Laços de Amizade - Capítulo 23




CAPÍTULO 23 - PENÚLTIMO CAPÍTULO
 
     
 
     

 

     
 

| CENA 01| Manhã. Motel. Interior. Quarto 32.

Continuação do capítulo anterior. Bruna tenta entender o motivo de estar ali, na cama, com um desconhecido. Marcelo se mostra indignado. Valeska finge surpresa, enquanto Jorge tem uma atitude cínica.

BRUNA: (confusa) Quê que aconteceu aqui? (percebe a presença de Jorge) QUEM É VOCÊ?

VALESKA: To PAS-SA-DA. Quem te viu, quem te vê hein, Bruninha... Santinha do pau oco! Mas também né, o que pode se esperar da filha de uma prostituta?

BRUNA: (desesperada) Eu não sei como eu vim parar aqui. Marcelo... VOCÊ TEM QUE ACREDITAR EM MIM! (começa a vestir suas roupas.) Eu juro que não sei (pausa)

MARCELO: Eu acredito, meu amor.

VALESKA: (perplexa) O QUÊ? COMO ASSIM VOCÊ ACREDITA NELA, MARCELO? Não tá tudo muito claro aqui?

Marcelo solta uma risadinha, quase debochada. Bruna está tão surpresa com a atitude do namorado, quanto Valeska. Ele olha no olho de Valeska.

MARCELO: Sabe de uma coisa? Eu QUASE acreditei nessa sua armação.

VALESKA: (fingindo surpresa) Você tá achando que eu armei tudo isso?

JORGE: Sujou...

MARCELO: Achando, não. Eu tenho certeza de que foi você, Valeska. Os bilhetes, sua conversinha mole tentando me confundir em relação a Bruna, essa encenação aqui, tudo... Foi você. Eu SEI que foi.

Jorge começa a se vestir.

VALESKA: Você não quer enxergar o óbvio...

MARCELO: Você é que não quer aceitar que me perdeu. Aliás, que nunca me teve.

VALESKA: Não pode me acusar sem provas.

Marcelo retira o bilhete do bolso e o lê em voz alta.

MARCELO: “Sua namoradinha fugiu misteriosamente de vc, não foi? eu sei onde ela tá. Se quiser descobrir, aí vai o endereço. Abre o olho, (enfatiza) A M O R E”.

Valeska se dá conta do erro que cometera.

VALESKA: Droga.

MARCELO: Quem, além de você, costuma me tratar assim?! Francamente... Que amadorismo, Val. Esperava mais de você.

Bruna se levanta da cama, revoltada.

BRUNA: Você é muito baixa mesmo né, garota?

VALESKA: Já viu o seu tamanho, queridinha?!

Bruna parte pra cima de Valeska, mas é impedida por Marcelo que a segura.

MARCELO: Não vale a pena, meu amor.

VALESKA: Tudo que eu fiz foi por amor!

MARCELO: Amor a quem? Você não sabe o que diz, Valeska. Você não me ama. Você não ama ninguém.

VALESKA: (séria) Você tá sendo muito injusto comigo. Eu praticamente vivi a sua vida, deixei de lado meus sonhos pra viver os seus. Quando tive a oportunidade de morar fora do país, não pensei duas vezes em ficar. Porque sabia que se eu fosse, te perderia pra sempre... (inconformada) Pra de repente aparecer essa sem sal da Bruna e me tirar de você?

MARCELO: Eu nunca fui (pausa)

Valeska começa a chorar.

VALESKA: (grita) Claro que foi, Marcelo! VOCÊ SEMPRE FOI MEU. A gente sempre foi um do outro, até ela aparecer e estragar tudo.

MARCELO: Pensando bem, eu sempre fui seu sim. Mas, um objeto, um troféu que você exibia pra todo mundo. Hoje eu percebo o quanto era manipulado em suas mãos. Meu Deus! Tanto que eu cheguei a acreditar que realmente sentia algo além de amizade por você. Só que nunca foi amor, Val... Entende de uma vez por todas que eu não te amo e NUNCA vou te amar. Para de perder sua vida e seu tempo tentando se meter entre mim e a Bruna, porque o que a gente sente é forte demais, e armação nenhuma vai conseguir estragar isso. Entenda. Eu não te quero mal. Você esteve comigo nos piores momentos da minha vida...

VALESKA: (chorando muito) Não faz isso comigo...

MARCELO: Você merece alguém que te ame de verdade. Mas esse alguém, não sou eu. Vamos Bruna.

Marcelo segura na mão de Bruna e os dois saem do quarto. Valeska desaba no choro. Jorge permanece quieto, sentado a cama, respeitando o sofrimento da loira.

| CENA 02| Bar Ponto de Encontro. Interior. Cozinha.

MÚSICA: “Quase um segundo – Luiza Possi”. Melissa mexe as panelas, distraída. Janaína acaba de entrar no local, com uma bandeja nas mãos. Sua expressão denota tristeza. Melissa logo percebe e larga as panelas, se aproximando dela.

MELISSA: Pelo visto já deu de cara com o doutor Darlan.

JANAÍNA: Acabei de servir um suco à ele.

MELISSA: Você ainda gosta desse homem, né?

Janaína assente com a cabeça.

MELISSA: Então luta pelo seu bofe, querida. Não desiste, não.

JANAÍNA: Não tem volta, Melissa. Ele nunca vai perdoar. Mas, você sabe que por um momento eu pensei ter visto amor nos olhos deles.

MELISSA: Então, boba. Se ele ainda gosta de você, e eu acho que gosta, não desista.

Melissa volta para as panelas. Corta para o interior do bar. Marcelo e Bruna entram no estabelecimento. Logo eles avistam Darlan. Eles passam ignorando-o. Do balcão, Chad olha sua funcionária com ar de reprovação.

BRUNA: Desculpa, Chad. Aconteceu um imprevisto.

CHAD: É. To vendo o imprevisto aqui na minha frente.

Chad encara Marcelo.

MARCELO: É sério, cara. Valeska aprontou de novo. Mas acho que foi a última vez.

De onde está, Darlan ouve a conversa, e se mostra decepcionado.

CHAD: Essa garota não tem jeito mesmo. Mas você já pode ir por o uniforme, se quiser, Bruna.

Ela entende o recado e se manda dali.

CHAD: Já viu quem tá ali?

MARCELO: Sim. E preferia não ter visto. Volto mais tarde com a galera.

Eles se cumprimentam e Marcelo se dirige até a saída. Ao passar pela mesa de Darlan, ele se levanta e segura o braço do filho.

DARLAN: Meu filho, eu...

Marcelo o corta.

MARCELO: Me solta! Eu não sou teu filho.

Marcelo se desvencilha do pai e se vai. Darlan tem um semblante enigmático. Ele retira a carteira do bolso, colocando uma quantia em dinheiro na mesa. Chad olha o advogado, em agradecimento. Darlan se retira. (Música off).

| CENA 03| República Universitária Laços de Amizade. Interior. Sala de estar.

Celina e José estão sentados no sofá verde limão. Celina se levanta para ir até a cozinha. Valeska entra em casa, arrasada e encontrando a mexicana pelo caminho, acaba por abraçá-la, querendo colo.

CELINA: (preocupada) ¿ Qué aconteceu, chica?

VALESKA: Celina... Eu sou uma má pessoa?!

Valeska se esquiva de Celina e sobe as escadas, arrasada.

JOSÉ: ¿Qué pasó con ella?

Celina olha o amado com cara de “não faço ideia”.

Corta para. Interior. Quarto Morango. Valeska abre a porta do quarto e se joga na cama de baixo, do beliche. Vanessa vem vinda do banheiro, abatida.

VANESSA: (preocupada) Val... Quê que aconteceu?

Valeska tenta se recompor, senta-se na cama. Enxuga as lágrimas. Sua voz é fúnebre.

VALESKA: Acabou, Vanessa... Acabou!

VANESSA: O quê, maninha? O que aconteceu? Eu nunca te vi desse jeito...

Valeska encara a irmã.

VALESKA: Eu perdi o Marcelo... Pra sempre!

VANESSA: Então, quer dizer que você...

VALESKA: Ele me fez ver que tudo que eu fiz esse tempo todo, foi em vão. Ele nunca me amou. E nunca vai amar, Vanessa.

Vanessa, penalizada, puxa a irmã para abraçá-la.

VANESSA: Oh Val... Eu sempre soube que isso ia acabar assim. Mas você precisava desse choque de realidade. O Marcelo sempre te viu como uma amiga e nada mais. Mas você parecia obstinada a conseguir o que queria, a qualquer custo. Nada do que eu dissesse te faria mudar de ideia.

VALESKA: Você tem razão. Nada do que você dissesse iria me fazer mudar, porque eu nunca te dei o devido valor, maninha. Enquanto você só queria meu bem, eu só pensava em mim. Sempre foi assim. Me perdoa por ser uma irmã péssima.

VANESSA: Eu só quero que a partir de hoje você seja feliz sem depender de ninguém.

VALESKA: Você tá coberta de razão. Eu, que sempre me achei autossuficiente e que não precisava de ninguém pra ser feliz, fiquei presa a um cara que nunca foi meu. Tenho que fazer valer isso. Mas, quer saber?! Essa Valeska sentimental já deu. Volto a subir no salto, e não desço nunca mais.

Vanessa sorri fraco. Valeska percebe a tristeza da irmã.

VALESKA: E você hein... O que é que tá acontecendo? Você já não é a mesma. A Celina até já percebeu. Se abre comigo, Vanessa.

Vanessa encara Valeska com um dor no olhar.

VANESSA: Ai minha irmã...

Ela abraça Valeska, aos prantos.

VANESSA: Como dói...

VALESKA: (preocupada) Mas o que você tá sentindo?

VANESSA: (hesitante) É que... Não é nada. (enxuga as lágrimas) Esquece. Eu é que choro por qualquer coisa. Deixa pra lá.

VALESKA: Tem certeza?

Vanessa confirma com a cabeça.

VALESKA: Então se é assim, vamos no Ponto hoje?

Vanessa fica apavorada.

VANESSA: No Ponto? Não, Val. Eu não quero ir lá. Eu não posso, nem você...

VALESKA: Vanessa. Quê que tá acontecendo com você, garota? É o Ponto, não é o purgatório, não. Que reação é essa? Parece até que tá com medo de alguma coisa. Você vai sim, senhora. Chega de ficar em casa mofando, hoje é sexta-feira. Chama a fubazada toda e vamos nos divertir. Ok?!

Contendo o medo, Vanessa nem diz que sim, nem que não. Valeska se retira do quarto.

| CENA 04| Bar Ponto de Encontro. Interior.

A movimentação no estabelecimento está mais intensa, devido ao horário de almoço. Chad corteja alguns clientes, em meio aos garçons que servem as mesas. Ele volta ao seu posto, para trás do balcão, onde está Melissa, concentrada em algumas anotações.

CHAD: Mô...

MELISSA: Hum...

CHAD: Olha pra mim que o que eu tenho pra falar é sério.

Melissa imediatamente encara o noivo, abrindo um sorriso enorme.

MELISSA: Não vai me dizer que...

CHAD: Os últimos acontecimentos me fizeram perceber que a vida é algo muito frágil, e que a qualquer momento ela pode acabar. Hoje estamos aqui, mas amanhã... Quem sabe né. Então a gente tem que aproveitá-la o máximo possível.

MELISSA: (esperançosa) Aham... E o que mais, amor?

CHAD: E não tem nada melhor do que aproveitar a vida ao lado de quem a gente ama né.

Melissa balança a cabeça, afirmando, muito esperançosa.

CHAD: Então, meu doce de limão... Chega de perder tempo! Vamos marcar o nosso casamento o quanto antes!

Melissa entra em êxtase. Ela grita histericamente, chamando a atenção dos clientes. Ela sai detrás do balcão e começa a correr pelo bar, gritando.

MELISSA: Eu vou me casar! Eu vou me casar, gente! Finalmente... EU VOU ME CASAR! Ouviu isso, Janaína?

Ela corre para abraçar Janaína, que retribui o abraço.

JANAÍNA: Meus parabéns, querida.

MELISSSA: Eu disse que um dia fisgava esse peixe.

As duas riem em cumplicidade. Chad sai detrás do balcão, rindo da reação de sua futura esposa. Ela volta para seus braços.

CHAD: Eu te amo.

MELISSA: Eu te amo mais.

Eles trocam sorrisos e se beijam. Os clientes e funcionários fazem a maior festa.

| CENA 05| República Universitária Laços de Amizade. Interior. Cozinha.

Reunidos à mesa para o almoço, o clima é tenso entre os republicanos. José serve Celina, para logo depois se servir. Celso, estranhando o clima, decide falar. Apenas Bruna e Janaína não estão na mesa.

CELSO: Gente, que clima de velório é esse, hein? Nem eu que tenho motivos de sobra pra isso, to tão pra baixo quanto vocês.

LUCIANO: (mal humorado) Até quando você vai ficar se fazendo de vítima, cara? Se liga!

CLÁUDIO: Pega leve ae, Luciano...! Falar é fácil...

CELSO: (à Cláudio) Eu não preciso que ninguém me defenda. Muito menos você.

CELINA: Chicos... No voy a permitir peleas em momento de refección.

Silêncio. Celina volta a falar.

CELINA: Pero Celso tiene razón. Ultimamente ustedes andan muy distantes, tristes... ¿Qué está pasando? Hace mucho que siento que no me buscan para conversar. ¿No He sido uma buena tutora?

MARCELO: O problema não é você, Celina. Não tem mais nenhuma criança aqui dentro. Todos nós somos maiores, vacinados e responsáveis por nossos atos. (encarando Valeska) Mesmo que uns e outros ainda não tenham consciência disso.

VALESKA: (soltando os talheres e abrindo os braços) Pode atirar a primeira pedra.

CELSO: O Marcelo tem razão. Se nossa vida tá de cabeça pra baixo, a culpa não é sua, Celina.

VANESSA: Você é como se fosse nossa mãe.

JOSÉ: He dicho a ella!

CELINA: ¿Y por que no confian sus problemas a mi? Saben que siempre tendrán mi apoio, pero no se fian de mi.

FABIANA: Aproveitando a ocasião, Celina. Eu tenho uma coisa pra dizer. E talvez depois disso, você não me deixe mais ficar na república. Mas você tem razão, precisamos te dar um voto de confiança.

LUCIANO (olhando seriamente): Você não vai fazer isso.

FABIANA (indignada): E até quando você acha que eu vou poder esconder? A barriga vai crescer, sabia?!

Luciano se rebela e solta os talheres com agressividade, retirando-se da mesa em seguida. Fabiana perde o controle e grita, levantando-se da mesa.

FABIANA: Isso! Vai! Foge seu covarde! Covarde! Seu cretino covarde!

Luciano bate a porta. Fabiana volta a sentar-se na mesa, cotovelos na mesa, mãos na cabeça. Ela chora.

CELINA: (surpresa) ¿Está embarazada, hija?

Valeska põe a mão na boca.

FABIANA: Desculpa, Celina... Me desculpa. Aconteceu.

MARCELO: O Luciano já disse que não vai assumir a criança.

CLÁUDIO: Caraca.

VANESSA: Mas ele tem que assumir.

FABIANA: Não, gente. Depois de tudo que ele me fez e falou, prefiro que meu filho não tenha pai. O Luciano mudou demais. E agora sou eu que não quero a ajuda dele. Eu to sozinha nessa.

CELSO: Mas como você foi deixar isso acontecer?

FABIANA: Eu não sei, Celso. Foi um ato impensado, uma banalidade. Mas eu tenho consciência do meu erro e das consequências dele. Por muito pouco eu ainda não fiz algo pior.

CELSO: Você quis abortar a criança?

FABIANA: (faz que sim com a cabeça) E só de lembrar eu me sinto um monstro. Se eu pudesse voltar atrás...

MARCELO: Não se atormenta mais com isso, Fabi. Já passou. O Luciano tava te pressionando.

VALESKA: Que babado! E tudo debaixo do seu nariz, Celina. Que coisa hein!

VANESSA: Não piora a situação, Val.

FABIANA: Olha Celina, se você não me quiser mais aqui, eu vou entender.

Celina troca um olhar com José, que assente com a cabeça. Ela levanta-se de onde estava sentada e vai até Fabiana, consolando-a.

CELINA: No sería capaz de abandonarte en un momento tan difícil de tu vida, hija. Tu no estás sola, y nunca estará... Tu tiene a nosotros. Nosotros somos tu família y es en los momentos dificiles que esto se queda probado. Puede quedar a cá sí. Tu hijo será nuestro hijo también!

FABIANA: Sério?

MARCELO: Eu sabia que a Celina não iria te deixar na mão, Fabi. E você sabe que pode contar comigo, não sabe?

CELSO: Comigo também.

CLÁUDIO: Também tem meu apoio, Fabi.

VANESSA: Eu já amo seu filho! Você sabe que eu adoro crianças.

VALESKA: Quero só ver esse carinho todo quando o bebê tiver chorando o dia todo, fazendo cacá na fralda e deixando mau cheiro pela casa toda.

Valeska é totalmente ignorada.

CELSO: E se o Luciano não quis assumir a responsabilidade. Saiba que seu filho terá mais pais do que qualquer outra criança.

Fabiana abre um sorriso em meio às lágrimas. Muito emocionada.

FABIANA: Brigada gente... De verdade! Muito obrigada pelo apoio de vocês.

| CENA 06| Bar Ponto de Encontro. Interior.

Movimentação fraca no ambiente. Chad está no balcão, com os cotovelos em cima do mesmo. Janaína vem vinda da cozinha em sua direção.

JANAÍNA: Chefinho.

CHAD: Pois não, Jana.

JANAÍNA: Será que eu poderia aproveitar que o horário de pico já passou pra fazer uma visitinha rápida a uma amiga?

CHAD: Claro que sim, querida.

JANAÍNA: Obrigada. Não demoro.

Janaína retira de seu avental um celular e faz uma ligação. Em seguida, coloca o celular no ouvido, em espera.

JANAÍNA: Janaína? Oi, querida. (pausa) Ligando pra avisar que estou indo pagar a visita que prometi. (pausa) Sim? (pausa) Tudo bem. Até já!

Janaína desliga.

| CENA 07| República Universitária Laços de Amizade. Quarto Uva. Interior.

Luciano está deitado de qualquer jeito na cama, quando Marcelo, conduzindo a cadeira de Celso, e Cláudio entram no quarto, ele se levanta.

LUCIANO: Se vieram aqui pra me dar liçãozinha de moral perderam a viagem!

MARCELO: Luciano, você não pode deixar a Fabiana sozinha nessa.

LUCIANO: Você não muda o disco, não?!

CELSO: Reconsidera, cara.

LUCIANO: Eu deixei muito claro pra ela desde o início que eu não to preparado pra ser pai. Eu tenho uma vida inteira pela frente e um filho não estava nos meus planos.

MARCELO: Independente de estar preparado ou não, você tem que assumir o que fez.

CLÁUDIO: Mas que vacilo você deu, hein. Ter usado camisinha teria evitado todo esse problema. Agora já era, cara! Tá ferrado!

CELSO: Um filho não é um problema. Será que vocês dois ainda não entendem?

CLÁUDIO: Isso depende do ponto de vista.

MARCELO (tom repreensivo): Se não vai ajudar, também não atrapalha, Cláudio.

LUCIANO: Ele tem razão. Nessa situação um filho é um problema sim, e dos grandes! Olha, esse assunto já deu. A Fabiana fez a escolha dela.

CELSO: Você realmente não se importa com o fato de quase ter matado o próprio filho?

MARCELO: Sem falar no risco que a Fabi corria naquela clínica clandestina. É inacreditável a forma fria como você trata esse assunto. É seu filho cara! Sangue do teu sangue! Você não era assim, Luciano. O que é que te deu?!

LUCIANO: Talvez eu nunca tenha mostrado quem sou de verdade.

Luciano sai do quarto, deixando todos com cara de tacho. Um bip de celular. Cláudio retira seu aparelho do bolso e lê o sms que recebeu.

CELSO: Ele tá irredutível.

CLÁUDIO: Bom. Parada urgente pra resolver. Fui!

É a vez de Cláudio se retirar.

MARCELO: Desde quando ele tem “paradas urgentes” pra resolver?

CELSO: Desde quando minha mãe vai voltar pra Floripa.

| CENA 08| República Universitária Laços de Amizade. Sala principal.

Reunidas no sofá estão Fabiana, visivelmente mais calma; Vanessa e Bruna.

VANESSA: Não vejo a hora de ver a carinha do seu bebê, Fabiana. Fica logo sabendo que não vou desgrudar um instante dele, vou ensinar tudo pra ele!

FABIANA: Acho que vai demorar um pouco pra poder bancar a professora do meu filho, Vanessa.

VANESSA: Você já sabe que nome vai por?

FABIANA: Ainda não pensei em nada, meninas.

BRUNA: Se for menina pode ser Judith.

VANESSA: Ai, Bruna. Que mau gosto hein!

Fabiana ri, de leve.

FABIANA: Vou ter que concordar com ela, Bruna. Judith não né!

VANESSA: Tem que ser um nome com mais presença, sei lá. (pensa) Já sei! Se for menina pode ser Raquelly, ou quem sabe Ximena?! Se for menino... Ah, eu gosto de Greg e Nathan!

Bruna faz uma cara estranha.

FABIANA: Já vi que se depender de vocês meu filho, ou filha, vai ficar sem nome mesmo. Porque estas sugestões que estão me dando... Sei não viu...

BRUNA: E você não querer saber o sexo antes, não?

FABIANA: Antes de saber o sexo, Bruna, eu primeiro preciso saber como vou fazer pra sustentar essa criança. Vou ter que abrir mão da faculdade e arranjar um trabalho. Eu sei que a Celina, e vocês também, vão me ajudar no que for possível. Mas, eu não posso me acomodar. Eu quero que meu filho tenha orgulho de mim.

VANESSA: É, já que do pai no mínimo ele vai ter ódio!

BRUNA: Vanessa...!

VANESSA: Mas é verdade. Pai ausente é ‘uó’. Experiência própria.

FABIANA: E eu não vou mover um dedo pra que seja diferente. Nunca pensei que o Luciano fosse me deixar quando mais precisei.

BRUNA: Amiga, ele tá desesperado. É tudo muito novo. Se isso caiu como uma bomba pra todos nós, imagina pra ele. Não to defendendo, nem nada. Mas, eu acredito que o Luciano vai se arrepender.

FABIANA: Você tem muita fé nas pessoas, amiga.

Bruna segura às mãos de Fabiana. Vanessa observa.

| CENA 09| Escritório de Advocacia. Recepção. Interior.

A secretária digita algo no computador, quando Valeska surge pela porta de vidro com sua bolsa vermelha no braço, andando como se desfilasse numa passarela. Fala enquanto caminha.

VALESKA: O Darlan está?

SECRETÁRIA: Sim. Só um momento que (pausa)

VALESKA: Não precisa, queridinha. Não sou mulher de ser anunciada.

Valeska entra no escritório. A secretária revira os olhos. Corta para o interior da sala de Darlan. Ele lê um processo e quando a loira entra, ele rapidamente joga o documento em sua mesa.

VALESKA: Vim pra dizer que (pausa)

DARLAN: ... nossa tentativa de separar o casalzinho fracassou.

VALESKA: Como ficou sabendo, amore?

DARLAN: Eu sei de muitas coisas, Valeska.

VALESKA: Então já deve saber também que desisti do seu filho.

DARLAN: Mas, Valeska (pausa)

VALESKA (séria): Darlan... Pra mim já deu, sabe. Eu sei que estou decepcionando você e só Deus sabe o quanto foi difícil aceitar que perdi pra alguém. Principalmente pr’aquela sem sal da interiorana que não chega nem aos meus pés. Mas eu tive tanto tempo pra conquistar seu filho, e o máximo que consegui foi à indiferença dele. Aquele ingrato! Não reconheceu nada do que fiz. Mas chega de dar murro em ponta de faca. O Marcelo gosta da Bruna e contra isso ninguém pode. Então, eu decidi que a partir de hoje vou me dar o devido valor.

DARLAN: Você já não é a mesma de antes, Valeska. Vejo que aprendeu alguma coisa com tudo isso. E se for verdade, mesmo que não tenha conseguido ficar com Marcelo, valeu a pena pra você.

VALESKA: Valendo a pena, ou não, eu quero mais é ser feliz. E com seu filho isso não será possível. Lamento... Por ele, é claro!

Darlan sorri fraco.

VALESKA: Era isso. Espero que agora você não suma de vista, já que é o que chega mais perto de ser um pai pra mim. Beijos. 

Valeska se despede dele e se vai.

| CENA 10| Condomínio Almirante. Apartamento 209.

Isabel está na sala folheando uma revista. Toca a campainha e a emprega surge indo em direção a porta.

ISABEL: Deixa. Deixa que eu abro. Vai preparar o nosso suco, Célia.

CÉLIA: Quando eu sirvo?

ISABEL: Eu vou lá buscar, pessoalmente.

CÉLIA: Como a senhora quiser.

Célia se retira. Isabel vai atender a porta, desconfiada. Ao abrir, sorri para Janaína. Elas se abraçam.

ISABEL: Que bom que veio, amiga. Me senti tão mal pelo que fiz com você.

JANAÍNA (entrando): Tudo bem, Janaína. Eu entendo perfeitamente seus motivos. E é por isso que estou aqui.

ISABEL: De qualquer maneira eu tinha que me desculpar mais uma vez.

JANAÍNA (sorrindo): Desculpas aceitas.

ISABEL: Pedi pra Célia preparar um ‘lanchinho’ pra gente. Como nos velhos tempos. Fique a vontade, vou ver se está pronto.

Janaína se acomoda no sofá. Isabel vai em direção a cozinha. Corta para. Interior da cozinha. Célia está limpando a mesa onde se encontra uma bandeja com dois copos de suco amarelo e uma travessa com biscoitos.

ISABEL: Pronto, Célia?

CÉLIA: Vou só pegar uns guardanapos.

Célia vira-se de costa para Isabel e se abaixa abrindo a porta do armário. Isabel retira do bolso da saia que usava um pequeno frasco de vidro, abrindo-o e despejando o líquido do mesmo em um dos copos. Em seguida, pega uma colher e mistura o líquido do frasco com a bebida para Janaína. Close no rosto maquiavélico da mulher.

| CENA 11|
Dia. Condomínio Almirante. Apartamento 210. Interior.

Suzana está frente a frente com Cláudio e Igor, este com uniforme da escola e mochila nas costas.

CLÁUDIO: O que você quer? E por que esse cara tá aqui?

IGOR: É. Por que chamou a gente? Eu tive que fugir da escola. Se minha mãe sonha...!

SUZANA: Calma, meninos. Nada vai acontecer.  Chamei os dois aqui pra me despedir. Estou voltando pra Florianópolis.

OS DOIS (surpresa): O quê?

SUZANA: Isso mesmo. Agora que meu filho está se recuperando e continua sendo o mesmo quadrado de sempre, não tenho mais o que fazer por aqui. A brincadeira acabou.

IGOR: Mas... (pausa)

CLÁUDIO: E a gente? Como é que a gente fica?

IGOR: Não! Como é que A GENTE fica?!

SUZANA: Como assim?

CLÁUDIO: É que eu pensei que...

SUZANA: Pensou que eu escolheria um dos dois pra levar comigo? (ela ri) Por favor, meninos! Eu já tenho um filho.

IGOR: Você não pode nos dispensar assim depois de tudo que a gente viveu.

CLÁUDIO: É.

SUZANA: Eu nunca prometi nada a nenhum dos dois.  Foi só diversão e vocês sabem disso. Não entendo o porquê desse drama todo.

CLÁUDIO: Você é uma sem coração. Isso não se faz!

IGOR (ofendido): Um dia alguém vai fazer o mesmo que você tá fazendo com a gente agora.

SUZANA: Duvido muito, querido. Bem. Era isso que eu tinha pra dizer.

Ela vai até o início do corredor que dá acesso a seu quarto e começa a se despir.

SUZANA: Mas... Pra mostrar pra vocês que eu não sou tão desalmada como pensam, darei a oportunidade dos dois provarem do meu sabor pela última vez.

Igor e Cláudio se entreolham, salientes.

SUZANA: Sempre tive a fantasia de levar dois pra cama!

Eles vão a sua direção. Ela corre para o quarto.

| CENA 12| Condomínio Almirante. Apartamento 209. Cozinha. Interior.

A empregada coloca os guardanapos na bandeja.  Close nas mãos dela dando um giro 180° na badeja com copos e biscoitos, tirando-a dali pra continuar a limpeza da mesa. Isabel, que estava abrindo a geladeira, não percebe. Ela volta-se para a empregada.

ISABEL: Pronto, criatura?

EMPREGADA: Prontinho, senhora.

ISABEL: Ótimo. Você já está liberada pra ver sua irmã, como me pediu.

EMPREGADA: Obrigada.

Isabel pega a bandeja e se retira da cozinha.

| CENA 13| Hospital. Sala de fisioterapia. Int.

Celso está deitado na cama, enquanto doutor Humberto realiza alguns exercícios nas pernas de seu paciente.

DR. HUMBERTO: Que bom que decidiu ampliar as horas de fisioterapia. Apesar de não achar certo que você perca o semestre na faculdade.

CELSO: Eu não vou voltar até conseguir caminhar.

DR. HUMBERTO: Isso é uma bobagem.

CELSO: Pra você pode ser. Não é pra você que aquele bando de mauricinhos e patricinhas vai olhar torto, com pena. Isso me irrita!

DR. HUMBERTO: As pessoas demoram um pouco pra aceitar as deficiências alheias, Celso. Mas, de perto, ninguém é tão normal. Todo mundo tem, de alguma maneira, certo tipo de deficiência.

CELSO: Mas não é todo mundo que tem uma deficiência tão visível.

DR. HUMBERTO: Eu sei muito bem como é ser olhado com diferença. Não esqueça que está falando com um gay.

CELSO: Mas você é muito discreto. Olhando assim, ninguém diz que você é.

Humberto ri.

DR. HUMBERTO: Mas eu sou. E muita gente não aceita o fato. Eu já tive que aguentar muita coisa por isso.

CELSO: Imagino.

DR. HUMBERTO: Mas, tudo bem. Não falemos mais sobre.

CELSO: Não gosta de falar disso?

DR. HUMBERTO: Não é fácil falar disso.

CELSO: E por que comigo é diferente?

DR. HUMBERTO: É que… Bem. Não sei. Eu acho que... (pausa)

CELSO (tom de brincadeira): Não vai me dizer que tá a fim de mim?!

O médico empalidece e gagueja.

DR. HUMBERTO: Eu...

Celso percebe que falou demais.

CELSO: Doutor, me desculpe. Eu tava brincando...

DR. HUMBERTO (sério): Brincadeira ou não, o que você disse é verdade. E é mais do que uma simples atração, Celso. Eu gosto de você.

Close na porta do quarto. Jaqueline, que acabara de chegar, ouvira tudo. Celso e Humberto ficam desconcertados ao notarem a presença dela.

| CENA 14| Condomínio Almirante. Apartamento 209. Sala de estar. Interior.

Janaína folheia a revista deixada no sofá por Isabel, que chega a sala segurando a bandeja. Ela deixa a bandeja na mesinha de centro e senta-se no sofá.

ISABEL: Aqui está, Janaína. Espero que goste.

JANAÍNA: Não precisava se incomodar.

Janaína fala pegando um dos copos de suco. Isabel faz o mesmo e ingere o suco, deixando menos da metade no copo.

ISABEL: Mas então, como andam as coisas?

JANAÍNA: Tensas. Você não sabe o que tem me acontecido nos últimos dias. Tem alguém tentando me matar.

ISABEL (atônita): Como você descobriu?!

JANAÍNA (desentendida): Oi?!

ISABEL (séria/nervosa): Janaína... Eu sinceramente sinto muito por isso. É... Sei que você fez muito por mim, pela minha família, mas eu não podia correr o risco de... (pausa)

Isabel começa a passar mal, falta-lhe o ar.

JANAÍNA: Isabel, você está bem?!

ISABEL (confusa): Eu... Mas... Como?!

Janaína se desespera.

JANAÍNA: Isabel...! Quê que tá acontecendo?

ISABEL (ofegante): Veneno... Veneno...

Isabel levanta-se do sofá e tenta caminhar, mas cai no chão, tentando respirar. Ela se arrasta num ato de desespero.

ISABEL: Me ajuda...

Ela perde as forças e fecha os olhos. Janaína tenta reanimar Isabel, sem sucesso. Se desespera.

JANAÍNA (gritando): Meu Deus... Socorro! Socorro! Alguém...!

Igor, Cláudio e Suzana invadem o apartamento vizinho, assustados com os gritos. Ao ver Isabel no chão, Igor se desespera.

IGOR: Mãe?! Mãe!!! Acorda... O que você fez com ela?

Cláudio olha Janaína, sem entender.

SUZANA: Vou chamar uma ambulância.

| CENA 15| Hospital. Sala de fisioterapia. Int.

Humberto está visivelmente envergonhado ao perceber que Jaqueline ouviu sua declaração. Ela continua parada na porta, sem saber o que dizer.

DR. HUMBERTO: Jaqueline... Eu... Eu não queria que... (pausa)

JAQUELINE: Eu nem sei o que dizer!

CELSO (despistando): Amor, não leve a sério. Ele tava brincando.

O médico encara Celso.

JAQUELINE: Não pareceu brincadeira.

DR. HUMBERTO: Olha... (pausa)

O clima tenso é interrompido pelo toque do celular de Jaqueline. Ela retira o aparelho da bolsa e o coloca no ouvido.

JAQUELINE: Pronto. (pausa/apavorada) O QUÊ?!

| CENA 16| Hospital. Sala de espera. Int.

Cláudio está sentado num sofá branco, com as mãos na boca, ao lado de Suzana. Igor se estressa com Janaína, ambos em pé.

IGOR (grita): O que você fez com ela sua assassina? Não foi suficiente acabar com a vida do meu pai? Isso não vai ficar assim, ouviu bem?! Se minha mãe morrer eu acabo com você.

CLÁUDIO: Calma, cara. Isso aqui é um hospital.

IGOR (revoltado): Cala a boca!

SUZANA: O que foi que aconteceu, afinal?

JANAÍNA: Eu não fiz nada, Igor. Por mais que não acredite. Sua mãe tentou me envenenar.

SUZANA (abismada): O quê?

IGOR: Sua mentirosa. Ela não teria motivo algum pra isso! Eu vou te matar...

Igor tenta partir pra cima de Janaína, mas Cláudio o segura. Janaína chora.

JANAÍNA: Ela tomou o suco que era pra mim, Igor. Por algum motivo ela se enganou. Mas há essa hora eu era quem deveria estar na sala de cirurgia.

SUZANA: Meu Deus.

CLÁUDIO: Você tem certeza disso, Janaína?!

Jaqueline surge na sala de espera, desesperada. O médico também aparece na sala.

MÉDICO: Parentes da senhora Isabel Felício, por favor.

JAQUELINE (preocupada): Cadê minha mãe?!

MÉDICO: Sua mãe ingeriu uma quantidade significativa de veneno de rato e acabou de passar por um procedimento de lavagem estomacal de urgência.

Jaqueline olha Janaína com ódio.

JAQUELINE: Foi você, não foi?!

IGOR: Como é que ela tá, doutor?

MÉDICO: A princípio correu tudo bem. Felizmente ela foi trazida a tempo. Mas seu estado ainda é instável e ela precisará ficar em observação por tempo indeterminado. Pediu pra ver os filhos.

| CENA 17| Hospital. Quarto de Isabel. Int.

Jaqueline e Igor entram no quarto e se emocionam ao ver mãe fraca e pálida, na cama.

JAQUELINE: Como você ta, mãe?

IGOR: O quê que aquela mulher te fez?

Isabel fala com dificuldade.

ISABEL: A Janaína... Ela não me fez nada, meus filhos. Durante todo esse tempo, ela só me ajudou. Chegou a hora de você saberem da verdade.

JAQUELINE: Do que você ta falando?

ISABEL: A Janaína não matou o pai de vocês.

IGOR: O quê?

Ela respira fundo e começa.

ISABEL: Naquele dia eu tinha bebido demais... Estava sob o efeito do álcool, e a raiva me cegou. Mais uma vez o pai de vocês chegou tarde em casa. Eu já desconfiava que ele tinha outra. Mas, não imaginei que ele seria capaz de me dizer todas aquelas coisas horríveis...

JAQUELINE: Você ta querendo dizer que... (pausa)

ISABEL: Não foi a Janaína quem atirou no pai de vocês. Fui eu.

IGOR: Não pode ser...

ISABEL (chorando): Eu tava fora de mim. Na mesma hora me arrependi, mas já estava feito. O Ernesto estava caído no chão do meu quarto, sangrando, sem vida. A Janaína chegou por acaso e ao ouvir o tiro correu pro quarto. Foi então que implorei pra que ela me ajudasse. E pra que vocês não ficassem desamparados, ela foi capaz de assumir a culpa.

JAQUELINE: Agora tudo faz sentido. Por isso você ajudou a tirá-la de lá. Por isso essa amizade entre vocês que a gente nunca conseguiu entender! Eu já desconfiava que você escondia alguma coisa em relação a morte do meu pai, mas, não imaginava que fosse algo assim! Como você foi capaz, mãe?

IGOR: Durante todo esse tempo a gente crucificou uma inocente.

JAQUELINE (inconformada): Por que nos escondeu isso durante todo esse tempo?

ISABEL: Eu só pensei em vocês, meus filhos. O que seria de vocês dois com a mãe presa?

JAQUELINE: Isso não justifica! Você tinha que pagar pelo seu crime. Coitada daquela mulher, meu Deus! Pagar por um crime que você cometeu e como se não bastasse, ter que ser acusada a vida inteira de assassina!

ISABEL: Me perdoem... Mas eu já estou pagando por isso. Acreditem.

JAQUELINE: Espera... Mas, e essa história do veneno?

ISABEL: Foi uma tentativa desesperada de manter a Janaína calada. (hesitante) Eu ia matá-la.

IGOR (horrorizado): Você é um monstro!

ISABEL: Eu tive medo da reação de vocês quando descobrissem a verdade. E pelo visto tinha motivos. Não me olhem assim! Foi um ato impensado e num momento de desespero... Eu amo vocês e não suportaria conviver seu desprezo.

Jaqueline enxuga as lágrimas com o antebraço.

JAQUELINE: Pois agora vai ter que aprender. Porque a partir de hoje é isso que você vai ter de mim.

Jaqueline sai dali arrasada. Igor olha a mãe mais uma vez, e também sai. Isabel chora desconsoladamente.

| CENA 18| São Paulo. Exterior

MÚSICA: Semente – Armandinho. Imagens externas da grande São Paulo. O cotidiano turbulento da metrópole. Pessoas caminhando apressadas pelas calçadas do centro da cidade. Carros presos no engarrafamento. Anoitece. (Música off). Corta.

| CENA 19| Bar Ponto de Encontro. Cozinha. Interior.

Janaína, Bruna, Marcelo, Melissa e Chad reunidos no local.

BRUNA: Então quer dizer que a Isabel era a responsável pelos atentados?

JANAÍNA: Ao que parece, sim. E eu pensando que era o cretino do Carlos! Apesar de ter achado muito estranha a visita inesperada da Isabel no Ponto, jamais passaria pela minha cabeça que ela tentaria me matar. Não acredito até agora!

CHAD: Como tem gente ruim nesse mundo.

MELISSA: Sabia. Tenho olho clínico pra essas coisas e nunca fui com a cara dela.

JANAÍNA: Eu ainda to tentando assimilar os fatos, gente. Como pôde depois de tudo que fiz por ela?

MELISSA: Mas bem feito! Teve o que mereceu.

MARCELO: E como ela ta?

JANAÍNA: Bem, o pior já passou. Só espero que ela aprenda alguma coisa com isso. Porque eu aprendi.

CHAD: Se o pior já passou, vamos voltar ao trabalho né. Hoje isso aqui promete bombar!

Chad, Melissa e Janaína vão saindo. Bruna olha Marcelo, sorrindo.

MARCELO: Que foi?

BRUNA: Eu ainda não te agradeci.

MARCELO: Pelo quê?

BRUNA: Por não ter duvidado de mim. Qualquer cara no seu lugar perderia a cabeça. Mas, você, mesmo com toda aquela situação montada pela Valeska, em nenhum momento pensou que eu tava lá por livre e espontânea vontade.

MARCELO: Eu confio plenamente em você.

BRUNA: Hoje comprovei. E te amo ainda mais por isso.

MARCELO: Ama, é? Então demonstra...

Eles riem, salientes. Se beijam. Chad aparece na porta da cozinha e tosse. Eles se afastam.

MARCELO: Foi mal. Já to indo.

| CENA 20| Bairro Santa Felícia. Casa de Carlos. Interior. Sala.

Carlos está sentado a pequena mesa de madeira, tomando uma cerveja, olhar fixo na parede, pensativo. Ronaldo entra na casa, sorridente.

RONALDO: E aí, cara!

Carlos não reage. Ronaldo vai em direção a geladeira, abrindo-a e tirando uma cerveja de dentro. Volta pra sala.

RONALDO: Ei, cara! Taí dentro?

Carlos percebe a presença de Ronaldo.

RONALDO: Quê que foi?! Deixa eu adivinhar... Pensando na Jana!

Carlos toma o último gole da cerveja.

CARLOS: Aham. Pensando que já esperei tempo demais pra acabar com essa história.

RONALDO: Tá falando do quê?

CARLOS: Hoje mesmo faço a Janaína voltar pra casa.

Close em Carlos, seu olhar transborda ódio.

 
     

 

     

autor
Diogo de Castro

elenco
Karla Tenório como Bruna
Daniel Ávila como Marcelo
Thaís Pacholek como Valeska
Letícia Colin como Vanessa
Andreia Horta como Fabiana Simões
Eduardo Pelizzari como Luciano
Alexandre Slaviero como Cláudio
Velson D’Souza como Celso
Cláudia Alencar como Janaína
Rosamaria Murtinho como Celina
Lucinha Lins como Isabel
Kleber Toledo como Igor
Giordanna Forte como Jaqueline
Chico Diaz como Carlos
Zé Carlos Machado como Darlan
Fábio Lado como Chad
Veridiana Toledo como Melissa
Osmar Prado como José
Claudio Lins como Dr. Humberto
Tania Casttello como Suzana
Jorge Pontual como Ronaldo


trilha sonora
Caiu na Babilônia - Strike (Abertura)
Quase um segundo – Luiza Possi
Semente – Armandinho


produção

Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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