Seas - 1x08


 


 

TEASER


 

  1. EXT. OCEANO - DIA:

    Vários navios SEAS cruzam-se, navegando lentamente. Uma música suave ao fundo.


     

    VOZ FEMININA (V.O.)

    Você vai se apaixonar com todas as nossas acomodações, luxo e, acima de tudo, prazer. (pausa) Embarque conosco!


     

  2. INT. PRÉDIO SEAS - SALA DE REUNIÕES - DIA:

    ZOOM-OUT de uma TV, que exibe a cena anterior, logo desfocada e dando espaço a grande logo de SEAS.


     

    Ali, estão Orlando, Búlgaro, Clark, Luciano, Ril (empresário do episódio 1/TEASER) e outros engravatados, de pé, às palmas. Sentam-se, enfim.

    BÚLGARO

    E então, o que acharam?

    RIL

    Eu estou, realmente, surpreso com os investimentos.

    ORLANDO

    E por que não fazer parte de nosso navio?


     

                RIL

    É... É um caso a se pensar.

    Todos riem.


     

    ORLANDO

    Ótimo. (pausa) Nós esperamos contar com você.


     

    CLARK

    E sobre nossos tripulantes? Já temos todos?

    BÚLGARO

    A seleção foi feita e temos, praticamente, noventa e oito por cento das vagas preenchidas.


     

    CLARK

    Não falo da tripulação em geral. Falo da tripulação que fará parte do esquema.

    BÚLGARO

    Nós procuramos, dentro dos selecionados, os que mais se submeteriam a tudo.

    CLARK

    E você tem certeza de que todos se enquadram a este perfil?

    BÚLGARO

    É o que eu espero, Clark. (a Orlando) As fotos.


     

    Orlando pega um tablet, sobre a mesa, clica em algo e devolve. CLOSE no tablet: as fotos de Lianna, Kênia, Lívia e Caio.


     

    ORLANDO

    Lianna Sanz, espanhola; Kênia Duarte, brasileira; Lívia Silveira, brasileira e Caio Cardoso, brasileiro.

    CLARK

    Bom, eu gostaria de dar uma olhada em seus perfis. Pode ser?

            ORLANDO

            Claro.

            BÚLGARO

    Eu só não vejo motivo para isso, Clark.


     

    CLARK

    É importante conhecer mais com quem estamos lidando.

    Búlgaro encara-o.


     

  3. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO DE CLARK - DIA:

    Clark joga um artefato de vidro contra a parede, quebrando-o em mínimos pedaços, e dá um berro forte.


     

    CLARK

    Que ódio!!! Que ódio desse velho maldito. (pausa) Você ainda vai pagar caro, Búlgaro... Por tudo o que você fez...


     

    Clark senta-se na cama, ofegante. Respira fundo e começa a chorar.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    Clark segura a carta dos episódios anteriores.

    CLARK (cont.)

    Eu vou me vingar, mãe. (pausa) Por você! Eu vou matar Búlgaro.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO TEASER ATO I

    FADE OUT.

 


 

 



1x08 - O MAR DE CADA UM


 

  1. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO DE CLARK - NOITE:

    Clark e Búlgaro, frente a frente.

            BÚLGARO

    Você não esperava por isso, né?

             CLARK

    Eu espero tudo de você, capitão.

            BÚLGARO

    Depois de tantos anos, você ainda me chama de capitão?

    CLARK

    (sorri)

    É muito bom saber que você se lembra do passado, Búlgaro. Então, parece que temos motivos suficientes para estarmos aqui, frente a frente, não acha?

    BÚLGARO

    Eu vim pegar o que é meu, Clark, e acabar de vez com essa sua festa de merda. (ri) A facção, um dia, num tempo bem distante, foi uma


     

    BÚLGARO (cont.)

    organização, Clark. Você perdeu de vista o ideal. Me atingir tornou-se seu maior objetivo, não foi?

    CLARK

    É claro. Você acha que eu seria burro o suficiente para esquecer de você? (ri) Convenhamos, Búlgaro... Pobre não tem tempo pra pensar em vingança; existem preocupações muito maiores. Mas, quando se tem poder, aí é muito bom olhar pra trás.


     

    BÚLGARO

    Então você confessa que se tornou líder da facção só pra me atacar?


     

    Clark senta-se numa poltrona. Búlgaro, rápido, retira uma arma da cintura e aponta pra ele. Clark ri e levanta-se, com as mãos pra cima.


     

    CLARK

    (irônico)

    Desculpa! Desculpa, capitão, eu não deveria ter me sentado. (ri) Como você é patético, Búlgaro. Você acha o quê? Que levantar uma arma contra alguém é solução pra tudo?

    BÚLGARO

    Foi isso que você fez essa noite: levantou a arma pra todos os meus. Matou muitos deles! Você também está investindo nesse jogo, Clark/

    CLARK

    (sério)

    Não tem jogo, Búlgaro. Isso aqui é um acerto de contas. Contas muito antigas, mas que deixaram marcas ferrenhas em muita gente.

    BÚLGARO

    Eu, realmente, devo ter jogado pedra na cruz pra vir até aqui e escutar um discurso tão chato como este. Você é chato, Clark. Para com isso! Sabe, quando eu fui seu padrasto, eu devia ter aconselhado sua mãe a ter posto você num orfanato! Quem sabe lá você teria


     

    BÚLGARO (cont.)

    motivos suficientes para choramingar pelos cantos? (pausa) Eu estou cansado e vim aqui para buscar o que é meu!

              CLARK

         (ri)

    Você só sairá daqui morto, Búlgaro. Não tem escolha. Eu não ligo pro que você veio fazer aqui, só quero que você entenda uma coisa: eu cresci e não sou mais aquela criança que assistia você surrando a minha mãe! (pausa) Hoje é um dia de muita festa, Búlgaro, porque é o dia da minha vingança.

            BÚLGARO

    Eu não tenho tempo pra ela/

             CLARK

                     (alto)

    Ah, você tem! Tem, sim! Eu não esperei à toa, Búlgaro. Eu não planejei cada palavra desse encontro à toa. Não, mesmo.

    Clark retira uma arma da cintura e aponta pra ele.

        CLARK (cont.)

        (ri)

    Agora são dois armados. Sem covardia. Quem atira primeiro?


     

  2. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO DE ORLANDO - NOITE:

    Orlando ajoelhado no chão, com as mãos na cabeça. Regina anda ao seu redor, apontando-lhe a arma.

    REGINA

    Finalmente a gente vai resolver os nossos impasses, Orlando.

    ORLANDO

    Quando você entrou aqui, Regina, deveria ter entendido que a facção não vive de passado, mas de planos futuros.


     

             REGINA

    E quem disse isso pra você? (pausa) É impressionante, Orlando. Você é um pau mandando de todos, mesmo. No navio, era do capitão; aqui, do Clark. Quem é você, Orlando? O que você quer? Dinheiro? Não pode ser... Não só isso...

             ORLANDO

    Regina, você está cometendo um grande erro/

             REGINA

         (alto)

    Quem dita as regras sou eu, aqui! Fica quieto! Eu estou falando e você cala a boca, ou você ainda não entendeu que eu não sou uma das suas putas da House Pink? Em?

            ORLANDO

    Eu me arrependo de algumas coisas/

             REGINA

          (ri)

    Ah, você se arrepende? Você se arrepende, Orlando? (pausa) Na minha terra, não existe isso, não. Eu cresci em ponta de favela, Orlando. E lá não existe essa. É bem simples; regra única: mexeu com quem tá quieto, morre. E sabe quem te mata? Quem você mexeu. Nunca teve regra na favela, Orlando, e eu aprendi a bater de volta. Eu acho que você vive numa realidade muito distante, né?

    ORLANDO

    A gente não tá numa favela, Regina/

    REGINA

    Mas a lei da favela vai imperar aqui, sabe por quê? Porque eu quero! Porque eu mando! Porque você tá na minha mão. Eu vou matar você e vou vigar cada soco que você deu em Kênia, Lianna, Lívia... Em todas aquelas meninas...


     

            ORLANDO

    Então acaba logo com isso/

             REGINA

    Não... Qual a graça? (pausa) Você vai sofrer antes, porque gente como você tem que pagar é aqui, na Terra, por todo mal que fez ao próximo!


     

    ORLANDO

    Você vai se arrepender. Eu sou uma peça muito importante nesse jogo, Regina/


     

             REGINA

    Chega de frase de efeito/

            ORLANDO

           (alto/por cima)

    Eu sinto muito se você tá achando isso um teatro, uma cena de novela... Mas, pensando bem, acontece, né? A sua atuação vai acabar quando Clark entrar por aquela porta e acabar com você, porque, da mesma forma que na favela, Regina, aqui na facção não fica traidor. Não, mesmo.


     

    Regina pega a arma e dá uma coronhada em Orlando, que cai no chão, com os olhos esbugalhados.

             REGINA

         (alto)

    Cala a boca, Orlando! Eu já disse e vou repetir: quem dita as regras, agora, sou eu. Seu porco, nojento!


     

  3. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO - NOITE:

    Flávio com o corpo de Dil, sangrando, nos braços. O corpo de Lianna está ao lado. De repente, Mauro ENTRA no quarto e dá com Flávio; assusta-se. Olha pro lado e vê o corpo de Lianna.


     

             MAURO

    Não pode ser...

             FLÁVIO

    Ela matou o meu irmão.


     

    Mauro vai pra cima de Lianna, extasiado. Mede seus batimentos pelo pescoço. Encara Flávio, surpreso.

             MAURO

    A Lianna... (lágrimas) Tá morta?!

            FLÁVIO

    Eu matei ela.

             MAURO

    Você fez o quê?

            FLÁVIO

                    (berra)

    Ela matou o meu irmão!

    Mauro encara Dil.


     

    MAURO

    (mão à cabeça)

    Meu Deus... E onde está o capitão?

    Flávio encara-o. Mauro sai da sala, repentino. CÂMERA aproxima-se lentamente do rosto de Flávio.

    CORTA PARA FLASHBACK:


     

  4. EXT. MANSÃO - JARDIM - DIA (ANOS ANTES):

    Uma CRIANÇA (6 anos, branca, cabelos encaracolados) tem as mãos seguradas por um MENINO (15 anos, negro, cabelos crespos), que o ajuda a andar pelo extenso gramado.

    MENINO

    Vamos, Flávio, você consegue!!!

    MULHER (O.S.)

    Dilson!

    O menino vira-se, rápido, e vê uma MULHER (40 e poucos anos, loira, magra, roupas finas), que olha sério para ele.

    CRIANÇA

    (chama o menino para brincar) Dil!!!

    A mulher aproxima-se.

    MULHER

    O seu pai está chamando na cozinha.


     

    DIL

    Mas eu estou brincando com o Flavinho, dona Simone.

    Simone retira as mãos de Dil das de Flávio.

    SIMONE

    Sinto muito. O Flavinho não pode ficar em baixo desse sol quente e, já falei, seu pai está chamando.

    DIL

    Deixa o Flavinho aqui, dona Simone, eu quero brincar com ele.

    SIMONE

    (grita)

    Não, garoto! Você tá surdo? Vai logo pra cozinha! Anda! Filho de empregado não tem que ficar zanzando na casa do patrão, pelo amor de Deus!

    Dil assusta-se e sai correndo.

    FLÁVIO

    (triste)

    Mamãe, me deixa brincar com o Dil...

    Simone abaixa e encara o menino nos olhos.

    SIMONE

    Dil foi pra cozinha, porque lá é o lugar dele. Agora, escuta bem o que eu vou falar, Flávio: Dil não é criança pra brincar com você. Ele tá aqui de favor, morando com os empregados; você, não. Você é rico, mora nessa casa e tem seus próprios brinquedos, não precisa de Dil e de ninguém!


     

             FLÁVIO

    Mas a gente faz aniversário juntos, mamãe. O papai disse que nós somos como... Irmãos.

             SIMONE

    Deus me livre. Você não é irmão dele, Flávio! Olha pro seu braço, pra sua pele. Você é branco. Ele é negro! E, agora, chega! Entende, de

             (MAIS)

    SIMONE (cont.)

    uma vez por todas, que ele só está aqui enquanto a gente não se muda pra Paris. (pausa) Em breve, tudo isso vai mudar.

    Ela pega na mão de Flávio e vai levando pra dentro da casa.

    SIMONE (cont.)

    Porque o mundo, Flávio, é dividido justamente entre vencedores e perdedores!


     

    CORTA PARA FLASHBACK 2:


     

  5. INT. AVIÃO - DIA (ANOS ANTES):

    Um HOMEM (40 e poucos anos, branco, magro) olha para Simone e Flávio, ao seu lado. Ela sorri para ele.

    CORTA PARA FORA DO AVIÃO.

    De repente, o veículo começa a perder altitude. Rapidamente, a aeronave vai em direção a uma densa floresta. Próximo ao choque...

    VOLTA À CENA.

    Flávio encara o corpo de Dil. Nisso, ouve vozes aproximando-se. Rapidamente, Flávio fecha os olhos e finge-se de morto. DOIS HOMENS apontam na porta, olham e SAEM. Flávio abre os olhos.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    Ele agarra nos braços de Dil e vai puxando seu corpo.


     

  6. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO DE ORLANDO - NOITE:

    Orlando sangrando no chão. Regina tem um taco de beisebol nas mãos.


     

    REGINA

    Você achou, mesmo, que tudo o que você fez ia passar impune? Se eu não ajudei aquelas meninas a te por dentro de uma cela, então eu te faço sofrer aqui fora, mesmo. Você se lembra de tudo o que fez? (berra) Em? Você se lembra?

    Ela agacha, pega no cabelo dele.


     

    REGINA (cont.)

    Eu to perguntando se você se lembra! Me responde!

    ORLANDO

    (grita) Lembro!


     

    REGINA

    Ótimo. Eu quero que você se lembre mesmo, Orlando. Lembra de quando você atacou Kênia, porque a coitada não queria fazer programa com um pedófilo? Foi a primeira vez que eu vi o quão desumano você era.

    ORLANDO

    Aquilo era/(tosse) Aquilo era o meu trabalho.


     

    Regina prepara o taco e bate com tudo no estômago de Orlando, que urra de dor.

    REGINA

    Não, Orlando! Aquilo não era trabalho! Você, mais uma vez, falando asneiras!

    ORLANDO

    Você tá levando isso pra um lado muito extremo, Regina. (tosse sangue) Talvez esteja aprendendo comigo/


     


     

                            REGINA

                               O quê?


     

    Ela agacha e olha nos olhos dele.

    REGINA (cont.)

    Eu, igual a você? (ela dá um tapinha no rosto dele) Em? (dá outro, mais forte) Eu não joguei ninguém num navio e obriguei a transarem dia e noite com um bando de ricaços nojentos, Orlando. (lágrimas) Seres humanos!!! Aquelas meninas são seres humanos!!!

    Regina levanta-se.

    REGINA (cont.) Como você pode?

    ORLANDO

    Eu cansei do show. Me mata logo. Chega!


     

             REGINA

          Levanta.

    Orlando encara-a.

          REGINA (cont.)

        (berra)

    Eu falei levanta! Tá surdo? Vai! Levanta!


     

    Com muita dificuldade, Orlando levanta. Ajoelha frente a Regina. Ela encara bem o rosto de Orlando e põe o taco sobre a cama. Retira a arma da cintura e aponta para o rosto de Orlando. Respira fundo.

    ORLANDO

    Acaba logo com isso. Me mata, Regina. Vai! Aperta esse gatilho. Vai!


     

             REGINA

    Cala a boca. Cala a sua boca!

    CLOSE em Regina, sob forte pressão.

             ORLANDO

    Dá um basta nessa história e me mata. Vai, logo! Anda! Vinga todas as meninas!

    FLASHBACK - Regina e Clark.

               CLARK

    (...) Ou você se importa, realmente, em apertar o gatilho no lugar de um de nossos homens? Em?

              REGINA

           Eu me importo.

    CLOSE em Clark, surpreso.

               CLARK

    Você vai se tornar uma assassina. Sabe disso, não sabe?

    VOLTA À CENA.


     

    Regina, pronta pra atirar.

    CLARK (V.O.)

    Você vai se tornar uma assassina. Sabe disso, não sabe?


     

    No auge, ela dá uma coronhada forte na cabeça de Orlando, que o faz cair no chão, desacordado. Regina senta-se na cama e começa a chorar.


     

    REGINA

    Eu não sou como eles... Eu não sou...


     

  7. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO DE CLARK - NOITE:

    Clark e Búlgaro apontando a arma um para o outro. De repente, Clark dá um soco na mão de Búlgaro, fazendo a arma cair, e parte pra cima do capitão, abraçando-o e jogando-o no chão, ainda com a arma em mãos. Búlgaro consegue chutar a arma de Clark, que, por sua vez senta sobre o abdômen do capitão, dando um soco em seu rosto.

    CLARK

    Pela minha mãe...

    FLASHBACK - Lembranças de Clark.

    Uma MULHER (magra, cabelos pretos, num rabo de cavalo, 30 e poucos anos) sorri para um MENINO (olhos claros, cabelos pretos, gordinho). Logo, surge Búlgaro, mais novo, ao lado dela, fazendo os sorrisos da mulher e do menino desaparecerem.

    VOLTA À CENA.

    Mais um soco.


     

    CLARK (cont.) Pela minha vida...

    Outro soco.


     

         CLARK (cont.)

    Pelo monstro que você me tornou.

    E ele cai para o lado. Búlgaro sangrando, então, geme no chão.


     

             BÚLGARO

    E pelo navio? E pelas meninas?

    Clark olha-o de relance. Búlgaro começa a rir.

          BÚLGARO (cont.)

    Você nunca ligou, né?

    Clark, rápido, levanta e pega sua arma do chão. Aponta para Búlgaro.


     

     BÚLGARO (cont.)

    Você não me matou até agora; não vai conseguir concluir o serviço.

    FLASHBACK - Lembranças de Clark.

    Búlgaro agarra no pescoço da mulher do flashback anterior e bate em seu rosto. Ela grita. De relance, o menino observa.

    VOLTA À CENA.


     

     CLARK

    Você me fez o monstro que eu me tornei. Você criou todo mal que hoje existe em mim.

     BÚLGARO

    Não ponha a culpa dos seus males em mim, Clark.

    FLASHBACK - Lembranças de Clark.

    Búlgaro atira contra a mulher, na frente do menino. Ela cai no chão; olhos esbugalhados.

     BÚLGARO

    (berra) Vadia!!!!

    VOLTA À CENA.


     

             CLARK

                      (ódio)

    Você matou a minha mãe! Desgraçado!

    BÚLGARO

    E você se tornou pior que eu, Clark. Comprou todas essas meninas só para me destruir. Não deu em nada, né?


     

    CLARK

    Chega, Búlgaro. Tá na hora de você pagar por tudo o que fez comigo.


     

    Nisso, Clark aponta a arma pro rosto de Búlgaro, ainda no chão. Troca de olhares.


     

    Nisso, a porta é aberta e Luciano ENTRA, rápido, com uma arma em mãos.


     

    LUCIANO

    (grita)

    Você me traiu Clark! Como você foi capaz?

    Luciano aponta a arma pra Clark, que encara-o, confuso.

    CLARK

    Sai daqui, Luciano! Sai!

    LUCIANO

    Você deu Orlando para a Regina matar. Ele era meu! Eu deveria matar aquele desgraçado.

    CLARK

    Regina matou Orlando?

    LUCIANO

    Eu não sei, Clark. Eles estavam no quarto. Tem sangue, lá. Ao que tudo indica, alguém morreu, e eu sinto que foi Orlando. (pausa; treme a arma) Por que, Clark? Por que você me traiu? Em? O Orlando era meu!

    Você só chamou ele pra facção por causa de mim; por causa da minha vingança!


     

    CLARK

    Você não sabe o que tá falando. Sai daqui. Sai, Luciano! Agora!

    LUCIANO

    Não saio! Não saio porque, agora, minha vingança vai ser contra você. (treme a arma; louco) Você acha, mesmo, que me engana? (risos) Eu tenho mais história aqui do que rodando bolsinha pros cariocas.

    Amam portugueses; têm lábia. Você pode ter me tirado de lá, Clark, e me posto no Empire para,

    (MAIS)


     

    LUCIANO (cont.)

    simplesmente, lucrar, mas o seu objetivo nunca foi esse, né?

    Vingança! Vingança contra o capitão. (encara Búlgaro) Quem diria, em, Búlgaro? Você, padrasto do Clark?


     

              CLARK

                 (surpreso)

    Você roubou a minha carta, então.

            LUCIANO

    Eu fiquei cho-ca-do! Mas isso passou assim que eu vi meu porco roliço longe da tábua! (berra) Cadê o Orlando, Clark?

    CLARK

    Eu não sei!

    LUCIANO

    Eu estava esperando por isso, mesmo. Você agiu muito errado, entregando aquele trapaceiro pra aquela favelada. Você nunca percebeu, não, Clark, que ela não tem força pra nada? Vai ver, já tá morta; do jeito que é fraca!


     

    Clark vira pra Luciano, dá um berro, e atira contra a perna dele. Luciano cai no chão.

    CLARK

    (berra) CHEGA!!!!


     

    LUCIANO

    Você não devia ter feito isso, Clark. Não devia/


     

    CORTA PARA Búlgaro, que estica suas mãos e pega uma arma, ao seu lado.


     

    BÚLGARO

    Adeus, Clark!

    Quando Clark olha para Búlgaro, BAQUE: o segundo aperta o gatilho, dando dois tiros no peito do rival, que cai no chão, de olhos esbugalhados.


     

    CLARK

    (dificuldade) Não...


     

    BÚLGARO

    Tarde demais. Agora, sim, acabou! Acabou, Clark. Sua vingança, eu sinto muito, mas não teve fim.


     

    Clark perde sangue e derrama algumas lágrimas. Búlgaro levanta-se, com dificuldade, e SAI do POV.

    Luciano geme no chão.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO ATO I ATO II

    FADE OUT.


     

  8. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - FUNDOS - MADRUGADA:

    Chove forte. Flávio cava o chão e joga a terra para o lado. CORTE DESCONTÍNUO.

    Ele joga o corpo de Dil ali e começa a jogar terra sobre ele. Lágrimas caem de seus olhos.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    Flávio termina de tapar o buraco e chora muito, sentado aos pés da cova. De repente, levanta e SAI do plano.


     

  9. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - SALÃO PRINCIPAL - MADRUGADA:

    Madames, crianças e homens batem à tela de proteção da porta principal.


     

    Os homens de Búlgaro chegam ali e já vão para cima das pessoas.


     

    De repente, a tela começa a subir. As pessoas abrem a porta e SAEM correndo pro

    JARDIM,

    gritando, no meio da chuva. Entre eles, vai Orlando.

  10. EXT. FLORESTA - MADRUGADA:

    Orlando corre pela floresta densa e molhada.

    Ele para atrás de uma árvore, enfim, e encara uma de suas mãos: seu dedo anelar está cortado ao meio.


     

    REGINA (V.O.)

    Isso é pra você olhar e sempre se lembrar de mim, Orlando.

    O dedo sangra. Ele volta a correr.


     

  11. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO DE CLARK - MADRUGADA:

    Clark levanta uma das mãos. A mão de Regina surge, pegando à dele.


     

    ABRE revela Clark, muito mal, encarando Regina, penalizada. Luciano não mais ali.

             REGINA

             Clark...

             CLARK

    (dificuldade)

    Eu não consegui, Regina. Eu não consegui me vingar...

    REGINA

    Você fez o que podia.

    CLARK

    Não. Ele machucou a minha mãe durante a vida toda dela. Ele matou a minha mãe, Regina!

    CLOSE em Regina.


     

    CLARK (cont.)

    Búlgaro foi meu padrasto. E se eu sou um mostro hoje, eu devo isso a ele.


     

    REGINA

    Você não é um monstro.

    CLARK

    Eu cometi muitas chacinas, Regina. Eu não mereço o que tenho hoje. (pausa) Mas Búlgaro (tosse)/ Búlgaro tem que pagar por tudo.


     

    REGINA

    Eu não tive coragem, Clark. Eu não tive coragem de me tornar uma assassina. Eu não matei Orlando/

    CLARK

    Você não deve matar mais ninguém, Regina. O que eu quero/

    REGINA

    Ao mesmo tempo, eu penso sobre tudo... Sobre deixar Orlando escapar...


     

    CLARK

    Faça valer sua justiça e ponha os dois na cadeia. Faça o que eu não quis fazer por covardia, por egoísmo.


     

             REGINA

    Você só se aproveitou de nós?

    Clark engole à seco.


     

    REGINA (cont.)

    Não importa! Você é bom e eu sei disso. Fez coisas erradas, mas pode voltar atrás. Quanto a

    mim, acredito que, se eu estou aqui, é porque há algum objetivo. Eu vou vigar tudo e todos.

    CLARK

    Regina, (segura nas mãos dela) acabe com ele. Acabe com Búlgaro.

    Clark tosse muito. CLOSE em Regina.


     

  12. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - CORREDOR - MADRUGADA:

    Regina andando, temerosa, pelo corredor. De repente, ela vê Tonica.


     


     

                            REGINA

                               Mãe!!!


     

                            TONICA

    Filha, o que, que tá acontecendo? Pelo amor de Deus. Tiroteio, gritaria... Eu pensei até que/


     

    REGINA

    Calma, mãe. Vai ficar tudo bem. É o capitão do navio. Ele tá aqui, com um monte de gente, querendo pegar as meninas. As tripulantes que eu falei.


     

             TONICA

    Então... Então a gente tem que se esconder, Regina.

    Nisso, Luciano aproxima-se, ofegante, com um curativo branco

    - manchado de sangue - na perna.

            LUCIANO

    Ainda bem que eu achei vocês/

             REGINA

    Luciano? Você tá bem? O que foi isso?


     

    LUCIANO

    Nada demais. Foi de raspão. (pausa) Regina, por favor, você precisa me ajudar. A Lianna, ela... (lágrimas) A Lianna tá morta, Regina.

    REGINA

    O quê? Morta? (lágrimas) Não. Não é possível. A vida dessas meninas, mãe...


     

             TONICA

    Calma, Regina.

    LUCIANO

    Gente, vocês não podem ficar aqui. Eu acho melhor virem comigo. Tem um lugar seguro aqui. Vem, vamos!


     

    Regina, muito abalada, dá a mão pra mãe e elas seguem Luciano, que tem um olhar misterioso.


     

  13. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - SALA DE REUNIÕES - MADRUGADA:

    Luciano abre a porta e ENTRA.

    Búlgaro está ao lado de Lívia e Kênia. Dois homens apontam armas para elas.

    Regina e Tonica também ENTRAM. Baque.


     


     

                             REGINA

                             Lívia?


     

                             LÍVIA

    (chorosa) Regina...


     

              TONICA

             Meu Deus.

              REGINA

    Mas o que significa isso, Luciano?

    BÚLGARO

    O Luciano enxergou o lado em que deve estar. Eu sinto muito por tudo isso, Regina.


     

    Nisso, a porta é aberta e um HOMEM ENTRA carregando Mauro, de mãos presas às cordas.

    MAURO

    Me larga! Me solta! Vamos conversar de homem pra homem!


     

    Regina assusta-se e o homem põe Mauro numa cadeira, ao lado de Lívia e Kênia. Amarra-o.

             REGINA

    (assustada; p/ Luciano) Eu confiei em você!

    BÚLGARO

    O seu erro é confiar nas pessoas, Regina. Você confiou no Clark, e deu no que deu; confiou no Luciano, e está aqui, agora. Eu nem precisaria dizer, mas... Você confiou nas meninas e...

             REGINA

    E o quê? (aproxima-se) E to aqui, agora, frente a frente com você, pra te desejar um inferno bem aconchegante, seu monstro!

            BÚLGARO

         (ri)

    Eu amo essas situações... Você só tem as palavras para me agredir. Mas, quer saber, Regina? Dessas eu to farto! A minha mãe, mesmo, desistiu das conversas. Ela ia

           (MAIS)


     

    BÚLGARO (cont.)

    direto ao ponto: um bom sinto e uma boa punição!

             REGINA

                          (ri)

    Ta aí, eu concordo com você! Eu imagino o quanto a sua mãe deva ter te odiado quando criança, né, não? Em? Eu fico imaginando: como um infeliz, como você, pode ter chego até aqui? Só pode ter tido uma mãe desnaturada, um pai infeliz, uma família medíocre, mesmo. Ah, não!

    Você veio de família nobre... (ri) As palavras doem, não doem, Búlgaro? De onde veio sua inspiração pra fazer um esquema tão nojento como o de exploração das meninas, em? Da sua mãe? Rodava bolsinha na rua? (ri) Foi de lá que ela teve você? Transando com um macho qualquer? (ri) Era uma puta, mesmo! Uma piranha!!!

    Búlgaro enfurece-se e dá um tapa no rosto de Regina.

            BÚLGARO

         Cala a boca!

             REGINA

            (mãos à bochecha)

    Eu vejo que algumas palavras te atacam, sim, Búlgaro. Mas fica despreocupado... Essa não vai ser minha arma, não; até, porque, eu não tenho armas aqui, diferente dos seus capangas... Vai, anda logo com isso. Lívia, Kênia, eu, Mauro, minha mãe, Luciano... Quem falta?

            BÚLGARO

    Por mim, ninguém. Já podemos começar nossa conversa.

             REGINA

    Conversa? Ah, não! Conversa, não!

    Regina bate na porta, loucamente.


     

    REGINA (cont.)

    Eu não quero conversa, Búlgaro! Eu não vim até aqui para conversar com você! Eu quero prática! Vamos!

    Direto ao assunto. Direto!

            BÚLGARO

    A escolha é sua, Regina.

             REGINA

    Isso. Ótimo! A escolha é minha.

    Búlgaro, repentino, retira a arma da cintura e agarra Tonica pelo pescoço, ameaçando-a.

    BÚLGARO

    Vamos conversar ou eu mato a sua mãe primeiro?

    CLOSE em Regina, encarando-o, imóvel.


     

  14. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - QUARTO - MADRUGADA:

    Caio abre os olhos. Olha pros lados. POV DE CAIO - Visão muito embaçada. VOLTA À CENA.

    Ele esfrega os olhos; eleva as mãos à cabeça e geme de dor.

    CAIO

            Meu Deus...

    De repente, ele vira-se, mas acaba caindo no chão. Ele geme mais ainda. Vai se arrastando pelo chão, até chegar à porta. Por fim, apoia-se na maçaneta e levanta-se do chão.

    Lentamente, ele SAI no

    CORREDOR.

    Caio olha para os lados. Vê dois corpos no chão e o lugar escuro. Ele fecha os olhos.


     

    ÁUDIO DISTORCIDO - Caio lembra-se, vagamente, com vozes opacas e sons distorcidos, de tiros dentro do quarto.

    VOLTA O ÁUDIO NORMAL.

    Ele olha para os lados e anda, com dificuldade, pelo canto do corredor.


     

  15. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - SALA DE REUNIÕES - MADRUGADA:

    Todos sentados ao redor da mesa. Regina de frente para Búlgaro.


     

             BÚLGARO

    Sábia decisão, Regina.

             REGINA

    Você prometeu ir direto ao ponto.

            BÚLGARO

    Certo. (pausa) Eu tenho uma proposta para você.

             REGINA

    Do que se trata?

            BÚLGARO

    Regina, você é muito inteligente. Você chegou até aqui! Fugiu do meu navio, ajudou outras pessoas a fugir. Tem meus parabéns.

             REGINA

    Menos falsidade, Búlgaro. Cheguei até aqui, pisei em você e tenho méritos por isso, mas você não é candidato a presidente, pra me encher de elogios.

            BÚLGARO

    E você é rígida. Por um lado, isso é ruim, mas por outro... Ótimo! (pausa) Eu vou falar logo: o negócio é o seguinte, Regina. Eu teria tudo pra acabar com você.

    Você me causou prejuízo. Pra todos eu to morto. Tudo bem que eu já devia ter me matado a muito tempo, mas, agora... Agora eu tenho outros planos pra vida que está chegando. E esses planos possuem você.

             REGINA

    Eu não to entendendo.

            BÚLGARO

    É simples, Regina: eu tenho planos bons pra você. Se você aceitar, vamos investir neles; se não/


     

    REGINA

    Grande novidade: você me mata. Quantas vezes você já disse isso, em?


     

    BÚLGARO

    Você está enganada. Eu tenho trabalho pra você, Regina. Eu quero te contratar. Se você vier por bem, o trabalho será bom; se vier por mau, sinto muito te informar...

    Mas... Você terá mais tempo na House Pink do que simples visitas.

    REGINA

    Do que você tá falando? House Pink?

    BÚLGARO

    Não precisa ser assim. Você pode se aliar a mim, trabalhar no escritório da SEAS, na Itália.

    Agora... Se eu não estiver sendo bom o suficiente, você também pode negar a parceria. Só que então, Regina, é mais fácil você aceitar a ideia de ser a nova prostituta da companhia, porque eu tenho uma roupa que... (olha a roupa dela) Vejamos... Ficaria perfeita em você! Então... Está em suas mãos. O que me diz?

    Regina olha para Mauro.

    BÚLGARO (cont.)

    Eu adianto que o mesmo não vale para o seu marido.

    LÍVIA

    (alto)

    Não, Regina! Você não pode aceitar isso!


     

    BÚLGARO

    (para Lívia)

    Quantas vezes eu já disse sobre a entrevista? Eu estou entrevistando Regina. Podem ficar quietas!


     

    Lívia chora e balança a cabeça negativamente. Búlgaro levanta e, abruptamente, vira a cadeira de Lívia, deixando-a de costas para Regina.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Melhor assim; sem interferências externas no seu pensar. (pausa) Vamos, querida. Eu preciso de uma resposta agora.

    REGINA

    E se eu não topar? Você me mata? Mata o Mauro?

    BÚLGARO

    Minha querida... Você ainda não entendeu, né? Não existe essa possibilidade. Há dois empregos. Eu quero, apenas, que você encontre e me diga qual você quer. Apenas, isso. Mas... Se você, realmente, não quiser nenhum dos dois, eu sou obrigado a matar você, porque aí, Regina, eu sinto muito... Mas você será uma simples e paupérrima inútil.

    CLOSE em Regina.


     

             REGINA

           Eu nego.

            BÚLGARO

             (assustado)

             Como?

             TONICA

             Regina/

             MAURO

    Pelo amor de Deus, Regina!

            BÚLGARO

    Você está se matando, é isso?

             REGINA

    Eu? Eu estou negando fazer parte de um esquema sujo, nojento e violento como o seu. Sabe quando que eu vou trabalhar com você, Búlgaro? Nunca! (berra) Nunca! Seu velho nojento!


     

    E ela cospe no rosto de Búlgaro. Os homens se aproximam e puxam-na.

    Búlgaro retira um pano do paletó e limpa o rosto.


     

    BÚLGARO

    A escolha foi sua. Eu te vejo no inferno, minha querida.

             TONICA

      Não! Regina...

    MAURO

    (chorando) Não!!!

    Lívia chora muito, assim como Kênia.

             TONICA

                      (berra)

    Não!!!!!!! Minha filha, não!!!

    Quando Búlgaro pega a arma, então, e mira, Tonica sai correndo e joga-se em frente a Regina, recebendo um tiro certeiro no peito.


     

    REGINA

    (berra) Mãe!!!!


     

    Tonica cai no chão. Regina abaixa, rápida, e bate no rosto da mãe.


     

    REGINA (cont.) (chorando)

    Fala comigo, mãe. Pelo amor de Deus... Por favor, mãe, fala comigo! (alto) Não!!!!!!!

    Regina chora muito.


     

    REGINA (cont.) (p/ Búlgaro)

    Você... Você matou a minha... A minha mãe! Demônio!


     

    Regina levanta pra ir pra cima de Búlgaro, berrando muito, mas os homens seguram-na. Mauro, assustado, chora.

    REGINA (cont.)

    Você vai pagar. Não é possível... Ela era inocente!


     

    Regina soluça muito, até perder o ar e desmaiar no colo dos homens, que a seguram e colocam-na no chão.


     

                             MAURO

                               Regina!


     

    Mauro balança a cadeira, tentando se soltar.

            BÚLGARO

    Merda! (berra) Merda!!!!!! Levantem ela! (p/ Luciano) Vai ver Flávio!

    Chama aquele infeliz. Vamos embora desse lugar. Rápido!

    Luciano SAI. Búlgaro eleva as mãos à cabeça.

    Mauro chora, assim como Lívia e Kênia. Regina está caída ao lado do corpo de Tonica, que sangra no peito.

    De repente, Luciano retorna.

             LUCIANO

    Nada, senhor. Ao que tudo indica, Flávio fugiu.

             BÚLGARO

    E quanto a Caio?

             LUCIANO

    Não está lá.

             BÚLGARO

                      (berra)

    Esses inúteis devem ter pego um cruzeiro direto pro inferno! Mas será possível? Nada dá certo! Bando de brasileiros nojentos! Bando de inúteis!!! O que eu vim fazer aqui, nessa terra de índios falidos?

    Bando de tupis!

    Búlgaro joga tudo o que estava sobre a mesa no chão, raivoso.


     

    BÚLGARO (cont.)

    (p/ Mauro)

    Tá olhando o quê? Favelado! Se prepara. Tua mulherzinha não preferiu morrer? Então, agora, vocês vão virar putinhos de navios de cruzeiro. Michê, já ouviu falar? Vai se preparando. A hora de vocês vai chegar! Ah, vai!

    E Búlgaro eleva as mãos à cabeça, fulo. CLOSE em Regina, caída.


     

    BÚLGARO (cont.) (O.S.)

    Peguem todos. Nós vamos embora daqui.


     


     

    FADE IN:

                    LUCIANO (O.S.)

                      E vamos para onde?


     

    FIM DO ATO II 
    ATO III


     

    FADE OUT.


     

  16. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA:

    POV DE ALGUÉM - Olhos abrem-se lentamente e vai formando a imagem de Mauro.

    VOLTA À CENA.

    Regina abraça Mauro repentinamente.

    MAURO

    Ei... Você está dormindo há muito tempo...


     

             REGINA

    Mauro... (olha pros lados) O que eu to fazendo nesse lugar? Me diz...

    Me diz que...

              MAURO

    Isso não é um pesadelo.

    Regina começa a chorar.

             REGINA

    A minha mãe/

              MAURO

    Você precisa ficar calma.

             REGINA

    A gente... (levantando-se) A gente precisa ir embora; a gente tem que sair daqui, Mauro.


     

    MAURO

    (olha para a vista da sacada) Impossível.

    REGINA

    (assustada) Como assim?


     

    Regina olha pra fora e vai até lá, rápida. Abre a porta e entra na

    SACADA.

    ZOOM-OUT de Regina revela o navio, em alto mar, e ela, pequenininha na imensidão do barco. Ela dá um berro.

    SÉRIE DE PLANOS:

          
            A)Regina bate nas portas da tripulação, desesperada, procurando por alguém. Não acha.

            B)Regina chega à CABINE DE COMANDO e vê Búlgaro, sorrindo para ela. Dá passos para trás, até esbarrar com Luciano. Leva um susto.

            C) Regina correndo, desesperada, até se deparar com Lívia, com uma bandeja em mãos. Ela sorri para Regina.

    FIM DA SONOPLASTIA.


     

             LÍVIA

    Como vai a sua viagem, senhora?

    FIM DA SÉRIE DE PLANOS.


     

  17. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - DIA:

    Regina levanta da cama, sobressaltada, e olha pros lados. Eis que Búlgaro está em sua frente.

           BÚLGARO

          Pesadelo?

    Regina encara-o.

            REGINA

    Não é possível. Onde eu to?

    Ela levanta. Sente-se tonta, porém, e volta à cama.

    BÚLGARO

    Você está medicada, Regina. Nós vamos partir em poucos minutos. Eu, você, Lívia, Mauro e Kênia. Os melhores! É bom que você tenha acordado. Estamos indo para a Itália. O Empire terá uma nova temporada e você será uma figura marcante nele, eu tenho certeza absoluta.


     

    REGINA

    Você está louco. Completamente louco!


     

             BÚLGARO

    Seja bem-vinda ao Empire, tripulante!

    CLOSE em Regina.


     

  18. INT. EMPIRE - CABINE DE COMANDO - DIA:

    Búlgaro ENTRA na cabine e aperta alguns botões.


     

  19. EXT. EMPIRE - DIA:

    Debaixo d’água, as hélices do Empire começam a girar.


     

  20. INT. EMPIRE - CABINE DE COMANDO - DIA:

    Eis que, porém, um cano de arma aproxima-se de seu pescoço. Ele vira-se e dá de cara com Flávio.

               FLÁVIO

    Você não achou que eu fosse esquecer de você, achou, capitão?

             BÚLGARO

    Flávio! (sorri) Eu sabia que você retornaria. Vamos, abaixe essa arma.


     

    FLÁVIO

    (berra)

    Você matou o meu irmão! Seu monstro!!! É o embate final, capitão. Chega! Chega de você, desse navio, dessa vida de merda que eu tenho!


     

    BÚLGARO

    Flávio, você está entendendo tudo errado. Eu não matei o Dil. Foi a Lianna. Você estava lá! Você viu!

    FLÁVIO

    Tudo culpa sua. Tudo! (pausa) Esse navio, a minha vida, a vida de todas essas pessoas. Eu demorei pra entender, mas agora eu sei direitinho o seu jogo, Búlgaro, e o meu irmão não pode morrer sem uma justa causa. Você não deu a ele, então eu te trago a minha justiça.


     

    Flávio pressiona a arma contra o peito de Búlgaro e o faz sentar numa cadeira. Flávio retira uma corda, presa ao cinto, e prende Búlgaro.

    FLÁVIO (cont.)

    Isso tudo vai explodir, Búlgaro, e, então, tudo estará em seu devido lugar.


     

    BÚLGARO

    Espera, Flávio. Você não pode fazer isso. Seu infeliz! Eu te ajudei! Eu te pus no lugar do Orlando, fiz de você meu parceiro!

    FLÁVIO

    Mas você mexeu com quem não devia. Você é o verdadeiro culpado pela morte do meu irmão. (pausa) Eu te vejo no inferno, Búlgaro.

    SONOPLASTIA: "Make It Rain", por Ed Sheeran.

    BÚLGARO

    Espera. Você está fazendo isso por elas? O contrato está fechado, Flávio. Elas estão vendidas e são da SEAS de qualquer maneira, estando eu vivo ou não.

    FLÁVIO

    Por hoje já deu! Você morre e elas pensam numa saída em outra oportunidade. Adeus, Búlgaro. Curta as profundezas do inferno!

    Flávio dá as costas e SAI, lentamente.


     

    BÚLGARO

    (berra)

    Volta aqui! Volta aqui!!! Não!!!!!!!!


     

  21. EXT. PORTO DE SANTOS - DIA:

    Mauro, Lívia, Kênia, Regina e Flávio saem correndo pela plataforma de acesso ao navio. Lívia, enfim, olha pra trás e vê a parte de cima do navio ter uma grande explosão; a parte de baixo, em seguida.

    Regina aproxima-se, então, e puxa-a para continuar.

    Elas correm e o navio vai ruindo ao fundo, entregue às chamas.


     

    PLANO GERAL da grande destruição: o Empire, maior navio do mundo, está destruído.

    FIM DA SONOPLASTIA.


     

    FADE OUT.

    FADE IN:


     

  22. EXT. RIO DE JANEIRO - DIA:

    Principais pontos da cidade.


     

  23. INT. DELEGACIA - SALA DO DELEGADO - DIA:

    Regina, Lívia, Kênia e Mauro de frente para o DELEGADO (alto, barba e cabelos ralos, forte, 30 e poucos anos).

    DELEGADO

    No que eu posso ajudar?

    REGINA

    Há um grande escândalo de exploração sexual envolvendo a companhia SEAS e nós queremos denunciar.


     

    DELEGADO

    (olha para o escrivão) Por favor, podem falar.

    CLOSE em Regina.

  24. EXT. PÍER MAUÁ - DIA

    Tomadas aéreas.

               LÍVIA

         (V.O.)

    Era um contrato. Troca de serviços. Só que, por trás, existia muitos mais do que aquelas folhas e mais folhas diziam. Era um esquema sórdido; de exploração sexual.


     

    REGINA (V.O.)

    Quando eu descobri a House Pink, uma espécie de bordel, eu vi onde estava. Aquela realidade, naquele navio, é aceitada por muitos passageiros. Acredito que, até, por alguns tripulantes.


     

    MAURO (V.O.)

    Às vezes, agiam estranho. Orlando, o diretor do navio, mesmo, muitas vezes, agia de boa-fé. Quando ele descobriu que Regina sabia de tudo, ele transformou nossas vidas num inferno. Nós fomos perseguidos.


     

    KÊNIA (V.O.)

    E quando saímos daquele navio, foi como... Foi como respirar novos ares. Nós estávamos livres de noites de sexo sujo, para encher os cofres da companhia SEAS e do capitão, Búlgaro Damasceno, falecido na explosão do navio Empire.


     

  25. INT. DELEGACIA - SALA DO DELEGADO - DIA:

    DELEGADO

    E você sabe o que ainda resta desse grupo?


     

    REGINA

    A facção, um grupo criado para destruir Búlgaro, por conta de investimentos mal resolvidos e... E o restante da companhia SEAS, na Itália.


     

    DELEGADO

    A investigação será iniciada, senhora Regina.

    REGINA

    Eu espero que os nomes delatados sejam encontrados e presos.

    DELEGADO

    Nós faremos de tudo.


     

  26. EXT. ROMA - DIA:

    Tomadas aéreas dos principais pontos da capital.


     

  27. EXT. PARQUE - DIA:

    Luciano aflito, com uma mala nas mãos. Um HOMEM alto, traços orientais, barba grande, 40 e poucos anos, aproxima-se dele, olhando pros lados.


     

              HOMEM

            E então?

            LUCIANO

    Deu merda no Brasil. Mataram o Búlgaro.


     


     

                          HOMEM

                              Como?


     

                          LUCIANO

          Calma, Hideo!

    HIDEO

    Eu já esperei demais, Luciano. Vocês falaram com o chefe. Ele está esperando. O navio parte daqui a um mês. A gente comprou essas mulheres de Búlgaro e queremos elas aqui pra ontem!


     

    LUCIANO

    Eu vou dar um jeito e vou adiantar a vinda delas, Hideo. Preciso que vocês tenham calma. Nem que seja à força, elas virão! Eu to dando a minha palavra.


     

    HIDEO

    Mas é claro, elas têm que vir! Seja competente e cumpra com o tratado, caso contrário, quem vai pagar a conta vai ser você, Luciano.

    Luciano entrega a pasta para ele, sorrateiro.

    LUCIANO

    Aqui tá a documentação de todas elas. Já acrescenta no grupo de tripulantes que quando elas chegarem, é só jogar dentro do navio e partir.

    Hideo pega a pasta.


     

    HIDEO

    É melhor você correr, porque o tempo passa muito rápido e, muito em breve, o navio já estará navegando.


     

    LUCIANO

    Tudo bem. Agora, tem alguém me esperando.


     

  28. EXT. CENTRO DE EXPOSIÇÕES - DIA:

    Vários quadros. Luciano observa algum deles. Alguém, fora do POV, aproxima-se ao seu lado.

    LUCIANO

    Depois do expressionismo, pouca coisa me deixa impactado...


     

    CÂMERA revela Orlando, engravatado, curativo no dedo, ao lado de Luciano.


     

    ORLANDO

    Não sabia que você havia vivido o expressionismo.

    LUCIANO

    Velho demais pra minha beleza, Orlando, muito embora eu saiba apreciar o que é bom. (olha-o da cabeça aos pés) Sempre gostei de maduros.


     

    ORLANDO

    Você não queria me matar? Por que me chamou?


     

    LUCIANO

    Porque eu sabia que você não ia recusar a minha proposta.

    ORLANDO

    Voltar a um navio?

    LUCIANO

    Voltar ao navio. Ao navio do século. Quando Búlgaro me apresentou o projeto do novo navio, eu achei fantástico... É uma pena, ele não estar aqui para contar a você também.

    ORLANDO

    Quem o matou? Eu apostava todas as fichas em você, até saber que ele te enviou pra cá duas semanas antes.


     

             LUCIANO

    Eu não mataria alguém que investe em mim. Clark me traiu, quando tentou me matar; quando te deu de bandeja pra aquela frouxa, que te deixou vivo.

             ORLANDO

    A Regina acreditou no meu papo de arrependido, eu tenho certeza. Mas isso acontece, não?

             LUCIANO

    Certamente. Com mais frequência do que você imagina, querido.

             ORLANDO

    E sobre nós?

    Orlando encara Luciano, que ri.

             LUCIANO

    Eu amaria ir mais além, mas já que eu não posso... Então, que tal, uma nova apresentação? (estende a mão) Luciano.


     

             ORLANDO

             Orlando.

             LUCIANO

    Muito prazer, sócio.

    Aperto de mãos. Troca de olhares.

             ORLANDO

    E sobre o projeto?

             LUCIANO

    Teremos uma reunião com todo o grupo para apresentação.

             ORLANDO

    Depois que a polícia desmontou todo o esquema, poucas pessoas foram presas. Laranjas, em sua maioria.

    Mas Regina pode ter falado do nosso esquema aqui, na Itália.

    SONOPLASTIA: "Do I Wanna Know?" - Arctic Monkeys.

             LUCIANO

             (ri)

    Búlgaro pensou em tudo. SEAS não existe na Itália, Orlando.


     

    Luciano retira um cartão de dentro do bolso e entrega a Orlando.


     

      LUCIANO (cont.)

    Conheça Mares! A nova companhia de cruzeiros do mundo. (pausa) Aliás, eu já tenho o seu primeiro trabalho.


     

             ORLANDO

             E qual é?

             LUCIANO

    Búlgaro vendeu Lívia, Regina, Mauro e Kênia. Mas eles estão soltos, no Brasil. (pausa) Traga-os para mim e você contará muitos pontos em nossa primeira jogada. Você tem um mês para isso, Orlando. Prepare-se, porque a guerra vai recomeçar.

    CLOSE em Orlando.


     

  29. EXT. RIO DE JANEIRO - DIA: Principais pontos da cidade. SÉRIE DE PLANOS:

           A) Lívia depõe.


     

    REGINA (V.O.)

    Depois que todos nós depomos e entregamos tudo o que sabíamos, as investigações começaram.


     

           B)Fotos de Lívia, Regina, Mauro e Kênia, abraçadas, na capa do jornal. CLOSE na manchete: "TRÁFICO DE PESSOAS E EXPLORAÇÃO SEXUAL EM NAVIO DESTRUÍDO POR FOGO". Flávio surge de boné, óculos escuros, lendo o jornal.


     

    REGINA (cont.) (V.O.)

    Virou capa de jornal, primeira notícia de televisão e enredo de novela. A fama chegou. Fizemos justiça. Acabamos com os resquícios nojentos de Búlgaro em nossa terra. Enfim, nós vencemos.


     

            C) A polícia invade um galpão. Regina aponta atrás, olhando tudo.


     

    REGINA (cont.) (V.O.)

    E mesmo sabendo que ainda tem muita gente solta por aí, gente que sabe muito e que devia estar atrás da grade, culpadas por um esquema tão grande e nojento, que ultrapassou fronteiras, nós estamos satisfeitas.

            
             D)Lívia e Regina riem, no meio da rua, juntas.

    REGINA (cont.) (V.O.)

    Porque, se depender de mim, todos vão pagar por tudo. Por cada soco, agressão, humilhação. Eu quero justiça. Por todos.

            
             E) Mauro conserta mais um carro.


     

    REGINA (cont.) (V.O.)

    Quanto ao meu casamento, eu tenho certeza que uma nova chama acendeu. Mauro e eu estamos mais juntos do que nunca e, agora, por uma causa honesta e verdadeira.

     

             F) Kênia serve um café, numa CAFETERIA, e sorri, feliz. REGINA (cont.)

    (V.O.)

    Porque se antes eu estava em dúvida entre estar ou não com aquelas meninas, hoje eu tenho certeza de que fiz tudo o que podia e devia.

             G) Pessoas sendo interrogadas.

    REGINA (cont.) (V.O.)

    Agora, eu quero ver alguém nos tirar daqui! Nós vamos ficar aqui, vamos destruir as raízes desse esquema e se preciso, nós ultrapassaremos as fronteiras e buscaremos os culpados. No inferno, que seja!

    FIM DA SÉRIE DE PLANOS.


     

  30. EXT. PÍER MAUÁ - DIA:

    ABRE nos sapatos de Lívia, Regina e Kênia.

    EXPANDE e revela todas de mãos dadas, olhando para o mar. Lívia carrega um pote.


     

    REGINA (V.O.)

    E mesmo que esteja faltando uma parte de nós...


     

    A figura de Lianna aparece ali, mãos dadas à Kênia, mas logo desaparece, com o vento...


     

    REGINA (cont.) (V.O.)

    Sabemos que está em lugar feliz e bom, porque se existe uma justiça suprema, que está acima de todos nós, então valeu a pena ter dado as

    (MAIS)

    REGINA (cont.)

    costas e não ter matado Orlando. Quem sabe nos encontremos por aí? (pausa) Faço tudo isso por e para minha mãe.


     

    LÍVIA (V.O.)

    Porque o maior segredo da vida é, na verdade, lutar por ela. Eu me renovei e agora tenho forças.

    Forças para olhar pra trás, negar tudo e todos, e erguer a cabeça. Regina confiou em mim e devemos tudo a ela. (pausa) Uma nova fase está começando; novas surpresas virão, mas o fôlego de viver e de superar, dia após dia, os próprios traumas, é o que me mantém viva e disposta a vencer. Todos os dias. Até o fim.


     

    Elas aproximam-se do mar. Lívia abre o pote, com as cinzas de Lianna. Juntas, elas vão jogando no mar.


     

    CÂMERA vai abrindo a imagem das três, juntas, na imensidão do píer.


     

    Por fim, toma as adjacências e afasta-se até as imediações da cidade do Rio de Janeiro surgirem.

    Sonoplastia termina nos créditos.


     

    FADE TO BLACK.



 

UMA SÉRIE DE................................RAFAEL OLIVEIRA

ESCRITO POR.................................RAFAEL OLIVEIRA

COM O APOIO DE.............................RODRIGO FERREIRA

PRODUZIDO POR.........................................WEBTV

ARTE......................CRISTINA RAVELA e RAFAEL OLIVEIRA 

ARGUMENTO DE................................RAFAEL OLIVEIRA 

ELENCO:

LÍVIA............................................MARIA FLOR

REGINA......................................ADRIANA ESTEVES

ORLANDO........................................ENRIQUE DÍAZ

BÚLGARO........................................DANIEL FILHO

KÊNIA........................................SHERON MENEZES

CAIO........................................JAYME MATARAZZO

LIANNA.......................................MARÍA VALVERDE

LUCIANO.....................................RICARDO PEREIRA

FLÁVIO............................................CAIO BLAT

CLARK.....................................WERNER SCHÜNEMANN

DÉBORA....................................DÉBORA NASCIMENTO

TONICA......................................ANA LÚCIA TORRE 

COM A PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE: 

DIL...............................................VAL PERRÉ

HIDEO........................................MÁRCIO KIELING


 

 
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
 
 
 REALIZAÇÃO
 
 
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  1. INT. CASA - QUARTO - DIA:

Caio toma soro na veia, sobre uma maca, meio ao lugar sofisticado, com poltronas, TV, decoração sortida. Ao seu lado, um aparelho mede os batimentos cardíacos, num som contínuo.

Na porta, aponta Clark e Débora, que ENTRAM.

                   CLARK

E então, Caio? Como se sente?

CAIO

(olhando para os lados) Que lugar é esse?

DÉBORA

Você está seguro aqui.

CLARK

A Débora me salvou e eu salvei você. Espero que você fique bom logo, porque, eu não sei se você sabe, mas nós ainda temos alguns inimigos para vencer.


 

CORTES DESCONTÍNUOS entre ambos.

TELA ESCURECE NO BAQUE.

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