Perfume - Capítulo 05



 

     
     
     

CAPÍTULO 05 - PORTO SEGURO
 
     
   
 

A luz do sol entra pela janela e ilumina todo o quarto naquela manhã, Levi solta um pequeno gemido, posteriormente espreguiçando-se e levantando da cama, deixando o edredom todo bagunçado no leito. Pouca coisa havia mudado naquele compartimento da casa, tudo ainda estava em seu devido lugar, como se voltasse ao passado, os melhores momentos da sua existência. Na parede alaranjada contém alguns pôsteres dos Beatles, a sua banda favorita.

É difícil imaginar que a matriarca ainda o hostilize, por qual motivo guarda todas aquelas lembranças? As fotos no porta-retratos. Talvez ela sinta algum remorso pelo filho ter viajado, a deixando solitária. Levi ansiava conquistar o seu próprio horizonte.

Ele caminha para o banheiro, toma um longo banho, posteriormente troca de roupa e desce para a cozinha, onde cumprimenta a irmã e o melhor amigo, tomam café juntos em uma mesa farta, Amália ainda não havia despertado. Olha para o relógio no pulso, 10h15min, apressou-se para ir ao aeroporto buscar a namorada. Levi entra no carro acompanhado por Tony, que se acomoda no banco do carona, os dois começaram a conversar.

- E você e a sua mãe?
- O que tem ela?
- O perdão é essencial nesse momento.
- Sim, mas parece que isso não vai acontecer.
- Ontem ela estava bêbada, isso vai mudar.
- Acha mesmo?
- Nada é impossível, Levi.

O carro segue a caminho para a balsa, que os conduziram à Porto Seguro em menos de quinze minutos, finalizando o percurso quase meia hora depois.

Sentada na sala de espera do desembarque está Barbara Novak, assistindo a TV local, vestindo uma roupa de frio devido à viagem internacional. Havia chegado de Nova York, depois de promover o seu novo best-seller. Os olhos azuis da cronista parecem cansados e os cabelos longos e loiros, pouco bagunçado.

- Meu amor, estava com saudades.

Barbara se aproxima do namorado e lhe beija lentamente, estava se sentindo protegida nos braços de Levi, essa é sua montanha, o seu verdadeiro porto seguro.

- Espero que goste da minha cidade.
- As imagens de lá de cima são lindas.
- De perto é perfeita. Como foi a viagem?
- Exaustiva, querido.

A cronista é filha única de uma típica família mineira de ascendência alemã. A paixão pela arte de escrever veio através do avô que sempre lhe influenciou a ler, apresentou um universo, desde Monteiro Lobato a Agatha Christie. Aos cinco anos de idade, pronunciava tudo corretamente, aos quinze teve a ideia de ortografar o primeiro livro, com o tempo o aperfeiçoamento pela arte a dominou inteiramente. Atualmente com 27 anos, coleciona três romances entre os mais vendidos do mundo, sendo elogiada pela crítica internacional e dona de diversos prêmios. O pai faleceu devido a um ataque cardíaco quando “Diário das Sombras”, o seu primeiro sucesso, estava em evidência. Nisto se parece com o parceiro, ambos são órfãos de genitores. A mãe atualmente reside em Los Angeles, morando com algumas amigas.

- Este homem vai ficar aqui conosco?

Ela nota a presença de Tony na entrada da sala tomando uma latinha de refrigerante diet. Levi simplesmente não entende esse aborrecimento que Barbara, sente pelo seu melhor amigo. Os olhares eram sempre furiosos, como se Tony fosse uma grande ameaça, um indivíduo ruim, o que não é verdade.

- Só por algum tempo, temos alguns negócios para fechar na cidade.
- Certo. Nem vou perder tempo me intrometendo, pois sabe a minha opinião a respeito.
- Claro.
- E a relação com a sua mãe?
- Poderia ser melhor.
- Eu aposto. Aonde vamos ficar?
- Na casa da minha família, você poderá conhecer melhor a “Dona Amália” e a minha irmã mais nova.
- Pamela?
- Sim.
- Ela ainda vai se casar com aquele empresário?
- O destino está nas mãos dela, Barbara, paguei as dívidas que estavam no nome dos Monteiro.

Dessa vez Tony estava no controle do veículo que nem um motorista particular, enquanto Barbara e Levi permanecem no banco dos passageiros, feito dois adolescentes, amando-se. Ela tentava suportar aquele cara, mas parece impossível, o sague com certeza não batia. Ao chegar à casa, Barbara, fica boquiaberta com a sogra, pois não é nada parecida com aquela figura horrenda, um monstro de sete cabeças, que ao longo dos anos construiu em sua mente e sim muito amigável, em poucos minutos se tornaram grandes amigas, deixando Levi impressionado positivamente com a atitude da matriarca.

- A senhora é muito legal.
- Não precisa me chamar de senhora e sim pelo nome.
- Certo, Amália.
- Está com uma aparência de cansaço, não vai tomar um banho?

Levi continua calado, sem se intrometer no diálogo.

- Vou sim e dormir um pouco.
- Espero que goste do quarto, tentei deixar tudo em ordem.
- Eu vou adorar, tenha certeza disso.

O casal sobe as escadas, ao trancar a porta dos aposentos, Levi cobre a mulher de beijos e tira toda sua roupa, deixando-a apenas de calcinha preta. As cariciam se fortalecem, andam tropeçando sobre os trajes no pavimento, chegando à toalete, dentro da banheira, finalmente se encontram nos abraços fulminantes. As belas mãozinhas loiras e macias corriam pelas costas grandes e duras, as arranhando profundamente, finalizando os desejos.

Barbara está em sono profundo depois da longa tarde de amor. Levi coloca os pés no piso de madeira e anda pelos passadiços, usando apenas uma bermuda jeans e uma camiseta branca de algodão, bate algumas vezes na porta de madeira.

Amália o atende.

- Podemos conversar? – Ele perguntou.
- Claro.
- Eu não entendo a senhora, ontem fez aquele show maluco e hoje, está usando essa imagem de mulher boazinha, o que aconteceu? Cadê a verdadeira Amália Monteiro?
- Coloquei um milhão de reais no lixo, queria uma pessoa do meu lado para poder administrar, mas infelizmente nunca tive ninguém, sempre fui sozinha, você sumiu pelo mundo ao invés de me ajudar e retornou melhor do que nunca, rico e poderoso, soube aplicar aquele capital, no fundo tenho um pouco de inveja por não ter tido a mesma sorte.
- Nós três ganhamos um milhão de dólares.
- Só você soube multiplicar, eu soube subtrair.

Levi começa a sorrir meio tímido.

- Vamos recomeçar do zero, Amália?
- Me chama de mãe, por favor.
- Tudo bem, mãe.
- Vamos recomeçar, filho.

Esse é um novo começo.

 
     

 

     

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