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ESCOLHAS DA VIDA - CAPÍTULO 08

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CAPÍTULO 08
 
     

     

 

     
 

CENA 01. ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA O&K. SALA WALTER. INT. NOITE.

Continuação do capítulo anterior. Fernanda chocada com a revelação de Walter.

WALTER: - Eu tentei argumentar, mas ele não cedeu. E essa parceria vai ser importante para o escritório, entende?

FERNANDA: - Entendo. Entendo sim. Não precisa explicar nada mais, Walter.

WALTER: - Mas Nanda, eu quero dizer que da minha parte, nada muda nessa história. Você continua sendo a mesma pessoa, e a melhor funcionária desse escritório.

Fernanda esboça um sorriso amarelo, para disfarçar sua tristeza.

FERNANDA: - Era só isso?

WALTER (pensa um pouco): - Era sim. Mais uma vez, Nanda, eu sinto muito que tenha que ser dessa forma.

FERNANDA: - Vai ser difícil, mas eu vou ficar bem, Walter. Obrigado pela oportunidade mesmo assim.

Ela levanta-se. Caminha em direção à porta, decepcionada. Sai da sala. Walter também se chateia, fica pensativo. Ele pega o telefone, disca o ramal.

WALTER: - Laisla, por favor, venha aqui na minha sala. Preciso falar com você. É importante.

CORTA.

CENA 02. ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA O&K. INT. NOITE.

Fernanda caminha tentando esconder sua tristeza. Chega em sua mesa, senta-se. Olhos fixos, um tanto marejados. Laisla passa por ela.

LAISLA: - Nanda, o que foi?! Walter te deu uma bronca é?

FERNANDA: - Nada não. Um cisco no meu olho.

LAISLA: - Nanda, não precisa mentir pra mim!

FERNANDA (séria): - Estou bem, Laisla. Não precisa se preocupar.

LAISLA: - Ele acabou de me chamar pra ir na sala dele. Disse que o assunto é importante. Ele por acaso não adiantou nada pra você?

FERNANDA: - Não.

LAISLA: - Bom, vou indo lá então.

Laisla se afasta.

FERNANDA (para si): - Ele não adiantou, mas eu já sei do que se trata.

Fernanda leva as mãos ao rosto por um instante. Quando retira, vê Danilo a observando, de longe. Ela vira o rosto, volta-se para o trabalho.

CENA 03. MANSÃO CARLA. EXT. NOITE

CAM mostra fachada da mansão, toda ao estilo neoclássico.

CORTA PARA o INTERIOR do escritório. CAM passeia pelos livros na estante, chegando até à mesa do local. Móveis de madeira escura. De costas à mesa, Milton (60 anos, loiro, com barba rala, pele clara) lê um livro. De repente, Carla entra no local.

CARLA: - Pai, to saindo.

MILTON (vira-se para Carla): - Saindo pra onde, Carla?

CARLA: - Pra casa do Diogo e depois pra Joquer.

MILTON: - Você agora não sai da casa do Diogo. Passa mais tempo lá do que aqui.

CARLA: - Vai se acostumando papai, porque quando eu estiver casada com ele, eu serei apenas visita aqui nesta casa.

MILTON: - Visita não, porque essa casa também é sua. Mas será uma visita boa de receber, pode ter certeza.

Verônica (55 anos, loira, cabelo Chanel, elegante) entra na sala, trazendo sacolas de compras de lojas.

VERÔNICA: - Visita boa assim como eu?

MILTON (irônico): - Claro! É sempre bom receber a sua ex-mulher em casa e bancar os gastos dela em lojas de grife.

VERÔNICA (irônica): - Por isso que eu te adoro ainda, Milton. (a Carla) Pensei que fôssemos juntas fazer compras hoje à tarde, filha!

CARLA: - Pois é mãe, mas eu já tinha combinado de sair com a Lisa. Ela foi fazer umas fotos. Ficaram lindas.

MILTON: - Essa menina vai longe como modelo. Você também poderia pensar nisso, Carla.

CARLA: - Não é minha praia não, pai. Muito sacrifício. Não pode comer doce, não pode fazer isso, não pode fazer aquilo... Eu quero é ser livre.

VERÔNICA: - Isso aí minha filha! Não se prenda à nada nem a ninguém. Lógico, segure apenas a grana, porque isso sim é importante.

MILTON: - E lá se vão os valores morais...

VERÔNICA: - Ah, Milton! Com dinheiro as pessoas fazem e acontecem no mundo. Tudo bem, amor é importante, respeitar o próximo é também. Mas ninguém vai te olhar com respeito e carinho se você não estiver bem apresentável, não é?

CARLA: - Essa bolsa da Versase é um exemplo de “estar bem apresentável”?

VERÔNICA: - Ótimo exemplo, não é? (risos)

MILTON: - Verônica, você não toma jeito mesmo... (levanta-se) Nem vou comentar. (beija Carla) Boa festa filha, divirta-se. E se cuida.

CARLA: - Obrigada, papai. Ah, eu e o Diogo pensamos em fazer um jantar aqui em casa para as nossas famílias.

MILTON: - Um jantar é?

VERÔNICA: - Que ótimo filha!

MILTON: - Bem, vejam a data. Por mim, está ótimo. (saindo)

Verônica e Carla a sós.

VERÔNICA: - Você e o Diogo decidiram ou você decidiu?

CARLA: - Ai mamãe... Se eu não faço isso, Diogo não toma atitude nunca! E eu quero casar logo!

VERÔNICA: - Casar, Carla?! Você é tão nova ainda, filha! Pode aproveitar muito!

CARLA: - Eu quero aproveitar ao lado do Diogo, mãe. Sou louca por ele. Faço qualquer coisa pra ter ele do meu lado.

VERÔNICA: - Se você é feliz com ele, eu estou feliz também. Adorei a ideia do jantar. Vou começar a pensar no que vestir desde já!

As duas riem.

CENA 04. APTO ALEX. EXT. NOITE.

Illana estaciona o carro em frente ao prédio de Alex. Ele desce do carro, fecha a porta e vai caminhando em direção ao portão do prédio. Illana buzina. Alex para, volta-se para o carro.

ILLANA: - Você fez uma ótima escolha, Alex. Não será tão ruim quanto parece ser.

ALEX: - Eu começo quando?

ILLANA: - Eu te ligo e te dou as coordenadas. Agora descansa.

Illana liga o carro e sai. Alex fica pensativo.

CORTA:

CENA 05. APTO ALEX. INT. NOITE.

Ele entra, fecha a porta atrás de si. Se joga no sofá, pensativo.

ALEX: - Pai... Só estou fazendo isso porque eu preciso da grana para me manter aqui. Eu vou conseguir fazer justiça, pai. Vou vingar a sua morte e colocar aquele desgraçado na cadeia!

O telefone de Alex sinaliza uma mensagem. Ele visualiza. PLANO DETALHE da tela do telefone no sms:

“Passando só pra desejar uma ótima noite. Sonha comigo. Beijo. Mari.”

Os dedos de Alex digitam a resposta:

“Amo você. Beijão.”

CENA 06. APTO OSVALDO. QUARTO MARIANA. INT. NOITE.

Mariana sorri diante da mensagem que recebe de Alex pelo telefone. Ela suspira, apaixonada. Alguém bate à porta.

MARIANA: - Pode entrar.

Regina abre a porta, entra no quarto.

MARIANA: - Já em casa? Pensei que fossem fazer outro programa depois do jantar.

REGINA: - Seu pai estava cansado, teve um dia cheio no escritório... Resolvemos vir para casa mesmo. E você, comeu?

MARIANA: - Sim, sim.

REGINA: - Que bom. Só vim aqui te dar um beijo de boa noite. (beija Mariana) Dorme bem, filha.

Regina vai saindo.

MARIANA: - Mãe, espera.

REGINA (vira-se para Mariana): - O que foi?

MARIANA: - Você se sentiu incomodada com a presença da Lisa aqui, hoje?

Regina se retrai diante da pergunta de Mariana.

REGINA: - Incomodada? Como assim?

MARIANA: - Sim, incomodada, como se não quisesse ela aqui. Ela foi embora de repente, não quis ficar para me ajudar, como a gente tinha combinado. Aconteceu alguma coisa no elevador entre vocês duas?

REGINA: - Não, não aconteceu nada. Eu apenas vi nos olhos daquela moça que ela não queria ficar, não podia, enfim. Não me senti incomodada com ela aqui. Eu só acho que você precisa selecionar melhor quem você traz pra casa, Mariana. As pessoas podem se fazer de amigas e estar aqui por puro interesse.

MARIANA: - Mas a Lisa não é assim, mãe.

REGINA: - Se não fosse, ela ficaria. Não acha?

Regina se afasta, fecha a porta.

MARIANA: - Não acho...

Mariana fica pensativa.

CENA 07. APTO PAULA E FERNANDA. COZINHA / SALA. INT. NOITE.

Paula está na cozinha, preparando o jantar. Ela escuta barulho da porta, vai até a sala. Fernanda chega no apto, um tanto cansada.

PAULA: - Oi amor!... Chegou tarde hoje.

FERNANDA (tirando os sapatos): - Hoje todo mundo ficou até mais tarde.

PAULA: - Vai pro quarto, toma um banho, descansa. Daqui a pouco o jantar ta na mesa.

Fernanda se senta no sofá, começa a chorar. Paula se preocupa.

PAULA: - Nanda, o que aconteceu?! Fala pra mim?!

FERNANDA: - Ai, Paula...

As duas se abraçam. Fernanda chora. Paula a consola.

PAULA: - Calma, Nanda!... Meu Deus, o que foi?

FERNANDA: - Lembra daquela oportunidade de trabalho, em Londres?

PAULA: - Sim, eu lembro! Você ficou toda empolgada... O que foi?

Fernanda nega com a cabeça.

PAULA: - Mas por que/

FERNANDA: - Porque eu sou lésbica, Paula. Eles não querem que eu vá porque eu namoro com outra mulher.

CLÍMAX. As duas se olham, se encaram. Silêncio.

PAULA (levanta-se/explode): - Mas isso é um absurdo! Eles não podem fazer isso com você! (exaltada) Não podem fazer isso com a gente!

FERNANDA: - Walter me chamou na sala dele. Disse que o dono da empresa lá não quis.

PAULA: - Velho escroto.

FERNANDA: - Fiquei sem chão. Acho que eu não tava preparada pra enfrentar isso, sabe? A gente já passou por tanta coisa. Mas mesmo assim, é sempre diferente.

PAULA (senta-se no sofá): - Seu pai tem razão.

FERNANDA: - Por que você ta falando isso?

PAULA: - Eu não faço bem pra você, Nanda.

FERNANDA: - Não diz isso, Paula!

PAULA; - Eu não sirvo pra você.

FERNANDA (firme): - Nunca mais diz isso, Paula! Nunca mais, está ouvindo?

PAULA (levanta-se): - Eu não quero ser uma pedra no seu caminho, Nanda! Mas olha isso! Você perdeu essa oportunidade de ouro por minha causa!

FERNANDA (levanta-se): - Não! Não é verdade isso! Deixa de falar bobagem! Você está sendo tão importante na minha vida agora que/ Isso que você está dizendo não é verdade! Você nunca me atrapalha, nunca me atrapalhou! (segura as mãos de Paula) Isso que aconteceu hoje não vai abalar o que eu sinto por você, a nossa relação, está ouvindo?

PAULA: - Ai Nanda...

FERNANDA (firme): - Está ouvindo?! Não vai!

Paula confirma com a cabeça, olhos marejados.

FERNANDA: - Outras oportunidades virão, eu não vou desistir de crescer no serviço. E nem você vai! A gente vai crescer, juntas!... E tem ainda o nosso filho, esqueceu?

PAULA: - Você tem certeza?

FERNANDA: - É o que mais quero agora. Eu vou ser mãe e vou provar pra todo mundo que eu posso amar, cuidar, educar como qualquer outra pessoa. Não vai ser a minha sexualidade que vai me impedir de realizar o meu desejo. O nosso desejo.

Paula sorri, vencida.

MUSIC ON: (Do Romantismo à Roma Antiga – Maurício Baia)

PAULA: - Eu te amo tanto.

As duas se abraçam, emocionadas. Se beijam brevemente.

PAULA: - Nanda, o jantar ta no fogo! (sai apressada)

Fernanda ri, enxuga as lágrimas. Paula retorna pra sala.

PAULA: - Consegui salvar!... Agora vai pro banho enquanto eu coloco a mesa.

FERNANDA: - Amo você.

PAULA: - Também te amo. Muito.

Fernanda pega suas coisas e sai. Paula fica pensativa.

CORTE RÁPIDO.

CENA 08. APTO FERNANDA E PAULA. SALA. INT. NOITE.

MUSIC FADE.

Fernanda e Paula jantam. Silêncio enquanto comem.

FERNANDA: - Amanhã é o aniversário do meu pai.

PAULA: - Você quer ir?

FERNANDA: - Nós vamos.   

PAULA: - Nanda, por favor.

FERNANDA: - Meu pai precisa entender que você é minha companheira.

PAULA: - Você está é provocando o seu pai. Deixa as coisas como estão. Você vai lá, fica com ele. Eu vou ficar bem aqui.

FERNANDA; - Não mesmo. Vai comigo e pronto.

PAULA: - Você é birrenta, sabia?!

FERNANDA: - Não sou não. Faz tempo que a gente não sai, não faz um programa juntas.

PAULA: - Ótimo programa! Ir no aniversário do seu pai.

FERNANDA: - Eu sei que não é dos melhores, mas eu queria ir vê-lo. É uma data especial. Quero ver minha mãe também. Queria que você estivesse junto comigo nesse momento.

PAULA: - Tá bom, ta bom... Eu vou. Mas eu quero que você saiba que vou muito a contragosto. E se seu pai falar alguma coisa, eu não me responsabilizo por nada, está bem?!

FERNANDA: - Tá ótimo, minha baixinha invocada! (ri)

PAULA: - Ah, para...!

Fernanda continua rindo.

PAULA: - Para Nanda... (ri) Não tem graça!

FERNANDA: - Então você também não pode rir!

As duas riem.

CENA 09. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE

Takes gerais da noite carioca. Imagens da movimentação noturna: Bares, danceterias, pessoas se divertindo, paquerando.

CORTA.

CENA 10. BOATE GLS. INT. NOITE.

PLANO GERAL. Música animada. Ambiente cheio. Homens e mulheres dançam misturados. Alguns vestidos mais discretos, outros um pouco mais chamativos. Matheus e Roberta entram no local.

ROBERTA: - É, o local até que é bacana.

MATHEUS: - Eu falei pra você que a gente viria num lugar bombástico.

Ela olha uns homens cobiçando.

ROBERTA: - Que desperdício, meu Deus...

MATHEUS: - Cada bofe lindo!

Uma mulher passa por eles, lança olhar para Roberta.

ROBERTA: - Eu não estou acostumada a ser encarada assim. Por uma mulher.

MATHEUS: - Ai, relaxa, Roberta. Ninguém vai te obrigar a nada. Vamos beber alguma coisa?

ROBERTA: - Vamos sim. Preciso de álcool pra me deixar um pouco mais soltinha, já que hoje eu não vou beijar na boca.

Os dois caminham por entre as pessoas.

CENA 11. CASA SOLANO. SALA. INT. NOITE.

Isaura e Solano estão assistindo TV. Bruno sai do quarto, todo arrumado.

ISAURA: - Vai sair de novo, Bruno?

BRUNO: - Vou mãe.

ISAURA (repreende): - Olha aqui Bruno, essas saídas muito seguidas...

SOLANO: - Deixa o garoto, Isaura. Tá na idade.

ISAURA: - De trabalhar também.

BRUNO: - Pois fique sabendo mãe, que eu estou saindo justamente para ir até o emprego.

ISAURA: - Como é que é? Mas que emprego é esse, de noite? Segurança?

BRUNO: - Eu me inscrevi pra trabalhar na Joquer, aquela danceteria maneira da zona sul. Fui chamado pra comparecer hoje. Se tudo der certo, começo a trabalhar lá.

ISAURA: - Nossa, grande emprego.

SOLANO: - Você vive dizendo que o garoto precisa trabalhar. Pode não ser o emprego dos sonhos, nem dele e pelo visto nem seu. Mas já é um passo. (a Bruno) Vai com Deus, filho. Vou torcer por você.

BRUNO: - Valeu vô. Vou indo nessa. Boa noite pra vocês.

Bruno sai.

ISAURA: - Você vive passando a mão na cabeça desse garoto.

SOLANO: - E você pega pesado demais com ele, Isaura. Ele é jovem, tem que aproveitar a vida!

ISAURA: - Ele tem é que pensar no futuro dele. Nem faculdade o Bruno tem, papai!

SOLANO: - E daí? Quando ele quiser, se sentir pronto, ele vai fazer. O Bruno é responsável... Não precisa ter medo porque ele não vai puxar ao pai.

ISAURA: - Não sei por que o senhor disse isso.

SOLANO: - Sabe sim, muito bem. Teu medo é que o Bruno fique igual ao Lauro, um frustrado.

ISAURA (levanta-se): - Eu vou pro meu quarto.

SOLANO: - Vai dizer que eu estou errado, Isaura?

Isaura encara Solano, ainda sentado no sofá, mas de olho na TV. Ela sai. Solano fica pensativo.

CENA 11. CASA DIOGO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Carla está sentada no sofá aguardando Diogo. Hilda, a empregada, lhe traz um copo com água.

HILDA: - Está aqui.

CARLA: - Obrigada, Hilda.

HILDA: - A senhorita não vai subir? Seu Diogo ta no quarto.

CARLA: - Eu sei, mas vou esperar aqui. Obrigada. Agora pode ir.

Hilda se retira. Carla faz uma careta quando a empregada vira de costas. Nesse instante, Tereza (55 anos, cabelos ondulados, castanhos, porte elegante) entra na sala.

TEREZA: - Carla!

CARLA: - Oi Tereza!

As duas se abraçam.

TEREZA: - Como vai querida? Quanto tempo que não a vejo.

CARLA; - Estou bem, graças a Deus. E você também, Tereza, está ótima.

TEREZA: - Você acha? Ah, depois de tanto trabalhar, resolvi me dar um tempo de descanso. Viajar é sempre bom, não é?

CARLA: - Claro. Ainda mais pra você, que escreve tanto. Seu último livro foi um grande sucesso. Eu adorei!

TEREZA: - Obrigada. Fico feliz em saber que leu.

CARLA: - E o Cristóvão? Não o vi ainda.

TEREZA: - Deve estar na empresa. O grupo vai lançar uma nova publicação, então o trabalho está a mil.

Diogo desce as escadas.

DIOGO: - Oi amor, desculpa a demora.

CARLA: - Imagina... Nem demorou. (beija Diogo) Mas fique sabendo que quando a gente casar, daqui a pouco tempo, quem pode demorar sou eu! (risos)

TEREZA: - Vocês vão casar logo é? Diogo nem me disse nada.

Ela o encara, desconfiada. Ele percebe.

DIOGO: - Pois é, eu/

CARLA: - Sim, pretendemos Tereza. E o mais breve, né amor? Aliás, meu pai faz questão que o jantar seja lá em casa. (enfatiza) Amanhã.

DIOGO (surpreso): - Amanhã, Carla? Não acha muito em cima da hora?

CARLA: - Acho que não. E não dá pra ser muito longe, né Diogo? Temos que aproveitar que minha mãe está aí.

TEREZA: - Ah, Verônica está no Brasil é?

CARLA: - Está. Comprando tudo o que vê pela frente. (risos)

TEREZA: - Bem, eu não vejo problemas do jantar ser amanhã. Acredito que seu pai não tem compromissos também.

CARLA: - Sendo assim, está marcado.

DIOGO: - Vamos amor? Não quero chegar tarde na Joquer.

CARLA; - Vamos sim. (se despede de Tereza) Ótimo te ver, Tereza. Abraço para o Cristóvão! Até amanhã!

TEREZA: - Até amanhã Carla! Se cuidem e divirtam-se!

Diogo e Carla saem.

TEREZA (pensa alto): - Carla e Diogo casando?

Tereza fica pensativa.

CORTA.

CENA 12. CASA DIOGO. EXT. NOITE.

Carla e Diogo vão seguindo para o carro.

CARLA: - Ai Diogo, você nem disse nada pra sua mãe do jantar, nem do casamento?!

DIOGO: - Eu esqueci.

CARLA: - Você anda esquecendo demais da gente, ultimamente.

DIOGO: - Desculpa ta? Eu prometo que vou ser mais atencioso... Juro.

Diogo beija Carla.

DIOGO: - Vamos agora?

Carla acena com a cabeça. Os dois entram no carro dele e seguem.

CENA 13. JOCKER. INT. NOITE.

Muita gente, muita movimentação, música alta, pulsante. Lisa está num camarote, no andar de cima. Embaixo, Rick conversa com alguns rapazes (uns 4). Entre eles, Bruno.

RICK: - Nós chamamos vocês aqui, porque foram os melhores nos formulários e na breve entrevista com a nossa gerente. Hoje é a noite de experiência, ok? Vocês serão avaliados o tempo todo. Quem se der bem, ta contratado. Tudo certo?

BRUNO: - Só uma pergunta.

RICK: - Fala.

BRUNO: - Nós vamos trabalhar usando nossas próprias roupas?

RICK: - Ah, bem lembrando. Próximo ao banheiro masculino, tem uma sala. Nesta sala tem o uniforme de vocês. Na própria sala tem um banheiro, onde vocês podem se trocar. Os pertences de vocês ficam na sala, em segurança. Era isso?

Todos concordam.

RICK: - Por tanto, bom trabalho rapazes.

Os rapazes se dirigem para a sala. Do camarote, Lisa enxerga Bruno.

LISA (se anima): - O Bruno ta aí!...

Neste instante, Carla chega ao camarote.

CARLA: - Chegou cedo hein amiga!

LISA: - Tudo dando certo hoje, Carla!

CARLA: - Como assim?

LISA: - As fotos do ensaio ficaram divinas. A noite ta ótima pra curtir. E o melhor de tudo: o Bruno ta aqui na Joquer!

CARLA: - Sério? Aonde?

LISA: - Lá embaixo!

CARLA: - Chama ele pra vir aqui!

LISA: - Se eu enxergar ele de novo, faço um sinal.

CARLA: - To ansiosa pra conhecer esse rapaz que laçou o coração da minha amiga.

No andar de baixo, Rick e Diogo conversam.

RICK: - Eles já foram se trocar e logo já estarão circulando por aí.

DIOGO; - Perfeito.

RICK: - O que foi, Diogo? Ta tudo bem?

DIOGO: - Tá sim, por que a pergunta?

RICK: - To te achando meio estranho, sei lá. Parece preocupado.

DIOGO: - Na verdade eu to me sentindo com a corda no pescoço.

RICK: - Por quê cara?

DIOGO: - A Carla, Rick. Essa história do casamento, muita pressão... A Joquer que eu preciso administrar também... Muita coisa.

RICK: - Tá pensando em pular fora?

DIOGO: - Não...

RICK: - Diogo... Se não é o que você quer, pelo menos agora, senta com ela e conversa. A Carla vai entender. Ou não.

DIOGO: - Provavelmente não. Ela ta se jogando de cabeça nessa história e eu não. Não quero decepcionar ela também.

Diogo olha para o camarote. Carla manda beijos pra ele. Ele sorri pra ela, pensativo.

CENA 14. CASA ARTHUR E NORMA. QUARTO. INT. NOITE.

Arthur deitado na cama. Norma sai do banheiro, enxugando os cabelos.

NORMA: - Tudo certo para amanhã.

ARTHUR: - Vai ser uma festa bacana. Meus amigos todos aqui, reunidos.

NORMA: - Sua família.

ARTHUR: - Eu e você jutinhos.

NORMA: - Fernanda.

Arthur fica em silêncio.

NORMA; - O que foi?

ARTHUR: - Ela vem mesmo?

NORMA: - Ela sempre vem, Arthur. Você sabe.

ARTHUR: - Só espero que ela venha sozinha. Os pais do Gabriel adoram a Nanda.

NORMA: - Mas ela pode vir acompanhada e/

ARTHUR: - Aquela lá que não ouse por os pés aqui amanhã.

NORMA: - Deixa de ser cabeça dura, Arthur! Ela é a namorada da nossa filha!

ARTHUR: - Já pensou na baboseira que você acabou de dizer? Esse absurdo?!

NORMA: - Absurdo é esse seu comportamento.

Silêncio. Norma termina de secar os cabelos, deita-se na cama, ao lado de Arthur, que fica pensativo.

ARTHUR: - Tudo bem. Ela pode vir.

NORMA: - Vai ser melhor assim, meu querido. E a Nanda vai ficar feliz também.

ARTHUR: - Eu sei.

Norma beija Arthur, vira para o outro lado da cama e dorme. Arthur permanece acordado, pensativo.

ARTHUR (para si): - Agora eu quero mesmo que ela venha.

Ele ri em ironia.

CENA 15. CASA ELIANE. QUARTO TITO. INT. NOITE.

Tito está sentado em frente à escrivaninha, desenhando. De repente, Eliane bate à porta, entra. Rapidamente, Tito esconde o desenho, colocando outros rabiscos em cima. Eliane se aproxima, com cigarro na boca.

ELIANE: - Acordado ainda?

TITO: - Sem sono.

ELIANE (pega um folheto na mão): - Não precisa levantar cedo amanhã pra ir nesta empresa de comunicação visual?

TITO: - Como você sabe?

ELIANE: - Tinha um bilhete da Bia na caixa de correspondência. Pelo visto você pegou só o folheto.

TITO: - E o que mais dizia no bilhete?!

ELIANE: - Mais nada. Só para você estar cedo lá.

Eliane faz carinho no filho, enquanto traga o cigarro. Silêncio. Tito rabisca nas folhas sobre a escrivaninha.

ELIANE: - Você gosta mesmo dela, não gosta?

TITO: - Acho que sim.

ELIANE: - Eu sei que gosta... Desde criança.

TITO: - Difícil saber.

ELIANE: - Nada é difícil para uma mãe.

Eliane vira Tito de frente para ela, e senta-se na cama. Os dois ficam cara a cara.

ELIANE: - Eu sei que não sou uma mãe exemplar. Carinhosa, companheira, que dá amor e afeto o tempo inteiro. Eu sei. Não sou mesmo e nunca vou mudar. Não fui assim nem com a sua irmã. Mas você é meu filho e eu te amo. Só quero que você saiba disso. O que precisar, eu vou estar aqui. Tá?

Tito acena com a cabeça. Eliane dá mais uma tragada no cigarro. Levanta-se, vai em direção à porta.

ELIANE: - E não dorme tarde, senão vai perder o compromisso amanhã.

Eliane sai do quarto. Tito volta-se para a escrivaninha. Retira o desenho que estava fazendo antes. É uma imagem de Bia, sorrindo.

TITO: - Pena que você não sente o mesmo amor que eu sinto.

CENA 16. CASA GABRIEL. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Humberto (60 anos, calvo, alto, pele clara) e Gabriel conversam sentados na suntuosa sala de estar da casa.

HUMBERTO: - Esta reunião de hoje não era preciso, Gabriel.

GABRIEL: - Mas pai/

HUMBERTO: - Você poderia ter resolvido essa história sozinho, meu filho. Poxa, daqui há um tempo eu não estarei mais na empresa e você vai ter que resolver isso sozinho!... Você precisa ser mais seguro, Gabriel. Essa empresa vai ficar sob o seu controle! Nosso patrimônio vai ficar nas suas mãos!

Gabriel baixa a cabeça, ouvindo o pai. Selma entra na sala.

SELMA: - Você quer que o garoto assuma os negócios mas não deixa ele em paz pra pensar sozinho.

HUMBERTO: - Na primeira oportunidade que eu deixo, ele corre pra mim.

GABRIEL: - Não foi assim não, pai.

HUMBERTO: - Ah, não foi? E foi como então, Gabriel?...

GABRIEL: - Eu apenas fiquei em dúvida sobre/

SELMA: - Ter dúvidas é normal, meu filho.

HUMBERTO: - Não quando se precisa assinar um contrato importante, Selma! Não se pode ter dúvidas!... Enfim, essa foi a última vez. Na próxima, você vai fazer tudo sozinho e se o resultado não for bom, você é quem vai pagar pelas consequências.

SELMA: - Ainda acho muita responsabilidade para esse garoto.

HUMBERTO: - Esse garoto já tem quase trinta anos, Selma. Está mais do que na hora de ter responsabilidades.

GABRIEL: - Tem razão, pai. Eu vou me preparar melhor.

HUMBERTO: - Assim espero.

SELMA: - Falando em se preparar, amanhã tem o aniversário do Arthur. Norma ligou para confirmar nossa presença e eu confirmei.

GABRIEL: - Ótimo! Ele vai gostar muito da presença da nossa família.

HUMBERTO: - Mais essa ainda... Arthur é um pé no saco.

SELMA: - Humberto! O Arthur sempre te tratou tão bem!

HUMBERTO: - Ele é mesmo, Selma. Um chato. Sabe quando a pessoa é pobre e tenta agradar a todo tempo, oferecendo coisas que você não gosta, vinhos ruins? Arthur é assim.

GABRIEL: - Ele não é tão chato, pai.

HUMBERTO: - Fala isso porque ele é seu fã. Nós já nem temos mais relação com aquela família. Você e a Fernanda nem estão mais juntos! Não há porque a gente comparecer a essa festa.

SELMA: - Nós vamos e ponto final, Humberto. Está decidido. Agora vem pra cama. Amanhã tem mais compromissos para tratar.

Humberto levanta do sofá e vai atrás de Selma. Gabriel fica sozinho na sala.

GABRIEL: - Amanhã eu reencontro a Nanda. Vai ser a minha chance!

CENA 17. BOATE GLS. INT. NOITE.

Matheus e Roberta se divertem na pista de dança, curtindo a música da boate. Cada um com um drink na mão, bebidas coloridas. Um rapaz, moreno, corpo malhado, fica de olho nos dois. Matheus percebe.

MATHEUS: - Roberta, olha, discretamente, atrás de você.

ROBERTA (vira-se bruscamente): - O que foi?!

MATHEUS: - Nossa! Discrição mandou lembranças... Tá vendo aquele bofe de camiseta branca, parado no balcão?

ROBERTA: - Bem gatinho. E ta olhando pra cá.

O rapaz sorri.

ROBERTA (vira-se para Matheus): - Ele ta rindo pra gente?

MATHEUS: - Pra mim, oras!... Finalmente alguém me notou nessa boate!

ROBERTA: - Pelo menos você vai se dar bem hoje. Aproveita que ele ta lá todo se querendo, e vai falar com ele!

MATHEUS (surpreso): - Eu?!

ROBERTA: - Claro! Atitude, biba! Vamos lá! Paga uma bebida pra ele!

MATHEUS: - Não sou bixa rica não, Roberta! Calma aí!

ROBERTA: - Deixa de ser bobo, Matheus. Então paga uma água, puxa conversa, sei lá. Vai lá falar com ele, senão é capaz de outra pessoa se jogar na tua frente e aí adeus bofe maravilha.

MATHEUS (corrige): - É escândalo, bofe escândalo.

ROBERTA: - Entendeu a mensagem, não entendeu? Então vai lá!

Roberta dá um empurrãozinho em Matheus, que caminha um tanto envergonhado em direção ao rapaz, que o encara ainda com um sorriso nos lábios.

MATHEUS: - Oi.

RAPAZ: - Oi.

MATHEUS: - Você vem sempre aqui?

RAPAZ: - Não. Na verdade é a minha segunda vez. Vim acompanhar umas amigas.

MATHEUS: - Hummm...

Matheus olha para Roberta, que faz sinal para ele continuar a conversa e segue dançando na pista.

MATHEUS: - E... Você ta sozinho aqui? Quero dizer, sem alguma companhia especial?

RAPAZ: - Estou. Na verdade, estou à procura de alguém, mas aqui está sendo um pouco difícil.

MATHEUS: - Você acha é? Eu achei tão fácil.

RAPAZ: - Pra mim é difícil, mas eu acho que agora encontrei.

MATHEUS: - É mesmo?

RAPAZ: - Nunca pensei que um cara como eu fosse encontrar uma pessoa numa festa dessas.

MATHEUS: - Como assim? Um cara como você? É algum tipo de ser de outro planeta? (risos)

RAPAZ: - Não... Quando eu digo um cara como eu, me refiro ao fato de ser hétero e encontrar outra pessoa numa balada gay.

Matheus murcha.

MATHEUS: - Você é hétero?!

RAPAZ: - Sou. Algum problema? (risos)

MATHEUS: - Todos... Quero dizer, nenhum.

RAPAZ: - Então será que você poderia me ajudar? Eu fiquei impressionado com aquela sua amiga lá na pista. Ela dança muito!

MATHEUS: - A Roberta?

RAPAZ: - O nome é lindo também. Será que se eu chegar nela, ela dança comigo?

MATHEUS: - Não, não tem problema nenhum. Capaz dela fazer até mais que uma dança com você.

RAPAZ: - Como assim?

Ele dá uma risadinha.

MATHEUS: - Nada não. Pode ir. Ela é gente fina.

RAPAZ: - Valeu, cara! Te devo uma!

O rapaz se afasta, indo em direção à Roberta. Matheus fica escorado no balcão do bar.

MATHEUS (ao garçom): - Dose dupla de uísque. Sem gelo, por favor... Depois dessa, só bebendo mesmo.

Matheus olha para a pista. Roberta e o rapaz bonitão dançam juntos, clima de azaração. Os dois chamam a atenção das pessoas na pista pela dança. Aos poucos, uma roda se forma ao redor deles, que dançam de forma bem entrosada e animada. Roberta vira a atração da festa junto com o outro rapaz.

CENA 18. JOCKER. CAMAROTE. INT. NOITE.

Lisa e Carla conversam.

LISA: - Eu vou ao banheiro. Quero dar uma ajeitada no visual pra quando encontrar o Bruno.

CARLA: - Toda produzida então hein!... E eu vou ver se encontro o garçom para trazer mais champanhe.

Lisa se afasta. Carla fica a observar a movimentação da boate. Neste instante, Bruno se aproxima do camarote, carregando uma garrafa de champanhe e servindo outras pessoas. Carla o vê e o chama.

CARLA: - Eu quero mais champanhe.

Bruno se aproxima e a serve.

CARLA: - Coloca aqui pra minha amiga também.

Bruno serve a outra taça.

CARLA: - Você é novo aqui, não?

BRUNO: - Estou fazendo o teste para trabalhar aqui.

Neste instante, Lisa retorna do banheiro e se surpreende ao ver Bruno.

LISA: - Bruno?!

Bruno também se mostra surpresa ao ver Lisa.

CARLA: - Para tudo! Então quer dizer que esse garçom é o tão comentado Bruno?

Carla ri, debochada.

LISA (surpresa): - O que você ta fazendo aqui, vestido de garçom?

BRUNO: - Eu estou fazendo teste para trabalhar aqui na boate.

CARLA (risos): - Ai Lisa! Só você mesmo para ficar atraída pelo garçom da boate!

LISA: - Eu não sabia que ele era garçom aqui! Quando eu conheci ele não falou nada.

BRUNO: - Não falei porque eu não trabalhava aqui mesmo. Mas, o fato de eu ser garçom atrapalha alguma coisa entre a gente?

Os dois ficam a se olhar.

CARLA: - Ei, rapaz... Bruno, não é? Pode ir, tem mais gente querendo champanhe. Olha que meu noivo é dono aqui, hein? Se não trabalhar direito, te entrego pra ele! (risos)

Bruno se afasta. Lisa fica um tanto entristecida.

CARLA: - Mas essa foi a melhor piada da noite. Você e o garçom, Lisa... (risos)

Lisa senta-se ao lado de Carla, que lhe entrega uma taça de champanhe.

CARLA: - Bebe, vai. Vamos beber! Curtir a noite!

Lisa mantém expressão entristecida.

CORTA:

CENA 19. JOCKER. PISTA. INT. NOITE.

Bruno caminha por entre as pessoas, também com expressão de tristeza. Encontra Rick.

RICK: - E então, tudo em ordem?

BRUNO: - Sim, tudo certo.

RICK: - Então agora pega os pedidos aqui do bar e leva para as mesas lá do outro lado. E sem atrasos.

Rick se afasta. Bruno pega a lista de pedidos. Num instante, olha para o camarote onde Lisa está. Os olhares dos dois se cruzam. Bruno baixa a cabeça e segue fazendo seu serviço.

CENA 20. BALADA GLS. EXT. NOITE.

Matheus sai da boate e segue caminhando pela rua. Atrás dele, Roberta e o rapaz saem abraçados, seguidos de outras pessoas, que os saúdam ao gritos de “Arrasaram!” “Diva!” “Me empresta o bofe pra dançar na minha cama!”. Matheus caminha um pouco mais à frente.

ROBERTA: - Matheus, espera...

MATHEUS: - Esperar pra quê? Pra tentar pegar um pouco do brilho do casal hétero que roubou a cena na balada gay? Não, obrigado!

RAPAZ: - Ei, não precisa ficar assim... É só aprender uns passos de dança que fica tudo certo.

MATHEUS: - Eu queria aprender era a me dar bem nas festas. Só isso.

ROBERTA: - Não dá bola, bofe. Matheus ta em crise com ele mesmo. Mas logo passa. Aliás, qual o seu nome? Dançamos, até trocamos uns beijos, mas eu não sei como você se chama.

RAPAZ: - Astrogildo. Mas o pessoal me chama de Gildinho.

Matheus para se vira para eles, coloca a mão na boca para segurar a gargalhada. Roberta fica calada, sem reação. Astrogildo nem percebe.

ROBERTA (constrangida): - Ahn... Então, Gildinho... Infelizmente eu vou ter que ir agora! Lembrei que eu deveria estar cedo em casa!

ASTROGILDO: - Mas nem seu telefone você me deu.

ROBERTA: - Eu nem telefone tenho! Vê só que coisa! Em pleno século XXI uma pessoa sem telefone! (pega Matheus pelo braço e sai apressada) Mas a gente se esbarra por aí, nas baladas gays da vida!

MATHEUS: - Tchauzinho Astrogildo! (gargalha)

Astrogildo acena para eles na outra calçada, enquanto os dois correm pela rua, aos risos.

MATHEUS: - Ué, porque você não deu seu telefone para o bofe?

ROBERTA: - Tá louco? Acordar com uma ligação de um cara chamado Astrogildo cujo apelido é Gildinho? Como diria minha tia Neuzinha, é o fim da várzea! (risos) Bora pra casa!

MATHEUS: - Pra minha ou pra tua?

ROBERTA: - Pra tua. Sei que lá tem coisa pra comer! Tô morta de fome!

MATHEUS: - Sim, quer dar showzinho nas baladas, depois fica aí, sem energia...

ROBERTA: - Não tá bravo comigo né?

MATHEUS: - Não. Eu te perdoo por ter roubado o bofe de mim. Mas confesso que também me diverti no show de vocês (risos) Não tem como ficar bravo com você.

Os dois seguem caminhando, abraçados um ao outro.

CENA 21. JOCKER. INT. NOITE.

O movimento está mais baixo, final de festa na casa. Carla, Lisa e Diogo vão descendo do camarote, indo em direção à Rick, que está no balcão, perto do caixa. Bruno, ao longe, organiza as cadeiras e mesas dos mezaninos. Avista Lisa. Ela se vira e encontra os olhos dele. Bruno volta a fazer o serviço.

DIOGO: - Já estamos indo Rick. Tem certeza que não quer que eu fique para te ajudar na avaliação dos garçons?

RICK: - Não precisa se preocupar não, Diogo. Pode deixar que eu dou conta disso.

LISA: - E você já sabe quem vai escolher?

CARLA: - Por que a pergunta Carla? Tá na expectativa que o seu namorado seja escolhido?

DIOGO: - Namorado?

CARLA: - É, a Lisa está/

LISA (interrompe): - Bobagem da Carla. Perguntei por perguntar, só isso.

Carla contém o riso.

RICK: - Já tenho os escolhidos sim. Depois que a limpeza da casa for feita, eu me reúno com eles e aí comunico quem passou.

DIOGO: - Confio em você. Sei que vai escolher os melhores.

CARLA: - Agora a melhor escolha é a gente ir pra casa, né? Meus pés já estão doendo.

DIOGO: - Vamos sim. Lisa, quer carona?

LISA: - Eu aceito, Diogo. Obrigada. (saindo) Tchau Rick.

Rick acena. Lisa sai.

DIOGO: - O que aconteceu com ela?

CARLA: - Deve ta cansada também. Vocês ficam de conversa fiada aqui. Vamos amor... (puxa Diogo pela mão) Tchau Rick!

RICK: - Tchau pessoal!

Diogo cumprimenta Rick e sai. Bruno vê Lisa ir embora e se entristece.

BRUNO: - Por um lado é até bom, a gente nunca daria certo mesmo.

Bruno continua organizando o salão. Rick, mexe no caixa, olha as comandas, ao mesmo tempo que vigia para que ninguém esteja o observando. Rapidamente, ele rasga algumas comandas, pega dinheiro no caixa e guarda em seu bolso.

RICK: - Pronto... Ninguém vai dar falta.

CENA 22. RIO DE JANEIRO. EXT.

MUSIC ON: (Shiver Down My Spine - Claudia Leitte)

Transição de tempo. Takes gerais do amanhecer na cidade do Rio de Janeiro. Mostra em detalhes um voo de asa-delta pelo céu azul da cidade. Corta para os prédios, o Pão de Açúcar.

CENA 23. CASA ELIANE. INT. DIA.

Café da manhã. Eliane, João e Tito sentados à mesa. Tomam café em silêncio.

MUSIC OFF.

JOÃO (a Eliane): - A margarina.

Eliane passa o pote de margarina para João. Tito mantém-se quieto, olhos baixos, tomando café.

ELIANE: - Não está empolgado não, filho? Hoje você já vai começar a trabalhar.

TITO: - É apenas uma entrevista.

ELIANE: - Tem que pensar que vai dar certo.

JOÃO: - Se ficar com essa cara de cachorro pidão não vai conseguir nada além de um pé na bunda.

ELIANE: - Ótimo apoio, João.

JOÃO: - É verdade. Não sei porque esse garoto nunca quis trabalhar comigo.

ELIANE: - Acha que a vida do meu filho vai ser ficar cortando grama de vizinho por trocadinhos? Me poupe, João.

JOÃO: - São os trocadinhos que eu trago pra casa pra você gastar com cigarro e cachaça.

TITO: - Por favor. Tentem manter a paz pelo menos enquanto eu estiver tomando meu café.

Silêncio novamente. Ouvem barulho na porta da sala. Em pouco tempo, Bia chega de surpresa na cozinha.

ELIANE: - Bia!

BIA: - Bom dia!

TITO: - Bia? O que você ta fazendo aqui?

ELIANE: - Isso é jeito de falar com a menina?

TITO: - Desculpa. Eu fiquei surpreso.

BIA: - Eu é que peço desculpas por vir aqui sem avisar. Passei mesmo só para desejar boa sorte lá na entrevista. Eu sei que foi marcada pra hoje.

TITO: - Valeu.

BIA: - Eu estou indo pro trabalho agora, achei que a gente poderia ir junto, pra conversar melhor.

TITO: - Claro. Eu vou pegar minha mochila e já volto.

Tito sai da mesa e se afasta.

ELIANE: - Senta Bia, toma um café com a gente.

BIA: - Obrigada, Eliane, mas não precisa não. Tomei café em casa. E você, João, como está?

JOÃO (rude): - Bem, às minhas custas.

Bia fica sem jeito.

ELIANE: - Já vi que a grosseria baixou cedo por aqui, hein!... Não dá bola, Bia.

Tito retorna, já com sua mochila.

TITO: - Vamos?

BIA: - Claro. Até logo!

ELIANE: - Tchauzinho! Boa sorte, filho!

Tito e Bia saem.

ELIANE: - Mais grosso impossível, João.

JOÃO: - Garota fica se achando o tempo inteiro.

ELIANE: - A menina nem fez nada.

JOÃO: - Não vou com a cara dela. Se o Tito ta pegando só por pegar, tudo bem. Agora não inventa de casar com essa daí, porque é incômodo na certa.

ELIANE: - Que nojo de você, viu.

Ela se retira da mesa.

CENA 24. CASA JOÃO. EXT. DIA.

Tito e Bia caminham em direção ao portão da casa. Enquanto conversam, saem pela calçada.

BIA: - Eu acho que você não gostou muito da minha visita.

TITO: - Imagina. Eu sempre gosto de te ver.

BIA: - Acontece que eu preciso desabafar sobre uma coisa que está me deixando inquieta há algum tempo.

Tito encara Bia com certo ar de esperança.

TITO: - Fala!

BIA: - Eu sempre fui muito tímida com relação a isso, mas... Agora eu acho que está chegando num ponto onde eu não consigo mais controlar. O meu coração está mandando mais do que a minha razão.

TITO: - Você quer dizer que/

BIA: - Eu estou apaixonada.

Tito para, no meio da calçada, segura a mão de Bia. Os dois trocam olhares.

TITO: - Apaixonada?

BIA: - Sim. Apaixonada. Mas eu não sei o que eu faço, não sei se é certo, estou confusa. Demorei tanto tempo pra perceber talvez e agora...

TITO: - Eu acho que você deve se permitir.

BIA: - Mas eu não sei se é recíproco. O Gabriel é muito legal, a gente se dá bem, só que eu não sei se ele também está apaixonado por mim ou não.

TITO (surpreso): - Gabriel?!

BIA: - Sim, o Gabriel.

TITO: - Você disse que está apaixonada pelo Gabriel?!

BIA: - Sim, Tito! De quem você achava que eu estava falando?

TITO: - Sei lá... (solta a mão dela) Acho que você deve se decidir logo, só isso.

BIA: - Tem certeza?

TITO: - A única certeza que eu tenho é que... Dói não ter o amor correspondido.

Tito segue caminhando pela calçada. Bia fica pensativa, vai atrás dele. Caminham lado a lado.

BIA: - Eu vou falar com ele. Melhor esclarecer as coisas.

Os dois seguem caminhando lado a lado, agora em silêncio. Tito tenta disfarçar seu desapontamento.

CENA 25. CASA SOLANO. SALA. INT. DIA.

A campainha toca. Solano se aproxima, abre a porta. É Lauro (surpreso ao ver Solano). Os dois se encaram, em silêncio, por um instante.

LAURO: - A Isaura está?

SOLANO: - Felizmente não está. É melhor você sair daqui agora.

LAURO: - Mas eu preciso falar com ela.

SOLANO: - É surdo, meu rapaz? Acabei de dizer que ela não está. Por favor, saia da minha casa e evite retornar aqui.

LAURO: - O senhor não pode me impedir de vir aqui, Seu Solano. Infelizmente o senhor não tem como me excluir da sua vida.

SOLANO: - A não ser que eu te mate.

Os dois se encaram. Bruno se aproxima.

BRUNO: - Ei! Acho que a discussão já pode encerrar por aqui.

LAURO: - É melhor mesmo. Seu avô já está partindo para medidas drásticas.

SOLANO: - Nada além do que você merece.

BRUNO: - Já chega!... (puxa Solano) Vem vô, vai lá pra dentro.

SOLANO (saindo): - Diz pra esse homem ir embora, Bruno. Não quero saber dele aqui em casa.

Solano sai. Bruno se aproxima da porta.

LAURO: - Eu só queria falar com a sua mãe.

BRUNO: - É, eu ouvi. E você também ouviu do meu avô que ela não está.

LAURO: - Não posso nem entrar e esperar?

BRUNO: - É melhor não.

LAURO: - Vai dizer que você também está contra mim? Poxa, Bruno, sou seu pai!

BRUNO: - Engraçado, que quando a minha mãe estava grávida de mim, você não deu a mínima importância pra isso. Você também foi contra mim.

Lauro se cala. Fica a observar Bruno.

LAURO: - A história não é bem essa.

BRUNO: - Acho que agora já não me importa qual é a história... Volta outra hora se quiser falar com a minha mãe.

Bruno fecha a porta. Do lado de fora, Lauro se afasta, pensativo. Do lado de dentro, Bruno o observa pela janela, suspira, um tanto balançado.

CENA 26. APTO FERNANDA E PAULA. QUARTO. INT. DIA.

Fernanda acorda lentamente, vai espreguiçando-se até perceber que está sozinha na cama. Estranha levanta-se, esfrega os olhos e se joga o lençol pro lado.

CORTA.

CENA 27. APTO FERNANDA E PAULA. SALA. INT. DIA.

Paula está mexendo no computador, com vários papéis em volta. Fernanda surge por ali, vai se aproximando de Paula por trás, a beija no pescoço.

PAULA (surpresa): - Oi Nanda!... Nem vi você levantar.

FERNANDA (senta-se ao lado dela): - Sim, está aí vidrada nesse computador, esses papéis (pega um) Banco?

PAULA: - Estou revisando minhas economias.

FERNANDA: - Por que isso? Não sabia que estávamos em contenção de despesas. (risos)

PAULA: - Mas nós vamos precisar apertar um pouco o cinto. Só um pouquinho (risos)

FERNANDA: - Mas por quê?!

PAULA: - Eu estou revisando minhas economias. Juntando o que eu tenho guardado na poupança e mais um pouco que a gente tem para poupar, vai dar pra gente realizar o nosso sonho.

As duas ficam a se olhar. Fernanda um tanto incrédula.

PAULA: - Eu levantei um pouco mais cedo, pesquisei algumas clínicas que trabalham com fertilização in vitro.

Fernanda com olhos marejados, segura firme as mãos de Paula.

PAULA: - Nós vamos ter o nosso filho, Nanda. Nós vamos ser mães!

MUSIC ON: (Amanhã ou Depois - Banda Nenhum de Nós)

Fernanda e Paula se abraçam, emocionadas. Em seguida, Fernanda se afasta, caminha até a janela.

PAULA: - O que foi?

FERNANDA: - Eu nem acredito! Eu estou muito feliz, Paula! (com as mãos sobre a barriga) Vamos ter um bebê aqui dentro... Tem certeza disso?

PAULA (aproxima-se de Fernanda): - Claro que tenho! Vai ser isso que nós vamos fazer!

FERNANDA: - Eu já estou ansiosa!... Eu vou ser mãe!... A minha mãe precisa saber disso... E não só ela! Eu quero gritar pro mundo inteiro isso!

PAULA: - Gritar é? (risos)

FERNANDA: - Bem alto!... E vai ser isso que nós vamos fazer. Vamos anunciar essa novidade hoje, no aniversário do meu pai.

MUSIC OFF.

PAULA: - Nanda, tem certeza?!

FERNANDA (decidida): - É o que eu mais quero agora.

As duas ficam a se olhar.

CENA 28. CASA DIOGO. QUARTO. INT. DIA.

Diogo está se vestindo no quarto, quando alguém bate à porta.

DIOGO: - Entra.

Tereza entra no quarto.

DIOGO: - Oi mãe! Bom dia!

TEREZA: - Bom dia meu filho. Vai sair?

DIOGO: - Vou lá na Jocker, marquei uma reunião rápida com o Rick.

TEREZA: - Mas antes disso, tem um tempinho pra sua mãe aqui?

DIOGO: - Claro. Aconteceu alguma coisa?

TEREZA: - Senta aqui, filho.

Tereza e Diogo sentam na cama dele. Ela segurando a mão dele, terna, carinhosa como de costume.

TEREZA: - Você sabe que eu te amo, não é?

DIOGO: - Claro que eu sei, mãe... Mas acho que você não precisa fazer rodeios não. Pode falar.

TEREZA: - Ontem eu percebi uma coisa, quando a Carla estava aqui em casa. Uma coisa que me deixou pensativa a noite inteira.

DIOGO: - O que?

TEREZA: - Diogo, eu só quero que você me responda essa pergunta com sinceridade, está bem? De verdade mesmo. (respira) Meu filho, você está feliz com a Carla? Você ama a Carla, Diogo? Ama mesmo, de verdade, a ponto de querer casar com ela?

Diogo se mostra surpreso com a pergunta. Ele e Tereza ficam a se olhar, frente a frente.

 
     
     
REALIZAÇÃO


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