ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste capítulo possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.

CENA 01. CASA DE ANA BELA. SALA. INTERIOR. DIA.
CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO ANTERIOR. PETER EMPURRA MELISSA,
QUE CHORA.
MELISSA: Você me machucou.
PETER: Eu deveria arrebentar a tua
cara. Como você pode fazer algo tão podre assim,
Melissa? Eu confiava em você.
MELISSA: Mas eu não fiz nada.
PETER: Você fez sim. Você tentou
destruir um relacionamento por causa de sua amiguinha.
Aquela Evelyn não é sua amiga, ela não é amiga de
ninguém. É uma aproveitadora.
MELISSA: Você tem que confiar em mim,
Peter. Pelo amor de Deus.
MELISSA VAI PRA ELE, MAS ELE DESVIA.
PETER: Não chega perto de mim. Eu estou
sentindo raiva de você. Ódio. Eu nunca poderia pensar
que minha... Que minha ex-namorada pudesse ir tão baixo.
MELISSA: Mas a Evelyn é minha amiga.
PETER: Ah, agora você confessa.
MELISSA: Eu a ajudei sim, Peter. Me
perdoa, meu amor. Nós não podemos brigar por conta
disso. Já está tudo bem entre Ademar e Daniela.
PETER: Mas entre a gente vai tudo de
mal a pior. Não tem perdão, Melissa.
PETER
VAI PARA O QUARTO E DEIXA MELISSA CHORANDO NA SALA.
CENA 02. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA.
SUZETE
ESTÁ NA SALA. ADEMAR CHEGA COM DANIELA.
SUZETE: Onde você passou a noite,
filho? Estava aqui preocupada.
DANIELA: Ele dormiu comigo, dona
Suzete.
SUZETE
PERCEBE O ROSTO DE ADEMAR ABATIDO.
SUZETE: Você está abatido.
ADEMAR: Mãe... A gente precisa
conversar.
SUZETE: (PREOCUPADA) Fala, filho.
DANIELA: Agora não. Primeiro ele vai
tomar banho. Depois vocês conversam.
DANIELA VAI LEVANDO ADEMAR.
SUZETE: O que aconteceu, Daniela?
DANIELA FAZ UM SINAL PARA ELA ESPERAR. ANDRÉ E FABIANE
PASSAM POR ADEMAR E ESTRANHAM.
ANDRÉ: O que deu nele, mãe? Tá
parecendo um morto-vivo.
FABIANE: Será que brigou com alguém?
SUZETE: Não sei. Mas ele está muito
estranho.
CENA 03. ASILO. FRENTE. EXTERIOR. DIA.
SONOPLASTIA: THE FEAR – LILY ALLEN.
ABRE
EM DARINHO E DAVIDSON ALI NA FRENTE.
DAVIDSON: Chegamos, mano. É aqui que
vamos começar o nosso trabalho voluntário.
DARINHO: Se eu pudesse desistir... Mas,
não. Tenho que fazer de tudo para o Sivuca nos aceitar
no time.
ELES
ENTRAM.
CENA 04. ASILO. INTERIOR. DIA.
DAVIDSON E DARINHO AJUDAM OS IDOSOS. UMA MULHER SE
APROXIMA DELES.
MULHER: É tão difícil ver jovens, assim
como vocês, tão engajados na caridade. É bonito de se
ver.
DAVIDSON: É, senhora. Nós adoramos
servir ao próximo.
MULHER: Continuem assim. Com licença.
DARINHO E DAVIDSON SORRIEM, ATÉ A MULHER IR. ELES FAZEM
CARA DE TÉDIO.
DARINHO: Poxa, cara. Aquela velha ali
tá toda cagada. Quem vai limpar é você.
DAVIDSON: Eu não. Tenho mó nojo. Sai
fora! Vai tu.
ELES
CONTINUAM A CONVERSAR FORA DO ÁUDIO. SOBE MÚSICA. CORTE
PARA OUTRO PONTO: SIVUCA ATRÁS DE UMA ÁRVORE.
SIVUCA: Então estão melhorando de
verdade. Bom... Espero que continuem fazendo o serviço
voluntário!
CLOSE
NELE.
CENA 05. SPFC. CAMPO. TREINAMENTO. EXTERIOR. DIA
WALLACE TREINA COM OS OUTROS GAROTOS. ENTRE ELES DANIEL
E LUÍS.
LUÍS: Olha lá o novato se achando o
tal.
DANIEL: Eu não fui com a cara dele.
LUÍS: Acho que ele está aqui querendo
ser melhor que os outros. Mas nós não vamos permitir,
vamos?
DANIEL: Claro que não. Quem manda aqui
é a gente. Nós temos dinheiro, e ele é um pé-rapado. O
lugar dele é no campinho do subúrbio.
LUÍS: E é pra lá que ele vai voltar.
WALLACE CHUTA A BOLA E ELA BATE EM DANIEL. DANIEL REAGE
AGRESSIVO.
DANIEL: Não enxerga não cara? Olha pra
onde tu chuta, mano.
WALLACE VEM BUSCAR A BOLA.
WALLACE: Desculpa, cara. Foi sem
querer.
LUÍS: (DESDENHANDO) Foi sem querer...
QUANDO
WALLACE ABAIXA-SE PARA PEGAR A BOLA. DANIEL SE ABAIXA.
OS DOIS CARA A CARA.
DANIEL: Abre o olho, pivete. A área
aqui é nossa. Você é intruso... Um pobre, lascado,
fodido e arrombado que tá querendo um lugar ao sol, mas
se depender de mim e do meu parceiro aqui, tu tá frito.
WALLACE E DANIEL LEVANTAM. O PRIMEIRO ENCARA OS OUTROS
DOIS.
WALLACE: Estou aqui para mostrar meu
potencial e não para disputar território. Valeu aí.
WALLACE SAI. CLOSE EM DANIEL E LUÍS QUE SE OLHAM,
INCOMODADOS COM WALLACE.
CENA 06. SALÃO DE QUITÉRIA. FRENTE. EXTERIOR.
DIA.
QUITÉRIA CONVERSA COM PEDRO.
QUITÉRIA: Estou cheia de dívidas, e até
agora nada do Dart me ajudar!
PEDRO: Ele trouxe a escritura da casa e
do salão?
QUITÉRIA: Ainda não.
PEDRO: Bem que eu falei pra você não
confiar no Dart. Aquele cara é enrolado. Mas hoje mesmo
eu dou uma dura nele lá na fábrica.
QUITÉRIA: Deixa que com aquele traste
eu me resolvo. Estou preocupada é com as dívidas.
PEDRO: Eu vou te ajudar a pagar, amor.
QUITÉRIA: Não. Você já tem os seus
problemas.
PEDRO: Não. Eu faço questão de te
ajudar. Somos um casal. Eu quero te ajudar.
PEDRO
BEIJA QUITÉRIA.
CENA 07. TUDO DE BÃO. INTERIOR. DIA.
ELVIRA
ESTÁ LIMPANDO O SALÃO. RAFAEL VAI SAINDO PARA TRABALHAR.
RAFAEL: Sua benção, mãe.
ELVIRA: Deus te abençoe!
TÂMIRES CHEGA ALI.
TÂMIRES: Já vai trabalhar, Rafinha? Ou
vai...
RAFAEL
FAZ SINAL PARA ELA SE CALAR.
ELVIRA: Ou vai pra onde, Tâmires?
RAFAEL: Essa louca não larga do meu pé,
mãe. Que saco!
RAFAEL
SAI PARA TRABALHAR, FAZENDO SINAL PARA TÂMIRES CALAR A
BOCA.
TÂMIRES: Nada não, dona Elvira. É que
eu gosto do teu filho. Ele que não me dá bola.
CENA 08. APARTAMENTO DE EVELYN. SALA. INTERIOR.
DIA.
EVELYN
NA SALA COM EVERTON. OLHA OS JORNAIS QUE NOTICIAM O
ACONTECIDO ONTEM A NOITE. ELA DÁ GARGALHADA.
EVELYN: Uma hora dessas todos os pobres
fétidos daquele bairro já devem estar sabendo.
EVERTON: Com toda a certeza.
EVELYN: Mais lindo ainda será o outdoor
que eu mandei colocar bem perto da casa dele!
EM
EVELYN.
CENA 09. RUA PRINCIPAL DA LAPA. EXTERIOR. DIA.
TODOS
OS MORADORES VÃO SAINDO DE SUAS CASAS. GEISA E IRLANDA
COMEÇAM A GRITAR.
GEISA: Minha gente! Que babado forte!
IRLANDA: Que pouca vergonha!
TODOS
COM JORNAIS EM MÃOS.
CAROLINA: Será que isso é verdade?
QUITÉRIA: (LENDO) Ademar Dias trabalha
de drag Queen em boate gay de São Paulo. Jesus, o mundo
vai acabar!
COMEÇA
O BURBURINHO. TODOS CHOCADOS, OLHANDO OS JORNAIS. ELVIRA
SAI DE CASA COM DIEGO.
ELVIRA: O que tá rolando no bairro?
FRANCISCA: Olha o que saiu nos jornais
de hoje.
ELVIRA
E DIEGO OLHAM E FICAM EM CHOQUE.
IRLANDA: Será que a mãe super-protetora
já está sabendo que o filho dela na verdade é uma
travesti? (GRITA) Ademar! Cadê você, Ademar?
TODOS
COMEÇAM A GRITAR POR ADEMAR. GABRIELA, EDNEUZA E VALDSON
VÊEM O OUTDOOR TERMINAR DE SER COLADO.
VALDSON: Mas aquele ali é o meu amigo.
É o Ademar travestido.
EDNEUZA: Que pouca vergonha, meu Deus!
GABRIELA: Quem diria, o Ademar agora tá
jogando em outro time.
VALDSON: Vamos tirar essa história a
limpo agora mesmo.
VALDSON VAI EM DIREÇÃO A CASA DE ADEMAR E BATE NA PORTA.
VALDSON: Ademar! Ademar!
CENA 10. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA.
ADEMAR, DANIELA, SUZETE, ANDRÉ E FABIANE ESTÃO SENTADOS.
SUZETE: É a voz do Valdson.
TODOS
COMEÇAM A OUVIR OUTRAS VOZES, GRITOS.
ANDRÉ: E não é só o Valdson.
FABIANE VAI ATÉ A JANELA E VÊ AQUELA MULTIDÃO DE GENTE
ALI.
FABIANE: Parece que o bairro todo
resolveu se concentrar aqui na porta.
ADEMAR
E DANIELA SE ENCARAM.
ADEMAR: Eles já devem estar sabendo de
tudo. Estou perdido.
SUZETE: Sabendo do quê?
SUZETE
VAI SAINDO. TODOS ATRÁS.
CENA 11. FRENTE DA CASA DE SUZETE. EXTERIOR.
DIA.
SUZETE, ANDRÉ, FABIANE, ADEMAR E DANIELA SAEM. TODOS
COMEÇAM A CONVERSAR ALTO.
SUZETE: Que bagunça é essa aqui na
minha porta?
IRLANDA: Quem tem que nos explicar o
que tá acontecendo é o Ademar.
VALDSON: O que é isso que saiu em todos
os jornais sobre você, cara? Que tipo de parada é essa,
mano?
VALDSON ENTREGA O JORNAL PARA ADEMAR. SUZETE TOMA DA MÃO
DELE E OLHA. HORRORIZADA.
DELSINHO: Fora que ainda tem aquele
outdoor ali.
TODOS
DA FAMÍLIA VEEM O OUTDOOR.
FABIANE: Aquele é o meu irmão vestido
de mulher!
ANDRÉ: Ademar? Tu é gay, mano?
ADEMAR
ENCARA SUZETE, QUE O OLHA COM DESPREZO.
CENA 12. SÃO PAULO. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA.
TOMADA
DE SÃO PAULO. PANORÂMICA AÉREA. VISÃO GERAL DOS PRÉDIOS.
CENA 13. FÁBRICA LA VITTA. FRENTE. EXTERIOR.
DIA.
RAFAEL
E PEDRO CHEGAM.
PEDRO: Tá todo mundo comentando lá no
bairro que o Ademar virou mesmo transformista.
RAFAEL: Você viu o jornal?
PEDRO: Ainda não. Vou passar na
recepção e vê se é verdade mesmo.
RAFAEL: Que coisa estranha, não é? Mas
logo o Ademar? E drag Queen? Pelo que eu sei a
habilidade dele é com a bola.
PEDRO: Depois vou procurar saber o que
aconteceu mesmo. O cara é meu mano, vou passar por lá e
conversar com ele.
CENA 14. FÁBRICA LA VITTA. SALA DE JAMAL.
INTERIOR. DIA.
JAMAL
ESTÁ ANALISANDO ALGUNS PAPÉIS. DART ENTRA SEM BATER.
JAMAL: Mas que invasão é essa em minha
sala? Eu já falei que não gosto que entrem abruptamente.
Bata na porta antes de entrar.
D’ARTAGNAN: Se eu fosse o senhor não
falaria assim.
JAMAL: Escuta aqui, rapaz: eu sou o
dono dessa empresa e eu falo como bem entender. Agora
sai de minha sala.
D’ARTAGANAN PUXA UMA CADEIRA E SENTA.
JAMAL: Já mandei sair. (IMPACIENTE)
Você só está trabalhando aqui porque a minha sobrinha
pediu. Mas do seu jeito eu não estou gostando nenhum
pouco. Portanto, retire-se da minha sala. Agora!
D’ARTAGNAN: Calma, calma, patrãozinho.
Estressar pra quê? Não é bom afrontar as pessoas que
podem ter você nas mãos.
JAMAL: O que você quer dizer com isso,
seu imbecil?
D’ARTAGNAN: Eu já estou por dentro de
todo o seu esquema. Achou que ninguém nunca ia
descobrir, hein?
JAMAL: Eu não sei do que você está
falando. Não tenho tempo para brincadeiras. Meu negócio
aqui é trabalhar.
D’ARTAGNAN: Não só trabalhar como
também passar a perna nos outros.
JAMAL: O quê?
D’ARTAGNAN: Isso mesmo que o senhor
acabou de ouvir! Passou a perna nos outros! Eu já sei de
todos os seus segredos, senhor Jamal! Já sei que a
Daniela é dona dessa empresa, assim como a Evelyn, e
além do mais as duas são irmãs. Olha que gozado.
JAMAL
LEVANTA, IRRITADO.
JAMAL: Que loucura é essa que você está
dizendo?
D’ARTAGNAN: Não vejo loucura em nada do
que eu disse. Achei uma carta dias atrás aqui em sua
sala onde seu irmão dizia que Daniela era filha dele e
tinha, aliás, tem direitos iguais. Direitos esses que o
senhor passou na frente e abocanhou. Não vai adiantar
negar porque eu já sondei e sei que é verdade.
JAMAL
VAI PRA CIMA DE DART.
D’ARTAGNAN: Epa! Se encostar um dedinho
se quer eu abro a boca. E coloco o senhor atrás das
grades. Eu quero dinheiro, grana, verdinhas... Pra ficar
calado, é claro! E você vai me dar esse dinheiro!
CENA 15. SHOPPING GALERIA. LOJA DE DANIELA.
INTERIOR. DIA.
TIARA
E RAISSA LEEM O JORNAL.
RAISSA: Estou simplesmente chocada!
TIARA: Então a Dedê Veneno, daquela
boate que nós fomos, é do Ademar. O namorado da Daniela.
RAISSA: Será que ela sabia disso?
TIARA: Pelo que esse jornal diz ela
sabia sim.
RAISSA: Meu Deus! E a Dani aceitou uma
loucura dessas?
TIARA: Não é loucura. É só um trabalho.
E além do mais ela ama o Ademar. Faria qualquer coisa
pra ajudá-lo. Até omitir isso de todos! Agora que a
verdade veio à tona deve estar sendo muito difícil pro
cara segurar a barra lá na casa dele.
VIVIANE ENTRA COM UM JORNAL.
VIVIANE: Já souberam da noticia,
queridas? O macho da Daniela na verdade é uma fêmea. Ele
ficou muito bem vestido como uma puta de rua.
RAISSA: O que você quer aqui, hein? Nem
trabalhar mais aqui você trabalha.
VIVIANE: Vai me expulsar do pardieiro
é, queridinha? Não precisa, amada. Eu não quero me
contaminar aqui nesse poleiro de galinhas de terreiro.
Só vim esfregar na cara da Daniela o bafão que os
jornais estão mostrando, mas como vejo que ela não está
aqui, vou indo. Beijinhos, queridas!
VIVIANE VAI EMBORA. TIARA E RAISSA FICAM COM RAIVA.
CENA 16. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA.
SUZETE
SENTA-SE NO SOFÁ. ANDRÉ, FABIANE, DANIELA, YOLANDA E
ADEMAR COM ELA.
SUZETE: Que vergonha, meu Deus! Que
vergonha! Meu filho se envolvendo nesse tipo de
libertinagem. Eu não criei um filho pra fazer esse tipo
de coisa.
ADEMAR: Mãe, deixa eu me explicar.
SUZETE: Olha, Ademar, não fala nada
não. É melhor. Já basta a vergonha que eu passei perante
todo o bairro. Não quero ouvir a tua voz, porque eu sou
capaz de sentar a mão nessa tua cara. Me deixa em paz!
SUZETE
LEVANTA E VAI PARA O QUARTO. ADEMAR QUER IR.
YOLANDA: É melhor você deixá-la esfriar
a cabeça, querido. Não vá conversar agora.
ADEMAR: Mas eu preciso explicar pra ela
que eu não sou gay, eu sou heterossexual, eu só trabalho
nesse ramo por necessidade, porque foram às únicas que
pessoas que abriram as portas para mim.
FABIANE: Bem que eu desconfiei que eu
já tinha visto aquela Dedê Veneno em algum lugar. E você
me viu lá no dia, não foi?
ADEMAR: Vi sim. E me escondi de você.
Ninguém poderia saber que eu faço aquele tipo de
trabalho.
ANDRÉ: Não tinha coisa melhor pra fazer
não, mano?
DANIELA: Vocês não vão ficar acusando o
Ademar numa hora dessas, vão? Poxa! Ao invés de apoiá-lo
vocês o colocam mais lenha ainda na fogueira.
ADEMAR: Deixa. Eles têm razão.
FABIANE: Desculpa, Ademar.
ANDRÉ: Foi mal ai, mano. Nós gostamos
muito de você vamos apoiá-lo em tudo.
ADEMAR
CHORA E RECEBE O ABRAÇO DOS IRMÃOS.
ADEMAR: Sem vocês eu não sou nada. Esse
apoio que vocês tão me dando me fortalece. Obrigado!
TAVINHO ENTRA DE VEZ NA CASA.
TAVINHO: Que absurdo é esse aqui, pai?
Que aberração é essa aqui?!
CLOSE
EM TODOS.
CENA 17. BORRACHARIA DE VALDSON. FRENTE.
EXTERIOR. DIA.
VALDSON, GABRIELA E EDNEUZA.
GABRIELA: Agora o Ademar está com a
cara no chão.
EDNEUZA: Ele nem encarou a gente
direito.
VALDSON: E nem tem o porquê. O pessoal
do bairro é mó fofoqueiro. Ademar não deve nada a
ninguém.
EDNEUZA: E você acha certo o que ele
fez?
VALDSON: Eu nunca faria algo do tipo,
mas o cara é meu mano. Eu tenho que entende-lo.
GABRIELA E EDNEUZA CONCORDAM.
CENA 18. SORVETERIA DE IRLANDA. FRENTE.
EXTERIOR. DIA.
IRLANDA, GEISA E FRANCISCA.
IRLANDA: Estou passada em Cristo com
esse outdoor. Até que o Ademar tem um belo par de coxas!
IRLANDA SE ABANA.
FRANCISCA: Você gosta é de olhar pras
pernas dele, isso sim.
GEISA: E quem não olha, Francisca? Eu
realmente fiquei passada ao saber que Ademar era metido
nessa coisa de safadeza.
IRLANDA: Hoje nesse mundo globalizado
onde tudo é permitido, eu não duvido de mais nada, meu
bem.
FRANCISCA: Parem de falar da vida dos
outros!
IRLANDA: Nem estamos falando como
deveríamos. Só por olhar esse corpão vestido de mulher
eu mudo todos os meus conceitos!
GEISA: (SE ABANA) Só Jesus na causa!
CLOSE
NO OUTDOOR.
CENA 19. SALÃO DE QUITÉRIA. INTERIOR. DIA.
CAROLINA, TÂMIRES, QUITÉRIA E BRENO.
BRENO: A minha mãe está lá na casa da
dona Suzete. A barra tá pesada lá.
TÂMIRES, QUE VEM DA PORTA.
TÂMIRES: Eu vi o filho dele entrar lá
agora. Coitado!
CAROLINA: Coitado por quê? Ai, gente,
não vejo nada demais no trabalho do Ademar. Entendo isso
como uma arte!
BRENO: Se fosse eu fazendo um serviço
desses, você aceitaria?
CAROLINA: E por que não?
BRENO: (RINDO) Então vou lá colar com o
Ademar. Vai ver a galera gay gosta do meu tipo físico.
Fico uma mulher bonita?
BRENO
FAZ POSE. TODOS RIEM.
QUITÉRIA: O caso não é de dar risada
não. Porque o processo deve estar sério lá na casa da
Suzete. Tanto que ela nem abriu a pastelaria. Deve estar
morrendo de vergonha.
CENA 20. CASA DE SUZETE. QUARTO DE SUZETE.
INTERIOR. DIA.
SUZETE
CHORA NA CAMA. ANDRÉ ENTRA NO QUARTO.
ANDRÉ: Mãe...?
SUZETE: Me deixa sozinha, André.
Preciso ficar sozinha.
ANDRÉ
SAI. SUZETE CHORA MAIS AINDA.
SUZETE: O Ademar não podia fazer uma
coisa dessas. Ser drag Queen? Ele enlouqueceu de vez,
meu Deus! Agora, o que vão pensar dele? O que esse povo
vai falar de mim?! Ai, meu Deus! Que decepção.
CLOSE
NELA CHORANDO.
CENA 21. FÁBRICA LA VITTA. SALA DE JAMAL.
INTERIOR. DIA.
DART E
JAMAL.
D’ARTAGNAN: Meu recado está dado. O
senhor está em minhas mãos.
JAMAL: Com certeza você e a Catarina
estão mancomunados.
D’ARTAGNAN: (RI) Ainda não, chefinho...
Ainda não!
JAMAL: E a carta? Cadê a carta?
D’ARTAGNAN: Sua fiel escudeira tomou de
minha mão. Mas não se anima muito não. Eu tenho uma
cópia.
DART
SAI DANDO RISADA. JAMAL QUEBRA ALGUMA COISAS. RENATA
ENTRA.
JAMAL: Desgraçado!
RENATA: O que está acontecendo, Jamal?
Você está desequilibrado.
JAMAL: Esse inferno desse D’artagnan,
essa mosca-morta que a Evelyn me fez pôr na empresa me
ameaçou, falou de uma carta... A carta que eu esqueci
aqui na sala.
RENATA: Mas eu já dei sumiço nela.
JAMAL: Ele tem uma cópia.
RENATA: Tem?
JAMAL
ANDA DE UM LADO PARA OUTRO.
JAMAL: Tenho que matar esse cara! Senão
ficarei nas mãos dele.
EM
JAMAL. CLOSE FINAL EM RENATA.
CENA 22. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA.
TAVINHO, ADEMAR E DANIELA SENTADOS.
TAVINHO: Eu já entendi tudo, pai.
Desculpa por ter pensado errado de você.
ADEMAR: É um direito seu, filho. Agora
a minha mãe tá mal. Se trancou no quarto e não quer
falar comigo.
DANIELA: Espera ela se acalmar.
TAVINHO: Vai lá, pai. Faça a vovó
encarar a realidade. Explica tudo pra ela. Ela vai
entender. Tenho certeza que vai.
ANDRÉ
SE APROXIMA DO IRMÃO.
ANDRÉ: Ela tá mais calma, mano. Vai lá.
ADEMAR
LEVANTA.
ADEMAR: Eu vou sim.
DANIELA BEIJA-O.
DANIELA: Vai dar tudo certo. Eu estou
aqui para te ajudar.
TAVINHO ABRAÇA O PAI.
TAVINHO: Qualquer coisa a gente sai em
sua defesa. Mas sei que a vovó vai compreender.
ADEMAR
OLHA PARA TODOS E VAI.
CENA 23. CASA DE SUZETE. QUARTO DE SUZETE.
INTERIOR. DIA.
SUZETE
ESTÁ EM PÉ QUANDO ADEMAR ENTRA NO QUARTO. OS DOIS SE
ENCARAM. ADEMAR FECHA A PORTA.
ADEMAR: Já está mais do que na hora da
gente ter uma conversa, mãe. Eu sou o seu filho.
SUZETE
ENCARA ADEMAR.
EFEITO: A IMAGEM SE TRANSFORMA EM IMAGEM DE HQ.
“Os créditos sobem ao som de: Dessapear -
Beyoncé”
Dessapear - Beyoncé

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