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Passos da Paixão - Capítulo 21

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 21

 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

MULHER: - Tudo certo, bonitão?

DIOGO: - Melhor agora...

MULHER: - Vem, entra.

Diogo entra no carro.

DIOGO: - Eu cobro (pausa)

MULHER (interrompe): - Ih... Já vi que você é novo no ramo. Já veio falando de preço sem nem fazer nada... Eu sou cliente antiga daqui. Não pergunto preço. Quero saber é da qualidade (alisa a perna de Diogo) Eu é que dou o valor do programa por aqui.

DIOGO: - Mas (pausa)

MULHER (interrompe): - Não se preocupa, querido. Eu pago. E muito bem.

...

SÍLVIA
: - Por favor, Laerte. Não pense na vingança do Júlio. Pense na oportunidade que eu estou tendo de mostrar a minha cara!

LAERTE: - Mas você não pode fazer isso! É arriscado, proibido, você sabe! É um erro tremendo!

SÍLVIA: - Só será um erro se outras pessoas descobrirem. E elas só descobrirão se você disser, Laerte.

LAERTE: - Não peça para encobrir as suas armações, Sílvia. Você está se enrolando cada vez mais. Está ajudando dois inimigos mortais: o Júlio e a Rosana!

SÍLVIA: - Peço a sua ajuda sim, Laerte. Agora é sua vez de dar uma prova de confiança, mesmo diante de todos os motivos que você tem para me condenar. Por favor, Laerte. Não diga para ninguém, principalmente para a Rosana que eu estou trabalhando com o Júlio.

LAERTE: - O que ele vai dizer quando descobrir que você ainda continua ajudando a Rosana? Ele deve saber da famosa coleção do amor que parou nas mãos dela. Mas foi só isso.

SÍLVIA: - Eu sei muito bem o que eu estou fazendo, Laerte. E sei que nada vai dar errado. Mas agora eu estou precisando da sua palavra. Não fale nada, para ninguém. Nem o Júlio nem a Rosana precisam saber disso, ok?

Sílvia encara Laerte, esperando uma resposta dele.

 

 

 

CENA 01. CASA SÍLVIA. SALA. INT. NOITE 

Continuação do capítulo anterior. Sílvia pressiona Laerte para que ele guarde o segredo. 

SÍLVIA: - Então, Laerte, vai me dar a sua palavra? Vai manter esse segredo escondido?

LAERTE: - Eu não vou dizer nada, não se preocupe. Mas eu não quero saber de confusão depois!

SÍLVIA: - Não se preocupa. Não vai dar nada errado.

LAERTE: - Tudo pode acontecer quando envolve você, Rosana e Júlio. Tudo pode acontecer. Olha só no que virou a nossa vida com toda essa história...

SÍLVIA: - Nossa vida está indo muito bem, Laerte!

LAERTE: - Você sabe que não está... Foi só o Júlio aparecer e você ficou estranha, se afastou de mim. A Rosana continua te sugando e cada vez mais... Eu só espero que essa turbulência passe logo. E que a Melissa não sofra.

SÍLVIA: - A Melissa não vai sofrer. Eu garanto.

Laerte se afasta, vai para a cozinha. Sílvia fica pensativa.

CENA 02. CASA MAURO. INT. NOITE.

Rosana conversa com Vitinho e Mauro, os três estão sentados no sofá da sala de estar. Na sala de jantar, Celeste está estudando, com livros e cadernos sobre a mesa. Mas ela não consegue se concentrar, organizando e reorganizando o material na mesa, em seguida, escrevendo um pouco e arrancando as folhas do caderno. O grupo na sala não percebe nada.

ROSANA: - A Melissa foi uma grata surpresa. Eu estou muito confiante no talento dela.

MAURO: - Confesso que eu fiquei surpreso com a atitude dela de brigar pela vaga, nos afrontar, no bom sentido... Foi muito corajosa.

VITINHO: - Tem desenhos ótimos essa Melissa. Com certeza é talentosa também na costura, nos moldes, no trabalho em geral.

ROSANA: - Amanhã mesmo teremos os testes dela. Estou ansiosa! Ela vai fazer grande parte da coleção que vamos apresentar no Rio Moda.

VITINHO: - Tem certeza, madame? Não acha uma responsabilidade muito grande para uma novata?

ROSANA: - Acho que vai ser bom pra ela enfrentar esse desafio. E além do mais, eu estarei junto, acompanhando todo o processo.

MAURO: - É bom mesmo que esteja, Rosana. Eu concordo com o Vitinho. Acho muito trabalho para uma pessoa que está a recém começando.

ROSANA: - Gente, se ela não colocar a cara a tapa agora, vai ser quando? Não podemos esperar! A seleção foi um sucesso e todos querem ver o trabalho da vencedora.

Mauro concorda com Rosana, quando percebe a inquietação de Celeste na sala de jantar. Ele se levanta e vai até a irmã.

MAURO: - Precisa de ajuda, Celeste?

CELESTE: - Não, Mauro, obrigada. Está tudo bem.

MAURO: - Tem certeza? Você me parece preocupada...

Mauro pega o estojo sobre a mesa. Rapidamente, Celeste tira o estojo das mãos de Mauro e coloca sobre a mesa novamente. Mauro se mostra surpreso com a atitude dela.

MAURO: - Celeste...

CELESTE: - Não, não, não, não... Não pode.

MAURO: - Mas não pode por quê?

CELESTE (se exalta/grita): - Porque não!

MAURO: - Calma, Celeste!

Leocádia entra na sala, acompanhada de Rosana e Vitinho.

LEOCÁDIA: - O que está acontecendo?

ROSANA: - Que grito foi esse?

VITINHO: - Está tudo bem?

CELESTE (levanta-se): - Não está tudo bem! (joga os livros no chão) Não está!

Celeste se abaixa, pega os livros novamente, organiza eles sobre a mesa, sempre com intensidade, uma certa obsessão. Rosana e Vitinho trocam olhares. Leocádia se aproxima de Celeste.

LEOCÁDIA: - Minha filha, o que foi isso? O que está acontecendo?

CELESTE: - Eu não sei! Eu preciso ficar sozinha...

Celeste sai apressada da sala.

MAURO: - Eu nunca vi a Celeste assim!

ROSANA (cochicha com Vitinho): - Está ficando louca, coitada.

LEOCÁDIA: - O que vocês estão cochichando aí?!

VITINHO: - Nada não, dona Leocádia.

ROSANA: - Estamos comentando esse surto que a Celeste teve. Que coisa estranha, não?

MAURO: - O que será que deixou ela assim, tão nervosa?

VITINHO: - Viram? Ela jogou os livros no chão, depois juntou e arrumou tão enlouquecida.

LEOCÁDIA: - Minha filha não é louca!

ROSANA: - Mas está na cara que a Celeste precisa de algum tipo de ajuda, gente. Não é de hoje que ela está estranha. Cada dia que passa, a Celeste só faz mais coisas esquisitas!

LEOCÁDIA: - Esquisita aqui é você, Rosana!

MAURO: - Mamãe, se acalme!

Leocádia senta-se na cadeira.

ROSANA: - Desculpa se eu a ofendi, mas não estou falando nenhuma mentira aqui... Venha Vitinho, vamos pra sala, pensar no teste da Melissa.

Rosana e Vitinho saem. Mauro senta-se ao lado De Leocádia, que tenta conter as lágrimas.

LEOCÁDIA: - Não é a primeira vez que eu vejo a Celeste assim... Essas manias dela, desde criança... Eu sempre achei que eram coisas bobas até que se transformaram nessas crises horríveis!

MAURO: - Mamãe, por que a senhora nunca me falou disso?

LEOCÁDIA: - Eu pensei que fosse passar, Mauro, mas não passou. Eu até fui conversar com a Celeste sobre isso e ela reagiu muito mal com a conversa. Acho que ela tem medo, sei lá.

MAURO: - Será que é o caso da gente procurar ajuda de algum profissional, um médico, sei lá?

LEOCÁDIA: - Não, Mauro! Sua irmã não pode ser tratada como louca!

MAURO: - Mamãe, ninguém está dizendo que a Celeste está ou é louca! É apenas uma ajuda. Ela precisa de ajuda e não podemos negar isso. Vai ser para o bem da Celeste.

CENA 03. CASA MARÍLIA. QUARTO AMÁLIA. INT. NOITE.

Bruno e Amália estão no quarto dela. Amália encarando Bruno, com olhar e sorriso maliciosos.

AMÁLIA: - Aceita a minha proposta, Bruno. Você só tem a ganhar.

BRUNO: - Casar com a Marília e ter você de amante...

AMÁLIA: - E convenhamos que em termos de corpo, eu estou muito melhor do que a Marília, aquela sem graça. Ela é cheia de frescuras... Eu posso fazer tudo o que ela não quiser fazer.

Bruno se afasta, vai até a janela, pensativo. Amália não tira os olhos dele. Bruno vira-se para Amália.

BRUNO: - Aceito a proposta.

AMÁLIA (aproxima-se dele): - Perfeito. Sabia que sua resposta não seria diferente.

BRUNO: - Mas você vai ter que me ajudar a ficar com a Marília, a qualquer custo.

AMÁLIA: - Ok, pode deixar que eu ajudo... E sua namorada, a pintora?

BRUNO: - Pode deixar que da Valquíria eu cuido.

AMÁLIA: - Tá certo. Agora deixa que eu quero cuidar de você...

Quando os dois estão prestas a se beijar, Pedro entra no quarto. Bruno se afasta, disfarçando.

AMÁLIA: - Mas que inferno, Pedro! Custa bater na porta antes de entrar?

PEDRO: - Desculpa, eu vi ela meio encostada, então (pausa)

AMÁLIA: - Não me interessa!...

PEDRO: - Quem é esse cara?

BRUNO: - Você não se lembra de mim... Sou Bruno, amigo de sua mãe e da sua tia...

PEDRO: - Hummm...

AMÁLIA: - O que você quer, Pedro? Fala logo porque eu e o Bruno estamos tendo uma conversa importante.

PEDRO: - Era só pra avisar que eu já estou em casa... Eu passei praticamente o dia inteiro na faculdade e você nem me ligou.

AMÁLIA: - Tá, ta bom. Agora pode ir e me deixa em paz.

Pedro, um tanto sem jeito, sai do quarto.

AMÁLIA: - Onde nós estávamos mesmo?

BRUNO: - Por que você fala assim com o Pedro. Ele virou um rapazote bonito, estudioso.

AMÁLIA: - Continua sendo um garoto chato. Mas é filho, a gente precisa amar. Ou pelo menos tentar... (aproxima-se de Bruno) Agora a gente pode ficar à vontade.

BRUNO (se afasta): - Agora eu preciso é ir embora... Mas eu te procuro para tratarmos do plano contra sua irmã e o Fernando.

AMÁLIA (se conforma): - Tá certo... Estarei te esperando.

Bruno sorri e sai.

CENA 04. HOTEL LUXO. QUARTO. INT. NOITE.

O quarto do hotel é grande e luxuoso. Há uma janela, que dá para a varanda, mostrando a orla da praia do Rio de Janeiro à noite, iluminada. A decoração mistura branco com pérola e dourado. O quarto está à meia-luz, dando um charme especial ao ambiente.

Na cama, a mulher loira está deitada, envolta pelo lençol de seda. Diogo sai do banheiro, enxugando os cabelos, mas já vestido.

MULHER: - E o que achou do banho?

DIOGO: - O melhor da minha vida... Esse chuveiro é uma nave!

MULHER (risos): - Por isso que eu gosto deste hotel. É o melhor do Rio, na minha opinião.

DIOGO: - Bem, eu já vou indo.

MULHER: - Pega a minha bolsa aí na cadeira, por favor.

Diogo pega a bolsa e leva até a mulher, que abre a carteira e retira uma boa quantia de dinheiro e entrega para Diogo, que se surpreende.

DIOGO: - Tudo isso?! É bem mais do que eu esperava!

MULHER: - Eu sei... Eu disse que pagava bem. Você merece muito mais.

DIOGO: - Quando quiser, já sabe onde me encontrar.

MULHER: - Eu quero me encontrar sempre com você. Eu ainda não tinha achado um michê tão bom. Serei sua cliente fixa.

DIOGO: - Como assim, cliente fixa? Só vai sair comigo então...

MULHER: - E você, idem. Apenas programas comigo.

DIOGO: - Eu não posso. Eu preciso ganhar dinheiro, não posso ficar ligado a apenas 1 programa.

MULHER: - E quem disse que você não vai ganhar dinheiro? Meu querido, como você pode ver, eu pago e pago bem. Posso te dar o que você quiser e muito mais! Vai me acompanhar nos eventos, nos lugares onde eu for... E tudo isso, ganhando bem.

DIOGO (se aproxima dela): - Pagando bem, que mal tem? Eu topo. Mas precisamos ajustar os horários. Eu não sou tão disponível assim.

MULHER: - Não tem problema, isso a gente tira de letra.

DIOGO: - Então, já que eu vou praticamente conviver com você, eu preciso pelo menos saber o seu nome.

MULHER: - Lígia. Muito prazer.

DIOGO: - Diogo. E o prazer foi todo meu.

Os dois trocam olhares e riem.

CENA 05. MANSÃO LINHARES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Maria Helena está lendo uma revista na sala de estar, quando Estér entra no local.

MARIA HELENA: - Confesso que fiquei impressionada quando seu pai disse que você ficou até mais tarde na empresa trabalhando. (ri, debochada) Você trabalhando... Inacreditável.

ESTÉR: - Sim, eu fiquei mesmo trabalhando. Eu trabalho, dou duro na Áurea. Não tenho tempo pra ficar tomando chazinho na casa das amiguinhas. E ainda por cima, fica arrastando a Marcinha com você.

MARIA HELENA (levanta-se): - Eu não arrastei a Marcinha comigo não. Ela foi convidada e aceitou. Livre e espontânea vontade.

ESTÉR: - Livre e espontânea vontade vinda de você não existe, Maria Helena. Você sabe que a Marcinha detesta te dizer não e acaba levando a garota para onde você quer... (saindo) eu não vou discutir com você. Estou cansada.

MARIA HELENA: - Pode ficar! Agora você vai ouvir, sua mal criada!

Estér volta.

MARIA HELENA: - Se você acha que eu vou deixar a minha neta ser influenciada por você, está muito enganada, está ouvindo?

ESTÉR: - Como assim, ser influenciada por mim?

MARIA HELENA: - A Marcinha não vai ser uma mulher promíscua como você! Eu não quero ter que olhar para minha neta com repugnância. Porque é assim que eu vejo você.

ESTÉR: - E sabe como eu vejo você, Maria Helena? Com pena... Gente que pensa e age assim como você, não consegue ver e nem viver o lado bom da vida... Fica presa nos preconceitos e esquece que não é o meu estilo de vida, a minha opção sexual que importa. É o meu bom caráter. Já o seu... (saindo)

MARIA HELENA: - Sua... Sua...

Orestes desce as escadas para a sala, cruza com Estér.

ORESTES: - Algum problema?

ESTÉR: - Nada não, papai. Apenas uma conversa muito civilizada com a Maria Helena. Está tudo bem.

Estér sai. Orestes se aproxima de Maria Helena.

ORESTES: - Discutindo novamente?

MARIA HELENA: - A Estér insiste em me tirar do sério, Orestes! Agora está implicando pelo fato de eu estar mais próxima da Marcinha! Isso é um absurdo!

ORESTES: - Absurdo é vocês continuarem brigando... Não há um momento de paz entre vocês duas?

MARIA HELENA: - Só há paz entre eu e Estér quando uma não está no mesmo lugar que a outra... (fica pensativa)

ORESTES: - Isso é bobagem. Uma boa conversa, mas realmente uma conversa civilizada, sem ofensas e gritos, seria ótima para vocês se entenderem... Está me ouvindo?

MARIA HELENA: - Só haverá paz entre nós duas quando uma não estiver no mesmo lugar que a outra. É isso, Orestes. A Estér precisa sair dessa casa.

ORESTES: - Como é que é? O que você está dizendo, Maria Helena?

MARIA HELENA: - A Estér precisa ir embora, Orestes! Só assim nós vamos conseguir viver em paz! A Estér precisa sair daqui, já!

ORESTES: - Isso nunca! A Estér só sai daqui quando ela quiser!

Orestes se retira.

MARIA HELENA (a si mesma): - Então eu farei o possível para que ela queira. (ri, maldosa)

CENA 06. CASA DURVAL. QUARTO GUILHERME. INT. NOITE.

Heloisa caminha a passos vagarosos, cuidando para não fazer barulho. Ela espia pela porta do quarto de Guilherme. Ouve-se o barulho da porta do banheiro do quarto se abrir. Heloísa coloca a mão sobre o peito, contendo a respiração.

HELOÍSA: - Saiu agora do banho... Não acredito! É a minha chance...

Guilherme sai do banheiro apenas com uma toalha enrolada no corpo. Ele vê um sinal no computador, senta-se em frente ao PC.

GUILHERME: - Celeste? (digita) Oi!

Cena alternada entre Guilherme e Celeste, em seu quarto, também usando o computador.

CELESTE (digitando): - Encontrei você na página do restaurante.

GUILHERME (digitando): - Fez muito bem. Como você está?

Enquanto Guilherme tecla com Celeste, Heloísa espia pela porta as costas nuas do rapaz. Heloísa se abana, acalorada. De repente, uma mão masculina repousa sobre Heloísa, que se assusta.

HELOÍSA (assustada): - Ai!

DURVAL: - O que você está fazendo aí, Heloísa, espiando o quarto do Guilherme?

HELOÍSA: - Que susto, Durval! Nunca mais faça isso, homem!... E eu não estou espiando ninguém... Só estou... Estou...

DURVAL: - Está?

HELOÍSA: - Só estou vendo se está tudo ok, se não tem roupa pra colocar na máquina de lavar...

DURVAL: - Sem o cesto de roupas?

HELOÍSA; - Ai Durval, como você anda implicando comigo... (faz charme para despistar) A Helô aqui é só carinhos pra você e você enchendo sua amadinha de perguntas...

DURVAL (carinhoso): - Não quero implicar não, minha rainha... Vem comigo, eu quero um chamego agora. Daqui a pouco eu preciso voltar pro restaurante.

Heloísa e Durval se afastam abraçados. Guilherme, no PC, nem percebe a movimentação. Continua conversando com Celeste. (sobe trilha “Minha Rainha” – Luiz Melodia)

GUILHERME (digitando): - Então, como você está?

CELESTE (digitando): - Agora um pouco mais calma...

GUILHERME (digitando): - Aconteceu alguma coisa? Se agitou como no outro dia?

CELESTE (digitando): - É, um pouco... Às vezes eu tenho essas crises.

GUILHERME (digitando): - Mas não é normal isso. Não estou te chamando de louca não... Eu tive um amigo que era bem parecido com você.

CELESTE (digitando): - Como assim?

GUILHERME (digitando): - Crises, manias...

CELESTE (digitando): - Hummm

GUILHERME (digitando): - Eu vou ser sincero com você. Gostei muito por ter me achado aqui na comunidade... Eu quero te ajudar.

CELESTE (digitando): - Me ajudar no quê? Eu não preciso de ajuda não... Estou bem.

GUILHERME (digitando): - Tem certeza?

CELESTE (digitando): - Tenho sim. Não precisa se preocupar comigo. Obrigada.

GUILHERME (digitando): - Tudo bem, não vou insistir... Mas vou te convidar para um sorvete no shopping. Aceita? Amanhã?

CELESTE (digitando): - Claro! Aceito sim!

Guilherme sorri em frente ao PC, feliz, continua conversando com Celeste. (fade in trilha “Minha Rainha” – Luiz Melodia)

CENA 07. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / ATELIER GF. INT. DIA.

Imagens do Rio ao amanhecer, paisagens naturais da Cidade Maravilhosa, o mar, a orla. (fade out “Minha Rainha” – Luiz Melodia) Corta para o atelier da GF. Rosana está com Melissa a sós em sua sala no atelier da Gonzales Fashion.

MELISSA: - Bom que você aceitou esse teste a sós. Eu ficaria nervosa na presença de outras pessoas.

ROSANA: - Não se preocupe querida. Estamos só eu e você aqui. E o Vitinho, que está lá fora... Agora, vamos ao que interessa. (pega papel e lápis, coloca sobre a mesa, em frente a Melissa) Eu quero um vestido, com cauda, um pouco mais curto na frente, nada de decote profundo, cobrindo apenas um ombro e bem acinturado.

MELISSA: - Como?

ROSANA: - Anda logo, Melissa, desenhe.

Melissa pega o papel e começa a rabiscar. Rosana se irrita.

ROSANA: - Que porcaria é essa?! (rasga o papel) Onde está aquela obra prima que você mostrou na seleção?

MELISSA: - Eu... Eu...

ROSANA: - Anda, garota! Fala logo!

MELISSA: - Não adianta. Você ia descobrir mais cedo ou mais tarde.

ROSANA: - Descobrir o quê, Melissa?

MELISSA: - Eu não sei desenhar. Não sei nada de moda, costura, nada!

Rosana se surpreende.

ROSANA: - Então quer dizer que os desenhos não eram seus?! Sua mentirosa!

MELISSA: - Eu só quero sair dessa vida que eu levo. Foi a chance que eu tive!

ROSANA: - Você é praticamente uma bandida, menina. Aproveitadora!

MELISSA: - Por favor, me deixa tentar... Por favor! Me mostre como eu devo fazer!

ROSANA: - Como?

MELISSA: - Me mostre como se desenha, como eu devo fazer para ser uma estilista de sucesso... Eu não entendo nada disso, mas posso aprender com você, que é uma estrela. Me mostra?

Rosana fica sem reação. Melissa desconfia.

MELISSA: - Então, Rosana... Não vai me mostrar como se desenha?

ROSANA: - Eu não tenho tempo para ficar ensinando quem não sabe, Melissa.

MELISSA: - Não tem tempo... Ou será que também não sabe?

ROSANA: - Está me afrontando, é isso?! Abusada!

MELISSA: - Então me prove, Rosana! (pega papel e lápis, coloca na mesa) Faça um desenho na minha frente.

Rosana encara Melissa.

ROSANA: - Eu não vou desenhar pra você! Se enxerga garota!

MELISSA: - Então eu posso deduzir que você também não sabe.

ROSANA: - Não pode deduzir nada!

MELISSA: - Você está com medo porque não sabe desenhar!... Aposto que também não sabe nada de costura! Por isso não quis nem fazer o teste comigo... Rosana! Você também é uma farsa!

ROSANA: - Cala essa boca! Você não sabe o que está falando!

MELISSA: - Meu Deus, eu nunca iria imaginar isso... A grande estilista do Brasil não entende nada de moda! Como você conseguiu esconder essa mentira? Como?

ROSANA: - Para, menina! Já chega! Vai embora daqui!

MELISSA (senta-se): - Ah, mas agora eu não vou mesmo!...

ROSANA: - Mas é claro que você vai! (chama) Vitinho!

MELISSA: - Você vai me mandar embora? Ok. Eu saio por aquela porta e espalho para todo mundo a verdade sobre você. Sobre a farsa de Rosana Gonzales.

Rosana gela.

ROSANA: - Chantagem?! Eu me nego a acreditar que estou sendo chantageada por uma pirralha!

MELISSA (levanta-se): - A pirralha aqui pode acabar com a sua carreira, Rosana. Já pensou se a imprensa descobre que você não sabe desenhar nem uma casinha? (ri, debochada)

ROSANA: - Para de rir! Você também não sabe!

MELISSA: - Não sei... Mas você não vai me mandar embora por causa disso, senão já sabe o que te acontece... A questão é simples, Rosana. Você me mantém na GF como sua assistente, me leva para os Estados Unidos, porque eu to sabendo dessa viagem e fica tudo bem entre a gente.

ROSANA: - Ficou sabendo da viagem como?

MELISSA: - Eu ouvi o Vitinho comentando... Coitado, ele está todo empolgado achando que vai viajar! (ri) Mas ele não vai mais. Porque você vai levar a mim no lugar dele. Entendeu?

ROSANA: - Você é uma cobrinha...

Vitinho entra na sala.

VITINHO: - Chamou madame?

ROSANA: - Chamei sim... Eu...

Melissa encara Rosana, que desvia o olhar.

ROSANA: - Quero dois cafés, por favor. Um para mim e outro para a minha querida Melissa.

VITINHO: - Ok madame.

Vitinho sai.

MELISSA: - Ótimo, Rosana. Estou vendo que vamos nos dar super bem.

(sobe trilha “Ilfiltrado” – Bajofondo)

CENA 08. SHOPPING. INT. DIA.

(fade out trilha anterior) (sobe trilha “Garotos” – Leoni) Diogo faz compras em lojas caras no shopping. Sequência de imagens mostrando Diogo provando calças, camisas, roupas de grife.

Diogo caminha com as sacolas pelo shopping, quando encontra Talles e André.

TALLES: - Fala Diogo! E aí cara, fazendo o quê?

DIOGO: - Comprando umas coisas...

ANDRÉ: - E comprando bem, hein! Cara, só coisa de marca... ta podendo! Nem eu ralando muito consigo comprar numa loja dessas.

TALLES: - Não exagera, Diogo. Seus pais são ricos.

ANDRÉ: - Falou tudo, Talles. Meus pais são ricos, mas eu não. Meu pai pra abrir a mão é um esforço daqueles!

TALLES: - Diferente do pai do Diogo, que liberou geral!

DIOGO: - Que nada. Meu pai nem sabe que eu estou comprando. E ninguém vai dizer nada, ta legal?

ANDRÉ: - Opa, pode ficar tranquilo... Bom rapaziada, eu vou indo nessa porque preciso comprar meu sapato de dança.

TALLES: - Comprar o quê?!

ANDRÉ: - Minha chuteira! Minha chuteira pro futebol... (saindo) Até!

André se afasta.

TALLES: - E você Diogo, ta indo pra onde?

DIOGO: - Eu vou dar mais umas voltas por aqui ainda... E você?

TALLES: - Eu quero comprar um presente pra Duda... Acho que eu estou um pouco ausente no relacionamento, afastado dela... preciso marcar uma presença.

DIOGO: - É bom mesmo, senão perde o lugar.

TALLES (convencido): - Duvido. Duda não me deixa por nada nesse mundo.

CENA 09. ATELIER GF. INT. DIA.

Rosana e Melissa conversam na sala.

ROSANA: - Então, Melissa... Já que ficaremos cada vez mais próximas, preciso saber algumas coisas sobre você. De onde você é?

MELISSA: - Sou da zona norte. Meu pai é um inválido e minha mãe é costureira.

ROSANA: - Costureira é?

MELISSA: - Sim. Ela está trabalhando na grife CarioLinda.

ROSANA (atenta): - Aonde?

MELISSA: - Na CarioLinda. A grife que vai voltar... Alugaram até um galpão, na rua de trás da quadra da Vila Isabel.

ROSANA (a si mesma): - Então o Júlio já conseguiu um lugar... Eu preciso fazer alguma coisa.

MELISSA: - O que você disse?

ROSANA (disfarça): - Nada de mais... Você é de Vila Isabel?

MELISSA: - Sou sim.

ROSANA: - E qual o nome da sua mãe?

Nesse instante, Mauro chega à sala.

MAURO: - Com licença!

ROSANA: - Querido! Que surpresa boa!

MAURO: - Então, eu vim saber como andam os desenhos. Estou ansioso!

Rosana e Melissa trocam olhares, cúmplices.

ROSANA: - Ah, meu amor, os desenhos ficaram para outro dia. Hoje eu e Melissa trocamos muitas experiências mais teóricas.

MAURO: - Legal, mas não podem demorar muito. O Rio Moda está chegando e a GF precisa de novidades!

ROSANA: - Claro. Eu estava justamente conversando com a Melissa. Ela me disse que a mãe dela trabalha para a CarioLinda. Você acredita que a grife vai voltar?

MAURO: - É mesmo? Depois de tantos anos... Nunca mais ouvi falar em Tereza Sampaio.

ROSANA: - Nem eu...

MELISSA: - Bom, eu vou indo nessa porque não posso chegar tarde em casa.

ROSANA: - Claro. Nos veremos amanhã. Bom retorno, queridinha.

Melissa sorri e sai.

MAURO: - Você acha que vai dar certo amor? Essa seleção, essa aposta...

ROSANA: - Claro, querido! Melissa é uma ótima menina. Tem tudo para crescer.

CENA 10. ATELIER GF. EXT. DIA.

Duda conversa com Vitinho na porta do atelier.

DUDA: - Você precisa me ajudar! Eu tenho que mostrar os meus desenhos! Eu até trouxe eles aqui na pasta!

VITINHO: - Olha só garota, a seleção já acabou! Já temos uma escolhida! Se você perdeu a chance fazendo bobagem, não posso fazer nada.

DUDA: - Mas não pode, é injusto!

VITINHO: - É perda de tempo você ficar aqui, mendigando chance. Esquece.

Neste instante, Melissa vai saindo do atelier.

MELISSA: - Tchau Vitinho!

VITINHO: - Tchau Melissa, bom dia!

DUDA: - Melissa?! O que você está fazendo aqui?

VITINHO: - Vocês se conhecem?

MELISSA (apreensiva): - Sim...

VITINHO: - Ótimo. Então Melissa, explica pra essa amiga, conhecida, sei lá, que não dá pra ela ficar aqui na frente choramingando por vaga na GF. A escolhida na seleção foi você e não ela... (a si mesmo) Vou lá fazer minhas coisas que eu ganho mais.

Vitinho sai.

DUDA (surpresa): - Você foi a escolhida?! E não disse nada, Melissa?

MELISSA: - E por que eu iria dizer, Duda? A conquista foi minha. (saindo)

DUDA (segue Melissa): - E você mostrou o quê para a direção, se você mesma disse que não leva jeito para desenhos?

Melissa segue caminhando, quando Duda segura em seu braço.

MELISSA: - Me solta!

DUDA: - Me fala agora! Que desenhos você mostrou?

Melissa encara Duda e aos poucos, abre um sorriso cínico. Duda se choca.

DUDA: - Você pegou os meus desenhos?! É claro! Você ficou lá em casa um dia antes da seleção, achou os desenhos lindos inclusive...

MELISSA (soltando-se); - Desculpa, Duda, mas a oportunidade era pra mim e não pra você.

DUDA: - Isso é roubo, crime, sabia?!

MELISSA: - Isso é recalque, Duda. Você não conseguiu e fica me acusando sem provas.

DUDA: - Eu vou provar que você não vale nada, Melissa!

MELISSA (ri, debochada): - Vai tentando, querida, vai tentando... Agora eu to por cima. E ninguém vai me derrubar.

Melissa sai. Duda fica surpresa com a reação de Melissa.

CENA 11. GALPÃO CARIOLINDA. INT. DIA.

(Sobe trilha “Feitiço da Vila” – Noel Rosa) Mostra imagens do galpão onde é o atelier da grife CarioLinda. Júlio, Tereza e Sílvia felizes com os avanços da grife.

Sequência de várias imagens mostrando Sílvia apresentando os desenhos para Tereza e Júlio; em seguida, fazendo moldes das roupas e trabalhando na máquina de costura. (fade out trilha)

Sílvia apresenta a peça pronta para Tereza e Júlio.

SÍLVIA: - E então, gostaram da blusa?

TEREZA: - Sílvia, você é magnífica! Desde o desenho até o produto final!

JÚLIO: - Eu sempre acreditei no seu talento. Agora aqui com a gente... Vamos fazer um sucesso tremendo!

SÍLVIA: - Obrigada, gente! Agora é só esperar as costureiras chegarem amanhã pra gente começar com força total!

Neste instante, Almir e Janice chegam ao galpão.

JANICE: - E então é aqui que a CarioLinda vai renascer?!

TEREZA: - Janice! Almir!

ALMIR: - Viemos desejar boa sorte para vocês, Tereza e Sílvia... E pra você também, Júlio.

JÚLIO: - Eu sei que, por mais que o tempo tenha passado, você ainda tem o pé atrás comigo, Almir... Mas agora eu sou outra pessoa. Um novo homem e não mais um garoto rebelde como eu era.

JANICE: - Fico feliz em ouvir isso, Júlio. Desejos sucesso, de verdade nessa nova empreitada pra vocês.

SÍLVIA: - Gente, só, por favor, não contem nada para o Laerte. Ele não foi muito fã dessa ideia de eu estar aqui ajudando na grife.

JANICE: - Não se preocupa querida, daqui não sai nada.

JÚLIO: - E Karina, como vai? Deve estar uma bela moça.

JANICE: - Karina vai muito bem. Trabalhando, estudando... Vai ter um belo futuro.

ALMIR: - Tudo como nós sempre sonhamos.

CENA 12. MOTEL. QUARTO. INT. DIA.

Quarto do motel. CAM vai passando pelo chão, mostrando peças de roupas jogadas. Abre plano sobre a cama. Tarso e Karina aos beijos, calorosos, envoltos por lençóis.

TARSO: - Você me pegou de surpresa com esse pedido de um encontro assim, no meio da tarde... Tive que inventar uma desculpa pra sair mais cedo da empresa.

KARINA: - Eu também tive que inventar uma desculpa pra sair do restaurante. Mas vale a pena... Vai dizer que não é bom quando a gente faz essas loucuras, de vez em quando?

TARSO: - É maravilhoso!... Falando em maravilhoso, você gostou do presente que eu te trouxe?

KARINA: - Eu amei! Uma sandália da Áurea Calçados é um artigo de luxo praticamente!... Vou ficar linda, meu amor. Você vai ver...

TARSO: - Linda só pra mim?

KARINA: - Só pra você, meu gato...

Os dois se beijam cheios de desejo.

CENA 13. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / CASA SÍLVIA. INT. NOITE.

Imagens do Rio ao anoitecer. Corta para casa de Sílvia. Melissa está na sala folheando revistas de moda. Sílvia vem da cozinha, trazendo os pratos para a mesa do jantar.

SÍLVIA: - E então filha, como foi lá no seu primeiro dia de emprego?

MELISSA: - É, foi legal...

SÍLVIA: - E você trabalha aonde mesmo? Acho que nem me disse...

MELISSA: - Eu trabalho na Gonzales Fashion. Sou assistente da Rosana Gonzales.

Sílvia deixa cair os pratos no chão.

MELISSA: - Mamãe!

SÍLVIA: - Você está trabalhando aonde?!

MELISSA: - Na GF, mãe! Não é ótimo?!

SÍLVIA: - Não! Melissa, por que você não me disse isso antes?

MELISSA: - Mas o que tem de errado em trabalhar lá? É a grife mais badalada do Rio, uma das mais famosas do país! Eu quero é aproveitar e muito esse momento!

SÍLVIA (aproxima-se de Melissa): - Amanhã mesmo você vai chegar lá na GF e vai pedir para ir embora, está ouvindo? Eu não quero você trabalhando lá, Melissa!

MELISSA: - Para de bobagem, mãe! Que história é essa?

SÍLVIA: - Melissa, você vai fazer exatamente o que eu estou te dizendo! Não quero você metida com essa gente!

MELISSA: - Você está é com inveja de mim.

SÍLVIA: - Eu?!

MELISSA: - Você sim! Está com inveja porque eu estou trabalhando numa grife de nome enquanto você está nessa brega da CarioLinda. Com todo respeito à Tereza, mas essa grife não vai vingar nunca!

SÍLVIA: - Não fala assim, Melissa. Nunca que eu vou ficar com inveja de você, filha. Eu só quero que você fique bem.

MELISSA: - Você acha que eu não posso ser talentosa, crescer não é isso?

SÍLVIA: - Não, Melissa! Eu torço muito por você, filha!

MELISSA: - Não parece!... Fique você sabendo que eu nunca vou sair da GF, está ouvindo? Nunca!

Melissa sai apressada para o interior da casa. Sílvia fica aflita na sala. Laerte entra no local, vindo da rua.

LAERTE: - O que está acontecendo? Ouvi os gritos lá da garagem...

SÍLVIA: - A Melissa, Laerte...

LAERTE: - O que tem a Melissa?

SÍLVIA: - A grife onde ela está trabalhando é a Gonzales Fashion.

LAERTE (surpreso): - O quê?!

SÍLVIA: - A Melissa é assistente da Rosana!

LAERTE: - Cedo ou tarde isso ia acontecer.

SÍLVIA: - Isso nunca poderia acontecer! Imagina se ela descobre a verdade? Eu nunca iria me perdoar.

LAERTE: - Você acha que a Rosana seria capaz de fazer alguma coisa contra a Melissa?

SÍLVIA (aflita): - Se a Rosana já não quis a menina quando ela nasceu... Eu não quero nem pensar no que pode acontecer. Eu falei para a Melissa sair da GF, mas ela não quer. Eu estou com medo, Laerte.

LAERTE: - Calma, Sílvia. Não vamos ficar pensando no pior...

SÍLVIA: - Que nada de ruim aconteça, meu Deus! Eu amo a Melissa demais, não quero perdê-la. Não quero!

CENA 14. CASA MAURO. SALA. INT. NOITE.

Vitinho na sala com Rosana. Ela quieta, pensativa.

ROSANA (a si mesma): - Júlio, CarioLinda, Tereza Sampaio... Não gosto nada dessa história...

VITINHO: - Ai ai ai, madame. Não gosto quando você assim, quieta.

ROSANA: - Estou pensando numa coisa aqui, que eu preciso fazer. E você vai me ajudar.

VITINHO: - O que?

ROSANA: - Você é meu parceiro mesmo? Fiel?

VITINHO: - Claro, madame! Pode contar comigo para qualquer coisa.

ROSANA: - Ótimo... Então vamos sair porque o que eu preciso fazer é urgentíssimo. Aproveitar que o Mauro não está aqui.

VITINHO: - E ele está aonde? Desculpe perguntar, sei que não é da minha conta.

ROSANA: - Mauro está na casa do Gilson. Enquanto isso, nós vamos fazer outra visita... (ri)

CENA 15. MANSÃO LINHARES. QUARTO FERNANDO. INT. NOITE.

Fernando está em seu quarto, falando ao celular com Marília. Maria Helena chega para entrar no local, mas percebe a conversa do filho e fica escutando próxima da porta. Fernando não percebe.

FERNANDO (ao telefone): - O jantar estava ótimo. Na verdade, a sua companhia é que estava maravilhosa. (pausa) Vamos no ver mais vezes sim. Eu já falei que eu estou apaixonado. Não quero me afastar de você nem por um segundo! (pausa) Tá certo, não vou te atrapalhar aí. Não fica até mais tarde na agência não, ok? Vai pra casa, descansar. (pausa) Beijo. (desliga o telefone) Amo você...

Neste instante, Maria Helena entra no quarto.

MARIA HELENA: - Quem é a mulher responsável por fisgar o coração do meu filho amado?

FERNANDO: - Ouvindo atrás da porta, mamãe?

MARIA HELENA: - Eu estava passando pelo corredor e acabei ouvindo alguma coisa sim da conversa... Ah, Fernando, que bom ver você assim, amando.

FERNANDO: - Eu estou muito feliz, mãe. Expectativas são as melhores.

MARIA HELENA: - Pois então eu quero conhecer essa moça! Traga ela para jantar aqui em casa.

FERNANDO: - Mamãe, a gente ainda está se conhecendo.

MARIA HELENA: - Pra quê ficar esperando tanto tempo para apresentar a minha futura nora? Amanhã mesmo farei um jantar especial para recebê-la. Ela mora aonde?

FERNANDO: - Na Gávea. Tem uma bela mansão por sinal.

MARIA HELENA: - Mansão? Ótimo!... Traga essa moça aqui. Quero conhecê-la. (beija Fernando) Já vou torcer desde já para esse romance vingar.

Maria Helena sai do quarto. Fernando fica pensativo, com um sorriso nos lábios. Do lado de fora, no corredor, Maria Helena se afasta do quarto.

MARIA HELENA: - Mansão na Gávea, moça rica pelo visto. Será loira de olhos azuis? Cabelos pretos e traços ibéricos? Como é bom imaginar a futura nora! (risos)

CENA 16. GALPÃO CARIOLINDA. EXT / INT. NOITE.

Rosana e Vitinho chegam à frente do galpão onde é o atelier da CarioLinda.

ROSANA: - Então é aqui que o desgraçado pretende começar a trabalhar...

VITINHO: - Desgraçado quem, madame? Olha só, eu não estou gostando nada dessa história. A senhora está muito estranha... Pra quê esses galões de gasolina lá do porta-malas?

ROSANA (encara Vitinho): - Você é meu companheiro, não é?

VITINHO: - Sou, claro. Já disse isso. Até vamos juntos para Nova York nos próximos dias...

ROSANA: - Então, lembra quando eu falei pra você que tinha gente querendo me derrubar? Essa gente é daqui. Desse galpão maldito.

VITINHO: - Madame, você tem certeza?

ROSANA: - Tenho, Vitinho. Por isso que eu preciso dar um fim neles antes que eles acabem comigo!

VITINHO: - Mas não dá pra gente entrar, deve ter alarme, essas coisas.

ROSANA: - Será? Vamos tentar...

Os dois saem do carro. Vitinho força o portão.

VITINHO: - Tem cadeado.

ROSANA: - Mas nem sinal de alarme. Acho que não tem segurança nenhuma. Pega a serrinha na caixa de ferramentas. Vamos serrar o cadeado e invadir.

Corta para os dois dentro do galpão. As máquinas de costura, manequins, tecidos, tudo organizado. Vitinho deixa os galões de gasolina no chão. Rosana caminha pelo galpão, olhando tudo. Vê a blusa feita por Sílvia num manequim.

ROSANA: - Até que eles tem bom gosto...

Numa das paredes, há alguns desenhos. Vitinho os observa. Enquanto isso, Rosana vai espalhando gasolina pelo local.

VITINHO: - Mas esses desenhos são os desenhos da Rosana... Madame corre aqui!

Rosana não dá ouvidos, espalha gasolina pelo galpão.

VITINHO: - Madame!

ROSANA: - Cala a boca, Vitinho! Agora eu não posso...

VITINHO: - Você precisa ver isso, vem... (olha para Rosana, se assusta) Você já está espalhando isso?!

ROSANA: - É óbvio! Não quero ficar nem mais um minuto aqui dentro. Essa gente vai aprender que com Rosana Gonzales não se brinca!


Vitinho se afasta, se aproxima de Rosana, que limpa as mãos na roupa. Em seguida, acende um fósforo e joga no chão. Em pouco tempo, o fogo começa no galpão.

 


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