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Desígnios: Capítulo 16

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 16

  

Cena 1/Int./Dia Seguinte - Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Elisa entra, Clara desce as escadas, fica feliz ao ver Elisa, se aproxima dela, a abraça.

CLARA

(sorri) Que bom que já chegou, meu amor, estava com saudades.

ELISA

(sorri/visivelmente feliz) Também estava com saudades, mamãe, mas ficar esses dois dias na fazenda me fez bem. Eu estava precisando disso.

CLARA

Estou vendo, meu amor. Você está com uma carinha ótima, e fico feliz em ver isso. (pensativa, cuidadosa) Amorzinho... Pensou bem? Vai dar mais uma chance para o Álvaro?

ELISA

(revira os olhos) Mamãe, eu mal cheguei e você me pergunta uma coisa dessas? Eu não vou dar chance alguma ao Álvaro, porque não quero me casar com ele. Mamãe... Eu não o amo, nunca amei!

CLARA

(inconformada) Como nunca o amou, filha? Se não amasse não teria aceitado nem namorar com ele.

ELISA

(impaciente, tenta se acalmar) Mamãe, eu estou muito bem para perder o meu tempo falando sobre isso; é um assunto que já encerrei.

CLARA

Não, meu amor; desculpa, mas você não encerrou. Álvaro está esperando para conversar com você.

ELISA

É isso que vai te deixar em paz e, daí, você me dará paz? Uma conversa com ele?

CLARA

É, meu amor.  Eu só queria que você o ouvisse uma última vez.

ELISA

Então, eu falo com ele, mas já adianto que nada vai mudar. Minha decisão está tomada... Eu não vou me casar com o Álvaro.

Clara fica chateada e pensativa.

Corta Para:

Cena 2/Int./Grupo Monteiro Diniz/Escritório de Roberto/Dia.

Roberto está sentado em sua mesa, lendo uns documentos. Álvaro entra, está trazendo uma pasta.

ÁLVARO

Roberto, aqui estão os documentos que faltavam para você assinar... São do mercado inaugurado, ontem.

ROBERTO

Ah, que bom! Traz aqui porque, assim, me livro logo disto.

Álvaro entrega a pasta para Roberto, que a abre, pega todos os documentos de uma vez, folheia até chegar nas páginas que precisa assinar, começa a assinar sem ler. Álvaro observa, Roberto termina de assinar, coloca os documentos na pasta, entrega para Álvaro.

ROBERTO

Pronto.

ÁLVARO

(sorri levemente, de forma maldosa) Perfeito. (pensativo) Roberto, eu preciso te pedir uma coisa.

ROBERTO

Já sei, quer falar com a Elisa, não é?

ÁLVARO

Também, mas não é isso.

ROBERTO

E o que é, então?

ÁLVARO

Eu pedi, há um tempo, uma importância em dinheiro para você, mas ainda não recebi.

ROBERTO

(pensativo, percebe que, realmente, se esqueceu) Que cabeça a minha, desculpa Álvaro. São tantas coisas, que me esqueci. Peça ao Gustavo que faça a transferência e pede seu pagamento adiantado.

ÁLVARO

(sério, incomodado) Obrigado, Roberto.

Sérgio entra, Álvaro o encara, imediatamente, com raiva. 

SÉRGIO

Desculpe, senhor Roberto, não sabia que estava ocupado.

ROBERTO

(sorri) Não estou ocupado e não precisa se desculpar; eu mesmo disse para você entrar.

ÁLVARO

(sério) O motorista veio dar mais conselhos que ninguém pediu, sobre administração?

Sérgio dá um micro sorriso enquanto encara Álvaro.

ROBERTO

Não, ele veio porque preciso acertar umas coisas antes dele viajar para Portugal.

ÁLVARO

(maldoso) É mesmo... Hoje, Sérgio volta para a... terrinha dele.

ROBERTO

(firme) Terrinha não, Álvaro. Portugal é o país dele. E merece o mesmo respeito que qualquer outro.

Álvaro fica em silêncio, não gosta de ter a atenção chamada na frente de Sérgio.

SÉRGIO

(incomodado/se contendo) Senhor Roberto, volto quando estiver disponível. 

ROBERTO

Pode ficar. Álvaro, nos deixe a sós e, antes de ir almoçar lá em casa, faça um levantamento das coisas que estão faltando na copa.

Álvaro fica com raiva, se sente diminuído, faz que sim com a cabeça, sai, fecha a porta.

ROBERTO

Sente-se, Sérgio.

Sérgio se senta.

ROBERTO

Sérgio, como foram as coisas na casa do seu amigo?

SÉRGIO

(sorri) Muito bem, senhor Roberto. Já fui buscar a senhorita Elisa na fazenda e já a levei para a casa.

ROBERTO

Que bom. Enquanto você estiver fora, o Arlindo vai ser o motorista. Não quero que meu filho ande sozinho, novamente, pelo menos, não, até eu ter certeza que ele não vai fazer alguma outra besteira.

SÉRGIO

Entendo, mas, pelo que vejo, o Benício está a portar-se bem. Parece que quer despachar-se para sair do trabalho o mais depressa possível.

ROBERTO

É... Eu sei. Vamos ver... Tudo depende dele, mesmo.

Corta Para:

 

Cena 3/Int./Padaria Camões/Dia.

Dante está atendendo a uma pessoa no balcão, Benício está no caixa, a pessoa passa pelo caixa, faz o pagamento e sai. Benício está entediado.

BENÍCIO

Dante, eu não aguento mais ficar aqui fazendo esse tipo de coisa.

DANTE

Tá reclamando do quê? Pelo menos, hoje, você não lavou louça.

BENÍCIO

Eu sou um Monteiro Diniz e não um ajudante de padaria.

Manuel entra, está trazendo um bloquinho.

MANUEL

Meninos, eu trouxe a folha de pagamento para vocês assinarem.

BENÍCIO

Que pagamento?

MANUEL

(sorri) O menino pensa que está a trabalhar de graça? Tem de receber o seu salário.

BENÍCIO

Não, senhor, eu não quero.

Dante e Manuel se olham sem entender. 

MANUEL

Menino Benício… como assim, não queres receber o pagamento?

BENÍCIO

Seu Manuel, eu não preciso do dinheiro. Pode ficar e usar aqui, na padaria.

MANUEL

Eu não posso fazer isso, menino… nem teria essa coragem. Até estás melhorzinho no trabalho.

BENÍCIO

(pensativo) Então, faz assim... Passa o meu pagamento para o Dante. Já que ele saiu de casa, vai precisar.

DANTE

Beny/

BENÍCIO

Se você não ficar com o dinheiro eu vou pegar e doar para a primeira pessoa que vir na rua.

DANTE

(sorri) Tudo bem, então, eu fico com o dinheiro. Valeu, Beny.

BENÍCIO

Seu Manuel, eu já posso sair do caixa?

MANUEL

Pode sim, agora fico aqui.

BENÍCIO

Certo, eu vou até a cozinha.

Benício sai, Dante e Manuel se olham, surpresos.

Corta Para:

Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Quarto de Sérgio/Dia.

Sérgio está arrumando as malas, Maya entra, Sérgio a encara.

SÉRGIO

Senhorita Maya, por favor/

MAYA

Calma, Sérgio, eu vim em missão de paz.

SÉRGIO

(estranha) Mesmo?

MAYA

Sim... Vim falar exatamente isso... Que não vou mais te incomodar e nem atrapalhar você e Elisa.

SÉRGIO

(disfarça) Elisa e eu? Como assim?

MAYA

(sorri marota) Sérgio, eu sei que vocês estão juntos e era isso que eu queria atrapalhar... Eu queria que você ficasse comigo e não com a Elisa.

SÉRGIO

(pensativo) E o que te fez mudar de ideias?

MAYA

(abaixa os olhos) Uma conversa que a Berta teve comigo. Sei lá... Eu me vi competindo com a Elisa, mas percebi que tava nessa sozinha. Elisa nunca competiu comigo em nada... Eu a amo e esqueci disso.

SÉRGIO

(sorri carinhoso) Senhorita Maya, fico muito feliz em ouvir isso… e, ainda mais, em ver que não é mentira.

MAYA

Realmente, estou sendo sincera.

SÉRGIO

Compreendo, mas, por favor, não conte a ninguém o que sabe. Quando eu voltar de Portugal, eu próprio, juntamente com a Elisa, vamos contar que estamos juntos.

MAYA

(pensativa, curiosa) Posso te fazer uma pergunta?

SÉRGIO

Pode.

MAYA

Outro dia, eu entrei no seu quarto, e você estava no banho/

SÉRGIO

Senhorita/

MAYA

(acha graça) Calma, eu não vi nada... Mesmo tendo ficado muito tentada, porque, vontade de ver o que tem por baixo deste uniforme, é o que não me falta.

SÉRGIO

(sorri tímido) A senhorita disse que tinha mudado.

MAYA

Não mudei. Eu sou assim, Sérgio... O que mudou foi a minha neurose em competir com a minha irmã; enfim... Seu notebook estava ligado e eu vi que... A sua passagem é de primeira classe.

Sérgio fica espantado, disfarça.

MAYA

Uma viagem para Portugal não é barata. De primeira classe, então, nem se fala... Como você consegue pagar por isso?

SÉRGIO

(pensativo, incomodado) Senhorita Maya, primeiramente, o que a senhora fez foi uma invasão de privacidade... Depois, o que aconteceu foi um erro da companhia. Eu comprei passagens normais e, por engano, enviaram-me passagens de primeira classe. Já resolvi isso e está tudo certo.

MAYA

Minha intenção não era invadir a sua privacidade, mas fiquei curiosa quando vi o notebook ligado.

SÉRGIO

Entendo.

MAYA

Bem... Não vou mais te atrapalhar. Já vou indo. Só que te alertar sobre uma coisa importante... Álvaro sabe que você e Elisa estão juntos.

SÉRGIO

(preocupado) Como ele soube?

MAYA

Viu vocês se beijando na saída de um restaurante.

SÉRGIO

Meu Deus... Mas porque é que ele não disse nada, até agora?

MAYA

Porque Álvaro come pelas beiradas, Sérgio. Ele é perigoso. Quando menos se espera, ele ataca. Eu sei disso porque Bruno era meu amigo e ele sempre me contava as coisas que o irmão fazia; por isso, peço que tome cuidado com ele.

SÉRGIO

Obrigado... Por favor, cuide da Elisa. Agora, estou com medo de ele fazer alguma coisa contra ela.

MAYA

Pode deixar, mas acredito que ele não fará isso. Com licença e boa viagem! Se for me trazer alguma coisa de Portugal, me traga um homem igual a você.

Maya e Sérgio sorriem, achando graça, Maya sai. Sérgio se senta, pensativo, preocupado.

Corta Para:

 

Cena 5/Int./Mais Tarde/Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

Elisa está organizando suas tintas, Sérgio bate na porta, entra, Elisa sorri.

SÉRGIO

(sorri) Está ocupada?

ELISA

Não, mas se estivesse não teria importância; você é prioridade.

Sérgio e Elisa se beijam.

SÉRGIO

(chateado) Vim fazer uma coisa que não é fácil para mim... Despedir-me de ti.

ELISA

(suspira/melancólica) Realmente, é uma coisa difícil... Para mim, também, é.

SÉRGIO

Sei que são apenas três dias, mas vou fazer uma coisa difícil e, por mais que o meu amigo esteja comigo, seria muito melhor se estivesses ao meu lado.

ELISA

(sorri, acaricia o rosto de Sérgio) Você vai conseguir fazer, seja lá o que for, meu amor. E, logo, estará de volta.

Sérgio abraça Elisa, fecha os olhos, as lágrimas escorrem.

SÉRGIO

Pedi à Malu que mudasse as flores e colocasse frases que escrevi.

Elisa olha Sérgio, sorri. 

ELISA

Assim, eu vou chorar.

SÉRGIO

(sorri) Não, não quero isso.

ELISA

Eu vou te acompanhar até o aeroporto.

SÉRGIO

(pensativo) Melhor não, meu amor; eu vou sozinho.

ELISA

(estranha) Por que, não?

SÉRGIO

Porque... podem estranhar o facto de tu ires com o motorista.

ELISA

Tem razão.

SÉRGIO

Eu já preciso de ir... Até logo, Elisa. E peço-te que não discutas com o Álvaro.

ELISA

Eu concordei em conversar com ele, para a minha mãe encerrar esse assunto, de uma vez por todas, mas vou fazer isso, aqui, em casa.

SÉRGIO

Melhor. Bem… Eu vou indo… Já estou com saudades.

ELISA

Eu também.

Sérgio e Elisa se beijam.

ELISA

Te amo!

SÉRGIO

Também te amo!

Elisa e Sérgio se abraçam.

Corta Para:

Cena 6/Int./Aeroporto/Saguão/Dia.

Sérgio chega, está vestindo roupas elegantes, assume a postura que lhe pertence, pega do bolso as passagens de primeira classe que estão em nome de António Sérgio Castro Figueroa, olha-as, respira fundo, segue em frente.

Corta Para:

Cena 7/Int./Mais Tarde – Portugal/Estoril/Casa de António Sérgio/Noite.

Gonçalo e António Sérgio conversam, enquanto caminham em direção à sala.

GONÇALO

Fazes muita falta aqui, meu amigo.

ANTÓNIO SÉRGIO

Gonçalo, poucas coisas daqui me fazem sentir saudade, mas, sem dúvida, ter-te ao meu lado, a ajudar-me, a seres meu amigo como sempre fomos, desde a infância, é o que mais sinto falta.

Ao entrarem na sala, Gonçalo e António Sérgio paralisam ao ver Manuela sentada no sofá, tomando vinho. A raiva toma conta de António Sérgio.

ANTÓNIO SÉRGIO

(raiva) Como é que entraste aqui?

Manuela toma mais um gole de vinho, sorri maldosa, cruza as pernas, encara, sedutora, António Sérgio.

MANUELA

Depois de tanto tempo, é assim que me recebes, meu amor?

António Sérgio encara Manuela, com ódio.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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