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Antologia Poemas da Terra: 1x03

Antologia Poemas da Terra
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ÀS MARGENS DO RIO SECO
Ricardo Cunha
Sinopse: Descrição rápida dos efeitos seca num ambiente em desequilíbrio ambiental.

Acolá, fina areia a que as reptícias
Se agarram a buscar a última gota...
Sol em barro rachado que desbota
O chão coberto d'ervas mal propícias.
 
Outrora era vereda de delícias;
D'eterno enverdecer por sua rota.
Nada mais, todavia, hoje se nota
Onde antes buritis, pequis... Primícias!
 
Pela terra assolada, igual fantasma
O rio ressequido nega ao açude
Sua água, sem ter mais com que lhe ajude.
 
E a gente ribeirinha mais se pasma
Por vazio o remanso de banhar
Na seca a entristecer este lugar.

CÁLICE AMBIENTAL
Roque Aloisio Weschenfelder
Sinopse:
É um poema concreto, sem pontuações, em formato cálice, que alerta sobre a consciência ambiental, englobando artisticamente os problemas que as belezas dos cenários enfrentam na atualidade.

Botões de rosas em jardins floridos
Plantações sem agrotóxicos usos
Florestas nas beiras de rios
Cascatas ruidosas
Com águas claras
Peixes visíveis

Seria tão bela vida nesse ambiente
Se tudo isso fosse realidade
Mas gera muita saudade
Aquela bela realidade
Em tempos de outrora
Diferentes de agora

Com o lixo
Bem separado
Sem da gula o pecado
E das plantas o lucro apenas
Sem desmanche das florestas
E a poluição das águas e dos ares

Haverá a devida consciência ambiental
Sem a sonora barulheira de acelerados motores
Sem o desperdício de tantos materiais recicláveis
Com o cultivo de belos jardins e verduras nas hortas
Para a salvação da vida no belo e habitável planeta TERRA

A TERRA E O HOMEM
Manzi, J.G.
Sinopse: A terra, o solo, o campo e o homem, suas conexões, um olhar para a cultura brasileira nativa e a luta pela terra.

E da terra nasce o homem por Tupã
Por Deus a humanidade nasceu pelo barro
Odùdùwa deu a terra a gente em seu afã
A Mãe terra soprou vida de seu jarro

A terra e o homem sempre casados
E na morte à terra o homem descansa
Gente e terra num afeto tão abrasados
Que as raízes da terra nossa alma alcança

A terra é do homem
E o homem é da terra
E num raiar, dos filhos as terras somem
Teu chão, teu pão, o dominante serra

A mãe terra tomada de assalto
Envenenada, violada, estuprada
Do engenho ao planalto
Pela ganância sofre descarada.

Nosso pão, nosso chão, nossa vida
Da terra nossa raiz vem do coração
A liberdade pela terra é tão temida
Que poderosos tremem diante da ocupação

Ocupar a terra é retomar o seio
O colo que é da vida e dos sonhos
É na terra nossa lida e nosso proseio
Haverá de reaver a terra a esses filhos risonhos

A luta é pela terra é pela gente
Gente que luta e a terra teu sangue manchas
A luta que dura do passado ao presente
Erga teus punhos que teu sonho não desmanchas

A terra é nossa e somos da terra
A lida, o descanso, o fruto e a história
Não é a chibata ou a bala que a tua luta encerra
A felicidade da terra é do povo a vitória

FIZ NADA
David Ehrlich
Sinopse: E você, o que faz pelo meio ambiente?

Se eu fizesse
Caminhada
Ao invés de usar o carro...
Mas fiz nada.

Se a comida
Embrulhada
Não me fosse tão prática...
Mas fiz nada.

Se só fosse
Consertada
A torneira que pingava...
Mas fiz nada.

Se eu não fosse
Mão-furada
E gastasse só o que tenho...
Mas fiz nada.

Se deixasse
Desligada
A luz que não preciso usar...
Mas fiz nada.

Se com a planta
Replantada
Tivesse me preocupado...
Mas fiz nada.

Esta terra
Devastada
É culpa de quem é qual eu...
Pois fiz nada.

MEIO AMBIENTE
Ilson Joaquim da SIlva
Sinopse: O poema procura mostrar a destruição da natureza com enfoque em suas belezas.

Para que se reflita sobre a natureza,
Decantemos em versos sua conservação e suas belezas.  
Mostremos a necessidade de utilizar sustentavelmente os seis biomas da nação,
Protegendo-os contra a paulatina eliminação.
As águas dos rios, inexoravelmente poluídas.
E as ricas florestas que estão sendo destruídas.
O macaco-prego, apesar de suas peripécias engraçadas.
E a bela baleia azul, tragicamente caçada.
O tatu, um animalzinho cinegético.
E o vagalume, luzidio e pirotécnico.
A cutia que, apesar de graciosa é muito ameaçada.
E o canguru-arborícola-de Scott, espécie que vem sendo exterminada.
A jaguatirica, bela, mesmo quando zangada.
E a capivara, cruelmente dizimada.
O urso panda, gracioso e fofinho.
E o boto-cor-de-rosa, um dos mais belos golfinhos.
O mogno, por sua beleza cobiçado.
E o tigre, que, embora forte, é trucidado.    
O risco de extermínio do mico-leão dourado.
E a araucária, algo tão belo que deve ser conservado.
O guará, que corre risco de extinção nos Lençóis Maranhenses.
E a necessária proteção da biodiversidade do Pantanal mato-grossense
A devastação da rica Amazônia com fauna e flora numerosas.
E a importância do Rio Amazonas com suas águas volumosas.
O rinoceronte, feioso, mas por ser útil ao ecossistema, deve ser conservado.
E o urso-polar, também em risco, embora adorado.
A peroba-rosa, por ser valorizada, está sendo aniquilada
E a tartaruga-verde, friamente eliminada.
Por tudo isso, impõe-se que cuidemos do meio ambiente.
Se nós não atentarmos para esse desastre, a longo prazo, não haverá sobreviventes.

A CÍCLICA ZANGA DA CHUVA
Muhatu
Sinopse: O poema da Terra escreve-se com lágrimas de chuva e raiva.
 
                                                  Para a vila da Catumbela
 
Queria escrever um poema nos escombros das palavras
Arrombadas; no chão engolido pelo choro forte
Da natureza. Nos olhos da morte e no desnorte
Do solo exaurido; nos fantasmas das casas e das lavras
 
Queria entoar uma canção que não levasse o vento
Trocar zonas de risco por zonas de ricos
Zungando uma letra para viver longe dos picos
Da serra da pobreza [e a certeza fatal de ser relento]
 
[O rio do céu desaguou na minha vila]
Qual oceano de incertezas e frágeis promessas
Enterrou mãos de fome levou às pressas
A vida, a esperança. Sobrou silêncio e argila
 
Queria escrever um poema nas férias da desventura
Cíclica; numa terra entregue ao seu destino
Sedento. No desmaio [exausto] vespertino
Do solo inerte; escrever no ar azul uma pintura.

MEIO AMBIENTE NÃO INTEIRO
Antônio Ferreira
Sinopse: Poema retratando a devastação do meio ambiente.

Nosso ambiente, meio e não mais inteiro.
Ambiente inóspito, não é mais denso.
Ambiente inclemente
destruído por progressistas dementes.

Animais choram por inteiro
feridas dilacerantes, em carne viva.
Animais meio vivos
querendo cura ligeiro.

Não há mais nada peçonhento
que animais racionais egocêntricos
que ignoram a vida por serem excêntricos.

Ambiente ao meio,
devastação por inteiro;
o fim é o último centeio.

POEMA EM PANDEMIA
Vera Spínola
Sinopse: Em passeio pela praia, um protesto contra os resíduos plásticos deixados como lixo na praia, além da poluição sonora e de restos de petróleo nas praias do nordeste do Brasil que até então não se sabe a origem.

Confinamento. Volto me à literatura
Escapismo sem limites. Viagens em fartura
Entre escritos, correções e releituras
Sou convidada pelo mar nas alturas

Caminho sobre a areia sonhando
Ouço gaivotas conversando.
Sob o canto ritmado das ondas,
Um poema vou compondo

O poema é atravessado, mutilado
Não por conchas ou sargaços
Mas por resíduos de plástico
Mais resistentes que o aço

Entre rochedos, areias
E rufar de coqueiros,
Encontro bolas de petróleo
De onde veio o negro óleo?

A paisagem é um presente
Mas a tartaruga sente
Quando faminta agarra
O lixo de uma farra

O canto das ondas, não ouço mais
Caixas com som alto demais
Retorno
Levando comigo um poema em pandemia
Sem consonância, nem concordância
Nem poesia


Poema escrito por
Ricardo Cunha
Roque Aloisio Weschenfelder
Manzi, J.G.
David Ehrlich
Ilson Joaquim da Silva
Muhatu
Antônio Ferreira
Vera Spínola

CAL - Comissão de Autores Literários
Agnes Izumi Nagashima
Eliane Rodrigues
Márcio André Silva Garcia
Ney Doyle
Pedro Panhoca da Silva
Rossidê Rodrigues Machado

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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