
FADE IN
CENA 01 - EXT. RESIDÊNCIA DE JENNY. NOITE
DAVID E JENNY chegam até o portão de uma modéstia casa.
JENNY: É aqui que eu moro.
DAVID olha a fachada da casa.
JENNY: Não te convido pra entrar porque tá muito
bagunçada.
DAVID: Você mora só?
JENNY: Sim.
DAVID se cala.
Olha fundo nos olhos de JENNY que retribui.
JENNY: Bem... Obrigada pela companhia.
DAVID: Quê isso... Eu posso te ver amanhã?
JENNY: Claro... Eu... adoraria.
DAVID volta a olhar fundo nos olhos dela.
JENNY: Bem... Então... Até.
DAVID vê JENNY abrir o portão e entrar. Suspira fundo.
CENA 02 EXT. ESTRADA. NOITE
O táxi passa por ela.
Em seu interior, PAUL no carona se mostra apreensivo.
PAUL: Quando fui pra Norton bates dormi
praticamente a viagem toda. Quanto tempo falta para
sairmos da estrada principal que dá pra cidade?
CHOFER DO TAXI: Por que está tão apreensivo,
amigo?
PAUL: Tenho meus motivos.
CHOFER DO TAXI: Nunca pensei que um dia fosse
receber a proposta de alguém tão aflito querendo sair de
Norton Bates. Uma cidade como aquela. Tão boa de se
viver.
PAUL: Se não for pedir demais, gostaria que me
poupasse de palavras elogiosas sobre aquele lugar...
CHOFER DO TÁXI: Tudo bem... Você quem manda...
PAUL passa a ficar atento à estrada.
O Táxi faz um barulho e o CHOFER percebe algo de errado.
PAUL: O que foi isso?
CHOFER DO TÁXI: Tenho que verificar. Deve ser o
motor.
PAUL faz um ar de desespero.
O CHOFER encosta o táxi.
CHOFER DO TAXI: Eu volto já...
PAUL vê através do para-brisa o CHOFER verificar o motor
do carro. Recosta no banco enquanto se mantém
preocupado. Passa a ouvir um som semelhante a chocalhos
vindo do banco de trás. Olha para trás e se apavora.
Um bando de serpentes estão ocupando todo o banco
traseiro.
PAUL se desespera e tenta se soltar do cinto de
segurança e não consegue. Olha para a frente e não vê
mais pelo para-brisa o CHOFER DO TÁXI examinando o
motor. Olha para o retrovisor e vê outra cobra que se
desenrosca e pula em seu colo. PAUL tenta mais uma vez
se soltar e ao olhar para trás, vê as serpentes subindo
pelas costas do banco em que ele está e grita
desesperado.
FADE OUT
FADE IN
CENA 03 - INT. QUARTO DE HOSPITAL. DIA
PAUL desperta assustado. Vê diante dele um MÉDICO usando
um estetoscópio. ELE tranquiliza PAUL.
MÉDICO: Calma, senhor Stanley.
PAUL está atordoado, tenta se localizar no tempo e
espaço.
PAUL: O que houve?
MÉDICO: Não se lembra? Teve sorte de não ter sido
abandonado na estrada. O motorista do táxi em que estava
foi bem compreensivo e lhe socorreu a tempo quando lhe
trouxe de volta pra cidade.
PAUL: Eu... Me lembro que estava no táxi. Saindo
da cidade. Não havia mais ônibus saindo daqui.
MÉDICO: Por que queria tanto ir embora daqui,
senhor Stanley?
PAUL: Não gosto deste lugar.
MÉDICO: O motorista disse que você insistiu que
ele o levasse da cidade e que no meio do caminho
enquanto tentava ajeitar o motor do veículo o senhor foi
acometido do que nós médicos conhecemos como um surto
psicótico.
PAUL: Não foi bem esta a história, doutor.
MÉDICO: Então o que foi? Geralmente pessoas
quando desembarcam aqui, são recomendadas pelos médicos
que a tratam. Mas o seu caso parece ser uma exceção. Que
tipo de tratamento seu médico lhe prescreveu?
PAUL tenta se lembrar. Se concentra mas não consegue.
MÉDICO: O que houve, senhor Stanley?
PAUL: Não... Não consigo...
PAUL começa a se assustar.
PAUL: Não vem ao caso, doutor...
O MÉDICO apenas o observa por um tempo.
MÉDICO: Clinicamente não vejo motivos para
mantê-lo aqui. Mais meia hora e vou lhe dar alta. Mas se
me permite lhe aconselhar, deveria relaxar e aproveitar
mais as coisas boas que uma cidade como esta pode lhe
proporcionar em termos de saúde mental.
O MÉDICO se levanta e abre a porta. Se vira para PAUL.
MÉDICO: Ah, sim... Tem um amigo seu querendo
vê-lo.
PAUL: Amigo?
O MÉDICO chama a pessoa. Trata-se de FULLER que entra e
encara PAUL de forma desafiadora. Se aproxima.
FULLER: Tentou fugir ontem da cidade, não é?
PAUL: Tentei... Primeiro não consegui o ônibus...
FULLER (Interrompendo): Já soube do resto. E
adivinhe porque está aqui?
PAUL apenas o encara intrigado.
FULLER (Continuando): Eu te respondo: Porque
insistiu em ir embora. Mesmo tendo fracassado da
primeira vez. Eu não tinha razão, Paul?
PAUL se perde em pensamentos por instantes.
FULLER: Ainda vai continuar dizendo que sou louco
e que não há nada de errado com este lugar?
PAUL passa a encarar FULLER decidido.
PAUL: Não...
FULLER senta-se na cama, em frente a ELE.
FULLER: Temos que nos unir, Paul. E impedir que
isso continue.
PAUL: Até quando? Até quando permaneceremos
lúcidos? Agora mesmo o médico me perguntou sobre meu
tratamento na cidade de onde vim. Quer saber? Eu não me
lembro.
FULLER expressa sarcasmo.
FULLER: Assim como não se lembra de onde veio
também, não é?
PAUL pensa por instantes. Se desespera.
PAUL: O que está acontecendo com minha mente?
FULLER: Calma... Isso também acontece comigo. Sei
que não pertenço a esta cidade. Lembro do meu trauma,
mas não de onde eu vim.
PAUL: Como podemos enfrentar e combater estes
eventos? Como?
FULLER: Eu não sei... Mas ainda restam duas
pessoas para tentarmos convencer a lutar contra as
forças que assombram este lugar.
PAUL: Está falando de Burton?
FULLER: Não só dele. Tem um homem que mora na rua
onde Scott e Margareth moraram. Ele precisa te conhecer.
Talvez você consiga convencê-lo.
PAUL pensa por alguns instantes.
FULLER: Vamos visitá-lo hoje à noite...
PAUL encara FULLER por um tempo.
PAUL: Desculpe por não ter dado ouvido à você
desde o início...
FULLER: Tudo bem... Pelo menos você despertou a
tempo.
PAUL lhe estende a mão. FULLER estende a sua e os dois
apertam as mãos.
CENA 04 - INT. LANCHONETE. DIA
DAVID entra no local e não vê JENNY. Se aproxima da
GARÇONETE que o atendeu da outra vez.
DAVID: Oi.
GARÇONETE: Oi.
DAVID: A Jenny ainda não chegou?
DAVID olha para o fundos e vê JENNY surgindo que sorri
ao vê-la.
DAVID: Ah! Ela tá ali... Obrigado.
DAVID caminha até JENNY.
DAVID: Pensei que não tinha vindo trabalhar hoje.
JENNY: Eu faltar? Quem me dera. As minhas
despesas não permitem.
DAVID: Queria te fazer um convite.
JENNY: Convite? Pra mim?
DAVID: É... Na verdade... Queria te convidar pra
jantar comigo hoje.
JENNY fica pensativa.
JENNY: Jantar?
DAVID: É... Eu acho que seria uma forma da gente
passar uma noite agradável.
JENNY pensa mais um pouco.
JENNY: Tá bom... Eu dou um jeito de largar mais
cedo.
DAVID se anima.
DAVID: Que tal às oito? Eu passo aqui pra te
pegar.
JENNY: Tá... Combinado... Às oito.
DAVID: Ótimo...
JENNY: Vou ter que ir lá pros fundos de novo.
DAVID: Tudo bem.
JENNY caminha para os fundos e mais uma vez se vira para
DAVID e lhe sorri.
DAVID permanece fascinado vendo JENNY se dirigir para os
fundos.
CENA 05 - EXT. RESIDÊNCIA DE BENJAMIN. NOITE
PAUL e FULLER surgem no local. Veem a luz da sala acesa.
FULLER: Aposto como está afogando sua mágoa em
mais uma garrafa de conhaque.
PAUL e FULLER se aproximam da porta. FULLER bate na
porta e chama por BENJAMIN. ELES aguardam. Ninguém
responde.
PAUL: Deve ter caído no sono.
FULLER: Talvez...
FULLER insiste em bater. Sem resposta.
PAUL coloca a mão na maçaneta e percebe que a porta está
destrancada. Olha surpreso para FULLER e resolve abrir.
Se deparam com o corpo de BENJAMIN no interior da casa
caído próximo à cozinha. ELES entram correndo.
CENA 06 - INT. RESIDÊNCIA DE BENJAMIN/CORREDOR. NOITE
PAUL e FULLER entram e se aproximam do cadáver de
BENJAMIN.
FULLER: Olhe só pra isso.
BENJAMIN está de olhos arregalados e o corpo na posição
de alguém que está se protegendo de algo.
PAUL: O que será que o matou?
FULLER: A culpa. Lembra do que te contei sobre
ele no hospital? Pra isso ele estava aqui. Pra se livrar
da culpa de ter assassinado a filha na noite em que
chegou bêbado em casa. Eu o avisei.
PAUL se afasta. Caminha para o lado e para o outro
aturdido.
PAUL: Como vamos fazer isso parar?!
FULLER se aproxima de PAUL.
FULLER: Não temos mais nada pra fazer aqui, Paul.
PAUL: Temos que convencer David a acreditar em
nós.
FULLER: Não sei onde ele mora.
PAUL: Vamos no lugar mais provável de
encontrá-lo.
FULLER: Na lanchonete? Pela hora está quase
fechando.
PAUL: Temos que tentar.
FULLER: Tá. Vamos lá.
PAUL e FULLER se retiram.
CENA 07 - EXT. RESIDÊNCIA DE JENNY. NOITE
DAVID chega com JENNY até o portão da casa.
DAVID: Posso te levar até a porta dessa vez?
JENNY: Claro...
JENNY abre o portão e entra com DAVID. ELES caminham até
a porta da casa. Param e ficam se olhando.
JENNY: Adorei o jantar!
DAVID: Eu... Adorei a noite...
DAVID mais uma vez engasga a fala. JENNY o observa e
sorri.
DAVID: O que foi?
JENNY: Nada... Mas estou de novo com aquela
impressão de que você quer me falar alguma coisa.
DAVID se desconcerta. Sorri cabisbaixo. Volta a encarar
JENNY.
DAVID: Sabe, Jenny? Antes de vir pra esta cidade.
A minha vida tinha virado um pesadelo. Perdi minha
mulher de uma forma tão violenta. Senti como se meus
sentimentos tivessem secado dentro de mim.
JENNY mantém sua atenção em DAVID.
DAVID: Aí, eu vim pra Norton Bates. Te conheci.
E...
JENNY (Curiosa): E...?
DAVID: E... Jenny eu... Nunca pensei que fosse
repetir isso de novo pra alguém. Mas... eu tô...
JENNY acaricia o rosto de DAVID. Não o deixa completar a
frase. Busca seus lábios e um beijo apaixonado acontece.
ELES se olham ternamente após o beijo. JENNY abre a
porta e puxa DAVID para dentro.
CENA 08 - INT. RESIDÊNCIA DE JENNY/SALA. NOITE
JENNY entra puxando DAVID. Fecha a porta e pula no
pescoço dele. Voltam a se beijar apaixonadamente.
O clima é interrompido quando ouvem alguém aplaudindo.
ELES olham para o interior do ambiente surpresos. Três
RAPAZES mal encarados estão no local. Terminam de
aplaudir e sacam a arma que estava na cintura e apontam
pra eles mostrando que são ASSALTANTES.
ASSALTANTE 1: Que cena mais romântica!
OS outros dois riem com deboche.
DAVID olha assustado para JENNY. ELA muda de expressão.
Passa a fazer um ar malicioso. Se afasta dele e se
aproxima dos assaltantes com intimidade.
JENNY: Oi, rapazes! (Volta a olhar com sarcasmo
para DAVID) Espero não ter demorado muito pra chegar.
DAVID olha para JENNY surpreso. Faz uma expressão
confusa.
DAVID: O que significa isso, Jenny?
JENNY dá uma risada debochada junto com os outros dois
ASSALTANTES. O ASSALTANTE 1 se aproxima com a arma
apontada para DAVID.
ASSALTANTE 1: Não consegue imaginar, David?
DAVID volta a olhar assustado para JENNY. ELA continua
rindo dele enquanto abraça os dois assaltantes.
DAVID (Confuso): Quem são vocês?
ASSALTANTE 1: Nós? Somos o seu pesadelo!
O ASSALTANTE 1 num gesto rápido agride DAVID com a arma.
FADE OUT
Som do corpo de DAVID caindo no chão.
FADE IN
CENA 09 - INT. LANCHONETE. NOITE
O local já está fechando. As duas GARÇONETES arrumam as
mesas.
PAUL e FULLER entram. Se aproximam da GARÇONETE que
atendia DAVID.
GARÇONETE: Já estamos fechando.
PAUL: Nós sabemos...
FULLER: Estamos procurando David Burton. O rapaz
que sempre pede Bacon com ovos no café da manhã.
GARÇONETE: Tá brincando?! Muitos aqui pedem isso
no café da manhã...
PAUL olha para a mesa que sempre DAVID escolhia.
PAUL: É um jovem de cabelos ondulados que
geralmente senta ali.
A GARÇONETE pensa por instantes. Começa a se lembrar.
GARÇONETE: Espera... Acho que sei quem é. Não
seria um cara meio pirado que vive falando sozinho
enquanto cisma que trabalha aqui uma tal de Jenny?
PAUL e FULLER se olham surpresos.
FULLER: Com certeza é ele...
PAUL (Para a GARÇONETE): Ele esteve aqui hoje?
GARÇONETE (Debochada): Duas vezes. E pior: A
segunda vez voltou pra buscar a namoradinha imaginária
pra jantar. Coitado! Tinha mesmo que ser alguém de fora!
Pobre desta cidade!
PAUL e FULLER voltam a se olhar assustados.
CENA 10 - INT. RESIDÊNCIA DE JENNY/QUARTO. NOITE
DAVID abre os olhos. Está amarrado numa cadeira e
amordaçado. Em outra cadeira, sentado frente a ELE, está
o ASSALTANTE 1 acariciando seu rosto com a arma. Sua
expressão é desesperada.
ASSALTANTE 1: Oi, David! Deve estar assustado,
não é? Nunca imaginou que viveria novamente aquele
pesadelo, não é mesmo?
DAVID passa a respirar ofegante.
O ASSALTANTE 1 se afasta de DAVID liberando sua visão
para o fundo do quarto. ELE vê que JENNY está seminua,
junto com os outros dois ASSALTANTES. JENNY encara DAVID
mais uma vez com uma expressão sacana enquanto morde os
lábios de tesão.
ASSALTANTE 1 (Irônico): Está pronta Jenny?
JENNY encara DAVID com malícia.
JENNY: Sim...
ASSALTANTE 1 (Voltando a apontar a arma para a cabeça
de DAVID): Vamos lá rapazes. Lembrem ao David como
tudo aconteceu! Vamos lá!
DAVID passa a expressar horror. Vê OS ASSALTANTES
despirem JENNY e se despirem.
O ASSALTANTE 1 começa a rir com deboche.
JENNY é possuída pelos dois ASSALTANTES ao mesmo tempo.
Fecha seus olhos. Geme de prazer. Delira sobre os dois.
DAVID desesperado começa a chorar. Tenta abaixar a
cabeça, mas o ASSALTANTE 1 levanta sua cabeça pegando
ele pelos cabelos.
ASSALTANTE 1: Olhe David! Olhe bem como foi!
Olhe!
JENNY continua delirando. Seus gritos de prazer indicam
que ela está chegando ao auge.
O ASSALTANTE 1 se afasta de DAVID e se aproxima deles.
Passa a apontar a arma na cabeça de JENNY que continua
em êxtase.
ASSALTANTE 1: Pronta pra morrer Jenny?! Pronta
pra morrer?
JENNY: Sim... Sim... Ah! Ahhhh!
JENNY explode num orgasmo.
O ASSALTANTE 1 com expressão sinistra aperta o gatilho e
estoura os miolos dela. Sangue espirra em seu rosto.
DAVID vê a cena com horror nos olhos. Tem seus gritos
abafados pela mordaça.
O ASSALTANTE 1 se aproxima novamente de DAVID e aponta a
arma em sua cabeça.
ASSALTANTE 1: Aconteceu de novo, não é David?
DAVID está chorando. Desesperado.
ASSALTANTE 1: Mas dessa vez... Você não vai viver
pra se lembrar mais dessa triste história!
O ASSALTANTE 1 faz o disparo.
FADE OUT
autores
Marco Souza e Tina Welch
elenco
Kevin McKidd como Paul Stanley
Joe Pantoliano como John Fuller
Michael Gambon como Scott Berman
Judi Dench como Margareth Berman
Jared Padalecki como David Burton
Mark Boone Junior como Benjamin Gray
Bryce Dallas Howard como Jenny
trilha sonora
Insomnia - Epica
produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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