ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste episódio possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.

FADE IN
CENA 1 RUAS DA CIDADE [MANHÃ]
A cena percorre a cidade, lojas
vendendo fantasias para o carnaval e pessoas andando apressadas de um lado e de
outro.
Ao longe, Raíza anda pela passarela falando ao
celular. A cena se aproxima.
RAÍZA: Eu não vou; Não curto carnaval e nem nada onde o
pessoal esconde a cara.
DCR (V.O): Mas poxa! não tem graça. A Rafaela já disse
que só vai se você for e eu não queria ir sozinho.
RAÍZA: Olha...Eu não tô a fim mesmo e...Eu não tenho que
ir lá.
DCR (V.O): É pelo o que o Marco fez ‘né’?
RAÍZA (sem graça): Quê?
DCR (V.O): Eu soube de tudo. Mas ó, o negócio é bola
pra frente viu. Mostra que você supera fácil coisas sem importância, supera o
brilho, menina!
Raíza dá uma pausa, meio chateada por ter de
lembrar.
RAÍZA: Já superei, mas não quero saber de folia...Eu nem
tenho fantasia...
DCR (V.O): Pra você eu arranjaria rapidinho...
Raíza avista o sinal fechado e desce a passarela
correndo.
RAÍZA: Não adianta, ‘Dc’...Não tô com humor pra festa...
O sinal abre, os carros avançam.
RAÍZA (ao telefone): ‘Peraí’ que vou atravessar...
A pista está vazia. Raíza alcança o final da
escada.
Um carro vem em alta velocidade.
VOZ MASCULINA: Cuidado, garota!
A moça olha para o lado, ouve-se a freada brusca na
estrada. Raíza, espantada, em instantes torna-se invisível (efeito câmera
lenta), o carro passa pela sua perna e logo ela cai visível na calçada.
O carro bate no muro que separa a linha do trem da
estrada.
Raíza se apóia no chão, apanha o celular e observa
as pernas de alguém a sua frente. Ela olha para cima e se surpreende.
RAÍZA: Ari?
FADE OUT
FADE IN
CENA 2 RUAS DA CIDADE [MANHÃ]
Ari tem um semblante preocupado, olheiras e
aparência desgastada. O cabelo está amarrado de qualquer jeito. Usa vestido
simples listrado. Seu olhar é de agonia, angústia.
ARI: Raíza...(pausa)...Finalmente te
encontrei...(pausa)...Só você pode me ajudar...
Raíza segura em suas mãos e logo as afasta;
RAÍZA: Suas mãos estão frias! Você tá bem? Por onde
andou que nem nossos colegas souberam me dizer...
ARI: Eles também não sabem por onde você andou nesses
quatro anos, não é?
Raíza empalidece. Ari está muito estranha. Desvia o
olhar o tempo todo. É como se estivesse ali ou não. Ao mesmo tempo.
RAÍZA: O que aconteceu, Ari? No que você quer que eu te
ajude?
Ari olha adiante, para o carro batido. Há muita
gente e ouvimos a pessoa que gritou para Raíza.
HOMEM: Não consigo entender como ela escapou...Não
consigo...É...É um milagre!
Raíza também olha e vê Cael sair de um banco.
RAÍZA (olhando para trás): O Cael...Ele tá vindo pra
cá...
ARI: Não posso ficar aqui...
RAÍZA: Deixa eu te apresen...(ela se volta)...tar. Ari?...
Ari?
Ari sumiu. Raíza olha por todos os lados e nem
rastro da garota. Alguém toca seus ombros.
RAÍZA: Ari?...Ah Cael...Oi.
CAEL: Decepcionada?
RAÍZA: Não, é que...(olha para trás)...Eu...Bem... Uma
amiga minha estava aqui e...
CAEL: Não vi ninguém com você, mas tudo bem. Eu ia à
sua casa, mas já que te encontrei aqui...
Ele põe a mão por dentro do paletó e tira dois
papéis.
CAEL: Aqui estão os convites pro baile de hoje...Será
que seu pai e seu tio iam gostar de ir?
Silêncio. Raíza está distraída.
CAEL: Raíza? Você acha que eles vão querer ir?
RAÍZA: Ah, acho que não.
CAEL: Você vai?
RAÍZA: Onde?
CAEL: Você não me parece muito animada pro carnaval...
RAÍZA: Foi mal...Eu não pretendia ir. O Dcr me chamou,
mas...
CAEL: ‘D’ o quê?
RAÍZA (ri): Dcr, amigo meu.
CAEL (sorri): Ele parece ter problemas com nomes
inteiros, hein...
Os dois riem e a garota mostra-se intrigada com o
sumiço de Ari. Esta, por sua vez, a observa de algum lugar...
FADE OUT
FADE IN
CENA 3 APTº 403 [INT.]
A porta é aberta. Raíza entra, em seguida a fecha e
segue à direita pelo corredor. Olha pro quarto do primo, volta e o observa na
sacada limpando a vidraça. Fica um tempo parada na porta e depois entra.
RAÍZA (irônica): Cuidado pra não cair daí, hein...
JOÃO: Aaaai...Que susto! Num chega assim de mansinho.
RAÍZA: Não é bom tomar susto na sacada; Esses ferros
costumam serem sensíveis...
João continua com seu serviço fingindo ignorar.
RAÍZA (em OFF): Droga! Odeio ser irônica...Se ele fez
alguma coisa certamente não sabia o que fazia...Sei lá...Não seria o único a
sofrer de esquecimento...
JOÃO (incomodado): Que é, Raíza? Que cara é essa?
RAÍZA: Ahn...Não é que...(ela abre a bolsa e tira os
convites que recebeu de Cael. Estende a mão.) Aqui ó! O Cael mandou pra você. É
pro baile de domingo lá na boate.
João Batista larga o que está fazendo e sai da
sacada animado. Apanha o convite e dá uma olhada pra prima.
JOÃO: A gente se deu bem fazendo amizade com a pessoa
certa, hein.
RAÍZA: Eu não sei o que você quis dizer com ‘pessoa
certa’, mas...Certamente não é pela pessoa que ele é.
A prima dá as costas.
JOÃO: Se você não tivesse salvado a vida do irmão dele
teu pai não teria o emprego que tem numa construtora. E não teríamos convites
’de grátis’.
A moça pára e se volta. Faz que vai responder. Dá
uma pausa.
JOÃO: Às vezes eu me pergunto se você não pressentiu
que eles são ricos...
RAÍZA: Às vezes eu me pergunto se você tem algum
problema com meus tais pressentimentos...
JOÃO: Nenhum. (ele olha pro convite) Mas e então?
Pressentiu ou não?
RAÍZA: Se eu tivesse pressentido isso eu também teria
pressentido o tipo de pessoa que é o Marco. E nem teria chegado perto...
JOÃO: Você deve tá se referindo àquele episódio...
RAÍZA: João...
JOÃO (olha para ela): Tudo
bem...(pausa)...Infelizmente, não podemos escolher quem salvar, num é?
A moça dá as costas e sai. Pára no corredor próximo
ao seu quarto e permanece por alguns segundos. Expressa desconfiança pela
maneira como o primo lhe falou. Entra no quarto.
CORTA PARA
CENA 4 L.A HOUSE [INT./FIM DA MANHÃ]
Há algumas pessoas trabalhando na
decoração da boate, luzes sendo testadas e Cael observa tudo.
Valentina está no balcão da chapelaria com uma
calculadora, contando os convites e o dinheiro. Estranha e vira-se para o lado
onde está Cael.
VALENTINA: Amor...Parece que tá faltando dinheiro aqui...Vem
ver.
Cael se aproxima e ela o entrega os convites.
VALENTINA: Conta e vê se estão faltando dois convites...
CAEL: Ah, me desculpe...É que agora pouco eu encontrei
a Raíza e...
VALENTINA: Ela comprou o convite, ‘né’? Não foi que nem
aquela vez que você a convidou e...E...
Cael faz uma pausa profunda e a namorada larga a
calculadora sobre a mesa. Demonstra não gostar. Vira o rosto mostrando
desagrado e torna a olhar pra ele, insatisfeita.
VALENTINA: Olha Cael, eu entendo que você esteja grato por
ela ter salvado a vida de seu irmão, mas... Nem ele tem tanta consideração
assim como você tem!
CAEL: Eu não faço isso por ele, mas por que eu e ela
nos tornamos amigos. Ora, você também tem seus amigos, não?
VALENTINA: Você não dá convites pra todos os seus
amigos...(ela anda para trás dele).
CAEL: Talvez por que eu não tenha tantos amigos...
VALENTINA: Se tivesse estaria falido...
Cael põe as mãos nos bolsos da calça e olha pra
cima.
VALENTINA: É lógico que você faz isso por compaixão. Ainda
mais depois do que houve na outra semana...(riso prepotente)...É...O Marco
deixou a garota bastante constrangida...
CAEL: Eu prefiro que você não faça nenhum comentário a
respeito.
Valentina engole a saliva, toca seu ombro.
VALENTINA: Desculpe...(pausa)...Eu só não quero que você
faça nada no lugar dos outros. Não se sinta obrigado, viu.
Ela o abraça e Cael olha quieto para frente.
Valentina fecha o semblante.
CORTA PARA
CENA 5 APTº 403 – COZINHA [INT./INÍCIO DA TARDE]
Raíza e João Batista estão sentados à mesa. Josué
coloca sobre a mesa, com ajuda de uma toalha de prato, uma travessa de
macarronada com palmito e brócolis.
JOSUÉ: Olha gente, dessa vez o macarrão tá com sal, tá?
Bruno aparece da porta.
BRUNO: Claro!...Eu que fiz.
João ri na cara de Josué.
JOÃO: Ufa! Essa foi por pouco...Eu ‘tava’ quase
desistindo de almoçar...
JOSUÉ: Ah é que eu não gosto de lavar macarrão...Sempre
esqueço de pôr o sal depois...
RAÍZA: Estamos apresentando...As justificativas do tio
Josué...Um oferecimento...
JOÃO: ...Campanha: Não esqueça o sal no macarrão. Por
um macarrão mais tragável.
A brincadeira arranca risos.
BRUNO (tenta conter o riso): Por que em vez de vocês
ficarem zoando, não é assim que vocês falam? (ele se senta) Pois então, por que
em vez de ficarem zoando com o tio de vocês, vocês não nos contam sobre o baile
à fantasia? Pretendem ir?
RAÍZA: Não.
JOÃO: Sim!
Josué também se senta e cada um começa a se servir.
BRUNO: Acho bom mesmo você não ir, filha. O Cael pode
ser uma boa pessoa, mas é melhor evitar outro constrangimento...
Josué faz uns gestos com o garfo.
JOSUÉ: Eu não concordo. O único erro dela foi ter
salvado a vida do Marco.
RAÍZA: Tio?!
JOSUÉ: Tá bom...Eu quis dizer...Que você o salvou; O
mínimo que ele tem que fazer é aprender a te tratar bem e você se afastando ele
nunca vai poder se redimir.
Bruno olha pra ele, admirado.
BRUNO: É impressionante como você consegue ser
complacente, hein...
JOSUÉ: Além do que...Não gosto que o João vá sozinho
numa festa...À noite.
Bruno engole rápido a água que bebe.
BRUNO: Que mania a sua de se preocupar tanto, Josué.
Tudo bem que, depois de tudo que aconteceu, o melhor é sempre tomar cuidado,
mas...Querer que a Raíza vá com ele como segurança? Aí não, ‘né’?
João levanta a cabeça e pára de comer por um
instante.
JOÃO: O que tiver que acontecer comigo irá acontecer
com ela perto...(ele olha para os tios e, em seguida, para a prima) Ou não?
Josué e o irmão se entreolham.
RAÍZA: ‘Cê’ tá certo, João. (ela mira em Josué) Eu não
sou a salvadora de ninguém...E eu não vou nesse baile. Quero evitar ir a certos
lugares...
JOÃO (volta os olhos pra comida): Fugir do Marco não
vai fazê-la esquecer do que houve...
RAÍZA (põe os cotovelos sobre a mesa e tampa o rosto):
Ai eu não aguento mais isso!
Ela se levanta, pega o prato e coloca dentro da
pia.
BRUNO: ‘Peraí’ filha!
Raíza sai da cozinha e vai ao banheiro.
Fecha a porta. Passa as mãos nos cabelos e se apóia
no lavatório.
RAÍZA (murmura): Será que vou ouvir isso até quando, meu
Deus?
Ela olha pro espelho retângulo, preocupada.
RAÍZA (murmura): Ari...O que ela queria me dizer...Por
que sumiu?...
A garota abre a gaveta, apanha a escova e no
lavatório, o creme dental.
Termina de escovar os dentes e pára olhando para a
porta. Um silêncio toma conta do ambiente. Abre a porta, caminha até a cozinha
e não vê ninguém.
RAÍZA: João?...Pai?...
Nem sinal. Raíza sai do apartamento assim, do jeito
que está, sem bolsa.
Desce as escadas correndo e a medida em que descia,
os corredores se iluminam mais.
As lâmpadas estão acesas. Já é noite.
RAÍZA (em OFF): Isso não pode estar acontecendo, não
pode...
[EXT.]
Anda até o portão, portão de ferro com desenhos
diferentes e se volta no mesmo instante.
RAÍZA: Ari?
CORTA PARA
CENA 6 Continuação...
RAÍZA: ‘Cê’ quase me assusta, garota!...Mas como soube
que eu estava morando aqui?
ARI: Eu te segui (ela move as mãos em direção ao peito
e as tira, ao mesmo tempo) Raíza...Eu preciso de ajuda...
RAÍZA: Isso eu já sei, mas...Que tipo de ajuda? O que
você quer?
Ari faz uma longa pausa. Seu olhar mescla
sofrimento e desespero.
ARI: ‘Cê’ precisa acreditar em mim, já será alguma
coisa...Eu...Eu não queria...Aconteceu, sabe...
RAÍZA: Não, não sei. Conta logo!
ARI: Eu não queria ter matado meu pai!
Raíza se espanta; Ela dá um passo para trás.
ARI: Você tem medo de mim?...Como os outros...
Raíza evita responder.
RAÍZA: ...Se você foi acusada de um crime, isso explica
por que você foge, não?
ARI (tom assustado, olhar disperso): Eu tento fugir,
mas ele...Ele fica na minha cola...
RAÍZA: Ele quem? A polícia ‘né’?
Ari toca suas mãos, mãos pálidas.
ARI: Eu nunca contei isso pra ninguém, mas...Eu
preciso contar pra alguém se não eu...Se não eu nem sei viu...
Ari larga suas mãos e exibe seu pulso.
ARI: Tá bem aqui, ó. Uma cruz que me batizaram quando
pequena por meu pai...
RAÍZA: Ari! Você tam...Você...Tem poderes? É isso?
Reação em Ari.
CORTA PARA
CENA 7 CAFÉ-DÓRIA [INT./INÍCIO DA TARDE]
Marco, sentado numa cadeira ao fundo
da cafeteria, mostra-se impaciente. Olha o relógio, toma um gole do suco de
laranja e olha o relógio novamente.
VOZ MASCULINA: Marco?
MARCO (olha pro alto): Mas até que enfim, hein! O que
você fica fazendo antes de vir pra cá?
Matias não move uma ruga de expressão por conta do
estresse daquele sujeito.
MATIAS: Me perfumando pra você é que não seria ‘né’.
O rapaz senta, faz um sinal pro garçom.
MATIAS: Um café! (ele se dirige a Marco) Você paga ‘né’?
(pausa)...Você podia ter escolhido um lugar melhor, não? E não essa espelunca
que nem sequer servem cerveja.
MARCO: Eu não quero que você trabalhe bêbado. Se lúcido
você já faz besteira...
MATIAS: Humm...O que você quer de mim?
MARCO: Que você faça o serviço direito! (ele muda o
semblante, aparenta mais calmo e seguro) Hoje será a festa à fantasia na
boate...Um dia perfeito pra terminar em tragédia...
MATIAS: Ahnn...Diz logo quem é a vítima. Trouxe uma foto?
Marco tira a carteira de dentro da camisa branca.
Matias joga seu olho gordo tentando ver alguma grana e Marco afasta a carteira.
Saca uma foto e a mostra para o sujeito.
MATIAS: Humm...Bonita, hein...Sua namorada? Te traiu, é
isso?
MARCO: Você não é pago pra especular e sim, pra executar
o serviço.
MATIAS: Eu posso fazer como eu quiser?
MARCO: Desde que não deixe pistas...
Matias admira a foto. É Valentina.
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 8 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT./INÍCIO DA TARDE]
Ari e Raíza estão em pé no portão. Ari olha por
todos os lados.
RAÍZA: Seu pai mandou que te batizassem pra te proteger
contra tudo de ruim? Nada lhe atinge?
ARI: Nada me atingia...Por que... Quando eu não
aguentava mais viver brigando com as pessoas, tendo que arrancar sangue pra
continuar com a proteção eu me revoltei...Chega uma hora que é preciso fazer
algo além...
RAÍZA (conclui): ‘Cê’ teve que matar seu pai? Foi isso?
ARI: Não! (tom alterado) Eu não fiz nada, juro!
Raíza segura seus ombros para controlá-la.
RAÍZA: Calma!...Tá tudo bem... Então...O que aconteceu?
ARI: Eu tinha que matar SEU pai!
Raíza recua o passo, estasiada.
RAÍZA: Como é que é?
ARI: Mas eu me recusei! Como eu não queria cumprir
então entrei num acordo com esse cara...Ele dizia que podia me livrar dessa
cruz que carrego aqui (ela estica o braço) e que meu pai se recusava.
RAÍZA: Isso...É possível?
ARI: Não. Ele me enganou. Eu fiz algo que não devia...O
ajudei e...(longa pausa).
RAÍZA: E? Onde entra seu pai nessa história?...(ela
murmura)...Entrava ‘né’...
Ari contorce os dedos.
ARI: Então... Eu empurrei meu pai do telhado num
acesso de fúria, Raíza...Ele... Ele vivia me dizendo que eu não podia dar as
costas para o poder que me foi imposto e que...E que por isso eu os estava
perdendo...E aí, um dia, aqueles que prejudiquei viriam até a mim me cobrar
essa dívida...
RAÍZA (medo): Será que não tinha outra solução?
ARI: Sob pressão a gente faz qualquer coisa. (ela
segura seus ombros e a olha no fundo dos olhos)...Raíza aconteça o que
acontecer, não deixe o ódio tomar conta de você...Não deixe!
RAÍZA: Por que ‘cê’ tá falando isso, Ari?...Que ódio?
ARI: Preciso ir...(ela larga a amiga e dá as costas).
RAÍZA: Ari! ‘Peraí’! Onde você tá morando?
ARI (gritando): 16! Rua 16!
Ari corre, Raíza vai atrás, mas ao alcançar a
esquina não a vê mais.
RAÍZA (murmura): 16...
Olha para o caminho por onde veio e agora ela está
olhando para o corredor do...
APTº 403...
Raíza está fora do banheiro e Bruno a olha da
cozinha.
BRUNO: Raíza vem almoçar direito...A gente não fala mais
no Marco tá?
A garota olha para ele com olhar meio distante.
RAÍZA: Como?...Eu...Já lavei a boca e...
Bruno, Josué e João Batista a olham imóvel.
RAÍZA: Eu vou sair...Tchau!
BRUNO: Raíza! Onde é que ‘cê’ vai, menina?... (ele se
dirige aos presentes) Agora é assim; Sai a hora que quer e nem dá satisfação...
João tem um olhar curioso.
CORTA PARA
CENA 9 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT.]
Raíza está no portão, olha para trás. Parece
procurar alguém.
RAÍZA (murmura): Aquilo só pode ter sido o futuro...A
Ari devia estar aqui...
A garota permanece no portão, coloca as mãos na
cintura e nada acontece.
RAÍZA: Já sei quem pode me ajudar!
Raíza anda em passos largos até que começa a
correr.
VOZ MASCULINA: Raíza?
A garota olha pro outro lado da estrada e vê
Cipriano. Ele atravessa.
RAÍZA: O que tá fazendo aqui?
CIPRIANO: Eu vim conversar com você...Saber como você está.
Raíza está com semblante preocupado.
CIPRIANO: Você ia a algum lugar? Tô te atrapalhando, não é?
RAÍZA: Não!...Ahn...O que queria me dizer?
CIPRIANO: Se não se incomodar a gente podia ir tomar alguma
coisa...
RAÍZA: Ahn...Alguma sugestão?
Ele sorri.
CORTA PARA
CENA 10 CAFÉ-DÓRIA [INT./TARDE]
Assim que Raíza entra ao lado de Cipriano, Marco a
olha, surpreso. Os dois se encaram.
Raíza passa do seu lado e Matias olha para a janela
a fim dela não ver seu rosto.
RAÍZA (engole o orgulho): Boa tarde...
Marco, com aquela cara de esnobe, balança a cabeça
correspondendo.
Ela e Cipriano se sentam logo adiante.
CIPRIANO: Você ainda cumprimenta?
RAÍZA: E por que eu não cumprimentaria?
CIPRIANO: Ora Raíza...Eu fiquei sabendo o que
houve...Desculpe, mas...O povo comenta.
Raíza faz que vai olhar pro lado, na direção de
Marco, porém desiste.
CIPRIANO (cont.): Sinceramente, tipos como ele você deve
fingir que não vê.
RAÍZA: E dá a chance dele perceber que fiquei
ressentida?
CIPRIANO: Então você ficou ressentida?
Silêncio. O garçom se aproxima.
GARÇOM: O que desejam?
CIPRIANO: Pra mim, um café bem forte. E você, Raíza?
RAÍZA: Eu não vou querer nada, ‘brigada’.
O garçom se afasta.
CIPRIANO: E então? Você ficou ressentida?
RAÍZA: Olha Cipriano se me chamou aqui...
CIPRIANO: Desculpe...Na verdade eu queria
saber...Como...Como você está...
RAÍZA: Você quer saber...(ela estende o braço sobre a
mesa e olha para o próprio pulso)...
CIPRIANO: Parece que o seu pai te contou tudo, não?
RAÍZA (flashback):
Ari e Raíza estão em pé no portão. Ari olha por
todos os lados.
RAÍZA: Seu pai mandou que te batizassem pra te proteger
contra tudo de ruim? Nada lhe atinge?
ARI: Nada me atingia...Por que... Quando eu não
aguentava mais viver brigando com as pessoas, tendo que arrancar sangue pra
continuar com a proteção eu me revoltei...Chega uma hora que é preciso fazer
algo além...
(Fim do flashback)
CIPRIANO: O que foi?
A garota levanta o braço, passa a mão pela testa e
em seguida, apóia o queixo na mão.
RAÍZA: Ahn...Eu sei que você só fez isso pra me salvar,
mas...Foi só por isso mesmo?
O garçom chega com a bandeja e põe o café, o açúcar
e a colher sobre a mesa. Logo se afasta.
CIPRIANO: Que outra razão me faria tomar essa atitude? (ele
toma um gole do café).
RAÍZA: Eu não sei...(pausa)...Eu vou ter que...Como é
que vou dizer?...(ela aproxima o rosto) Eu vou ter que pagar por isso?
Cipriano finge se engasgar e põe a xícara na mesa.
CIPRIANO: Que isso, Raíza?...Salvar uma vida é uma
benção...
RAÍZA: Nossa...Falou igual meu pai...
CIPRIANO: Seu pai é um sábio (falsa admiração)...Pena
termos crenças diferentes...Espero que essa cruz não esteja lhe dando
aborrecimentos...
Raíza olha adiante, dispersa.
CIPRIANO (cont.): Está?
RAÍZA: ...Ahn...Não...Fora a invisibilidade que tem até
me ajudado, nada mais de anormal aconteceu...
CIPRIANO: Mas não foi isso que lhe perguntei.
RAÍZA: Ahn...É quase a...Mesma coisa...Eu...(ela se
levanta)...Vou ao banheiro...Licença.
Ela caminha até uma porta e abre. Entra num...
TOILLETE...
Fecha a porta atrás de sim.
RAÍZA (em OFF): Nossa! Não imaginava que um banheiro de
cafeteria fosse tão bonito...
Os pisos são brancos com detalhes em vermelhos.
Azulejos brancos estão até a metade onde segue um detalhe rosa por toda sua
extensão. A parte de cima tem pintura rosa mais claro, os lavatórios tem pedra
mármore azul e as portas dos banheiros, brancos.
Raíza está impressionada.
Ouve-se o som de música eletrônica do lado de fora.
Raíza caminha até o lavatório e se olha no espelho.
RAÍZA: E agora?...Não posso contar que vejo o futuro e
aí não posso falar sobre o que a Ari me contou...Será que foi o Paulo que, não
conseguindo ajuda dela pra matar meu pai, mandou outro fazer o serviço?...Será
que ele tinha alguma coisa a ver com o batismo dela?
A porta é aberta abruptamente. Três garotas rindo,
cada uma com sua fantasia, adentram o toillete.
Uma veste roupa country. A outra, policial e a
terceira, paletó, terno e gravata fazendo estilo masculino.
Raíza olha para elas como se aquilo fosse muito
normal.
GAROTA: E aí, colega? Gostei da fantasia, hein.
Raíza se olha e depois se vira pro espelho. Está
vestida de carrasco.
Numa expressão de susto, ela corre, abre a porta e
fecha os olhos por causa das luzes.
CORTA PARA
CENA 11 L.A HOUSE [INT./NOITE]
Há muita gente, o som é forte e as luzes gritantes.
RAÍZA (em OFF): Essa é a festa à fantasia...Mas...Eu não
lembro de ter entregue o convite...
Ela olha de um lado e vê gente fantasiada de
capeta; Do outro, pirata. E mais adiante, outro carrasco.
RAÍZA (em OFF): Outro carrasco?...
Ela caminha entre as pessoas, tenta chegar mais
perto, o outro carrasco está de costas. Naquela confusão, surge um outro
carrasco e golpeia o outro da mesma fantasia. Há uma aglomeração e Raíza,
desnorteada, olha a vítima no chão.
Em seguida, corre atrás do carrasco, vai para os
fundos e pára no meio da calçada.
RAÍZA (murmura): Outro que perco de vista...
Quando se volta à boate dá de cara com um espelho.
Observa em volta.
TOILLETE...
O toillete está diferente; Só há dois banheiros, um
pequeno lavatório. Os pisos são brancos, mas sem detalhes em vermelhos. Os
azulejos são azuis e vão até a metade.
RAÍZA (extasiada): Não é possível...(põe as mãos na
cabeça).
Vai até a porta que é aberta por uma garota. As
duas param e Raíza passa direto.
Chega na mesa onde está Cipriano e mantém-se de pé.
RAÍZA: Demorei?
Cipriano olha o relógio de frente da cafeteria.
CIPRIANO: Nem cinco minutos.
RAÍZA: Ah...Eu...Eu tenho que ir...
CIPRIANO: Não, tudo bem. Desculpe se eu te atrapalhei em
alguma coisa.
Raíza e Cipriano se dão as mãos e ela vai embora.
Cipriano leva a xícara à boca olhando para Marco.
Este também o olha.
CENA 12 APTº 215 [EXT./TARDE]
Raíza toca a campainha. A porta é aberta por uma
mulher loira, cabelos ondulados até o pescoço, sorridente.
A aparência de Raíza é de cansada, agoniada.
MULHER: Raíza! Entre, entre!
A garota entra com as mãos nos bolsos, aparência
cansada.
RAÍZA: Oi dona Diva!...O Dcr...
DCR: Raíza?
Dcr aparece na sala com um pano preto nos braços.
Diva fecha a porta.
É uma sala grande, sofás vinho, mesa de centro em
cima de um tapete vermelho e bege, paredes brancas.
DCR: Vi você entrando na cafeteria com um cara...
RAÍZA (dá uns passos): Meu tio...
DCR: Tio? Seu tio?...Nossa! (ele olha meio que de
lado) O que ele andou tomando que parecia meio...Diferente?
RAÍZA: Dc...Num era o Josué; Era o Cipriano.
DCR: Cipriano?...É...Tenho muito que ainda descobrir.
O silêncio é constrangedor.
DCR: Tá, mas...Ainda bem que ‘cê’ veio. Olha que
belezura que minha mãe costurou (ele exibe a roupa).
Raíza anda devagar até ele e pára um pouco
afastada.
RAÍZA: Isso parece...
DCR: Uma fantasia de carrasco? Acertou.
A garota cai sentada no sofá sem acreditar.
DCR: ‘Cê’ pode vestir pra mim? Pra eu ver como fica
(ele troca um olhar de cumplicidade com a mãe).
DIVA: Eu não gosto nada disso...Você sabe que por mim
você nem ia ‘né’?
MULHER: Deixa disso, Diva. Se eles não saírem por causa de
uns e outros eles não saem pra lado nenhum.
A outra mulher, de cabelos ondulados e igualmente
loiros, mas compridos surge do corredor. Tem a boca pequena, olhar esperto,
aparenta uns 40 anos.
DIVA: Mas não há necessidade deles irem numa festa de
gente mascarada, Helena. Se acontecer alguma coisa todos ficarão impunes.
DCR: Ai mãe, a senhora já pensa no pior.
Raíza arregala os olhos negros, estica o braço
esquerdo e aponta o dedo para Diva fazendo movimentos.
RAÍZA: Ela tá certa! A gente nunca sabe quando seremos
golpeados...
DCR: Nossa, mas do que ‘cê’ tá falando?
HELENA: Dos golpes da vida, suponho.
RAÍZA: É...Os golpes da vida...De um maníaco que
aproveita uma noite de festa pra sair matando por aí...
DCR: Meu Deus! Outra terrorista. Olha, Raíza, veste
isso aqui pra mim, veste.
Raíza põe a mão na fantasia fazendo cara de medo.
Logo começa a se vestir.
DCR: Eu sei que não é uma bela fantasia, mas fazer o
que? Foi a única mais barata que arrumei pra você.
Raíza pára de se vestir e olha pro amigo,
extasiada.
RAÍZA: Como assim? Eu seria o carrasco?
DCR: Seria não. Será!
RAÍZA (tirando a fantasia): Ah agora é que não vou
mesmo!
DCR: Ah não! Minha mãe teve o trabalho de costurar.
RAÍZA: Eu num disse que não queria ir? Poxa
Dc!...(pausa) Olha...Eu não vim aqui falar do baile tá?...Podemos conversar?
CORTA PARA
CENA 13 QUARTO DE DCR [INT./TARDE]
Raíza entrega a fantasia ao amigo e senta no sofá.
RAÍZA: Você conhece alguma rua 16?
DCR: Rua 16?...16...16...Pra quê ‘cê’ quer saber?
RAÍZA: Sabe ou não sabe?
DCR: Não, mas...Essa é o tipo de rua que deve existir
aos montes.
RAÍZA: Mas você nunca ouviu falar de uma em especial?
Dcr titubeia.
DCR: Mas por quê?
RAÍZA: É que...Lembra que hoje cedo eu quase fui
atropelada?...Então, eu vi a Ari.
Dcr muda a expressão rapidamente para uma de
surpreso.
DCR: Ari? Ari Torgano?
RAÍZA: É...(ar pensativa) Ela estava tão péssima...
DCR: Por que ela te procuraria? Seria mais fácil ela
procurar a mim ou a Rafaela.
RAÍZA: Não sei...Só sei que ela queria ajuda. Você sabe
o que poderia ser?
DCR (distante): Não faz sentido.
RAÍZA: Quê?
DCR (se levanta): Isso é impossível!
A garota se assusta com sua convicção.
RAÍZA: Por que impossível?
DCR: Raíza...Como é que...Não, você deve...
Raíza se levanta. Semblante fechado.
RAÍZA: ...Ter sonhado? Eu não sonhei. Eu sei distinguir
sonho de realidade e aquilo foi real.
DCR: Ela se mudou! (ele fala rápido como se guardasse
isso há muito tempo) No dia da formatura em 2004 ela não apareceu. Fiquei
sabendo que ela se mudou. Nunca mais a vi...
RAÍZA: Então é isso! Ela deve ter se mudado pra essa rua
16. Vou procurar um mapa na Internet. Em alguma rua 16 ela tem que está!
DCR: Raíza vai ser muito difícil você encontrar. Essa
rua pode ser enorme como a Av. Brasil...
RAÍZA: Ou curta. Como é que vou saber se não procurar?
Dcr faz uma cara de derrotado.
DCR: Por que você não a espere te procurar, hein? (ele
lhe entrega a fantasia) Toma, caso mude de idéia.
A garota olha séria para a roupa.
RAÍZA: Eu não vou a essa festa.
DCR: Considere um presente da minha mãe.
A garota pega, dobra a fantasia. Expressão de
conformidade à força.
RAÍZA: Tenho que ir.
Raíza caminha até a porta, Dcr vai atrás e abre.
DCR: Vai esperar a Ari te procurar?
A garota não responde de imediato. Logo prensa os
lábios e balança a cabeça afirmativamente.
RAÍZA: Tchau...
Dcr fecha a porta e se volta para a sala. Diva olha
pra ele com ar de preocupada.
CORTA PARA
CENA 14 PORTARIA [EXT.]
Raíza atravessa a portaria em passos rápidos.
Ao lado do portão está Ari, semblante entorpecido.
Raíza passa direto, não vê.
Em seguida, perto da saída do quintal, Raíza pára.
1º plano – Rosto de Raíza.
Vira o rosto devagar e sorri ao ver a amiga.
RAÍZA: Ari!
CORTA PARA
CENA 15 Continuação
RAÍZA: Você quer que eu te ajude a fugir?...Mas isso
é...Isso é muito perigoso... ‘Peraí’! Você já fugiu!
Ari passa as mãos pelos cabelos, olhar aceso,
aparentemente desnorteada.
ARI: Você não entende...Não entende...Eu tenho que
fugir pra sempre!
RAÍZA: Eu... Eu não consigo entender, mas...Eu não
conheço ninguém influente que...
ARI (a olha de repente, ar medonho): Você conhece
alguém influente sim! (segura seus ombros) Eu preciso que alguém me tire de lá
de qualquer maneira!
RAÍZA: Calma...
Ari a sacode.
ARI: ‘Cê’ tá me ouvindo? De qualquer maneira! De
qualquer maneira!
Ouve-se passos nas escadas.
Ari se assusta, larga Raíza e atravessa o portão
correndo.
Raíza faz o mesmo, mas pára, frustrada.
[POV de Raíza]
A rua está vazia.
CORTA PARA
CENA 16 L.A HOUSE [EXT./NOITE]
Há muita movimentação na frente da boate. Muitas
pessoas com todo tipo de fantasia.
Alguém, em primeira pessoa, observa tal movimento.
Caminha e vemos que de costas é um carrasco. Entrega o convite e entra.
Outro alguém, em primeira pessoa, olha para cima:
L.A HOUSE iluminado.
Vai até a entrada, de costas é outro carrasco. Vira
o rosto pro lado. É Matias.
[INT.]
Em primeira pessoa, alguém se aproxima de Rafaela e
Dcr, respectivamente de detetive e policial. Toca os ombros dos dois.
VOZ DE MULHER: Oi gente.
DCR (se volta e se surpreende): Raíza? Você veio!
A garota sorri em sua fantasia de carrasco.
DCR: O que te fez mudar de idéia?
RAÍZA: Sua mãe costura muito bem... (ela gira os olhos
em todo o salão) Não podia desperdiçar esse talento.
RAFAELA (de celular nas mãos): ‘Cê’ já viu o Marco? Acho
que veio fantasiado de mafioso, num sei.
Raíza mira em Marco do outro lado, sem máscara e
vestido com uma camisa vermelha, paletó e calça preta. Seus cabelos loiros
estão com gel.
RAÍZA (em OFF): Cara de mafioso ele já tem...Dono de
cassino clandestino ele já é...
DCR: E então, Raíza? Gostou de nossas fantasias?
RAÍZA: Hã?...Ah...Uma dupla infalível.
Raíza avista Cael usando roupa e chapéu no estilo
década de 40.
RAÍZA: Gente, aguenta firme aí que já volto.
Ela passa por eles. Os amigos não entendem a
pressa.
Há muita gente na frente, Raíza tenta ultrapassar,
mas desiste quando o perde de vista.
RAÍZA (murmura): Mas hoje tô perdendo todo mundo de
vista...
Quando se volta esbarra em alguém. Raíza levanta um
pouco a cabeça sem deixar ser vista.
MARCO (estranha): Ops, desculpe...Ora ora se não é outro
carrasco? Ou você caiu do salto, Valentina? (riso sacana).
Raíza avança, esbarra forte nele e o deixa ali com
cara de tacho.
RAÍZA (em OFF): A Valentina também veio fantasiada de
carrasco?
A garota se perde dos amigos e acaba chegando no
bar. Observa as pessoas bebendo, o barman sacolejando as garrafas, preparando
os coquetéis.
É empurrada pelas costas, de repente.
RAÍZA: João? Olha o que você fez?
João fantasiado de pirata e segurando um copo,
passa a outra mão em sua roupa.
JOÃO: Pensei que não viesse.
RAÍZA: Isso não vai adiantar nada, tô toda molhada!
JOÃO: Também não exagera ‘né’? (ele tira a bandana
vermelha de si e entrega a ela) Vai lá no banheiro e tenta secar com isso.
RAÍZA: Banheiro?...Mas...(olha adiante e não encontra
Cael)...Acho que dá pra ir...
TOILLETE [INT.]
Percebe-se que o toillete é o mesmo do seu mundo
paralelo quando estava na cafeteria.
Ouve-se o som de música eletrônica do lado de fora.
Raíza caminha até o lavatório, se olha no espelho e
esfrega a bandana na roupa.
RAÍZA: Ainda bem que é preto por que se não...
A porta é aberta abruptamente. Três garotas rindo,
cada uma com sua fantasia, adentram o toillete.
Uma veste roupa country. A outra, policial e a
terceira, paletó, terno e gravata fazendo estilo masculino.
RAÍZA: Ai, mas que susto!
GAROTA: E aí, colega? Gostei da fantasia, hein.
Raíza se olha e depois se vira pro espelho. A
tensão é nítida em seu rosto.
RAÍZA (murmura): Vai acontecer de novo!
Ela corre, abre a porta e fecha os olhos por causa
das luzes...
[POV de Raíza]
Ela vê um carrasco dançando, torna-se invisível e
corre até ele.
Pára ao ver Ari próxima da chapelaria.
[POV de Raíza]
Ari está vestida com camisa de força.
RAÍZA (murmura): Ari?!
Olha pro lado e vê que já está do lado do outro
carrasco.
Algumas pessoas param de dançar para assistir à
cena.
O agressor, também de carrasco, foge.
No outro plano, Ari, atônita, vê um rapaz com uma
máscara branca a olhá-la profundamente, surpreso. Ela corre.
MARCO: O que aconteceu aqui?
De costas, Raíza põe as mãos na cabeça, mostra
sentir dores.
As pessoas fazem uma roda diante dela e Cael
aparece, assustado.
Marco suspende a carrasco e toma um susto ao ver de
quem se trata.
MARCO (decepcionado): Raíza? Você?
Cael abraça Valentina e toca os ombros de Raíza.
CAEL: Você está bem? Viu quem fez isso?
Raíza ainda está atordoada.
RAÍZA: Era...Outro carrasco...
MARCO: É melhor levá-la pro hospital, se não vai dar
problema pra gente.
RAÍZA: Não precisa...Eu tô bem (ela olha pra direção da
chapelaria) Eu tô bem...
Ela sai no meio do tumulto, apressa o passo.
Rafaela olha seu celular, maravilhada. Cutuca Dcr.
RAFAELA: Três algozes agitaram essa noite...Aonde você
viria isso, hein?
DCR: Credo, Rafa! A Raíza foi apunhalada e você acha
graça?
L.A HOUSE [EXT.]
Raíza vai até a calçada e não vê em parte alguma a
Ari.
RAÍZA (em OFF): Por que ela não me esperou, caramba?
Alguém a puxa pelo braço.
MARCO (furioso): O que ainda faz aqui, seu... Ah é
você...
RAÍZA: E quem você esperava que fosse?
Marco aperta seu braço, instintivamente.
A garota solta seu braço das mãos dele. Ele a
segura novamente.
MARCO (calmo): Quem você estava procurando, hein?
RAÍZA: ‘Cê’ tá me machucando...
MARCO: Ah...Desculpe (ele a solta) Mas e então? Se
perdeu de alguém?
Raíza observa sua expressão tensa.
RAÍZA: Ninguém...
Ela dá as costas e Marco a vê indo embora. A raiva
é aparente em seu rosto.
FADE OUT
FADE IN
CENA 17 MANSÃO – SALA [INT./NOITE]
Cael, Valentina e Marco chegam em casa. Marco vai
até o bar e se serve.
Cael observa. Está no corredor, de frente para
Valentina que se mostra assustada.
CAEL: Vai ficar tudo bem tá? (ele toca seu rosto e
sorri singelamente) Você vai passar a noite aqui.
Os dois se beijam, ela sorri, olha para Marco e
sobe as escadas.
Cael vê quando ela vira o corredor. Volta a olhar
pro irmão que continua de pé.
Caminha até ele olhando-o fixo, pára no bar e se
serve também. Encosta-se no bar ao lado do irmão. A cena mostra os dois de
costas.
CAEL: Será que Raíza tem inimigos?
MARCO: E eu vou saber?
Silêncio. Marco toma um gole de whisky.
CAEL: Ela parecia meio dispersa...Amanhã eu vou ligar
pra saber como ela está. Não quero que pense mal da boate.
MARCO: Você está preocupado com a reputação da boate ou
com ela?
CAEL: Também...
MARCO: Você devia é estar preocupado com a sua namorada.
CAEL: Mas eu tô...
MARCO: Pois não parece. Está tratando o episódio de hoje
como extraordinário. Perto do que essa garota já fez o que aconteceu hoje não
foi nada.
Cael olha pra ele com ar desconfiado.
CAEL: O que foi que ela te fez pra você tratá-la nesse
tom?
Marco o encara.
MARCO (sonso): Ela não me fez nada. (pausa) Eu só não me
sinto na obrigação de gostar dela.
Ele põe o copo sobre a mesa do bar e dá as costas.
Cael abaixa a cabeça, vira o rosto pro lado,
pensativo.
CORTA PARA
CENA 18 APTº 403 – SALA [INT./NOITE]
A cena vai se aproximando de Raíza,
sentada de frente pro ‘pc’. Ouve-se o som do teclado. Raíza aparenta cansaço.
Bruno surge no corredor à esquerda.
BRUNO: Até agora eu tô impressionado; Você evita o
futuro dos outros e não evita o seu.
RAÍZA: Me distraí com a Ari.
BRUNO: Você ainda insiste nisso, hein? Por causa dela ou
da aparição dela, não sei, você arriscou sua vida, filha! Onde isso vai parar,
me diz?
RAÍZA: Talvez seja o preço que eu tenho que pagar por
ter sido salva um dia...
Bruno faz cara de inconformado e respira fundo.
BRUNO: E será que o Marco tá pagando por ter sido salvo
por você?
Close no rosto dela.
CORTA PARA
CENA 19 MANSÃO – SALA [INT./NOITE]
Marco está ao celular, de frente para
a estreita janela.
MARCO (mantendo a calma): Como é que você foi deixar
isso acontecer, hein?...(pausa)...Passe de mágica? Ninguém aparece num passe de
mágica, Matias (pausa)...De qualquer maneira o golpe teria sido fraco; Se
aquela garota suportou imagine a Valentina...(pausa)...Você anda cometendo
falhas. Acho bom prestar atenção no que faz.
Ele desliga o celular, olha fixo pra janela.
MARCO (murmura com raiva): Raíza...
FUSÃO PARA...
CENA 20 APTº 403 – SALA [INT.]
Raíza franze as sobrancelhas por algo que vê na
Internet. Apanha o celular na mesa e disca.
RAÍZA: Dcr? Encontrei a rua 16, fica bem distante daqui.
DCR (V.O): Ah...É? E...O que pretende fazer?
RAÍZA: Ir até lá! Em alguma daquelas casas ela deve
estar. Você vai comigo?
DCR (V.O): Raíza por que essa obstinação? Por que não
a espere te procurar?
RAÍZA: Eu a esperei, ela me procurou e não deu certo.
Agora é minha vez de ir atrás. E parece que vai ser fácil viu; É só descer na
clínica e...
DCR (V.O / assustado): Clínica? Que clínica?
RAÍZA: ‘Peraí’...É clínica de recuperação – Novo
Horizonte. Vai me servir como ponto de referência.
CORTA PARA
CENA 21 APTº 215 – QUARTO [INT.]
Dcr faz uma pausa, treme os lábios.
DCR: Tomara que você tenha sorte...(pausa) Tchau.
Ele desliza o fone pelo rosto, desliga. Sua
expressão é de preocupado, medo de algo. Permanece quieto e olha para baixo.
[POV de Dcr]
TOCANDO: Prelude 12/21 – A.F.I ->
Ele olha o porta-retrato onde estão ele, Ari, Raíza
e Rafaela no tempo do colégio.
CLOSE em Ari.
Ele deixa o celular ao lado do retrato.
FUSÃO PARA...
CENA 22 LUGAR DESCONHECIDO
CLOSE nos pés de duas pessoas andando por um largo
corredor. Chegam numa porta, ela é aberta.
Eles entram no quarto e param em frente a uma cama.
HOMEM 1: Ela dormiu o dia todo ontem.
A cena vai subindo e mostra, de costas, o rosto de
perfil de um médico com um prontuário em mãos.
HOMEM 2: Juro que pensei tê-la visto ontem...
O médico olha-o de lado, o outro também. É
Cipriano. A imagem ao fundo está embaçada.
MÉDICO: Não há como alguém escapar daqui.
CIPRIANO: Não duvido. Mas acho melhor ela
continuar...Repousando.
MÉDICO: Ela está calma. Quer que eu continue com a
dosagem?
Silêncio.
CIPRIANO: Continue.
Ele vira e aparece Ari, deitada na cama.
Descabelada, presa com camisa de força, olheiras e aparência frustrada.
Cipriano sai do quarto e caminha pelo...
CORREDOR...
[efeito câmera lenta]
FADE TO BLACK
Participação Especial:
Trilha Sonora:
Prelude 12/21 – A.F.I

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