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Cine Virtual: Chiquita

Conto de Pedro Franco
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Sinopse: Garoto de 8 anos ganha uma papagaia. O conto relata longa história de amor com o envelhecimento de ambos e sempre em fraterno convívio.

Chiquita
de Pedro Franco
 

                 Chiquita que não é bacana, nem da Martinica e nada tem em comum com a marchinha carnavalesca. Diga-se que Chiquita está com quarenta e quatro anos. Nem sempre está animada, ou quer conversa. Muitas vezes se encolhe taciturna e ele percebe logo. Todos devem saber logo que Chiquita não é mulher, se a história começa com a digitação de sua verdadeira idade. O menino tinha oito anos, quando a recebeu. Morava no Cosme velho e em casa com terreno. A papagaia era arisca, zangada e bicava todos com ou sem motivo. Carlinhos era paciente e estava muito satisfeito com o presente do tio e foi convivendo.  Ele e a papagaia foram crescendo. Carlinhos se formou em Medicina, fez carreira, casou-se e é ilustre. Sua sua maior companhia em tempo de vida é Chiquita. Ensinou-lhe muitas falas, domesticou-a, já se disse e ela, ainda que tenha seu lugar, um elegante poleiro na biblioteca do apartamento, pode estar no seu ombro, ou em torno dele, enquanto estuda, lê, ou toca piano. Porta-se bem, ordeiramente, quando está solta. Durante muitos anos Carlinhos foi seu mestre. Muitas vezes na vida real o Mestre, se de fato é inteligente, aprende com o aluno. Com o tempo aprendeu com Chiquita o rudimentar meio de comunicação dos papagaios. Sabe pelos seus ruídos se está com medo de alguma outra ave; ou se quer meter medo, por estar com medo. Se  não quer sair, dá três discretas bicadas na mão do dono e se afasta. Não quer sair, pronto. E o laureado Professor Carlos com tristeza vê que a papagaia envelhece. Percebe o halo senil nos olhos, uma certa preguiça e ensimesmamento, que em humanos seria chamado de depressão. E então lhe faz festa, conversa e Chiquita se anima. Ele, por amor à Chiquita, estudadou profundamente a vida dos papagaios e sabe que dificilmente chegam aos cinquenta anos. Aprendeu que estas aves quando adultas têm determinadas percepções semelhantes as de uma criança de três anos, podendo colocar objetos em encaixes, conforme a forma, sem errar, depois de muita observação.

           Os dois se entendem, o homem culto, dedicado também à Música e à Literatura e a papagaia, que já caminha mais devagar, com menor bamboleio. E mais se entristece, se o amigo, dono, não tem muito tempo para ela. Carlinhos percebe e arranja espaço, tempo, faz-lhe agrados, conversa, põe a amizade em dia e trocam rudimentares frases. Nem pai, nem mãe, nem mulher, nem amigos, com ele convivem há tantos anos! São quarenta e quatro anos! Ele e Chiquita no mais fraterno convívio e sem decepções de conduta. Não sei da vida amorosa de Chiquita e cogito que ficou solteira, invicta, como determinadas tias velhas das antigas famílias, tias machadianas, que se dedicavam aos sobrinhos e esta dedicação lhes bastava. Enfim poucas pessoas tive tanta vontade de conhecer quanto Chiquita. Talvez ficasse decepcionado e visse apenas mais um papagaio. Nem sempre temos a verdadeira percepção da realidade, ainda mais quando Chiquita não teria motivo para ser receptiva à minha visita. Quem sabe? E pode estar em dia de amuo e não querendo fazer novas amizades. Os idosos têm suas idiosincrasias, sei por experiência própria. Então fica melhor assim, sei de Chiquita através dos olhos do amigo Carlos, que com ela convive, há quarenta e quatro anos. Se algum parente pudesse voltar, diria espantado ao vê-la e ouvi-la. Chiquita ainda está viva! Está e espero que por muitos anos ainda possa encontrar o Professor Carlos e perguntar-lhe : _ Como vai Chiquita? Ele não se importa com a permanente pergunta, pois sabe que de fato fiquei interessado na vida de Chiquita. Dá-me notícias dela, de sua saúde, de suas manias, de sua velhice. E nós aceitaremos, ele e eu, suas mudanças. Também teremos alterações de comportamento, pois, como Chiqueita, envelhecemos sem perder a ternura e a devoção que aprendemos com ela, ele em quarenta e quatro anos de convívio fraterno, eu há pouco tempo e por notícias. Ambos sempre aprendemos.

Conto escrito por
Pedro Franco

CAL - Comissão de Autores Literários
Agnes Izumi Nagashima Eliane Rodrigues
Francisco Caetano
Gisela Lopes Peçanha
Lígia Diniz Donega
Márcio André Silva Garcia
Paulo Luís Ferreira
Pedro Panhoca
Rossidê Rodrigues Machado

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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