The Circus - 3x07



3x07
 
     

 

CENA 1. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. SEGUNDO ANDAR. INTERIOR. NOITE.

Catherine termina de posicionar a câmera e dá dois passos para trás. Em câmera lenta, o palhaço coloca sua mão no ombro de Catherine. Close no rosto surpreso de Catherine. A Ação volta ao normal.

CATHERINE – Maureen?

Catherine se vira e vê o palhaço assassino segurando um facão contra ela. Catherine dá um grito de horror e o palhaço avança com a faca. Ela se abaixa e o assassino perfura uma caixa de madeira. Catherine corre até a porta de saída do lugar, mas ela está trancada. O assassino tira a faca e se vira para Catherine.

CATHERINE – (BATE NA PORTA) Socorro! (GRITA) Alguém me ajuda!

E o palhaço vai se aproximando dela. Catherine bate na porta em desespero. Quando ela vê que o palhaço está cada vez mais perto dela, pega um pedaço de madeira jogado no chão e aponta pra ele.

CATHERINE – Não se aproxima de mim!

O assassino puxa um modulador vocal do bolso da roupa preta e coloca na frente da máscara.

PALHAÇO – (MODULADOR) Acabou, Catherine!

Ele joga o modulador no chão e parte pra cima dela. Ela avança sobre ele e acerta a madeira na barriga do assassino. O palhaço cai no chão e Catherine se esconde atrás de uma pilha de feno. O assassino se levanta e dá a volta pelo local. Catherine junta os joelhos na barriga e fecha os olhos. É quando o palhaço surge atrás dela e a agarra pelos cabelos. Catherine dá um grito e bate os pés no chão. Ela gira o corpo e consegue se levantar. O assassino segura o braço dela e a Corta com a faca. Catherine grita de dor e segura o braço. Ela caminha para trás cambaleando e cai no chão. O palhaço vai até ela, mas ela a chuta na barriga e se levanta. Quando Catherine vai correr, o assassino se ergue e a puxa pelo braço, jogando-a no chão novamente, e montando sobre ela. O palhaço ergue a faca e Catherine a segura com as duas mãos.

CATHERINE – Faça melhor se conseguir! (COM DOR) Seu fraco!

E o palhaço a esfaqueia na região do ombro. Catherine dá um grito de dor. O assassino arranca a faca.

CENA 2. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. INTERIOR. NOITE.

Os adolescentes de divertindo com a música da festa. Dewey entra no celeiro com a arma em punhos, gritando.

DEWEY – (BERRA) Catherine!

Dewey olha pra cima e vê o palhaço sobre Catherine, prestes a mata-la. Ele ergue a arma, engatilha e atira, mas acerta uma madeira. O palhaço o vê e empurra Catherine de lá de cima. Ela despenca em cima de uma pilha de feno. A música da festa para e os jovens começam a sair da festa correndo, muito assustados. Dewey se aproxima de Catherine.

DEWEY – (NERVOSO) Você está bem?

CATHERINE – Vai atrás dele!

Dewey olha para os lados, beija os lábios dela e sai.

CENA 3. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. SEGUNDO ANDAR. INTERIOR. NOITE.

Dewey entra no local armado e caminha em torno das caixas e pilhas de feno a procura de alguém. Ele chega até a beira da sacada, de onde poder ver a festa, e só encontra parte de um tecido preto rasgado jogado no chão. CLOSE em Dewey.

CENA 4. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. FUNDOS. EXTERIOR. NOITE.

Os jovens que estavam na festa saem pela porta dos fundos bastante assustados. Mickey caminha entre eles, com um copo de cerveja na mão, já com as pernas bambas. Ele olha a movimentação e não entende nada.

MICKEY – O que está havendo? (ABRE OS BRAÇOS) Por que pararam a música? Hum? Eu estava a fim de dançar!

E ele vai se aproximando cada vez mais da mata fechada logo atrás do celeiro.

MICKEY – (RESMUNGA) Crimes, crimes e crimes. Sempre crimes. (ALTO) Quando a gente vai poder viver em paz?

Nesse momento, uma criatura vestindo preto sai das sombras e captura Mickey, arrastando-o para dentro da mata. CLOSE no copo de cerveja caído no chão.

 
 
     
 
     
   

3x07 - A HORA DO PESADELO (SERIES FINALE)
 
     

CENA 5. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. EXTERIOR. NOITE.

Paul sai das dependências do celeiro usando luvas e encontra Catherine e Dewey, dentro de uma ambulância na frente do local. Catherine está com o ombro enfaixado e braço com curativo.

DEWEY – Alguma coisa?

PAUL – Nada. (TIRA AS LUVAS) O local está vazio. Provavelmente ele escapou. Mais uma vez.

CATHERINE – Eu não acredito que não conseguir pegar ele. Ele me surpreendeu, foi mais rápido. Dei sorte, poderia estar morta.

DEWEY – Se eu não tivesse visto tudo pelas suas câmeras, você estaria.

PAUL – Câmeras?

CATHERINE – Eu já sabia que ele iria atacar hoje a noite e coloquei algumas câmeras de vigilância pela festa. Eu queria ver se ele apareceria mesmo.

PAUL – Se tivesse nos chamado, provavelmente estaríamos com ele dentro da viatura.

CATHERINE – Eu fui fraca, admito. Algo amador para quem escreve livros desse tipo de coisa.

MAUREEN – (EM OFF) Catherine.

Catherine se vira e vê Maureen e Allegra ali. Maureen se aproxima e pega na mão de Catherine.

MAUREEN – Eu sinto muito pelo que houve. Sinto mesmo. Nós poderemos tê-lo pego. Eu jamais podia imaginar.

CATHERINE – Está tudo bem agora, obrigada.

Judy se aproxima da ambulância.

JUDY – Maureen, eu vou levar você e suas amigas para um lugar seguro. Vocês não podem voltar para Academia.

MAUREEN – (CONCORDA) Ok.

ALLEGRA – Onde está a Ashley?

ASHLEY – (EM OFF) Eu estou aqui!

E Ashley sai do celeiro de mãos dadas com Tim, emburrada, enquanto ele está envergonhado.

MAUREEN – Por onde esteve? Não ouviu a confusão?

ASHLEY – (IRRITADA) Se eu ouvi? É claro que eu ouvi! Atrapalhou meu sexo, caralho! Porra, será que uma virgem não pode transar em paz?

ALLEGRA – Jesus, você permanece virgem?

ASHLEY – (CRUZA OS BRAÇOS) Sim.

TIM – (ERGUE OS BRAÇOS) Não foi minha culpa, está tudo funcionando bem aqui.

MAUREEN – Vamos, então, Ashley? Não me sinto mais segura aqui. (PARA DEWEY) Volte para casa e descanse Dewey, você ainda está em recuperação.

ALLEGRA – Mas ainda falta a Lynn. Onde ela se meteu?

ASHLEY – Eu não consigo ver a vadia em lugar nenhum. Que se foda, vamos assim mesmo, ela já deve ser vazado assim que a bagunça começou.

JUDY – Ótimo, vamos...

MICKEY – (EM OFF) Maureen...

E todos se viram, assustados. Mickey vem caminhando em passos lentos, com um aspecto de surpresa. Maureen caminha até ele.

MAUREEN – (ESTRANHA) Mickey? Está tudo bem?

Mickey deixa escorrer sangue pela boca e cai de bruços na frente dela. Ele está com uma faca presa nas costas. Maureen dá um berro de horror e se afasta. Dewey a puxa pelo braço. Ashley se abraça em Tim, chocada. Paul põe as luvas e se aproxima de Mickey.

PAUL – (VERIFICA A PULSAÇÃO) Ele está morto.

Catherine baixa a cabeça, sem acreditar. Judy segura Allegra e vai trazendo-a para a viatura.

JUDY – Vamos sair daqui.

Ashley dá um beijo na boca de Tim e acompanha as duas até o carro. Maureen limpa as lágrimas e vai atrás delas. As três meninas entram no banco de trás e Judy no banco do motorista. A policial dá a partida e vai embora.

CENA 6. NOVA ORLEANS. ESTRADA. EXTERIOR. NOITE.

O carro da polícia passa em alta velocidade por uma estrada vazia da cidade e deixa marcas de pneu no asfalto. Corta para dentro o carro. Judy permanece dirigindo, concentrada, sem falar com as meninas que estão sentadas do lado de trás. Maureen está com o rosto contra o vidro, pensativa. Ashley, sentada no meio dela e de Allegra, respira fundo.

ASHLEY – Não acredito que o Mickey faleceu. (OLHA PARA ALLEGRA) Onde isso vai parar? Primeiro a Tatum, depois a professora Harmony, agora o Mickey.

ALLEGRA – As vezes eu acho que ele seja invencível.

MAUREEN – (SE VIRA) Eu não sei mais o que fazer e nem o que pensar. Minha vontade é de pegar meu filho e sumir desse planeta.

ASHLEY – (PARA JUDY) Policial, para onde você está nos levando? Para a Academia?

JUDY – Não, estou levando vocês para um lugar seguro.

ASHLEY – Para onde?

JUDY – Se eu dissesse, teria que te matar.

Ashley cruza os braços e encosta a cabeça no ombro de Maureen.

MAUREEN – Eu não vi o Rex na festa. Onde ele pode ter se metido?

ALLEGRA – Você acha que pode ser ele?

MAUREEN – (SUSPIRA) Não sei...

Corta para fora do carro. O veículo para num sinal de trânsito. Câmera foca em Judy no volante, séria. Ela se vira para trás.

JUDY – Está tudo bem?

MAUREEN – (GRITA) Meu Deus, Judy!

Judy se vira assustada e vê o palhaço assassino avançar contra ela pela porta. Judy tenta puxar sua arma, mas o palhaço a arranca de dentro do carro e joga contra o asfalto. As três meninas começam a gritar e tentam sair do carro, mas a porta está trancada. O assassino entra no veículo e sai dirigindo. Judy consegue se levantar e se joga contra o capô.

JUDY – (GRITA) Para esse carro!

E o veículo anda em ziguezague pela pista. Maureen se joga no banco da frente e tenta arrancar a máscara do assassino. Ele dá um soco no rosto dela e perde o controle do carro. O carro da polícia colide contra um poste e o corpo de Judy fica esmagado entre o carro e o poste. Corta para Maureen jogada na estrada. Close no vidro da frente do carro todo quebrado. O palhaço assassino está com a cabeça no banco, sem se mexer. Maureen vai se levantando aos poucos, machucada. Ashley acorda no banco de trás e vê Judy esmagada. Ela põe a mão na boca e acorda Allegra, que estava no colo dela.

ASHLEY – Acorda!

Maureen se aproxima do carro e tenta abrir a porta de trás, mas está trancada. Ashley percebe que o palhaço está desacordado.

ASHLEY – (SUSSURRA) E agora?

ALLEGRA – (TRÊMULA) Como sairemos daqui?

MAUREEN – (BAIXO) Vocês vão ter que passar sobre ele!

ASHLEY – Sem chances! Eu não consigo!

ALLEGRA – (RESPIRA FUNDO) Eu vou.

Allegra passa por cima de Ashley e passa para o banco do caroneiro. Ela fica olhando alguns segundos para o palhaço desacordado e passa por cima dele, colocando uma perna para fora da porta do motorista. Maureen ajuda Allegra e ela consegue sair, assustada.

MAUREEN – Ashley! Rápido!

Ashley toma coragem e também passa para o banco da frente, ficando ao lado do palhaço. Ela faz o sinal da cruz e passa uma das pernas por cima do corpo do assassino. Ela põe o corpo para fora do carro e é auxiliada por Allegra e Maureen. Ashley consegue sair do carro.

ALLEGRA – A gente precisa fugir daqui agora antes que ele acorde. Vamos telefonar pra polícia.

E as três saem correndo em direção a estrada. Maureen para por um instante.

MAUREEN – Não, esperem.

ALLEGRA – O que foi?

MAUREEN – Eu preciso voltar e ver quem ele é.

ASHLEY – Deixa isso pra polícia Maureen! Pelo amor de Deus, olha o que aconteceu com a Judy! Vamos dar o fora daqui.

MAUREEN – Essa pode ser a minha única chance, eu tenho que tirar aquela máscara e ver quem ele é. Não vai demorar um segundo.

Allegra concorda com a cabeça e Maureen vai em direção ao carro. Quando Maureen chega no carro, arregala os olhos. Não há mais ninguém sentado ali dentro.

MAUREEN – Não pode ser...

ALLEGRA – Maureen? Algum problema?

MAUREEN – Ele sumiu!

Maureen se vira, pasma. Ela encara Allegra e Ashley sem acreditar. É quando o palhaço assassino sai de um beco ao lado e agarra Ashley pelas costas. Allegra leva um susto e corre até Maureen.

MAUREEN – (ASSUSTADA) Ashley!

E o palhaço enfia uma faca nas costas de Ashley. Ashley dá dois passos na frente, zonza, sem entender nada, e cai no asfalto. O palhaço olha para Maureen e Allegra, que estão muito abismadas. Ele se abaixa e arranca a faca das costas de Ashley, limpando o sangue na roupa.

ALLEGRA – (GRITA) Socorro!

E as duas saem correndo pela estrada, sem destino. Ao invés de segui-las, o assassino agarra o corpo de Ashley pelos pés e o arrasta para a escuridão. CLOSE na mancha de sangue no asfalto.

CENA 7. ACADEMIA MISS LAVEAU. CAMPUS. EXTERIOR. NOITE.

Maureen e Allegra correm pelo campus, desesperadas, e param debaixo de uma árvore. Maureen está chorando muito e Allegra a apoia, também chocada.

ALLEGRA – (OLHA EM VOLTA) Isso não pode estar acontecendo...

MAUREEN – A Ashley, Allegra! A nossa Ashley! (CHORA MUITO) Por que? Me diz? Por que isso?

ALLEGRA – A gente precisa fugir daqui, ele sabe que viemos para cá e vai vir atrás de nós.

Maureen olha para os lados e vê um prédio a frente.

MAUREEN – (APONTA) Vamos se esconder lá dentro e ligar pro Dewey.

Allegra concorda e elas saem, sem fazer barulho. Segundos depois, dois pés de sapatos masculinos saem detrás da árvore onde elas estavam. Câmera foca no rosto da pessoa: é Rex. Rex ergue os braços e vê suas mãos sujas de sangue. Close em Rex.

CENA 8. NOVA ORLEANS. ESTRADA. EXTERIOR. NOITE.

O carro de Dewey para no meio da pista. Ele e Catherine saltam e veem o veículo da polícia contra o poste.

CATHERINE – (PREOCUPADA) O que aconteceu por aqui?

DEWEY – Tem alguém ali.

Dewey e Catherine correm até a cena do acidente e veem Judy morta, esmagada contra o poste. Dewey baixa a cabeça. Catherine põe as mãos na cintura e anda de um lado pro outro.

DEWEY – Ele esteve aqui.

CATHERINE – (NERVOSA) Mas onde estão as meninas? Se houve um acidente, elas deveriam estar aqui. Meu Deus...

Dewey se vira e vê sangue no asfalto. Ele se aproxima e verifica.

DEWEY – É sangue fresco.

CATHERINE – (PEGA O CELULAR) Eu vou telefonar pra Maureen.

CENA 9. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO. INTERIOR. NOITE.

Maureen fecha a porta e a tranca. Allegra anda de um lado pro outro, nervosa.

MAUREEN – A gente precisa pensar, e rápido.

ALLEGRA – Ligue pra polícia!

MAUREEN – Eu já disse que não consigo achar meu celular em lugar nenhum!

ALLEGRA – Eu estou com muito medo. E se ele nos seguiu até aqui?

MAUREEN – Será que você não entende, Allegra? Chegou a hora de acabar com isso. Eu preciso ir até ele. Encontrá-lo. E descobrir quem ele é.

ALLEGRA – Eu não vou deixar você ir ao encontro desse psicopata. É suicídio.

MAUREEN – Ashley está morta! Eu não aguento mais ver as pessoas que me importo morrendo. Ele quer a mim, não a elas.

ALLEGRA – Mas quem ele é? Por que tudo isso?

MAUREEN – (PENSA) Não sei.

Maureen caminha até a janela e afasta a cortina. Ela vê o palhaço assassino as observando lá embaixo e se afasta, com medo.

MAUREEN – (SE VIRA PARA ALLEGRA) Ele está aqui.

ALLEGRA – Onde?

Allegra vai na janela, mas não vê nada. Maureen vai até o guarda roupas e procura alguma coisa.

ALLEGRA – Precisamos sair daqui!

Maureen tira um canivete de dentro de uma gaveta e esconde no bolso da calça.

MAUREEN – Vamos embora.

CENA 14. NOVA ORLEANS. ESTRADA. EXTERIOR. NOITE.

Catherine desliga o celular e vai até o carro onde está Dewey.

CATHERINE – Maureen não atende. Ela deve ter perdido o telefone ou alguma coisa assim. Elas devem ter voltado pra Academia.

DEWEY – Então vamos até lá.

CATHERINE – Não, você fica.

DEWEY – Não vou deixar você enfrenta-lo sozinha.

CATHERINE – Você saiu de uma cirurgia arriscada Dewey, se ele tentar te atacar, você não vai poder se defender.

DEWEY – Eu corro esse risco pra te proteger.

CATHERINE – Dewey/...

DEWEY – (POR CIMA) Eu vou com você.

Catherine e Dewey se olham.

CENA 15. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIOS. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.

Maureen e Allegra saem do quarto e vão caminhando até o elevador no fim do corredor. Quando elas estão chegando até lá, o palhaço assassino sai da escada de incêndio e vai pra cima das duas. Allegra dá um grito de horror e sai correndo. Maureen puxa o canivete do bolso e tenta ferir o assassino, mas é empurrada pela escada. Corta para Maureen rolando degraus abaixo. Corta para Allegra descendo as escadas para o andar debaixo. Ela encontra Maureen jogada no chão e ajuda a amiga a se levantar.

ALLEGRA – Rápido!

Maureen concorda e se levanta. Allegra a apoia em seu ombro e elas vão caminhando até o elevador. Allegra aperta no botão, mas nada acontece.

ALLEGRA – Merda.

Elas descem pela escada de incêndio. O palhaço assassino sai do elevador e olha para os dois lados. Ele entra pela porta de incêndio.

CENA 16. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIOS. HALL. INTERIOR. NOITE.

Maureen e Allegra saem pela porta de incêndio e entram no hall de entrada dos dormitórios. Elas correm até a porta e tentam abri-la, mas está trancada.

MAUREEN – Ele nos trancou aqui dentro. Filho da puta!

ALLEGRA – Jesus...

Maureen olha para a escada e vê o palhaço assassino descendo até elas. Ela segura na mão de Allegra. Quando o palhaço se aproxima cada vez mais delas, o vidro da porta atrás das meninas se quebra em mil pedaços e elas são lançadas no chão. O palhaço ouve um barulho de tiro e some dali sem ao menos ser visto. Dewey e Catherine se aproximam das duas meninas.

CATHERINE – Vocês estão bem?

MAUREEN – (MACHUCADA) O que houve?

DEWEY – (SACA A ARMA) Eu atirei contra o vidro. Onde ele está?

ALLEGRA – Lá dentro.

Dewey toma coragem e entra no prédio.

CATHERINE – (GRITA) Dewey!

MAUREEN – Eu não posso deixar isso acontecer. Eu vou atrás dele.

Maureen se levanta e vai atrás de Dewey. Catherine deixa algumas lágrimas escorrerem e se senta no chão, ao lado de Allegra.

CATHERINE – Por que Allegra? Por que?

ALLEGRA – (A ENCARA) Você vai me proteger, não vai?

Catherine olha para Allegra, assustada.

CENA 17. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIOS. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.

Dewey caminha lentamente por um dos corredores do dormitório. Ele ergue sua pistola e aponta para todos os lados.

DEWEY – Onde você está, hum? Se mostre pra mim? Apareça!

O palhaço assassino sai de uma porta e caminha atrás de Dewey sem fazer nenhum barulho. Dewey para e olha pelo canto do olho. Quando Dewey vai se virar, o assassino acerta-lhe uma facada no lado do corpo. Dewey se encosta numa parede e arregala os olhos pro assassino.

DEWEY – (BALBUCIA) Não... Por favor...

O palhaço ergue um modulador vocal e coloca contra a boca.

PALHAÇO – Tarde demais para lágrimas. O dano já foi feito.

E dá uma facada no peito de Dewey. Sangue começa a escorrer pela boca de Dewey. O assassino arranca a faca do corpo do ex-policial e joga o corpo dele no chão. Junto do corpo, ele deixa seu modulador vocal. O palhaço ouve passos e sai correndo. Instantes depois, Maureen chega no local e vê Dewey no chão.

MAUREEN – Dewey?

Maureen se ajoelha e vê muito sangue em volta do corpo de Dewey. Ela põe a mão na boca e começa a chorar desesperadamente.

MAUREEN – Não Dewey... Você não...

E Maureen abraça o corpo assassinado de Dewey. Câmera de cima vai se afastando mostrando um plano dela chorando sob o corpo de Dewey.

CENA 18. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIOS. EXTERIOR. NOITE.

Maureen sai do prédio dos dormitórios com a arma de Dewey em suas mãos. Ela olha para os lados e não encontra ninguém ali. Maureen vê que as luzes do anfiteatro estão ligadas. Ela verifica que ainda há balas na arma e caminha até o anfiteatro. Close na expressão fria de Maureen.

CENA 19. ACADEMIA MISS LAVEAU. ANFITEATRO. INTERIOR. NOITE.

Plano geral do anfiteatro. O local é enorme, com várias cadeiras e um palco extenso, com o cenário da peça de teatro ainda montado. Maureen desce a escada entre as cadeiras da plateia e chega até o palco. Ela olha em volta, mas está sozinha. Uma grande luz ilumina centro do palco. Maureen tenta ver de onde a luz está vindo, mas seus olhos são ofuscados pela iluminação. Maureen entende as ordens e sobe no palco, ficando bem em cima da luz.

MAUREEN – (ALTO) Eu estou aqui! Do jeito que você queria! Então por que você não se mostra pra mim? Hum? Mas sem a máscara. Do jeito que você é. Temos assuntos a resolver. Aparece, maldito!

REX – Maureen...

Maureen se vira assustada e vê Rex ao lado esquerdo do palco. Imediatamente ela aponta a arma para ele.

MAUREEN – Então era você, seu maluco... Esse tempo todo... (DEIXA LÁGRIMAS ESCORREREM) Você é o assassino!

REX – (ERGUE AS MÃOS) Não, eu não sou, eu não sei de nada disso. Eu quero falar com você, sobre a nossa situação. Eu te amo, Maureen.

MAUREEN – (GRITA) Cale-se! Quem pensa que eu sou? Uma idiota que você pode enganar o tempo todo? Eu sempre soube que nunca deveria me envolver com você! Tudo aconteceu por que a Tatum insistiu! E você terminou a matando, seu canalha!

REX – Eu não fiz nada disso, você está apontando a arma para o homem errado!

Rex dá um passo a frente, mas Maureen aponta a arma contra a cabeça dele.

MAUREEN – Fica longe de mim. O teatro acabou Rex. Se chegar mais perto eu juro que atiro em você.

REX – Você está cometendo um grande erro.

MAUREEN – Por que? Hum? Eu quero saber a motivação disso tudo. Eu quero que você me explique, por que eu não consigo entender.

REX – (ALTO) Não sou o assassino!

E Rex dá mais um passo na direção dela. Maureen se afasta, assustada.

MAUREEN – Mais um passo e eu atiro.

REX – Maureen...

E Rex dá mais um passo. Maureen não hesita, puxa o gatilho e atira contra o peito de Rex. Rex a encara, assustado, vê o sangue escorrer pelo corpo e cai morto no chão. Maureen respira fundo e baixa a arma.

MAUREEN – Acabou.

Ela percebe que há alguém se aproximando e se vira para frente. Para a surpresa de Maureen, uma figura vestida de palhaço assassino está olhando para ela. Maureen não entende.

MAUREEN – Mais um?

E o palhaço assassino vai tirando sua máscara para ela. CLOSE em Maureen quando vê quem ele é. CORTA PARA Tim encarando Maureen, sorridente.

MAUREEN – Tim? (NÃO ENTENDE) Você?

Ela olha para Rex morto ao seu lado e põe uma das mãos na cabeça, totalmente perdida.

TIM – Surpresa, querida?

MAUREEN – Isso está errado! O Rex...

TIM – O Rex era inocente, você devia ter escutado as palavras dele. Eu sou o assassino Maureen. (ERGUE OS BRAÇOS) Tim Allerton.

MAUREEN – Impossível! A Ashley... A sua namorada... Ela está... Você foi capaz de fazer isso?

TIM – Coitada da Ashley. (SORRI) Foi uma das minhas vítimas mais fáceis, sabia? Lutou tanto para perder a virgindade...

MAUREEN – Eu não acredito nisso. Só pode ser uma piada. Não pode ser você.

TIM – Pois essa é a verdade, e eu finalmente me sinto pronto para me revelar para você. Acabou Maureen. Não era isso que você queria? Nosso enfrentamento? Pois aqui estamos.

Maureen ergue a arma para ele e aperta o gatilho, mas não há mais nenhuma bala. Tim ri da cara dela. Maureen joga a arma longe.

MAUREEN – (ENCARA) Por que? Eu quero saber por que? Qual a razão disso tudo? O que eu te fiz pra me perseguir dessa maneira? Hum? Eu preciso saber Tim.

TIM – Ah você vai saber. Você vai saber a história completa, em todos os detalhes.

MAUREEN – Eu confiava tanto em você, te achava um cara tão gente boa, você namorava minha melhor amiga!

TIM – Era tudo uma farsa, sua idiota! Eu passei esse tempo todo planejando a minha vingança contra você... Sua maldita. Você estragou tudo. Desde Endless Town. (APONTA) Sua família. Eles estragaram tudo.

MAUREEN – (PERDIDA) Do que está falando?

TIM – Sua mãe. (ALTO) Ela matou a minha irmã.

MAUREEN – (SURPRESA) Você tinha uma irmã que morreu no massacre em Endless Town em 2012?

TIM – Sim, eu tinha. Eu tinha uma família. Mas eles nunca souberam de mim por que eu fui tirado deles cedo demais. E se a sua mãe não tivesse fudido com tudo, hoje a gente poderia estar junto. (APONTA) Você, Maureen Prescott, fudeu minha vida.

MAUREEN – Sarah Reed? Casey? Quem é a sua irmã?

TIM – (ALTO) Amanda Manson. Ela era a minha irmã. A primeira vítima de Endless Town.

MAUREEN – (PASMA) O que? Amanda? Mas... Eu jamais poderia imaginar que os Manson tivesse outro filho.

TIM – (SORRI) Eu sou filho de John Manson, apenas. Ele me teve num relacionamento fora do casamento. E quando tudo ia dar certo, quando eu ia me juntar a eles, você estragou tudo! Você e sua família!

MAUREEN – Eu lamento muito pelo que a minha mãe fez, mas isso não é motivo pra você cometer esse massacre. Você precisa de tratamento, Tim. Se eu soubesse de tudo isso, eu teria unido você e Amanda. Tudo seria diferente.

TIM – (RI) Na realidade eu nunca pretendi fazer nada. Eu nunca pensei em ser um assassino. Isso só aconteceu quando ela chegou até mim e me convidou.

MAUREEN – Ela?

TIM – Com você, a minha parceira...

E Tim aponta para uma porta no cenário da peça que dá acesso ao backstage. Catherine abre a porta e sai, para a surpresa de Maureen.

MAUREEN – Catherine? (PAUSA) Eu sempre soube que era você.

Mas Allegra sai em seguida, apontando uma arma para as costas de Catherine. Allegra encara Maureen e sorri para ela. CLOSE em Maureen, bastante surpresa.

ALLEGRA – Em choque, Maureen?

MAUREEN – Allegra? Você... Você é a parceira do Tim? Você... É o palhaço?

ALLEGRA – Eu tenho certeza que você jamais imaginou esse final pro seu filme, correto? Eu... a assassina!

MAUREEN – Isso tudo só pode ser um sonho... Você não pode ser o assassino. Você é a minha amiga! Você...

ALLEGRA – Tudo mentira! Tudo encenação. Esse tempo todo... Desde a morte da Carry... Foi tudo uma verdadeira peça de teatro. (ENCARA) Eu matei Carry e pendurei seu corpo.

MAUREEN – (CHOCADA) Meu Deus... Então tudo aquilo, a sua história com Rex... A Ashley havia me dito a algum tempo... Era tudo verdade...

ALLEGRA – E você não vai me perguntar por que eu fiz isso?

MAUREEN – Estou esperando você dizer.

ALLEGRA – Sabe que essa é uma história interessante? Você se tornou uma sobrevivente, não se tornou? Conhecida graças a essa daí. (APONTA PARA CATHERINE) Todos te conhecem e sabem da sua história. Eu. Eu queria ser assim. Eu queria ser conhecida. E eu vou ser.

MAUREEN – Você é completamente louca!

ALLEGRA – Eu te enganei esse tempo todo. Me aproximei de você, fingi ser atacada... Tudo isso pra obter sua confiança. O meu envolvimento com Rex foi apenas um desvio no meu plano. No que eu estava pretendendo. O filho da puta me enganou e gravou tudo. E ainda te enviou pra causar ciúmes. Fez bem em matar esse pinto pequeno!

TIM – Allegra me procurou meses atrás. Ela sabia quem eu era e do meu ódio pela sua família. Assim, ela propôs que criássemos um novo massacre.

ALLEGRA – Um massacre onde eu me tornaria a nova Maureen Prescott. A única sobrevivente.

TIM – (OLHA PARA ELA) O que?

ALLEGRA – Me desculpe Tim, mas assim como todos esses idiotas, você foi usado por mim e sabia disso. E agora, eu não preciso mais de você.

Allegra mira a arma em Tim e atira na cabeça dele. Tim cai no chão morto instantaneamente. Allegra vira a arma para Catherine e atira nela. Catherine cai para debaixo do palco. Allegra se vira para Maureen.

ALLEGRA – Agora somos só eu e você.

MAUREEN – (COMEÇA A CHORAR) Sua doente! Você é doente! Você me enganou! Se fez de minha amiga! Eu gostava de você Allegra!

ALLEGRA – Você caiu melhor do que eu imaginava. Confesso que foi um verdadeiro sacrifício precisar ser sua amiga. Você é chata Maureen! Pra caralho!

MAUREEN – E o que você acha que vai fazer? Hum? A polícia pode estar a caminho. Eles vão te colocar na cadeia!

ALLEGRA – Eu mesma telefonei para a polícia. Eu quero que eles venham. E quando eles vierem, eles vão se deparar com uma legítima cena do crime. Todos estarão mortos, Maureen. Ashley, Dewey, Tim, Catherine... E você. Eu serei a única sobrevivente. No meu filme, você é a última a morrer.

MAUREEN – Ninguém vai acreditar nisso.

ALLEGRA – Ah eles vão. (RI) Eu tenho tudo na minha cabeça. Eles vão encontrar todos os detalhes do plano no armário de Tim na Fraternidade. Depois que Tim matou Ashley, nos seguiu até aqui e matou todos. Eu fiquei ferida, mas atirei na cabeça dele e consegui mata-lo.

MAUREEN – Todo esse tempo eu achava que valia a pena me preocupar com você. Foi tudo uma encenação. A sua perseguição... O assassino querendo te matar... Não passou de uma farsa.

ALLEGRA – Esse filme precisava de um pouco de ação, não precisava?

MAUREEN – Só que você esqueceu da principal regra dos filmes, querida.

ALLEGRA – E qual é?

MAUREEN – Os vilões sempre de dão mal no final.

Maureen dá um chute na mão de Allegra e joga a arma para debaixo do palco. Maureen vai sair correndo, mas Allegra se joga em cima dela.

ALLEGRA – Eu não vou deixar você sair daqui viva!

MAUREEN – Me solta!

Maureen dá uma cabeçada em Allegra e corre para o backstage do palco, mas Allegra se levanta e a empurra contra o cenário. Allegra dá um soco no rosto de Maureen, que cambaleia e cai em cima de uma mesa cenográfica. Maureen sente dor e dificuldade de se levantar. Allegra sobe em cima dela e agarra seu pescoço, fazendo força.

ALLEGRA – (COM ÓDIO) Morra, vadia! Morra!

E ouve-se um disparo. Corta para Catherine em pé, segurando uma arma, apontando para Allegra e Maureen. Allegra se vira e percebe que foi atingida nas costas. Ela se apoia no cenário e tenta se levantar.

ALLEGRA – Não... Você estava morta!

CATHERINE – Eu também sei encenar quando necessário.

Catherine afasta a mão e mostra que foi atingida no ombro. Allegra se ajoelha no chão e olha para as duas.

ALLEGRA – Um dia... Eu vou voltar...

E Allegra cai no chão, perdendo sangue, morta. Câmera dá um close no rosto da assassina e se afasta lentamente, mostrando a poça de sangue ao redor de seu corpo.

Sonoplastia: What If – Creed. Maureen respira ofegante e olha para Catherine. Catherine dá a mão para Maureen e ajuda a levantar. Maureen passa a mão no pescoço, com dores. Catherine sorri para Maureen.

CATHERINE – Não disse que daria tudo certo?

MAUREEN – Obrigada.

Catherine entrega a arma para Maureen. Maureen segura a arma e não entende.

CATHERINE – Atire. Atire na cabeça dela para ter certeza que ela morreu. Eles sempre voltam, não voltam? Pelo menos é o que eu aprendi com os filmes de terror.

Maureen saca a arma e a aponta contra a cabeça de Allegra. Corta para P.V. da câmera no cano da arma. Maureen puxa o gatilho. Catherine fica atrás dela. Maureen deixa uma lágrima escorrer pelo rosto e atira. A tela escurece no som do tiro. SOBEM OS CRÉDITOS.
 

REALIZAÇÃO


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