classic Models usarão no desfile.

GEÓRGIA: - Tereza Sampaio, da CarioLinda, confirmou a parceria conosco. Vai fazer alguns figurinos para o desfile.

ORESTES: - Só o lugar que teremos mudança, não é?

GEÓRGIA: - Sim. Com o evento passando para o horário da noite, vamos fazer no próprio centro de eventos da empresa. A gente pode dar um “up” no salão, já que faz um bom tempo que ele não é utilizado.

FERNANDO: - Ótima ideia, Geórgia. Eu também vinha pensando nisso... Seria uma boa a Áurea Calçados sediar seu evento em suas dependências.

Os três seguem reunidos, conversando.

CENA 04. LAPA. BARZINHO. INT. NOITE.

As ruas da Lapa estão movimentadas. Os bares com pessoas curtindo a noite. Num dos estabelecimentos, Renato e Ivan conversam, sentados à mesa.

IVAN: - Como está sendo a vida de casado?

RENATO: - Tudo numa boa. Nada muito diferente de antes, até porque eu e a Geórgia já morávamos juntos, então...

IVAN: - Ela está feliz, não é?

RENATO: - Muito!

IVAN: - E você?

RENATO: - Eu? Eu também... Por que está perguntando?

IVAN: - Sei lá... Eu estive pensando muito nisso, na gente...

RENATO: - E no que você pensou?

IVAN: - Que talvez fosse melhor se a gente não ficasse mais junto.

RENATO: - Como assim? Você quer terminar, é isso?

IVAN: - É complicado, Renato... A gente não pode ficar se escondendo pra sempre. Eu estou apaixonado por você, sabia? Mas aí tem a Geórgia, que virou uma amiga muito querida e eu também não quero decepcioná-la.

RENATO: - Ivan, presta atenção... Eu também não quero decepcionar a Geórgia. Eu sei que é complicado levar essa situação, mas o que a gente pode fazer? Se afastar, só vai doer pra gente.

IVAN: - Então vamos fazer o quê, Renato?

RENATO: - Vamos viver esse momento... Tem um cliente lá do escritório que é dono de uma pousada, em Búzios. Que tal a gente passar um tempo lá?

IVAN: - Tá falando sério?

RENATO: - Estou. Eu e você. Vamos?

IVAN: - Ivan você é louco? E se a Geórgia descobre e (pausa)

RENATO: - A Geórgia não vai descobrir... Só se você contar. Eu invento uma viagem de negócios, coisa assim. Vamos, pra gente ter um momento só nós dois.

IVAN (sorrindo): - Você não existe...

Os dois brindam com seus chopes, trocando olhares.

CENA 05. CASA MAURO. INT. NOITE.

Mauro, Leocádia, Sílvia e Júlio na sala. Mauro mostra os relatórios da GF para Sílvia e Júlio.

MAURO: - E esse número de conta bancária que está aí é da Rosana. Ela desviou dinheiro do Fundo pró-Moda para a conta dela. Por sorte, eu consegui congelar as movimentações bancárias e ela não tem como mexer no dinheiro.

LEOCÁDIA: - Essa mulher é uma oportunista!

SÍLVIA: - Ela é capaz de tudo para se dar bem, impressionante.

JÚLIO: - Mas afinal, Mauro, por que você nos chamou até aqui?

MAURO: - Eu chamei vocês aqui para dizer que, com isso, eu vou denunciar a Rosana para a polícia. E eu quero, Sílvia, que você seja minha testemunha. Você, querendo ou não, foi lesada por ela também, com essa farsa dos croquis.

SÍLVIA: - Mas eu não posso, Mauro. Eu fui conivente com tudo isso... eu também posso ser punida.

JÚLIO: - A Silvinha tem razão. É arriscado.

LEOCÁDIA: - Mas a desgraçada da Rosana não pode ficar impune.

SÍLVIA: - Além do mais, a minha ligação com a Rosana vai além dos croquis.

MAURO: - Como assim?

SÍLVIA: - Eu não deveria ter escondido isso de você, Mauro, nem de ninguém. Mas eu só quero que você entenda que eu fiz isso para proteger o futuro da Melissa.

MAURO: - Fala logo, Sílvia. O que foi?

SÍLVIA: - Lembra quando a Rosana estava grávida?

MAURO: - Sim, eu lembro... A minha filha que ela perdeu no parto.

SÍLVIA: - Era mentira.

Mauro se surpreende.

LEOCÁDIA: - Como assim, mentira?!

MAURO: - Explica isso direito, Sílvia!

SÍLVIA: - A Rosana estava grávida, mas o filho não era seu. Era do Júlio.

LEOCÁDIA: - Desse aí?!

JÚLIO: - Eu e a Rosana nos envolvemos algumas vezes...

LEOCÁDIA: - Ela queria dar o golpe da barriga!

SÍLVIA: - Ela não queria ser mãe. Não queria ter um filho do Júlio. A gravidez iria atrapalhar ela na GF... Foi então que ela decidiu por abortar a criança.

MAURO: - Monstra...

SÍLVIA: - Fui eu que a convenci a não cometer essa loucura. Eu sabia que o filho era do Júlio e, como ele não poderia ficar com a criança, eu decidi por criar o bebê.

MAURO: - Mas, e a morte?

SÍLVIA: - A Rosana aceitou em entregar a criança pra mim, já que ela abominava a ideia de ser mãe... Mas ela usou a gravidez para te conquistar, Mauro. Para se aproximar ainda mais de você... Ela aceitou me entregar à criança em troca de eu fazer todos os desenhos para ela...

MAURO: - Então a história é muito mais grave do que eu pensava... Meu Deus, a Rosana é um monstro!

SÍLVIA: - Ela armou o plano da morte da criança. No dia do nascimento da Melissa, eu e o Laerte estávamos do lado de fora, nos fundos do hospital, esperando pelo bebê. Se não fosse pela nossa atitude, a Rosana iria matar a criança mesmo assim.

LEOCÁDIA: - Eu não posso nem pensar... Me ferve o sangue! E você, Sílvia, ajudou ela nessa história! É cúmplice nessa armação!

SÍLVIA: - Eu sei, mas eu nunca concordei com isso, nunca!... eu fiz o que fiz para proteger a criança que não tem culpa de nada! Ela não poderia pagar pelos erros da mãe!

JÚLIO: - Eu também fui enganado, pois fiquei esses anos todos sem saber que a minha filha estava viva...

MAURO: - A polícia precisa saber disso!

SÍLVIA: - Eu sei, Mauro. Mas eu não posso ajudar... Não dessa forma como você quer.

MAURO: - Eu nem sei o que dizer para você, Sílvia... Cada vez uma surpresa diferente chega da sua boca para mim. Um segredo, uma revelação.

SÍLVIA: - Eu fiz o que fiz por amor, Mauro. Só por isso...

Sílvia pega a mão de Júlio e os dois saem.

LEOCÁDIA: - Nós precisamos fazer alguma coisa, Mauro! Você vai levar essa história adiante?

MAURO: - Eu não sei, mamãe... Não posso prejudicar a Sílvia também por isso.

LEOCÁDIA: - Ela foi cúmplice!

MAURO: - Mas não teve a intenção de ferir ninguém!... Eu vou pensar mais pouco antes de tomar a decisão.

Mauro se retira.

LEOCÁDIA: - A Rosana não pode ficar impune. Não pode!

CENA 06. BOATE GLAMOURIO. INT. / EXT. NOITE.

Sandra fica em choque ao ver Tarso e Karina aos beijos no camarote da boate.

KARINA: - Hoje eu quero tudo com você! Tudo!

TARSO: - Eu falei pra Sandra que tinha reunião, só volto pra casa mais tarde.

KARINA: - E ela caiu na sua lábia sem vergonha?

TARSO: - Ela sempre cai. E assim eu posso aproveitar esses momentos bons da vida com você.

Os dois se agarram. Lá de baixo, Sandra incrédula, enxuga as lágrimas e sai apressada.

Do lado de fora, Sandra entra no carro e chora, compulsivamente.

SANDRA: - Karina, minha amiga!... Tarso... Ai, Tarso! Você não tem jeito mesmo... Mas isso foi longe demais!

Sandra liga o carro e vai embora.

CENA 07. HOTEL BARATO. QUARTO. INT. NOITE.

(sobe trilha “Me Segura” – Eduardo Dussek) Rosana se hospeda num hotel barato. Quarto é pequeno, um pouco sujo e mal arrumado.

ROSANA: - Quanta humilhação... Eu, Rosana Gonzales numa espelunca! Se eu tivesse mais dinheiro pra gastar, ficava num hotel bem melhor... Ai Senhor Deus, olha por mim, vai? Eu sou uma pessoa tão dedicada, tão esforçada nos meus ideais!

Rosana se joga na cama, que em pouco tempo, quebra.

ROSANA: - Era melhor se eu tivesse me jogado no chão!

(fade in trilha “Me Segura” – Eduardo Dussek)

CENA 08. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / CASA SÍLVIA. INT. DIA.

Imagens do Rio ao amanhecer. (fade out trilha “Me Segura” – Eduardo Dussek) Corta para casa de Sílvia. Sílvia e Júlio na sala, quando Melissa chega.

SÍLVIA: - Melissa!

Sílvia abraça Melissa, que aos poucos se afasta.

SÍLVIA: - Onde você esteve, minha filha?

MELISSA: - Por aí...

SÍLVIA: - Por aí aonde, meu Deus?!

MELISSA: - Na casa da Janice e do Alceu. Eu pedi para eles não contarem que eu estava lá... Eu só passei aqui para pegar as minhas coisas. Vou ficar lá por um tempo.

SÍLVIA: - Mas, meu amor, aqui é a sua casa!

MELISSA: - Será? Eu já nem sei o que é meu e o que não é...

Melissa vai indo para o quarto, quando encara Júlio e para.

JÚLIO: - Oi filha.

Melissa fica calada.

JÚLIO: - Eu estou tão surpreso quando você nessa história toda. Até ontem, eu não sabia que tinha uma filha. Por sinal, uma filha linda.

Melissa se mantém calada. Sílvia observa os dois.

JÚLIO: - Não vai dar um abraço no seu pai?

MELISSA: - Não sou filha de bandido.

SÍLVIA: - Melissa!

MELISSA: - Bandido e assassino!

JÚLIO: - Eu não sou bandido e nem assassino!

MELISSA: - Eu já pesquisei sobre você. Você matou um homem num acidente de carro. Não quero ter o seu sangue. Não quero o seu abraço, nada seu! Agora me deixem pegar as minhas coisas e sair daqui!

Melissa vai para o quarto. Sílvia se abraça em Júlio.

SÍLVIA: - Não dá bola, Júlio! Ela ta muito confusa com tudo isso.

JÚLIO: - Eu sei, mas... Ela gravou essa parte ruim da minha vida... Eu preciso provar a minha inocência nessa história. Era a Rosana quem estava dirigindo aquele carro! Foi ela que provocou o acidente! Não eu!

SÍLVIA: - A verdade vai surgir e a justiça vai ser feita. Você vai ver...

CENA 09. APTO VALQUÍRIA. INT. DIA.

Valquíria organiza os quadros para levar à galeria. Conversa com Bruno.

VALQUÍRIA: - Você anda mais distante de mim, Bruno. Faz tempo que eu ando percebendo isso. Até perfume diferente eu já senti nas suas roupas.

BRUNO: - Anda cheirando minhas camisas, Valquíria?

VALQUÍRIA: - Qualquer mulher faz isso... Ainda mais quando ela está desconfiada do marido, noivo, namorado... Do homem que dorme com ela na cama.

BRUNO: - Mas você não tem nada para desconfiar de mim. Eu faço tudo por você, querida. Tudo. Consegui até essa galeria maravilhosa para você... Daqui a alguns dias será a sua noite, Valquíria. E eu estarei do seu lado.

VALQUÍRIA: - Você consegue me desarmar sempre... (abraçando Bruno) Às vezes eu penso que você pode ter outra mulher.

BRUNO: - Fica pensando muita bobagem.

VALQUÍRIA: - Eu poderia fazer bobagem ainda maior se descobrisse que o que eu penso é real.

Os dois ficam a se olhar, em silêncio. Bruno se afasta.

BRUNO: - Ajuda para descer com os quadros?

VALQUÍRIA: - Não. A galeria está mandando carregadores para levar. Eu vou ir junto para colocar os quadros nas posições certas, também falar com o pessoal do bufê, enfim. Os dias passam rápido e quero tudo pronto com antecedência.

BRUNO: - Claro...

VALQUÍRIA: - E não esqueça que temos o lançamento da nova coleção da Áurea Calçados. Recebemos convites.

BRUNO (disfarça): - Pois então, meu amor, não sei se conseguirei ir.

VALQUÍRIA: - Não acredito, Bruno!

BRUNO: - Desculpa, mas tenho uma série de reuniões importantíssimas com alguns empresários. Estão pensando em ingressar com tudo na área de esportes na cidade, enfim. Vão tomar muito o meu tempo.

VALQUÍRIA: - Sozinha eu também não vou.

BRUNO: - Também acho melhor você ficar. Assim me espera em casa quando eu chegar...

VALQUÍRIA: - Tudo bem...

Valquíria volta a organizar os quadros enquanto Bruno a observa, pensativo.

CENA 10. CASA MARÍLIA. QUARTO MARÍLIA. INT. DIA.

Marília ainda está dormindo, sonhando agitada. 

SONHO DE MARÍLIA. 

Marília e Gustavo num carro conversam.

GUSTAVO: - E chegando a Miami, vamos fazer compras.

MARÍLIA: - Adoro, amor! Bolsas e sapatos! Que luxo!

GUSTAVO: - Você vai adorar!

Marília vê outro carro vindo na direção deles.

MARÍLIA: - Gustavo, cuidado!

O outro carro se choca com o veículo de Marília e Gustavo, que capota na rodovia.

Dentro do carro, Marília acorda, um pouco zonza e vê, com olhar turvo, alguém se afastando. Ela tenta gritar por ajuda, mas não consegue.

VOLTA À CENA.

Marília acorda, assustada, suando.

MARÍLIA: - Esse sonho agora!... O acidente... Era uma mulher... Tinha uma mulher saindo do carro no local do acidente! Só preciso lembrar...

CENA 11. RESTAURANTE PRATO CHEIO. INT. DIA.

Renato conversa com Geórgia.

GEÓRGIA: - Já acertei com o Durval e ele vai fazer o bufê da festa da Áurea Calçados. Está tudo indo tão bem!

RENATO: - Que bom amor!... Mas só que eu preciso te dizer uma coisa. Não vou poder estar presente na festa.

GEÓRGIA: - Por que amor?!

RENATO: - Surgiu uma viagem de negócios lá no escritório e eu vou precisar comparecer. Mas é perto, aqui em Búzios. Poderia ir e voltar, mas tem jantares de negócios. Talvez o escritório ganhe novos sócios. Eu vou representar o Adônis nessas transições.

GEÓRGIA: - Mas o lançamento da nova coleção da Áurea é daqui a dois dias!

RENATO: - Pois então, é um compromisso de urgência. Preciso fechar esses contratos o mais rápido possível...

GEÓRGIA (chateada): - Fazer o quê? Tudo bem...

Renato enche Geórgia de beijinhos. Num outro ponto, Mauro está sentado à mesa, sozinho, quando avista Tereza chegar.

MAURO: - Tereza!

TEREZA (se aproximando): - Mauro! Surpresa boa!

MAURO: - Está esperando alguém? Senão, adoraria a companhia.

TEREZA: - Obrigada! Vou aceitar. Não gosto muito de comer sozinha.

Tereza senta junto à mesa.

MAURO: - E então, como estão as coisas com a CarioLinda?

TEREZA: - Indo de vento em popa! Estamos em parceria com a Áurea Calçados para o lançamento da nova coleção deles.

MAURO: - Fiquei sabendo... Esse contrato era nosso, mas perdemos. Rosana colocou tudo a perder.

TEREZA: - Fiquei sabendo...

MAURO: - Mas paciência, essas coisas acontecem. E você tem a Sílvia, que é um talento único!

TEREZA: - É verdade. Uma ótima profissional... Fiquei sabendo que você e a Rosana se separaram.

MAURO: - Era o mínimo depois de tudo o que aconteceu.

TEREZA: - Decepção é algo tão ruim. Ainda mais porque vem de quem a gente sempre gosta...

MAURO: - Meu coração ficou ferido, sabe? Não esperava tanta coisa de uma única pessoa.

TEREZA: - Eu também estive assim, um pouco desolada com a vida... Ah, o amor sempre pregando peças na gente.

MAURO: - Apaixonada é, Tereza?

TEREZA: - Amor não correspondido. Mas a gente não pode desistir, não é? Estou correndo atrás da minha felicidade.

MAURO: - Somos dois!

Tereza e Mauro trocam olhares.

CENA 12. CASA JANICE E ALCEU. INT. DIA.

Janice conversa com Melissa.

JANICE: - Você não acha que está sendo muito dura com a sua mãe, Melissa?

MELISSA: - A Sílvia não é minha mãe, Janice.

JANICE: - É sim! Mãe não é só quem coloca no mundo não. Mãe é quem cria, quem dá amor, educação, ensina... A Sílvia fez tudo por você, menina...

MELISSA: - Ela só escondeu a verdade da minha vida, só isso.

JANICE: - Você está muito revoltada com tudo... Espera a poeira baixar, pensa bem em tudo... Você vai ver que a Sílvia fez o que fez por amor a você.

Melissa fica pensativa.

CENA 13. APTO SANDRA. SALA. INT. DIA.

Tarso se arruma para sair. Sandra está sentada no sofá, folheando uma revista.

TARSO: - Estou indo para a empresa.

SANDRA: - Chegou tarde da reunião ontem, amor.

TARSO: - Muita coisa para discutir.

SANDRA: - Hummm...

TARSO: - Estou saindo. Até à noite.

Tarso sai.

SANDRA: - Nem um beijo ele me deu... Tarso, Tarso... Você não perde por esperar. E nem você, Karina. O que é de vocês está bem guardado. Não estou disposta a perder, Tarso. Não dessa vez.

CENA 14. CASA SÍLVIA. INT. DIA.

Vitinho visita Sílvia e Júlio.

VITINHO: - Silvinha, não é?

SÍLVIA: - Sim, sou eu.

VITINHO: - Eu sou Vitinho. Trabalhei com a Rosana durante muito tempo.

JÚLIO: - E o que você quer aqui, rapaz?

VITINHO: - Depois de tudo o que aconteceu e das coisas que eu descobri, eu achei melhor vir aqui e pra contar sobre uma coisa muito grave.

JÚLIO: - Lá vem mais uma bomba da Rosana... É uma atrás da outra!

VITINHO: - E essa é forte mesmo.

SÍLVIA: - Fala, Vitinho, pode dizer.

VITINHO: - A Rosana foi a responsável pelo incêndio no galpão da CarioLinda.

JÚLIO: - O quê?!

VITINHO: - Ela vivia dizendo que tinham pessoas que queriam derrubá-la, mas ela disse que isso não iria acontecer. Foi ela que provocou o incêndio. Eu inclusive peço desculpas aqui. Eu, infelizmente, estava junto com ela, mas não fazia ideia do quão malvada ela era.

JÚLIO: - Você não vai ser o primeiro nem o último a ser lesado por aquela cobra!

Sílvia está pensativa.

FLAHSBACK

Nos destroços do incêndio no galpão, Sílvia se aproxima de um manequim caído no chão, junta a estrutura. De repente, ela observa um brinco caído.

SÍLVIA (pensativa): - Esse brinco...

VOLTA À CENA ATUAL.

Sílvia vai até seu quarto e traz o brinco que achou no chão.

SÍLVIA: - Você conhece esse brinco, Vitinho?

VITINHO: - Claro que conheço. É o brinco da Rosana. Ela estava usando esse brinco na noite do incêndio.

JÚLIO: - De onde você tirou isso, Silvinha?

SÍLVIA: - Achei no chão do galpão e guardei. Sempre acreditei que iria usá-lo para alguma coisa.

VITINHO: - E então, o que vocês vão fazer agora?

SÍLVIA: - Vou ligar para o Mauro.

JÚLIO: - Pra quê?

SÍLVIA: - Dizer pra ele que pode contar comigo na denúncia contra a Rosana. Com mais essa prova, é agora que ela vai pra cadeia. Estou disposta a enfrentar tudo para ver a Rosana pagar pelo o que fez!

CENA 15. HOTEL BARATO. QUARTO. INT. DIA.

(sobe trilha “Infiltrado” – Bajofondo) CAM foca no rosto de Rosana. Ela está se maquiando. Mostra as mãos dela retirando roupas e acessórios de sua mala. Rosana veste um vestido com estampas escuras, justo. CAM foca Rosana de costas, de frente para um espelho. Ela coloca uma peruca, estilo Chanel, preta. Passa batom e delineador. Coloca um óculos com armação grossa, como se fosse de grau. Rosana está de visual completamente mudado.

ROSANA: - É preciso me esconder por um tempo... Só para poder dar a volta por cima depois.

Ela se observa de frente ao espelho.

ROSANA: - Até que as compras em Nova York serviram para alguma coisa... (encara-se) Prazer, Matilde. (ri, debochada)

(fade in trilha “Infiltrado” – Bajofondo)

CENA 16. PASSAGEM DO TEMPO / CENTRO DE EVENTOS ÁUREA CALÇADOS. INT. NOITE.

Imagens alternadas da paisagem da cidade do Rio de Janeiro, ora de dia, ora de noite. Mesclas dos prédios e ruas com a praia e os morros, as matas, o Jardim Botânico, arcos da Lapa, Maracanã, o Cristo Redentor iluminado à noite. (fade out trilha “Infiltrado” – Bajofondo)

LEGENDA: Dias depois...

Imagens do Rio à noite. Corta para a fachada de um grande salão. Uma placa de mármore indica “CENTRO DE EVENTOS ÁUREA CALÇADOS”.

No interior do salão, ricamente decorado, ocorre a festa de lançamento da nova coleção da empresa Áurea Calçados. Muitas pessoas presentes, vestidas com elegância. Homens de terno, mulheres de vestido. Imprensa cobrindo o evento. No palco, um pequeno grupo de músicos toca MPB, bossa nova, deixando o ambiente agradável e mantendo o clima de requinte da alta sociedade carioca.

Fernando concede entrevista para um grupo de jornalistas.

REPÓRTER 01: - Por que a demora no lançamento de uma nova coleção?

FERNANDO: - Nós estávamos querendo fazer algo inovador e que ao mesmo tempo fosse à cara dos nossos clientes. A demora se deu na busca dessa essência. Nós a encontramos e acredito que vocês também irão sentir isso quando o desfile começar e os calçados novos forem apresentados.

REPÓRTER 02: - A Áurea não faz sapatos destinados à grande maioria da população, a começar pelo preço dos produtos. Não pensam em seguir uma linha mais popular?

FERNANDO: - A Áurea surgiu focada num determinado nicho de mercado. É natural que não atinja todas as classes. Está sim nos nossos planos uma coleção mais popular, digamos. Mas isso não significa que a qualidade dos nossos produtos irão cair. Muito pelo contrário. Manteremos o nosso padrão de qualidade para quem quer que seja o nosso cliente.

REPÓRTER 03: - A Estér mais uma vez foi quem idealizou a coleção?

FERNANDO: - Sim. Essa festa toda é mais dela do que minha. Sem as ideias da Estér, isso não seria possível.

Estér se aproxima com Bia. Fernando puxa a irmã, que fica ao lado dele, feliz.

FERNANDO: - A Estér merece todo o reconhecimento possível. É uma ótima profissional e uma irmã incrível.

REPÓRTER 02: - Estér, ficamos sabendo que você está namorando. É verdade? Quem é o felizardo?

ESTÉR: - Felizardo? Não... acho que você quis dizer felizarda... (pega Bia pela mão) Essa aqui é a Bia, minha namorada.

Os fotógrafos se aglomeram para tirar fotos de Bia e Estér juntas, que posam sorridentes. De longe, Maria Helena observa, junto com Sandra.

MARIA HELENA: - Ela acha lindo isso! Essa exposição da família!

SANDRA: - Cedo ou tarde isso ia acontecer, Maria Helena.

MARIA HELENA: - A Estér não deveria nem estar aqui.

SANDRA: - Impossível. Ela como criadora da coleção não poderia estar de fora.

Tarso se aproxima, traz champanhe para Sandra.

SANDRA (seca):- Obrigada. (pega a taça)

TARSO (cochicha): - Está tudo bem, amor? Você ultimamente anda estranha comigo.

SANDRA: - Tá tudo bem sim, querido. Não se preocupe. Está tudo sob controle.

Tarso se afasta.

MARIA HELENA: - O que foi, Sandra? Eu conheço você muito bem...

SANDRA: - Não foi nada, Maria Helena. Ainda... (risos)

Do outro lado do salão, Raquel, Adônis, Diogo e Marcinha estão conversando.

MARCINHA: - Fazia tempo que eu não via uma festa tão boa assim da Áurea.

RAQUEL: - Eu acho que é a mais grandiosa.

ADÔNIS: - Com todo o dinheiro que a empresa tem, tem mais é que fazer festa grande mesmo.

DIOGO: - Gente bonita, bem vestida.

ADÔNIS: - Ih, não sabia que você se interessava por isso não, Diogo.

DIOGO: - Aprendi pai, só isso.

RAQUEL: - E o Fernando está tão bonito. Firme, seguro.

MARCINHA: - Está sim. Meu pai parece aqueles galãs de cinema.

ADÔNIS: - Eu também estou bonito, firme e seguro, Raquel.

RAQUEL: - Tá sim, meu amor. Ta sim. (risos)

Valquíria se aproxima deles.

RAQUEL: - Valquíria!

VALQUÍRIA: - Oi pessoal!... Bom que você me ligou, Raquel.

RAQUEL: - Claro! Você ia ficar em casa, sozinha, fazendo o quê, Valquíria? Perdendo essa festa incrível, o desfile, os calçados? Nem pensar!

VALQUÍRIA: - Nem avisei o Bruno... Será que ele vai ficar chateado? Ele tinha uma reunião de negócios, enfim.

RAQUEL: - Claro que não. Depois você conversa com ele...

Enquanto isso, no camarim, Sílvia e Tereza ajudam as modelos com as roupas. Gaby é uma das modelos.

SÍLVIA: - Tereza, as suas roupas são incríveis!

TEREZA: - Fiz em tempo recorde. Depois de tanta coisa acontecendo na minha vida, fiquei até surpresa com o resultado.

SÍLVIA: - Nem me fala... Eu nem queria ter vindo, mas o Júlio insistiu tanto.

TEREZA: - Como ta você e a Melissa?

SÍLVIA: - Nada ainda... Ela continua na casa da Janice e do Alceu. Mas eu vou tomar coragem e falar com ela. Não podemos ficar brigadas assim.

Gaby se aproxima.

GABY: - Esse vestido é assim mesmo, com essa cauda toda?

TEREZA: - Sim.

GABY: - Bah, eu não sei se vou conseguir desfilar tchê! E na hora da virada na passarela?! Bah, não posso nem pensar em cair!

SÍLVIA: - Calma, menina... Na hora de virar, você delicadamente segura à cauda do vestido e vira. Depois, solta e segue desfilando.

GABY: - Como eu não pensei nisso antes, né?! Bah, obrigada mesmo, ta?

Gaby se afasta. Tereza e Sílvia riem. Geórgia chega ao local.

GEÓRGIA: - Tudo certinho por aqui?

TEREZA: - Sim, tudo em ordem.

GEÓRGIA: - Ok. No que vocês precisarem, só chamar, ta?

SÍLVIA: - Pode deixar.

GEÓRGIA: - E, por favor, na hora do desfile, vocês podem ficar na primeira fila da passarela. Deixa que a equipe coordena as modelos aqui atrás.

SÍLVIA: - Que legal! Obrigada!

Geórgia sorri, simpática.

No salão, Estér e Bia conversam. Estér observa Maria Helena, de longe.

ESTÉR: - Ela deve estar odiando que eu esteja aqui hoje.

BIA: - Deixa ela odiar. Essa é a sua grande noite. Você é a criadora dos calçados, dos acessórios. Ela não poderia impedir você de estar aqui.

Estér percebe Maria Helena flertando com Diogo, de longe.

ESTÉR: - Que ridícula!... Ela ta lançando olhares para o Diogo!

BIA: - Quem?

ESTÉR: - O Diogo, aquele rapaz lá do outro lado...

BIA: - Não quero dizer nada não, Estér, mas acho que ele ta correspondendo... Eles parecem tão cúmplices, com esses olhares no meio das pessoas.

ESTÉR: - Será que... (incrédula) Não, não pode ser.

BIA: - O que foi?

ESTÉR: - A Maria Helena e o Diogo, juntos?

Estér se mostra desconfiada. Enquanto isso, num outro ponto, Raquel e Valquíria caminham por entre os balcões onde sapatos, das mais diversas formas, estão expostos.

VALQUÍRIA: - Estou tão entusiasmada com essa exposição, Raquel! Está quase tudo pronto.

RAQUEL: - Eu fico muito feliz por você, Val... Está mais do que na hora de você mostrar o seu talento.

VALQUÍRIA: - E modéstia à parte, os quadros estão lindos. A dona da galeria adorou, ficou encantada!

RAQUEL: - Viu só? Com certeza ela vai querer outra exposição.

VALQUÍRIA: - Você acha?

RAQUEL: - Claro. E eu vou torcer por isso!

Valquíria avista uma pessoa.

VALQUÍRIA: - Dá só uma licença, Raquel? Eu vou ali cumprimentar uma amiga.

RAQUEL: - Claro. Pode ir. Eu vou ficar aqui, olhando esses sapatos lindos!

Valquíria se afasta. Raquel fica observando os sapatos, quando olha para a porta do salão e vê Marília chegar à festa acompanhada por Bruno. Raquel se surpreende.

RAQUEL: - Não pode ser... Marília e o Bruno?!

Orestes recepciona Marília e Bruno.

ORESTES: - Marília! Quanto tempo!

MARÍLIA; - Seu Orestes, como vai?

ORESTES: - Eu estou muito bem. Hoje mais feliz do que nunca!

MARÍLIA: - Que bom! Você merece. A Áurea merece.

ORESTES: - E o rapaz, quem seria?

MARÍLIA: - Esse aqui é meu noivo, Bruno.

ORESTES: - Noivo?! Que coisa boa!

BRUNO: - Depois de muita insistência... (cumprimenta Orestes) Prazer em conhecê-lo.

ORESTES: - Igualmente rapaz. Fiquem à vontade.

MARÍLIA: - Obrigada!

Marília e Bruno caminham pela festa até encontrar Fernando. Marília e Fernando trocam olhares.

BRUNO: - Vamos sentar?

MARÍLIA: - Vamos.

FERNANDO: - Marília! (se aproxima) Bom que você veio.

MARÍLIA: - Não poderia deixar de vir. As minhas modelos estão aí para desfilar na sua festa... Mas confesso que também vim para prestigiar o evento. A empresa merece.

FERNANDO: - Eu fico muito feliz com a sua presença aqui.

BRUNO: - Vamos, Marília?

Marília e Bruno se afastam. Ela ainda trocando olhares com Fernando. Geórgia se aproxima de Fernando com o celular em mãos, um tanto nervosa.

FERNANDO: - O que foi, Geórgia?

GEÓRGIA: - Não consigo falar com o Renato. Ele foi viajar, mas não atende ao telefone!

FERNANDO: - Calma, talvez fique sem sinal no caminho. Daqui a pouco ele manda notícias.

CENA 17. ÔNIBUS. INT. NOITE.

Renato e Ivan estão sentados lado a lado no ônibus. Discretamente, a mão de Ivan está sobre a mão de Renato. Os dois trocam olhares e sorriem um para o outro.

CENA 18. HOTEL BARATO.QUARTO. INT. NOITE.

Rosana está deitada na cama do hotel, assistindo o noticiário na televisão, quando se impressiona com a notícia.

APRESENTADOR: - E a polícia está atrás do paradeiro da famosa estilista Rosana Gonzales. Ela é acusada de desvio de dinheiro, além de ser apontada como mandante no incêndio que destruiu o galpão onde a grife CarioLinda estava instalada. As denúncias partiram de seu ex-marido e dono da Gonzales Fashion, Mauro Gonzales, após descobrir as diversas fraudes provocadas pela ex-mulher.

Rosana fica em choque.

ROSANA: - Eu preciso sair daqui o mais rápido possível. Não é seguro! Aqui não é seguro!

Rosana arruma suas coisas, apressada.

CENA 19. ÁUREA CALÇADOS. CENTRO DE EVENTOS. INT. NOITE.

Geórgia caminha por entre as pessoas quando esbarra em Fábio, que fica feliz em vê-la.

GEÓRGIA: - Desculpa!

FÁBIO: - Imagina, não precisa se desculpar não. Eu até gostei.

GEÓRGIA: - Como é?

FÁBIO: - Quero dizer, não foi nada. Nós já não nos conhecemos?

GEÓRGIA: - Não estou lembrada de você.

FÁBIO: - Não seja por isso. Sou Fábio Troianni, trabalho com a Marília na Classic Models.

GEÓRGIA: - A Marília, claro!... Mas eu confesso que nas vezes em que eu estive na agência, não vi você por lá.

FÁBIO: - Eu ando ocupado, fazendo trabalho fora... Buscando new faces, essas coisas de olheiro. Mas eu lembro de você do restaurante.

GEÓRGIA: - É cliente no Prato Cheio?

FÁBIO: - Adoro a comida de lá.

GEÓRGIA: - Meu irmão é o cheff. E ele arrasa. (risos)

FÁBIO: - É eu sei. Mas você não trabalha lá com ele...

GEÓRGIA: - Não. Trabalho na Áurea Calçados, sou assessora na diretoria da empresa.

FÁBIO: - Nossa, uma executiva então.

GEÓRGIA: - Quase, mas continuo trabalhando para isso.

FÁBIO: - Tem jeito de ser muito competente. Além de linda.

GEÓRGIA: - Você por um acaso está me cantando?

FÁBIO: - Estou?

GEÓRGIA: - Acho que está, não?

FÁBIO: - Se você quiser, posso dizer que não e a gente continua conversando como amigos.

GEÓRGIA: - Eu vou preferir dessa forma, até porque, sou uma mulher casada.

FÁBIO: - E onde está o seu marido?

GEÓRGIA: - De viagem, a negócios.

FÁBIO: - E ele sai para viajar e deixa essa verdadeira rainha sozinha no Rio de Janeiro?! Ele é um vacilão... (ri, de canto de boca)

GEÓRGIA (risos): - Está me cantando de novo, Fábio.

FÁBIO: - Desculpe, prometo me controlar...

Os dois riem, enquanto trocam olhares. Num outro ponto, Adônis, Diogo e Marcinha à mesa.

DIOGO: - Eu não vi o Renato na festa, só a Geórgia.

ADÔNIS: - Renato disse que ia viajar, mas que não era para falar o real motivo para a Geórgia.

MARCINHA: - Como assim?

ADÔNIS: - Ele ta pensando em comprar uma casa na praia, em Búzios. Quer fazer surpresa e pediu para eu ajudar. Disse para a Geórgia que era uma viagem de negócios.

MARCINHA: - Ela vai ter uma surpresa e tanto!

Enquanto isso, Valquíria se aproxima de Raquel.

VALQUÍRIA: - Fazia tempo que eu não via a Márcia que (repara a expressão preocupada de Raquel) Tudo bem, Raquel? Aconteceu alguma coisa?

RAQUEL: - Nada não...

VALQUÍRIA: - Como nada? Você está com uma cara... Fala aí.

RAQUEL: - Val, eu... Eu...

VALQUÍRIA: - Fala, Raquel! Que agonia!

RAQUEL: - O Bruno está aqui na festa.

VALQUÍRIA: - O Bruno?! (procura com os olhos) Então ele resolveu vir! Onde ele está?

RAQUEL: - Ele está acompanhado.

VALQUÍRIA (surpresa): - Como é que é?

RAQUEL: - O Bruno chegou à festa... Com a Marília.

VALQUÍRIA: - A Marília?! A modelo, ex do Fernando?

RAQUEL: - Ela mesma.

VALQUÍRIA: - Eu não acredito que ele fez isso!

RAQUEL: - Calma, Val. Talvez não tenha nada a ver.

VALQUÍRIA: - Tem tudo a ver! Ele disse que não viria e agora chega aqui junto com aquela modelo velha?! Ah, mas isso não fica assim.

RAQUEL: - Não vai fazer nenhuma bobagem, Val! Pelo amor de Deus!

Valquíria encontra Bruno.

VALQUÍRIA: - Achei. Não se preocupa, Raquel. Não vou fazer nada que eu me arrependa depois...

Valquíria se afasta de Raquel e segue em direção a Bruno. Ele está sentado à mesa, sozinho.

BRUNO: - Marília fica o tempo todo com essas modelos... E ficar comigo aqui nada.

VALQUÍRIA: - Onde está a sua companheira, Bruno?

Bruno se surpreende com Valquíria.

BRUNO: - Valquíria? Você me disse que não viria!

VALQUÍRIA: - Engraçado que você me disse a mesma coisa... Reunião de negócios, né? Mentiroso! Você me enganou para vir aqui com a Marília, não é? E onde ela está? Essa sem vergonha!

BRUNO (levanta-se): - Fala baixo e para de dar escândalo!

VALQUÍRIA: - Você quer que eu faça o quê? Acabo de saber que você mentiu pra mim pra vir na festa com outra pessoa!

BRUNO (firme/frio): - Eu quero que você cale essa boca e pare de agir como uma descontrolada, uma histérica.

Valquíria se choca com a atitude de Bruno.

VALQUÍRIA: - Você nunca falou assim comigo.

BRUNO: - Você é tão sem noção, Valquíria. Eu não menti para você. Eu tive a reunião de negócios e depois encontrei a Marília. Ela vinha pra cá e me ofereceu carona. Só isso.

VALQUÍRIA: - Você quer que eu acredite nessa mentira?

BRUNO: - Você acredita nas suas bobagens, nos seus surtos. Por que não acreditaria em mim, no homem que te ama?

VALQUÍRIA: - Às vezes eu penso que você só me usa, Bruno.

BRUNO: - Eu não uso você, Valquíria. Mas acontece que você às vezes, quero dizer, quase sempre, tem atitudes ridículas, um ciúme idiota. Assim acaba desgastando a nossa relação. Por isso mesmo que eu nem falei para você que viria pra cá. Era pra eu poder relaxar um pouco, aliviar a cabeça. Mas nem isso você deixa.

Valquíria com lágrimas nos olhos, se afasta. Raquel vê tudo de longe. Bruno senta-se novamente, como se nada tivesse acontecido. Marília chega à mesa.

MARÍLIA: - O que aquela mulher queria com você?

BRUNO: - Nada não...

MARÍLIA: - Vocês me pareceram tão próximos.

BRUNO: - Impressão sua... E as modelos, como estão?

MARÍLIA: - Lindas! A Silvinha e a Tereza são ótimas. As roupas são incríveis. Daqui a pouco o desfile começa.

Tereza e Sílvia chegam para sentar próximas da passarela, armada no centro do salão. As luzes se apagam. Fernando sobe ao palco, é recebido com aplausos.

FERNANDO: - Boa noite a todos! E muito obrigado pela presença de vocês. Hoje é um dia especial para Áurea Calçados. Esse é, sem dúvidas, o lançamento mais grandioso da nossa história. Gostaria, antes de iniciar o desfile, de agradecer a alguns parceiros que ajudaram para que tudo isso virasse realidade. Primeiramente, aos diretores e funcionários da Áurea Calçados pelo empenho durante todo o processo... À Estér Linhares, grande criadora desta nova coleção. À grife CarioLinda, nas pessoas de sua fundadora e presidente, Tereza Sampaio e sua estilista, Sílvia Cardoso. E também à agência Classic Models, na pessoa de sua dona e diretora responsável Marília Pereira. Obrigado a todos e com vocês, a nova coleção da Áurea Calçados!

Fernando é aplaudido enquanto deixa a passarela. (sobe trilha “This Love” Maroon Five) Começa o desfile de apresentação da nova coleção da Áurea Calçados. Gaby é a primeira modelo e entra triunfante na passarela, usando o vestido com cauda e sapatos dourados.

(fade out trilha “This Love” Maroon Five)

CENA 20. CASA LAERTE. INT. NOITE.

Laerte está assistindo TV no sofá, quando a campainha toca incessantemente.

LAERTE: - Minha nossa! Não tem campainha em casa não?!

Laerte, já irritado, abre a porta.

LAERTE: - O que foi, senhora?

A tal mulher entra na casa, empurrando Laerte, que se surpreende.

LAERTE: - O que é isso?!

A senhora tira a peruca. É Rosana.

LAERTE: - Rosana?!

ROSANA: - Você precisa me ajudar, Laerte. É caso de vida ou morte.

Os dois ficam a se olhar.

 


REALIZAÇÃO




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