Relações Perigosas - Capítulo 02



     
     
     

VALE A PENA LER DE NOVO: RELAÇÕES PERIGOSAS
 
     
 
 
     
  NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "RELAÇÕES PERIGOSAS":

Marcelo e Rudá entram no cemitério.

Marcelo — Se você não se importar, eu prefiro ir até lá sozinho.

Rudá concorda e fica na porta do cemitério. Marcelo segue caminhando sozinho pelo cemitério, até chegar ao túmulo de Ana Carolina. Marcelo olha de longe a sepultura por um tempo, até que toma coragem e se aproxima. Ele se ajoelha perto do túmulo e passa a mão no retrato de Ana Carolina que está na lapide.

Marcelo — (Triste) Por tão pouco a gente não se reencontrou, mãe.

Na entrada do cemitério, Clara passa por Rudá e caminha em direção ao túmulo de Ana Carolina. De longe, ela vê Marcelo perto da sepultura.

Clara — Que estranho? Quem é que tá lá no túmulo da tia?

Clara se aproxima de Marcelo.

Clara — Oi. Desculpa, mas quem é você e o que tá fazendo no túmulo da tia Ana?

Marcelo — (Se levanta) Eu sou o filho dela. E você quem é?

Música: More than I can say – Leo Sayer.

Clara encara Marcelo, surpresa. Closes alternados, finalizando em Marcelo.

 
     
 
     
     
     

CAPÍTULO 02
 
     
 

cENA 01. CEMITÉRIO. EXTERIOR. DIA.

Continuação da última cena do capítulo anterior. Clara e Marcelo se encaram. Ela ainda surpresa.

Clara – Marcelo?

Marcelo – Eu mesmo. E você quem é?

Clara – Como é que você apareceu assim? Ela jurava que você tava morto! Meu nome é Clara.

Os dois se cumprimentam.

Clara – Será que você pode me explicar o que tá acontecendo? Porque eu não to acreditando nisso.

CENA 02. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Continuação da cena 39 do capítulo anterior. Otávio abre um sorriso debochado para Gregório.

Otávio – Não to querendo enganar ninguém, mas se você não acredita: Tá aqui as provas.

Otávio tira da sua pasta, vários papéis e documentos.

Otávio — (Entrega pra Gregório) Durante anos o seu irmão escondeu a certidão de nascimento do Marcelo. Agora ela tá aqui pra não ter dúvidas de que realmente ele é quem diz ser: o herdeiro de tudo isso aqui.

Gregório olha para os papéis ainda incrédulo.

Gregório — Isso é falsificado! Um golpe de vocês dois!

Otávio – É não Gregório. Tão aí todos os documentos que comprovam. Se você quiser fazer um exame de DNA, tudo bem, o resultado vai ser positivo mesmo... Aceita que dói menos.

Gregório encara Otávio, perplexo.

Otávio — (Sorri irônico) Perdão por estragar os seus planos de ficar com a Barão do Alambique.

Gregório ignora o comentário e vai embora de forma intempestiva. Otávio sorri, satisfeito.

CENA 03. ruas do rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia.

Marcelo e Clara caminha pela rua. Clara ouvindo Marcelo falar.

Marcelo — E foi isso. Apareceu o Dr. Otávio e aquele outro homem e me contaram tudo, que eu era o filho desaparecido de uma mulher muito rica e que tava me procurando há anos.

Clara — Gente! Que história! Quer dizer que você não se lembrava da sua mãe?

Marcelo — Não. Meu pai me levou embora quando eu era muito pequeno, não tinha como eu lembrar.

Clara — É uma pena mesmo a tia não ter vivido pra ver você mais uma vez.

Marcelo — Você conheceu bem ela?

Clara — (Sorri) Sim, ela era minha madrinha. Nos últimos anos eu e a minha irmã passamos um tempo fora fazendo faculdade, especialização e essas coisas. A tia queria que eu trabalhasse na indústria.

Marcelo — Você faz o que?

Clara — Sou designer de embalagem de produtos. A tia queria que eu ficasse à frente do design da embalagem de todas as garrafas que a indústria produz.

Marcelo — (Sorri) Como ela era? Me fala um pouco dela.

Clara — Ah Marcelo, a sua mãe era uma pessoa especial. Ficou muito deprimida e fechada depois que você e o seu pai sumiram, mas/ (Se corta) Não quer sentar?

Marcelo — Pode ser.

Os dois se sentam em um banco que tem por ali.

Marcelo — Como ela era antes de eu sumir?

Clara — Não lembro, eu era muito pequena. O que eu sei é que a tia apesar de tudo, sempre foi uma mulher fantástica. Apesar de todo o sofrimento, nunca desanimou. Não é a toa que ela procurou você até encontrar.

Marcelo — (Triste) Pena ela não ter realizado esse sonho. Se eu tivesse voltado um dia antes, talvez/

Clara — (Corta sutil) Não pensa nisso, Marcelo. Quando as coisas tem que acontecer, elas acontecem e a gente não pode impedir.

Marcelo — Isso é verdade. (Tom) E como era a sua relação com ela?

Clara — Ela era como uma segunda mãe. A minha mãe diz que todo o amor que ela não pode dar pra você, ela transferiu pra mim.

Marcelo — Com razão, você é mesmo uma pessoa encantadora.

Clara sorri, sem jeito.

CENA 04. casa de gregório. sala. Interior. Dia.

Gregório, Tarsila e Leandro. Conversa já iniciada.

Tarsila — (Surpresa) Como assim reapareceu?!

Gregório — Encontrei ele lá, no meio da sala da Ana Carolina, mais vivo que todos nós juntos.

Tarsila — Não acredito num negócio desses.

Gregório — Pode acreditar. Ele voltou das profundezas do inferno pra atrapalhar as nossas vidas.

Tarsila — E agora? Como vai ser?

Gregório — Vai ser que ter convencido durante tantos anos a Ana Carolina a não pedir a morte do Alcides na justiça vai ter sido em vão. No final das contar tudo vai ficar pro filho deles mesmo.

Leandro — E ia ficar pra quem caso ele não aparecesse?

Gregório — Eu ia pedir judicialmente a morte do Alcides, todo o dinheiro e ações da indústria, iria pra Ana Carolina, mas com ela morta eu seria o parente mais próximo pra receber a herança do Alcides.

Tarsila — Agora a vaca foi pro brejo.

Gregório — Aquela herança ia vir bem a calhar, mesmo com a indústria indo relativamente bem, a gente tá cheio de dívidas.

Tarsila — Por isso, Leandro, trate de agilizar esse seu casamento com a Milena. Agora isso é prioridade máxima.

CENA 05. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Continuação da cena 40 do capítulo anterior. Bianca e Yasmin sentada no sofá. Yasmin prestando atenção no que Bianca fala.

Bianca — Tudo começou há muitos anos atrás, você nem era nascida e a sua irmã ainda era pequena. A indústria de destilados que o Alcides, marido da Ana Carolina era dono, tinha uma espécie de convênio com a nossa exportadora. Grande parte da distribuição das bebidas produzidas por eles eram espalhadas pelo Brasil e pelo mundo através da gente. Era um negócio de ouro... Mas um belo dia, logo depois que o marido e o filho sumiram, ela resolveu cancelar todos os contratos que ela tinha conosco. Nem o Gregório que é um dos sócios, nem ninguém conseguiu impedir que ela não fizesse isso. O resultado? Um prejuízo milionário pra gente. Uma queda brutal no lucro da empresa. Agora você entende porque eu não queria contato com aquela mulher?

Yasmin — Não. É só dinheiro. Pensei que ela tivesse roubado ou matado, sei lá, mas por isso?

Bianca — Você ainda é muito nova, não entende das coisas.

Yasmin — (Desconfiada) Você tá falando a verdade ou tá só me enrolando?

Bianca – E por que eu iria mentir pra você?

Yasmin – Sei lá, esse motivo parece ser simples demais.

CENA 06. casa de gregório. quarto de leandro. Interior. Dia.

Leandro fala ao celular.

Leandro — (Cel) E aí amor? Vamos sair hoje? Topa pegar uma praia?

CENA 07. casa de giancarlo. quarto de milena. Interior. Dia.

Milena deitada na cama falando ao celular.

Milena — (Cel) Ah, não to no clima. Esse negócio da sua tia enfartando e rolando escada a baixo mexeu com os meus ânimos.

Leandro — (Off) Então se prepara que as emoções não acabam por aí.

Milena — Que? Não vai me dizer que mais alguém foi lá pro andar de cima?

CENA 08. casa de gregório. quarto de leandro. Interior. Dia.

Leandro falando no celular.

Leandro — (Cel) Muito pelo contrário, Milena. Você se lembra daquela história de que a minha tia passou anos procurando o marido e o filho que sumiram?

Milena — (Off) Claro! Todo mundo conhece essa história!

Leandro — O tal filho desaparecido apareceu.

CENA 09. casa de giancarlo. quarto de milena. Interior. Dia.

Milena falando no celular, surpresa com o que acaba de ouvir.

Milena — (Cel) Lê! To chocada! Apareceu assim? Do nada?

Leandro — (Off) Do nada não.

CENA 10. casa de gregório. quarto de leandro. Interior. Dia.

Leandro falando ao celular.

Leandro — (Cel) Até porque a tia tava procurando por ele há anos. (Pausa) Bom amor, já que você não quer ir, a gente combina de fazer alguma coisa um outro dia. Beijos.

Leandro desliga o celular.

Leandro — Quer saber de uma coisa? Eu vou fazer uma visita pro meu priminho.

CENA 11. casa de giancarlo. sala. Interior. Dia.

Bianca e Yasmin sentadas no sofá. Milena desce as escadas.

Milena — Gente! Vocês não tem ideia do que o Leandro acabou de me contar!

Bianca — Virou fofoqueira agora, é?

Milena — Se você começar com gracinha eu não falo nada e olha que é do seu interesse. Coisa do seu finado desafeto.

Bianca — Sobre a Ana Carolina? Depois de morta, descobriram que ela era uma bisca?

Milena — Nada disso. Encontraram o filho dela.

Bianca reage surpresa.

Yasmin — Filho? Que filho?

Milena — Ah, amor! História antiga.

Yasmin — Pelo jeito hoje é o dia da revelação de histórias antigas.

Bianca — (Surpresa) Como assim o filho dela apareceu? O Marcelo não tava morto?

Milena — Era o que todo mundo pensava, mas pelo jeito ele tá é bem vivo. (Tom) Mas porque tanto espanto? Até parece que você não gostou que ele tenha aparecido.

Bianca — Deixa de delírio, Milena. Pode aparecer a margarida praquela família que eu não to nem aí. Agora dá licença que eu tenho mais o que fazer.

Bianca se levanta e sobe as escadas. Milena senta no sofá ao lado de Yasmin.

Milena — E aí, meu bem? O que cê tá fazendo?

Yasmin — Pensando numas coisas que a mãe falou.

Milena – Dela tá nem aí pra chegada do filho da Ana Carolina?

Yasmin — Não. Sobre o motivo da desavença entre elas duas. Ela me contou tudo.

Milena — E aí?

Yasmin — Achei estranho. Um absurdo uma briga dessa proporção por causa de dinheiro.

Milena — Eu também acho. E mais: acho que esse não é o real motivo. Tem mais coisas por trás dessa história.

CENA 12. RIO DE JANEIRO. EXTERIOR. DIA.

Stock-shot da cidade do Rio de Janeiro. O último take é o da entrada da casa de Ana Carolina.

CENA 13. CASA DE ANA CAROLINA. PORTÃO DE ENTRADA. Exterior. Dia.

Marcelo e Clara em frente ao portão da casa.

Marcelo — Tem certeza que não quer entrar?

Clara — Melhor não. Ainda ontem aconteceu tudo aquilo, prefiro dar um tempo.

Marcelo — Como você quiser, mas aquilo que você me falou ainda tá de pé?

Clara — O que? De eu te mostrar a cidade? Claro que tá! A gente se encontra que horas? Me passa teu celular?

Marcelo — Não tenho isso não. Eu passo na sua casa, me dá o seu endereço.

Clara — Tá, mas você tem carro pra gente andar por aí?

Marcelo — Não. Precisa? A gente pode ir no seu.

Clara — Eu também não tenho, voltei a pouco pro Brasil. (Pausa) Quer saber? A gente faz tudo a pé ou de ônibus se você não se importar.

Marcelo — Me importar? Teve vezes que eu andava de carroça, carro pra mim é luxo.

Clara — Então tá combinado, amanhã você me encontra nesse endereço aqui.

Clara entrega um cartão para Marcelo.

CENA 14. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Marcelo entra da rua e dá de cara com Leandro o esperando.

Marcelo — Você quem é?

Leandro — (Se aproxima e estende a mão) Leandro. Eu sou seu primo.

Marcelo encara Leandro por alguns segundos e logo abre um sorriso.

Marcelo — Abaixa essa mão, primo. Vem cá me dá um abraço.

Marcelo abraça forte Leandro.

Marcelo — Você é filho daquele homem que esteve aqui hoje?

Leandro — Sim. Ele é irmão do seu pai. (Pausa/Mente) Fiquei muito feliz quando soube que você tinha voltado.

Marcelo — Eu é que to feliz por conhecer você. Sabe, Leandro. Apesar de tudo, eu to feliz em conhecer essa parte da família que eu não fazia ideia que existia.

Leandro — (Levemente irônico) Você vai adorar fazer parte dessa família.

CENA 15. ap de luísa. sala. Interior. Dia.

Clara entra da rua. Heloísa por ali.

Heloísa — Tá bem encomendada a alma da tia Ana? Porque pela demora, você deve ter rezado o terço inteiro umas dez vezes.

Clara — Que? Não. Eu mal fiquei lá no cemitério.

Heloísa — (Curiosa) E tava onde, posso saber?

Clara — O mais importante não é onde e sim com quem: com o filho da tia Ana Carolina.

Heloísa — (Não entende) Como assim? O filho dela tinha sumido há anos!

Clara — Pois é, mas agora ele apareceu e eu encontrei com ele lá no túmulo dela.

Luísa entra da rua.

Heloísa — Mãe, você sabia essa história do filho da tia?

Luísa — Do que vocês tá falando?

Clara — Eu encontrei o filho da tia no cemitério.

Luísa — (Não crê) Então o Otávio conseguiu encontrar o Marcelo!

Heloísa — Então você sabia?

Luísa — Sabia que a Ana Carolina tava esperando um telefonema do Otávio, pra confirmar se tinha ou não encontrado o Marcelo. (Sorri) E parece que ele conseguiu.

Em Luísa feliz.

CENA 16. ap de luísa. quarto de luísa. Interior. Dia.

Luísa entra no quarto, abre uma gaveta do armário e tira um pote de dentro dele. Luísa pega o anel que pegou do quarto de Ana Carolina e aperta contra o seu peito. 

CENA 17. casa de ana carolina. sala. Interior. Dia.

Marcelo e Leandro sentados no sofá conversando. Otávio entra da rua.

Otávio — Marcelo, com licença.

Marcelo — Oi Otávio. Você conhece o meu primo Leandro?

Otávio — De vista. Prazer.

Os dois se cumprimentam.

Otávio — Tá pronto?

Marcelo — Pra que?

Otávio — Pra voltar pra minha casa.

Marcelo — Como assim? Eu pensei que eu ia ficar aqui.

Otávio — Infelizmente ainda não é possível.

Marcelo — Mas essa casa era da minha mãe!

Otávio — Eu sei, Marcelo. Mas eu ainda tenho que ajustar algumas pendências legais. Eu lhe prometo que muito em breve você vai poder se mudar pra cá. (Pausa) Vamos?

Marcelo — (Se levanta) Fazer o que?

Leandro — (Se levanta) Já que tá todo mundo indo embora, acho melhor eu também ir.

CENA 18. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite/dia.

Stock-shot do Rio de Janeiro. Gávea, Laranjeiras e a orla da praia (pode ser Ipanema). Na sequência mostramos a noite cair e em seguida o sol nascer.

CENA 19. ap de luísa. sala de jantar. Interior. Dia.

Luísa, Clara, Heloísa e Bernardo tomando o café da manhã.

Heloísa — Eu tava aqui pensando ontem: Será que a tia Ana deixou alguma coisa de herança pra gente?

Clara — Credo, Helô!

Heloísa — Por que credo? Quando morreu, ela não sabia que o filho dela tava vivo. Ia deixar tudo pra quem? Quem sabe ela não se lembrou da gente depois da morte?

Luísa — Ela nunca esqueceu da gente até mesmo em vida.

Heloísa — Ah claro.

Bernardo se levanta.

Bernardo — Esse papo de herança tá muito inspirador, mas a praia me espera. Beijos pra quem fica.

Heloísa — (Se levanta) Espera! Você tá indo pra Ipanema? Vamos juntos.

Bernardo — Eu combinei com o Leandro de ir pro Leme, mas se você quiser pode vir.

Os dois vão saindo da cozinha.

CENA 20. ap de otávio. sala de jantar. Interior. Dia.

Otávio e Giovanna tomado o café da manhã.

Giovanna — (Curiosa) Agora que o Marcelo apareceu, como é que vai ficar a situação do Gregório com a herança e na empresa?

Otávio — Vai ficar russa. Tecnicamente ele não ia ter direito a nada, mas o cara foi safo: enrolou a dona Ana Carolina e fez com que ela não pedisse a morte do Alcides pra justiça, você sabe disso.

Giovanna — Sim.

Otávio — Então, como teoricamente o Alcides ainda estava vivo, os únicos herdeiros dele eram o filho e a mulher. O filho tava sumido e quando a Ana Carolina morresse, eu tenho certeza que o Gregório ia entrar na justiça pra pedir a morte do irmão. E como isso ia ser feito depois da morte da esposa, quem ia se tornar o único herdeiro de tudo. Agora o tiro saiu pela culatra e ele não é herdeiro de mais nada.

Giovanna — Pra você ver como são as coisas. Um dia só mudou a vida de muita gente. (Tom) A Ju já acordou?

Otávio — Já acordou e já saiu.

Giovanna — Sabe pra onde ela foi?

Otávio — Pelos trajes, devia tá indo pra praia.

Marcelo entra na sala de jantar.

Otávio — Bom dia Marcelo. Por favor, senta.

Marcelo — (Senta) Com licença.

Otávio — Dormiu bem?

Marcelo — Sim. Aos poucos eu to conseguindo assimilar tudo de novo que tá acontecendo na minha vida.

Otávio — (Sorri) Que ótimo. Agora você é um homem rico e precisa saber o que vai fazer com tudo o que vai ganhar. (Tom) Marcelo, você entende de finanças?

Marcelo — Nem um pouco, por quê?

Otávio — Porque você precisa cuidar de tudo o que vai ganhar. Ou então encontrar alguém que possa fazer isso por você.

Marcelo — Eu não tinha pensado nisso, mas quem pode fazer isso.

Otávio — Bom, se você permitir, eu tenho vasta experiência no assunto. Posso fazer isso pra você. Assim você pode voltar pra cidade que você veio sossegado.

Marcelo — Perfeito. Se a minha mãe confiava em você, eu também posso confiar.

Otávio — Então posso providenciar os papéis?

Marcelo — (Se levanta) Pode? Agora vocês me dão licença, eu tenho que sair. Vou conhecer a cidade.

Otávio — Bom passeio.

Marcelo sai. Giovanna ri.

Giovanna — Especialista só se for em enganar trouxas, né Otávio.

CENA 21. praia do leme. ambiente. Exterior. Dia.

Juliana e uma amiga, sentadas na areia conversando. Não muito distante, Leandro, Bernardo e alguns amigos jogam futevôlei.

Juliana — Te juro, fiquei chocada quando eu vi a mulher rolando a escada.

Corte para o jogo de futevôlei. Jogo parado, Leandro fala com Bernardo.

Leandro — (Aponta) Tá vendo aquelas duas sentadas na areia?

Bernardo — To. Gostosinhas as duas.

Leandro — Pois é, aquela de biquíni vermelho? Tava na festa da tia?

Bernardo — Quem é ela?

Leandro — Não faço ideia, mas eu vou saber disso agora.

Bernardo — (Não entende) Como assim?

Leandro — Só observa.

Leandro coloca a bola em posição de saque. Discretamente olha para a direção de Juliana e sua amiga. A amiga se despede de Juliana e vai embora. Leandro chuta a bola na direção de Juliana. Ela se assusta com a bola que cai em cima dela. Leandro corre até ela.

Leandro — (Se abaixa) Desculpa, eu sou um perna de pau mesmo. Eu machuquei você?

Juliana — (Sorri) Tá tudo bem, só toma mais cuidado da próxima vez.

Leandro — (Pra Juliana) Eu já não te conheço? Você não tava na festa lá na Gávea?

Juliana — A da escada? Tava sim. Foi tensa.

Leandro — Verdade. (Tom) Ta afim de tomar um suco ali nos quiosques?

Juliana pensa por um instante.

Juliana — E o jogo?

Leandro — Eles colocam outro no meu lugar... E aí? Topa?

Em Juliana.

CENA 22. ruas do rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia.

Música: I’m happy just to dance with you – The Beatles.

Cortes descontínuos em Clara e Marcelo passeando pelas ruas do Rio de Janeiro e por alguns de seus pontos turísticos. Eles passam pelo Corcovado, Pão de Açúcar, Copacabana, etc. Clara gesticula e fala bastante, Marcelo a escuta atentamente. Os dois parecem estar se divertindo.

Música:[Fade Out]

CENA 23. casa de gregório. sala. Interior. Dia.

Gregório e Tarsila entram da sala de jantar conversando.

Tarsila — Aproveita bem esse dia de ócio pra pensar bastante.

Gregório — Pensar no que, Tarsila?

Tarsila — Numa maneira de afastar o Marcelo da empresa antes mesmo dele entrar. Ou você quer que ele tome o seu lugar?

Gregório — Claro que não! Aquele chucro não teria capacidade pra fazer isso.

Tarsila — Acho melhor você não ficar tão confiante e tomar o mínimo cuidado com ele. Principalmente porque você não conhece ele, vai que por trás daquela aparência de otário tem um espertalhão?

Gregório — Você tem razão. Mas pra tirar ele, primeiro eu tenho que ganhar a confiança dele.

Tarsila — Então não perca tempo e faça isso logo.

CENA 24. praia do leme. quiosque. Exterior. Dia.

Leandro e Juliana tomando um suco em um quiosque na beira da praia. Conversa iniciada.

Juliana – Você conhecia quem naquela festa?

Leandro – Sabe aquelas irmãs que tavam voltando de viagem? O irmão delas é meu amigo. Fui convidado por ele... E você?

Juliana – Meu pai trabalha, quer dizer: trabalhava pra dona da festa.

Leandro – Seu pai trabalha na empresa?

Juliana – Não. Era advogado dela e tava ajudando ela a encontrar o tal filho sumido. Agora ele tá lá em casa.

Leandro – (Finge) Quer dizer que ela tinha um filho desaparecido. Eu não sabia disso.

Juliana — (Se levanta) Eu adorei a companhia e o suco, mas eu tenho que ir.

Leandro — (Segura a mão dela) Espera. A gente se encontra de novo?

Juliana — (Sorri) Quem sabe.

E Juliana se afasta da mesa. Tempo e Bernardo se aproxima de Leandro.

Bernardo — E aí?

Leandro — E aí que ela saiu mais escorregadia que margarina. (Pausa) Mas se Deus quiser, eu ainda vou ver essa delicinha de novo.

Bernardo — (Ri) Deus tem coisa mais importante que fazer do que se preocupar com as suas safadezas.

Leandro — Bora jogar mais uma partida?

Bernardo concorda. Os dois correm em direção a quadra de futevôlei.

CENA 25. prédio de luísa. frente. Exterior. Dia.

Marcelo e Clara param na frente do prédio.

Clara — Não precisava ter me trazido até aqui.

Marcelo — (Sorri) Precisava sim, você foi uma ótima companhia.

Clara — Obrigada. E agora como você vai voltar pra casa?

Marcelo — Caminhando. O Otávio não mora muito longe e eu já to começando a me localizar.

Clara — Então tá. A gente se vê.

Marcelo — Quando? Amanhã?

Clara — (Sorri) Pode ser. Tchau.

Clara vai entrar no prédio, mas Marcelo pega na sua mão.

Marcelo — Clara.

Clara — (Se vira pra ele) Oi.

Marcelo — Eu não posso ir embora sem fazer isso.

Marcelo dá um beijo em Clara. Ela fica surpresa, mas logo em seguida se rende e se deixa levar pelo beijo. Ao terminar o beijo, Clara fica sem fôlego.

Clara — (Sem ar) Você me pegou de surpresa.

Marcelo — Não sabia que tinha que pedir permissão pra beijar?

Clara — Acho que não tem.

Marcelo — Você não gostou?

Clara — (Sorri) Adorei. Amanhã a gente se vê.

Clara entra no prédio e Marcelo sai caminhando. Desviamos a câmera e vemos que do outro lado da rua, Heloísa estava observando toda a cena.

CENA 26. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite.

Stock-shot do Rio de Janeiro.

CENA 27. casa de giancarlo. sala de jantar. Interior. Noite.

Giancarlo, Bianca, Rogério, Milena e Yasmin em torno da mesa de jantar fazendo a refeição.

Giancarlo — Milena, eu queria que você passasse a frequentar mais a nossa empresa, afinal, aquilo tudo vai ser seu um dia.

Bianca — Ela realmente é muito relapsa e desinteressada em relação aos negócios da família.

Milena — Não começa, mãe.

Rogério — Ela tem razão, vamos tentar comer em paz.

Bianca — Do jeito que você fala, até parece que eu sou a causadora de todas as discórdias da família.

Rogério — Não, Bianca. Eu quis dizer que/ (Se corta) Ah deixa pra lá, é melhor eu ficar quieto.

Giancarlo — Isso mesmo, Rogério. Vamos ocupar nossas bocas com a comida e não arrumando confusão. Ouviu Bianca?

Bianca — Como o senhor quiser.

E todos seguem comendo em silêncio.

CENA 28. ap de luísa. sala. Interior. Noite.

Clara sentada no sofá como o pensamento longe. Heloísa a observa.

Heloísa — Tá pensando no que? Posso saber?

Clara — Em nada.

Heloísa — E você fez o que hoje?

Clara — Mostrei a cidade pro Marcelo.

Heloísa — O filho da tia?

Clara — Sim. Ele é uma pessoa encantadora. (Se levanta) Vocês vão adorar conhecer ele.

Clara vai para o seu quarto. Heloísa fica ali sozinha e dá um sorriso safo.

Heloísa — Ah Clarinha, eu tenho certeza que eu vou adorar conhecer ele, assim como você.

CENA 29. ap de otávio. sala. Interior. Noite.

Mal Marcelo entra da rua e Otávio vai até ele.

Otávio — Que bom que você chegou, Marcelo. Será que a gente pode conversar no escritório?

Marcelo concorda.

CENA 31. ap de otávio. escritório. Interior. Noite.

Otávio fecha a porta do escritório, vai até a sua mesa, pega alguns papéis e entrega para Marcelo.

Marcelo — O que é isso?

Otávio — Os papéis para que eu possa cuidar do seu dinheiro, conforme a gente tinha combinado hoje pela manhã. É só assinar e você pode voltar quando quiser para a sua cidadezinha.

Otávio entrega uma caneta para Marcelo.

Otávio — (Mostra) Assina aqui.

Marcelo olha para os papéis por um tempo e logo em seguida os coloca em cima da mesa.

Otávio — (Surpreso) Algum problema?

Marcelo — Eu mudei de ideia, Otávio. Não vou mais embora. (Decidido) Eu Vou ficar no Rio e assumir tudo o que é meu.

Otávio cai sentado, surpreso com o que acaba de ouvir.

Música: Another sad love song - Toni Braxton.

Fade Out.

 
     

 

     

autor
Felipe Porto

elenco
Marco Pigossi como Marcelo
Nathalia Dill como Heloísa e Clara
Isis Valverde como Milena
Nando Rodrigues como Leandro
Glória Pires como Bianca
Christiane Torloni como Ana Carolina
Herson Capri como Gregório
Leopoldo Pacheco como Otávio
Totia Meireles como Tarsila
Lucinha Lins como Luísa
Alejandro Claveaux como Rudá
Reginaldo Faria como Giancarlo
Gisele Fróes como Giovanna
Marat Descartes como Rogério
Júlia Dalavia como Yasmin
Brenda Sabryna como Juliana
Chay Suede como Bernardo
Marco Ricca como Wagner
Giovanna Rispoli como Karina
Vitor Hugo como Jardel
Henrique Filgueiras como Samuel
Roberto Birindelli como Seu Coisinha
Aline Dias como Daiane
Rafael Zulu como Jamal
Claudia Netto como Regina
Fafy Siqueira como Dolores
Dani Barros como Aparecida
Ilva Niño como Divinéia
Mariah da Penha como Cleusa
Thais Garayp como Amélia
Cris Nicolotti como Rosa
Angela Dip como Adelaide
Yaçanã Martins como Neide
Zé Victor Castiel como Nogueira
André Ramiro como Perceu
Eriberto Leão como Alcides

participação especial em flashback
Fernanda Machado como Ana Carolina
Aline Moraes como Bianca
Thiago Fragoso como Gregório
Daniel de Oliveira como Wagner
Giovanna Ewbank como Luísa
Armando Babaiof como Coimbra

trilha sonora
You give love a bad name – Bon Jovi (abertura)
I’m Happy Just to Dance With You – The Beatles
Another Sad Love Song - Toni Braxton

produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
Rafael Oliveira



Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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