
Cena 1/Ext./Portugal/Porto de Lisboa/Dia.
Um grande cruzeiro está
atracado. Passageiros embarcam – entre eles, Antônio Sérgio que, antes de subir
a bordo, olha em volta, se despedindo, triste, de Portugal, enquanto ouve ecoar
em sua cabeça o que ouviu de Manuela.
MANUELA
(V.O). Lamento, meu
querido…, mas não posso abdicar daquilo que conquistei.
Antônio Sérgio respira
fundo, como quem se encoraja para algo novo, e embarca no navio. Funcionários
organizam bagagens. A bandeira de Portugal balança ao vento.
O navio apita e começa a zarpada.
Corta
Para:
Cena 2/EXT./OCEANO ATLÂNTICO/DIAS
SEGUINTES/(TRAVESSIA)
O navio cruza o Atlântico Norte.
Vemos o mar aberto, céu limpo, gaivotas acompanhando por alguns instantes.
Imagens de transição:
pôr do sol sobre o mar, ondas batendo no casco, passageiros passeando pelo
deque... Antônio Sérgio olha para o mar. Está pensativo, tira do bolso seu
documento de identidade onde mostra seu nome completo
“Antônio Sérgio Castro
Figueroa”. Ele joga o documento no mar, pega outra identidade que estava em seu
bolso, onde mostra o nome “Sérgio Figueroa”. Ele guarda o documento de volta no
bolso, olha para o mar de forma distante.
A linha do litoral
começa a surgir no horizonte.
Terra brasileira. O cruzeiro se aproxima lentamente do Porto de Santos.
Corta
Para:
Cena 3/Ext./6 meses depois/Brasil/São Paulo/Restaurante/Noite.
Elisa sai do restaurante
visivelmente irritada. Álvaro sai em seguida atrás dela, a segura pelo braço.
ÁLVARO
(bravo) Você não pode ir
embora assim!
Elisa puxa o braço da mão
de Álvaro.
ELISA
(nervosa) Não! Eu nem
queria ter vindo nesse jantar. Você que insistiu até eu aceitar, e para quê?
Para você se juntar com esse bando de esnobes numa conversa que já estava me
embrulhando o estômago.
ÁLVARO
(se recompõe se acalmando)
Elisa, vamos entrar e terminar a reunião.
ELISA
(Impaciente) Álvaro, você
perdeu seu tempo vindo atrás de mim. Te falei que pedi uma corrida por
aplicativo e eu vou para casa!
ÁLVARO
(nervoso) Não posso voltar
sem você, Elisa! Você é a filha do dono do grupo empresarial que eles estão
interessados; deixa de ser infantil!
O carro que Elisa chamou
por aplicativo chega.
ELISA
(chateada, o encara) Às
vezes, eu tenho a impressão de que é isso que sou para você... A filha do dono
de um grupo empresarial que, por acaso, também é sua noiva. (pausa/olhos
marejados) Bruno seria incapaz de me tratar assim. Vocês são muito diferentes.
Álvaro
fica sério, olhar frio, sorriso leve.
ÁLVARO
(calmo) Diferentes, sim. Bruno era impulsivo. Sempre corria atrás de você sem
pensar. Até naquela noite, não é?
Elisa o
encara, confusa e abalada.
ELISA
Do que você está falando?
ÁLVARO
(olhando-a como quem “lamenta”) Se ele não tivesse saído de casa às pressas pra
te encontrar…
talvez as coisas tivessem sido diferentes e ainda estaria vivo.
Elisa sente
como se o ar sumisse, fica visivelmente abalada.
ELISA
(voz embargada) Isso… isso não é
justo.
ÁLVARO
(suave, frio) Eu só disse a verdade, Elisa.
Elisa não
consegue responder. Apenas entra no carro. Álvaro bate na janela, Elisa abaixa o vidro.
ELISA
(abalada) Boa noite,
Álvaro.
Elisa fecha o vidro, o carro
sai.
ÁLVARO
(raiva) Droga! Mimada!...
Álvaro se recompõe, entra
no restaurante.
Corta
Para:
Cena 4/Int./Carro/Noite.
Sérgio é o motorista que
aceitou a corrida de Elisa. Ele a olha pelo retrovisor.
SÉRGIO
Boa noite, senhorita
Elisa.
ELISA
(está triste) Boa noite.
SÉRGIO
Desculpe a intromissão,
mas é difícil não perceber que se passa alguma coisa. Se precisar de ajuda,
estou ao seu dispor
Elisa não responde. Está
com o pensamento distante. Sérgio olha para a frente enquanto dirige.
ELISA
(pensativa, tom baixo) Você
já teve vontade de sumir? (pausa) Deixar tudo para trás?
SÉRGIO
(olha pelo espelho
retrovisor, sorri um pouco) Já.
ELISA
(voz embargada) É incrível!
Parece que, quanto mais eu me esforço para agradar as pessoas que convivem
comigo, nada nunca é o suficiente! Sempre vão querer mais de mim.
SÉRGIO
Este é o problema,
senhorita Elisa... Enquanto você se esforça para agradar aos outros, eles nunca
estarão satisfeitos, porque sabem que você vai fazer exatamente o que querem.
ELISA
(pensativa) Tem razão...
(fica triste).
Elisa olha Sérgio pelo
retrovisor, curiosa.
ELISA
Pelo seu sotaque você é de
Portugal... De qual parte?
SÉRGIO
Vim de Lisboa para cá, há
uns meses.
ELISA
(curiosa) Pretende voltar?
SÉRGIO
Não sei… estou a gostar
daqui. Na verdade, a minha mãe era brasileira e o meu pai português.
Conheceram-se aqui no Brasil. A minha família foi para Lisboa quando eu ainda
era criança e só saí de lá agora.
ELISA
Por quê?
SÉRGIO
(sorri) A senhorita não
quer dizer o que se passou? Está a mudar de assunto.
ELISA
Pode me chamar de Elisa...
e sim, na verdade eu não queria nem estar passando por isso. Não é apenas sobre
falar, embora eu saiba que falar é melhor do que ficar remoendo, mas não te
conheço e falar dos meus problemas com um estranho é o limite do desespero.
SÉRGIO
Sou como um psicólogo,
senhorita… o que disser aqui, fica aqui.
ELISA
(pensativa) Aquele homem a
quem dei boa noite é meu noivo Álvaro... Mas ultimamente sinto que não temos
nada em comum.
SÉRGIO
Isso é mau.... Porque não
fala com ele sobre como se sente?
ELISA
Não sei... (triste) Álvaro
é secretário do meu pai e irmão de Bruno, que era meu noivo. Eu o amava muito,
éramos muito felizes e o casamento estava perto quando ele sofreu um acidente
de carro e... morreu.
SÉRGIO
Lamento.
ELISA
Eu também. (pausa) Acho
que sinto tanto ainda, que não sou capaz de amar ninguém... Aceitei Álvaro para
que meus pais parassem de se preocupar comigo... (pausa, pensativa). Não quero
mais falar.
SÉRGIO
Tudo bem… importa-se se eu
puser música?
ELISA
Não, até vai ser bom.
Sérgio liga o rádio,
começa a tocar a música “Canção do Mar”, Elisa está triste, Sérgio a olha pelo
retrovisor.
SÉRGIO
Senhorita... Essa canção fala de alguém que se lança ao mar…
mesmo sabendo que pode não voltar igual. (pausa) Às vezes precisamos ir… mesmo
sem saber o que vamos encontrar
Elisa gosta da explicação
de Sérgio.
ELISA
(sorri um pouco) Além de
psicólogo é um ótimo filósofo... Qual o seu nome, mesmo?
SÉRGIO
(sorri) Sérgio.
Elisa pega seu celular, sem
querer abre uma foto dela com Bruno – uma foto do ensaio que fizeram para o
casamento. Elisa fica impactada, ouve a voz de Álvaro falar como se ele
estivesse ali a acusando pela morte de Bruno e começa a sentir falta de ar. Sérgio
para o carro em frente à mansão onde Elisa mora.
SÉRGIO
Chegamos.
Elisa está imóvel,
respiração ofegante. Sérgio se vira, a olha, percebe que ela não está bem.
SÉRGIO
Senhorita Elisa, o que
tens?
ELISA
(ofegante, tom baixo) Não
consigo respirar.
Elisa tenta abrir a porta
do carro, não consegue e o desespero aumenta. Sérgio, rapidamente, destrava a
porta do carro, Elisa desce apressada deixando a bolsa no carro. Sérgio,
preocupado, desce atrás dela.
Corta
Para:
Cena 5/Ext./Mansão
Monteiro Diniz/Rua/Noite.
Elisa se apoia no portão,
não consegue respirar por estar tendo uma crise de pânico, Sérgio se aproxima.
SÉRGIO
(tom calmo) Elisa olha para
mim. Está tudo bem.
Elisa tenta recuperar o
controle da respiração, se senta no chão, chora, Sérgio se abaixa perto dela.
Roberto se aproxima, se preocupa ao ver Elisa.
ROBERTO
(aflito) O que está
acontecendo com Elisa?
SÉRGIO
(para Roberto) Um ataque de
pânico.
Sérgio segura a mão de
Elisa, Roberto observa.
SÉRGIO
(tom acolhedor) Elisa…
calma… respira fundo.
Sérgio inspira, Elisa
fecha os olhos, inspira.
SÉRGIO
(tom acolhedor) Agora
expira devagar.
Elisa expira, repete duas
vezes, abre os olhos, olha Sérgio.
SÉRGIO
Como te estás a sentir?
ELISA
(tranquila) Melhor.
Roberto sorri aliviado,
estende a mão para Elisa.
ROBERTO
Que bom, minha filha.
Elisa segura a mão de
Roberto, se levanta, o abraça, Sérgio vai até o carro pega a bolsa de Elisa,
entrega para Roberto.
SÉRGIO
A mala pertence à Elisa
ROBERTO
Obrigado rapaz! Honestidade
e empatia são difíceis de encontrar hoje em dia. Obrigado por ajudar minha
filha.
SÉRGIO
(sorri) Não há de quê.
ELISA
Eu agradeço também. Fazia
muito tempo que não tinha uma crise como essa.
ROBERTO
(mostra interesse) Então
você é motorista... (pensativo, pausa) Tem algum contato?
SÉRGIO
Tenho sim.
Sérgio pega um cartão do
bolso, entrega para Roberto.
ROBERTO
(sorri) Perfeito! Mais uma
vez obrigado! Boa noite.
SÉRGIO
Boa noite, e espero que
tudo fique bem.
Sérgio estende a mão para
cumprimentar Elisa, que aperta a mão dele. Sérgio e Elisa se olham nos olhos.
ELISA
(tom suave) Obrigada, boa
noite.
Sérgio sorri simpático, Roberto
e Elisa entram na mansão, Sérgio os observa, Maya se aproxima, olha Sérgio de
cima a baixo, gostando do que vê.
MAYA
Boa noite...
SÉRGIO
(gentil) Boa noite,
senhorita.
MAYA
(sorri) Gostei do seu
sotaque... Eu estava chegando e vi meu pai e minha irmã conversando com você,
mas não te conheço.
SÉRGIO
Sou motorista. Trouxe sua
irmã. (pausa) Ela não se sentiu bem, mas já está melhor.
Maya observa ele com mais
atenção.
MAYA
(Sutilmente interessada) Você…
sempre se envolve assim com os problemas de seus passageiros?
SÉRGIO
(sorri simpático) Só
quando é necessário... Com licença, senhorita, mas eu preciso continuar
trabalhando. Espero que sua irmã fique bem. Boa noite!
Sérgio entra em seu carro,
dá a partida e sai, Maya observa o carro se afastando.
MAYA
(maliciosa, sorri) Eu não
tenho a sorte de encontrar um motorista desses… (muda a expressão, fria) Elisa
sempre precisa de um palco.
Maya entra na mansão.
Corta
Para:
Cena 6/Int./Mais
Tarde/Apartamento de Álvaro/Quarto/Noite.
Diana está tirando o terno
que Álvaro está vestindo.
ÁLVARO
(raiva contida) Elisa não
deveria ter saído do restaurante daquela forma, me fez passar vergonha.
Diana acaricia a cabeça de
Álvaro, beija o rosto dele.
DIANA
Fique calmo, meu querido. Você
aguenta os ataques dessa fresca porque precisa manter as aparências.
Álvaro se afasta de Diana.
ÁLVARO
Tem razão, Diana. (pausa)
Parece que a Elisa que tanto meu irmão endeusava é uma e essa que está comigo é
outra.
DIANA
(tom de deboche, ri) Não,
querido! Na verdade, o outro é você. Elisa amava o Bruno, era feliz com ele e
isso era visível. Parece que ela irradiava felicidade e ele também mas, desde
que ele morreu a aura dela mudou de cor... Ficou cinza. A impressão que eu
tenho é que, da mesma forma que você não gosta de Elisa, ela também não gosta
de você.
Álvaro não gosta do que
Diana falou.
ÁLVARO
(sério) Não fala besteira!
É claro que ela gosta de mim.
DIANA
(ri debochada) Querido,
acorda! Os pais da Elisa te jogaram ela no colo... (pensativa) Mas por que isso
te incomoda? Afinal você não gosta dela. (Se aproxima dele) Ou gosta?
Álvaro segura Diana pela
cintura.
ÁLVARO
Só gosto de você.
DIANA
Acho bom.
Álvaro e Diana se beijam.
Corta
Para:
Cena 7/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Noite.
Elisa está sentada em
frente à sua penteadeira, pensativa, tem uma lembrança com Bruno.
Corta
Para:
Cena
8/Flashback/Ext./Grupo Monteiro Diniz/Dia.
Bruno e Elisa, estão
conversando em frente ao grupo Monteiro Diniz, Bruno está preocupado, chateado,
mas tenta disfarçar.
ELISA
(sorri) Meu pai está
animado para nosso casamento. Até deixou a gente sair mais cedo para fazer as
fotos.
BRUNO
(sorri um pouco) É... Ele
queria me dar dois dias de folga.
Elisa percebe que Bruno
não está bem, acaricia o rosto dele.
ELISA
Está tudo bem, meu amor?
BRUNO
(respira fundo) Não... Eu
descobri uma coisa que não está sendo fácil.
ELISA
(preocupada) O quê?
BRUNO
(sorri, acaricia o rosto
de Elisa) Não vou encher a sua cabeça com coisas de negócio.
ELISA
Mas do jeito que você
está...
BRUNO
Deixa isso para lá, eu vou
resolver... Agora vamos fazer nossas fotos.
Bruno e Elisa se beijam.
Corta
Para:
Cena 9/Int./Mais
tarde/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Elisa está sentada no
sofá, recebe uma mensagem no celular, vê que Bruno mandou um áudio.
BRUNO
(V.O., aflito, preocupado) Meu amor, eu preciso te contar uma
coisa que descobri, e é muito importante.
Elisa fica curiosa,
preocupada, manda um áudio para Bruno.
ELISA
Amor, o dia todo você está
estranho. Acho melhor você vir aqui em casa para a gente conversar.
Elisa envia o áudio,
espera por alguns segundos a resposta de Bruno.
BRUNO
(V.O) Estou indo agora. Te
amo.
Corta
Para:
Cena 10/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Noite.
Fim do flashback. Elisa se
levanta pensativa, Clara entra.
CLARA
(preocupada) Minha
querida, seu pai me contou o que aconteceu. Como você está?
ELISA
(sorri um pouco) Estou
melhor, mamãe.
CLARA
Não é o que parece...
ELISA
Estou bem, sim, mas eu
estava pensando no Bruno/
CLARA
Ah, não, minha filha! Você
precisa superar isso, seu casamento está chegando e/
ELISA
Não é nada disso, mamãe! (pensativa)
No dia que Bruno se acidentou estava muito estranho.... Alguma coisa estava
preocupando ele e eu lembrei que a última vez que trocamos mensagem ele me
disse que descobriu uma coisa e que era muito importante.
CLARA
(curiosa) O quê?
ELISA
(pausa) Pois, é... Não sei!
Ele estava vindo me contar... Mas não chegou aqui.
Clara abraça Elisa.
CLARA
Vai ver era alguma coisa
sobre o casamento, mas isso já passou, filha. Você tem que pensar no seu
casamento com Álvaro.
Elisa se afasta, se senta
em sua cama.
ELISA
(pensativa) Não sei se é
isso que eu quero, nós somos tão diferentes...
Clara fica espantada, se
senta ao lado de Elisa.
CLARA
Nada disso... Seu dia foi
cheio, sua cabecinha está confusa por isso.
ELISA
(sorri) Mamãe... Amanhã
nós conversamos melhor. Agora eu preciso dormir ou, pelo menos, tentar.
CLARA
(sorri) Vou pedir para a
Malu te trazer um chazinho.
ELISA
Não, se ela vier aqui só
vai sair amanhã de manhã. Está tudo bem, mesmo, pode ir tranquila.
Clara beija o rosto de
Elisa, se levanta.
CLARA
Boa noite, querida.
Clara sai, Elisa sorri, se
deita, sua expressão muda, fica pensativa.
Corta
Para:
Cena 11/Int./Dia
Seguinte/Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Elisa e Álvaro estão
sentados no sofá.
ÁLVARO
Ontem, apesar de você ter
me deixado sozinho com os futuros sócios, deu tudo certo, (orgulhoso) eles
estão muito interessados em investir no grupo Monteiro Diniz.
ELISA
Ah, e isso é tudo o que
você tem para me dizer?
ÁLVARO
O que você quer que eu
fale?
ELISA
(inconformada) Álvaro... ontem
você foi grosseiro comigo, além de me culpar pela morte do Bruno! No mínimo,
mereço um pedido de desculpas.
Álvaro segura a mão de
Elisa, a olha nos olhos.
ÁLVARO
(tom suave) Quem se portou
mal foi você, meu amor, saindo daquele jeito do restaurante... Fiquei com muita
vergonha... E sobre Bruno, eu só disse a verdade.
Elisa se levanta, nervosa.
ELISA
(tom alto) Não é verdade!
Eu não tenho culpa do que aconteceu com o Bruno! Foi um acidente de carro!
Álvaro se levanta, se
aproxima de Elisa, acaricia o rosto dela.
ÁLVARO
Não diretamente, Elisa...
(sorri com ternura) Eu lembro que naquela noite, Bruno estava com pressa porque
você o chamou para vir aqui na sua casa (o semblante muda para triste) Por isso
ele acelerou o carro, numa noite chuvosa como aquela... E o resto você já
sabe...
Elisa chora em silêncio,
as lágrimas escorrem, Álvaro enxuga com o dedo as lágrimas de Elisa que se
afasta, enxuga as lágrimas, encara Álvaro.
ELISA
(altiva) Eu lembrei de uma
coisa ontem... Eu disse para Bruno vir até aqui por ele estava preocupado com
alguma coisa, ele me disse que descobriu algo importante e queria me contar.
Álvaro fica sério,
preocupado, mas disfarça. Berta, a governanta da casa, vem da cozinha, mas não
é vista.
ÁLVARO
Disse, é...?
ELISA
(nervosa) Disse! Mas eu
não sei o que é, porque ele não chegou!... Você sabe de alguma coisa?
ÁLVARO
(disfarça o nervosismo,
calmo) Não... Se fosse alguma coisa realmente importante eu saberia, Elisa...
Agora eu preciso ir.
ELISA
Você não vai tomar café?
ÁLVARO
Não, mais tarde eu volto.
Álvaro beija o rosto de
Elisa, sai apressado. Elisa está pensativa, Berta se aproxima.
BERTA
(chateada) Elisa... Vocês
estavam discutindo, de novo?
ELISA
Já está virando um hábito,
não é, Berta?
BERTA
Está, querida... Quanto
mais o casamento se aproxima, mais vocês se afastam.
ELISA
Às vezes, eu acho que
sempre teve um abismo entre nós. (pausa) Deixa pra lá, Berta... Eu vou tomar
café.
Elisa vai para a sala de
jantar, Berta fica pensativa.
Corta
Para:
Cena 12/Int./Grupo
Monteiro Diniz/Escritório de Roberto/Dia.
Roberto e Sérgio entram,
Roberto se senta em sua mesa, faz um gesto para Sérgio se sentar, ele se senta.
ROBERTO
(sorri) Então, Sérgio, que
achou do grupo?
SÉRGIO
(sorri levemente) É um
grupo impressionante, senhor… não só pela dimensão, mas pela forma como tudo
parece funcionar com organização.
ROBERTO
(sorri orgulhoso) Obrigado!
E tudo isso nasceu de um mercadinho que abri há muitos anos e, hoje, o Empório
Real está em todo o Brasil. (pausa) Mas eu não vou tomar muito o seu tempo, vou
direto ao ponto. (pausa) Eu fiquei pensando em como você ajudou minha filha,
ontem.
SÉRGIO
Senhor Roberto, sem querer
ser indelicado, mas se está a pensar oferecer-me algum tipo de gratificação, já
lhe adianto que não vou aceitar.
ROBERTO
(sorri com satisfação)
Está vendo? É alguém como você que preciso perto de minha família.
SÉRGIO
(sem entender) Perdão,
mas… não estou a perceber.
ROBERTO
Sérgio, você gostaria de
trabalhar para mim? Na minha casa, como motorista particular?
SÉRGIO
(surpreso, lisonjeado)
Agora entendi, senhor Roberto, e fico grato por me ver com bom olhos, mas/
ROBERTO
Pense bem antes de dar uma
reposta por impulso, Sérgio. Estou oferecendo um emprego fixo, com salário,
todos os benefícios e, se for bom para você, moradia... Faz uns dias que estou
procurando um novo motorista. Benício, meu filho mais novo, tem dezessete anos,
vive por aí, noite afora, eu me preocupo muito, e você me parece ser a melhor
opção para ir e vir, não somente com ele, mas com todos os meus filhos, embora
eu saiba que nenhum dos três vai gostar, mas... é necessário.
SÉRGIO
(pensativo) Gosto de ser
livre, senhor Roberto. Faço meus horários, tenho minha rotina... (pensativo) Dê-me
um dia… Vou pensar e, amanhã, dou-lhe a resposta, pode ser?
ROBERTO
(sorri) Claro, eu espero
até amanhã.
Álvaro entra, Roberto se
levanta, se aproxima dele.
ROBERTO
Álvaro, que bom que você chegou,
achei que estaria na minha casa tomando café.
Álvaro fica irritado,
disfarça.
ÁLVARO
(sorriso forçado) Precisei
vir resolver um assunto.
ROBERTO
Deixa eu te apresentar.
Sérgio se levanta.
ROBERTO
Não sei se Elisa comentou
algo com você mas, ontem, quando ela voltou do jantar, sentiu-se mal, teve uma
crise de pânico, (orgulhoso) e Sérgio a ajudou.
Álvaro fica incomodado,
mas disfarça.
ROBERTO
Ele é motorista de corrida
por aplicativo, mas estou tentando convencê-lo a vir trabalhar aqui em casa,
como motorista particular. Sérgio, este é Álvaro, meu secretário e noivo de
Elisa.
SÉRGIO
Muito prazer.
Sérgio estende a mão para
cumprimentar Álvaro que, por alguns segundos, encara Sérgio e aperta sua mão
rapidamente.
ÁLVARO
(encarando Sérgio,
irônico) Então temos um herói aqui.
Sérgio percebe o tom de
Álvaro, sorri um pouco com ar de deboche.
SÉRGIO
Estou longe de ser um
herói, senhor Álvaro. Apenas fiz pela senhorita Elisa o que faria por qualquer
passageiro. (para Roberto) Preciso ir, senhor Roberto.
ROBERTO
Amanhã esperarei sua
resposta e quero muito que seja sim. Pense bem.
SÉRGIO
Pode deixar, até logo.
Sérgio sai, Roberto se
senta.
ÁLVARO
Roberto, acho totalmente
desnecessário contratar um motorista particular. Todos vocês sabem dirigir e têm
carro. Elisa só foi embora ontem sem mim porque é teimosa, porque senão teria
voltado comigo.
ROBERTO
É necessário, Álvaro. Principalmente
por causa de Beny, que enche a cara. Prefiro que ele esteja com alguém de
confiança. Além disso, Maya sai para fazer os vídeos dela e sempre volta muito
tarde. Prefiro que esteja com alguém e não sozinha. E Elisa pode se sentir mal
novamente.
ÁLVARO
(tom sério) Seus filhos
não são mais crianças, não precisam de babá, e pode deixar que de Elisa cuido
eu.
ROBERTO
(sorri) Beny ainda é menor
de idade. Mas vamos deixar este assunto para lá. Se Sérgio aceitar a minha
proposta já está contratado. Agora, eu preciso que você me traga uma xícara de
café; não tive tempo de comer nada, ainda.
Álvaro não gosta da ordem.
ÁLVARO
(se contém) Esse é o
trabalho de Bella, não meu.
ROBERTO
Mas eu prefiro que você faça.
Ela nunca acerta o jeito que eu gosto do café; você sim.
ÁLVARO
(raiva contida) Entendo.
Vou buscar o café.
Álvaro sai.
Corta
Para:
Cena 13/Int./Mais Tarde/Mansão
Monteiro Diniz/Suíte de Elisa/Noite.
Elisa se arruma diante do
espelho, está elegante. Maya entra sem bater, olha Elisa de cima a baixo, a
inveja, mas não demonstra.
MAYA
Você vai na inauguração da
boate com a gente?
ELISA
(sorri) Não… vou a um
concerto.
Maya observa Elisa pelo
espelho.
MAYA
(leve, mas afiada) Claro…
Você sempre gostou dessas coisas. (pausa) O Bruno também, né? Tocava violino…
Elisa trava por um
segundo, mas se recompõe.
ELISA
(firme) Isso não tem nada
a ver com o Bruno. Nem sei porque você está falando dele.
Maya dá um meio sorriso
maldoso. A porta abre de repente. Benício entra apressado.
BENÍCIO
Maya, pelo amor de Deus, a
gente vai chegar atrasado! (olha Elisa, sorri) Nossa, Elisa, tá linda! Você irá
com a gente?
ELISA
(sorri) Obrigada Beny, mas
não vou com vocês.
MAYA
(incomodada, disfarça)
Vamos descer, Beny.
Maya olha Elisa mais uma
vez — olhar difícil de ler.
MAYA
Espero que você consiga se
divertir no concerto, até logo.
Maya sai com Beny. A porta
se fecha. Silêncio. Elisa encara o espelho… o sorriso some.
ELISA
Agora todo mundo resolveu
falar do Bruno...
Respira fundo, se encara
no espelho, olhar firme, pega sua bolsa e sai.
Corta
Para:
Cena 14/Ext./Mais
Tarde/Sala São Paulo/Noite.
Elisa chega, Sérgio está na porta, os dois se olham, ficam surpresos, Sérgio sorri para Elisa, que sorri um pouco, Sérgio se aproxima.
SÉRGIO
Boa noite, senhorita Elisa!
Que surpresa agradável encontrá-la aqui.
ELISA
(sem jeito) Boa noite,
Sérgio.
SÉRGIO
Está à espera do seu
noivo?
ELISA
(sorri um pouco) Não.
Álvaro não gosta de concertos. Eu vim sozinha.
SÉRGIO
(admirado, sorri um pouco)
Que pena… acho que a música nos acalma… muda tudo cá dentro.
ELISA
(sorri gostando) Penso
como você, Sérgio, e é por isso que estou aqui.
SÉRGIO
Se me permite... Eu também
estou sozinho. A senhorita importa-se que lhe faça companhia?
ELISA
(pensa por alguns
segundos, sorri) Não... Eu vou gostar de ter alguém comigo.
Sérgio sorri e oferece o braço para Elisa segurar, ela hesita por alguns segundos, mas segura o braço de Sérgio, e eles entram na Sala São Paulo.
CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Álvaro joga um objeto no espelho, que se quebra. Diana se assusta.
DIANA
Por que você fez isso?
ÁLVARO
(raiva, nervoso) Eu odeio o Roberto com todas as minhas forças! Aquele velho imbecil, além de nunca me dar o cargo de Bruno na administração porque, segundo ele, ninguém sabe as vontades dele como eu, me pede para fazer coisas, como buscar café! É muita humilhação!
DIANA
Calma... Calma, Álvaro! Desse jeito você vai ter um troço. E é o seu trabalho; você é secretário dele.
...
Elisa e Sérgio estão sentados em uma das mesas, tomando café.
SÉRGIO
A orquestra estava muito boa, aliás, como sempre, desde que estou cá, este lugar tem sido o meu refúgio.
ELISA
Eu venho sempre que posso. Agora que preciso organizar os últimos detalhes do casamento, fiquei sem tempo.
SÉRGIO
Eu conheci o teu noivo hoje.
ELISA
Mesmo? Onde?
SÉRGIO
(Instigante) No grupo Monteiro Diniz… o teu pai chamou-me para me fazer uma proposta de trabalho; quer que eu seja motorista de vossa família.
...
NÃO PERCA O SEGUNDO CAPÍTULO DE DESÍGNIOS, NESTE DOMINGO, AQUI NA WEBTV.

Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
Copyright © 2026 - WebTV
www.redewtv.com
Todos os direitos reservados
Proibida a cópia ou a reprodução



Comentários:
0 comentários: