
Cena
1/Int./Dia Seguinte - Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Elisa entra, Clara desce as escadas, fica feliz ao
ver Elisa, se aproxima dela, a abraça.
CLARA
(sorri) Que
bom que já chegou, meu amor, estava com saudades.
ELISA
(sorri/visivelmente
feliz) Também estava com saudades, mamãe, mas ficar esses dois dias na fazenda
me fez bem. Eu estava precisando disso.
CLARA
Estou vendo,
meu amor. Você está com uma carinha ótima, e fico feliz em ver isso.
(pensativa, cuidadosa) Amorzinho... Pensou bem? Vai dar mais uma chance para o
Álvaro?
ELISA
(revira os
olhos) Mamãe, eu mal cheguei e você me pergunta uma coisa dessas? Eu não vou
dar chance alguma ao Álvaro, porque não quero me casar com ele. Mamãe... Eu não
o amo, nunca amei!
CLARA
(inconformada)
Como nunca o amou, filha? Se não amasse não teria aceitado nem namorar com ele.
ELISA
(impaciente, tenta se acalmar) Mamãe, eu estou muito bem para perder o meu tempo falando sobre isso; é um assunto que já encerrei.
CLARA
Não, meu
amor; desculpa, mas você não encerrou. Álvaro está esperando para conversar com
você.
ELISA
É isso que
vai te deixar em paz e, daí, você me dará paz? Uma conversa com ele?
CLARA
É, meu
amor. Eu só queria que você o
ouvisse uma última vez.
ELISA
Então, eu
falo com ele, mas já adianto que nada vai mudar. Minha decisão está tomada... Eu
não vou me casar com o Álvaro.
Clara fica chateada e pensativa.
Corta Para:
Cena 2/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de
Roberto/Dia.
Roberto está sentado em sua mesa, lendo uns
documentos. Álvaro entra, está trazendo uma pasta.
ÁLVARO
Roberto,
aqui estão os documentos que faltavam para você assinar... São do mercado
inaugurado, ontem.
ROBERTO
Ah, que bom!
Traz aqui porque, assim, me livro logo disto.
Álvaro entrega a pasta para Roberto, que a abre,
pega todos os documentos de uma vez, folheia até chegar nas páginas que precisa
assinar, começa a assinar sem ler. Álvaro observa, Roberto termina de assinar,
coloca os documentos na pasta, entrega para Álvaro.
ROBERTO
Pronto.
ÁLVARO
(sorri
levemente, de forma maldosa) Perfeito. (pensativo) Roberto, eu preciso te pedir
uma coisa.
ROBERTO
Já sei,
quer falar com a Elisa, não é?
ÁLVARO
Também, mas
não é isso.
ROBERTO
E o que é,
então?
ÁLVARO
Eu pedi, há
um tempo, uma importância em dinheiro para você, mas ainda não recebi.
ROBERTO
(pensativo,
percebe que, realmente, se esqueceu) Que cabeça a minha, desculpa Álvaro. São
tantas coisas, que me esqueci. Peça ao Gustavo que faça a transferência e pede
seu pagamento adiantado.
ÁLVARO
(sério,
incomodado) Obrigado, Roberto.
Sérgio entra, Álvaro o encara, imediatamente, com raiva.
SÉRGIO
Desculpe,
senhor Roberto, não sabia que estava ocupado.
ROBERTO
(sorri) Não
estou ocupado e não precisa se desculpar; eu mesmo disse para você entrar.
ÁLVARO
(sério) O
motorista veio dar mais conselhos que ninguém pediu, sobre administração?
Sérgio dá um micro sorriso enquanto encara Álvaro.
ROBERTO
Não, ele
veio porque preciso acertar umas coisas antes dele viajar para Portugal.
ÁLVARO
(maldoso) É
mesmo... Hoje, Sérgio volta para a... terrinha dele.
ROBERTO
(firme)
Terrinha não, Álvaro. Portugal é o país dele. E merece o mesmo respeito que
qualquer outro.
Álvaro fica em silêncio, não gosta de ter a atenção
chamada na frente de Sérgio.
SÉRGIO
(incomodado/se contendo) Senhor Roberto, volto quando estiver disponível.
ROBERTO
Pode ficar.
Álvaro, nos deixe a sós e, antes de ir almoçar lá em casa, faça um levantamento
das coisas que estão faltando na copa.
Álvaro fica com raiva, se sente diminuído, faz que
sim com a cabeça, sai, fecha a porta.
ROBERTO
Sente-se,
Sérgio.
Sérgio se senta.
ROBERTO
Sérgio,
como foram as coisas na casa do seu amigo?
SÉRGIO
(sorri)
Muito bem, senhor Roberto. Já fui buscar a senhorita Elisa na fazenda e já a
levei para a casa.
ROBERTO
Que bom.
Enquanto você estiver fora, o Arlindo vai ser o motorista. Não quero que meu
filho ande sozinho, novamente, pelo menos, não, até eu ter certeza que ele não
vai fazer alguma outra besteira.
SÉRGIO
Entendo,
mas, pelo que vejo, o Benício está a portar-se bem. Parece que quer
despachar-se para sair do trabalho o mais depressa possível.
ROBERTO
É... Eu
sei. Vamos ver... Tudo depende dele, mesmo.
Corta Para:
Cena 3/Int./Padaria Camões/Dia.
Dante está atendendo a uma pessoa no balcão, Benício
está no caixa, a pessoa passa pelo caixa, faz o pagamento e sai. Benício está
entediado.
BENÍCIO
Dante, eu
não aguento mais ficar aqui fazendo esse tipo de coisa.
DANTE
Tá
reclamando do quê? Pelo menos, hoje, você não lavou louça.
BENÍCIO
Eu sou um
Monteiro Diniz e não um ajudante de padaria.
Manuel entra, está trazendo um bloquinho.
MANUEL
Meninos, eu
trouxe a folha de pagamento para vocês assinarem.
BENÍCIO
Que
pagamento?
MANUEL
(sorri) O
menino pensa que está a trabalhar de graça? Tem de receber o seu salário.
BENÍCIO
Não,
senhor, eu não quero.
Dante e Manuel se olham sem entender.
MANUEL
Menino
Benício… como assim, não queres receber o pagamento?
BENÍCIO
Seu Manuel,
eu não preciso do dinheiro. Pode ficar e usar aqui, na padaria.
MANUEL
Eu não
posso fazer isso, menino… nem teria essa coragem. Até estás melhorzinho no
trabalho.
BENÍCIO
(pensativo)
Então, faz assim... Passa o meu pagamento para o Dante. Já que ele saiu de casa,
vai precisar.
DANTE
Beny/
BENÍCIO
Se você não
ficar com o dinheiro eu vou pegar e doar para a primeira pessoa que vir na rua.
DANTE
(sorri)
Tudo bem, então, eu fico com o dinheiro. Valeu, Beny.
BENÍCIO
Seu Manuel,
eu já posso sair do caixa?
MANUEL
Pode sim,
agora fico aqui.
BENÍCIO
Certo, eu
vou até a cozinha.
Benício sai, Dante e Manuel se olham, surpresos.
Corta Para:
Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Quarto de
Sérgio/Dia.
Sérgio está arrumando as malas, Maya entra, Sérgio a
encara.
SÉRGIO
Senhorita
Maya, por favor/
MAYA
Calma,
Sérgio, eu vim em missão de paz.
SÉRGIO
(estranha)
Mesmo?
MAYA
Sim... Vim
falar exatamente isso... Que não vou mais te incomodar e nem atrapalhar você e
Elisa.
SÉRGIO
(disfarça)
Elisa e eu? Como assim?
MAYA
(sorri
marota) Sérgio, eu sei que vocês estão juntos e era isso que eu queria
atrapalhar... Eu queria que você ficasse comigo e não com a Elisa.
SÉRGIO
(pensativo)
E o que te fez mudar de ideias?
MAYA
(abaixa os
olhos) Uma conversa que a Berta teve comigo. Sei lá... Eu me vi competindo com
a Elisa, mas percebi que tava nessa sozinha. Elisa nunca competiu comigo em
nada... Eu a amo e esqueci disso.
SÉRGIO
(sorri
carinhoso) Senhorita Maya, fico muito feliz em ouvir isso… e, ainda mais, em
ver que não é mentira.
MAYA
Realmente,
estou sendo sincera.
SÉRGIO
Compreendo,
mas, por favor, não conte a ninguém o que sabe. Quando eu voltar de Portugal,
eu próprio, juntamente com a Elisa, vamos contar que estamos juntos.
MAYA
(pensativa,
curiosa) Posso te fazer uma pergunta?
SÉRGIO
Pode.
MAYA
Outro dia,
eu entrei no seu quarto, e você estava no banho/
SÉRGIO
Senhorita/
MAYA
(acha graça) Calma, eu não vi nada... Mesmo tendo ficado muito tentada, porque, vontade de ver o que tem por baixo deste uniforme, é o que não me falta.
SÉRGIO
(sorri tímido)
A senhorita disse que tinha mudado.
MAYA
Não mudei. Eu
sou assim, Sérgio... O que mudou foi a minha neurose em competir com a minha
irmã; enfim... Seu notebook estava ligado e eu vi que... A sua passagem é de
primeira classe.
Sérgio fica espantado, disfarça.
MAYA
Uma viagem
para Portugal não é barata. De primeira classe, então, nem se fala... Como você
consegue pagar por isso?
SÉRGIO
(pensativo,
incomodado) Senhorita Maya, primeiramente, o que a senhora fez foi uma invasão
de privacidade... Depois, o que aconteceu foi um erro da companhia. Eu comprei
passagens normais e, por engano, enviaram-me passagens de primeira classe. Já
resolvi isso e está tudo certo.
MAYA
Minha
intenção não era invadir a sua privacidade, mas fiquei curiosa quando vi o
notebook ligado.
SÉRGIO
Entendo.
MAYA
Bem... Não vou mais te atrapalhar. Já vou indo. Só que te alertar sobre uma coisa importante... Álvaro sabe que você e Elisa estão juntos.
SÉRGIO
(preocupado)
Como ele soube?
MAYA
Viu vocês
se beijando na saída de um restaurante.
SÉRGIO
Meu Deus...
Mas porque é que ele não disse nada, até agora?
MAYA
Porque
Álvaro come pelas beiradas, Sérgio. Ele é perigoso. Quando menos se espera, ele
ataca. Eu sei disso porque Bruno era meu amigo e ele sempre me contava as
coisas que o irmão fazia; por isso, peço que tome cuidado com ele.
SÉRGIO
Obrigado...
Por favor, cuide da Elisa. Agora, estou com medo de ele fazer alguma coisa
contra ela.
MAYA
Pode
deixar, mas acredito que ele não fará isso. Com licença e boa viagem! Se for me
trazer alguma coisa de Portugal, me traga um homem igual a você.
Maya e Sérgio sorriem, achando graça, Maya sai.
Sérgio se senta, pensativo, preocupado.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mais Tarde/Mansão Monteiro
Diniz/Ateliê/Dia.
Elisa está organizando suas tintas, Sérgio bate na
porta, entra, Elisa sorri.
SÉRGIO
(sorri)
Está ocupada?
ELISA
Não, mas se
estivesse não teria importância; você é prioridade.
Sérgio e Elisa se beijam.
SÉRGIO
(chateado) Vim
fazer uma coisa que não é fácil para mim... Despedir-me de ti.
ELISA
(suspira/melancólica)
Realmente, é uma coisa difícil... Para mim, também, é.
SÉRGIO
Sei que são
apenas três dias, mas vou fazer uma coisa difícil e, por mais que o meu amigo
esteja comigo, seria muito melhor se estivesses ao meu lado.
ELISA
(sorri,
acaricia o rosto de Sérgio) Você vai conseguir fazer, seja lá o que for, meu
amor. E, logo, estará de volta.
Sérgio abraça Elisa, fecha os olhos, as lágrimas
escorrem.
SÉRGIO
Pedi à Malu
que mudasse as flores e colocasse frases que escrevi.
Elisa olha Sérgio, sorri.
ELISA
Assim, eu
vou chorar.
SÉRGIO
(sorri)
Não, não quero isso.
ELISA
Eu vou te
acompanhar até o aeroporto.
SÉRGIO
(pensativo)
Melhor não, meu amor; eu vou sozinho.
ELISA
(estranha)
Por que, não?
SÉRGIO
Porque...
podem estranhar o facto de tu ires com o motorista.
ELISA
Tem razão.
SÉRGIO
Eu já
preciso de ir... Até logo, Elisa. E peço-te que não discutas com o Álvaro.
ELISA
Eu
concordei em conversar com ele, para a minha mãe encerrar esse assunto, de uma
vez por todas, mas vou fazer isso, aqui, em casa.
SÉRGIO
Melhor.
Bem… Eu vou indo… Já estou com saudades.
ELISA
Eu também.
Sérgio e Elisa se beijam.
ELISA
Te amo!
SÉRGIO
Também te
amo!
Elisa e Sérgio se abraçam.
Corta Para:
Cena 6/Int./Aeroporto/Saguão/Dia.
Sérgio chega, está vestindo roupas elegantes, assume
a postura que lhe pertence, pega do bolso as passagens de primeira classe que
estão em nome de António Sérgio Castro Figueroa, olha-as, respira fundo, segue
em frente.
Corta Para:
Cena 7/Int./Mais Tarde – Portugal/Estoril/Casa de
António Sérgio/Noite.
Gonçalo e António Sérgio conversam, enquanto
caminham em direção à sala.
GONÇALO
Fazes muita
falta aqui, meu amigo.
ANTÓNIO
SÉRGIO
Gonçalo,
poucas coisas daqui me fazem sentir saudade, mas, sem dúvida, ter-te ao meu
lado, a ajudar-me, a seres meu amigo como sempre fomos, desde a infância, é o
que mais sinto falta.
Ao entrarem na sala, Gonçalo e António Sérgio
paralisam ao ver Manuela sentada no sofá, tomando vinho. A raiva toma conta de
António Sérgio.
ANTÓNIO
SÉRGIO
(raiva) Como
é que entraste aqui?
Manuela toma mais um gole de vinho, sorri maldosa,
cruza as pernas, encara, sedutora, António Sérgio.
MANUELA
Depois de
tanto tempo, é assim que me recebes, meu amor?
António Sérgio encara Manuela, com ódio.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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