
Cena 1/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Estela entra, Berta se
aproxima.
ESTELA
(brava) Berta, eu fiquei
plantada naquele aeroporto esperando meu filho ir me buscar e nada! Vá chamá-lo.
BERTA
Dona Estela, Dante saiu
com os primos.
ESTELA
(inconformada) Eu não
acredito... Mas isso não vai ficar assim! Quando ele chegar, vai me ouvir! (se
recompõe) E meu irmão, está em casa?
BERTA
Também não está. Ele foi
jantar fora com a dona Clara.
ESTELA
(revira os olhos) Todo
mundo resolveu sair, é? (se senta) Peça para alguém ir pegar minhas malas que
estão lá fora.
BERTA
Sim senhora. A senhora vai
querer jantar?
ESTELA
Não... Mas peça para Malu
levar um chá no meu quarto, daqui a pouco.
BERTA
Eu mesma levo para a
senhora. A Malu saiu com os meninos.
ESTELA
(faz cara de pouco-caso) É
por isso que ela é tão intrometida. A tratam como se fosse da família e não
como o que ela é: uma empregada.
Berta respira fundo, se
controlando para não responder.
Corta
Para:
Cena 2/Int./Boate/Noite.
A boate está cheia, tem
muitos jovens dançando, se divertindo, conversando, bebendo. Benício está na
pista de dança com alguns amigos, ele bebe e dança com Alice, eles se beijam.
Maya está fazendo alguns vídeos, Dante se aproxima dela.
DANTE
Maya, eu vou para a casa,
mas o Beny não quer vir comigo.
MAYA
Vocês não nasceram colados,
Dante. Pode deixar que, quando eu for para a casa, ele vai comigo.
DANTE
Não é isso, prima. É que
eu prometi para a tia Clara que o Beny voltaria comigo, e bem... Mas ele já
está muito bêbado.
MAYA
(pensativa, preocupada) Pior que até pode sobrar pra mim... (incomodada, irritada) Não tenho vocação para babá. Beny é bem grandinho.
DANTE
Eu estou indo para casa,
porque senão minha mãe vai me matar. Eu já desliguei o celular só para não ter
que ir buscá-la no aeroporto.
MAYA
(ri) Primo, você precisa
cortar o cordão umbilical, hein. Desgruda da sua mãe.
DANTE
É ela que quer viver
colada comigo e você sabe.
Benício se aproxima, está
visivelmente embriagado.
BENÍCIO
(fala arrastada) Galera,
eu vou dar uma volta com a Alice.
MAYA
Não, você vai para a casa
com o Dante.
BENÍCIO
Não enche o saco, Maya! Eu
vou é me divertir.
DANTE
Beny, você já se divertiu
demais por hoje.
BENÍCIO
A noite só está começando,
Dante. (ri)
MAYA
Não, a noite já acabou,
vamos todos para casa.
BENÍCIO
(nervoso) Não! Eu já
falei, vou sair!
Benício se aproxima de
Alice, sai segurando-a pela mão. Maya e Dante se olham preocupados.
Corta
Para:
Cena 3/Int./Apartamento de
Álvaro/Sala/Noite.
Álvaro joga um objeto no
espelho, que se quebra. Diana se assusta.
DIANA
Por
que você fez isso?
ÁLVARO
(raiva,
nervoso) Eu odeio o Roberto com todas as minhas forças! Aquele velho imbecil,
além de nunca me dar o cargo de Bruno na administração porque, segundo ele,
ninguém sabe as vontades dele como eu, me pede para fazer coisas, como buscar
café! É muita humilhação!
DIANA
Calma...
Calma, Álvaro! Desse jeito você vai ter um troço. E é o seu trabalho; você é
secretário dele.
ÁLVARO
(tom
alto) Não é! Não sou copeira; não trabalho na cozinha! A minha vontade era de
colocar veneno no café dele, igual fiz com/
Álvaro para de falar,
Diana fica assustada.
DIANA
Álvaro...
Quem você envenenou?
ÁLVARO
(disfarça)
Ficou louca? Não fiz isso, é que estou tão furioso que até estou trocando as
palavras.
Álvaro se senta, Diana
fica pensativa.
Corta
Para:
Cena 4/Ext./Boate/Noite.
Malu e Arlindo (que é o
segurança do local) estão bem próximos, conversando.
ARLINDO
(sorri) Maluzinha, cê sabe
que eu adorei te ver aqui, hoje. Já tava morrendo de saudades do meu amorzinho.
MALU
(carinhosa) Ai Arlindo,
quem vê pensa que faz muito tempo que a gente não se vê. Você só não foi ontem
fazer a segurança da casa.
ARLINDO
Pra mim foi uma
eternidade.
Malu
e Arlindo se abraçam. Saem da boate duas jovens bonitas, Arlindo olha pra elas admirando-as,
Malu dá um tapa no braço dele.
MALU
(brava) É assim que você
sente a minha falta, Arlindo? Paquerando outras, descaradamente, na minha
frente!
ARLINDO
(mão no braço) Eu hein,
Maluzinha, eu sou o segurança daqui. Tenho que olhar!
Benício e Alice saem da
boate, Malu observa, o manobrista traz o carro de Alice, Benício pega as chaves
da mão dela.
BENÍCIO
Eu dirijo, Alice.
ALICE
Você está bêbado demais
pra isso, Beny… E eu também. (ri).
BENÍCIO
Tô nada, tô ótimo.
ALICE
Se é assim… Bora gatinho!
Benício e Alice se beijam,
os dois estão embriagados, Benício entra no carro pelo lado do motorista, Alice
entra pelo lado do passageiro, Malu se aproxima.
MALU
Beny, sai daí, menino. Você
nem carteira de motorista tem.
BENÍCIO
(revira os olhos,
irritado) Quem é você para me falar o que devo ou não fazer? Se toca né, você
trabalha pra mim.
Benício dá a partida,
sorri maldoso, sai com o carro em alta velocidade. Malu acompanha com os olhos
o carro sumindo no horizonte.
MALU
(preocupada) Ih, esse
menino não tem jeito mesmo! Eu vou entrar e falar com a Maya.
ARLINDO
Pra quê? Olha o jeito que
esse playboyzinho falou com você. Ele que se dane.
MALU
(irritada) Olha como fala,
Arlindo. Ele é filho dos nossos patrões, que são muito bons pra gente. Agora eu
vou, sim, avisar a Maya e você toma cuidado, viu? Se ficar olhando muito a
mulherada daqui, não vai mais olhar pra essa mulher aqui.
Arlindo
acha graça, Malu entra apressada.
Corta
Para:
Cena 5/Int./Sala São
Paulo/Café/Noite.
Elisa e Sérgio estão sentados
em uma das mesas, tomando café.
SÉRGIO
A orquestra estava muito
boa, aliás, como sempre, desde que estou cá, este lugar tem sido o meu refúgio.
ELISA
Eu venho sempre que posso.
Agora que preciso organizar os últimos detalhes do casamento, fiquei sem tempo.
SÉRGIO
Eu conheci o teu noivo
hoje.
ELISA
Mesmo? Onde?
SÉRGIO
(Instigante) No grupo Monteiro Diniz… o teu pai chamou-me para me fazer uma proposta de trabalho; quer que eu seja motorista de vossa família.
ELISA
(sorri um pouco, gostando)
Papai realmente gostou de você, porque eu tenho certeza que ele não colocaria
alguém que não confiasse dentro de casa. (curiosa) E você aceitou?
SÉRGIO
Ainda não. Pedi um dia
para pensar e amanhã darei a resposta.
ELISA
Entendi… (curiosa) O que
você fazia em Portugal?
SÉRGIO
Quase o mesmo que faço
aqui: era motorista e, às vezes, ajudava ao meu pai na adega que ele tinha —
era uma adega pequena, de bairro.
ELISA
Interessante... E de onde
vem toda essa sua postura, esse seu gosto pela arte...
SÉRGIO
(sorri) És
muito observadora… Mas eu era um bom aluno; mesmo depois de sair da escola
nunca deixei de ir atrás de conhecimento… Quanto à parte de gostar de arte,
isso herdei de minha mãe… Ela tinha muitos livros de vários géneros, ia a
exposições, museus, enfim… ganhei gosto por tudo isso.
ELISA
No meu caso, quem gosta de
arte é o meu pai, mas eu gosto mais que ele. Tanto que acabei me interessando
por pintura e cheguei a pintar alguns quadros... Mas há muito tempo que não
faço.
SÉRGIO
(sorri) Adoraria ver um
quadro feito pela senhorita.
ELISA
Sérgio… Nós estamos
conversando faz tempo; já falei para você me chamar de Elisa. Mesmo que você
aceite trabalhar na minha casa, eu quero que você me chame de Elisa.
SÉRGIO
(sorri) Certo… Então, a
partir de agora, vou tratar-te por Elisa. Mas voltando ao assunto dos quadros…
quero vê-los.
ELISA
Não… Nem eu vejo mais.
(Elisa olha a hora em seu relógio de pulso) Eu preciso ir, já está ficando
tarde.
SÉRGIO
Se não te
importares, posso levar-te até sua casa.
ELISA
(pensativa, sorri) Tudo
bem.
Elisa e Sérgio se
levantam.
SÉRGIO
Vamos
fazer um acordo... Se me mostrares os teus quadros, aceito a proposta do teu
pai.
ELISA
(sorri um pouco, ironia)
Ver os meus quadros é tão relevante assim, a ponto de você tomar uma decisão
importante como essa?
SÉRGIO
(olhando Elisa nos olhos)
É… Tenho a certeza de que vai valer muito a pena.
Elisa fica impressionada e
encantada com a resposta de Sérgio, que estende a mão para ela, na intenção que
ela a aperte.
SÉRGIO
Que
dizes? Temos um acordo? (sorri).
Elisa fica pensativa,
aperta a mão de Sérgio.
ELISA
(sorri) Temos.
Sérgio e Elisa continuam
segurando a mão um do outro, se encarando com um leve sorriso.
Corta
Para:
Cena 6/Int./Mansão
Monteiro Diniz/Cozinha/Noite.
Lívia está jantando,
sentada à mesa, Berta se aproxima.
BERTA
(surpresa) Filha, eu achei
que você tinha ido com os meninos na tal boate.
LÍVIA
(incomodada) É ruim, hein…
Prefiro passar a noite com a cara nos livros do que passar raiva por causa do
Beny.
Berta se senta de frente para Lívia, Gustavo entra, elas não percebem.
BERTA
Lívia… Você precisa parar
de implicar com o Beny.
Gustavo
ri, debochado.
GUSTAVO
Isso não é implicância, mamãe… É
amor.
Gustavo
beija o rosto de Berta, Lívia se levanta.
LÍVIA
(irritada) Não é amor, é
ranço! E também você não pode falar nada porque é gamado na Maya, que nem sabe
que você existe.
Gustavo
muda a expressão, fica chateado, Berta se levanta, abraça os filhos.
BERTA
Parem com isso. Vocês não
são de brigar e não vão começar agora, e por bobagem.
GUSTAVO
Tem razão, mamãe. (Para
Lívia) Desculpa, Lívia, era uma brincadeira.
Lívia
dá um tapa na cabeça de Gustavo, enquanto vai saindo.
LÍVIA
Tá desculpado.
Lívia
sai.
Corta Para:
Cena 7/Int./mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.
Sérgio
e Elisa entram.
ELISA
Obrigada por me trazer em
casa, Sérgio.
SÉRGIO
Não tens
de quê, Elisa, é um prazer.
ELISA
Quer tomar alguma coisa:
um café, chá…?
SÉRGIO
(pensativo/sorri) Claro, e
se o senhor Roberto estiver acordado, já lhe digo que vou aceitar trabalhar
aqui.
Álvaro,
vem do jardim, se aproxima calmamente, encara Sérgio e Elisa.
ÁLVARO
(tom calmo, raiva contida)
Vim fazer uma surpresa para você, Elisa, (pausa, encara Sérgio) mas quem acabou
surpreendido fui eu.
Sérgio
e Elisa olham para Álvaro, depois se olham, Elisa está desconfortável e Sérgio
está calmo.
Corta Para:
Cena 8/Int./Carro/Noite.
Benício está dirigindo em alta velocidade o carro de Alice, que está empolgada com a situação. Benício faz curvas arriscadas, o celular dele toca, Alice pega o aparelho, vê que é Dante ligando, mostra o visor para Benício, que faz um sinal negativo com a cabeça. Alice desliga o celular de Benício, os dois dão risadas, Benício para o carro em um farol, ao lado dele está um jovem, os dois se encaram, Benício pisa no acelerador, chamando o rapaz do outro carro para um racha, o rapaz também pisa no acelerador, o sinal abre, Benício e o rapaz do outro carro, começam a fazer o racha. Benício, ao fazer uma curva, perde o controle do carro, que capota várias vezes na pista e bate contra um muro. Alice e Benício ficam feridos e desacordados.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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