
O dia já se foi e está anoitecendo. Neuza está sentada no sofá assistindo TV quando a porta se abre e Genivaldo entra.
– Oxe, home. Que demora foi essa? – reclama a esposa. Genivaldo balança a cabeça de um lado para o outro.
– E João Delmiro? Que que ele disse?
Genivaldo levanta as sobrancelhas grisalhas, tendo uma expressão pessimista no rosto.
– Falou nada de mais, que ia dar um jeito, que a gente ia continuar indo no ônibus da escola até Torres. Aquela ladainha que ele sempre fala.
– E Donato apareceu lá? – questiona Neuza.
– Que que tu acha, Neuza?
– Meu Deus do céu, não sei como Judite aguenta Donato. E ele fez confusão, foi?
– Neuza, quando é que Donato não faz confusão?
– Sei não como uma pessoa consegue viver desse jeito? Chega
época de eleição, Valdir chama Donato e Judite pra ficarem
lá na capital, a pobre não
vai porque Donato quer ficar aqui em São Miguel só pra tá se metendo em briga com os “Delmiro”. Quem dera se nós tivesse um filho
na capital. Eu ia querer passar o verão todinho
lá.
– Mas tu sabe que
Valdir não faz questão, né? Ele sempre convida
a gente.
– Sim. Mas eu não gosto de incomodar. Ele tem a família dele, a mulher, os filhos.
Genivaldo se mostra irritado com a tarde que se passou.
– Olha, Donato fez confusão na prefeitura. Depois fez confusão no Jeremias. Aí eu me enchi, deixei ele lá e fui pra praça. Tu sabe que eu não me irrito com qualquer coisa, mas Donato, parece que faz de propósito. “Oxe, Valdo, então quer dizer que tu concorda com que Delmiro tá dizendo?” – diz Genivaldo, mudando a voz, simulando a forma como Donato fala quando o amigo discorda dele. Se eu concordo com Donato, o povo fica com raiva de mim; se eu concordo com o povo, quando Delmiro tá certo, aí Donato me chama de babão dele. Rapaz, eu tô ficando chateado com ele.
Genivaldo balança a cabeça de um lado para o outro novamente.
– Eu vou é tomar um banho que ganho mais.
Genivaldo segue para o seu quarto. Judite pega o controle remoto e aumenta o volume do aparelho de televisão. Judite se vira para o quarto.
– Valdo, e não tem outro jeito da gente ficar indo pra Torres? A voz de Genivaldo parte de dento do quarto:
– Só se a gente for de jegue!
NOVELA ESCRITA POR:
Marcelo Caronesi
ELENCO
Donato
Genivaldo
João Delmiro
Neuza
Delegado Nogueira
Judite
Comandante Couto
Artur Vieira
Raul Delmiro
Cabo Jonas
TRILHA SONORA
Forró Esferográfico - Cabruera
DIREÇÃO
Carlos Mota
PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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