
Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.
Cont. Imediata do capítulo anterior.
Roberto, Elisa, Álvaro, Maya e Dante estão na sala. Roberto
acaba de dar a notícia de que Sérgio é o novo motorista.
MAYA
(Sarcástica) Agora
vamos ter motorista porque Beny bateu o carro, é?
ROBERTO
Também. Eu já queria
alguém para isso porque não confio em vocês vindo tarde da noite dirigindo,
depois das tais baladas e, muito menos, dependendo de carro de
aplicativo, de madrugada. Além disso, Sérgio soube ajudar Elisa num momento em que
muitos sequer iriam se importar.
MAYA
(ciúmes) Claro...
Como sempre, você fazendo algo para beneficiar a Elisa.
ELISA
Eu não gostei do seu
tom, Maya... Ouviu o que papai disse? É por todos nós, e não somente por mim.
Álvaro se aproxima de Elisa, a segura pela cintura.
ÁLVARO
Você não vai precisar dos serviços de Sérgio, meu amor... Eu estou aqui, basta me chamar.
ROBERTO
E quando você estiver
no trabalho? Você não pode ficar vinte e quatro horas perto de Elisa. Sei que
contratar Sérgio foi a melhor coisa que fiz. Quero alguém de confiança perto do
Beny e de todos vocês. E Sérgio vai ser motorista da casa toda.
DANTE
(sorri) O duro é ele
querer, tio.
ROBERTO
No momento, Benício
perdeu qualquer voz dentro desta casa. Ele vai fazer o que eu mandar. Vamos
tomar café. Eu preciso passar no hospital antes de ir para o grupo. (para
Sérgio) Você também, Sérgio. Pedi para colocarem um lugar à mesa para você.
Álvaro não gosta, fica sério.
SÉRGIO
(sem jeito) Mas
Roberto... Talvez a sua família não se sinta à vontade. Se não se importa,
prefiro ir para casa.
ROBERTO
Me importo, você é
meu convidado e, aqui, ninguém vai se sentir desconfortável, não se preocupe.
ELISA
(sorri) Papai tem
razão, você tem se mostrado um bom amigo e tenho certeza que será sempre visto
assim.
SÉRGIO
(sorri para Elisa) Se
é assim... Aceito, obrigado.
Maya segura o braço de Sérgio.
MAYA
Então, vamos... Faço
questão de que se sente ao meu lado.
Maya vai com Sérgio para a sala de jantar, Roberto e Dante
vão logo atrás. Elisa vai indo quando Álvaro a segura.
ÁLVARO
(se contendo)
Elisa... Não estou gostando disso. Ninguém aqui sabe de onde esse cara veio e
vocês o estão tratando como se o conhecessem há anos.
ELISA
Para de implicar com
o Sérgio. Ele vai trabalhar aqui e se você não se acostumar com a ideia, vai
viver buscando motivos para arrumar confusão. Vamos tomar café.
Elisa vai para a sala de jantar. Álvaro está com raiva,
respira fundo e vai para a sala de jantar.
Corta Para:
Cena 2/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Castro
Figueroa/Sala/Dia.
Santiago está em pé olhando o quadro da família Castro
Figueroa, onde estão Antônio Sérgio, Manuela (madrasta de Antônio Sérgio) e
Antônio (pai de Sérgio). Ele está com uma pasta na mão. Manuela surge no alto
da escada, elegante.
MANUELA
(altiva) Espero que
desta vez tenha boas notícias para mim.
Santiago se vira, olha para Manuela do alto da escada.
SANTIAGO
(receoso) Depende das
notícias que a senhora quer.
Manuela desce as escadas, se aproxima de Santiago, o encara.
MANUELA
(firme) Sabe muito
bem... Onde está António Sérgio?
SANTIAGO
Senhora, lamento...,
mas ainda não sei. Estou a fazer os possíveis para/
Manuela se afasta, está nervosa.
MANUELA
(irritada/alterada) Pois,
faça o impossível! Há dois anos que o António Sérgio saiu por aquela porta e
nunca mais voltou! Pago aos melhores detetives e, até agora, nada!
SANTIAGO
Calma, senhora
Manuela, tenho certeza que em breve teremos notícias dele.
Manuela encara Santiago com raiva e altivez, se aproxima dele
sem parar de olhar nos olhos dele.
MANUELA
(fria/ameaçadora) Assim
o espero, Santiago... Porque, até ao fim do mês, se eu não tiver nas minhas
mãos o paradeiro do António Sérgio... cabeças vão rolar, e a sua será a
primeira.
Santiago fica com medo, pensativo, Manuela o encara altiva.
Corta Para:
Cena 3/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro
Diniz/Cozinha/Dia.
Berta e Malu, entram, Malu coloca uma bandeja em cima da pia.
MALU
(animada) Dona Berta,
que gracinha esse rapaz que vai ser motorista aqui, hein. Amei o jeito que ele
fala. Não entendi nada, mas achei lindo.
BERTA
(impaciente) Malu...
Para de ficar aí falando besteira e vai servir o chá para a dona Estela.
MALU
(desanimada) Poxa,
dona Berta, tô fazendo um comentário com a senhora. Não tem nada demais.
BERTA
Tudo bem, Malu...
Sérgio é um rapaz muito bonito, sim.
MALU
(sorri/tom baixo) E a
senhora viu que o seu Álvaro e a dona Estela estão azedos porque o bonitinho
está tomando café com eles? (ri baixo) Eu adorei.
BERTA
(séria) Malu... Vai
servir o chá, vai.
MALU
Tô indo...
Malu pega uma chaleira, coloca chá em uma xícara, coloca na
bandeja e sai. Berta acha graça.
Corta Para:
Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala de Jantar/Dia.
Maya, Sérgio, Roberto, Clara, Dante, Estela, Álvaro e Elisa
(que está de frente para Sérgio) estão sentados, tomando café da manhã. Malu
entra, serve Estela.
CLARA
(curiosa) Sérgio, em
Portugal o que você tem o costume de comer no café da manhã?
ESTELA
(seca) Ele veio de
Portugal, Clara e não de outro planeta.
SÉRGIO
(acha graça) Imagine,
não tem problema em responder à dona Clara. Praticamente tudo o que está na
mesa, mas eu, particularmente, gosto de croissants.
ROBERTO
Vou pedir para Berta
providenciar.
Álvaro e Estela se incomodam.
SÉRGIO
Agradeço, mas já
estou satisfeito, senhor Roberto.
ROBERTO
Clara e eu vamos
agora visitar Beny no hospital, depois vou até o novo supermercado que vamos
inaugurar. Se você quiser buscar suas coisas nesse período, fique à vontade; eu
vou voltar à noite.
MAYA
(interessada) Então,
você vai morar aqui, Sérgio?
Sérgio olha para Elisa.
SÉRGIO
Vou, sim. O seu pai
disse que há um quarto por cima da garagem, e achei melhor assim.
Elisa sorri discretamente para Sérgio, mas Álvaro e Maya
percebem e não gostam.
ESTELA
Que bom, já achei que
meu irmão iria te dar um dos quartos daqui.
ROBERTO
Estela... Olha a
educação. (se levanta) Vamos Clarinha, não quero perder o horário da visita.
Clara se levanta.
CLARA
Vamos vida, estou
preocupada com Beny.
ROBERTO
Álvaro, vem com a
gente. Quero que você me acompanhe até o novo supermercado.
ÁLVARO
Roberto eu tenho
algumas coisas para resolver no grupo.
ROBERTO
Resolva quando a
gente voltar. Não estou com a cabeça no lugar e não quero cometer erros.
Álvaro se levanta.
ÁLVARO
Tudo bem, então...
Vamos lá.
Álvaro beija Elisa.
ÁLVARO
(a olhando nos olhos)
Até mais tarde, meu amor. Eu venho aqui para irmos juntos ao restaurante.
Álvaro encara Sérgio por um segundo, sai. Roberto e Clara
saem em seguida.
MAYA
(a Sérgio/sorri) Você
vai precisar de alguma ajuda?
SÉRGIO
(sorri) Talvez, mas
acredito que a senhorita não seja a pessoa mais indicada. Não tenho muitas
coisas, mas o que tenho para trazer pode ser pesado para a senhorita.
MAYA
(sorri sedutora) Eu
não sei se peço para você me chamar de Maya... Acho tão atraente você me
chamando de senhorita.
Estela revira os olhos, se levanta.
ESTELA
(séria) Maya, por
favor, se contenha. Ele será mais um empregado dessa casa. Ele não só pode como
deve se dirigir a nós com respeito. (a Sérgio) E você, rapaz, se coloque no seu
lugar. Meu irmão está grato por você ter ajudado Elisa, mas que fique claro que
você não é um de nós.
Estela sai, o clima pesa. Maya, Dante e Elisa se olham sem jeito, Sérgio está tranquilo.
DANTE
(sem graça) Sérgio...
Não leva a mal as coisas que minha mãe fala.
SÉRGIO
(sorri simpático) Não
se preocupe, Dante, está tudo bem.
ELISA
(inconformada) Não
está nada bem! Minha tia não pode falar assim com você e nem com ninguém, que
absurdo!
SÉRGIO
Nem todos de sua
classe social gostam de ter por perto pessoas da minha classe.
ELISA
Educação e bom senso
não tem nada a ver com a classe social, Sérgio, e sim com o caráter.
Sérgio gosta da resposta e Elisa, se levanta.
SÉRGIO
Com licença, eu vou
buscar as minhas coisas.
DANTE
Depois desse fora que
minha mãe deu, eu me ofereço para te ajudar.
SÉRGIO
Aceito Dante,
obrigado.
MAYA
(sorri) E eu, posso ir com vocês?
SÉRGIO
Bem... Se a senhorita
realmente quer... Vamos, mas antes eu gostaria de falar a sós com a Elisa.
Elisa se levanta.
ELISA
(sorri) Claro, vamos
até o escritório.
Sérgio e Elisa saem, Maya fica com raiva. Dante começa a
farejar algo.
DANTE
Tá sentindo, Maya?
MAYA
O quê?
DANTE
(debochado) O cheiro
de chifre no ar. (ri) Álvaro que se cuide, porque o clima entre a prima e o
português está na cara.
MAYA
(sorri sarcástica)
Elisa é perfeitinha demais para experimentar pratos diferentes, Dante. (Pausa)
Eu não... (sorri maldosa) Sempre como tudo que tenho vontade.
Corta Para:
Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Escritório/Dia.
Elisa e Sérgio entram, Sérgio olha a estante de livros.
SÉRGIO
(sorri) Gostei de ver
tantos livros assim.
ELISA
(admirada) Mesmo? As
pessoas quando entram aqui estão tão preocupadas com alguma coisa, que nem
reparam e, daqui de casa, quem gosta de ler somos apenas minha mãe e eu.
SÉRGIO
Qual é o seu autor
favorito?
ELISA
Eu tenho preferências
por alguns, mas a minha favorita é Clarice Lispector.
SÉRGIO
(sorri) “Liberdade é
pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
Elisa olha surpresa.
ELISA
(surpresa) Você lê
Clarice?
SÉRGIO
Sim, ela também está
na minha lista de autores favoritos.
ELISA
(curiosa) E quem é o
seu autor favorito?
SÉRGIO
São dois: Luís de
Camões e Fernando Pessoa.
ELISA
(sorri) “Tenho em mim
todos os sonhos do mundo.” ... Também leio Fernando Pessoa.
Sérgio sorri, gostando, olha Elisa nos olhos.
SÉRGIO
Gosto muito desta
citação... Porque eu não era um sonhador, era uma pessoa que vivia tudo muito
intensamente, um pouco como o teu irmão, por vezes inconsequente... Por vezes,
as consequências vinham pesadas, todas de uma só vez..., e eu era um homem
diferente.... Mas quando deixei tudo para trás... tornei-me um sonhador,
Elisa... Sobretudo, no desejo de me tornar uma pessoa melhor
Elisa olha Sérgio como se estivesse em transe, desvia o
olhar.
ELISA
Nossa, Sérgio... Eu
sei como é esse sentimento... Sonhadora eu sempre fui mas, depois que... Meu
chão abriu e tudo aquilo que eu estava vivendo foi para o abismo... O tempo
parou... E eu deixei de sentir vontade de fazer tudo aquilo que amava
SÉRGIO
Como pintar...?
ELISA
É... Parei de pintar,
não fui mais trabalhar no grupo... Eu sou Diretora de Marketing. Não saio muito
e, no meio disso tudo, eu fiquei noiva do Álvaro. Não sei em que momento e nem
porque eu disse “sim”... Acho que foi pela preocupação dos meus pais e por eles
acharem que ele será um bom sucessor do meu pai.
SÉRGIO
E um bom marido? Será ele?
ELISA
(pensativa) É isso
que eu passei a me perguntar todos os dias. (fecha os olhos, retoma o rumo) Mas
não foi para isso que você disse que queria falar comigo... Sobre o que é?
SÉRGIO
(sorri) De certa
forma, é sobre aquilo de que estamos a falar... Estou aqui, Elisa. Vou
trabalhar em tua casa. Agora... quero ver os teus quadros
ELISA
(sorri um pouco)
Então... Vamos lá.
SÉRGIO
Onde?
ELISA
Lá em cima. Meu
ateliê fica ao lado do meu quarto, mas já adianto que deve estar tudo com
poeira... Há anos que não entro lá... Nem tenho coragem para isso.
Sérgio segura a mão de Elisa, a olha nos olhos.
SÉRGIO
Estou aqui para te
ajudar a ter coragem...
Sérgio e Elisa se olham nos olhos, se aproximam lentamente,
Maya entra de repente. Sérgio e Elisa se afastam rapidamente.
MAYA
Sérgio, vamos lá
buscar suas coisas. Dante e eu vamos precisar sair depois.
SÉRGIO
(se recompondo) Claro!
Então, vamos, agora. (olha Elisa) Até logo, Elisa.
ELISA
Até logo, Sérgio.
Maya olha maldosa para Elisa, segura no braço de Sérgio, sai
com ele. Elisa se senta, está pensativa, sorri um pouco.
ELISA
Meus Deus... O que
está acontecendo?
Corta Para:
Cena 6/Int./Hospital/U.T.I/Dia.
Benício está deitado, acordado, pensativo. Clara e Roberto
entram. Clara se aproxima da cama, segura a mão de Benício. Roberto observa,
está sério.
CLARA
(carinhosa) Meu
amorzinho, como você está? Fiquei tão preocupada, Beny.
BENÍCIO
Estou bem, mamãe, apesar
da dor que sinto as vezes. Mas também tô entediado; não tem nada para fazer neste
quarto.
CLARA
Eu vou providenciar
para você algumas coisas. Soube que seu celular quebrou. Vou comprar outro para
você, querido.
BENÍCIO
(sorri gostando)
Perfeito, mamãe. Também quero uma tv.
CLARA
(sorri) Vou trazer
também, amorzinho.
ROBERTO
(sério) Você não vai
trazer nada para ele, Clara.
BENÍCIO
(se fazendo de
coitado) Poxa, pai... Olha o meu estado... Nem assim você pega leve comigo?
ROBERTO
Benício, comigo não
cola esse papinho furado. Você está aqui por sua culpa, mesmo, e eu pego leve,
muito leve... levíssimo com você! Não fosse por mim, você sairia daqui e iria
direto para ser internado em uma fundação para delinquentes. Se bem que você
não deixa de ser um.
CLARA
(chateada) Vida, não
fala assim com ele... Nosso filho é um bom menino.
BENÍCIO
(sorri irônico) É
isso aí, sou um bom menino pai.
ROBERTO
Vai levando na
brincadeira, vai... O pai de Alice poderia me processar. Ele só não vai fazer
isso porque a única coisa que ele quer é você bem longe dela.
BENÍCIO
(sério) Isso é o que aquele velho quer. Aposto que a Alice vai continuar querendo ficar comigo.
ROBERTO
Acorda, Benício. Por
sua causa ela quase ficou aleijada!... Você não entende a gravidade do que fez,
não é? (pensativo) Mas vai entender, nem que seja na marra!... Quando você
estiver recuperado vai ter que cumprir a pena.
CLARA
Que pena? Nosso filho
nem foi julgado.
ROBERTO
Por mim, sim...
Benício Monteiro Diniz vai ter que dar valor às coisas e, para isso... ele vai
trabalhar.
Benício encara Roberto com raiva.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
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