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Desígnios: Capítulo 07

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 07

 

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Álvaro e Sérgio estão se encarando de forma sutil, Elisa observa.

ELISA

Álvaro, eu pedi para ele tocar piano.

ÁLVARO

Minha querida, que eu saiba, o motorista não precisa de porta-voz. Eu perguntei para ele e quero ouvir a resposta da boca dele.

SÉRGIO

(calmo) Foi exactamente como a Elisa disse. Estava a admirar o piano, e ela percebeu que eu sei tocar. Disse-me que podia tocar o que quisesse, que não haveria problema algum.

ÁLVARO

(instigando) Sim, mas o que quero saber não é apenas isso... Você tem qualidades muito peculiares para um motorista....

SÉRGIO

(incomodado) Álvaro/

ÁLVARO

Não sou seu amigo e nem pretendo, aliás... Quando se dirigir a mim e à minha noiva, não tenha intimidade.

ELISA

(inconformada, constrangida) Para com isso, Álvaro! Vamos jantar, antes que eu desista de sair com você. Vamos, agora!

ÁLVARO

(sorri sarcástico) Tudo bem... Vamos! Mas esta conversa não acabou!

Álvaro segura a mão de Elisa, os dois vão em direção à porta, Elisa olha para Sérgio como quem pede desculpas com o olhar. Ela e Álvaro saem. Sérgio fica com raiva.

SÉRGIO

(para si mesmo, se contendo) Preciso de me controlar para não partir a cara àquele imbecil... Vontade não me falta.

Corta Para:

Cena 2/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Noite.

Elisa e Álvaro saem da mansão.

ELISA

(nervosa) Álvaro, o seu comportamento foi imaturo e grosseiro!

ÁLVARO

(contido, calmo) Eu não quero falar sobre isso. Não vou estragar a nossa noite falando do motorista.

ELISA

(tom alto) Você já estragou a noite!

ÁLVARO

Fala baixo... Os vizinhos não precisam ouvir nossa conversa. Vamos logo, porque se não perdemos a reserva.

ELISA

(cruza os braços) Quer saber...? Não vou mais! Na verdade, eu não suporto mais nada! Muito menos fingir que está tudo bem entre nós, (tom alto) porque não está!

ÁLVARO

(frio, triste) Amor, você não pode fazer isso comigo. Eu fiz a reserva no seu restaurante favorito; o que aconteceu agora há pouco não tem nada a ver conosco, e sim com o comportamento inconveniente do motorista.

ELISA

(nervosa) E o seu comportamento não foi inconveniente?

ÁLVARO

Não. Eu sei o meu lugar e quero que ele saiba o dele; só isso. Agora, vamos, porque estamos nos atrasando.

ELISA

(inconformada) Boa noite, Álvaro.

Elisa vai entrando, Álvaro a segura forte pelo braço. Elisa se assusta, fica surpresa. Álvaro disfarça, começa a fingir que está passando mal, se segura em Elisa.

ÁLVARO

(fraco) Espera, Elisa... Passei o dia me sentindo estranho... Acho que é ansiedade por causa do nosso casamento.

ELISA

(preocupada) O que você está sentindo?

ÁLVARO

(fingindo) Acho que é fraqueza. Hoje eu mal comi direito, estava ansioso para o nosso jantar... Por favor, Elisa... Vamos até o restaurante.

ELISA

(mais calma) Está bem... Vamos.

ÁLVARO

(dá um micro sorriso de vitória, tom gentil) Obrigado, meu amor.

ELISA

Acho melhor a gente pedir um carro.

ÁLVARO

Não... Já estou me sentindo bem e o restaurante não é longe; eu mesmo dirijo.

Álvaro abre a porta do carro para Elisa, ela entra. Álvaro fecha a porta do carro, sorri maldoso, se ajeita, entra no carro.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mais Tarde – Mansão Monteiro Diniz/Quarto de Sérgio/Noite.

Sérgio está na sacada, tomando vinho, ele observa a noite, pensativo. Alguém bate na porta, ele coloca a taça em cima de uma mesa, abre a porta. Clara e Roberto entram.

ROBERTO

Boa noite, Sérgio. Espero não estar atrapalhando.

SÉRGIO

De maneira nenhuma, senhor Roberto.

CLARA

(sorri) Já conseguiu organizar suas coisas?

SÉRGIO

Sim. Como não trouxe muitas coisas, foi rápido organizar-me.

ROBERTO

Que bom, Sérgio. Nós viemos dar as boas-vindas e, também, para falar que amanhã quero te apresentar ao Beny.

SÉRGIO

Claro! E, falando nele, acho que já sei de um bom lugar para ele trabalhar.

ROBERTO

(interessado) É mesmo? Onde?

SÉRGIO

Como ajudante geral na padaria do meu amigo.

CLARA

O meu Beny sendo ajudante em uma padaria? De jeito nenhum.

ROBERTO

(pensativo) Para de drama, Clarinha... Adorei a ideia, e é disso que nosso filho precisa para ver que a vida não é fácil... que ele não pode sair por aí fazendo o que bem entender.

CLARA

(nervosa) Vida, quer que o Beny trabalhe? Ok, mas no nosso grupo.

ROBERTO

Não, meu amor! Vamos mostrar a ele que as coisas devem ser conquistadas. (a Sérgio) Pode falar com seu amigo e diga que Beny irá trabalhar para ele.

SÉRGIO

Pode deixar, senhor Roberto.

CLARA

(reprovando) Que fique claro que eu sou contra.

Sérgio e Roberto se olham, achando graça da reação de Clara.

Corta Para:

Cena 4/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Carro de Álvaro/Noite.

Álvaro estaciona o carro em frente a mansão. Elisa está pensativa.

ÁLVARO

(tom suave) Eu adorei nossa noite, meu amor.

ELISA

Foi agradável.

Álvaro segura e beija a mão de Elisa, a olha nos olhos.

ÁLVARO

Elisa, meu amor, eu adoraria que a noite não terminasse aqui... Por que você não fica comigo esta noite?

ELISA

(desconfortável, disfarça) Álvaro, eu já falei algumas vezes que não estou pronta para isso, ainda.

ÁLVARO

(paciente) Nosso casamento vai ser em breve. Não vejo problema em anteciparmos as coisas. (frio, voz calma) Eu lembro que você e Bruno viajavam, passavam fins de semana juntos/

ELISA

(um pouco alterada) É diferente... Eu amava Bruno. As coisas aconteceram de forma natural e não porque ele ficou me pressionando. (se controla) Boa noite, Álvaro.

Elisa abre a porta do carro.

ÁLVARO

Calma, meu amor, desculpa.

Elisa encara Álvaro.

ELISA

(firme) Eu não quero mais que você mencione Bruno, entendeu? Já estou cansada disso.

Elisa sai do carro, entra na mansão. Álvaro fica com raiva, dá um soco no volante.

ÁLVARO

(para si mesmo) Droga! Se eu não fizer alguma coisa logo, vou acabar perdendo o que conquistei até aqui... E, se perder, levo todo mundo comigo.

Corta Para:

Cena 5/Int./Dia seguinte/Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.

Sérgio, Malu, Lívia, Gustavo e Berta estão tomando café da manhã.

SÉRGIO

Então, Gustavo trabalha no grupo Monteiro Diniz?!

GUSTAVO

Isso, sou contador, mas eu não sei por quanto tempo. Eu quero fazer faculdade de direito.

BERTA

De novo essa história, meu filho? Eu já falei que é melhor você ficar onde está, é mais seguro.

LÍVIA

Gu, você sabe que, pela mamãe, a gente fica velho servindo aos Monteiro Diniz.

BERTA

Nada disso, eu só quero o melhor para vocês.

MALU

A senhora quer o melhor da sua cabeça e não das cabeças deles.

BERTA

Ninguém te chamou na conversa, Malu.

MALU

E nem precisa.

SÉRGIO

(sorri) Não briguem. Mas, seguindo o que a Malu disse, não vejo problema em o Gustavo tirar um curso de Direito. Pode até tornar-se advogado do senhor Roberto.

GUSTAVO

(sorri) Também, mas eu quero, mesmo, é defender as pessoas.

LÍVIA

E eu não vejo a hora de começar a faculdade de relações públicas. Mas, para isso, eu preciso arrumar um emprego que me pague melhor do que o outro que eu estava.

BERTA

A conversa está boa mas, já já, os patrões vão descer para tomar café. Malu, depois que colocar a mesa, vá levar as coisas que Elisa pediu para o ateliê. Ela disse que iria deixar a porta aberta.

MALU

Que bom, se não ela não ia aguentar o cheiro de mofo que deve tá lá dentro, né!

Sérgio pega um bloco de anotações que está em cima da mesa e uma caneta do bolso. Escreve, tira o papel do bloco de notas, dobra, entrega para Malu, se levanta.

SÉRGIO

Quando fores levar as coisas à Elisa, faz-me um favor: deixa este bilhete em cima da mesa, perto do vaso.

Lívia e Gustavo se olham sorrindo um pouco, como se dissessem que entenderam a intenção de Sérgio.

SÉRGIO

Vou até à garagem. Ainda não vi os carros e preciso de saber qual devo usar para levar o senhor Roberto ao hospital. O café estava muito bom, obrigado. Tenham um bom dia de trabalho. Até logo.

Sérgio sai, Malu suspira encantada.

MALU

Gente do céu... Até parece um príncipe de filme, né?

LÍVIA

(acha graça) Se o Arlindo pega você suspirando por causa do Sérgio, não vai gostar, hein.

MALU

(sorri) Não é porque namoro o Arlindo que fiquei cega e nem surda, né? Adoro o jeitinho que o Sérgio fala, mesmo eu não entendendo, às vezes. É uma graça.

BERTA

Malu... Vai colocar a mesa do café, vai.

MALU

Já vou, mas é melhor eu ir colocar esse bilhete para a Elisa, antes que eu esqueça.

Malu sai.

GUSTAVO

Impressão minha, ou Sérgio está interessado na Elisa?

BERTA

Não sei, Gustavo... Mas se for isso, eu vou gostar. Elisa não merece alguém como o Álvaro.

LÍVIA

Até parece que Elisa vai poder ficar com o Sérgio. Roberto e Clara já decretaram que ela vai se casar com o Álvaro.

BERTA

Não, se ela desperta em tempo...

Corta Para:

Cena 6/Int./Apartamento de Álvaro/Quarto/Dia.

Diana e Álvaro estão deitados na cama, ele está dormindo. Diana acorda, sorri ao observar Álvaro dormindo, acaricia o rosto dele, o beija. Álvaro se mexe um pouco, permanece de olhos fechados.

ÁLVARO

(balbucia) Elisa...

Diana fica séria ao ouvir Álvaro chamá–la de Elisa, fica com raiva, Álvaro acorda.

ÁLVARO

Que horas são?

DIANA

(raiva) Você me chamou de Elisa.

Álvaro se senta na cama.

ÁLVARO

(confuso) Ficou louca? Quando?

DIANA

(tom alto, irritada) Agora! Seu cretino!

Diana bate em Álvaro com o travesseiro.

ÁLVARO

(tom alto) Para com isso!

DIANA

(irritada) Eu não posso acreditar nisso!

Diana se levanta, vai em direção ao banheiro, volta, encara Álvaro.

DIANA

Que seja a última vez que você pensa nela enquanto estamos juntos... Ou, do contrário, você vai ter que arrumar outra trouxa para saciar seu desejo por ela! (joga uma almofada em Álvaro) Cretino!

Diana entra no banheiro, bate a porta.

ÁLVARO

(frio) Ninguém é capaz de saciar meu desejo por Elisa.

Corta Para:

Cena 7/Int./Hospital/Quarto de Benício/Dia.

Benício está vendo algumas coisas no celular, Roberto e Sérgio entram.

BENÍCIO

Até que enfim você chegou, papai. Eu quero ir para a casa. Se me colocaram aqui, é porque já estou melhor.

ROBERTO

Eu conversei com o médico... Você vai poder voltar em poucos dias para a casa.

BENÍCIO

Ótimo! Não aguento mais ficar parado aqui; preciso me mexer... (sorri) Correr.

ROBERTO

As coisas vão ser diferentes, Beny... Por isso eu trouxe o Sérgio para você conhecer; ele é o nosso novo motorista.

SÉRGIO

Prazer em conhecer-te, Benício.

BENÍCIO

(debochado) Fala, portuga.

ROBERTO

Engraçadinho você, Beny, para com isso. Como estava falando, contratei o Sérgio e, quando sair daqui, sua vida vai mudar: de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Quando você quiser sair, terá horário para chegar, e Sérgio tem carta branca para te trazer à força, se for preciso.

BENÍCIO

(sério, irritado) Que trabalho? E você falou que o portuga é motorista e não minha babá!

ROBERTO

De fato, o Sérgio é motorista, mas ele e Arlindo vão se encarregar de não deixarem você fazer besteira novamente, porque, daqui a alguns meses, você faz dezoito anos e não quero ter que ir te tirar da cadeia.

BENÍCIO

(raiva) Você está exagerando, Roberto.

ROBERTO

(sorri) Não estou. Se não seguir minhas regras, adeus mesada, adeus carro, adeus noitadas custeadas com o meu dinheiro... Estou sendo claro, senhor Benício?

BENÍCIO

Isso não é justo.

ROBERTO

(firme) Fui claro, ou não?

BENÍCIO

(raiva) Foi.

Benício encara Sérgio com raiva.

Corta Para:

Cena 8/Int./mansão Monteiro Diniz/Ateliê de Elisa/Dia.

Elisa entra, vê que Malu deixou produtos de limpeza, panos, vassoura, balde e rodo. Ela abre as janelas do ateliê, olha em volta, sorri, vê um bilhete em cima da mesa perto do vaso, pega o bilhete.

ELISA

(Lê em voz alta) “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Tenha um bom dia! Sérgio”.

Elisa sorri, coloca o bilhete, com carinho, no peito, num abraço, Maya entra.

MAYA

(sorri um pouco) Olha só... Resolveu entrar aqui, é?

Elisa dobra e guarda o bilhete no bolso.

ELISA

É o que parece, né!?

Maya olha o quadro de Bruno, os olhos enchem de lágrimas, disfarça.

MAYA

Ele era bonito...

ELISA

Sim... Por fora... e por dentro!

MAYA

Pois, é. (enxuga as lágrimas sem Elisa ver) Me diz uma coisa, Elisa... o que te fez entrar aqui?

ELISA

Me deu vontade, Maya... Finalmente, eu tive coragem para isso.

MAYA

(sorri ardilosa) Entendo... Eu percebi que você e o Sérgio são... Amigos; e queria te pedir um favor...

ELISA

Qual?

MAYA

(maldosa) Quero que você me ajude a conquistar ele.

ELISA

(surpresa, perdida) Maya... Você quer ficar com o motorista? Nunca vi você com alguém que não fosse da nossa classe social.

MAYA

As coisas mudam e Sérgio é tão lindo, que não me importo com a classe social dele. (maldosa) Então, vai me ajudar?

ELISA

(nervosa, tentando se conter) Não, não sou cupido. Se vira sozinha. Agora, me dá licença, porque tenho muita coisa para fazer.

Elisa coloca Maya para fora do ateliê, está com vontade de chorar.

ELISA

(aflita) Eu não posso sentir ciúmes... Não posso nem sentir o que estou sentindo...

Corta Para:

Cena 9/Int./mansão Monteiro Diniz/Corredor dos quartos/Dia.

Maya está do lado de fora do ateliê.

MAYA

(para si mesma, com raiva) Bruno escolheu você, irmãzinha... Não vou deixar que Sérgio faça o mesmo... Não vou passar por essa dor, novamente... Não, mesmo! (raiva).


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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