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Desígnios: Capítulo 05

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 05

 

Cena 1/Ext./Padaria Camões/Dia.

Maya, Dante e Sérgio descem do carro. Maya olha em volta, estranhando o lugar.

MAYA

(pouco caso) É aqui que você mora, Sérgio?

SÉRGIO

(simpático, sarcástico) Achou que eu morava num palácio, senhorita Maya?

MAYA

(acha graça) Claro que não.

SÉRGIO

(sorri) O dono da padaria era amigo do meu pai. Quando cheguei ao Brasil vim procurar por ele, que acolheu-me aqui. Moro num apartamento por cima da padaria.

DANTE

Pelo cheiro delicioso, fome você não passa.

SÉRGIO

Não, mesmo. Tudo que eles fazem é muito bom. Mas vamos entrar... Vou apresentar-vos a eles e despedir-me.

Maya, Sérgio e Dante entram na padaria.

Corta Para:

Cena 2/Int./Padaria Camões/Dia.

Manuel está varrendo a padaria, Leonor está no caixa, Sérgio se aproxima de Manuel.

SÉRGIO

(sorri) Bom dia, senhor Manuel.

MANUEL

(receptivo) Sérgio! Que bom que chegaste. Acabaram de sair uns pastéis de Belém.

SÉRGIO

Isso não posso negar. Quero, sim, mas antes quero apresentar-lhe a filha e o sobrinho do meu patrão.

Maya e Dante se aproximam.

SÉRGIO

Estes são a Maya e o Dante. Vieram ajudar-me com a mudança. (para Maya e Dante) Este é o meu amigo, o senhor Manuel.

MANUEL

Prazer em conhecer-vos. Também querem pastéis de Belém?

MAYA

Eu até diria que sim... Se eu soubesse o que é.

SÉRGIO

(sorri) Eu explico: é um doce tradicional português... uma massa folhada crocante com creme de nata, gemas e açúcar. Quando sai quente do forno, torna-se impossível comer um só.

DANTE

(achando gostoso) Com certeza, eu quero! Pode trazer uns quatro para mim.

MAYA

(acha graça) Eu também quero, mas não quatro... Quero apenas um.

SÉRGIO

Garanto-lhe que a senhorita vai gostar.

MAYA

(sorri) Eu tenho certeza que sim. Se é aprovado por você, realmente deve ser bom.

Sol entra apressada, cansada.

SOL

Desculpa o atraso, pai. Eu tive que ficar mais um pouco no curso.

Dante acha Sol bonita, fica encantado.

MANUEL

Não faz mal, filha. Vai arranjar-te para ficares no lugar da tua mãe.

SOL

Já vou. (para Sérgio) Então, você vai, mesmo, embora?

SÉRGIO

Vou, Sol, mas não vou deixar de vir aqui.

SOL

(sorri) Que bom! Te desejo toda sorte no novo emprego.

SÉRGIO

Obrigado! Sol, estes são a Maya e o Dante.

DANTE

(encantado) Sol... Que nome bonito, combina com você.

SOL

(sorri sem jeito) Obrigada!

MANUEL

Filha, vai buscar pastéis de Belém para eles. É tão difícil estar sem mais alguém para ajudar aqui... Mal posso esperar por ter um ajudante.

SÉRGIO

(pensativo) Sabe, Manuel... Acho que posso indicar-lhe alguém. Só preciso de confirmar com uma pessoa. Pode esperar até mais logo?

MANUEL

Esperei até agora... Enfim, vou para trás do balcão. E tu, Sérgio, sabes que serás sempre bem-vindo aqui, principalmente como meu sócio... Não entendo como alguém como tu prefere trabalhar como motorista.

Sérgio fica sem reação, Maya fica curiosa.

MAYA

(sorri um pouco) Alguém como ele?... Como assim?

SÉRGIO

(disfarça) Ele acha que eu me sairia bem como sócio dele, só isso. Vamos sentar-nos e, depois de terminarmos de comer, vamos buscar algumas coisas.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Estela está sentada tomando vinho, Clara entra, está animada trazendo umas caixas, Elisa desce as escadas.

CLARA

(feliz, empolgada) Elisa, meu amor, olha o que a mamãe foi buscar.

Elisa se aproxima, Clara abre as caixas.

CLARA

(animada) Os convites do seu casamento!

Clara segura a mão de Elisa, as duas se sentam no sofá.

CLARA

(animada) Ficaram lindos demais, querida! Agora vamos pegar a lista de convidados e ver se está tudo certo.

ELISA

(desanimada) Depois eu vejo isso, mamãe.

CLARA

(desfazendo o sorriso) Credo, Elisa... Que desânimo é esse, minha filha? Até parece que não está ansiosa para o casamento.

ELISA

E não estou, mamãe... Para ser bem sincera, estou com dúvidas.

CLARA

(assustada) Que dúvidas, Elisa? Para com isso. (volta ao normal) Isso é nervosismo de noiva, é normal.

ELISA

Mamãe... Alguma vez você realmente me ouviu e prestou atenção no que eu digo? Não é nervosismo de noiva; são dúvidas reais, mesmo. Álvaro e eu somos muito diferentes... Eu acho que... Que nem o amo de verdade.

ESTELA

Elisa, vou ser sincera com você. O problema é que você ainda vive como viúva de um homem com quem nem chegou a casar. E por isso você fica colocando pedras no seu caminho.

ELISA

(inconformada) Não é nada disso, tia! Que absurdo!

Elisa se levanta.

ELISA

(nervosa) E mesmo se fosse isso, a vida é minha! E pedras é a senhora que coloca, mas em seus pensamentos e no seu coração!

Elisa vai para a cozinha, Clara encara Estela, a reprovando.

 

 

CLARA

Estela, você sabe muito bem que a minha filha passou por um momento difícil.

ESTELA

Eu sei, mas já passou da hora dela acordar para a vida; e você fica atenta, sua tonta. Elisa pode cancelar esse casamento a qualquer momento. Não deixa. Álvaro é um excelente partido.

Clara fica pensativa e preocupada.

Corta Para:

Cena 4/Int./Hospital/U.T.I/Dia.

Benício está acordado, entediado, Lívia entra.

BENÍCIO

(sorri safado) Olha quem veio me visitar... A minha ficante preferida.

LÍVIA

(inconformada, irritada) Nem assim você toma jeito né, Beny. Tá aí todo arrebentado e falando porcaria. Nós (ênfase) fomos, ficantes. Agora somos meros colegas.

BENÍCIO

(sorri) Você tá aqui... Veio me ver.

LÍVIA

Vim porque a minha mãe insistiu muito. Não sei por que mas ela está tão preocupada com o alecrim dourado.

BENÍCIO

(ri) Confessa que você me ama, Lili.

LÍVIA

(irritada) Eu sou muito idiota por ter vindo. Tchau, Beny!

Lívia vai saindo.

BENÍCIO

Lívia, espera... Por favor.

Lívia volta, se aproxima da cama de Benício.

LÍVIA

Para você ter pedido por favor, deve estar passando mal... O que foi?

BENÍCIO

(sem jeito) Fica mais um pouco... Não aguento mais ficar aqui sozinho e sem ter o que fazer.

LÍVIA

(pensativa) Tudo bem... Eu fico, mas só se você se comportar.

BENÍCIO

(sorri sarcástico) Não consigo me comportar por muito tempo, mas vou tentar.

LÍVIA

Acho bom.

Lívia puxa uma cadeira e se senta ao lado da cama de Benício.

Corta Para:

Cena 5/Int./Apartamento de Sérgio/Sala/dia.

Maya está olhando pela janela, depois ela olha a sala, percebe que tem um baú preto perto da porta, se aproxima curiosa, Sérgio vem do quarto trazendo duas malas.

SÉRGIO

Podemos ir.

MAYA

(olhando Sérgio nos olhos, curiosa) Sérgio... Você, realmente, se conforma com essas coisas?

SÉRGIO

Que coisas?

MAYA

Olha em volta... Aqui não tem quase nada! Sinceramente, não faz sentido...

SÉRGIO

A senhorita faz parte de uma família de classe alta, por isso está impressionada com o que vê.

MAYA

(sorri um pouco) Não é isso... Você parece uma peça em um quebra-cabeça que não se encaixa.

SÉRGIO

Lamento desapontá-la, senhorita, mas eu sempre fui o que está a ver. Agora, vamos embora. O seu pai disse que vou precisar de ir buscá-lo daqui a pouco.

Sérgio deixa as malas no chão, pega o baú.

MAYA

O que tem aí?

SÉRGIO

Umas coisas velhas.

Sérgio vai saindo, Maya sorri curiosa.

Corta Para:

Cena 6/Int./Mansão Monteiro Diniz/Escritório/Dia.

Elisa está sentada, lendo um livro de Fernando Pessoa, Berta entra trazendo uma bandeja com suco.

BERTA

Trouxe seu suco querida.

ELISA

E a Malu?

BERTA

Eu deixei aquela tagarela arrumando os quartos, quero falar com você.

Elisa pega o suco, toma um pouco.

BERTA

Você entrou no seu ateliê?

ELISA

Ainda não, Berta... Não tive coragem, mas eu vou entrar quando for mostrar ele para o Sérgio.

BERTA

(estranha) Para o motorista? E por quê?

ELISA

Ele é o amigo que falei, Berta. Foi ele que me ajudou quando tive a crise de pânico. Depois nos encontramos, por acaso, na Sala São Paulo, conversamos bastante, descobrimos gostos em comum, enfim... Acabei falando que eu pintava e ele quer ver meus quadros.

BERTA

(pensativa, sorri gostando) E é por causa dele que você está mais leve, ultimamente?

ELISA

(sorri um pouco) Como assim, Berta?

BERTA

Ah, menina... Você não me engana! Te conheço desde que você nasceu. Depois que esse rapaz apareceu, você não anda, flutua. Além de estar enfrentando as pessoas, como sempre fez, desde pequena.

ELISA

(sorri tímida) Berta, você está vendo coisas demais. Como falei, Sérgio é um amigo.

BERTA

Se é assim... Que essa amizade dure muito, está te fazendo bem.

Berta sai, Elisa sorri, pensativa.

Corta Para:

Cena 7/Int./Mais Tarde/Carro/Dia.

Sérgio está dirigindo, Álvaro e Roberto estão conversando no banco de trás.

ROBERTO

Álvaro, eu quero que esse supermercado seja igual aos outros. Só porque está num bairro pobre não precisa ser simples; quero manter o nosso padrão.

ÁLVARO

(frio/prático) Roberto, sinceramente? Não vale a pena investir tanto naquela unidade. O público dali procura preço baixo, promoções... Não precisa dar pérolas aos porcos.

Roberto fica pensativo. Sérgio está ouvindo discretamente enquanto dirige.

ROBERTO

Não fale assim, Álvaro. São seres humanos como nós... E eu não sei se quero mudar o padrão.

O carro para em frente a mansão, Roberto e Álvaro descem do carro, Sérgio desce em seguida, se aproxima.

SÉRGIO

(com respeito) Posso dar uma opinião, senhor Roberto?

Álvaro sorri debochado.

ÁLVARO

Você?... Além de ouvir conversa alheia, é capaz de opinar sobre nossos negócios?

ROBERTO

Deixa ele falar, Álvaro... Fale, Sérgio.

SÉRGIO

Em Portugal, conheci pequenos mercados que cresceram, justamente, porque tratavam bairros simples com mais cuidado e não com menos... Quem trabalha muito e tem pouco dinheiro, talvez, seja quem mais mereça entrar num lugar bonito, limpo e acolhedor. Isso cria respeito... e o respeito cria fidelidade.

Álvaro ouve com desprezo e deboche.

ROBERTO

(pensativo) É exatamente isso o que eu penso, Sérgio... O Grupo Monteiro Diniz não olha classe social. (para Álvaro) Vamos manter o projeto original. Quero o meu supermercado igual em todos os lugares.

Álvaro fica sério, com raiva, encara Sérgio. Roberto coloca a mão no ombro de Sérgio.

ROBERTO

(sorri) obrigado, rapaz. Vamos entrar.

Sérgio e Roberto entram.

ÁLVARO

(raiva) Eu preciso dar um jeito nesse português... Antes ele era uma pedra no meu sapato, agora é uma pedra no meu caminho e eu vou chutar para bem longe!

Corta Para:

Cena 8/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Castro Figueroa/Sala/Dia.

Gonçalo está em pé, Manuela se aproxima.

MANUELA

Isso que é surpreendente... Você por aqui?

GONÇALO

Como vai, Manuela?

MANUELA

Ótima... Veio trazer-me notícias do seu amigo?

GONÇALO

De certa forma, sim... Mas, talvez, não vá gostar.

MANUELA

(sorri misteriosa) Diga... E vamos ver se vou gostar ou não.

GONÇALO

Manuela, chegou o momento de o António Sérgio assumir o lugar dele na multinacional. Em poucos dias, tudo será legalmente dele.

MANUELA

(fica séria) Mas ele desapareceu, Gonçalo... E, com isso, tudo o que o meu marido lhe deixou, fica comigo.

GONÇALO

(sorri) As coisas não são assim, Manuela. O António Sérgio nunca disse que não aceita a herança, nem abriu mão dos negócios. Ele só não quer ser encontrado pela senhora. Comigo ele fala.

MANUELA

(raiva) Então, onde diabos ele se meteu?

GONÇALO

Não vou dizer... Mas, a pedido dele, vim avisá-la de que, em breve, ele vai assumir tudo o que o pai lhe deixou.

Manuela encara Gonçalo, com raiva.

Corta Para:

Cena 9/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Mais Tarde/Corredor dos quartos/Dia.

Elisa está parada em frente a porta do ateliê, Sérgio se aproxima.

SÉRGIO

(sorri) Desculpe a demora, Elisa. Estava a arrumar as minhas coisas.

ELISA

Tudo bem, Sérgio... Bem, o meu ateliê é aqui.

SÉRGIO

Elisa... Se não te sentires confortável para entrar aí, eu compreendo. Espero que te sintas à vontade para me mostrares os teus quadros.

ELISA

(sorri) Esta porta está fechada há anos... Acho que agora é a hora de abrir novamente.

SÉRGIO

(sorri) Então, vamos lá.

Elisa encara a porta, está com receio, Sérgio segura a mão de Elisa, que observa a mão dele na sua, vira a chave que está na porta, abrindo-a devagar. Estela sai de seu quarto, não gosta de ver Elisa e Sérgio de mãos dadas.

ESTELA

(altiva) Mais que atrevimento é este? Se afaste da minha sobrinha!

Sérgio e Elisa olham para Estela, estão surpresos.

A NOVELA DESÍGNIOS SERÁ EXIBIDA TODA SEMANA. NÃO PERCA OS CAPÍTULOS INÉDITOS, TODA SEXTA, SÁBADO E DOMINGO, AQUI NA WEBTV.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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