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Desígnios: Capítulo 06

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 06

  

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Corredor dos quartos/Dia.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Sérgio e Elisa estão parados em frente à porta do ateliê, Estela se aproxima, afasta Sérgio de Elisa.

ESTELA

(nervosa) Roberto vai ficar sabendo disso!

ELISA

(irritada) Disso o que, tia? Nem você sabe o que está acontecendo aqui.

ESTELA

Claro que sei! Este motorista acha que pode transitar pela casa toda, que pode se aproximar de vocês, mas não pode! O lugar dele não é aqui!

ELISA

(encara Estela, está com raiva) Nem o seu lugar é aqui, tia... Sérgio está aqui porque eu o chamei; é assunto nosso e você está atrapalhando, portanto, saia daqui e nos deixe em paz, que ninguém aqui é criança.

Estela fica chocada, sentida, Sérgio gosta de ver Elisa se impondo.

ESTELA

Elisa... Isso é jeito de falar comigo? Eu só quero o seu bem.

ELISA

(altiva) De boas intenções o inferno está cheio, tia... Agora nos dê licença.

Estela é obrigada a se calar, encara Sérgio com raiva, sai.

 

SÉRGIO

Espero que haja chave no meu quarto... Aquele olhar da sua tia deixou-me com medo.

ELISA

(acha graça) Não liga para ela. Desde quando o marido dela morreu e ela veio morar aqui com o Dante, que ela vive amargurada com o mundo, não é só com você.

SÉRGIO

Não é só isso... Ela foi bastante clara. Acha que o facto de não me tratarem como um empregado da casa é um absurdo.

ELISA

Mas aqui em casa nós tratamos todos da mesma forma. Temos muito carinho por nossos funcionários.

SÉRGIO

(sorri) Isso é muito bom, Elisa. Bem... Onde estávamos?

ELISA

(respira fundo) Quase entrando no ateliê.

SÉRGIO

Queres que eu entre primeiro?

ELISA

Não... Vamos entrar juntos.

Sérgio segura a mão de Elisa, os dois entram no ateliê.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Clara está sentada no sofá, Malu entra trazendo suco, Clara desce as escadas, está nervosa.

ESTELA

(nervosa) Clara, a sua filha me desrespeitou! Foi grosseira comigo?

CLARA

Eu não sabia que a Maya já tinha chegado.

ESTELA

Estou falando da Elisa!

Malu fica atenta a conversa.

CLARA

(surpresa) A Elisa foi grosseira com você? Mas como assim, Estela? O que aconteceu?

ESTELA

Eu encontrei aquele motorista lá em cima com ela, de mãos dadas no meio do corredor!

Malu gosta, sorri empolgada, Berta entra.

CLARA

(confusa) Calma, Estela... Como assim, a Elisa estava de mãos dadas com o Sérgio? Ficou louca?

ESTELA

(nervosa) Não! Mas ela sim! Só faltou me expulsar a ponta pés! Disse que era assunto deles, para eu não me meter.

MALU

(animada) Gente, que babado! Eu já tava sentindo falta dessa Elisa.

ESTELA

Cala essa boca! Vai para a cozinha, sua intrometida.

Clara se levanta. 

CLARA

(calma, pensativa) Não fale assim com a Malu... Eu vou lá ver o que está acontecendo.

BERTA

Dona Clara... Desculpa me intrometer... Mas a Elisa me disse que Sérgio a está ajudando a superar o que aconteceu. Ela até falou em entrar no ateliê, porque ele queria ver os quadros dela.

CLARA

(sorri feliz) É mesmo, Berta?

BERTA

Sim, dona Clara, por isso eu acho melhor não atrapalhar eles. Elisa o vê como um amigo.

CLARA

Tudo bem... Se é assim, eu espero.

Estela fica com raiva.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

O ateliê está com as janelas fechadas, por isso está com pouca iluminação. Elisa está parada no meio, Sérgio vai até uma das janelas, abre a cortina. A claridade entra, mostrando metade do ateliê, depois ele vai até a outra janela, abre a cortina, todo o ateliê fica com boa iluminação, nas paredes há quadros feitos por Elisa. Em cima da mesa há um vaso vazio, alguns objetos, um porta retrato com uma foto dela e de Bruno. Ela olha em volta, com saudades no olhar. Há um quadro grande dela e de Bruno; no chão há uma caixa com algumas coisas. Sérgio olha os quadros, admirado.

SÉRGIO

Elisa, os teus quadros são lindíssimos... têm vida.

ELISA

(tom baixo) Era a minha vida...

Elisa se aproxima do quadro dela e de Bruno, acaricia a pintura, as lágrimas escorrem. Sérgio se aproxima, coloca a mão no ombro dela.

SÉRGIO

Posso deduzir que este é o Bruno.

ELISA

(sorri um pouco) Sim... Ele quis que eu pintasse esse quadro para colocar na entrada do buffet da festa do nosso casamento... (triste) Ele ficou tão feliz quando viu como ficou...!

SÉRGIO

Realmente, ficou muito bonito!

Elisa se aproxima da mesa, acaricia o vaso.

ELISA

(saudosa) Esse vaso nunca ficou vazio... Bruno sempre trazia flores para colocar aqui, ele dizia que era para me inspirar. (sorri) Ele trazia tipos diferentes de flores, cores diferentes... Ele sabia que eu gostava.

Elisa olha em volta.

ELISA

Eu não deveria ter fechado essa porta por todos esses anos, mas... Agora que, finalmente, abri... Não posso mais fechar!

SÉRGIO

(pensativo) E, se me permitires... posso encarregar-me das flores.

ELISA

(sorri) Gostei da ideia, Sérgio... Pode trazer, sim; vou pedir para a Malu dar um jeito aqui e/ (pensativa) Não... Eu mesma vou limpar; faço questão de tirar cada poeira, cada lembrança e, quando tudo estiver no lugar, peço para você trazer as flores.

SÉRGIO

(sorri) Fá-lo-ei com todo o prazer.

ELISA

Obrigada, Sérgio... Se não fosse por você, eu nunca conseguiria entrar aqui, novamente, e... Muito menos, ter vontade de deixar tudo em ordem.

SÉRGIO

(olhando Elisa nos olhos) Saiba que, também, me está a ajudar, Elisa... Havia coisas dentro de mim que eu já não queria carregar e, com a sua ajuda, estou cada vez mais perto de chegar onde quero.

ELISA

(olhando Sérgio) Fico feliz em saber disso.

Elisa e Sérgio se aproximam, Elisa esbarra a mão sem querer em cima da mesa, um cartão cai. Elisa se abaixa, pega o cartão, se emociona ao ler.

SÉRGIO

O que foi?

ELISA

Vou ler o que Bruno escreveu para mim. “Elisa, te ver feliz é o que me faz feliz, portanto, que a felicidade sempre te encontre onde quer que for... Bruno”.

SÉRGIO

(sorri gostando) Bruno era um homem que sabia demonstrar amor.

Elisa enxuga as lágrimas.

ELISA

(sorri) Sabia, sim! Infelizmente, ele não está mais aqui... Mas eu sim, e chegou a hora de dar vida a este lugar.

O celular de Sérgio faz som de notificação, ele pega o aparelho, lê uma mensagem, fica sério.

ELISA

Está tudo bem?

SÉRGIO

Está..., mas vou precisar responder a esta mensagem, e... é um pouco urgente.

ELISA

Claro, pode ir. Depois nos falamos.

SÉRGIO

(sorri) Até logo. Com licença, Elisa.

Sérgio beija a mão de Elisa, sai. Elisa sorri, pensativa.

Corta Para:

Cena 4/ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.

Sérgio olha em volta, vê que está sozinho, faz uma ligação.

SÉRGIO

Gonçalo, não permitas que a Manuela tome nenhuma decisão! Já te disse que vou aí, mas não quero ver a cara dela, fui claro?! (ouve) Não importa! Já te disse para pagares o triplo a cada detective que ela contratar... Ela não pode descobrir onde estou. (ouve) Exactamente, diz-lhe que não permito a venda das minhas propriedades. Se for para vender, vendo-as eu, mesmo. E, Gonçalo... continua a manter-me informado de tudo. Aguenta a pressão. Vou pedir autorização ao meu patrão e irei aí. (ouve) Queres parar de rir? Não tem graça nenhuma! Sim, estou a trabalhar... e estou feliz. Feliz como nunca fui aí. (ouve) Até logo, amigo.

Sérgio desliga o celular, Maya se aproxima, Sérgio não a vê.

SÉRGIO

(para si mesmo) Preciso de me livrar de Manuela.

MAYA

(sorri maldosa) Manuela, é...

Sérgio se assusta ao ouvir Maya, a olha.

SÉRGIO

Senhorita, por favor, não me assuste assim.

MAYA

Por que você quer se livrar dessa Manuela?

SÉRGIO

Não quero ser indelicado, mas é um assunto meu. Peço-lhe que não comente isso com ninguém... Afinal, a Manuela está em Portugal.

MAYA

O que ela é sua?

SÉRGIO

(sério) Nada! É, simplesmente, uma pessoa que quero e preciso esquecer. Com licença.

Sérgio sai. Maya sorri maldosa, pensativa.

MAYA

Sérgio, Sérgio... Uma mulher que faz um homem mudar de país... Não pode ser nada.

Corta Para:

Cena 5/Int./Mais Tarde - Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

A sala está vazia, Sérgio vem da cozinha, ele olha o piano que fica perto da escada, se aproxima, olha o piano de forma saudosa, acaricia as teclas. Elisa, desce as escadas, está arrumada para ir jantar com Álvaro, Sérgio não a vê.

ELISA

(sorri) Não me diga que você sabe tocar piano?

Sérgio se vira, admira Elisa.

SÉRGIO

Estás linda, Elisa.

ELISA

(sorri) Obrigada. E então... Você sabe tocar piano?

SÉRGIO

(tímido) Sei...

ELISA

(surpresa, sorri) É mesmo? Então, toca um pouco.

SÉRGIO

Não é boa ideia, Elisa. A tua tia, ou até os teus pais, podem não gostar.

ELISA

Para de bobagens, Sérgio, não tem nada demais.

SÉRGIO

Se é assim... o que queres ouvir?

ELISA

(sorri) Me surpreenda.

Sérgio sorri, se senta ao piano, Álvaro entra. Sérgio começa a tocar “Nocturne Op. 9 No. 2 - Frédéric Chopin” (Link Youtube: Clique Aqui. Spotify: Clique Aqui). Elisa fica espantada, Álvaro fica com raiva, se aproxima de Elisa, ela não percebe. Álvaro aplaude de forma ríspida, Elisa se assusta, Sérgio para de tocar o piano.

ÁLVARO

(raiva contida, sarcástico) Bravo... Você socorre donzelas em perigo, entende de negócios, filosofa e ainda toca Chopin, com perfeição... Me diga uma coisa, Sérgio: existe algo que um simples motorista não saiba fazer? Dançar talvez?

Elisa fica sem ação. Sérgio se levanta, encarando Álvaro.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Nocturne Op. 9 No. 2 - Frédéric Chopin

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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