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Relações Perigosas - Capítulo 19

Novela de Felipe Porto
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VALE A PENA LER DE NOVO: RELAÇÕES PERIGOSAS
 
     
 
 
     
  NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "RELAÇÕES PERIGOSAS":

Milena — (Off) Marcelo?

Marcelo se vira e vê Milena.

Milena — (Se aproxima) A gente pode conversar?

Em Marcelo.

...

Heloísa — Preciso despachar a mãe daqui antes que ela descubra que eu não sei nada sobre a morte desse tal Coimbra.

Do corredor, vemos a reação de surpresa de Luísa, que vai abrindo a porta e entrando.

Luísa — (Perplexa) Então tudo isso não passou de mais uma mentira sua?

Heloísa se vira para Luísa.

Heloísa — (Surpresa) Mãe?

Luísa — Eu vou dar um basta nas suas mentiras, Heloísa. Vou agora mesmo na Barão contar pro Marcelo quer você realmente é.

No pavor de Heloísa.

...
 

Milena — (Corta) Não. Ele foi um canalha comigo. Mas isso não interessa agora. O importante de tudo isso é que essa história toda serviu pra me abrir os olhos e fazer eu me dar conta de que o que eu sentia por ele não era amor. (Pausa) Eu fiquei muito mexida com aquele nosso beijo, tanto que pedi pra gente se afastar, mas depois de tanto tempo desperdiçado ao lado de alguém que não valia a pena, eu acho que não tá certo eu privar a minha vida do que eu to sentindo por você. Desse amor que eu to deixando nascer aqui dentro do meu peito. (Pausa) Fala que eu não to louca e que você também tá sentindo isso.

Tempo no silêncio de Marcelo, até que ele responde:

Marcelo — Você sabe que eu também to.

Música: Pede a Ela – Tim Maia.

Marcelo puxa Milena para perto de si e a beija com intensidade. Tempo nos dois curtindo o beijo.

E corta para outro ponto do estacionamento: Gregório caminhando distraído, até que ele vê ao longe, Marcelo e Milena se beijando. [Música off].

Gregório  — (Surpreso) Eu não acredito no que eu to vendo.

Música: Instrumental de tensão. [Até o Encerramento].

Gregório tira o celular do bolso e começa a gravar o beijo dos dois.

Gregório — O Leandro vai cair pra trás quando ver isso.

Em Gregório filmando o beijo de Marcelo e Milena.

 
     
 
     
     
     

CAPÍTULO 19 (CAPÍTULO ESPECIAL)
 
     
 

CENA 01. barão do alambique. estacionamento. Exterior. Dia.

Continuação da última cena do capítulo anterior.

Marcelo e Milena se beijam sem perceber Gregório, que um pouco mais distante filma os dois com o celular. Tempo em Gregório, até que ele guarda o celular no bolso.

Gregório — (Baixo/Surpreso) Quem diria que esses dois tão tendo um caso.

Gregório fica um tempo olhando os dois e logo em seguida vai embora. Marcelo afasta Milena.

Marcelo — (Olha pros lados) Aqui não. (Tom) Entra no carro.

Milena faz a volta e entra no carro. Marcelo faz o mesmo e liga o motor.

CENA 02. casa de ana carolina. quarto de marcelo. Interior. Dia.

Continuação da cena 21 do capítulo anterior.

Heloísa e Luísa se encaram. Tensão.

Heloísa — Não faz isso, mãe! Pelo amor de Deus!

Luísa — Não adianta apelar pra Deus nem pra santo algum. Nada vai te salvar.

Heloísa transtornada.

Heloísa — (Implora) Eu faço tudo que você quiser! Eu consigo dinheiro pra você ter uma vida de rainha! Eu/

Luísa — (Corta/Abrupta) Para, Heloísa! Eu não quero dinheiro! A mim você não vai comprar! Não perca seu tempo implorando porque não vai adiantar! (Pausa) Acabou pra você. Fim da linha. Hoje o Marcelo vai saber de toda a verdade.

Luísa dá as costas para Heloísa e caminha em direção à porta. Heloísa, ainda transtornada, rapidamente olha em volta e vê um vaso. Heloísa pega o vaso.

Heloísa — Você não vai contar nada.

E quebra o vaso na cabeça de Luísa, que cai desmaiada. Agitada, Heloísa sai do quarto de fecha a porta. Em Luísa desmaiada.

CENA 03. casa de ana carolina. corredor. Interior. Dia.

Heloísa fecha a porta e chaveia. Aparecida se aproxima.

Aparecida — Tá tudo bem, dona Clara? Eu escutei alguns gritos.

Heloísa — (Disfarça) Tá sim. Pode ir.

Aparecida vai saindo em direção às escadas.

Heloísa — Espera.

Aparecida se volta para Heloísa.

Heloísa — O Bernardo tá em casa?

Aparecida — Não senhora.

Heloísa — Ok. Então avisa pra todos os empregados que não é pra abrir a porta desse quarto. Minha mãe tá lá dentro, mas não é pra abrir. Ela pode gritar, pode fazer o escândalo que for... A pessoa que abrir essa porta vai aumentar a fila de desempregados. Entendeu?

Aparecida — Entendi sim. Vou avisar pros outros empregados da casa.

Aparecida sai em direção ao primeiro andar. Heloísa começa a circular pelo corredor, nervosa.

Heloísa — (Pensa) Eu tenho que fazer alguma coisa pra impedir isso e rápido.

Em Heloísa apreensiva.

CENA 04. bairro de são conrado. rua. Exterior. Dia.

Carro de Marcelo estacionado em uma rua do bairro de pouco movimento. Corta para o interior do carro: Marcelo e Milena se beijam. Tempo, Marcelo afasta Milena.

Marcelo — Espera um pouco. As coisas não são assim.

Milena — Que foi?

Marcelo — Isso que a gente tá fazendo tá errado.

Milena — Por quê? A gente não se gosta?

Marcelo — É claro que sim, Milena. Mas...

Milena tapa os lábios de Marcelo com os dedos.

Milena — Não fica colocado empecilho. Deixa o momento acontecer.

Os dois se beijam novamente. Tempo e Marcelo novamente interrompe o beijo.

Marcelo — Você percebe que a gente tá fazendo a mesma coisa que o Leandro fez com você?

Milena — Não! É diferente! O Leandro fazia por puro prazer. Eu to fazendo porque gosto de você... Já você...

Marcelo — Eu também! To gostando muito de você, mas as coisas começaram a acontecer de uma forma muito rápida.

Milena — Eu não acho.

Marcelo — Há pouco tempo a gente mal se conhecia e agora tá aqui: igual dois adolescentes apaixonados. O que a gente tá fazendo não tem lógica.

Milena — E desde quando o amor tem lógica, Marcelo. Para de querer racionalizar o que tá acontecendo.

Milena sorri e acaricia o rosto de Marcelo.

Milena — Quando eu fui atrás de você lá na Barão pra falar que o homem que você tava procurando era o meu pai, eu nunca poderia imaginar que isso iria acontecer: que eu ia me apaixonar por você.

Marcelo — Nem eu, Milena. Mas aconteceu, não é?

Milena — Então? Qual é o problema?

Marcelo — Tem a Clara. Eu não quero magoar ela... Eu gosto dela.

Milena — (Séria) Nossa. Você sabe quebrar o clima, hein? Precisava falar nela?

Marcelo — Impossível não falar, Milena. Se eu te falar que eu não sinto nada por ela eu estaria mentindo.

Milena — Deixa a Clara. Vamos ser felizes juntos.

Na reação de Marcelo.

CENA 05. bairro das LARANJEIRAS. rua. Exterior. Dia.

Carro de Leandro parado no semáforo. Corta para o interior do veículo: Leandro dirigindo e Bernardo no carona. Conversa já iniciada.

Bernardo — E a Milena? Continua te dando gelo?

Leandro — Aquela lá tá me dando uma Era Glacial. Nem quer me ver.

Bernardo — Também você vacilou, né? Quem mandou pegar a garota no mesmo lugar que você saia com a Milena?

Leandro — É foi burrice mesmo, mas agora a merda já foi feita. Não adiante ficar se lamentando.

Leandro olha para o semáforo que ainda está vermelho.

Leandro — Odeio esses semáforos que demoram séculos pra abrir.

Bernardo — Um saco mesmo. (Tom) Tá afim de sair nesse fim de semana ou tá de resguardo pelo fim do noivado?

Leandro — Claro que não. Tá pensando em ir aonde? Se for no Ibiza pode esquecer porque aquele lugar me trás más lembranças.

Bernardo — Não é lá, não. To pensando em ir numa baladinha que inaugurou há pouco lá em Copa: Baronesa Glam, conhece?

Leandro — Já ouvi falar. Fica na Avenida Atlântica, né?

Bernardo — Isso. Dizem que tá bombando.

Leandro — Não é a Amanda Pratini que é a dona dessa boate?

Bernardo — Não sei de nomes. Por quê?

Leandro — Por nada. Já ouvi minha mãe falar dela. Acho que elas se conhecem.

Bernardo — Ah é? De onde?

Leandro — (Dá de ombros) Sei lá. Minha mãe conhece muita gente dá elite carioca. Vai ver é num dessas festas chatas pra caralho que sempre inventam pra ostentar dinheiro.

O semáforo fica verde. Leandro arranca o carro, mas um pivete (o mesmo do capítulo 13) atravessa na frente do carro. Leandro dá uma freada brusca. O pivete encara os dois pelo vidro, fazendo cara feia. Bernardo encara o pivete. Tempo e o pivete vai embora. Reação de Bernardo chocado.

Bernardo — Era ele!

Leandro — Ele quem?

Bernardo — O pivete que me deu a facada a mando da Heloísa!

CENA 06. bairro de são conrado. rua. Exterior. Dia.

Continuação da cena 04. Abre no interior do carro de Marcelo.

Marcelo — Eu não posso largar a Clara.

Milena — Você não me ama?

Marcelo — Não começa com essas perguntas. Isso não tem nada a ver com eu te amar ou não... Sim, eu te amo. Mas também amo a Clara.

Milena — Eu não vou ser a outra.

Marcelo — Nem eu quero que você seja. Por isso é melhor a gente ir com calma.

Milena — É que eu já perdi tanto tempo com aquele cretino do Leandro, que agora eu não quero mais perder tempo algum.

Marcelo — Você tá completamente certa, Milena. Mas/

Milena — Você me ama mesmo?

Marcelo — Eu já não disse que sim? Não to aqui?

Milena cochicha no ouvido de Marcelo. Os dois se olham. Tempo e começam a se beijar com paixão.

Música: Pede a Ela – Tim Maia.

Tempo no beijo.

CENA 07. motel. quarto. Interior. Dia.

Música continua. Marcelo e Milena entram no quarto se beijando. Ele fecha a porta com o pé. Um vai tirando a roupa do outro enquanto se beijam. Marcelo tira a blusa e a calça de Milena, deixando-a apenas com roupas intimas. Milena tira a camisa de Marcelo. Marcelo conduz Milena até uma parede e a senta em uma espécie de criado-mudo. Marcelo tira o sutiã de Milena, deixando os seios dela a mostra. Marcelo beija Milena com desejo: beija no pescoço, na região dos seois, na barriga e vai descendo. Close em Milena revirando os olhos de prazer. Marcelo sobe. Os dois se encaram.

Milena — Me leva pra cama.

Marcelo — Depois. Agora eu quero aqui.

Meio primeiro plano: Marcelo abaixa as calças. Milena faz o mesmo e os dois ficam completamente nus. Milena se agarra em Marcelo e entrelaça suas pernas ao redor do corpo dele. Os movimentos começam a acontecer de forma lenta e gradual. Closes nos dois se olhando e se beijando, com muito prazer. [Música fade out].

CENA 08. BAIRRO DAS LARANJEIRAS. RUA. ambiente. Interior. Dia.

Abre no interior do carro de Leandro parado na rua da cena 05. Leandro arranca com o carro. Bernardo perplexo.

Leandro — Tem certeza que era ele?

Bernardo — Absoluta! Eu nunca ia esquecer do rosto daquele filho da puta. Você viu?

Leandro — Vi sim.

Os dois ficam em silêncio. Leandro dirigindo e Bernardo pensativo. Leandro estaciona o carro.

Leandro — Tá entregue.

Bernardo — Valeu pela carona. (Tom) Sorte daquele pivete que eu não me dei conta antes de quem ele era. Se não eu teria acabado com a raça dele. (Aperta a mão de Leandro) Valeu, cara.

Bernardo sai do carro.

Leandro — (Sério) Pode deixar que eu mesmo acabo com ele.

Música instrumental tensa. Leandro arranca o carro. Closes em Leandro dirigindo, até que ele para o carro na mesma rua do inicio da cena. Leandro desce do carro. Corte para a rua: Leandro aborda um ambulante, fala com ele, gesticula. O ambulante responde negativamente. Leandro volta a caminhar, vai mudando caminhando pelas ruas que tem pouco movimento. Leandro entra em um beco e vê o pivete contando algumas moedas.

Leandro — Tá contando as moedas de algum assalto, marginalzinho?

Reação do Pivete.

CENA 09. barão do alambique. antessala. Interior. Dia.

Gregório entra vindo do elevador e vai até Adelaide.

Gregório — Manda o Leandro ir pra minha sala.

Adelaide — Ele ainda não voltou do almoço.

Gregório — Ah ok. Então deixa.

Gregório entra em sua sala.

CENA 10. BAIRRO DAS LARANJEIRAS. RUA. Exterior. Dia.

Continuação de cena 08. Leandro e o pivete se encaram.

Pivete — Qual é tio? Não sou bandido não!

Leandro — Nem eu sou tio de um pivete como você. (Tom) Lembra daquele cara que você deu uma facada a mando de uma mulher? (Pausa) Ele é meu amigo.

Pivete — (Vai sair) Não sei do que o senhor tá falando.

Leandro puxa uma arma com um silenciador no cano.

Leandro — (Aponta) Fica aí. (Mostra) Tá vendo isso? É um silenciador. Eu posso te cravejar de bala que ninguém vai ouvir. Depois é só desovar deixar o seu corpo num canto qualquer que você vira mais um nas estatísticas.

Pivete — (Nervoso) Não faz isso moço. Eu só fiz o que me mandaram.

Leandro — E eu vou te mandar pro inferno. (Pausa) Mas pra você não falar pro diabo que eu não te dei chance alguma, eu vou deixar você correr. Mas corre! Porque se eu te pegar eu vou enfiar bala até no seu rabo. (Conta) Um!... Dois!.... Três!

No “um”, o pivete já saiu correndo. Leandro corre atrás do pivete empunhando arma. O pivete olha para trás, tentando se afastar de Leandro. O pivete atravessa a rua correndo e um ônibus o acerta em cheio. Leandro para de correr e esconde a arma debaixo da camisa. Leandro dá meia volta, enquanto o motorista do ônibus desce. Leandro sorri, satisfeito. O seu telefone toca e ele atende.

Leandro — (Cel/Sorri) Olha só quem resolveu ligar! Helô! Ou prefere que eu te chame de Clara?

CENA 11. casa de ana carolina. escritório. Interior. Dia.

Heloísa de porta fechada, falando ao celular.

Heloísa — (Cel/Ríspida) To sem tempo e sem paciência pra gracinha, Leandro. Eu preciso da sua ajuda.

CENA 12. carro de leandro. ambiente. Interior. Dia.

Leandro entra no carro, falando ao celular.

Leandro — (Cel) Fala. O que você quer? (Pausa/Ri) Não sabia que você mexia com isso? Pra que você quer? (Pausa) Tá bom, não faço perguntas. (Tom) Não sei onde você pode conseguir, mas vou te passar um número e talvez com ele você consiga. Anota aí.

CENA 13. casa de ana carolina. escritório. Interior. Dia.

Heloísa ao celular, tomando nota em um papel.

Heloísa — (Cel/Anotando) Tá. Anotei sim. (Pausa) Não. Não te interessa pra que é.

Heloísa desliga o celular, apreensiva.

CENA 14. casa de ana carolina. quarto de marcelo. Interior. Dia.

Luísa desmaiada, aos poucos vai acordando. Ainda zonza, vai se levantando.

Luísa — Ai minha cabeça.

Luísa respira fundo e vai até a porta. Percebe que está trancada.

Luísa — (Surpresa) Eu não acredito que a Heloísa me trancou aqui.

Luísa começa a bater na porta com violência.

Luísa — (Grita) Abre a porta! Você não vai conseguir escapar me trancando aqui! Abre!

Luísa pega um objeto e arremessa contra a porta.

CENA 15. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Rudá e Dolores entram vindo da cozinha. Aparecida desce as escadas, assustada.

Rudá — O que tá acontecendo, Aparecida?

Aparecida — A mulher tá louca lá em cima.

Dolores — É melhor abrir pra ver o que tá acontecendo.

Aparecida — A dona Clara mandou ninguém abrir.

Dolores — Como assim? É pra deixar a mãe trancada?

Heloísa sai do escritório, já falando por cima de Dolores.

Heloísa — Exatamente. Ela tá tendo uma crise. Quem abrir a porta vai ser chutado daqui pra rua. Entenderam?

Rudá — Mas/

Heloísa — Não quero opinião. Só me obedeçam.

Luísa — (Off/Grita) Você vai pagar caro por tudo que tá fazendo! A sua máscara vai cair e eu que vou derrubar ela!

Heloísa — Eu vou sair pra comprar os remédios dela. (Tom) Não se preocupem que logo o surto vai passar.

Heloísa pega a bolsa e sai para a rua. Aparecida, Dolores e Rudá se entreolham. Do quarto, escuta-se o barulho de mais um objeto sendo quebrado.

CENA 16. barão do alambique. antessala. Interior. Dia.

Leandro entra vindo do elevador. Vai até Adelaide.

Leandro — O Marcelo tá por aí?

Adelaide — Não senhor. Saiu e não voltou ainda. (Tom) Dr. Gregório queria falar com o senhor.

Leandro — Depois eu falo com ele. Obrigado.

Leandro entra em sua sala.

CENA 17. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Continuação da cena 15. Rudá, Aparecida e Dolores se olham.

Rudá — Eu vou ligar pro Marcelo. Ele precisa saber o que tá acontecendo aqui.

Aparecida — Mas a dona Clara mandou/

Rudá — (Corta) Mandou ninguém abrir a porta do quarto. Ela não falou nada sobre ligar pro Marcelo.

Dolores — Acho melhor ligar mesmo, antes que a mulher quebre o quarto todo.

Rudá pega o telefone.

CENA 17. motel. quarto. Interior. Dia.

Milena e Marcelo, nus e abraçados, deitados na cama. Marcelo acaricia os cabelos dela.

Marcelo — Vamos?

Milena — Não. Tá bom assim.

Marcelo — Também acho, mas a gente precisa ir.

Marcelo beija Milena.

Marcelo — Você ficou chateada com o que eu disse sobre a Clara?

Milena — Um pouco, mas eu te entendo. O que eu não quero é ser a outra. Eu não quero fazer com a Clara o mesmo que o Leandro fez comigo.

Marcelo — Nem eu, Milena.

O celular de Marcelo toca. Ele busca no meio das roupas que estão no chão e o atende.

Marcelo — (Cel) Alô. Oi, Rudá. (Se levanta/Surpreso) Como é que é? Tá, obrigado por me avisar. (Desliga).

Milena — O que aconteceu?

Marcelo — Parece que a Luísa tá trancada no quarto quebrando as coisas. E a Clara mandou ninguém abrir a porta. (Pausa) Eu vou ligar pra ela.

Marcelo digita um numero no celular e o leva até o ouvido.

Marcelo — (Cel) Clara. O que tá acontecendo lá em casa?

CENA 18. rua do rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia.

Heloísa caminha enquanto fala o celular.

Heloísa — (Cel) Já foram ligar pra você, né? Não precisa se preocupar. To voltando pra casa e vou controlar a situação.

Heloísa desliga o celular e segue caminhando.

CENA 19. motel. quarto. Interior. Dia.

Milena já vestida. Marcelo desliga o celular e coloca a calça.

Milena — E aí?

Marcelo — (Sério) Ela disse pra eu não me preocupar. Que tava tudo sob controle.

Milena — Então que cara é essa?

Marcelo — É que eu fiquei mal de falar com a Clara, estando com você.

Marcelo veste a camisa.

Milena — Me leva até a Barão? Eu deixei meu carro lá por perto.

Marcelo — Levo sim.

Os dois saem do quarto.

CENA 20. casa de ana carolina. garagem. Interior. Dia.

Heloísa fecha a porta do seu carro. Rudá entra.

Rudá — Dona Clara? O que a senhora tá fazendo aqui?

Heloísa — Chegado da rua, não tá vendo? (Tom) A minha mãe continua dando show?

Rudá — Acho que quebrou tudo lá no quarto.

Heloísa — Vou dar um jeito nela. Pode deixar.

Em Heloísa.

CENA 21. casa de ana carolina. quarto de marcelo. Interior. Dia.

Quarto com alguns objetos quebrados. Luísa anda de um lado para o outro. Tempo e se escuta o barulho da porta sendo destrancada. Heloísa entra.

Luísa — (Raiva) Achou que me trancando ia se livrar da verdade?

Heloísa — (Calma) Eu não achei nada. Só queria que você se acalmasse um pouco. Você tava muito estressada.

Luísa — E você fez isso quebrando um vaso na minha cabeça? (Irônica) Como você tem boas intenções, filinha?

Heloísa — Não precisa ser irônica. Eu to tentando te ajudar.

Luísa — Dispenso a sua ajuda, dispenso tudo que venha de você.

Heloísa — Eu poderia te impedir de contar tudo pro Marcelo, mas não vou.

Luísa — É isso que eu vou fazer mesmo. Desmascarar o monstro que eu mesma gerei.

Heloísa balança a chave do carro.

Heloísa — Quer acabar com a minha felicidade? Vai lá! Você nunca se importou com ela mesmo. Toma a chave do carro pra você ir mais rápido.

Luísa — (Pega a chave) Não tenta virar o jogo se fazendo de coitadinha que esse papel não cai bem em você.

Heloísa — Pense como quiser. Eu já disse isso, mas vou repetir: a grande culpada de eu ter me tornado o que eu sou, foi o seu descaso.

Luísa — Seus irmãos seguiram um caminho diferente. Não usaram isso como justificativa, não me culpam eternamente pelo que aconteceu. Eu fui ausente? Fui sim, mas isso não é justificativa pro que você tá fazendo. (Pausa) E se você quer saber: sim, eu preferia que você tivesse morrido naquele acidente do iate e não a Clara.

Luísa sai. Heloísa abalada, respira fundo. Tempo e Heloísa pega o celular, tecla um número.

Heloísa — (Cel) Alô? Eu queria fazer uma denúncia.

CENA 22. barão do alambique. estacionamento. exterior. Dia.

Música: Pede a Ela – Tim Maia.

Carro de Marcelo parado em uma vaga. Corte para o interior do carro: Milena e Marcelo se beijam.

Marcelo — (Para) Melhor não. Pelo menos aqui.

Milena — Você tem razão. Vou descer logo antes que alguém veja a gente. Não quero dar motivo pra falação. (Pausa) Não vai entrar na empresa?

Marcelo — Hoje não.

Milena — Pensa no que eu disse sobre a Clara.

Marcelo — As coisas não são tão simples como/

Milena — (Corta) Tá bom, não vou entrar nesse assunto de novo. Tchau.

Milena vai sair, mas antes Marcelo a puxa e dá outro beijo nela. Ambos sorriem e ela sai do carro. [Música off]. Marcelo pega o celular de tecla um número.

Marcelo — (Cel) Bernardo? Você tá em casa? (Pausa) Não, é que parece que a sua mãe teve um surto.

CENA 23. rio de janeiro. rua. Exterior. Dia.

Bernardo caminhando, falando ao celular.

Bernardo — (Cel) Surto? Mas o que aconteceu?

Marcelo — (Off) Não sei. Eu liguei pra lá e a Clara disse que tava tudo sob controle.

Bernardo — (Cel) Tá. Eu vou lá ver o que tá acontecendo. Valeu, Marcelo. Tchau. (Desliga). Após que isso é armação da Heloísa.

Bernardo acelera o passo.

CENA 24. gávea. rua. Exterior. Dia.

Abre o interior do carro de Heloísa: Luísa dirige. Tempo e escuta-se a sirene da polícia. Luísa para o carro e abre o vidro. Um policial: Perceu (35 anos, careca, barba rala e estatura alta) se aproxima do carro.

Perceu — Boa tarde. Por favor documentos do condutor e do veículo.

Luísa entrega a sua carteira de motorista e os documentos do carro. Perceu pega os documentos e se afasta. Luísa vê que Perceu conversa com outro policial e olha para Luísa. Tempo e Perceu se aproxima do carro.

Perceu — (Devolve os documentos) A senhora poderia descer do carro?

Luísa — (Preocupada) Algum problema?

Luísa desce do carro. Corta para a rua:

Perceu — Nós recebemos uma denúncia e ela bate com o seu nome e com a placa do carro. Podemos revistar o carro?

Luísa — (Confusa) Claro, mas denuncia de que?

Perceu e mais outro policial começam a revistar o interior do carro. Luísa observa tudo, um pouco apreensiva. Perceu coloca a mão de baixo do banco e tira dos tabeles de cocaína de baixo. Luísa olha para a droga, surpresa.

Luísa — Isso não é meu.

Perceu — Isso a senhora vai ter que explicar na delegacia. (Algema Luísa) A senhora está presa.

Na reação de Luísa.

CENA 25. barão do alambique. sala de gregório. Interior. Dia.

Gregório trabalhando. Leandro entra.

Leandro — Tava querendo falar comigo?

Gregório levanta e pega o celular.

Gregório — Sim, eu ia te mostrar isso quando a gente chegasse em casa, mas eu não vou conseguir esperar.

Leandro — O que você quer me mostrar?

Gregório entrega o celular para Leandro.

Gregório — Olha você mesmo.

Leandro pega o celular. Na tela, aparece o vídeo em que Milena e Marcelo se beijam no estacionamento. Após ver o vídeo, Leandro encara perplexo Gregório.

CENA 26. gafieira. frente. Exterior. Dia.

Marcelo desce do carro e olha para a porta da gafieira, que está aberta.

Marcelo — Tá aberta. Será que o Seu Coisinha tá lá?

Marcelo entra.

CENA 27. gafieira. ambiente. Interior. Dia.

Marcelo entra e vê o salão vazio.

Marcelo — Oi? Tem alguém.

Seu Coisinha que estava perto do palco, se aproxima.

Seu Coisinha — Marcelo? O que você tá fazendo aqui?

Marcelo — Tava passando por perto. Vi que tava aberto e resolvi entrar... Fiz mal?

Seu Coisinha — Fez não! Se tivesse chegado um pouco mais cedo você poderia ter visto o ensaio da Daiane e do Jamal. A próxima apresentação vai tá imperdível.

Marcelo — Elas sempre tão.

Seu Coisinha olha para Marcelo.

Seu Coisinha — Você tá me parecendo preocupado.

Marcelo — Tá tão na cara assim?

Seu Coisinha — Quando a felicidade não tá presente, eu consigo perceber de longe.

Marcelo — Não é que eu não esteja feliz. É que.../ Enfim, não quero incomodar você com os meus problemas.

Seu Coisinha — Às vezes o que a gente precisa é se abrir com alguém.

Marcelo — Não sei, são coisas muito pessoais.

Seu Coisinha — Me conta o que você quiser. Vamos lá pra casa e a gente toma uma cervejinha enquanto conversamos... Que acha?

Marcelo concorda.

CENA 28. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Heloísa caminhando pela sala, um pouco apreensiva. Bernardo entra da rua e vai até Heloísa.

Bernardo — Cadê a mãe?

Heloísa — Saiu.

Bernardo — O Marcelo me ligou. O que aconteceu aqui?

Heloísa — Nada. A mãe teve uma crise.

Bernardo — Crise? Mas/

Bernardo é interrompido por Rudá, que entra da cozinha.

Rudá — Desculpa interromper, mas é que ligaram da delegacia. (Pausa) Parece que a dona Luísa foi presa com uma grande quantidade de cocaína.

Reação de Bernardo.

Bernardo — Cocaína? (Para Rudá) Você anotou o endereço da delegacia?

Rudá — (Entrega um pedaço de papel) Sim. Esse é o endereço do local que ela tá presa. (Pausa) Com licença.

Bernardo — Espera, Rudá. Me diz o que aconteceu aqui em casa hoje.

Rudá olha para Heloísa.

Bernardo — (Insiste) Fala...

Rudá — Parece que a sua mãe teve algum tipo de crise. Começou a falar um monte de coisas estranhas.

Bernardo — Tipo o que?

Rudá — Tipo: Você vai pagar caro por tudo que tá fazendo, a sua máscara, esse tipo de coisa.

Heloísa — Vai ver já tava no efeito da cocaína.

Bernardo — Tá pode ir, Rudá.

Rudá vai para a cozinha. Bernardo segura Heloísa pelo braço.

Heloísa — (Dor) Aí! Me solta seu louco! Tá me machucando!

Bernardo — Foi você, né sua cretina?

Heloísa — Não sei do que você está falando, por favor me solta.

Bernardo — Você que armou pra mãe ser presa com as drogas, não foi?

Heloísa — Ela resolve fazer um bico de traficante e a culpa é minha? Nem todos os problemas do mundo têm o meu dedo, Bernardo. Essa perseguição tá ficando chata.

Bernardo — Todos os problemas do mundo, não. Mas todos os problemas dessa família têm o seu dedo. (Pausa) Aposto que ela ameaçou contar tudo pro Marcelo, acertei?

Bernardo solta Heloísa.

Bernardo — Não importa. Mas se eu fosse você, parava de se preocupar com a mãe e passava a me preocupava com uma coisa muito mais importante: As câmeras de segurança do iate da tia Ana Carolina.

Heloísa reage surpresa.

Heloísa — (Preocupada) Câmeras? Que câmeras?

Bernardo — Aquelas que gravam o iate 24 horas por dia. (Pausa) Mas você não tem nada a esconder. A morte da Clara foi um acidente, não foi?

Em Heloísa tentando disfarçar a preocupação.

CENA 29. barão do alambique. sala de gregório. Interior. Dia.

Continuação da cena 25. Leandro com o celular em mãos, diante de Gregório.

Leandro — O que significa isso?

Gregório — Eu flagrei os dois aos beijos hoje no estacionamento... Eu sinto muito.

Leandro — (Revoltado) Sente muito?!

Leandro dá um grito e arremessa o celular contra a parede.

Gregório — Meu celular!

Leandro — Foda-se o seu celular! Como a Milena pode fazer uma coisa dessas comigo?! E o Marcelo? Bancando o bom moço, mas não passa de um fura-olho!

Gregório — O Marcelo realmente foi uma surpresa.

Leandro — (Furioso) Ela fazendo cena, se fazendo de coitadinha, de traída! Ordinária! Tava me traindo com o meu próprio primo!

Gregório — Você não sabe se eles tinham um caso na época que vocês tavam juntos.

Leandro — Mas agora eles tão! E eu não vou deixar que isso aconteça bem de baixo do meu nariz.

Gregório — O que você vai fazer?

Leandro faz um breve silêncio.

Leandro — (Sombrio) Eu vou matar o Marcelo.

Gregório — (Reage) Que? Tá maluco?

Leandro — Foi você mesmo que deu a ideia, esqueceu? Falou, falou, mas não fez nada. Se você não vai dar um fim nele, eu mesmo vou fazer isso.

Gregório — Leandro, as coisas não são assim.

Leandro — São assim sim! O Marcelo pode ficar com as ações da Barão, com a herança de tia Ana! To nem aí! (Grita) Mas com a Milena não! Eu vou acabar com ele antes disso acontecer.

Em Leandro furioso.

CENA 30. casa de seu coisinha. sala. Interior. Dia.

Ambiente simples. Um sofá diante da televisão, uma cômoda no canto da sala, uma mesa com algumas cadeiras em outro canto.

Seu Coisinha e Marcelo entram da rua.

Seu Coisinha — Pode entrar. Sinta-se em casa.

Marcelo — Licença.

Seu Coisinha — Vou pegar a nossa cerveja. Não se importa de tomar no bico, né?

Marcelo — (Sorri) Não.

Seu Coisinha — Me faz um favor? Naquela cômoda tem um abridor de garrafas, acho que na primeira gaveta. Pega pra mim?

Marcelo — Pego sim.

Seu Coisinha vai para a cozinha. Marcelo vai até a cômoda e abre a primeira gaveta, mexe e não encontra nada. Marcelo fecha a gaveta e a abre outra.

Música: Instrumental tensão [Até o encerramento].

Marcelo olha para o interior da gaveta e reage surpreso. Marcelo pega uma foto. Close em Marcelo extremamente surpreso. Tempo e Seu Coisinha vem da cozinha com duas garrafas de cerveja.

Seu Coisinha — Tão trincando de gelada. Achou o abridor?

Marcelo se vira para Seu Coisinha e mostra uma foto em que está: Seu Coisinha, Ana Carolina e Alcides (todos mais jovens). Silêncio. Marcelo e Seu Coisinha se encaram.

Marcelo — O que você tá fazendo com os meus pais nessa foto? Por que você nunca me disse que conheceu eles?

Closes alternados em: Seu Coisinha surpreso e em Marcelo esperando uma resposta. Fade Out.

 
     

 

     



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