
Cena 1/Int./Portugal – Lisboa/Multinacional Castro
Figueroa/Escritório de Gonçalo/Dia.
Gonçalo está em pé perto de sua mesa, Manuela entra.
MANUELA
O que é tão
importante, que só pode ser dito aqui?
GONÇALO
Não se quer
sentar, D. Manuela?
MANUELA
(séria) Não!
GONÇALO
(sorri um
pouco) Está bem. Então, vou direto ao assunto... O António Sérgio vai estar
aqui, na terça-feira; haverá duas reuniões: uma com ele, juntamente com os
sócios, advogados e o juiz, e a outra com a senhora e o juiz. Tudo o que for
dito na reunião em que o António Sérgio estiver, será transmitido à senhora.
MANUELA
(raiva,
bate na mesa) Eu quero estar na reunião com o António Sérgio! Tenho esse
direito!
GONÇALO
Tê-lo-ia se
o herdeiro que recebeu quase todas as ações da multinacional não estivesse
presente e tivesse dado ordens para a senhora não estar.
MANUELA
(raiva,
altera o tom) Eu vou estar nessa reunião, ele querendo, ou não!
GONÇALO
Acredito
que a senhora não se queira sujeitar a esse tipo de escândalo, porque a ordem é
para não a deixar sequer entrar no edifício, enquanto o António Sérgio estiver
aqui.
MANUELA
(ri de
nervoso) É tão absurdo que chega a ser engraçado... Isto só pode ser medo...
Medo de se encontrar comigo e não resistir.
GONÇALO
Não sei o
que é, mas o recado está dado à senhora. A sua reunião será quando o António
Sérgio sair; a senhora irá receber uma mensagem para vir aqui.
MANUELA
(encara
Gonçalo, sorri maldosa) Nada disso vai adiantar; o meu reencontro com o António
Sérgio é inevitável... Diga isso ao seu dono... Cão fiel.
Manuela sai. Gonçalo sorri altivo.
Corta Para:
Cena 2/Int./Brasil – São Paulo/Padaria Camões/Dia.
Sol e Estela estão se encarando, Benício observa.
SOL
(firme)
Acredito que a senhora perdeu seu tempo vindo até aqui. Essa sua ordem não vale
para mim, já que... Com todo respeito... Não lhe devo satisfações da minha vida!
A senhora não paga as minhas contas e eu me relaciono com quem eu quiser.
Dante entra, Estela não o vê.
ESTELA
É isso que
você quer? Que eu pague as suas contas? Qual o seu preço, garota? Quanto quer
para ficar longe do meu filho?
Dante fica chocado com o que ouviu, fica frente a
frente com a mãe, que fica desconcertada ao ver Dante, mas disfarça.
DANTE
Eu não
acredito que a senhora veio até aqui ofender a Sol, e pior... Oferecer dinheiro
para ela ficar longe de mim... Mas o que é isso?
ESTELA
(chora)
Isso é uma mãe protegendo seu filho!
DANTE
Me
protegendo do quê?
ESTELA
(altera o
tom) Dessa golpista! Ela não é mulher para você, meu filho!
SOL
(nervosa)
Eu acho melhor a senhora ir embora, porque não quero descer no seu nível e já
estou perdendo a paciência.
ESTELA
Viu, Dante?
Essa garota está ameaçando me bater!
BENÍCIO
Tia, você
está perdendo uma chance, hein... Poderia ser atriz. (ri debochado).
ESTELA
Fique
quieto, Beny!
DANTE
(se
contendo) Mãe, acho melhor a senhora ir embora.
ESTELA
(altiva)
Nós vamos, Dante.
DANTE
Não... Só
você e, em casa, a gente conversa.
ESTELA
Estou
mandando você vir comigo, me obedeça!
DANTE
(sério)
Não, eu não sou criança, e já estou cansado disso. Eu vou ficar aqui e morar
com a Sol e a família dela.
Sol fica surpresa, Benício sorri debochado, Estela
fica incrédula.
Corta Para:
Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Clara e Roberto estão conversando.
CLARA
(chateada)
Não entendo, Roberto... Nossa filha parecia tão bem com o Álvaro.
ROBERTO
Acho que,
no fundo, a gente que queria ver isso, Clarinha.
CLARA
Verdade...
E, agora? Vamos ter que desconvidar as pessoas, cancelar tudo... Que vergonha.
ROBERTO
Vergonha
coisa nenhuma! É o tipo de coisa que acontece e a vergonha é o que menos
importa. Já pensou nossa filha viver infeliz.
CLARA
Isso não! Não,
mesmo!
Maya desce as escadas.
MAYA
Então, o
casamento do ano, realmente, não vai acontecer?
CLARA
Não, minha
filha.
ROBERTO
Álvaro quer
conversar com a Elisa, de qualquer jeito. Acho melhor deixar passar o fim de
semana que ela vai passar na fazenda, para ela se acalmar; daí, sim, eu permito
que Álvaro fale com ela, e que seja aqui, em casa.
MAYA
(estranha)
Nossa... Elisa vai passar o fim de semana na fazenda?
ROBERTO
Vai, sim. Ela
disse que está precisando.
MAYA
Só ela
mesmo para achar que esse tipo de coisa se resolve com solidão, porque a
fazenda até pode ser linda, mas não tem movimento, apenas verde para todos os
lados.
CLARA
(sorri) Mas
essa é a ideia, meu amor... Silêncio!
Sérgio entra.
SÉRGIO
Sr.
Roberto, desculpe interromper, mas como o senhor pediu para avisar, está tudo
pronto com o carro; a vistoria já foi feita.
ROBERTO
Ótimo,
Sérgio. O endereço da fazenda eu já te enviei.
MAYA
(séria)
Sérgio vai passar o fim de semana com a Elisa?
CLARA
Claro que
não, Maya. Ele só vai levar sua irmã e, depois, voltará para buscá-la.
MAYA
(encara
Sérgio) Quer saber... Eu vou com a Elisa; assim ela não fica sozinha.
Sérgio sorri, um pouco inconformado com a atitude de
Maya, disfarça.
ROBERTO
Não. Sua
irmã quer passar um tempo sozinha. Outro dia você vai e eu não quero que Álvaro
saiba que Elisa estará lá, sozinha. Se ele souber, já sei que foi alguém daqui
que contou, e terá consequências.
Elisa desce as escadas, sorri para Sérgio, sem que
percebam.
ROBERTO
Boas notícias,
meu amor. A vistoria no carro foi feita e está tudo certo.
ELISA
(sorri)
Quem bom, papai. Eu estava arrumando as minhas coisas e, agora, vou comprar uma
mala. As minhas são grandes e não vou passar muitos dias.
CLARA
Posso ir
com você, meu amor?
ELISA
(sorri)
Claro, mamãe.
CLARA
Sérgio,
você está livre agora?
SÉRGIO
Estou, dona
Clara.
CLARA
Então, você
leva a gente.
Clara pega sua bolsa, beija Roberto. Em seguida,
Elisa, Sérgio e ela saem.
MAYA
Papai...
Você realmente acredita que Sérgio não vai ficar na fazenda com a Elisa?
ROBERTO
Claro que
sim. Ele mesmo me disse que vai aproveitar a folga para ficar na casa do amigo
dele.
Maya fica séria e com raiva, porque percebe que é
mentira.
Corta Para:
Cena 4/Int./Apartamento de Álvaro/Quarto de
Álvaro/Dia.
Álvaro está sentado, digitando em um notebook, Diana
entra.
DIANA
Álvaro, eu
vou dar uma volta, quer vir comigo?
ÁLVARO
(concentrado)
Não.
DIANA
(curiosa) O
que você está fazendo aí?
ÁLVARO
(olha
Diana) Estou preparando um curinga, Diana.
DIANA
(sorri
gostando) Ah, é? E posso saber qual?
ÁLVARO
Ainda
não... Essa cartada eu só vou dar se vir que vou perder o jogo. E aí... (sorri
maldoso) Vou triunfar na minha vitória.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mais tarde/Casa de Sol/Sala/Dia.
Leonor, Manuel, Sol e Dante estão reunidos.
LEONOR
Dante...
Não achas que te precipitaste ao dizer à tua mãe que vais morar aqui?
DANTE
Pode ser,
dona Leonor, mas ela estava ofendendo a Sol e, também, estava controlando a
minha vida e cansei disso.
LEONOR
Sim, mas...
Não fica bem tu morares aqui.
SOL
E se Dante
ficar no apartamento que Sérgio morava? Ainda está vazio.
DANTE
(empolgado)
Isso! Pode ser, sim, e eu não vou ficar de graça... Quero trabalhar na padaria.
MANUEL
Rapaz... Já
basta o teu primo, que mais me atrapalha do que ajuda.
DANTE
Mas eu sou
diferente, seu Manuel. Eu, sim, gosto de trabalhar na padaria.
SOL
Dante...
Tem certeza que é isso que você quer?
DANTE
Tenho, Sol.
Qualquer lugar é o melhor, se for longe da minha mãe.
Leonor e Manuel se olham pensativos.
Corta Para:
Cena 6/Ext./Dia Seguinte/Interior de São
Paulo/Fazenda/Dia.
Elisa e Sérgio descem do carro. Elisa está feliz.
ELISA
(sorri,
respira fundo) Que saudades eu estava deste lugar! É tão lindo, traz tanta paz.
SÉRGIO
(sorri) Paz
igual tu trazes-me
Elisa e Sérgio se beijam.
ELISA
(sorri)
Você também me traz muita paz, me faz muito bem.
SÉRGIO
Desde que
nos conhecemos, esta é a primeira vez que estamos juntos sem ter ninguém para
nos atrapalhar
ELISA
(feliz)
Essa sensação de liberdade é muito boa. Temos que aproveitar ao máximo esses
dois dias.
SÉRGIO
(sorri) Tens
razão, meu amor.
ELISA
(sorri)
Vamos pegar nossas coisas e entrar. Quero te mostrar alguns lugares lindos que há
aqui.
SÉRGIO
Vi que,
aqui, há uns cavalos muito bonitos
ELISA
(sorri) Não
me diga que você gosta de andar a cavalo?
SÉRGIO
Se gosto?
Pratiquei hipismo.
ELISA
Então,
quero ver só se você é mesmo bom nisso, como é bom em outras coisas.
SÉRGIO
(sorri) Não
sou bom... Sou ótimo! Mas, desde que vim para o Brasil, é que não tive contacto
com estas coisas.
ELISA
(brincando)
Está falando demais. Já disse que quero ver.
Sérgio e Elisa se beijam, entram na casa da fazenda.
Beatriz, uma funcionária da fazenda, que os observava, se afasta um pouco, pega
um celular, faz uma ligação.
BEATRIZ
Alô, dona
Maya. (ouve) Eles já chegaram, estão no maior clima de romance, e o rapaz não
foi embora. Ele entrou com a dona Elisa. (ouve) Pode deixar. (desliga).
Corta Para:
Cena 7/Int./Cidade de São Paulo/Mansão Monteiro
Diniz/Escritório/Dia.
Roberto está em pé, perto de sua mesa, Maya entra.
MAYA
Papai, eu
preciso falar com você.
ROBERTO
Estou de
saída, meu amor. Estou indo para a inauguração do supermercado.
MAYA
É sobre a
Elisa.
ROBERTO
(preocupado)
Está tudo bem com ela?
MAYA
Está e, na
verdade, deve estar tudo perfeito.
ROBERTO
Então, o
que é?
MAYA
Elisa e
Sérgio estão juntos na fazenda.
ROBERTO
De novo,
isso? Já falei que/
MAYA
Álvaro viu
Sérgio e Elisa se beijando na noite em que ela falou que foi ao tal concerto. Ela
mentiu, papai. Na verdade, ela foi jantar com o motorista.
ROBERTO
(sério,
pensativo) Maya, essa acusação contra a sua irmã é muito grave.
MAYA
(nervosa)
Eu estou falando a verdade! Álvaro me ligou no mesmo instante para me contar...
O coitadinho estava tão triste. Elisa terminou o noivado porque ela e Sérgio
estão tendo um caso!
ROBERTO
(pensativo)
Eu só vou acreditar nisso se vir os dois juntos na fazenda. Mas não quero
atrapalhar Elisa... Vamos fazer assim... Se, realmente, Sérgio está lá, com
ela, agora, ainda estará amanhã, e nós vamos lá ver isso, de perto, mas... Se
Sérgio não estiver lá, você vai ter sérios problemas, Maya.
MAYA
(sorri
vitoriosa) Ele estará, papai, tenho certeza, e você vai ver que Elisa é uma
mentirosa e te fez de idiota.
Roberto fica pensativo.
Corta Para:
Cena 8/Ext./Interior de São Paulo/Fazenda/Dia.
Sérgio e Elisa estão andando a cavalo pela fazenda.
SÉRGIO
Esta quinta
é muito bonita.
ELISA
Muito! Eu
vinha aqui, às vezes, mas houve um tempo que sempre passávamos finais de semana
e feriados aqui. E você, tem fazenda?
SÉRGIO
(sorri um
pouco, disfarça) Eu? Não...!
ELISA
(pensativa)
Você não disse que fez hipismo e que sempre gostou de cavalgar?
SÉRGIO
(pensativo)
Disse... Porque eu tinha um amigo que tinha uma quinta e ele convidava-me
sempre.
Sérgio fica sério, se sente mal por mentir para
Elisa.
ELISA
Está tudo
bem?
SÉRGIO
(sorri um
pouco) Está. Mas vai ficar ainda melhor.
Sérgio sai correndo com o cavalo, Elisa sorri,
gostando, também corre com o cavalo.
Corta Para:
Cena 9/Int./Mais Tarde/Fazenda/Casa/Corredor dos
Quartos/Noite.
Sérgio e Elisa vem andando pelo corredor, enquanto
conversam, param em frente de um quarto.
SÉRGIO
Nunca tinha
experimentado este tipo de comida. Adorei!
ELISA
(sorri) Eu
falei que você ia gostar. Beatriz é muito boa cozinheira. Ela só não trabalha
lá em casa, porque a Malu morreria de ciúmes. (ri).
SÉRGIO
(acha
graça) Percebo. A Malu é um pouco exagerada, por vezes.
ELISA
Por vezes?
Sempre foi! (sorri) Mas eu a adoro. (pensativa) É a irmã que Maya nunca
conseguiu ser.
SÉRGIO
Eu, também,
a adoro. Quanto à Maya, não quero te ver abatida; então, não vamos falar
dela... Só... (beija Elisa) de nós dois.
Elisa e Sérgio se olham nos olhos.
ELISA
(sorri) Sim...
Só de nós dois... É muito bom estar aqui com você.
SÉRGIO
(acaricia o
rosto de Elisa) Digo o mesmo... Aqui, em tua casa, na rua... Qualquer lugar
contigo é perfeito.
Sérgio e Elisa se beijam.
SÉRGIO
Boa noite,
Elisa.
ELISA
Sérgio...
Não precisa ir agora. Eu quero que você fique mais um pouco comigo.
Sérgio sorri, beija Elisa.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
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REALIZAÇÃO
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