
Cena 1/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Cont. Imediata do
capítulo anterior.
Álvaro e Sérgio estão
se encarando de forma sutil, Elisa observa.
ELISA
Álvaro, eu pedi para ele tocar piano.
ÁLVARO
Minha querida, que eu saiba, o motorista não precisa de porta-voz.
Eu perguntei para ele e quero ouvir a resposta da boca dele.
SÉRGIO
(calmo) Foi exactamente como a Elisa disse. Estava a admirar
o piano, e ela percebeu que eu sei tocar. Disse-me que podia tocar o que
quisesse, que não haveria problema algum.
ÁLVARO
(instigando) Sim, mas o que quero saber não é apenas isso... Você
tem qualidades muito peculiares para um motorista....
SÉRGIO
(incomodado) Álvaro/
ÁLVARO
Não sou seu amigo e nem pretendo, aliás... Quando se dirigir
a mim e à minha noiva, não tenha intimidade.
ELISA
(inconformada, constrangida) Para com isso, Álvaro! Vamos
jantar, antes que eu desista de sair com você. Vamos, agora!
ÁLVARO
(sorri sarcástico) Tudo bem... Vamos! Mas esta conversa não
acabou!
Álvaro segura a mão
de Elisa, os dois vão em direção à porta, Elisa olha para Sérgio como quem pede
desculpas com o olhar. Ela e Álvaro saem. Sérgio fica com raiva.
SÉRGIO
(para si mesmo, se contendo) Preciso de me controlar para não
partir a cara àquele imbecil... Vontade não me falta.
Corta Para:
Cena 2/Ext./Mansão
Monteiro Diniz/Noite.
Elisa e Álvaro saem
da mansão.
ELISA
(nervosa) Álvaro, o seu comportamento foi imaturo e
grosseiro!
ÁLVARO
(contido, calmo) Eu não quero falar sobre isso. Não vou
estragar a nossa noite falando do motorista.
ELISA
(tom alto) Você já estragou a noite!
ÁLVARO
Fala baixo... Os vizinhos não precisam ouvir nossa conversa.
Vamos logo, porque se não perdemos a reserva.
ELISA
(cruza os braços) Quer saber...? Não vou mais! Na verdade, eu não suporto mais nada! Muito menos fingir que está tudo bem entre nós, (tom alto) porque não está!
ÁLVARO
(frio, triste) Amor, você não pode fazer isso comigo. Eu fiz
a reserva no seu restaurante favorito; o que aconteceu agora há pouco não tem
nada a ver conosco, e sim com o comportamento inconveniente do motorista.
ELISA
(nervosa) E o seu comportamento não foi inconveniente?
ÁLVARO
Não. Eu sei o meu lugar e quero que ele saiba o dele; só
isso. Agora, vamos, porque estamos nos atrasando.
ELISA
(inconformada) Boa noite, Álvaro.
Elisa vai entrando,
Álvaro a segura forte pelo braço. Elisa se assusta, fica surpresa. Álvaro
disfarça, começa a fingir que está passando mal, se segura em Elisa.
ÁLVARO
(fraco) Espera, Elisa... Passei o dia me sentindo estranho...
Acho que é ansiedade por causa do nosso casamento.
ELISA
(preocupada) O que você está sentindo?
ÁLVARO
(fingindo) Acho que é fraqueza. Hoje eu mal comi direito,
estava ansioso para o nosso jantar... Por favor, Elisa... Vamos até o
restaurante.
ELISA
(mais calma) Está bem... Vamos.
ÁLVARO
(dá um micro sorriso de vitória, tom gentil) Obrigado, meu
amor.
ELISA
Acho melhor a gente pedir um carro.
ÁLVARO
Não... Já estou me sentindo bem e o restaurante não é longe;
eu mesmo dirijo.
Álvaro abre a porta
do carro para Elisa, ela entra. Álvaro fecha a porta do carro, sorri maldoso,
se ajeita, entra no carro.
Corta Para:
Cena 3/Int./Mais
Tarde – Mansão Monteiro Diniz/Quarto de Sérgio/Noite.
Sérgio está na
sacada, tomando vinho, ele observa a noite, pensativo. Alguém bate na porta,
ele coloca a taça em cima de uma mesa, abre a porta. Clara e Roberto entram.
ROBERTO
Boa noite, Sérgio. Espero não estar atrapalhando.
SÉRGIO
De maneira nenhuma, senhor Roberto.
CLARA
(sorri) Já conseguiu organizar suas coisas?
SÉRGIO
Sim. Como não trouxe muitas coisas, foi rápido organizar-me.
ROBERTO
Que bom, Sérgio. Nós viemos dar as boas-vindas e, também,
para falar que amanhã quero te apresentar ao Beny.
SÉRGIO
Claro! E, falando nele, acho que já sei de um bom lugar para
ele trabalhar.
ROBERTO
(interessado) É mesmo? Onde?
SÉRGIO
Como ajudante geral na padaria do meu amigo.
CLARA
O meu Beny sendo ajudante em uma padaria? De jeito nenhum.
ROBERTO
(pensativo) Para de drama, Clarinha... Adorei a ideia, e é
disso que nosso filho precisa para ver que a vida não é fácil... que ele não
pode sair por aí fazendo o que bem entender.
CLARA
(nervosa) Vida, quer que o Beny trabalhe? Ok, mas no nosso
grupo.
ROBERTO
Não, meu amor! Vamos mostrar a ele que as coisas devem ser
conquistadas. (a Sérgio) Pode falar com seu amigo e diga que Beny irá trabalhar
para ele.
SÉRGIO
Pode deixar, senhor Roberto.
CLARA
(reprovando) Que fique claro que eu sou contra.
Sérgio e Roberto se
olham, achando graça da reação de Clara.
Corta Para:
Cena 4/Ext./Mansão
Monteiro Diniz/Carro de Álvaro/Noite.
Álvaro estaciona o
carro em frente a mansão. Elisa está pensativa.
ÁLVARO
(tom suave) Eu adorei nossa noite, meu amor.
ELISA
Foi agradável.
Álvaro segura e beija
a mão de Elisa, a olha nos olhos.
ÁLVARO
Elisa, meu amor, eu adoraria que a noite não terminasse
aqui... Por que você não fica comigo esta noite?
ELISA
(desconfortável, disfarça) Álvaro, eu já falei algumas vezes
que não estou pronta para isso, ainda.
ÁLVARO
(paciente) Nosso casamento vai ser em breve. Não vejo
problema em anteciparmos as coisas. (frio, voz calma) Eu lembro que você e
Bruno viajavam, passavam fins de semana juntos/
ELISA
(um pouco alterada) É diferente... Eu amava Bruno. As coisas
aconteceram de forma natural e não porque ele ficou me pressionando. (se
controla) Boa noite, Álvaro.
Elisa abre a porta do
carro.
ÁLVARO
Calma, meu amor, desculpa.
Elisa encara Álvaro.
ELISA
(firme) Eu não quero mais que você mencione Bruno, entendeu?
Já estou cansada disso.
Elisa sai do carro,
entra na mansão. Álvaro fica com raiva, dá um soco no volante.
ÁLVARO
(para si mesmo) Droga! Se eu não
fizer alguma coisa logo, vou acabar perdendo o que conquistei até aqui... E, se
perder, levo todo mundo comigo.
Corta Para:
Cena 5/Int./Dia
seguinte/Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.
Sérgio, Malu, Lívia,
Gustavo e Berta estão tomando café da manhã.
SÉRGIO
Então, Gustavo trabalha no grupo Monteiro Diniz?!
GUSTAVO
Isso, sou contador, mas eu não sei por quanto tempo. Eu quero
fazer faculdade de direito.
BERTA
De novo essa história, meu filho? Eu já falei que é melhor
você ficar onde está, é mais seguro.
LÍVIA
Gu, você sabe que, pela mamãe, a gente fica velho servindo
aos Monteiro Diniz.
BERTA
Nada disso, eu só quero o melhor para vocês.
MALU
A senhora quer o melhor da sua cabeça e não das cabeças deles.
BERTA
Ninguém te chamou na conversa, Malu.
MALU
E nem precisa.
SÉRGIO
(sorri) Não briguem. Mas, seguindo o que a Malu disse, não
vejo problema em o Gustavo tirar um curso de Direito. Pode até tornar-se
advogado do senhor Roberto.
GUSTAVO
(sorri) Também, mas eu quero, mesmo, é defender as pessoas.
LÍVIA
E eu não vejo a hora de começar a faculdade de relações
públicas. Mas, para isso, eu preciso arrumar um emprego que me pague melhor do
que o outro que eu estava.
BERTA
A conversa está boa mas, já já, os patrões vão descer para
tomar café. Malu, depois que colocar a mesa, vá levar as coisas que Elisa pediu
para o ateliê. Ela disse que iria deixar a porta aberta.
MALU
Que bom, se não ela não ia aguentar o cheiro de mofo que deve
tá lá dentro, né!
Sérgio pega um bloco
de anotações que está em cima da mesa e uma caneta do bolso. Escreve, tira o
papel do bloco de notas, dobra, entrega para Malu, se levanta.
SÉRGIO
Quando fores levar as coisas à
Elisa, faz-me um favor: deixa este bilhete em cima da mesa, perto do vaso.
Lívia e Gustavo se
olham sorrindo um pouco, como se dissessem que entenderam a intenção de Sérgio.
SÉRGIO
Vou até à garagem. Ainda não vi
os carros e preciso de saber qual devo usar para levar o senhor Roberto ao
hospital. O café estava muito bom, obrigado. Tenham um bom dia de trabalho. Até
logo.
Sérgio sai, Malu
suspira encantada.
MALU
Gente do céu... Até parece um príncipe de filme, né?
LÍVIA
(acha graça) Se o Arlindo pega você suspirando por causa do
Sérgio, não vai gostar, hein.
MALU
(sorri) Não é porque namoro o Arlindo que fiquei cega e nem
surda, né? Adoro o jeitinho que o Sérgio fala, mesmo eu não entendendo, às
vezes. É uma graça.
BERTA
Malu... Vai colocar a mesa do café, vai.
MALU
Já vou, mas é melhor eu ir colocar esse bilhete para a Elisa,
antes que eu esqueça.
Malu sai.
GUSTAVO
Impressão minha, ou Sérgio está interessado na Elisa?
BERTA
Não sei, Gustavo... Mas se for isso, eu vou gostar. Elisa não
merece alguém como o Álvaro.
LÍVIA
Até parece que Elisa vai poder ficar com o Sérgio. Roberto e
Clara já decretaram que ela vai se casar com o Álvaro.
BERTA
Não, se ela desperta em tempo...
Corta Para:
Cena
6/Int./Apartamento de Álvaro/Quarto/Dia.
Diana e Álvaro estão
deitados na cama, ele está dormindo. Diana acorda, sorri ao observar Álvaro
dormindo, acaricia o rosto dele, o beija. Álvaro se mexe um pouco, permanece de
olhos fechados.
ÁLVARO
(balbucia) Elisa...
Diana fica séria ao
ouvir Álvaro chamá–la de Elisa, fica com raiva, Álvaro acorda.
ÁLVARO
Que horas são?
DIANA
(raiva) Você me chamou de Elisa.
Álvaro se senta na
cama.
ÁLVARO
(confuso) Ficou louca? Quando?
DIANA
(tom alto, irritada) Agora! Seu cretino!
Diana bate em Álvaro
com o travesseiro.
ÁLVARO
(tom alto) Para com isso!
DIANA
(irritada) Eu não posso acreditar nisso!
Diana se levanta, vai
em direção ao banheiro, volta, encara Álvaro.
DIANA
Que seja a última vez que você pensa nela enquanto estamos
juntos... Ou, do contrário, você vai ter que arrumar outra trouxa para saciar
seu desejo por ela! (joga uma almofada em Álvaro) Cretino!
Diana entra no
banheiro, bate a porta.
ÁLVARO
(frio) Ninguém é capaz de saciar meu desejo por Elisa.
Corta Para:
Cena
7/Int./Hospital/Quarto de Benício/Dia.
Benício está vendo
algumas coisas no celular, Roberto e Sérgio entram.
BENÍCIO
Até que enfim você chegou, papai. Eu quero ir para a casa. Se
me colocaram aqui, é porque já estou melhor.
ROBERTO
Eu conversei com o médico... Você vai poder voltar em poucos
dias para a casa.
BENÍCIO
Ótimo! Não aguento mais ficar parado aqui; preciso me mexer...
(sorri) Correr.
ROBERTO
As coisas vão ser diferentes, Beny... Por isso eu trouxe o
Sérgio para você conhecer; ele é o nosso novo motorista.
SÉRGIO
Prazer em conhecer-te, Benício.
BENÍCIO
(debochado) Fala, portuga.
ROBERTO
Engraçadinho você, Beny, para com isso. Como estava falando,
contratei o Sérgio e, quando sair daqui, sua vida vai mudar: de casa para o
trabalho e do trabalho para casa. Quando você quiser sair, terá horário para
chegar, e Sérgio tem carta branca para te trazer à força, se for preciso.
BENÍCIO
(sério, irritado) Que trabalho? E você falou que o portuga é
motorista e não minha babá!
ROBERTO
De fato, o Sérgio é motorista, mas ele e Arlindo vão se
encarregar de não deixarem você fazer besteira novamente, porque, daqui a
alguns meses, você faz dezoito anos e não quero ter que ir te tirar da cadeia.
BENÍCIO
(raiva) Você está exagerando, Roberto.
ROBERTO
(sorri) Não estou. Se não seguir minhas regras, adeus mesada,
adeus carro, adeus noitadas custeadas com o meu dinheiro... Estou sendo claro,
senhor Benício?
BENÍCIO
Isso não é justo.
ROBERTO
(firme) Fui claro, ou não?
BENÍCIO
(raiva) Foi.
Benício encara Sérgio
com raiva.
Corta Para:
Cena 8/Int./mansão
Monteiro Diniz/Ateliê de Elisa/Dia.
Elisa entra, vê que
Malu deixou produtos de limpeza, panos, vassoura, balde e rodo. Ela abre as
janelas do ateliê, olha em volta, sorri, vê um bilhete em cima da mesa perto do
vaso, pega o bilhete.
ELISA
(Lê em voz alta) “Tudo vale a pena quando a alma não é
pequena. Tenha um bom dia! Sérgio”.
Elisa sorri, coloca o
bilhete, com carinho, no peito, num abraço, Maya entra.
MAYA
(sorri um pouco) Olha só... Resolveu entrar aqui, é?
Elisa dobra e guarda
o bilhete no bolso.
ELISA
É o que parece, né!?
Maya olha o quadro de
Bruno, os olhos enchem de lágrimas, disfarça.
MAYA
Ele era bonito...
ELISA
Sim... Por fora... e por dentro!
MAYA
Pois, é. (enxuga as lágrimas sem Elisa ver) Me diz uma coisa,
Elisa... o que te fez entrar aqui?
ELISA
Me deu vontade, Maya... Finalmente, eu tive coragem para
isso.
MAYA
(sorri ardilosa) Entendo... Eu percebi que você e o Sérgio
são... Amigos; e queria te pedir um favor...
ELISA
Qual?
MAYA
(maldosa) Quero que você me ajude a conquistar ele.
ELISA
(surpresa, perdida) Maya... Você quer ficar com o motorista?
Nunca vi você com alguém que não fosse da nossa classe social.
MAYA
As coisas mudam e Sérgio é tão lindo, que não me importo com
a classe social dele. (maldosa) Então, vai me ajudar?
ELISA
(nervosa, tentando se conter) Não, não sou cupido. Se vira
sozinha. Agora, me dá licença, porque tenho muita coisa para fazer.
Elisa coloca Maya
para fora do ateliê, está com vontade de chorar.
ELISA
(aflita) Eu não posso sentir ciúmes... Não posso nem sentir o
que estou sentindo...
Corta Para:
Cena 9/Int./mansão
Monteiro Diniz/Corredor dos quartos/Dia.
Maya está do lado de fora do ateliê.
MAYA
(para si mesma, com raiva) Bruno escolheu você, irmãzinha... Não vou deixar que Sérgio faça o mesmo... Não vou passar por essa dor, novamente... Não, mesmo! (raiva).
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
Copyright © 2026 - WebTV
www.redewtv.com
Todos os direitos reservados
Proibida a cópia ou a reprodução




Comentários:
0 comentários: