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Desígnios: Capítulo 26

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 26

   

Cena 1/int./Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

Elisa está concentrada pintando um quadro, António Sérgio bate na porta, abre a porta.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Podemos falar um instante?

ELISA

(sorri) Claro que sim.

António Sérgio, puxa uma cadeira se senta de frente para Elisa segura as mãos dela a olha nos olhos.

ANTÓNIO SÉRGIO

Gostava de sair contigo esta noite… Podíamos jantar fora e depois fazer qualquer coisa. O que achas?

ELISA

Eu vou adorar meu amor... Com os últimos acontecimentos aqui eu fiquei um pouco desanimada. Estou precisando sair um pouco mesmo.

ANTÓNIO SÉRGIO

Tudo vai ficar bem, tenho a certeza disso.

ELISA

(sorri um pouco) Você é sempre muito otimista... Parece que nada te abala.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) É que já perdi a cabeça muitas vezes e posso garantir-te que agir de cabeça quente nunca acaba bem.

ELISA

Novamente você falando coisas sobre sua vida, mas nas entrelinhas, por que você faz isso?... (curiosa) Tem mais alguma coisa para falar?

ANTÓNIO SÉRGIO

(pensativo, disfarça) Elisa… sim, tenho mais uma coisa para te contar. Mas ainda não estou preparado para isso… Não é fácil, mas eu vou contar-te

ELISA

(pensativa) Tudo bem... No seu tempo você fala.

Maya entra.

MAYA

Elisa a mamãe quer falar com você, ela acabou de ver um vestido de noiva e quer que você veja também. A cabeça da mamãe é uma coisa que nunca vou entender, parece que ela deletou tudo o que está acontecendo.

ELISA

(acha graça) Eu vou falar com ela, onde ela está?

MAYA

No quarto.

ELISA

Certo, vou lá e já volto.

Elisa se levanta, beija António Sérgio, o olha nos olhos.

ELISA

Eu te amo.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Amo-te muito.

Elisa sai. Maya cruza os braços, encara António Sérgio.

MAYA

(firme) Até quando você vai bancar o homem dos sonhos?

ANTÓNIO SÉRGIO

Nunca fiz isso.

MAYA

(irritada) Faz sim! Aliás é o que você mais faz (ênfase) António Sérgio. Mas você não passa de um hipócrita!

António Sérgio se levanta.

ANTÓNIO SÉRGIO

(calmo) Maya, eu não quero discutir contigo, mas, por favor, peço-te que não me julgues nem me ofendas.

MAYA

(sorri sem achar graça) Não é ofensa quando se trata da verdade, você está enganando a minha irmã! Está enganando a minha família inteira!

ANTÓNIO SÉRGIO

(firme) Não estou a enganar ninguém.

MAYA

(tom alto, nervosa) Então conta para a Elisa sobre a Manuela!

Elisa entra, António Sérgio e Maya se olham preocupados.

ELISA

Quem é essa Manuela e por que eu preciso saber sobre ela?

António Sérgio está pensativo, Maya o encara altiva.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Escritório/Dia.

Roberto está sentado em sua mesa olhando alguns documentos, está chateado. Benício entra.

BENÍCIO

Papai eu quero falar com você, está ocupado?

ROBERTO

Não... Só tentando achar uma solução para nossos problemas... Pode falar.

BENÍCIO

(sorri, animado) Eu tenho uma novidade para você.

ROBERTO

(sorri) É mesmo? O que é?

BENÍCIO

Um amigo meu, que trabalha numa equipe da Stock Car, conseguiu me indicar para uma vaga como assistente da equipe... E eu fui aceito.

ROBERTO

(surpreso) É mesmo? O que exatamente você vai fazer?

BENÍCIO

Vou ajudar os mecânicos e toda a equipa nos bastidores. Vou preparar equipamentos, organizar ferramentas, dar suporte na montagem do box, acompanhar os carros nos treinos e nas corridas... É aquele pessoal que faz de tudo para que o piloto entre na pista com o carro pronto. Vou aprender na prática como tudo funciona. (sorri feliz) E o melhor é que, trabalhando lá, vou poder fazer aulas de pilotagem... Meu sonho continua sendo me tornar piloto de Stock Car... Pela primeira vez na vida eu sinto que encontrei uma profissão que realmente combina comigo.

Roberto se levanta, se aproxima de Benício ficando frente a frente com ele. Benício fica apreensivo.

ROBERTO

(emocionado, se contendo) Beny... Eu estou muito orgulhoso de você filho.

BENÍCIO

(surpreso, contendo a emoção) Mesmo?

ROBERTO

(as lagrimas escorrem, sorri) Sim filho... Quando eu disse para você trabalhar na padaria, foi para que você percebesse que a vida não é fácil, por mais que você tivesse uma vida confortável... Eu achei que depois que o prazo terminasse você iria voltar para a vida que gosta e que é de acordo com a sua idade... Mas não... Você foi atrás do que gosta e sem me pedir ajuda para conseguir... Parabéns meu filho, tenho certeza que você vai prosperar muito.

BENÍCIO

(as lagrimas escorrem) Minhas irmãs estão ajudando a nossa família a se reerguer... Não poderia ficar de fora papai.

Roberto abraça Benício, os dois estão emocionados.

ROBERTO

Obrigado Beny... Te amo meu filho.

BENÍCIO

Também te amo papai.

Corta Para:

Cena 3/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Álvaro/Dia.

Álvaro está em pé olhando a paisagem pela janela, pensativo. Celso entra.

CELSO

Oi Álvaro... Estou aqui, sobre o que quer falar?

Álvaro continua olhando a paisagem.

ÁLVARO

Você sabe tio... Não estou gostando que esteja ajudando os Monteiro Diniz.

CELSO

Álvaro você já sabe que eu sou contra a sua atitude, o que você fez é de uma crueldade e covardia sem tamanho, além de ser ilegal.

ÁLVARO

(olha Celso) Estou fazendo isso por amor a Elisa.

CELSO

(sorri debochando) Por amor a Elisa?... Álvaro ou você está completamente louco ou precisa rever seu conceito de amor. Você tirou todos os bens da família dela, você está causando sofrimento a eles e principalmente a Elisa... Isso não é amor.

ÁLVARO

É... Eu já disse que Elisa é minha e se ela não quer ficar comigo por bem será por mal.

CELSO

(inconformado) Você se ouviu? Você prestou atenção no que falou? Elisa não é um objeto! Ela é uma pessoa, um ser humano com sentimentos e vontades, ela não é sua marionete não.

ÁLVARO

Era... Até aquele desgraçado português aparecer.

CELSO

(impaciente) Quer saber Álvaro, eu vou embora.

ÁLVARO

Espera... É verdade que Roberto tem dinheiro para pagar a hipoteca da casa?

CELSO

É... E amanhã esse dinheiro estará em sua conta.

ÁLVARO

(frio) Não se pode ganhar todas não é tio?... Que pena... Eu adoraria despejar os Monteiro Diniz.

Diana entra. 

DIANA

Desculpa, espero não estar atrapalhando.

ÁLVARO

(sério) O que você está fazendo aqui?

DIANA

Eu estava passando por aqui e vim saber se você quer comer alguma coisa comigo.

ÁLVARO

(sério, frio) Quando eu quiser fazer alguma coisa com você... Eu te digo.

Álvaro sai. Diana fica sem jeito. Celso fica com pena dela.

CELSO

Diana... Você é uma mulher bonita, inteligente... Por que ainda está com o Álvaro? Ele não gosta de você e te trata mal.

DIANA

(com vontade de chorar) Não sei... Muitas vezes eu pensei em ir embora, mas Álvaro me faz ficar... Depois ele faz o que você viu aqui... Pisa em mim.

CELSO

Não fica assim... Eu vou com você, claro... Se você quiser.

DIANA

(sorri um pouco, faz que sim com a cabeça) Eu quero. Obrigada.

Diana e Celso se olham sorrindo.

Corta Para:

Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

Elisa olha para António Sérgio e Maya.

ELISA

(cruza os braços) Então? Vão me falar ou não quem é Manuela?

MAYA

(encara António Sérgio) Fala pra ela António Sérgio.

ANTÓNIO SÉRGIO

(pensativo, tentando disfarçar o nervosismo) A Manuela não é ninguém importante para mim, Elisa…

ELISA

(séria) Se ela não é importante por que Maya pediu para você me contar sobre ela?

ANTÓNIO SÉRGIO

É uma história do passado, Elisa… Por favor, deixa isso para trás.

ELISA

Não... Agora eu quero saber quem é essa Manuela.

MAYA

(impaciente) Eu vou falar, Elisa a Manuela é/

ANTÓNIO SÉRGIO

A viúva do meu pai… A Manuela é a minha madrasta.

Maya olha sem acreditar em que António Sérgio falou, ri sem humor, inconformada.

ELISA

(tentando entender) E por que eu deveria saber sobre ela?

ANTÓNIO SÉRGIO

Porque eu contei à Maya que não tinha mais família, que só tinha a Manuela… Mas ela não conta, porque nós não nos damos bem. Eu não gosto da Manuela. Ela não foi uma boa esposa para o meu pai… Tivemos muitos problemas no passado. Não gosto nem de falar no nome dela.

Maya com raiva balança a cabeça negativamente para António Sérgio sem Elisa ver.

ELISA

Entendi... Se você não gosta de falar sobre essa mulher então não vamos falar.

Maya sai irritada.

ELISA

O que deu nela?

ANTÓNIO SÉRGIO

A Maya achou que era errado da minha parte não falar sobre a minha família.

ELISA

(sorri) Não tem problema, como eu disse... Fale o que quiser no seu tempo meu amor.

Elisa abraça António Sérgio, ele se sente mal, culpado por mentir para Elisa, fecha os olhos.

Corta Para:

 

Cena 4/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.

No jardim há uma mesa posta para o chá, Clara está sentada, Maya se aproxima está nervosa, esbravejando.

CLARA

O que aconteceu filha?

MAYA

(alterada) Aquele!... (se contem, se senta. Irritada) Nada mamãe...

CLARA

Maya... Como não aconteceu nada? Você chega aqui parecendo um furacão e quer que eu acredite nisso?

MAYA

(nervosa, pensativa) Quer saber... Eu não aguento mais guardar isso só pra mim. (receosa, nervosa, tom de segredo) Mamãe (pausa) eu descobri que António Sérgio é casado! Pronto, falei.

CLARA

(estarrecida) Minha filha... De onde você tirou isso?

MAYA

Não é invenção minha não. Eu sei porque a própria Manuela ligou aqui para a casa querendo falar com a Elisa e quando eu perguntei quem ela era, ela disse que era a mulher de António Sérgio. (irritada) Ele está enganando a Elisa.

CLARA

(pensativa, decepcionada) juro que por mais essa eu não esperava... Elisa está tão feliz com ele... Por que você não contou a verdade para a sua irmã?

MAYA

Porque ele disse que é invenção da Manuela, que eu poderia estragar as coisas entre ele e Elisa... Não contei porque acredito que vai ser a palavra dele contra a minha. Eu já quis ficar com ele e a Elisa pode acreditar em qualquer desculpa que ele inventar, como acabou de acreditar na mentira que ele contou.

CLARA

(pensativa) Eu vou conversar com António Sérgio... (altiva) Se ele não esclarecer as coisas eu mesma vou contar essa história para Elisa.

Corta Para:

Cena 5/Int./Restaurante/Dia.

Diana e Celso estão sentados em uma das mesas.

CELSO

Diana se você quiser sair do apartamento do Álvaro eu te ajudo.

DIANA

(triste, receosa) As coisas com Álvaro não são fáceis assim Celso...

CELSO

Você o ama?

DIANA

No início sim... (sorri um pouco se lembrando) A gente se conheceu em um clube, eu estava acompanhada, mas ele não sossegou enquanto não conseguiu dançar comigo... Daí depois disso a gente se encontrou, ele foi muito gentil, me levou flores, uma joia... (abaixa os olhos, triste) Mas as coisas foram mudando quando fui morar com ele... Ele já estava com a Elisa mas eu só fui saber disso depois, tentei ir embora e ele disse que eu só iria quando ele quisesse... Fui ficando e estou lá até agora... Sendo usada quando ele quer.

CELSO

(inconformado) Mas isso é um absurdo Diana, Álvaro não pode ter a direção da sua vida.

DIANA

Mas ele tem... E a de todos que caem nas mãos dele.

CELSO

Eu vou falar com ele e/

DIANA

(medo) Não! Por favor, não conte para ele da nossa conversa e nem que estivemos juntos.

CELSO

(observa) Diana... Ele já bateu em você? Por que você tem medo dele?

DIANA

Não... Mas nem precisa... O jeito como sou tratada dói muito mais... E eu tenho medo porque Álvaro é um homem muito perigoso, eu sempre fingi gostar de tudo que ele fala e faz com isso ele acredita que eu sou igual a ele... (olha Celso nos olhos, está com medo) O que eu vou te contar aqui... Fica aqui, você promete?

CELSO

O que é?

DIANA

(tom baixo. Pausa) Álvaro quando tem um objetivo é capaz de tudo, até de... Matar.

CELSO

(assustado) Diana... Eu sei que meu sobrinho não tem escrúpulos... Mas matar... Não.

DIANA

Você pensa assim porque Álvaro tece a teia muito bem... E é isso que o torna perigoso... Ele é intocável.

CELSO

(pensativo) O que você sabe? O que te faz ter medo dele?

DIANA

Bruno não morreu por causa do acidente de carro... Álvaro o envenenou.

Celso fica perplexo em choque.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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