
Cena 1/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Corredor dos quartos/Dia.
Cont. Imediata do
capítulo anterior.
Sérgio e Elisa estão
parados em frente à porta do ateliê, Estela se aproxima, afasta Sérgio de
Elisa.
ESTELA
(nervosa) Roberto vai ficar sabendo disso!
ELISA
(irritada) Disso o que, tia? Nem você sabe o que está
acontecendo aqui.
ESTELA
Claro que sei! Este motorista acha que pode transitar pela
casa toda, que pode se aproximar de vocês, mas não pode! O lugar dele não é
aqui!
ELISA
(encara Estela, está com raiva) Nem o seu lugar é aqui,
tia... Sérgio está aqui porque eu o chamei; é assunto nosso e você está
atrapalhando, portanto, saia daqui e nos deixe em paz, que ninguém aqui é
criança.
Estela fica chocada,
sentida, Sérgio gosta de ver Elisa se impondo.
ESTELA
Elisa... Isso é jeito de falar comigo? Eu só quero o seu bem.
ELISA
(altiva) De boas intenções o inferno está cheio, tia... Agora
nos dê licença.
Estela é obrigada a
se calar, encara Sérgio com raiva, sai.
SÉRGIO
Espero que haja chave no meu quarto... Aquele olhar da sua
tia deixou-me com medo.
ELISA
(acha graça) Não liga para ela. Desde quando o marido dela
morreu e ela veio morar aqui com o Dante, que ela vive amargurada com o mundo,
não é só com você.
SÉRGIO
Não é só isso... Ela foi bastante clara. Acha que o facto de
não me tratarem como um empregado da casa é um absurdo.
ELISA
Mas aqui em casa nós tratamos todos da mesma forma. Temos muito
carinho por nossos funcionários.
SÉRGIO
(sorri) Isso é muito bom, Elisa. Bem... Onde estávamos?
ELISA
(respira fundo) Quase entrando no ateliê.
SÉRGIO
Queres que eu entre primeiro?
ELISA
Não... Vamos entrar juntos.
Sérgio segura a mão
de Elisa, os dois entram no ateliê.
Corta Para:
Cena 2/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Clara está sentada no
sofá, Malu entra trazendo suco, Clara desce as escadas, está nervosa.
ESTELA
(nervosa) Clara, a sua filha me desrespeitou! Foi grosseira
comigo?
CLARA
Eu não sabia que a Maya já tinha chegado.
ESTELA
Estou falando da Elisa!
Malu fica atenta a
conversa.
CLARA
(surpresa) A Elisa foi grosseira com você? Mas como assim,
Estela? O que aconteceu?
ESTELA
Eu encontrei aquele motorista lá em cima com ela, de mãos
dadas no meio do corredor!
Malu gosta, sorri
empolgada, Berta entra.
CLARA
(confusa) Calma, Estela... Como assim, a Elisa estava de mãos
dadas com o Sérgio? Ficou louca?
ESTELA
(nervosa) Não! Mas ela sim! Só faltou me expulsar a ponta
pés! Disse que era assunto deles, para eu não me meter.
MALU
(animada) Gente, que babado! Eu já tava sentindo falta dessa
Elisa.
ESTELA
Cala essa boca! Vai para a cozinha, sua intrometida.
Clara se levanta.
CLARA
(calma, pensativa) Não fale assim com a Malu... Eu vou lá ver
o que está acontecendo.
BERTA
Dona Clara... Desculpa me intrometer... Mas a Elisa me disse
que Sérgio a está ajudando a superar o que aconteceu. Ela até falou em entrar
no ateliê, porque ele queria ver os quadros dela.
CLARA
(sorri feliz) É mesmo, Berta?
BERTA
Sim, dona Clara, por isso eu acho melhor não atrapalhar eles.
Elisa o vê como um amigo.
CLARA
Tudo bem... Se é assim, eu espero.
Estela fica com
raiva.
Corta Para:
Cena 3/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.
O ateliê está com as
janelas fechadas, por isso está com pouca iluminação. Elisa está parada no
meio, Sérgio vai até uma das janelas, abre a cortina. A claridade entra,
mostrando metade do ateliê, depois ele vai até a outra janela, abre a cortina,
todo o ateliê fica com boa iluminação, nas paredes há quadros feitos por Elisa.
Em cima da mesa há um vaso vazio, alguns objetos, um porta retrato com uma foto
dela e de Bruno. Ela olha em volta, com saudades no olhar. Há um quadro grande
dela e de Bruno; no chão há uma caixa com algumas coisas. Sérgio olha os
quadros, admirado.
SÉRGIO
Elisa, os teus quadros são lindíssimos... têm vida.
ELISA
(tom baixo) Era a minha vida...
Elisa se aproxima do
quadro dela e de Bruno, acaricia a pintura, as lágrimas escorrem. Sérgio se
aproxima, coloca a mão no ombro dela.
SÉRGIO
Posso deduzir que este é o Bruno.
ELISA
(sorri um pouco) Sim... Ele quis que eu pintasse esse quadro
para colocar na entrada do buffet da festa do nosso casamento... (triste) Ele
ficou tão feliz quando viu como ficou...!
SÉRGIO
Realmente, ficou muito bonito!
Elisa se aproxima da
mesa, acaricia o vaso.
ELISA
(saudosa) Esse vaso nunca ficou vazio... Bruno sempre trazia
flores para colocar aqui, ele dizia que era para me inspirar. (sorri) Ele
trazia tipos diferentes de flores, cores diferentes... Ele sabia que eu
gostava.
Elisa olha em volta.
ELISA
Eu não deveria ter fechado essa porta por todos esses anos,
mas... Agora que, finalmente, abri... Não posso mais fechar!
SÉRGIO
(pensativo) E, se me permitires... posso encarregar-me das flores.
ELISA
(sorri) Gostei da ideia, Sérgio... Pode trazer, sim; vou
pedir para a Malu dar um jeito aqui e/ (pensativa) Não... Eu mesma vou limpar;
faço questão de tirar cada poeira, cada lembrança e, quando tudo estiver no
lugar, peço para você trazer as flores.
SÉRGIO
(sorri) Fá-lo-ei com todo o prazer.
ELISA
Obrigada, Sérgio... Se não fosse por você, eu nunca
conseguiria entrar aqui, novamente, e... Muito menos, ter vontade de deixar
tudo em ordem.
SÉRGIO
(olhando Elisa nos olhos) Saiba que, também, me está a
ajudar, Elisa... Havia coisas dentro de mim que eu já não queria carregar e,
com a sua ajuda, estou cada vez mais perto de chegar onde quero.
ELISA
(olhando Sérgio) Fico feliz em saber disso.
Elisa e Sérgio se
aproximam, Elisa esbarra a mão sem querer em cima da mesa, um cartão cai. Elisa
se abaixa, pega o cartão, se emociona ao ler.
SÉRGIO
O que foi?
ELISA
Vou ler o que Bruno escreveu para mim. “Elisa, te ver feliz é o que me faz feliz, portanto, que a felicidade sempre te encontre onde quer que for... Bruno”.
SÉRGIO
(sorri gostando) Bruno era um homem que sabia demonstrar
amor.
Elisa enxuga as
lágrimas.
ELISA
(sorri) Sabia, sim! Infelizmente, ele não está mais aqui...
Mas eu sim, e chegou a hora de dar vida a este lugar.
O celular de Sérgio
faz som de notificação, ele pega o aparelho, lê uma mensagem, fica sério.
ELISA
Está tudo bem?
SÉRGIO
Está..., mas vou precisar responder a esta mensagem, e... é
um pouco urgente.
ELISA
Claro, pode ir. Depois nos falamos.
SÉRGIO
(sorri) Até logo. Com licença, Elisa.
Sérgio beija a mão de
Elisa, sai. Elisa sorri, pensativa.
Corta Para:
Cena 4/ext./Mansão
Monteiro Diniz/Jardim/Dia.
Sérgio olha em volta,
vê que está sozinho, faz uma ligação.
SÉRGIO
Gonçalo, não permitas que a
Manuela tome nenhuma decisão! Já te disse que vou aí, mas não quero ver a cara
dela, fui claro?! (ouve) Não importa! Já te disse para pagares o triplo a cada
detective que ela contratar... Ela não pode descobrir onde estou. (ouve)
Exactamente, diz-lhe que não permito a venda das minhas propriedades. Se for
para vender, vendo-as eu, mesmo. E, Gonçalo... continua a manter-me informado
de tudo. Aguenta a pressão. Vou pedir autorização ao meu patrão e irei aí.
(ouve) Queres parar de rir? Não tem graça nenhuma! Sim, estou a trabalhar... e
estou feliz. Feliz como nunca fui aí. (ouve) Até logo, amigo.
Sérgio desliga o
celular, Maya se aproxima, Sérgio não a vê.
SÉRGIO
(para si mesmo) Preciso de me livrar de Manuela.
MAYA
(sorri maldosa) Manuela, é...
Sérgio se assusta ao
ouvir Maya, a olha.
SÉRGIO
Senhorita, por favor, não me assuste assim.
MAYA
Por que você quer se livrar dessa Manuela?
SÉRGIO
Não quero ser indelicado, mas é um assunto meu. Peço-lhe que
não comente isso com ninguém... Afinal, a Manuela está em Portugal.
MAYA
O que ela é sua?
SÉRGIO
(sério) Nada! É, simplesmente, uma pessoa que quero e preciso
esquecer. Com licença.
Sérgio sai. Maya
sorri maldosa, pensativa.
MAYA
Sérgio, Sérgio... Uma mulher que faz um homem mudar de
país... Não pode ser nada.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mais
Tarde - Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.
A sala está vazia,
Sérgio vem da cozinha, ele olha o piano que fica perto da escada, se aproxima,
olha o piano de forma saudosa, acaricia as teclas. Elisa, desce as escadas,
está arrumada para ir jantar com Álvaro, Sérgio não a vê.
ELISA
(sorri) Não me diga que você sabe tocar piano?
Sérgio se vira,
admira Elisa.
SÉRGIO
Estás linda, Elisa.
ELISA
(sorri) Obrigada. E então... Você sabe tocar piano?
SÉRGIO
(tímido) Sei...
ELISA
(surpresa, sorri) É mesmo? Então, toca um pouco.
SÉRGIO
Não é boa ideia, Elisa. A tua tia, ou até os teus pais, podem
não gostar.
ELISA
Para de bobagens, Sérgio, não tem nada demais.
SÉRGIO
Se é assim... o que queres ouvir?
ELISA
(sorri) Me surpreenda.
Sérgio sorri, se
senta ao piano, Álvaro entra. Sérgio começa a tocar “Nocturne Op. 9 No. 2 -
Frédéric Chopin” (Link Youtube: Clique Aqui. Spotify: Clique Aqui). Elisa fica
espantada, Álvaro fica com raiva, se aproxima de Elisa, ela não percebe. Álvaro
aplaude de forma ríspida, Elisa se assusta, Sérgio para de tocar o piano.
ÁLVARO
(raiva contida, sarcástico) Bravo... Você socorre donzelas em
perigo, entende de negócios, filosofa e ainda toca Chopin, com perfeição... Me
diga uma coisa, Sérgio: existe algo que um simples motorista não saiba fazer?
Dançar talvez?
Elisa fica sem ação. Sérgio se levanta, encarando Álvaro.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Nocturne Op. 9 No. 2 - Frédéric Chopin
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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