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Desígnios: Capítulo 02

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 02


Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Estela entra, Berta se aproxima.

ESTELA

(brava) Berta, eu fiquei plantada naquele aeroporto esperando meu filho ir me buscar e nada! Vá chamá-lo.

BERTA

Dona Estela, Dante saiu com os primos.

ESTELA

(inconformada) Eu não acredito... Mas isso não vai ficar assim! Quando ele chegar, vai me ouvir! (se recompõe) E meu irmão, está em casa?

BERTA

Também não está. Ele foi jantar fora com a dona Clara.

ESTELA

(revira os olhos) Todo mundo resolveu sair, é? (se senta) Peça para alguém ir pegar minhas malas que estão lá fora.

BERTA

Sim senhora. A senhora vai querer jantar?

ESTELA

Não... Mas peça para Malu levar um chá no meu quarto, daqui a pouco.

BERTA

Eu mesma levo para a senhora. A Malu saiu com os meninos.

 

ESTELA

(faz cara de pouco-caso) É por isso que ela é tão intrometida. A tratam como se fosse da família e não como o que ela é: uma empregada.

Berta respira fundo, se controlando para não responder.

Corta Para:

Cena 2/Int./Boate/Noite.

A boate está cheia, tem muitos jovens dançando, se divertindo, conversando, bebendo. Benício está na pista de dança com alguns amigos, ele bebe e dança com Alice, eles se beijam. Maya está fazendo alguns vídeos, Dante se aproxima dela.

DANTE

Maya, eu vou para a casa, mas o Beny não quer vir comigo.

MAYA

Vocês não nasceram colados, Dante. Pode deixar que, quando eu for para a casa, ele vai comigo.

DANTE

Não é isso, prima. É que eu prometi para a tia Clara que o Beny voltaria comigo, e bem... Mas ele já está muito bêbado.

MAYA

(pensativa, preocupada) Pior que até pode sobrar pra mim... (incomodada, irritada) Não tenho vocação para babá. Beny é bem grandinho.

DANTE

Eu estou indo para casa, porque senão minha mãe vai me matar. Eu já desliguei o celular só para não ter que ir buscá-la no aeroporto.

MAYA

(ri) Primo, você precisa cortar o cordão umbilical, hein. Desgruda da sua mãe.

DANTE

É ela que quer viver colada comigo e você sabe.

Benício se aproxima, está visivelmente embriagado.

BENÍCIO

(fala arrastada) Galera, eu vou dar uma volta com a Alice.

MAYA

Não, você vai para a casa com o Dante.

BENÍCIO

Não enche o saco, Maya! Eu vou é me divertir.

DANTE

Beny, você já se divertiu demais por hoje.

BENÍCIO

A noite só está começando, Dante. (ri)

MAYA

Não, a noite já acabou, vamos todos para casa.

BENÍCIO

(nervoso) Não! Eu já falei, vou sair!

Benício se aproxima de Alice, sai segurando-a pela mão. Maya e Dante se olham preocupados.

Corta Para:

Cena 3/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Noite.

Álvaro joga um objeto no espelho, que se quebra. Diana se assusta.

DIANA

Por que você fez isso?

ÁLVARO

(raiva, nervoso) Eu odeio o Roberto com todas as minhas forças! Aquele velho imbecil, além de nunca me dar o cargo de Bruno na administração porque, segundo ele, ninguém sabe as vontades dele como eu, me pede para fazer coisas, como buscar café! É muita humilhação!

DIANA

Calma... Calma, Álvaro! Desse jeito você vai ter um troço. E é o seu trabalho; você é secretário dele.

ÁLVARO

(tom alto) Não é! Não sou copeira; não trabalho na cozinha! A minha vontade era de colocar veneno no café dele, igual fiz com/

Álvaro para de falar, Diana fica assustada.

DIANA

Álvaro... Quem você envenenou?

ÁLVARO

(disfarça) Ficou louca? Não fiz isso, é que estou tão furioso que até estou trocando as palavras.

Álvaro se senta, Diana fica pensativa.

Corta Para:

Cena 4/Ext./Boate/Noite.

Malu e Arlindo (que é o segurança do local) estão bem próximos, conversando.

ARLINDO

(sorri) Maluzinha, cê sabe que eu adorei te ver aqui, hoje. Já tava morrendo de saudades do meu amorzinho.

MALU

(carinhosa) Ai Arlindo, quem vê pensa que faz muito tempo que a gente não se vê. Você só não foi ontem fazer a segurança da casa.

ARLINDO

Pra mim foi uma eternidade.

Malu e Arlindo se abraçam. Saem da boate duas jovens bonitas, Arlindo olha pra elas admirando-as, Malu dá um tapa no braço dele.

MALU

(brava) É assim que você sente a minha falta, Arlindo? Paquerando outras, descaradamente, na minha frente!

ARLINDO

(mão no braço) Eu hein, Maluzinha, eu sou o segurança daqui. Tenho que olhar!

Benício e Alice saem da boate, Malu observa, o manobrista traz o carro de Alice, Benício pega as chaves da mão dela.

 

BENÍCIO

Eu dirijo, Alice.

ALICE

Você está bêbado demais pra isso, Beny… E eu também. (ri).

BENÍCIO

Tô nada, tô ótimo.

ALICE

Se é assim… Bora gatinho!

Benício e Alice se beijam, os dois estão embriagados, Benício entra no carro pelo lado do motorista, Alice entra pelo lado do passageiro, Malu se aproxima.

MALU

Beny, sai daí, menino. Você nem carteira de motorista tem.

BENÍCIO

(revira os olhos, irritado) Quem é você para me falar o que devo ou não fazer? Se toca né, você trabalha pra mim.

Benício dá a partida, sorri maldoso, sai com o carro em alta velocidade. Malu acompanha com os olhos o carro sumindo no horizonte.

MALU

(preocupada) Ih, esse menino não tem jeito mesmo! Eu vou entrar e falar com a Maya.

ARLINDO

Pra quê? Olha o jeito que esse playboyzinho falou com você. Ele que se dane.

MALU

(irritada) Olha como fala, Arlindo. Ele é filho dos nossos patrões, que são muito bons pra gente. Agora eu vou, sim, avisar a Maya e você toma cuidado, viu? Se ficar olhando muito a mulherada daqui, não vai mais olhar pra essa mulher aqui.

Arlindo acha graça, Malu entra apressada.

Corta Para:

Cena 5/Int./Sala São Paulo/Café/Noite.

Elisa e Sérgio estão sentados em uma das mesas, tomando café.

SÉRGIO

A orquestra estava muito boa, aliás, como sempre, desde que estou cá, este lugar tem sido o meu refúgio.

ELISA

Eu venho sempre que posso. Agora que preciso organizar os últimos detalhes do casamento, fiquei sem tempo.

SÉRGIO

Eu conheci o teu noivo hoje.

ELISA

Mesmo? Onde?

SÉRGIO

(Instigante) No grupo Monteiro Diniz… o teu pai chamou-me para me fazer uma proposta de trabalho; quer que eu seja motorista de vossa família.

ELISA

(sorri um pouco, gostando) Papai realmente gostou de você, porque eu tenho certeza que ele não colocaria alguém que não confiasse dentro de casa. (curiosa) E você aceitou?

SÉRGIO

Ainda não. Pedi um dia para pensar e amanhã darei a resposta.

ELISA

Entendi… (curiosa) O que você fazia em Portugal?

SÉRGIO

Quase o mesmo que faço aqui: era motorista e, às vezes, ajudava ao meu pai na adega que ele tinha — era uma adega pequena, de bairro.

ELISA

Interessante... E de onde vem toda essa sua postura, esse seu gosto pela arte...

SÉRGIO

(sorri) És muito observadora… Mas eu era um bom aluno; mesmo depois de sair da escola nunca deixei de ir atrás de conhecimento… Quanto à parte de gostar de arte, isso herdei de minha mãe… Ela tinha muitos livros de vários géneros, ia a exposições, museus, enfim… ganhei gosto por tudo isso.

ELISA

No meu caso, quem gosta de arte é o meu pai, mas eu gosto mais que ele. Tanto que acabei me interessando por pintura e cheguei a pintar alguns quadros... Mas há muito tempo que não faço.

 SÉRGIO

(sorri) Adoraria ver um quadro feito pela senhorita.

ELISA

Sérgio… Nós estamos conversando faz tempo; já falei para você me chamar de Elisa. Mesmo que você aceite trabalhar na minha casa, eu quero que você me chame de Elisa.

SÉRGIO

(sorri) Certo… Então, a partir de agora, vou tratar-te por Elisa. Mas voltando ao assunto dos quadros… quero vê-los.

ELISA

Não… Nem eu vejo mais. (Elisa olha a hora em seu relógio de pulso) Eu preciso ir, já está ficando tarde.

SÉRGIO

Se não te importares, posso levar-te até sua casa.

ELISA

(pensativa, sorri) Tudo bem.

Elisa e Sérgio se levantam.

SÉRGIO

Vamos fazer um acordo... Se me mostrares os teus quadros, aceito a proposta do teu pai.

ELISA

(sorri um pouco, ironia) Ver os meus quadros é tão relevante assim, a ponto de você tomar uma decisão importante como essa?

SÉRGIO

(olhando Elisa nos olhos) É… Tenho a certeza de que vai valer muito a pena.

Elisa fica impressionada e encantada com a resposta de Sérgio, que estende a mão para ela, na intenção que ela a aperte.

SÉRGIO

Que dizes? Temos um acordo? (sorri).

Elisa fica pensativa, aperta a mão de Sérgio.

ELISA

(sorri) Temos.

Sérgio e Elisa continuam segurando a mão um do outro, se encarando com um leve sorriso.

Corta Para:

Cena 6/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Noite.

Lívia está jantando, sentada à mesa, Berta se aproxima.

BERTA

(surpresa) Filha, eu achei que você tinha ido com os meninos na tal boate.

LÍVIA

(incomodada) É ruim, hein… Prefiro passar a noite com a cara nos livros do que passar raiva por causa do Beny.

Berta se senta de frente para Lívia, Gustavo entra, elas não percebem. 

 

BERTA

Lívia… Você precisa parar de implicar com o Beny.

Gustavo ri, debochado.

GUSTAVO

Isso não é implicância, mamãe É amor.

Gustavo beija o rosto de Berta, Lívia se levanta.

LÍVIA

(irritada) Não é amor, é ranço! E também você não pode falar nada porque é gamado na Maya, que nem sabe que você existe.

Gustavo muda a expressão, fica chateado, Berta se levanta, abraça os filhos.

BERTA

Parem com isso. Vocês não são de brigar e não vão começar agora, e por bobagem.

GUSTAVO

Tem razão, mamãe. (Para Lívia) Desculpa, Lívia, era uma brincadeira.

Lívia dá um tapa na cabeça de Gustavo, enquanto vai saindo.

LÍVIA

Tá desculpado.

Lívia sai.

Corta Para:

Cena 7/Int./mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Sérgio e Elisa entram.

ELISA

Obrigada por me trazer em casa, Sérgio.

SÉRGIO

Não tens de quê, Elisa, é um prazer.

ELISA

Quer tomar alguma coisa: um café, chá…?

SÉRGIO

(pensativo/sorri) Claro, e se o senhor Roberto estiver acordado, já lhe digo que vou aceitar trabalhar aqui.

Álvaro, vem do jardim, se aproxima calmamente, encara Sérgio e Elisa.

ÁLVARO

(tom calmo, raiva contida) Vim fazer uma surpresa para você, Elisa, (pausa, encara Sérgio) mas quem acabou surpreendido fui eu.

Sérgio e Elisa olham para Álvaro, depois se olham, Elisa está desconfortável e Sérgio está calmo.

Corta Para:

Cena 8/Int./Carro/Noite.

Benício está dirigindo em alta velocidade o carro de Alice, que está empolgada com a situação. Benício faz curvas arriscadas, o celular dele toca, Alice pega o aparelho, vê que é Dante ligando, mostra o visor para Benício, que faz um sinal negativo com a cabeça. Alice desliga o celular de Benício, os dois dão risadas, Benício para o carro em um farol, ao lado dele está um jovem, os dois se encaram, Benício pisa no acelerador, chamando o rapaz do outro carro para um racha, o rapaz também pisa no acelerador, o sinal abre, Benício e o rapaz do outro carro, começam a fazer o racha. Benício, ao fazer uma curva, perde o controle do carro, que capota várias vezes na pista e bate contra um muro. Alice e Benício ficam feridos e desacordados.

NÃO PERCA O TERCEIRO CAPÍTULO DE DESÍGNIOS, NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, AQUI NA WEBTV.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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