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Desígnios: Capítulo 04

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 04

 

Cena 1/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Dia.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Roberto, Elisa, Álvaro, Maya e Dante estão na sala. Roberto acaba de dar a notícia de que Sérgio é o novo motorista.

MAYA

(Sarcástica) Agora vamos ter motorista porque Beny bateu o carro, é?

ROBERTO

Também. Eu já queria alguém para isso porque não confio em vocês vindo tarde da noite dirigindo, depois das tais baladas e, muito menos, dependendo de carro de aplicativo, de madrugada. Além disso, Sérgio soube ajudar Elisa num momento em que muitos sequer iriam se importar.

MAYA

(ciúmes) Claro... Como sempre, você fazendo algo para beneficiar a Elisa.

ELISA

Eu não gostei do seu tom, Maya... Ouviu o que papai disse? É por todos nós, e não somente por mim.

Álvaro se aproxima de Elisa, a segura pela cintura.

ÁLVARO

Você não vai precisar dos serviços de Sérgio, meu amor... Eu estou aqui, basta me chamar.

ROBERTO

E quando você estiver no trabalho? Você não pode ficar vinte e quatro horas perto de Elisa. Sei que contratar Sérgio foi a melhor coisa que fiz. Quero alguém de confiança perto do Beny e de todos vocês. E Sérgio vai ser motorista da casa toda.

DANTE

(sorri) O duro é ele querer, tio.

ROBERTO

No momento, Benício perdeu qualquer voz dentro desta casa. Ele vai fazer o que eu mandar. Vamos tomar café. Eu preciso passar no hospital antes de ir para o grupo. (para Sérgio) Você também, Sérgio. Pedi para colocarem um lugar à mesa para você.

Álvaro não gosta, fica sério.

SÉRGIO

(sem jeito) Mas Roberto... Talvez a sua família não se sinta à vontade. Se não se importa, prefiro ir para casa.

ROBERTO

Me importo, você é meu convidado e, aqui, ninguém vai se sentir desconfortável, não se preocupe.

ELISA

(sorri) Papai tem razão, você tem se mostrado um bom amigo e tenho certeza que será sempre visto assim.

SÉRGIO

(sorri para Elisa) Se é assim... Aceito, obrigado.

Maya segura o braço de Sérgio.

MAYA

Então, vamos... Faço questão de que se sente ao meu lado.

Maya vai com Sérgio para a sala de jantar, Roberto e Dante vão logo atrás. Elisa vai indo quando Álvaro a segura.

ÁLVARO

(se contendo) Elisa... Não estou gostando disso. Ninguém aqui sabe de onde esse cara veio e vocês o estão tratando como se o conhecessem há anos.

ELISA

Para de implicar com o Sérgio. Ele vai trabalhar aqui e se você não se acostumar com a ideia, vai viver buscando motivos para arrumar confusão. Vamos tomar café.

Elisa vai para a sala de jantar. Álvaro está com raiva, respira fundo e vai para a sala de jantar.

Corta Para:

Cena 2/Int./Portugal – Lisboa/Palácio Castro Figueroa/Sala/Dia.

Santiago está em pé olhando o quadro da família Castro Figueroa, onde estão Antônio Sérgio, Manuela (madrasta de Antônio Sérgio) e Antônio (pai de Sérgio). Ele está com uma pasta na mão. Manuela surge no alto da escada, elegante.

MANUELA

(altiva) Espero que desta vez tenha boas notícias para mim.

Santiago se vira, olha para Manuela do alto da escada.

 

SANTIAGO

(receoso) Depende das notícias que a senhora quer.

Manuela desce as escadas, se aproxima de Santiago, o encara.

MANUELA

(firme) Sabe muito bem... Onde está António Sérgio?

SANTIAGO

Senhora, lamento..., mas ainda não sei. Estou a fazer os possíveis para/

Manuela se afasta, está nervosa.

MANUELA

(irritada/alterada) Pois, faça o impossível! Há dois anos que o António Sérgio saiu por aquela porta e nunca mais voltou! Pago aos melhores detetives e, até agora, nada!

SANTIAGO

Calma, senhora Manuela, tenho certeza que em breve teremos notícias dele.

Manuela encara Santiago com raiva e altivez, se aproxima dele sem parar de olhar nos olhos dele.

MANUELA

(fria/ameaçadora) Assim o espero, Santiago... Porque, até ao fim do mês, se eu não tiver nas minhas mãos o paradeiro do António Sérgio... cabeças vão rolar, e a sua será a primeira.

Santiago fica com medo, pensativo, Manuela o encara altiva.

Corta Para:

Cena 3/Int./Brasil – São Paulo/Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.

Berta e Malu, entram, Malu coloca uma bandeja em cima da pia.

MALU

(animada) Dona Berta, que gracinha esse rapaz que vai ser motorista aqui, hein. Amei o jeito que ele fala. Não entendi nada, mas achei lindo.

BERTA

(impaciente) Malu... Para de ficar aí falando besteira e vai servir o chá para a dona Estela.

MALU

(desanimada) Poxa, dona Berta, tô fazendo um comentário com a senhora. Não tem nada demais.

BERTA

Tudo bem, Malu... Sérgio é um rapaz muito bonito, sim.

MALU

(sorri/tom baixo) E a senhora viu que o seu Álvaro e a dona Estela estão azedos porque o bonitinho está tomando café com eles? (ri baixo) Eu adorei.

BERTA

(séria) Malu... Vai servir o chá, vai.

MALU

Tô indo...

Malu pega uma chaleira, coloca chá em uma xícara, coloca na bandeja e sai. Berta acha graça.

Corta Para:

Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala de Jantar/Dia.

Maya, Sérgio, Roberto, Clara, Dante, Estela, Álvaro e Elisa (que está de frente para Sérgio) estão sentados, tomando café da manhã. Malu entra, serve Estela.

CLARA

(curiosa) Sérgio, em Portugal o que você tem o costume de comer no café da manhã?

ESTELA

(seca) Ele veio de Portugal, Clara e não de outro planeta.

SÉRGIO

(acha graça) Imagine, não tem problema em responder à dona Clara. Praticamente tudo o que está na mesa, mas eu, particularmente, gosto de croissants.

ROBERTO

Vou pedir para Berta providenciar.

Álvaro e Estela se incomodam.

SÉRGIO

Agradeço, mas já estou satisfeito, senhor Roberto.

ROBERTO

Clara e eu vamos agora visitar Beny no hospital, depois vou até o novo supermercado que vamos inaugurar. Se você quiser buscar suas coisas nesse período, fique à vontade; eu vou voltar à noite.

MAYA

(interessada) Então, você vai morar aqui, Sérgio?

Sérgio olha para Elisa.

SÉRGIO

Vou, sim. O seu pai disse que há um quarto por cima da garagem, e achei melhor assim.

Elisa sorri discretamente para Sérgio, mas Álvaro e Maya percebem e não gostam.

ESTELA

Que bom, já achei que meu irmão iria te dar um dos quartos daqui.

ROBERTO

Estela... Olha a educação. (se levanta) Vamos Clarinha, não quero perder o horário da visita.

Clara se levanta.

CLARA

Vamos vida, estou preocupada com Beny.

ROBERTO

Álvaro, vem com a gente. Quero que você me acompanhe até o novo supermercado.

ÁLVARO

Roberto eu tenho algumas coisas para resolver no grupo.

ROBERTO

Resolva quando a gente voltar. Não estou com a cabeça no lugar e não quero cometer erros.

Álvaro se levanta.

ÁLVARO

Tudo bem, então... Vamos lá.

Álvaro beija Elisa.

ÁLVARO

(a olhando nos olhos) Até mais tarde, meu amor. Eu venho aqui para irmos juntos ao restaurante.

Álvaro encara Sérgio por um segundo, sai. Roberto e Clara saem em seguida.

MAYA

(a Sérgio/sorri) Você vai precisar de alguma ajuda?

SÉRGIO

(sorri) Talvez, mas acredito que a senhorita não seja a pessoa mais indicada. Não tenho muitas coisas, mas o que tenho para trazer pode ser pesado para a senhorita.

MAYA

(sorri sedutora) Eu não sei se peço para você me chamar de Maya... Acho tão atraente você me chamando de senhorita.

Estela revira os olhos, se levanta.

ESTELA

(séria) Maya, por favor, se contenha. Ele será mais um empregado dessa casa. Ele não só pode como deve se dirigir a nós com respeito. (a Sérgio) E você, rapaz, se coloque no seu lugar. Meu irmão está grato por você ter ajudado Elisa, mas que fique claro que você não é um de nós.

Estela sai, o clima pesa. Maya, Dante e Elisa se olham sem jeito, Sérgio está tranquilo. 

DANTE

(sem graça) Sérgio... Não leva a mal as coisas que minha mãe fala.

SÉRGIO

(sorri simpático) Não se preocupe, Dante, está tudo bem.

ELISA

(inconformada) Não está nada bem! Minha tia não pode falar assim com você e nem com ninguém, que absurdo!

SÉRGIO

Nem todos de sua classe social gostam de ter por perto pessoas da minha classe.

ELISA

Educação e bom senso não tem nada a ver com a classe social, Sérgio, e sim com o caráter.

Sérgio gosta da resposta e Elisa, se levanta.

SÉRGIO

Com licença, eu vou buscar as minhas coisas.

DANTE

Depois desse fora que minha mãe deu, eu me ofereço para te ajudar.

SÉRGIO

Aceito Dante, obrigado.

MAYA

(sorri) E eu, posso ir com vocês?

SÉRGIO

Bem... Se a senhorita realmente quer... Vamos, mas antes eu gostaria de falar a sós com a Elisa.

Elisa se levanta.

ELISA

(sorri) Claro, vamos até o escritório.

Sérgio e Elisa saem, Maya fica com raiva. Dante começa a farejar algo.

DANTE

Tá sentindo, Maya?

MAYA

O quê?

DANTE

(debochado) O cheiro de chifre no ar. (ri) Álvaro que se cuide, porque o clima entre a prima e o português está na cara.

MAYA

(sorri sarcástica) Elisa é perfeitinha demais para experimentar pratos diferentes, Dante. (Pausa) Eu não... (sorri maldosa) Sempre como tudo que tenho vontade.

Corta Para:

Cena 5/Int./Mansão Monteiro Diniz/Escritório/Dia.

Elisa e Sérgio entram, Sérgio olha a estante de livros.

SÉRGIO

(sorri) Gostei de ver tantos livros assim.

ELISA

(admirada) Mesmo? As pessoas quando entram aqui estão tão preocupadas com alguma coisa, que nem reparam e, daqui de casa, quem gosta de ler somos apenas minha mãe e eu.

SÉRGIO

Qual é o seu autor favorito?

ELISA

Eu tenho preferências por alguns, mas a minha favorita é Clarice Lispector.

SÉRGIO

(sorri) “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

Elisa olha surpresa.

ELISA

(surpresa) Você lê Clarice?

SÉRGIO

Sim, ela também está na minha lista de autores favoritos.

ELISA

(curiosa) E quem é o seu autor favorito?

SÉRGIO

São dois: Luís de Camões e Fernando Pessoa.

ELISA

(sorri) “Tenho em mim todos os sonhos do mundo.” ... Também leio Fernando Pessoa.

 

Sérgio sorri, gostando, olha Elisa nos olhos.

SÉRGIO

Gosto muito desta citação... Porque eu não era um sonhador, era uma pessoa que vivia tudo muito intensamente, um pouco como o teu irmão, por vezes inconsequente... Por vezes, as consequências vinham pesadas, todas de uma só vez..., e eu era um homem diferente.... Mas quando deixei tudo para trás... tornei-me um sonhador, Elisa... Sobretudo, no desejo de me tornar uma pessoa melhor

Elisa olha Sérgio como se estivesse em transe, desvia o olhar.

ELISA

Nossa, Sérgio... Eu sei como é esse sentimento... Sonhadora eu sempre fui mas, depois que... Meu chão abriu e tudo aquilo que eu estava vivendo foi para o abismo... O tempo parou... E eu deixei de sentir vontade de fazer tudo aquilo que amava

SÉRGIO

Como pintar...?

ELISA

É... Parei de pintar, não fui mais trabalhar no grupo... Eu sou Diretora de Marketing. Não saio muito e, no meio disso tudo, eu fiquei noiva do Álvaro. Não sei em que momento e nem porque eu disse “sim”... Acho que foi pela preocupação dos meus pais e por eles acharem que ele será um bom sucessor do meu pai.

SÉRGIO

E um bom marido? Será ele?

ELISA

(pensativa) É isso que eu passei a me perguntar todos os dias. (fecha os olhos, retoma o rumo) Mas não foi para isso que você disse que queria falar comigo... Sobre o que é?

SÉRGIO

(sorri) De certa forma, é sobre aquilo de que estamos a falar... Estou aqui, Elisa. Vou trabalhar em tua casa. Agora... quero ver os teus quadros

ELISA

(sorri um pouco) Então... Vamos lá.

SÉRGIO

Onde?

ELISA

Lá em cima. Meu ateliê fica ao lado do meu quarto, mas já adianto que deve estar tudo com poeira... Há anos que não entro lá... Nem tenho coragem para isso.

Sérgio segura a mão de Elisa, a olha nos olhos.

SÉRGIO

Estou aqui para te ajudar a ter coragem...

Sérgio e Elisa se olham nos olhos, se aproximam lentamente, Maya entra de repente. Sérgio e Elisa se afastam rapidamente.

MAYA

Sérgio, vamos lá buscar suas coisas. Dante e eu vamos precisar sair depois.

 

SÉRGIO

(se recompondo) Claro! Então, vamos, agora. (olha Elisa) Até logo, Elisa.

ELISA

Até logo, Sérgio.

Maya olha maldosa para Elisa, segura no braço de Sérgio, sai com ele. Elisa se senta, está pensativa, sorri um pouco.

ELISA

Meus Deus... O que está acontecendo?

Corta Para:

Cena 6/Int./Hospital/U.T.I/Dia.

Benício está deitado, acordado, pensativo. Clara e Roberto entram. Clara se aproxima da cama, segura a mão de Benício. Roberto observa, está sério.

CLARA

(carinhosa) Meu amorzinho, como você está? Fiquei tão preocupada, Beny.

BENÍCIO

Estou bem, mamãe, apesar da dor que sinto as vezes. Mas também tô entediado; não tem nada para fazer neste quarto.

CLARA

Eu vou providenciar para você algumas coisas. Soube que seu celular quebrou. Vou comprar outro para você, querido.

BENÍCIO

(sorri gostando) Perfeito, mamãe. Também quero uma tv.

CLARA

(sorri) Vou trazer também, amorzinho.

ROBERTO

(sério) Você não vai trazer nada para ele, Clara.

BENÍCIO

(se fazendo de coitado) Poxa, pai... Olha o meu estado... Nem assim você pega leve comigo?

ROBERTO

Benício, comigo não cola esse papinho furado. Você está aqui por sua culpa, mesmo, e eu pego leve, muito leve... levíssimo com você! Não fosse por mim, você sairia daqui e iria direto para ser internado em uma fundação para delinquentes. Se bem que você não deixa de ser um.

CLARA

(chateada) Vida, não fala assim com ele... Nosso filho é um bom menino.

BENÍCIO

(sorri irônico) É isso aí, sou um bom menino pai.

ROBERTO

Vai levando na brincadeira, vai... O pai de Alice poderia me processar. Ele só não vai fazer isso porque a única coisa que ele quer é você bem longe dela.

BENÍCIO

(sério) Isso é o que aquele velho quer. Aposto que a Alice vai continuar querendo ficar comigo. 

ROBERTO

Acorda, Benício. Por sua causa ela quase ficou aleijada!... Você não entende a gravidade do que fez, não é? (pensativo) Mas vai entender, nem que seja na marra!... Quando você estiver recuperado vai ter que cumprir a pena.

CLARA

Que pena? Nosso filho nem foi julgado.

ROBERTO

Por mim, sim... Benício Monteiro Diniz vai ter que dar valor às coisas e, para isso... ele vai trabalhar.

Benício encara Roberto com raiva.

A NOVELA DESÍGNIOS SERÁ EXIBIDA TODA SEMANA. NÃO PERCA OS CAPÍTULOS INÉDITOS, TODA SEXTA, SÁBADO E DOMINGO, AQUI NA WEBTV.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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