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Desígnios: Capítulo 14

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 14


  

Cena 1/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro Figueroa/Escritório de Gonçalo/Dia.

Gonçalo está em pé perto de sua mesa, Manuela entra.

MANUELA

O que é tão importante, que só pode ser dito aqui?

GONÇALO

Não se quer sentar, D. Manuela?

MANUELA

(séria) Não!

GONÇALO

(sorri um pouco) Está bem. Então, vou direto ao assunto... O António Sérgio vai estar aqui, na terça-feira; haverá duas reuniões: uma com ele, juntamente com os sócios, advogados e o juiz, e a outra com a senhora e o juiz. Tudo o que for dito na reunião em que o António Sérgio estiver, será transmitido à senhora.

MANUELA

(raiva, bate na mesa) Eu quero estar na reunião com o António Sérgio! Tenho esse direito!

GONÇALO

Tê-lo-ia se o herdeiro que recebeu quase todas as ações da multinacional não estivesse presente e tivesse dado ordens para a senhora não estar.

MANUELA

(raiva, altera o tom) Eu vou estar nessa reunião, ele querendo, ou não!

 

 

 

GONÇALO

Acredito que a senhora não se queira sujeitar a esse tipo de escândalo, porque a ordem é para não a deixar sequer entrar no edifício, enquanto o António Sérgio estiver aqui.

MANUELA

(ri de nervoso) É tão absurdo que chega a ser engraçado... Isto só pode ser medo... Medo de se encontrar comigo e não resistir.

GONÇALO

Não sei o que é, mas o recado está dado à senhora. A sua reunião será quando o António Sérgio sair; a senhora irá receber uma mensagem para vir aqui.

MANUELA

(encara Gonçalo, sorri maldosa) Nada disso vai adiantar; o meu reencontro com o António Sérgio é inevitável... Diga isso ao seu dono... Cão fiel.

Manuela sai. Gonçalo sorri altivo.

Corta Para:

Cena 2/Int./Brasil – São Paulo/Padaria Camões/Dia.

Sol e Estela estão se encarando, Benício observa.

SOL

(firme) Acredito que a senhora perdeu seu tempo vindo até aqui. Essa sua ordem não vale para mim, já que... Com todo respeito... Não lhe devo satisfações da minha vida! A senhora não paga as minhas contas e eu me relaciono com quem eu quiser.

Dante entra, Estela não o vê.

 

 

 

ESTELA

É isso que você quer? Que eu pague as suas contas? Qual o seu preço, garota? Quanto quer para ficar longe do meu filho?

Dante fica chocado com o que ouviu, fica frente a frente com a mãe, que fica desconcertada ao ver Dante, mas disfarça.

DANTE

Eu não acredito que a senhora veio até aqui ofender a Sol, e pior... Oferecer dinheiro para ela ficar longe de mim... Mas o que é isso?

ESTELA

(chora) Isso é uma mãe protegendo seu filho!

DANTE

Me protegendo do quê?

ESTELA

(altera o tom) Dessa golpista! Ela não é mulher para você, meu filho!

SOL

(nervosa) Eu acho melhor a senhora ir embora, porque não quero descer no seu nível e já estou perdendo a paciência.

ESTELA

Viu, Dante? Essa garota está ameaçando me bater!

BENÍCIO

Tia, você está perdendo uma chance, hein... Poderia ser atriz. (ri debochado).

ESTELA

Fique quieto, Beny!

 

 

DANTE

(se contendo) Mãe, acho melhor a senhora ir embora.

ESTELA

(altiva) Nós vamos, Dante.

DANTE

Não... Só você e, em casa, a gente conversa.

ESTELA

Estou mandando você vir comigo, me obedeça!

DANTE

(sério) Não, eu não sou criança, e já estou cansado disso. Eu vou ficar aqui e morar com a Sol e a família dela.

Sol fica surpresa, Benício sorri debochado, Estela fica incrédula.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Clara e Roberto estão conversando.

CLARA

(chateada) Não entendo, Roberto... Nossa filha parecia tão bem com o Álvaro.

ROBERTO

Acho que, no fundo, a gente que queria ver isso, Clarinha.

CLARA

Verdade... E, agora? Vamos ter que desconvidar as pessoas, cancelar tudo... Que vergonha.

 

 

 

ROBERTO

Vergonha coisa nenhuma! É o tipo de coisa que acontece e a vergonha é o que menos importa. Já pensou nossa filha viver infeliz.

CLARA

Isso não! Não, mesmo!

Maya desce as escadas.

MAYA

Então, o casamento do ano, realmente, não vai acontecer?

CLARA

Não, minha filha.

ROBERTO

Álvaro quer conversar com a Elisa, de qualquer jeito. Acho melhor deixar passar o fim de semana que ela vai passar na fazenda, para ela se acalmar; daí, sim, eu permito que Álvaro fale com ela, e que seja aqui, em casa.

MAYA

(estranha) Nossa... Elisa vai passar o fim de semana na fazenda?

ROBERTO

Vai, sim. Ela disse que está precisando.

MAYA

Só ela mesmo para achar que esse tipo de coisa se resolve com solidão, porque a fazenda até pode ser linda, mas não tem movimento, apenas verde para todos os lados.

CLARA

(sorri) Mas essa é a ideia, meu amor... Silêncio!

Sérgio entra.

SÉRGIO

Sr. Roberto, desculpe interromper, mas como o senhor pediu para avisar, está tudo pronto com o carro; a vistoria já foi feita.

ROBERTO

Ótimo, Sérgio. O endereço da fazenda eu já te enviei.

MAYA

(séria) Sérgio vai passar o fim de semana com a Elisa?

CLARA

Claro que não, Maya. Ele só vai levar sua irmã e, depois, voltará para buscá-la.

MAYA

(encara Sérgio) Quer saber... Eu vou com a Elisa; assim ela não fica sozinha.

Sérgio sorri, um pouco inconformado com a atitude de Maya, disfarça.

ROBERTO

Não. Sua irmã quer passar um tempo sozinha. Outro dia você vai e eu não quero que Álvaro saiba que Elisa estará lá, sozinha. Se ele souber, já sei que foi alguém daqui que contou, e terá consequências.

Elisa desce as escadas, sorri para Sérgio, sem que percebam.

ROBERTO

Boas notícias, meu amor. A vistoria no carro foi feita e está tudo certo.

 

 

ELISA

(sorri) Quem bom, papai. Eu estava arrumando as minhas coisas e, agora, vou comprar uma mala. As minhas são grandes e não vou passar muitos dias.

CLARA

Posso ir com você, meu amor?

ELISA

(sorri) Claro, mamãe.

CLARA

Sérgio, você está livre agora?

SÉRGIO

Estou, dona Clara.

CLARA

Então, você leva a gente.

Clara pega sua bolsa, beija Roberto. Em seguida, Elisa, Sérgio e ela saem.

MAYA

Papai... Você realmente acredita que Sérgio não vai ficar na fazenda com a Elisa?

ROBERTO

Claro que sim. Ele mesmo me disse que vai aproveitar a folga para ficar na casa do amigo dele.

Maya fica séria e com raiva, porque percebe que é mentira.

Corta Para:

Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Quarto de Álvaro/Dia.

Álvaro está sentado, digitando em um notebook, Diana entra.

DIANA

Álvaro, eu vou dar uma volta, quer vir comigo?

ÁLVARO

(concentrado) Não.

DIANA

(curiosa) O que você está fazendo aí?

ÁLVARO

(olha Diana) Estou preparando um curinga, Diana.

DIANA

(sorri gostando) Ah, é? E posso saber qual?

ÁLVARO

Ainda não... Essa cartada eu só vou dar se vir que vou perder o jogo. E aí... (sorri maldoso) Vou triunfar na minha vitória.

Corta Para:

Cena 5/Int./Mais tarde/Casa de Sol/Sala/Dia.

Leonor, Manuel, Sol e Dante estão reunidos.

LEONOR

Dante... Não achas que te precipitaste ao dizer à tua mãe que vais morar aqui?

DANTE

Pode ser, dona Leonor, mas ela estava ofendendo a Sol e, também, estava controlando a minha vida e cansei disso.

LEONOR

Sim, mas... Não fica bem tu morares aqui.

SOL

E se Dante ficar no apartamento que Sérgio morava? Ainda está vazio.

DANTE

(empolgado) Isso! Pode ser, sim, e eu não vou ficar de graça... Quero trabalhar na padaria.

MANUEL

Rapaz... Já basta o teu primo, que mais me atrapalha do que ajuda.

DANTE

Mas eu sou diferente, seu Manuel. Eu, sim, gosto de trabalhar na padaria.

SOL

Dante... Tem certeza que é isso que você quer?

DANTE

Tenho, Sol. Qualquer lugar é o melhor, se for longe da minha mãe.

Leonor e Manuel se olham pensativos.

Corta Para:

Cena 6/Ext./Dia Seguinte/Interior de São Paulo/Fazenda/Dia.

Elisa e Sérgio descem do carro. Elisa está feliz.

ELISA

(sorri, respira fundo) Que saudades eu estava deste lugar! É tão lindo, traz tanta paz.

SÉRGIO

(sorri) Paz igual tu trazes-me

Elisa e Sérgio se beijam.

ELISA

(sorri) Você também me traz muita paz, me faz muito bem.

 

 

SÉRGIO

Desde que nos conhecemos, esta é a primeira vez que estamos juntos sem ter ninguém para nos atrapalhar

ELISA

(feliz) Essa sensação de liberdade é muito boa. Temos que aproveitar ao máximo esses dois dias.

SÉRGIO

(sorri) Tens razão, meu amor.

ELISA

(sorri) Vamos pegar nossas coisas e entrar. Quero te mostrar alguns lugares lindos que há aqui.

SÉRGIO

Vi que, aqui, há uns cavalos muito bonitos

ELISA

(sorri) Não me diga que você gosta de andar a cavalo?

SÉRGIO

Se gosto? Pratiquei hipismo.

ELISA

Então, quero ver só se você é mesmo bom nisso, como é bom em outras coisas.

SÉRGIO

(sorri) Não sou bom... Sou ótimo! Mas, desde que vim para o Brasil, é que não tive contacto com estas coisas.

ELISA

(brincando) Está falando demais. Já disse que quero ver.

Sérgio e Elisa se beijam, entram na casa da fazenda. Beatriz, uma funcionária da fazenda, que os observava, se afasta um pouco, pega um celular, faz uma ligação.

BEATRIZ

Alô, dona Maya. (ouve) Eles já chegaram, estão no maior clima de romance, e o rapaz não foi embora. Ele entrou com a dona Elisa. (ouve) Pode deixar. (desliga).

Corta Para:

Cena 7/Int./Cidade de São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Escritório/Dia.

Roberto está em pé, perto de sua mesa, Maya entra.

MAYA

Papai, eu preciso falar com você.

 

ROBERTO

Estou de saída, meu amor. Estou indo para a inauguração do supermercado.

MAYA

É sobre a Elisa.

ROBERTO

(preocupado) Está tudo bem com ela?

MAYA

Está e, na verdade, deve estar tudo perfeito.

ROBERTO

Então, o que é?

MAYA

Elisa e Sérgio estão juntos na fazenda.

ROBERTO

De novo, isso? Já falei que/

MAYA

Álvaro viu Sérgio e Elisa se beijando na noite em que ela falou que foi ao tal concerto. Ela mentiu, papai. Na verdade, ela foi jantar com o motorista.

ROBERTO

(sério, pensativo) Maya, essa acusação contra a sua irmã é muito grave.

MAYA

(nervosa) Eu estou falando a verdade! Álvaro me ligou no mesmo instante para me contar... O coitadinho estava tão triste. Elisa terminou o noivado porque ela e Sérgio estão tendo um caso!

ROBERTO

(pensativo) Eu só vou acreditar nisso se vir os dois juntos na fazenda. Mas não quero atrapalhar Elisa... Vamos fazer assim... Se, realmente, Sérgio está lá, com ela, agora, ainda estará amanhã, e nós vamos lá ver isso, de perto, mas... Se Sérgio não estiver lá, você vai ter sérios problemas, Maya.

MAYA

(sorri vitoriosa) Ele estará, papai, tenho certeza, e você vai ver que Elisa é uma mentirosa e te fez de idiota.

Roberto fica pensativo.

Corta Para:

Cena 8/Ext./Interior de São Paulo/Fazenda/Dia.

Sérgio e Elisa estão andando a cavalo pela fazenda.

SÉRGIO

Esta quinta é muito bonita.

 

ELISA

Muito! Eu vinha aqui, às vezes, mas houve um tempo que sempre passávamos finais de semana e feriados aqui. E você, tem fazenda?

SÉRGIO

(sorri um pouco, disfarça) Eu? Não...!

ELISA

(pensativa) Você não disse que fez hipismo e que sempre gostou de cavalgar?

SÉRGIO

(pensativo) Disse... Porque eu tinha um amigo que tinha uma quinta e ele convidava-me sempre.

Sérgio fica sério, se sente mal por mentir para Elisa.

ELISA

Está tudo bem?

SÉRGIO

(sorri um pouco) Está. Mas vai ficar ainda melhor.

Sérgio sai correndo com o cavalo, Elisa sorri, gostando, também corre com o cavalo.

Corta Para:

Cena 9/Int./Mais Tarde/Fazenda/Casa/Corredor dos Quartos/Noite.

Sérgio e Elisa vem andando pelo corredor, enquanto conversam, param em frente de um quarto.

SÉRGIO

Nunca tinha experimentado este tipo de comida. Adorei!

 

 

ELISA

(sorri) Eu falei que você ia gostar. Beatriz é muito boa cozinheira. Ela só não trabalha lá em casa, porque a Malu morreria de ciúmes. (ri).

SÉRGIO

(acha graça) Percebo. A Malu é um pouco exagerada, por vezes.

ELISA

Por vezes? Sempre foi! (sorri) Mas eu a adoro. (pensativa) É a irmã que Maya nunca conseguiu ser.

SÉRGIO

Eu, também, a adoro. Quanto à Maya, não quero te ver abatida; então, não vamos falar dela... Só... (beija Elisa) de nós dois.

Elisa e Sérgio se olham nos olhos.

ELISA

(sorri) Sim... Só de nós dois... É muito bom estar aqui com você.

SÉRGIO

(acaricia o rosto de Elisa) Digo o mesmo... Aqui, em tua casa, na rua... Qualquer lugar contigo é perfeito.

Sérgio e Elisa se beijam.

SÉRGIO

Boa noite, Elisa.

ELISA

Sérgio... Não precisa ir agora. Eu quero que você fique mais um pouco comigo.

Sérgio sorri, beija Elisa.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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