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Relações Perigosas - Capítulo 46

Novela de Felipe Porto
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VALE A PENA LER DE NOVO: RELAÇÕES PERIGOSAS
 
     
 
 
     
  NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "RELAÇÕES PERIGOSAS":

Marcelo — (Preocupado) O que foi?

Milena — A mãe apareceu lá em casa. Pegou o passaporte e tá armada. (Pra Wagner) A nossa conversa não vai mais acontecer, Wagner. Até porque eu quero que ela mesma me conte tudo.

Wagner — Mais do que justo.

Marcelo — (Se levanta) Eu vou com você.

Luísa — Vocês tem certeza disso? Ela é sua mãe, mas é uma mulher perigosa.

Milena — Eu sei Luiza. Mas eu preciso fazer isso.

Marcelo — Chamem a polícia.

Milena e Marcelo saem. Na aflição de Luísa e Wagner.

...

Bianca — Vocês?

Milena — A gente precisa conversar.

Bianca — Agora não dá, Milena.

Milena — Agora sim! Eu quero saber da sua boca o que é essa Yellow Submarine.

Bianca — (Surpresa) Quem te falou isso?

Milena — O Wagner. Ele ia nos contar essa história, mas eu quero ouvir de você.

Bianca — Não tem nada pra ser contado. Agora sai da minha frente.

Milena — Não!

Bianca coloca a mão na bolsa e tira o revólver.

Bianca — Não me obriga a ter que usar isso, Milena.

Marcelo — Calma, Bianca.

Milena — Então usa. Porque eu não vou deixar você sair daqui até me contar sobre isso e sobre o que aconteceu no dia em que o meu pai foi atirado daquela janela.

Closes alternados na tensão de Marcelo, Milena e Bianca.

 
     
 
     
     
     

CAPÍTULO 46 (ÚLTIMO CAPÍTULO)
 
     
 

CENA 01. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Continuação da última cena do capítulo anterior.

Música: Instrumental Tensão.

Bianca com a arma em mãos, apontando para Milena e Marcelo.

Marcelo — Abaixa essa arma, Bianca. Por favor.

Bianca  — Como vocês souberam que eu tava aqui? Quem mais tá em casa?

Bianca olha pras escadas.

Bianca — (Para Milena) A sua irmã tá aqui, né?

Bianca começa a subir as escadas.

Milena — (Segue-a) Volta aqui!

Bianca se volta para Milena e aponta a arma.

Bianca — Não me segue.

Marcelo segura Milena.

Marcelo — Deixa ela.

Bianca continua subindo as escadas.

Milena — (Preocupada) A Yasmin tá lá. Ela/

Marcelo — (Corta/Sutil) Ela não vai fazer nada. Fica calma.

Em Milena preocupada. [Instrumental off].

CENA 02. ap de luísa. sala. Interior. Dia.

Luísa acaba de desligar o telefone. Wagner por ali.

Wagner — Falou com a polícia?

Luísa  — Sim. Mas já tinham emitido um mandado de prisão contra a Bianca. A polícia já tá indo pra lá.

Wagner — Por que motivo?

Luísa  — Não faço ideia, Wagner.

Wagner — (Decidido) Eu vou pra lá.

Luísa — (Surpresa) Você tá louco?!

Wagner — Eu sei de tudo que aconteceu e preciso me certificar que a Bianca não vai contar nenhuma mentira dessa vez.

Luísa — Se você tivesse contado tudo antes, talvez nada disso acontecesse.

Wagner — Não esqueça que você também se calou.

Luísa — Mas por medo!

Wagner — Agora não é o momento pra gente discutir isso.

Wagner abre a porta da rua e dá de cara com Rogério, que está com o celular na mão e um semblante preocupado.

Wagner — (Para Rogério) Entra. A Luísa tá ali.

Wagner sai. Rogério entra e se aproxima de Luísa, que o beija.

Luísa — Que cara é essa?

Rogério — Eu tava falando com a minha filha, mas a ligação caiu. Ela tava nervosa... To preocupado.

Luísa — A Bianca tá armada dentro da mansão.

Rogério — (Surpreso) Que?! Como assim?

Luísa — Calma, a Milena e o Marcelo já tão lá.

Rogério — Eles não podem enfrentar a Bianca! Aquela mulher é louca!

Luísa — A policia também já ta indo, se acalma. Não vai adiantar nada a gente ir pra lá.

Na tensão de Rogério.

CENA 03. casa de giancarlo. quarto de yasmin. Interior. Dia.

Música: Instrumental Tensão.

Yasmin com o celular em mãos, nervosa.

Yasmin — Droga. Tinha que acabar a bateria logo agora.

Yasmin se assusta com algumas batidas fortes na porta.

Bianca — (Off/Tom Suave) Filha! Abre a porta pra sua mãezinha!

Yasmin se afasta da porta, acuada.

Bianca — (Off/Tom Suave) Responde! Eu sei que você tá aí! Abre!

Yasmin — Vai embora! Você tá me assustando!

CENA 04. casa de giancarlo. corredor segundo andar. Interior. Dia.

Instrumental continua. Bianca, segurando a arma, diante da porta fechada do quarto de Yasmin.

Bianca — (Irritada) Abre logo essa porta, garota! Eu não to brincado!

Yasmin — (Off/Grita) Sai daqui!

Bianca — (Grita) Eu mandei você abrir a droga dessa porta!

Bianca aponta a arma para fechadura da porta e aperta o gatilho.

CENA 05. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Instrumental continua. Milena e Marcelo ali, tenso. Escuta-se um tiro vindo do andar superior. Milena dá um grito e corre em direção as escadas. Marcelo vai atrás, mas eles são interceptados por Bianca, que puxa Yasmin pelo braço.

Bianca — (Aponta a arma para Milena) Eu mandei vocês ficarem aqui.

Marcelo e Milena vão recuando. Wagner entra da rua.

Wagner — Bianca, para com isso. A polícia já ta vindo pra cá com um mandado de prisão.

Bianca — Mas o que é isso? Uma reunião?

Marcelo — (Para Wagner) O que você tá fazendo aqui?

Wagner — Me certificando de que ela não vai enganar vocês mais uma vez.

Milena — (Para Bianca) A conversa é só entre nós. Deixa a minha irmã sair daqui.

Tensão. Closes alternados entre todos, finalizando em Bianca, pensativa. [Instrumental off].

CENA 06. ap de luísa. sala. Interior. Dia.

Rogério inquieto, andando de um lado para o outro. Luísa o observa, também angustiada.

Luísa — Vou pegar uma água pra ver se você se acalma.

Rogério — Não, Luísa. Eu quero notícias, isso sim.

Bernardo entra da rua.

Bernardo — Olá família. (Percebe) Que clima tenso é esse?

Rogério — (Decidido) Eu não vou ficar aqui de braços cruzados enquanto a louca da Bianca tá lá com uma arma ameaçando todo mundo.

Bernardo — Alguém pode me explicar o que tá acontecendo?

Luísa — É melhor a gente ficar aqui, Rogério.

Rogério — Não! É melhor a gente tá lá.

Luísa — Tudo bem, então eu vou com você.

Bernardo — (Insiste) O que tá acontecendo?

Luísa — Vem com a gente que no caminho eu te explico.

Os três saem para a rua.

CENA 07. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Continuação da cena 05.

Música: Instrumental Tensão.

Bianca larga Yasmin e a empurra para cima de Milena, que abraça a irmã.

Bianca — Tá. Vai. Pode ir.

Yasmin — (Para Milena) Por que ela tá fazendo isso, Milena?

Milena — Não sei. Mas eu vou descobrir isso. Agora vai.

Bianca — Parem de conversinha e sai logo daqui!

Yasmin abraça Milena mais uma vez e sai.

Milena — (Para Bianca) Agora você vai me contar tudo o que aconteceu no dia em que o meu pai morreu.

CENA 08. casa de giancarlo. jardins. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Nogueira, diversos policiais e carros da polícia cercam o local. Rogério, Luísa e Bernardo se aproximam de Nogueira.

Rogério — Delegado, vocês precisam invadir a casa.

Nogueira — Não é tão simples. Pelo que falaram a suspeita tá armada e com reféns.

Rogério — A minha filha tá lá!

Luísa — (Aponta) Ela tá saindo!

Yasmin corre até Rogério e o abraça.

Rogério — (Preocupado) Como é que você tá?

Yasmin — To bem. A mãe que tá louca com uma arma na mão.

Nogueira — Quantas pessoas têm lá?

Yasmin — Quatro. Ela tá armada com uma pistola.

Nogueira — Nós precisamos pensar bem antes de agir. Não podemos colocar a vida de ninguém em risco.

[Instrumental off].

CENA 09. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Continuação da cena 07.

Bianca encara Milena, Marcelo e Wagner.

Wagner — Mentir pra abafar o escândalo não vai adiantar nada. A polícia tá lá fora. Tudo o que você fez Bianca, foi em vão.

Bianca — Isso é uma questão de ponto de vista.

Bianca enxuga uma lágrima que escorre e sorri.

Bianca — Mas tudo bem. Se é a verdade que vocês querem, é a verdade que eu vou dar pra vocês.

Marcelo — A mesma verdade que você contou antes?

Bianca — Não. A verdade mesmo! O Wagner tá certo: não adianta mais eu esconder isso.

Marcelo — Então aquela história de que a minha mãe e o Coimbra foram amantes era mentira?! Meu pai não fugiu comigo pra se vingar da minha mãe?!

Bianca — O Alcides sumiu pra se vingar da Ana Carolina sim. Só que a história não aconteceu exatamente da forma que nós contamos... Mas calma, eu vou contar direitinho, tudo o que aconteceu nos dias que antecederam o sumiço do Alcides e a morte do Coimbra.

Closes alternados em Wagner, Milena, Marcelo e Bianca.

 

____________ INÍCIO DA 1ª PARTE DOS FLASHBACKS ____________

 

CENA 10. sobrado de gregório. sala. Interior. Dia.

Mesmo sobrado de Gregório utilizado no capítulo 44, com algumas modificações na decoração. Bianca (33 anos) e Gregório (30 anos) se beijam. Tempo e ela o empurra.

Bianca — Para, Gregório.

Gregório — Que foi? Você não quer?

Bianca — É claro que eu quero, mas a gente tem coisas importantes pra conversar.

Gregório — Tipo sobre o que, Bianca?

Bianca — Sobre o Coimbra. Ele tá desconfiado!

Gregório — Deixa de paranoia, o Coimbra nunca vai descobrir o nosso caso.

Bianca — Eu não to falando de nós. Eu to falando dos nossos negócios.

Gregório — O que aconteceu dessa vez?

Bianca — O Coimbra andou questionando o fluxo de caixa. Ele tá achando que alguma coisa não ta batendo.

Gregório — E quais são as chances dele acabar chegando na...

Bianca — Altíssimas, Gregório. Assim que ele constatar que as contas não estão batendo, mais cedo ou mais tarde ele vai chegar no nosso esquema.

Gregório — Você tem razão. A gente precisa tirar o Coimbra e o Alcides do nosso caminho o quanto antes.

Bianca — A Ana Carolina também, né? Porque não adianta nada você se livrar do seu irmão sem se livrar dela.

Gregório — E ainda tem o Marcelo.

Bianca — Ah, Gregório! Vai se mixar por causa de uma criança? O pivete é o de menos! Deixa os lambaris pra depois, agora a gente tem é que focar nos peixes grandes.

Gregório — Alguma ideia?

Bianca — Talvez. Um pouco louca... Ousada.

Gregório — Fala. To escutando.

Bianca — O que eu vou sugerir agora tem chances de dar errado. Mas se der certo, a gente vai se livrar do Coimbra, do Alcides, da Ana Carolina e ninguém vai conseguir nos envolver no que aconteceu.

Bianca continua falando em off.

CENA 11. cafeteria. ambiente. Interior. Dia.

Ambiente moderno e requintado. Gregório e Coimbra (35 anos) sentados à mesa. Conversa já iniciada.

Coimbra — (Revoltadíssimo) Eu não acredito que você me trouxe até aqui pra falar um absurdo desses!

Gregório — Pode parecer absurdo, mas é verdade! A Bianca tá te traindo com o Alcides!

Coimbra — O Alcides é meu amigo, meu sócio, ele nunca ia fazer uma coisa dessas comigo.

Gregório — Pelo jeito você tá enganado em relação a ele.

Coimbra — A troco de que você tá falando isso? O Alcides é seu irmão.

Gregório — É meu irmão, mas isso que ele e a Bianca estão fazendo é errado! Não é justo que você seja enganado dessa forma.

Coimbra — (Incrédulo) Você falou, falou, mas até agora não me mostrou nenhuma prova. Só a sua palavra não me basta.

Gregório — Você quer provas, eu vou te dar.

Gregório tira algumas fotos de uma pasta.

Gregório — Essas fotos falam por si só.

Gregório entrega as fotos para Coimbra, que olha atentamente.

Nas fotos aparecem Alcides com parte do corpo deitado sobre o capô do carro de Bianca e ela por cima dele. O rosto dos dois estão bem próximos, quase se beijando.

Coimbra olha todas as fotos com muita revolta.

Coimbra — Isso não pode ser verdade! A Bianca e o Alcides?

Coimbra pega um copo e atira no chão.

Coimbra — (Raiva) Vagabunda!

Algumas pessoas que estão no local, olham para Coimbra.

Gregório — Calma, Coimbra. Não adianta nada você quebrar tudo aqui.

Coimbra — E o que você sugere que eu faça depois que vi essas fotos nojentas?! Que fique quieto?! Que vire corno manso?! Eu não vou ficar quieto!

Gregório — Nem eu to sugerindo isso!

Coimbra — Eu fui traído da pior forma, Gregório! Pela minha mulher e pelo meu amigo! Eu to com tanta raiva dele que sou capaz de quebrar a cara do Alcides quando ver ele.

Gregório — Ou você pode fazer melhor.

Coimbra — (Não entende) Melhor como?

Gregório — Você pode se vingar do Alcides na mesma moeda.

Coimbra — Continuo sem entender. Você pode ser mais claro?

Gregório — Seduza a Ana Carolina! Faça o Alcides sofrer da mesma forma que você sofreu!

Coimbra — (Reage/Surpreso) Que?! Você tá louco?! Eu não vou usar a Lei de Talião! Olho por olho só serve pra deixar o mundo caolho!

Gregório — É pesado, eu sei. Mas o Alcides não merece a sua pena.

Coimbra — Mas e a Ana? Ela é inocente nessa história toda.

Gregório — Mas não merece o marido que tem.

Coimbra — Acho isso errado./

Gregório — Errado é o que o Alcides e a Bianca estão fazendo com vocês!

Coimbra — (Reticente) Não sei, Gregório...

Gregório — O Alcides precisa aprender!

Coimbra — É, pode ser. O Alcides precisa sofrer de alguma forma. (Tom) E a Bianca?

Gregório — Cada coisa à seu tempo. Mas então você vai seduzir a Ana Carolina?

Coimbra — Nem que seja a última coisa que eu faça na vida.

Coimbra sorri.

Gregório — (Off/Pensa) Tenho certeza que vai.

Gregório sorri de volta.

CENA 12. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia.

Stock-shot da cidade na época. Offs de Bianca da atualidade.

Bianca — (Off) Gregório convenceu Coimbra em seduzir a Ana Carolina.

CENA 13. clube. estacionamento. Exterior. Dia.

Cena já exibida: cena 8 do capítulo 40.

Coimbra pega no braço de Ana Carolina a puxa para perto de si e a beija. Surpresa, Ana Carolina fica sem ação por um tempo, até que empurra Coimbra.

Ana Carolina e Coimbra se encaram por um breve tempo, até que ela dá as costas e vai embora sem falar nada. Coimbra sorri, satisfeito.

A voz de Bianca dos dias atuais continua sobre a cena:

Bianca — (Off) O Coimbra tinha charme, lábia. Não seria difícil ele ludibriara ela... Mas as coisas não saíram exatamente como a gente esperava. A Ana foi arredia, se esquivava das investidas do Coimbra... Aqui a gente poderia ter abortado com o plano, mas eu achei que era tarde de mais... O Coimbra tinha que levar a Ana Carolina pra cama. Por bem ou por mal.

CENA 14. bistrô. ambiente. Interior. Dia.

Gregório e Coimbra bebem um drink. Conversa já iniciada.

Coimbra — Ela não ta cedendo. To pensando seriamente em desistir de tudo isso.

Gregório — Não! Você não pode desistir! Ou você acha que o Alcides não tem que pagar pelo que fez?

Coimbra — Claro que tem! Mas a Ana Carolina não colabora!

Gregório — Se ela não quer colaborar por bem, faça ela colaborar por mal.

Coimbra — (Reage) Espera aí! Eu não vou violentar ninguém!

Gregório — Que violentar, Coimbra?! Eu não falei isso! O que eu to querendo dizer é que o Alcides só precisa pensar que vocês foram pra cama.

Coimbra — Com que objetivo? Isso não tá fazendo sentido algum.

A fala de Gregório começa a entrar num tom cada vez mais sombrio.

Gregório — Porque você tá tendo uma visão pequena das coisas. Não esqueça que o seu objetivo nisso tudo, nunca foi levar a Ana Carolina pra cama e sim se vingar do Alcides. Com o que eu vou te sugerir, você não precisa consumar o fato, mas o Alcides vai pensar que vocês dois mantém um caso.

Coimbra — E aí ele vai sentir na pele o que eu senti.

Gregório — Isso. Você vai pagar na mesma moeda.

Coimbra — E como eu vou levar a Ana Carolina pra um motel?

Gregório — Dopando ela.

Fecha em Gregório com um ar nebuloso.

CENA 15. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Ana Carolina (35 anos), sozinha falando ao telefone.

Ana Carolina — (Tel/Baixo) Quantas vezes eu vou ter que te pedir?! Para de me ligar! Me esquece! A gente nunca vai ter nada.

Coimbra — (Off) Eu sei que eu to sendo inconveniente, mas eu só te peço pra me encontrar no Clube. Eu te devo desculpas e não pode ser por telefone.

Ana Carolina — (Tel) Acho melhor não.

Coimbra — (Off) Só essa vez. Depois eu juro que não te importuno mais.

Ana Carolina pensa por alguns instantes.

Ana Carolina — (Tel) Tudo bem. Final da tarde a gente se encontra lá.

Ana Carolina desliga o telefone e suspira.

CENA 16. ap de luísa. sala. Interior. Dia.

Ana Carolina e Luísa (30 anos). Conversa já iniciada.

Luísa — Não vai nesse encontro, Ana! Pelo amor de Deus!

Ana Carolina — Isso não é um encontro, Luísa.

Luísa passa a mão nos cabelos, confusa.

Luísa — Ana, nós somos amigas há muitos anos. Fala a verdade pra mim: você e o Coimbra não tão mesmo tendo um caso?

Ana Carolina — (Ofendida) Eu não to acreditando que você esteja fazendo uma pergunta dessas pra mim?! Você é a minha melhor amiga!

Luísa — Por isso eu acho que você pode se abrir comigo caso/

Ana Carolina — (Corta) Para, Luísa! Para com isso porque se não a gente vai brigar feio!

Luísa — Eu mesma fiz muita besteira nessa vida e neguei até a morte.

Ana Carolina — (Irritada) Chega! Eu não vou ficar aqui ouvindo as suas insinuações!

Ana Carolina pega a sua bolsa.

Ana Carolina — Eu vim aqui porque pensei que pudesse contar com o conselho de uma amiga. Mas pelo visto você tá mais preocupada em me julgar e tirar as suas próprias conclusões.

Ana Carolina vai abrir a porta, mas é impedida por Luísa.

Luísa — Não, Ana! Espera! Desculpa! Eu não quis te julgar. Se você disse que nunca teve nada com o Coimbra eu acredito em você.

Luísa abraça Ana Carolina.

Luísa — Quando você combinou de se encontrar com o Coimbra?

Ana Carolina — Daqui a pouco.

Luísa — Se precisar de mim é só ligar.

Ana Carolina sorri e consente.

CENA 17. clube. bar/restaurante. Interior. Dia.

Coimbra na beira do balcão do bar com dois drinks. Ele tira do bolso um frasco e despeja o liquido dentro de um dos copos. Coimbra guarda o frasco no bolso. Ana Carolina entra no local e vai até Coimbra.

Ana Carolina — Pronto. To aqui.

Coimbra — (Oferece o copo “batizado”) Pedi pra gente.

Ana Carolina pega o copo, mas não bebe.

Ana Carolina — Fala logo o que você quer.

Coimbra — Eu queria dizer que eu gosto muito de você.

Ana Carolina começa a beber o liquido do copo.

Ana Carolina — Não começa, Coimbra. Se você me chamou aqui pra/

Coimbra — (Corta) Não. Eu te chamei aqui pra pedir desculpas se eu te causei algum tipo de constrangimento.

Ana Carolina — (Bebe um pouco mais) Foi muito desagradável o que aconteceu. Você é amigo do meu marido!

Coimbra — E eu to profundamente arrependido.

Coimbra disfarça e olha para o copo de Ana Carolina, já pela metade.

CENA 18. rua. ambiente. Exterior. Dia.

Gregório e Bianca conversando.

Bianca — O Coimbra tá lá dopando a vagabunda?

Gregório — Tá sim. A Ana Carolina não vai desmaiar, mas vai ficar completamente fora do ar.

Bianca — Perfeito. A arma já tá no porta-luvas do seu carro?

Gregório — Sim.

Bianca — Então liga pro Alcides.

Gregório e Bianca caminham até um telefone público. Gregório disca um número.

Gregório — (Tel) Alcides.

Alcides — (Off) Sim? Gregório por que você tá demorando tanto?

Gregório — (Tel) Sabe aquela história de terno? Era mentira. Eu segui a Ana Carolina.

Alcides — (Off) Você tá louco?! Por que você fez isso?! Eu disse que era paranoia minha!

Gregório — (Tel) Talvez não seja. Sabe aquele Clube que tem na Urca? Vem pra cá o mais rápido possível.

Gregório desliga o telefone.

Gregório — (Para Bianca) Ele tá vindo.

Bianca — Ótimo. Você sabe o que fazer depois, né?

Gregório — Fica tranquila. Eu vou ser aquele diabinho que fica atormentando até a pessoa fazer alguma besteira.

Bianca — (Sorri) Eu confio no seu poder de persuasão.

Gregório — Nós vamos nos livrar de todos ele, um por um.

Bianca e Gregório se beijam de forma intensa e apaixonada.

CENA 19. clube. bar/restaurante. Interior. Dia.

Coimbra e Ana Carolina conversando. Ela visivelmente tonta.

Coimbra — Tudo bem com você?

Ana Carolina — Não sei. To meio tonta.

Coimbra — Quer uma ajuda?

Do outro lado do bar, Coimbra vê Alcides e Gregório na porta. Imediatamente Coimbra beija Ana Carolina. Ainda beijando-a, ele abre os olhos e vê que Alcides e Gregório já não estão mais na porta. Ainda meio tonta, Ana Carolina afasta Coimbra.

Ana Carolina — (Desnorteada) Para. O que você tá fazendo?

Coimbra — Desculpa, Ana. Foi mais forte que eu.

Ana Carolina — Eu quero ir embora daqui.

Ana Carolina se levanta, mas quase cai. Coimbra a ampara.

Ana Carolina — Tá tudo rodando. Eu não sei o que tá acontecendo.

Coimbra — Você não tá bem. Vamos sair daqui.

Ana Carolina — Eu não quero a sua ajuda.

Coimbra — Você não tá em condições de negar ela.

Ana Carolina sai apoiada em Coimbra, pela porta que dá para a área externa do clube.

CENA 20. clube. saguão. Interior. Dia.

Alcides muito revoltado. Gregório atrás dele.

Gregório — Eu te avisei, Alcides.

Alcides — Eles tavam se beijando! A minha mulher e o meu melhor amigo!

Gregório — No fundo eu sempre soube que a Ana Carolina não prestava.

Alcides — Cala a boca, Gregório! Eu preciso pensar.

Alcides vai até a porta do bar/restaurante e não vê Ana Carolina e Coimbra.

Alcides — Eles sumiram.

Gregório — Não tem nada que pensar. Vamos atrás deles, descobrir pra onde eles vão.

Alcides olha para Gregório, tenso.

CENA 21. motel. frente. Exterior. Dia.

Música: Instrumental Suspense.

Carro de Alcides parado em frente a um motel.

Corta para o interior do carro:

Alcides e Gregório. Alcides inconformado.

Alcides — Eu não consigo acreditar no que os meus olhos veem.

Gregório — Eu é que não acredito que a Ana e o Coimbra estejam fazendo uma coisa dessas.

Alcides — To completamente perdido...

Gregório tira escondido da cintura, um revólver.

Alcides — Pra que isso?

Gregório — (Estende a arma) Pra você.

Alcides — (Hesita) Não, eu não posso.

Gregório — O que não pode é a sua mulher te colocar chifre com o seu amigo! O que não pode é você deixar que esses dois riam da sua cara! Isso que não pode!

Gregório pega a mão de Alcides e coloca o revólver na mão do irmão. Alcides olha para a arma, tenso.

Alcides — Mas e o meu filho?

Gregório — O Marcelo não merece uma mãe como ela. Enquanto você tava dando duro, ela tava na cama com outro. Você precisa dar um basta nisso.

Perturbado, Alcides encara Gregório. Alcides esconde a arma e sai do carro. Gregório sorri, satisfeito.

CENA 22. motel. quarto. Interior. Dia.

Instrumental continua. Ana Carolina na cama dormindo. Coimbra em pé. Batidas na porta.

Coimbra — (Sorri) Deve ser ele.

Coimbra tira a camisa e abre a porta. Alcides entra apontando a arma.

Coimbra — (Surpreso) Alcides?! O que você tá fazendo aqui?

Alcides — (Revoltado) Não acha que era eu quem deveria fazer essa pergunta?

Alcides vai até Ana Carolina e a sacode com violência.

Alcides — (Grita) Acorda sua vagabunda!

Coimbra — (Baixo/Preocupado) O que ele tá fazendo com essa arma? (Alto) Eu vou chamar a polícia.

Alcides — Aproveita e chama também o IML, porque eu vou meter uma bala na cara de vocês dois.

Closes alternados: Ana Carolina acordando desnorteada, Coimbra tenso e Alcides furioso.

CENA 23. motel. frente. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Gregório falando em um telefone público, perto do carro de Alcides.

Gregório — (Tel) Fica tranquila, Bianca. O Alcides entrou no motel com uma arma na mão e sangue nos olhos. Se a gente der sorte, o Alcides já sai daqui preso. (Ri) Pode encomendar os caixões que hoje teremos velório duplo.

Gregório vê Alcides sair apressado do motel.

Gregório — (Tel) Ele tá voltando, depois a gente se fala.

Gregório desliga o telefone e corre até Alcides.

Gregório — (Ansioso) O que aconteceu?

Na tensão de Alcides. [Instrumental off].

CENA 24. sobrado de gregório. sala. Interior. Noite.

Furiosa, Bianca atira um vaso contra a parede e quase atinge Gregório. Ritmo de discussão.

Gregório — Para com isso! Você vai quebrar a casa toda!

Bianca — Burro! A única coisa que você precisava fazer era convencer o Alcides a dar dois tiros: uma na vagabunda da Ana Carolina e outro no imbecil do meu marido! Mas nem pra isso você serviu!

Gregório — Só isso?! Eu tive que convencer todo mundo: o Coimbra, o Alcides! Tudo por causa desse seu plano psicodélico que tinha tudo pra dar errado!

Bianca — Agora que deu errado, é fácil colocar a culpa em mim!

Gregório — Era bem mais simples nós mesmos termos matado os três do que ficar com planinho.

Bianca — Mais fácil de executar e mais fácil da polícia nos pegar. Ou você acha o que? Que a polícia não iria investigar três homicídios de pessoas da alta sociedade carioca? Fora os jornalistas que iam ficar fuçando na notícia igual urubus.

Silêncio. Os dois se acalmam um pouco.

Gregório — O que a gente vai fazer agora?

Bianca — Não sei, eu to com a cabeça explodindo. Amanhã a gente vê isso.

Entra off de Bianca da atualidade.

Bianca — (Off) Mas não teve amanhã. No dia seguinte o Alcides sumiu com você, Marcelo, por aqueles motivos que vocês sabem muito bem. A verdade é que as coisas já tinham fugindo do nosso controle.

 

_____________ FIM DA 1ª PARTE DOS FLASHBACKS _____________

 

CENA 25. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Bianca falando. Milena e Marcelo escutam, perplexos. Wagner ali ao lado deles.

Bianca — O plano era complicado, mas se desse certo ia fazer nós nos livrarmos dos três. O Alcides ia pegar o Coimbra e a Ana Carolina no flagra e iria matar os dois. Depois ia ser preso pelo duplo homicídio e dentro da cadeia a gente daria um jeito de matar ele.

Marcelo — (Perplexo) Vocês são completamente loucos.

Bianca — O Gregório ainda tentou convencer o Alcides que você não era filho dele e sim do Coimbra, mas não adiantou de nada.

Milena — Que horror!

Closes alternados entre Wagner, Bianca, Marcelo e Milena.

CENA 26. casa de giancarlo. jardins. Exterior. Dia.

Várias viaturas da polícia no jardim. Luísa junto de Yasmin. Rogério vai até Nogueira.

Rogério — Você não acha que tá na hora de entrar?

Nogueira — Sim, nós vamos entrar. Só precisamos acertar alguns detalhes táticos.

CENA 27. casa de giancarlo. frente. Exterior. Dia.

De dentro do seu carro, que está do outro lado da rua, Heloísa observa a polícia dentro da mansão. Heloísa está com óculos escuros e uma echarpe cobrindo a cabeça. Ela tira os óculos.

Heloísa — Era só o que me faltava. A polícia aqui pra atrapalhar os meus planos. (Tom) Mas tudo bem, eu vou dar um jeito.

Heloísa coloca os óculos e fica ali observando tudo.

CENA 28. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Marcelo, Milena, Bianca e Wagner.

Marcelo – E aquela foto que o tio Gregório mostrou pro Coimbra? Que tavam o meu pai e você juntos.

Bianca – Me joguei em cima do Alcides, fiz uma cena e o Gregório bateu a foto no momento certo. Uma imagem pode ser interpretada de diversas formas.

Milena — (Para Bianca) Por que você queria matar o meu pai? Por que você queria matar os pais do Marcelo?

Bianca — Bem: o Alcides e a Ana Carolina quem queria se livrar mesmo era o Gregório. Questão de herança e ficar com a Barão do Alambique só pra ele. Gregório matava eles e depois dava um jeito de sumir com o Marcelo.

Marcelo — Eu não consigo acreditar que o meu próprio tio tenha participado de um plano tão sórdido.

Bianca — Pois acredite. (Tom) Quanto a morte do seu pai, Milena. Bom...

Wagner — Continua, Bianca. A polícia tá lá fora mesmo. Conta pra eles sobre a Yellow Submarine e como isso culminou na morte do Coimbra.

Bianca — E na sua promoção, né Wagner?

Wagner — Também.

Milena — (Para Wagner) O que aconteceu com o meu pai?

Wagner — Eu desconfio, Milena. Mas quem pode confirmar tudo é a sua mãe.

Milena — (Para Bianca) Continua.

Bianca — O plano de matar os três tinha dado errado. O Alcides tinha sumido com o Marcelo e as coisas tinham fugido do nosso controle.

 

____________ INÍCIO DA 2ª PARTE DOS FLASHBACKS ____________

 

CENA 29. giacomelli exportações. sala de bianca. Interior. Dia.

Bianca e Wagner (35 anos), sentados conversando.

Bianca — Você tá me chantageando, Wagner?

Wagner — Não, Bianca. Não. Eu to propondo uma troca de favores.

Bianca — E o que você vai acontecer se eu não fizer o que você tá pedindo?

Wagner — Para com isso, Bianca. O que é uma promoção perto dos milhões que vocês estão ganhando? Você sabe que eu não ganho nada denunciando vocês. Não quero fazer parte disso, só quero um bônus pelo meu trabalho.

Bianca — Você sabe o que eu posso fazer com você se começar a me ameaçar?

Wagner — Eu não to te ameaçando. E no fundo você sabe que eu sempre mereci essa promoção. Digamos que eu só to impulsionando as coisas.

Bianca — Impulsionando, sei. (Tom) Mas você não me respondeu: o que você vai fazer se eu não te der essa promoção?

Wagner — Nada. Eu não sou louco que querer bater de frente com você. Mas eu acredito no seu bom senso.

Bianca — Tudo bem. Apesar de tudo você é um bom profissional. Eu vou te dar essa promoção.

Wagner — Sabia que você era inteligente.

Bianca — E você esquece de tudo.

Wagner — Fiquem tranquilos que da minha boca não sai nada.

Wagner se levanta e caminha rumo à porta.

Wagner — Só toma cuidado pro Coimbra não descobrir o que vocês estão fazendo. Ele sim vai querer fazer a caveira de vocês.

Wagner sai. Na tensão de Bianca.

CENA 30. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Ana Carolina chora e Luísa a consola.

Ana Carolina — O Alcides sumiu porque achou que eu tava tendo um caso com o Coimbra. Mas era uma armação, Luísa.

Luísa — Armação? Mas por que ele fez isso?

Ana Carolina — Não faço ideia, Luísa. Sinceramente eu to mais preocupada em encontrar o Alcides e o meu filho do que tirar satisfações com aquele canalha. Eu nunca imaginei que ele poderia fazer isso com a gente.

Luísa — Nem eu poderia imaginar que o Coimbra fosse capaz de fazer uma coisa dessas. (Desconfiada) Essa história tá muito estranha.

Em Luísa reticente.

CENA 31. barão do alambique. frente. Exterior. Dia.

O carro de Coimbra para perto do prédio da Barão do Alambique. Coimbra sai de seu carro e vê Gregório, passando com o seu carro.

Coimbra — (Grita) Gregório!

Gregório não escuta e segue o seu percurso com o carro. Rapidamente, Coimbra entra em seu carro e começa a seguir Gregório.

CENA 32. sobrado de gregório. frente. Exterior. Dia.

O carro de Gregório entra na garagem da casa. Tempo e o carro de Coimbra se aproxima. Ele estaciona o carro perto da casa e desce.

Coimbra — Que lugar é esse?

Coimbra olha para outro carro e se aproxima dele.

Coimbra — Esse carro... É o da Bianca. (Desconfiado) O que ela tá fazendo aqui?

Coimbra lentamente vai se aproximando do sobrado.

CENA 33. sobrado de gregório. sala. Interior. Dia.

Coimbra perto de uma janela lateral, mas não é visto. Bianca e Gregório conversando.

Gregório — Agora as coisas definitivamente fugiram do nosso controle.

Bianca — (Revoltada) O seu irmão é um imbecil mesmo. O que deu nele pra fazer isso? Sumir com o Marcelo?

Gregório — Ele quis se vingar da Ana Carolina. Sabia que ela ia sofrer com o sumiço do filho. (Tom) E o Coimbra?

Bianca — Voltou muito agitado.

Gregório — Ele virá atrás de mim.

Bianca — Esquece o Coimbra por enquanto. A gente tem coisas mais importantes pra fazer.

Gregório — (Sorri) Também acho.

Gregório vai abraçar Bianca, mas ela o afasta.

Bianca — Para, eu to falando sério. Um carregamento vai chegar no porto hoje a noite.

Gregório — É grande?

Bianca — A maior dos últimos meses. Tá indo pro Leste Europeu.

Gregório — Achei que esse carregamento fosse partir só no final da semana.

Bianca — É, mas ele foi antecipado. A gente precisa tá perto do armazém 5 do porto, lá pela meia-noite.

Gregório — A gente se encontra lá?

Bianca concorda e os dois se beijam. Vamos buscar a reação surpresa de Coimbra da janela. Tempo nele perplexo, até que ele se afasta da janela.

CENA 34. carro de coimbra. ambiente. Interior. Dia.

Carro em movimento. Coimbra irritadíssimo.

Coimbra — Era o Gregório o amante dela! Não acredito que eu cai que nem um patinho na conversa dele! Mas eles vão me pagar.

Coimbra dá uma freada brusca no semáforo.

Coimbra — E que carregamento é aquele que eles tavam falando? Meia-noite no porto, é? Hoje eu vou descobrir tudo o que você tá me escondendo, Bianca.

Em Coimbra.

CENA 35. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite.

Música: Instrumental Suspense.

Stock-shot do Rio de Janeiro à noite.

CENA 36. cais do porto. ambiente. Exterior. Noite.

Instrumental continua. Coimbra escondido entre os containers à beira do cais. Ele observa de longe Bianca e Gregório conversarem com outro homem (Em torno de 50 anos). Vemos que Coimbra está com uma maquina fotográfica em mãos. Ele bate uma foto sem flash.

Corta para Bianca, Gregório e o homem.

Bianca — Tem certeza que tá tudo certo?

Homem — Há quantos anos a gente faz isso? Quantas vezes eu coloquei vocês em problema?

Bianca — Não custa perguntar.

Gregório — Fica tranquila, Bianca. A carga vai misturada com as caixas da Barão. E a gente já subornou quem precisava.

Bianca — Tudo bem. A carga já ta no navio?

Homem — Sim. Quer ver?

Bianca concorda. Os três entram no navio cargueiro que está atracado no cais. Coimbra se aproxima do local e também entra no navio.

CENA 37. navio. convés. Exterior. Noite.

Instrumental continua. Navio cargueiro atracado. Diversos containers e caixas espalhadas pelo local. Coimbra caminha em torno das caixas e abre uma. Coimbra enfia a mão dentro da caixa e tira uma garrafa da cachaça Barão do Alambique de dentro.

Coimbra — (Confuso) Cachaças da Barão?

Coimbra mexe na garrafa e aparentemente um liquido se move dentro dela. Coimbra abre a garrafa, olha o conteúdo dentro e cheira.

Coimbra — (Perplexo) Eles não podem tá fazendo o que eu to pensando.

Tempo em Coimbra chocado, até que ele sai do navio com a garrafa em mãos.

CENA 38. ap de luísa. sala. Interior. Noite.

Instrumental continua. A campainha toca freneticamente. Wagner vem do quarto, atravessa a sala e abre a porta. Coimbra, com a garrafa em mãos, entra rapidamente.

Wagner — Coimbra? O que você tá fazendo aqui?

Coimbra — Desculpa a hora, Wagner. Mas eu to sem saber o que fazer.

Wagner — O que aconteceu?

Coimbra — Aconteceu que eu descobri que a Bianca e o Gregório Mascarenhas tavam tramando alguma coisa.

Wagner — Como assim?

Coimbra — Eu vi eles juntos e/ Enfim, isso não vem ao caso. O que interessa é que eu segui os dois até o cais do porto e encontrei eles despachando isso.

Coimbra mostra a garrafa da Barão do Alambique.

Wagner — Uma garrafa da Barão. O que tem de mais isso? É a Giacomelli a responsável pela distribuição e exportação das cachaças da Barão.

Coimbra — Não teria problema algum. Mas olha só o que tem dentro das garrafas.

Coimbra larga a garrafa e ela se espatifa no chão. Por cima dos cacos, vemos um pó branco.

Wagner — Isso é...

Coimbra — Cocaína. Eles tão usando a Exportadora e a Barão pra fazer tráfico de drogas.

Wagner — Você tem certeza disso?

Luísa vem do quarto.

Luísa — Que barulho é esse?

Wagner — Nada, Luísa, Volta pro quarto.

Luísa olha para a cocaína e os cacos de vidro no chão.

Luísa — O que é isso?

Coimbra — Eles tão sujando o nome da empresa por causa de mais dinheiro! Como se não bastasse a fortuna que eles tem!

Wagner — Mas por que você tá se preocupando com isso? Você não é dono nem da Barão nem da Exportadora.

Coimbra — E daí? Vai me dizer que você concorda com isso.

Luísa — Alguém pode me explicar o que tá acontecendo?

Wagner — Não é questão de concordar. Cada um com os seus problemas.

Coimbra — Mas é cocaína! Eles até fizeram uma garrafa falsa pra parecer que tem mesmo um liquido dentro dela!

Luísa — A Bianca tá traficando drogas é isso?

Coimbra — Ela e o Gregório. E sinceramente, não sei se o Alcides também não tava envolvido nesse esquema.

Luísa — (Perplexa) To chocada.

Wagner — Você vai denunciar eles pra polícia?

Coimbra — Pode ter certeza que sim. (Tom) Desculpa por incomodar vocês a essa hora. Eu não sabia pra onde ir. Com licença

Coimbra sai para a rua. [Instrumental off].

Luísa olha para a cocaína no chão e em seguida olha para Wagner.

Luísa — Você me pareceu muito tranquilo em relação à tudo isso.

Wagner — E como você queria que eu reagisse?

Luísa — Você tem alguma coisa a ver com essa história, Wagner?

Wagner — Que pergunta cretina é essa?

Luísa — Não sei. De repente você me aparece com uma promoção e/

Wagner — (Corta) De repente não! Anos de trabalho. Olha só Luísa/

Luísa — (Corta) Olha só você. Se você tiver metido nessa história, eu vou acabar descobrindo. (Tom) E limpa essa sujeira.

Luísa entra no quarto. Wagner olha para o chão sujo e bufa.

CENA 39. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite.

Stock-shot da cidade praticamente vazia. Ultimo take da frente do prédio da Giacomelli Exportações.

CENA 40. giacomelli exportações. sala de coimbra. Interior. Noite.

Coimbra derruba tudo que está sobre a sua mesa ao chão.

Coimbra — Eles me enganaram direitinho. Tanto na história do Alcides quanto aqui na empresa.

Bianca entra na sala.

Bianca — O que você tá fazendo aqui?

Coimbra — Eu é que te pergunto? Você não deveria ta em casa?

Bianca — Tava resolvendo uns problemas.

Coimbra — Qual deles? O com o seu amante ou o do carregamento?

Música: Instrumental Suspense.

Bianca — Que? Do que você ta falando?

Coimbra — Não se faz de desentendida. Eu já sei de você e do Gregório.

Coimbra parte pra cima de Bianca e aperta o pescoço dela.

Coimbra — Ele me fez acreditar que o irmão era o seu amante e não ele.

Bianca — (Sem ar) Você tá louco.

Coimbra — E o contrabando? Há quanto tempo vocês fazem isso?

Bianca — (Sem ar) Me solta.

Coimbra larga Bianca e a empurra. Ela passa a mão no pescoço.

Bianca — Vamos pra minha sala. Lá eu explico tudo.

Os dois se encaram.

CENA 41. giacomelli exportações. sala de bianca. Interior. Noite.

Instrumental continua. Bianca serve dois copos de whisky. Ela despeja um outro liquido no copo de Coimbra. Ele não vê. Bianca vai até Coimbra.

Bianca — Toma. Você vai assimilar melhor tudo depois dessa dose.

Coimbra pega o copo e entorna o liquido tudo de uma vez. Coimbra atira o copo vazio na parede.

Coimbra — (Irritado) Para de me enrolar e fala logo! Confessa todas as suas armações! As suas e do Gregório Mascarenhas.

Bianca — A verdade por machucar.

Coimbra — Mais do que eu já to? Continua.

Bianca se aproxima da janela e olha a vista.

Bianca — Esse esquema do contrabando é feito há alguns anos. A gente aproveita as exportações da Barão pra camuflar os produtos na viagem.

Coimbra — São só drogas?

Bianca — Não. A gente já enviou armamento também. Esse é menos complicado porque sai do Brasil. A cocaína é um pouco mais complicado, já que ela vem da Colômbia e nós repassamos aqui.

Coimbra — E você usam as empresas pra lavar esse dinheiro, não é?

Bianca — Exatamente.

Coimbra — Bem que eu desconfiei que tinha alguma coisa errada no fluxo de caixa da Exportadora.

Bianca — Sim, e foi por isso que a gente inventou aquela história da traição.

Coimbra — Por quê?

Bianca — Pra você pegar ódio do Alcides e forjar uma situação embaraçosa entre você e a Ana Carolina.

Coimbra — Que história louca.

Bianca — Louca, mas que teria dado certo se não fosse por um detalhe...

Coimbra — O Alcides não ter atirado nem em mim e nem na Ana.

Bianca — Exatamente. Ele matava vocês dois, ia preso e na cadeia a gente acabava com ele. Nos livrávamos de três coelhos com uma cajadada só. (Sorri) Bom, não?

Coimbra parte pra cima de Bianca, que está perto da janela. Ele vai enforca-la, mas fica tonto.

Bianca — Gostou do meu drink feito especialmente pra você?

Coimbra — O que você colocou aqui?

Bianca — A mesma coisa que você colocou na bebida da Ana Carolina. É pra te deixar mais soltinho.

Coimbra — (Zonzo) Vagabunda.

Bianca — (Debocha) Ah, você achou mesmo que depois de tudo isso, eu ia deixar você ir correndo pra polícia nos denunciar?

Coimbra — Vocês dois vão ser descobertos e vão ter que pagar por tudo que fizeram.

[Instrumental off]. Bianca acaricia Coimbra e sorri.

Bianca — Talvez... Mas hoje não.

Com muita força, Bianca empurra Coimbra sobre a janela.

CENA 42. giacomelli exportações. frente. Exterior. Noite.

A vidraça de uma das janelas se estilhaça e Coimbra cai do alto do prédio. Seu corpo chega ao chão e uma poça de sangue forma ao redor. Fecha no rosto de Coimbra, com os olhos arregalados.

 

_____________ FIM DA 2ª PARTE DOS FLASHBACKS _____________

 

CENA 43. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Milena, Marcelo e Wagner escutando Bianca falar.

Bianca — Eu não podia deixar que o seu pai me denunciasse, Milena. Você me entende?

Milena — Você mata o meu pai por um motivo tão banal e ainda pergunta se eu te entendo? Você só pode tá tirando com a minha cara.

Marcelo — E por que o Wagner não teve o mesmo fim do Coimbra?

Wagner — Porque o meu objetivo nunca foi entregar eles pra polícia. Temos depois, quando a Luísa descobriu tudo, ela quis fazer isso. Mas eu consegui convencê-la de que era burrice... Foi aí que o nosso casamento começou a desmoronar.

Marcelo — Então foi isso que ela quis dizer pra gente, quando começamos a investigar tudo isso.

Insert da cena 40 do capítulo 12: (Clinica de Repouso/Quarto de Luísa):

Luísa — Eu só vou dar um conselho pros dois: Esqueçam essa história, vocês tão entrando num caminho obscuro demais.

Milena — Então a senhora sabe de alguma coisa?

Luísa — Esqueçam isso... Ou então são vocês que podem acabar caindo de uma janela.

Volta à cena.

Wagner — Provavelmente foi.

Silêncio. Bianca ali, com a arma na mão, sendo encarada por todos.

Bianca — (Abaixa a arma) Pronto, taí a verdade que vocês tanto queriam. Felizes?

Milena se aproxima de Bianca e dá um tapa no rosto da mãe.

Milena — Feliz eu só vou estar quando você estiver atrás das grades.

As duas se encaram.

CENA 44. casa de giancarlo. jardins. Exterior. Dia.

Polícia no local. Luísa, Rogério, Bernardo e Yasmin ali. Giancarlo se aproxima deles.

Giancarlo — Assim que eu soube, vim correndo. O que tá acontecendo?

Yasmin — A mãe tava fora de controle. Eu nunca vi ela assim.

Rogério — A polícia vai entrar na casa. Parece que encontraram evidências de que ela também foi a responsável pela morte do Gregório.

Giancarlo — Mas ele não tinha se suicidado?

Luísa — Parece que não. Tudo foi uma encenação forjada pela Bianca.

Giancarlo olha para a casa, perplexo. Nogueira e mais alguns policiais vão se aproximando da casa.

CENA 45. casa de giancarlo. frente. Exterior. Dia.

Heloísa observa a movimentação na mansão.

Heloísa — É só esperar a polícia sair que vai ser a minha vez de brilhar.

E sorri.

CENA 46. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Marcelo puxa Milena para perto dele.

Marcelo — Para com isso, Milena. Ela ta armada.

Bianca — (Milena) Não precisa se preocupar porque eu não vou atirar em você.

Nogueira — (Off) Coloque a arma no chão!

Nogueira e mais alguns policiais, entram pela porta da cozinha. Bianca suspira e lentamente coloca a arma no chão.

Nogueira — Coloque as mãos onde nós possamos ver.

Bianca ergue as mãos e Nogueira a algema.

Nogueira — Bianca Giacomelli, a senhora está presa por tráfico de drogas, pelos assassinatos de Gregório e Leandro Mascarenhas e também pelos assassinatos de Eduardo Coimbra e Nicola Cardoso.

Milena — (Surpresa) O Leandro e o juiz... Não foi acidente também. Foi você.

Bianca — Eu fiz tudo isso pra evitar um escândalo. Para poupar o nome da nossa família.

Milena — Para de hipocrisia. Você queria era poupar a si. (Tom) Preferiria mil vezes ver o nome da nossa família na lama, do que ter perdido o meu pai por causa da loucura de vocês.

Bianca — Filha, eu posso não ter sido uma boa mãe, mas eu sempre amei vocês duas. Espero que um dia você me entenda e me perdoe.

Milena — (Enxuga uma lágrima) Quem sabe...

Nogueira e os policiais conduzem Bianca até a saída. Marcelo abraça Milena.

CENA 47. casa de giancarlo. jardins. Exterior. Dia.

Bianca sai da casa algemada e sendo conduzida por Nogueira. Só Luísa e Bernardo estão no local. Bianca olha para os dois e entra no carro da polícia.

CENA 48. casa de giancarlo. frente. Exterior. Dia.

Os carros da polícia saem da casa. Corta para o interior do carro de Heloísa:

Heloísa — Finalmente saíram... Agora sim eu posso começar a última cena do ato final.

CENA 49. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Marcelo e Milena abraçados, Wagner ali perto. Luísa e Bernardo entram da rua.

Luísa — Tá tudo bem com vocês?

Milena — Agora tá.

Luísa — Ela contou tudo pra vocês? O esquema das drogas e/

Marcelo — (Corta/Sutil) Sim. Contou.

Luísa — Vocês entenderam por que eu nunca falei nada? Eu tinha muito receio.

Marcelo — Não precisa se explicar. A gente entende muito bem o seu lado.

Milena — Tudo isso me deixou muito mal.

Marcelo — Mas agora acabou.

Milena — É, acabou. (Tom) Eu vou na cozinha pegar um copo de água.

Marcelo — Quer que eu pegue pra você?

Milena — Não. Eu preciso arejar um pouco a minha cabeça.

Marcelo concorda e os dois se beijam. Milena caminha até a cozinha.

CENA 50. casa de giancarlo. cozinha. Interior. Dia.

Milena entra, pega um copo, abre a geladeira e o serve de água. Ela bebe e coloca o copo na pia. Ao se virar, Milena dá de cara com Heloísa, segurando uma pistola com um silenciador. Milena se assusta e faz menção de gritar.

Heloísa — Nem pense em gritar ou eu atiro.

Milena — Se você atirar, todo mundo vai escutar.

Heloísa — Não vai não.

Heloísa mostra o silenciador no cano da pistola.

Heloísa — Não conhece? Silenciador: Milena. Milena: Silenciador. Pronto! Agora que foram devidamente apresentados: anda! E quietinha.

Milena — (Nervosa) Pra onde você vai me levar?

Heloísa — Para de fazer perguntas.

Milena — A polícia tá lá fora. Eles vão nos ver.

Heloísa — Não tá, eles já saíram. (Ri) E a essa altura do campeonato você já deveria saber que eu tô cagando pra polícia.

Milena olha para a arma, com medo.

Heloísa — Vai. Garanto que você vai adorar o nosso passeio.

Milena caminha para a porta dos fundos, sob a mira de Heloísa.

CENA 51. carro de heloísa. ambiente. Interior. Dia.

Carro em movimento. Milena dirige, enquanto Heloísa aponta a arma para ela.

Milena — Pra onde a gente tá indo?

Heloísa — Fica quietinha e continua dirigindo que eu vou dando as coordenadas.

Milena — O Marcelo vai perceber que eu sumi.

Heloísa — (Revira os olhos) Ai que mulher chata!

Na tensão de Milena.

CENA 52. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Marcelo, Luísa, Bernardo e Wagner.

Marcelo — A Milena tá demorando.

Marcelo vai até a cozinha. Tempo e Marcelo volta.

Marcelo — Ela não tá na cozinha.

Luísa — Por aqui ela não passou.

Bernardo — Você olhou no jardim ou na piscina? Ela deve ter saído pra tomar um ar.

Marcelo — Não vi. Vou procurar ela lá.

Marcelo volta para a cozinha.

CENA 53. carro de heloísa. ambiente. Interior. Dia.

Carro em movimento. O celular de Milena toca e Heloísa tira o celular do bolso dela.

Heloísa — (Ri) Olha só quem tá te procurando?

Na tela do celular, aparece o nome de Marcelo.

Milena — Eu avisei que ele ia notar a minha falta.

Heloísa — Que romântico.

Heloísa abre a janela do carro e joga o celular na rua.

Heloísa — Pronto. Agora não tem ninguém pra nos incomodar.

CENA 54. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Luísa, Bernardo e Wagner por ali. Marcelo entra vindo da cozinha.

Marcelo — Não tá em lugar algum. Também liguei pro celular dela e ninguém atende. Eu to ficando preocupado.

Em Marcelo preocupado.

CENA 55. iate clube. píer. Exterior. Dia.

Heloísa discretamente aponta a arma para Milena e a conduz até o iate de Ana Carolina.

Heloísa — Entra.

Milena — Aonde a gente vai?

Heloísa — Dar um passeio.

Heloísa dá um empurrão em Milena e ela entra no iate. Em seguida Heloísa também entra e bate com a pistola na cabeça de Milena, que desmaia. Heloísa tira o silenciador da arma e atira no mar. Heloísa vai até o interior do iate e liga o motor.

CENA 56. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Marcelo entra da rua e vai até Luísa, Bernardo e Wagner.

Marcelo — Ela simplesmente evaporou.

Luísa — Será que/

O celular de Marcelo sinaliza o recebimento de uma mensagem. Marcelo olha para o celular e reage surpreso.

Marcelo — Era só o que me faltava: Mensagem da Heloísa! O que essa louca quer agora?

Marcelo mexe no celular.

Marcelo — (Perplexo) Não é possível isso.

Luísa — O que ela fez dessa vez?

Marcelo mostra o celular com uma foto de Milena desacordada no convés do iate.

Marcelo — Ela tá com a Milena! (Tom) E olha só o que ela escreveu na mensagem. (Lê) Sim. A história vai se repetir igualzinho como foi com a Clara.

Bernardo — Essa foto foi tirada no iate da tia Ana Carolina.

Marcelo — Eu vou atrás delas. Eu não vou deixar que ela faça isso de novo! Não vou!

Luísa — Calma, Marcelo. É melhor esperar a polícia.

Marcelo — Pode chamar a polícia, mas eu não vou esperar ninguém!

Bernardo — Eu vou com você.

Marcelo e Bernardo saem.

Wagner — Liga pra polícia e vamos pra lá também.

Luísa pega o telefone.

Luísa — A polícia precisa colocar um limite na Heloísa, já que a gente não conseguiu.

CENA 57. iate. convés. Exterior. Dia.

Música: Instrumental Suspense.

Iate em alto mar. Milena vai acordando e olha para Heloísa, que está com a pistola em mãos.

Heloísa — (Sorri) Acordou a bela adormecida!

Milena — Onde a gente tá?

Heloísa — No mar, porque como já diria o poeta: Navegar é preciso, viver não é preciso.

Milena — (Se levanta) Por que você me trouxe aqui?

Heloísa — Porque hoje a gente vai fazer uma brincadeira muito divertia chamada Roleta-Russa. Conhece?

Milena — Você enlouqueceu! Eu não vou fazer isso!

Heloísa — Pelo visto conhece, então ótimo! Não vou precisar explicar as regras.

Heloísa coloca a pistola na cintura e pega um revólver. Ela abre o tambor do revólver e deixa apenas uma bala.

Heloísa — (Gira o tambor) Aliás, vou ter que explicar sim, porque a minha versão desse jogo é um pouco diferente. Vai funcionar assim: Uma vez você aponta pra sua própria cabeça e aperta o gatilho... (Sorri) E na outra também!

Milena — Não vai querer brincar comigo, por quê?

Heloísa — Acho esse jogo chato, prefiro Banco Imobiliário. Dessa vez eu vou ficar só olhando.

Heloísa entrega o revólver para Milena.

Milena — Não.

Heloísa — (Grita) Pega logo essa merda! Você não tem escolha!

Heloísa se aproxima ainda mais de Milena.

Heloísa — (Ameaçadora) Entende uma coisa, Milena. Pra você, essa é uma viagem sem volta... Maktub, ninguém foge do seu destino.

Milena — Você não é Deus pra decidir o destino das pessoas.

Heloísa — Mas o seu destino, foi eu quem decidiu. E não adianta relutar contra ele. Você não tem saída. Agora pega esse revólver duma vez!

Tremendo, Milena pega o revólver. Heloísa pega a pistola.

Heloísa — Como eu sou boazinha, eu vou te avisar uma coisa: não tenta dar uma de esperta e apontar esse revólver pra mim. Primeiro que ele pode tá descarregado e segundo, se você fizer isso, eu vou pegar essa pistola totalmente carregada e encher a sua cara de bala. (Tom) Agora vai... Que comecem os jogos.

Heloísa sorri, diabólica. Com as mãos tremulas, Milena coloca o revólver em sua cabeça.

Heloísa — (Grita) Atira!

Na tensão de Milena.

CENA 58. iate clube. píer. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Marcelo e Bernardo correm até o local que estava estacionado o iate de Ana Carolina.

Marcelo — O iate não tá aqui.

Bernardo — Ele tem radar. Um funcionário me passou o local que elas estão.

Marcelo — Então me dá que eu vou atrás delas.

Bernardo — Não é melhor esperar a polícia?

Marcelo — Até a polícia chegar, pode ser tarde de mais. Me dá.

Bernardo — Tá, mas como é que você vai? A nado? Elas estão em alto mar.

Marcelo — Vou com uma daquelas motinhos. Como é mesmo o nome?

Bernardo — Jet-ski? Você sabe pilotar?

Marcelo — Não, mas não deve ser muito diferente de montar um cavalo. Eu vi uns do próprio clube. Vou pegar e ir atrás delas.

Marcelo corre em direção aos jet-skis. Bernardo vai atrás.

CENA 59. iate. convés. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Milena apontando o revólver para a sua cabeça. Tempo na tensão, até que ela aperta o gatilho e nada acontece. Milena respira aliviada e começa a chorar. Heloísa dá uma gargalhada.

Heloísa — Aaaaah! Quase!

Milena — (Chora) Eu não vou fazer isso de novo.

Heloísa — Vai sim, para de ser desobediente. Quem manda nesse jogo sou eu! Vai, coloca de novo o revólver nessa cabecinha e aperta o gatilho.

Milena — Por que você não me mata logo?

Heloísa — Porque é mais divertido ver você sofrer.

Milena — Você também fez esse terror psicológico com a Clara?

Heloísa — Não. Com ela eu tava meio sem paciência. Fui logo descendo o cacete mesmo. (Sorri) Olha só como eu to sendo boazinha com você! Nem sangue do meu sangue você é e eu to te deixando você ter uma morte menos dolorosa. (Tom) Ou você quer ser espancada até a morte igual a Clara?

Milena — Eu quero sair daqui! Por favor, me deixa ir embora!

Heloísa — Essa não é uma opção, meu bem. Esse iate é o fim da linha pra você... Agora chega de conversa e atira.

Milena tenta segurar o choro, aponta o revólver para a sua cabeça, aperta o gatilho e nada acontece. Milena respira aliviada.

Heloísa — É, acho que hoje é o seu dia de sorte. Mas veremos até quando isso vai durar.

CENA 60. mar. ambiente. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Marcelo pilotando o jet-ski, muito apreensivo.

CENA 61. iate. convés. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Milena chorando, apontando o revólver para a sua própria cabeça. Heloísa apontando a pistola para Milena.

Milena — (Chora) Por favor...

Heloísa — Sem roubar. O que eu posso fazer se é a sua vez de atirar?

Milena — Você é um demônio, Heloísa.

Heloísa — Imagina, querida. Sou apenas uma aprendiz. (Tom) Mas não pense que me fazendo esses elogios, você vai se livrar do nosso jogo. Atira.

Milena fecha os olhos e aperta o gatilho. Mais uma vez não acontece nada.

Heloísa — Já foram quantas? Três? Nesse revólver cabem seis balas. É... Acho que as suas vidas estão acabando.

Milena — Eu te imploro. Deixa eu ir.

Heloísa — Nem adianta pedir. Você já sabe qual vai ser a minha resposta.

Ao longe, vemos Marcelo se aproximar do iate com o jet-ski. Ele para um pouco afastado do iate, salta e começa a nadar.

Heloísa — Agora restam poucas chances. Você quer fazer um último pedido?

Milena — Eu quero que você vá à merda.

Heloísa — Ah que feio. Eu to sendo tão legal, dando a chance de você viver um pouco mais e é assim que você me trata?

[Instrumental off].

Marcelo — (Off) Heloísa, deixa ela.

Heloísa olha para Marcelo, que está todo molhado no convés. Milena aproveita a distração de Heloísa e corre até Marcelo. Os dois se abraçam.

Milena — (Chora) Que bom que você veio.

Marcelo — Calma. Vai ficar tudo bem.

Heloísa — Não mente pra ela, Marcelo. Não vai ficar tudo bem. (Tom) Joga esse revólver pra cá.

Marcelo — (Para Milena) Faz o que ela ta mandando.

Milena coloca o revólver no chão e o empurra com os pés em direção à Heloísa, que chuta a arma para trás.

Marcelo — O que você quer Heloísa? Por que você não deixa a gente em paz?

Heloísa — Eu quero entregar a alma dessa vagabundinha pro diabo. Só assim você vai ser meu de novo.

Marcelo — Para com isso. Não é assim que as coisas funcionam.

Heloísa — É sim! Eu que decido as coisas aqui!

Marcelo — Você precisa de tratamento psiquiátrico.

Música: Dark Paradise – Lana Del Rey.

Heloísa — Não! Eu preciso do seu amor!

Marcelo se afasta um pouco de Milena e começa a se aproximar de Heloísa.

Marcelo — Escuta: você não vai pra cadeia, qualquer médico vai constatar que você precisa de tratamento psiquiátrico.

Heloísa — Eu já disse que eu não preciso de nada. Só de você.

Marcelo — A mim você não vai ter, Heloísa. Eu não te amo.

Heloísa — (Lágrima nos olhos) Mas vai ter que amar! Eu fiz tudo por você e o que eu recebo de volta? O seu desprezo? A sua traição?!

Marcelo — (Estende a mão) Me dá essa arma. Vamos acabar com tudo isso.

Heloísa — Sim, nós vamos acabar com tudo isso. Mas do jeito que eu quero. Se eu não vou te ter... Ela também não vai te ter.

Heloísa desvia a mira da pistola e aponta para Milena.

Marcelo — (Grita) Heloísa! Não!

Em slow: Heloísa aperta o gatilho. O projétil sai da pistola. Marcelo se joga na frente de Milena.

Volta à velocidade normal: A bala atinge em cheio o peito de Marcelo, que cai sagrando nos braços de Milena.

Milena — (Apavorada) Marcelo!

Heloísa — Não! Essa bala não era pra você! (Grita/ Para Milena) Olha só o que você fez!

Milena — Eu fiz?! Foi você quem atirou nele!

Milena sacode Marcelo, mas ele não reage.

Milena — Abre os olhos, meu amor. Não me deixa sozinha.

Heloísa olha a cena, muito desnorteada.

Milena — (Olha para Heloísa) Ele tá morrendo!!!

Heloísa — Não, ele não tá. Não era pra isso ter acontecido. A culpa é sua.

Milena — (Grita) Não!!! A culpa é sua!!! Ele vai morrer por sua culpa!!!

Milena abraça Marcelo ensanguentando e chora. Heloísa se afasta dos dois e vai caminhando para trás, perto da borda do iate.

Heloísa — O final era pra ser nós dois juntinhos. Não era pra ser assim.

Heloísa olha para a pistola que está em sua mão.

Heloísa — (Olha fixo para Marcelo) Eu vou te encontrar na eternidade, meu amor.

Lentamente Heloísa levanta a pistola e aponta para o seu coração. Milena olha para Heloísa.

Milena — Não faz isso, Heloísa.

Heloísa — (Baixo/Sorri) Te vejo lá.

Heloísa aperta o gatilho e a arma dispara. Milena dá um grito. O corpo de Heloísa cai no mar.

CENA 62. fundo do mar. ambiente. Exterior. Dia.

Música: Dark Paradise – Lana Del Rey [Continua].

O corpo de Heloísa mergulha no mar. Heloísa abre os olhos e começa a flutuar no fundo do mar.

Vemos uma mulher nadando em sua direção, mas uma intensa luz impede de ver de quem é o rosto. A mulher estende a mão para Heloísa.

Heloísa segura a mão da mulher e se aproxima ainda mais dela. Vemos que é Clara.

As duas se olham por alguns instantes. Clara passa a mão no rosto de Heloísa, que fecha os olhos e amolece o corpo.

Clara segura Heloísa e começa a nadar com ela, rumo ao fundo do mar. [Música off].

Subimos até a superfície.

CENA 63. iate. convés. exterior. Dia.

Milena na beira do iate, olhando para o mar.

Milena — Cadê ela.

Marcelo — (Sem forças) Milena.

Milena corre até Marcelo.

Milena — Calma, meu amor. Tenta não fazer esforço que o socorro já tá vindo.

Milena coloca Marcelo em seus braços.

Sobe para uma visão aérea do iate em alto mar.

CENA 64. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia/noite.

Stock-shot de ruas, avenidas, praias e diversos pontos turísticos da cidade. Alternando diversas vezes entre o dia e a noite.

Legenda: Dois anos depois...

CENA 65. casa de giancarlo. quarto de yasmin. Interior. Dia.

Yasmin pega o tablet e começa a mexer nele.

Yasmin — (Sorri) Mensagem da Milena.

E Yasmin começa a ler.

Música: That I Would Be Good - Alanis Morissette.

CENA 66. fazenda. frente. Exterior. Dia.

Música continua. Linda fazenda com muito verde, árvores e alguns cavalos, vacas e outros animais ao redor. Ao fundo vemos uma grande e bonito casarão.

Um menino de menos de 2 anos, corre até Milena. Ela o pega no colo e o beija. Milena vai até Marcelo, que está montado no cavalo e entrega o menino para ele. Marcelo segura o menino e lentamente começa a andar com o cavalo. Milena sorri e abana para os dois. Sobre a cena:

Milena — (Off) Desculpa não ter mandado sinal de vida nos últimos meses, mas é que as coisas estão corridas por aqui. Como está tudo aí? Aqui tá tudo maravilhoso. O Rafael mal aprendeu a andar e já quer montar no cavalo. Vê se pode uma coisa dessas?! É claro que eu só deixo quando o Marcelo tá junto.

CENA 67. ap de jardel. sala. Interior. Dia.

Música continua. Giovanna por ali. Jardel chega da rua e mostra um livro. Detalhe para o livro escrito: O Filho Perdido - A História de Marcelo Mascarenhas.

Giovanna sorri e abraça Jardel.

Milena — (Off) Final do mês a gente tá indo pro lançamento do livro sobre a vida do Marcelo. Parece que finalmente ele vai sair.

CENA 68. barão do alambique. antessala. Interior. Dia.

Música continua. Tarsila sai de sua sala com vários papéis em mãos e vai até Adelaide. Do elevador, sai Seu Coisinha e vai até ela. Tarsila e Seu Coisinha se beijam, falam alguma coisa e vão juntos para a sala dela.

Milena — (Off) Você sabe que são poucas as coisas que nos fazem voltar praí. Ainda mais agora que o Marcelo tá conseguindo resolver todos os problemas da Barão de forma remota. E também a Tarsila tá se virando muito bem à frente dos negócios. Logo ela, que nunca se interessou por isso.

CENA 69. penitenciaria. capela. Interior. Dia.

Música continua. Abre em Bianca, com uniforme de presidiária e com uma Bíblia em mãos, em cima de um palanque falando de forma fervorosa para outras detentas. Bianca coloca uma cestinha na mão de uma mulher e ela coloca um maço de cigarros dentro da cesta. A mulher passa a cesta para a pessoa do lado, que também coloca um maço de cigarros. Em Bianca séria.

Milena — (Off) Isso me faz pensar como é engraçada as voltas que a vida dá. (Pausa) Quando eu iria imaginar que eu seria feliz no meio do mato?

CENA 70. universidade. corredor. Interior. Dia.

Música continua. Bernardo e Juliana caminham pelo corredor, conversam. Bernardo encosta Juliana contra a parede, os dois se olham, sorriem e se beijam.

Milena — (Off) Mas uma coisa que eu descobri com a vida é que o lugar que a gente tá é o menos importante.

CENA 71. casa de gregório. sala. Interior. Dia.

Música continua. Karina e Samuel, sentados a mesa, rodeados de livros, estudando. Os dois de mãos dadas.

Milena — (Off) Quando se ama, é tudo tão maravilhoso.

CENA 72. gafieira. ambiente. Interior. Dia.

Música continua. Rudá rodopia Daiane pelo salão vazio, felizes.

Milena — (Off) É tudo tão mágico que você esquece de todo o resto.

CENA 73. jardim botânico. ambiente. Exterior. Dia.

Música continua. Luísa e Rogério passeando de mãos dadas, admirado a paisagem.

Milena — (Off) É como se o universo fosse só você e a pessoa amada.

CENA 74. casa de giancarlo. quarto de yasmin. Interior. Dia.

Música continua. Yasmin em pé, como lendo no tablet, com lágrima nos olhos.

Milena — (Off) Clarisse Lispector que tava certa: “Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.”

CENA 75. fazenda. frente. Exterior. Dia.

Música continua. Milena pega Rafael do cavalo. Logo em seguida Marcelo também desce. Milena larga o filho e Marcelo a beija. Marcelo, Milena e Rafael começam a correr e brincar um com o outro. Milena e Marcelo derrubam Rafael e o colocam entre eles. Marcelo, Rafael e Milena deitam no chão e olham para o céu. Close nos três sorrindo.

Milena — (Off) O que eu quero dizer é que a felicidade uma hora vai bater à sua porta. A gente pode até encontrar alguns obstáculos no caminho...

CENA 76. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Música continua. Abre num porta-retratos com a última imagem da cena anterior, sobre uma mesinha. Lentamente vamos nos afastando do retrato.

Milena — (Off) Mas no final, ela vai tá lá, de braços abertos, esperando pela gente.

Até que vemos um quadro, pendurado na parede, acima da foto.

O plano enquadra: Acima: o quadro de Alcides, Marcelo criança e Ana Carolina. E abaixo: o porta-retratos com a foto de Marcelo, Rafael e Milena. Fade Out.

 
     
     

 

     


autor
Felipe Porto


elenco

Marco Pigossi como Marcelo
Nathalia Dill como Heloísa e Clara
Isis Valverde como Milena
Nando Rodrigues como Leandro
Glória Pires como Bianca
Christiane Torloni como Ana Carolina
Herson Capri como Gregório
Leopoldo Pacheco como Otávio
Totia Meireles como Tarsila
Lucinha Lins como Luísa
Alejandro Claveaux como Rudá
Reginaldo Faria como Giancarlo
Gisele Fróes como Giovanna
Marat Descartes como Rogério
Júlia Dalavia como Yasmin
Brenda Sabryna como Juliana
Chay Suede como Bernardo
Marco Ricca como Wagner
Giovanna Rispoli como Karina
Vitor Hugo como Jardel
Henrique Filgueiras como Samuel
Roberto Birindelli como Seu Coisinha
Aline Dias como Daiane
Rafael Zulu como Jamal
Claudia Netto como Regina
Fafy Siqueira como Dolores
Dani Barros como Aparecida
Ilva Niño como Divinéia
Mariah da Penha como Cleusa
Thais Garayp como Amélia
Cris Nicolotti como Rosa
Angela Dip como Adelaide
Yaçanã Martins como Neide
Zé Victor Castiel como Nogueira
André Ramiro como Perceu
Eriberto Leão como Alcides

participação especial em flashback
Fernanda Machado como Ana Carolina
Aline Moraes como Bianca
Thiago Fragoso como Gregório
Daniel de Oliveira como Wagner
Giovanna Ewbank como Luísa
Armando Babaiof como Coimbra

trilha sonora
You give love a bad name – Bon Jovi
Pede a ela – Tim Maia
I’m happy just to dance with you – The Beatles
Another sad love song – Toni Braxton
Baby, I’m yours – Breakbot
É hoje – Ludmilla
Alejate de mi – Camila
That I would be good - Alanis Morissette
Coração de papelão – Jairzinho e Simony
Meu novo mundo – Charlie Brown Jr
Hello – Martin Solveig Ft Dragonette
More than I can say – Leo Sayer
Dia especial – Tiago Iorc
Me chama – Babi Hainni
Chasing pirates – Norah Jones
Eu sou egoísta – Pitty
Say you say me – Lionel Richie
 

produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
Rafael Oliveira
 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

REALIZAÇÃO


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