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Relações Perigosas - Capítulo 09

Novela de Felipe Porto
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VALE A PENA LER DE NOVO: RELAÇÕES PERIGOSAS
 
     
 
 
     
  NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "RELAÇÕES PERIGOSAS":

Bernardo — Internar a mãe?! Clara, cê tá louca!

Heloísa — Louca vai ficar ela se a gente não fizer nada. Bê, pensa comigo... Você sabe como a saúde mental da mãe é frágil, você mesmo disse que ela falou que viu o fantasma de Helô. Deus me livre que ela tenha morrido, mas.../

Bernardo — (Corta) Você não tá querendo insinuar que a mãe viu o fantasma de Heloísa, tá?

Heloísa — Se o que ela viu foi alucinação ou fantasma, não vem ao caso. O que a gente precisa decidir o mais rápido possível é se ela vai ser internada ou não.

...

Marcelo — (Sorri) Sei lá, Clara. Mas você tá diferente.

Heloísa fica por alguns segundos sem ação, até que por fim sorri e responde.

Heloísa — É óbvio, amor. Olha só por tudo que a gente passou.

Marcelo — Cê tem razão. Que burrice a minha.


...
 

Luísa — Bernardo o que a gente tá fazendo aqui?

Bernardo — Mãe... A Clara e eu achamos melhor você ficar aqui por um tempo.

Luísa — (Surpresa) Que?! Que lugar é esse?!

Bernardo — É uma clínica de repouso. Vai ser bom pra senhora descansar um pouco. A sua cabeça tá muito atordoada com tudo.


...
 

Heloísa — Eu vim aqui pra entregar o que a gente tinha combinado.

Heloísa abre a bolsa, tira um maço de dinheiro de dentro e joga em cima da mesa.

Heloísa — Tá tudo aí. Se quiser pode contar.

Regina — Não precisa. Eu confio em quem faz negócio comigo.

Heloísa — Ótimo, porque eu também to confiado na doutora.

Regina — E quais são as orientações em relação à sua mãe?

Heloísa — Por enquanto eu quero que você controle quem for visitar ela e me avise quando alguém aparecer.

Regina — Algo mais?

Heloísa — Sim... Talvez seja bom você dar uns calmantes, assim quando alguém vier fazer uma visita, vai ter certeza de que ela não tem a mínima condição de sair daqui.

Regina — Tudo isso que a senhora tá pedindo vai ser feito.


...

Marcelo — (Surpreso) Lembrou?!

Rudá — É... Mais ou menos... Eu não tenho certeza do que eu vou te falar, eu era pequeno...

Marcelo — Não importa, qualquer ajuda é valida.

Rudá — Eu lembro que quando eu era criança a dona Ana Carolina e o Dr Alcides me deixavam circular pela casa. Mas a minha mãe não deixava eu sair quando tinha visita. E eu me lembro de ela falando várias vezes pra mim: Não vai pra sala, menino. O Dr. Coimbra tá lá.

Marcelo — (Intrigado) Quem é Dr. Coimbra?

Rudá — Não sei. Deve ser algum amigo dos seus pais. Eu não me lembro mais de terem falado nele depois que o seu pai sumiu como você.


...

Bernardo — Claro que não é bom ele vir. Você não ia conseguir internar ele, não é?

Heloísa não esboça reação.

Heloísa — (Saindo) Agora não é o momento pra ironias, Bernardo.

Heloísa vai abrir a porta da rua, mas Bernardo fecha com força e prensa Heloísa contra parede.

Heloísa — Você tá me machucando! Me solta!

Bernardo encara Heloísa.

Bernardo — Para de fazer teatrinho. Na hora da confusão eu não me dei conta, mas agora tudo se encaixa: você só quis internar a nossa mãe pra que ela não revelasse essa farsa.

Heloísa — (Nervosa) Eu não sei do que você tá falando.

Bernardo — (Grita) To falando que quem tá desaparecida é a Clara e que você tá querendo enganar todo mundo se passando por ela!! Confessa, Heloísa!!

Em Heloísa nervosa e acuada.

 
     
 
     
     
     

CAPÍTULO 09
 
     
 

CENA 01. ap de luísa. sala. Interior. Noite.

Continuação da última cena do capítulo anterior.

Bernardo pressiona Heloísa contra a parede. Heloísa se livra de Bernardo.

Heloísa — Você tá ficando louco.

Bernardo — Vai me internar igual você fez com a nossa mãe.

Heloísa — Eu fiz, não. Nós fizemos! Não vem querer tirar o corpo fora.

Bernardo — E você não vem querer mudar de assunto.

Bernardo segura Heloísa novamente.

Bernardo — Você matou a Clara?! Você é doente, Heloísa.

Heloísa — Eu não matei ninguém! Eu sou a/

Bernardo — (Corta) Você não é a Clara! Você pode enganar o Marcelo, mas a mim não!

Heloísa — Ela caiu do barco... Se não ter me jogado no mar pra tentar salvar ela é ter matado, então eu matei sim.

Bernardo escuta Heloísa, perplexo.

Heloísa — O mar tava agitado, o barco balançando, a Clara se desequilibrou e caiu no mar. Eu fiquei tão desesperada que não soube o que fazer... Bernardo, se eu tivesse me jogado pra tentar salvar ela, talvez agora nós duas estivéssemos mortas.

Bernardo — Você deixou a nossa irmã morrer...

Heloísa — Eu não podia me jogar lá. Era perigoso!

Bernardo fica em silêncio por um tempo, assimilado tudo.

Bernardo — Por que você não contou a verdade. Por que você disse que quem caiu tinha sido a Heloísa?

Heloísa — É que/

Bernardo — Foi por causa do Marcelo, não foi?

Heloísa — Bernardo pensa comigo: a Clara ta morta e eu to viva. O Marcelo nunca ia olhar pra mim.

Bernardo — Por que ele ama a nossa irmã.

Heloísa — Mas ela morreu/

Bernardo — Nem acharam o corpo dela e você já tá enterrando ela.

Heloísa — Aceita a realidade. Você acha justo eu deixar o Marcelo viver uma fossa pela Clara, enquanto eu to aqui de coração aberto pronta pra dar todo amor pra ele?

CENA 02. casa de gregório. sala de jantar. Interior. Noite.

Jantar servido. Sentados à mesa: Gregório, Tarsila e Karina.

Tarsila — Você não sabe o que a sua filha fez hoje.

Gregório — Minha? É só minha? O que você fez Karina?

Karina — Nada de mais. A mãe que tá fazendo escândalo desnecessário.

Tarsila — Como desnecessário? Você mentiu que ia pra casa da Yasmin quando foi conhecer o seu primo Marcelo.

Gregório — (Interrompe) Peraí, você conheceu o Marcelo?

Karina — Ninguém me levava, acabei indo por conta.

Gregório — E aí?

Karina — Gostei dele, me convidou pra aparecer lá quando eu quisesse. O irmão de um dos empregados da casa estuda comigo no São Sebastião.

Tarsila — Irmão de empregado? Credo! A sua escola já foi melhor frequentada.

Gregório — Então quer dizer que você e o Marcelo se deram bem?

Karina — Muito, vou lá sempre.

Gregório — Isso mesmo. Pode ir quando você quiser, tem a minha total permissão.

Karina sorri.

Gregório — (Baixo/Pra Tarsila) É bom que ela se aproxime do Marcelo. Essa também é uma forma de deixar nossos laços familiares ainda mais fortes.

Tarsila — Se você acha.

Gregório — Acho. (Tom) E o Leandro cadê?

Tarsila — Esse é outro que some sem dar satisfações.

CENA 03. ruas do rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite.

Com o vidro da janela aberta, Leandro dirige lentamente o carro popular. Uma prostituta (20 anos, morena) bate ponto em uma esquina. Leandro para o carro perto dela. A prostituta se aproxima.

Prostituta — Se o gato tiver afim, eu faço tudo que você quiser.

Leandro — Tá sozinha?

Prostituta — Tô, mas se você quer um ménage, eu posso ligar pruma amiga aqui.

Leandro — Não liga pra ninguém. Entra logo no carro.

Prostituta — (Entrando) É disso que eu gosto de homem decidido.

CENA 04. carro popular de leandro. ambiente. Interior. Noite.

Carro em movimento. Leandro dirige e a prostituta ao lado.

Prostituta — Nem perguntou o preço.

Leandro — Não perguntei, porque eu não quero saber. O dinheiro que eu tenho dá pra comprar um ano inteiro de programa seu.

Prostituta — Com esse carrinho popular de classe média?

Leandro — Esse carro eu só uso pra ocasiões especiais.

Prostituta — Então quer dizer que esse volume na sua calça é do dinheiro? Achei que fosse outra coisa.

Leandro — Na boa? Se eu quisesse conversar, eu pagava um terapeuta e não uma puta. Então fica quietinha.

A prostituta se cala. Leandro segue dirigindo.

CENA 05. ap de luísa. sala. Interior. Noite.

Continuação da cena 01. Bernardo não sabe o que responder para Heloísa.

Bernardo — Isso que você tá fazendo é crime, sabia?

Heloísa — Sim, mas eu to fazendo tudo isso pela nossa felicidade: minha e do Marcelo. A Clara não tá mais aqui e eu me passando por ela é a única forma de eu ser feliz ao lado dele.

Bernardo — Você vai construir um relacionamento na base da mentira?

Heloísa — Ah Bernardo! Para de bancar o falso moralista! Você nunca foi santo!

Bernardo — Mas isso que você tá fazendo e falsidade ideológica! Dá cadeia!

Heloísa — Só se alguém me denunciar e você é o único que pode fazer isso.

Bernardo — Até porque a mãe você já deu um jeito de tirar do seu caminho.

Heloísa — Não fala assim, Bernardo. Eu só peço o seu silêncio.

Bernardo fica pensativo. Heloísa apreensiva.

Bernardo — Você vai ter o meu silêncio, mas ele vai custar caro.

Heloísa — (Surpresa) Que?

Bernardo — Isso mesmo: se você não quiser que eu conte tudo pro Marcelo, você vai ter que me dar uma boa grana.

Em Heloísa surpresa.

CENA 06. rua deserta. ambiente. Exterior. Noite.

O carro popular de Leandro está parado em uma rua escura e deserta.

Corta para o interior do carro: Abre no close de Leandro chegando ao orgasmo. Tempo e a Prostituta levanta a cabeça e sorri safada.

Prostituta — A gente vai ficar só nisso?

Leandro — O que eu disse sobre ficar falando?

A prostituta fecha a boca.

Leandro — Agora você vai fazer um strip pra mim.

Prostituta — No carro?

Leandro — Claro que não, sua burra. Lá na rua, na frente do carro.

Prostituta — Cê tá doido?

Leandro — Para de onda? Vocês ficam mostrando a bunda pra pegar cliente e agora vai ficar dando uma de envergonhada.

Prostituta — Não é vergonha, gato. Se você quiser e pagar bem, a gente transa em cima do capô do carro.

Leandro pega uma nota de cem reais e coloca perto do para-brisa.

Leandro — Eu pago bem sim, mas pra você tirar a roupa pra mim na frente do carro.

A prostituta sorri safada, sai e vai para frente do carro. Discretamente, Leandro liga uma mini câmera presa ao espelho retrovisor. A prostituta começa a fazer uma dança sensual. Leandro faz um gesto para ela se afastar um pouco do carro. A prostituta se afasta do carro. Leandro pede pra ela se afastar um pouco mais e ela se afasta. A prostituta continua seu strip tirando a blusa. Leandro liga a luz alta do farol, cegando a prostituta.

Leandro — Menos um pra poluir a cidade.

Leandro desliga o farol do carro, a prostituta ainda está um pouco tonta por causa da luz. Leandro liga o carro e acelera em direção a prostituta.

Corta para a rua: A prostituta apavorada corre do carro, que chega cada vez mais perto.

Corta para o interior do carro: Leandro atropela a prostituta. Ele olha o corpo dela pelo retrovisor e dá um sorriso. Em seguida arranca com o carro, deixando a mulher morta.

CENA 07. ap de luísa. sala. Interior. Noite.

Heloísa ainda não acredita no que acabou de ouvir.

Heloísa — Você tá me chantageando?

Bernardo — Eu chamaria de troca de favores. Mas você pode dar o nome que quiser.

Heloísa — Bernardo/

Bernardo — (Corta) Sem conversinha. Ou você me dá a grana ou o seu sonho de casamento feliz com o Marcelo acaba agora.

Heloísa — Tá bom, tá bom. Eu te dou o dinheiro. Quanto você quer?

Bernardo — Pra começar 2 mil.

Heloísa — Pra começar?

Bernardo — Sim, porque o meu silêncio vai custar muito mais caro que isso.

Heloísa — Você não vale nada.

Bernardo — Olha quem falando: você planejou a internação da nossa mãe numa clínica e matou a nossa irmã.

Heloísa — Eu não matei a Clara! Droga, eu já te disse isso! Ela caiu no mar! Foi um acidente!

Bernardo — Ok, eu vou te dar o benefício da dúvida. Mas eu quero o dinheiro na minha mão amanhã.

Heloísa pega a bolsa.

Heloísa — Pode deixar, amanhã eu te dou esse dinheiro.

Heloísa sai para a rua. Bernardo fica pensativo.

Heloísa — (Off) Como assim adiar o casamento?

CENA 08. restaurante. ambiente. Interior. Noite.

Heloísa e Marcelo sentados à mesa. Conversa já iniciada.

Marcelo — É, Clara. Adiar. A sua irmã tá desaparecida, aconteceram um turbilhão de coisas na sua vida. Será que não é melhor a gente adiar por um tempo esse casamento?

Heloísa — De jeito nenhum. Eu não quero adiar um minuto a nossa felicidade.

Marcelo — Você tem certeza disso?

Heloísa — Absoluta, meu amor. No final as coisas vão se ajeitar por si só e não vai ser adiando o nosso casamento que elas vão se resolver mais rápido.

Marcelo — (Sorri) Se é assim que você quer, eu vou continuar vendo os papéis pro casamento.

Heloísa — Faz isso. Eu espero ansiosa pelo dia em que você vai colocar um anel no meu dedo.

Marcelo beija a mão de Heloísa.

Marcelo — Eu também, Clara. Eu também.

E os dois dão um longo beijo.

CENA 09. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia.

Música: Hello – Martin Solveig Ft Dragonette.

Stock-shot do Rio de Janeiro ao amanhecer.

Música: [Fade Out].

CENA 10. casa de gregório. sala. Interior. Dia.

Leandro desce as escadas. Tarsila por ali.

Leandro — Bom dia.

Tarsila — Bom dia. Onde você esteve ontem que chegou tão tarde?

Leandro — Tava arejando a cabeça.

Tarsila — Sei... Qual?

Leandro — Ah mãe! Pelo amor de Deus! Da licença que eu to atrasado pro trabalho.

Tarsila — Não vai colocar o seu noivado com a Milena a perder por causa dessas vadiazinhas que você encontra nas esquinas.

Leandro — Eu não sou otário.

Leandro sai para a rua.

CENA 11. escritório de otávio. sala de otávio. Interior. Dia.

Otávio e Jardel conversando.

Otávio — No que exatamente você tá pensando?

Jardel — Em fazer um livro biográfico do Marcelo. O caipira que se tornou o Barão da Cachaça.

Otávio — Tecnicamente ele ainda não é Barão de nada.

Jardel — Isso é uma questão de tempo e você sabe disso.

Otávio — Verdade. Mas a troco de quê você quer fazer isso?

Jardel — Ora, Otávio! A história do Marcelo é folhetim puro! O pai que some com o filho, a mãe que passa a vida procurando por ele e morre horas antes de reencontrar o filho, o caipira que se achava sozinho no mundo e descobre ser herdeiro de uma grande fortuna! A história pode até não ser original, mas é altamente dramática. Vai vender como água esse livro. (Pausa) O seu plano de tomar conta de tudo que era do Marcelo, foi pro brejo porque ele não vai querer mais voltar lá pra onde Judas perdeu as meias. Você tem esse escritório que deve dar um lucro considerável. Eu sou só um jornalista que vivo de freela pra jornais e revistas. Se esse livro fizer sucesso, vai se muito bom pra mim.

Otávio — É, Jardel... Acho que você tem razão. A história do Marcelo pode render um bom livro. Eu vou te ajudar a convencer o Marcelo a aceitar que você biografe ele, mas é claro que nada sai de graça.

Jardel — Se o livro vender bem eu te dou uma porcentagem... Pequena.

Otávio — Se vender bem?

Jardel — Todo investimento é de risco, Otávio.

CENA 12. casa de ana carolina. jardim. Exterior. Dia.

Rudá poda os arbustos do jardim. Marcelo sai de dentro da casa e vai até Rudá.

Rudá — Tá bonito o dia, né?

Marcelo — Sei lá. Não to com cabeça pra isso. Só consigo pensar no que você me disse ontem.

Rudá — Não esquenta com isso, Marcelo. Pode ser que eu esteja errado.

Marcelo — Pode ser não é certeza. Eu preciso tirar essa história a limpo.

Rudá — Como?

Marcelo — Com o meu tio. Ele é irmão do meu pai, deve conhecer todos os amigos e grande parte das pessoas que frequentavam essa casa. Eu vou agora atrás dele na empresa.

Marcelo entra no carro que está estacionado e arranca. Rudá fica observando o carro de Marcelo sair para a rua.

CENA 13. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Giancarlo desce as escadas e vai até Milena.

Giancarlo — Bom dia, querida.

Milena — Bom dia vô.

Giancarlo — Eu queria que você fosse pra exportadora hoje, pode ser?

Milena — Claro. Eu to precisando frequentar mais lá, né?

Giancarlo — Você anda em falta comigo.

Milena — Desculpa, eu juro que vou fazer isso mais vezes.

Giancarlo — Tudo bem. Nunca é tarde pra começar. Você estudou comércio exterior pra saber como comandar a nossa exportadora.

Milena — E porque vocês insistiram muito.

Giancarlo — Quem ouve você falar, até pensa que você é uma frustrada.

Os dois vão caminhando em direção à saída.

Milena — Ah no começo eu não gostava do curso, mas depois eu comecei a achar interessante.

Giancarlo — Quer saber de uma coisa, Milena? Todo começo de curso é chato. Isso não é mérito desse seu curso.

E os dois saem para a rua.

CENA 14. colégio são sebastião. corredor. Interior. Dia.

Yasmin e Juliana conversam.

Juliana — Sábado vai ter noite lá no Ibiza, vamos?

Yasmin — Não sei, pode ser.

Juliana — Não sei o caramba. Você vai sim, não vem fazer cu doce pra cima de mim.

Yasmin — (Ri) Você me convidou ou tá me intimando?

Juliana — Se você aceitar: é um convite. Se você não aceitar: é uma intimação.

Yasmin — Tá bom, eu vou. O que vai ter lá?

Juliana — Música, gente dançando, se pegando, bebendo, não necessariamente nessa ordem.

Yasmin — Sem gracinha. To falando sério.

Juliana — (Ri) Eu também... Vai ir um DJ da Espanha superfamoso que eu esqueci o nome.

Yasmin — Tão famoso que você esqueceu o nome.

Juliana — Tenho memória péssima antes das 10 da manhã.

CENA 15. barão do alambique. frente. Exterior. Dia.

Tomada da frente do prédio da Barão do Alambique.

CENA 16. barão do alambique. sala de gregório. Interior. Dia.

Gregório e Leandro conversando. O telefone toca.

Gregório — Pois não dona Adelaide. (Surpreso) Que? Ele aqui? Tá, pode mandar entrar.

Leandro — Quem é?

Gregório — Seu primo Marcelo.

Adelaide abre a porta.

Adelaide — Senhor Marcelo, por favor.

Marcelo entra.

Gregório — Marcelo, que surpresa você por aqui.

Marcelo — Tudo bem com vocês? Eu queria falar com o senhor, tio. Pode ser?

Leandro — É particular? Se quiser eu posso sair.

Marcelo — Não é não. Pode ficar.

Adelaide — O senhor aceita um café, uma água?

Marcelo — Não, muito obrigado.

Adelaide — Com licença, qualquer coisa é só me chamar.

Adelaide sai.

Gregório — Então Marcelo. Sobre o que você quer falar comigo?

Marcelo — Sobre os amigos dos meus pais.

Gregório — (Não entende) Desculpa...

Marcelo — Quem é Dr. Coimbra?

Gregório reage surpreso.

CENA 17. giacomelli exportações. sala de milena. Interior. Dia.

Sala ampla, com mesa e cadeira. Assim como nas outras salas, há uma ampla janela de vidro que vai do chão ao teto.

Giancarlo e Milena entram na sala.

Milena — Que sala é essa?

Giancarlo — É a sua.

Milena — Como assim?

Giancarlo — Você não vai começar a trabalhar aqui? Precisa de uma sala pra você.

Milena — Eu não imaginava que você tinha me chamado aqui pra isso.

Giancarlo — Agora você não tem mais desculpa pra deixar de frequentar e empresa que é sua também.

Milena — (Ri) Você é espertinho, hein.

Giancarlo — Eu sou um homem vivido, querida. (Tom) Gostou da sala?

Milena — (Sorri) Adorei. (Vai até a janela) Que vista linda.

Giancarlo — Que sua mãe não escute, mas a vista dessa sala é a mais bonita de todas.

Os dois riem.

CENA 18. shopping. ambiente. Interior. Dia.

Jardel caminha pelo shopping ao passar na frente de uma joalheria, ele vê Giovanna. Jardel entra na loja.

CENA 19. shopping. joalheria. Interior. Dia.

Jardel vai até Giovanna.

Jardel — Giovanna? Lembra de mim?

Giovanna olha para Jardel por alguns instantes.

Giovanna — Jardel, não é? O que foi com o Otávio buscar o filho da dona Ana Carolina.

Jardel — Eu mesmo. O que você tá fazendo por aqui?

Giovanna — Esqueceu que eu sou gerente de uma joalheria?

Jardel — Verdade, esqueci completamente. Bom, eu não quero atrapalhar o seu trabalho. Bom dia.

Giovanna — (Sorri) Pra você também.

Jardel vai sair, mas dá meia volta.

Jardel — Não quer ir ali comigo tomar um cafezinho?

Em Giovanna pensando na proposta.

CENA 20. shopping. café. Interior. Dia.

Jardel e Giovanna tomando um café enquanto conversam.

Jardel — Você é gerente dessa joalheria há muito tempo?

Giovanna — Há alguns anos sim. Durante um bom tempo eu trabalhei na gerência de um shopping lá na Barra. Era bom, mas a Barra é muito longe. Aí me ofereceram esse emprego, pagavam melhor e era mais perto. Troquei.

Jardel — Tá certa. Tem que ir onde estão as melhores oportunidades.

Giovanna — E você? É jornalista, né?

Jardel — Sim. Jornalista investigativo... E do que mais pintar. Nunca escolhi tema de matéria, o que aparece eu faço.

Giovanna — E qual foi a matéria mais chata que você fez?

Jardel toma um gole do café e pensa um pouco.

Jardel — Acho que foi uma matéria pra uma das revistas de Editora Villar sobre a dieta da lua.

Giovanna — (Ri) Sério?

Jardel — O que a gente não faz pra poder pagar as contas no final do mês.

CENA 21. barão do alambique. sala de gregório. Interior. Dia.

Continuação da cena 16. Marcelo espera a resposta de Gregório. Leandro observa os dois.

Gregório — Dr. Coimbra? Quem é essa pessoa?

Marcelo — É isso que eu quero saber.

Gregório — Eu não conheço nenhum Coimbra.

Marcelo — Você tem certeza, tio?

Gregório — Por que você tá me perguntando isso?

Marcelo — Não sei se eu falei pro senhor, mas eu to querendo saber por que meu pai sumiu e me levou junto.

Gregório — Pra que ficar remexendo no passado, Marcelo?

Marcelo — Eu preciso saber, tio. Eu fui privado de parte da minha vida e algum motivo deve ter. Meu pai não fez o que fez a troco de nada, ele era um homem bom.

Gregório — Eu sei disso, mas o que passou passou. Nada que você investigue vai mudar as coisas.

Marcelo — Mas eu preciso saber. O Rudá, um dos meus empregados, é filho de pessoas que trabalhavam lá em casa na época que meu pai sumiu... Ele disse que tem vaga lembrança da visita desse Dr. Coimbra lá em casa.

Gregório — E quantos anos ele tinha? Devia ser uma criança. Vai ver ele tá enganado.

Marcelo — Pode ser, mas não custa investigar.

Gregório — Infelizmente eu não posso te ajudar nessa questão.

Marcelo — Tudo bem, tio. Desculpa vir aqui incomodar o senhor.

Gregório — Imagina. É sempre bom receber você.

Marcelo — Tchau tio. (Pra Leandro) Tchau, primo.

Leandro — Tchau, Marcelo.

Marcelo sai da sala. Leandro encara Gregório.

Leandro — Quem é Coimbra?

Gregório — E eu vou saber! Seu primo tá doido.

Em Gregório visivelmente incomodado.

CENA 22. giacomelli exportações. sala de ROGÉRIO. Interior. Dia.

Rogério trabalhando. Bianca entra na sala.

Bianca — (Irritada) Sabe quem tá aí?

Rogério — Ainda não sou vidente.

Bianca — A Milena.

Rogério — E daí?

Bianca — Eu não gosto dela rondando a empresa.

Rogério — Tá com medo que ela tome o seu lugar.

Bianca — Eu já disse que isso nunca vai acontecer. Ela não tem experiência alguma pra assumir cargo importante dentro dessa empresa.

Rogério — Não tem experiência, mas tem caráter.

Bianca — (Se irrita) Ah Rogério! Vai à merda!

E sai batendo a porta. Rogério dá uma leve risada.

CENA 23. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia.

Stock-shot da cidade do Rio de Janeiro.

CENA 24. ap de luísa. sala. Interior. Dia.

Heloísa coloca um maço de dinheiro nas mãos de Bernardo.

Heloísa — Tá aqui o combinado e vê se fica quieto.

Bernardo — Pode deixar que enquanto a minha mão tiver ocupada contando dinheiro, eu não vou lembrar de contar nada.

Heloísa — Acho bom, Bernardo. A minha felicidade tá em suas mãos.

Bernardo — Quanto drama...

Heloísa vai para o seu quarto. Bernardo fica contando o dinheiro.

CENA 25. clínica de repouso. quarto. Interior. Dia.

Luísa caminha de um lado para o outro, muito nervosa.

Luísa — Alguém me tira daqui! Eu não to louca! Chama a Clara, o Bernardo! Eles precisam saber que eu vi a irmã deles, eu não to louca!

Luísa dá um grito. Tempo e Regina entra com um enfermeiro.

Regina — Dona Luísa, a senhora precisa se acalmar. Se continuar agindo assim, a senhora não vai ter autorização pra sair do quarto.

Luísa — Me tira daqui Doutora. Eu não sou louca.

Regina — Claro que não. Até porque aqui não é um hospício. Todos que tão aqui estão desestabilizados emocionalmente.

Luísa — Eu não vou ficar aqui!

Luísa ameaça sair.

Regina — Segurem ela.

O enfermeiro segura Luísa.

Regina — Segura firme que eu vou aplicar.

Regina aplica uma injeção no braço de Luísa que logo em seguida desfalece nos braços do enfermeiro.

Regina — Deixa ela na cama. Essa aí vai ficar sem incomodar por algumas horas.

O enfermeiro coloca Luísa na cama, enquanto Regina observa.

CENA 26. ap de otávio. quarto de juliana. Interior. Dia.

O celular de Juliana apita e ela o pega para olhar a mensagem que acaba de chegar.

Leandro — (Off) Quando é que eu vou te ver de novo? Desde aquela noite no Ibiza eu só penso em beijar essa sua boca de novo.

Juliana morde os lábios e dá um sorriso malicioso.

CENA 27. barão do alambique. sala de leandro. Interior. Dia.

Leandro com o celular na mão, sorrindo. Milena entra na sala. Leandro se assusta e deixa o celular cair no chão.

Milena — Que é isso, amor? Se assustou?

Em Leandro.

CENA 28. barão do alambique. sala de gregório. Interior. Dia.

Música: Instrumental de Suspense.

Gregório falando ao celular.

Gregório — (Cel/Sério) Alô, sou eu: Gregório... Deixa eu falar? Se não fosse importante eu não teria ligado... O Marcelo veio me perguntar sobre o Coimbra... (Irritado) Como assim: e daí? Deixa de ser/ (Se corta) Seguinte: eu quero ver você em meia hora no bar daquele hotel, lembra?... A gente precisa conversar sobre isso. E vê se não se atrasa.

Gregório desliga o celular se levanta e sai da sala.

Música: [Fade Out].

CENA 29. barão do alambique. sala de leandro. Interior. Dia.

Continuação da cena 27. Leandro sorri, se levanta e vai até Milena.

Leandro — Não me assustei, não. É que eu tava meio distraído.

Os dois se beijam.

Milena — Vim te chamar pra jantar comigo. O que você acha?

Leandro pega Milena pela cintura.

Leandro — Eu acho que você tá querendo me seduzir.

Milena — (Brinca) Talvez... To precisando encontra um otário pra casar comigo.

Leandro — (Brinca) Ah, mas pra casar com você tem que ser muito otário mesmo. Bonita, gostosa...

Milena — (Completa) E rica.

Leandro — Isso é o mais importante.

Milena ri e empurra Leandro de leve.

Milena — Palhaço. Onde a gente pode ir?

Leandro — Abriu um restaurante japonês lá no Leblon.

Milena — Não sou muito chegada em peixe cru, mas pode ser.

Leandro — Só deixa eu pegar o meu celular.

Leandro se abaixa para pegar o celular, enquanto vai falando.

Leandro — O Marcelo teve aqui.

Milena — É? Mas ele já tá querendo assumir o lugar dele aqui na Barão?

Leandro — Ele não veio aqui pra isso, não. Veio perguntar pro pai por um tal de Dr. Coimbra.

Milena reage e fica séria.

Milena — Dr. Coimbra?

Leandro — É ele acha que era algum amigo da tia Ana e do tio Alcides.

Leandro olha para Milena e percebe a fisionomia preocupada dela.

Leandro — Tá tudo bem?

Milena — Tá sim, amor. Só que a gente vai ter que deixar o nosso jantar pra outro dia. Me lembrei que eu tenho que fazer uma coisa urgentíssima.

Leandro — Mas/

Milena — Desculpa, amor. Fica pra próxima.

Milena dá um beijo em Leandro se sai da sala apressada. Em Leandro sem entender o que está acontecendo.

CENA 30. giacomelli exportações. antessala. Interior. Dia.

Giancarlo vai até a mesa de Rosa.

Giancarlo — Dona Rosa. Cadê a minha filha?

Rosa — Dona Bianca saiu há um tempo.

Giancarlo — Que estranho. A gente tinha combinado de conversar sobre/... Bom, ela falou pra onde ia?

Rosa — Não senhor.

Giancarlo fica pensativo.

CENA 31. hotel. bar. Interior. Dia.

Gregório sentado, tomando um whisky em uma mesa de bar de um luxuoso hotel. Alguém se aproxima de Gregório e ele se levanta. Ele pega na sua mão e vemos que é uma mulher. Gregório beija a mão dela e a encara: é Bianca que esboça um sorriso cordial.

Bianca — Me atrasei?

Gregório — Pontual como sempre... Agora senta, que o assunto que a gente tem que conversar é sério.

Closes alterados em Gregório e Bianca.

CENA 32. casa de ana carolina. escritório. Interior. Dia.

Marcelo caminha pelo escritório, chateado.

Marcelo — Não é possível que eu tenha voltado à estaca zero. Esse Dr. Coimbra não pode ser uma alucinação do Rudá.

Rudá entra no escritório.

Rudá — Marcelo, licença. Tem visita pra você.

Marcelo — Pra mim?

CENA 33. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Marcelo vem do escritório e vê Milena esperando por ele.

Milena — Desculpa vir te incomodar, Marcelo.

Os dois se cumprimentam com dois beijos no rosto.

Milena — Você se lembra de mim?

Marcelo — Claro. A namorada do Leandro. Mirela, né?

Milena — Milena.

Marcelo — Isso... Quer sentar.

Milena — Não, obrigada. To bem de pé.

Marcelo — Posso te ajudar em alguma coisa?

Milena — Acho que pode. O Leandro me falou que você foi hoje lá na Barão querendo saber quem era o Dr. Coimbra.

Marcelo reage surpreso.

Marcelo — Você sabe quem é ele?

Milena — Sim... Ele é meu pai.

Na surpresa de Marcelo. Fade Out.

Música de encerramento: Another sad love song – Toni Braxton.

 
     

 

     

autor
Felipe Porto

elenco
Marco Pigossi como Marcelo
Nathalia Dill como Heloísa e Clara
Isis Valverde como Milena
Nando Rodrigues como Leandro
Glória Pires como Bianca
Christiane Torloni como Ana Carolina
Herson Capri como Gregório
Leopoldo Pacheco como Otávio
Totia Meireles como Tarsila
Lucinha Lins como Luísa
Alejandro Claveaux como Rudá
Reginaldo Faria como Giancarlo
Gisele Fróes como Giovanna
Marat Descartes como Rogério
Júlia Dalavia como Yasmin
Brenda Sabryna como Juliana
Chay Suede como Bernardo
Marco Ricca como Wagner
Giovanna Rispoli como Karina
Vitor Hugo como Jardel
Henrique Filgueiras como Samuel
Roberto Birindelli como Seu Coisinha
Aline Dias como Daiane
Rafael Zulu como Jamal
Claudia Netto como Regina
Fafy Siqueira como Dolores
Dani Barros como Aparecida
Ilva Niño como Divinéia
Mariah da Penha como Cleusa
Thais Garayp como Amélia
Cris Nicolotti como Rosa
Angela Dip como Adelaide
Yaçanã Martins como Neide
Zé Victor Castiel como Nogueira
André Ramiro como Perceu
Eriberto Leão como Alcides
participação especial em flashback
Fernanda Machado como Ana Carolina
Aline Moraes como Bianca
Thiago Fragoso como Gregório
Daniel de Oliveira como Wagner
Giovanna Ewbank como Luísa
Armando Babaiof como Coimbra

trilha sonora
You give love a bad name – Bon Jovi (abertura)
Hello – Martin Solveig Ft Dragonette
Another sad love song – Toni Braxton

produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
Rafael Oliveira


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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