Perfume - Capítulo 10



 

     
     
     

CAPÍTULO 10 - HONEYMOON (CAPÍTULO ESPECIAL)
 
     
   
 

Música: Honeymoon - Lana Del Rey

A limusine preta de quase três metros de comprimento atravessa a cidade e estaciona na frente da basílica de Nossa Senhora D’ Ajuda. Adentro do veículo, uma dama segurando um belo buquê de flores de rosa do campo, utilizando uma luva de seda em todo antebraço. Ela mantém os olhos castanhos marejando. O vestido é digno de um momento de princesa bordado com miçanga e feito estritamente de organza e tule, longo e branco, de gola V e manga pequena, as costas morenas estão à mostra. As imagens nunca mentem, mas a beleza engrandecida na maquiagem forte e escura, começam a empalidecer. O aparelho de celular toca acima do banco de couro. 

- Jonathan? 
- Sabia que me atenderia. 

Ela coloca uma das mãos no peito, tentando guardar todos os envolvimentos para si mesma, que não podem transparecer nas esferas castanhas, se não, levarão as lágrimas e trinta minutos de trabalho. Um atraso no casamento, seria um aborrecimento para Miguel Xavier. Pamela se enoja ao se lembrar que naquela madrugada depois da união matrimonial, teria que transar com aquele homem, na lua de mel. 

- Eu nem sei o que falar agora, sinto que minha alma continua ferida. 
- Você fez a sua escolha, Pamela. 
- A consequência pode ser um adeus. 
- Não me amas? 
- Isso não se trata mais de amor, querido. Não viu o que aconteceu? 
- O destino pode ser falho, mas prefiro morrer ao seu lado. 
- Carregar isso como fardo, parece ser demais. Desculpa. 
- Você poderá se arrepender de entrar no local da santa. 
- Porquê está falando assim? 

Um flash pode congelar o tempo adiante dos olhos, Pamela lembrou-se quando caminhava pelas as ruas da cidade naquela manhã, em passos finos e sem rumo, o vento colidia em seus belos cabelos castanhos trazendo-a uma leve sensação de nostalgia. O cheiro do perfume de Jonathan estava impregnado no seu corpo e de nada adiantava tentar esquecê-lo. Ao virar à direita na “Rua do Bosque” divisou um homem já com o rosto enrugado e as barbas desenvolvidas, dessa vez não se assustou, e o deixou se aproximar, até ficar cara a cara, a cor daqueles olhos adiante eram indecifráveis. 

- Não entre no local da santa! 

Refere-se à Igreja da Nossa Senhora da Ajuda no intermédio da cidade. 

- Irá sofrer as consequências. 
- Quem é você? E do que está falando? 
- Estou-lhe dando um aviso garota. Protege-se ou então estará morta antes que o padre finalize o matrimônio.

A cena desligou-se do tempo, retornando ao momento atual. 
Jonathan continua a ligação.  

- Pamela, você ainda está aí? 
- Lembrei-me daquele lunático, Jonathan. 
- O que têm aquele louco? 
- Ele disse para não entrar na igreja. 
- Faça o que ele ordenou e fique comigo. 
- Tchau, Jonathan, até breve. 
- Posso falar só mais uma coisa? 
- Diga. 
- Você, será para sempre, minha. 

A linha fica completamente muda. 

- Eu faria tudo para não te perder. 

Como continuar com essa farsa? Manter-se amargurada para todo o sempre? Por um momento amaldiçoou toda a sua beleza em silêncio, se não fosse por um isso, estava livre.

As memórias ao lado de Jonathan invadem seu intelecto mais uma vez. Lembra-se do primeiro beijo com aquele garoto aos quinze anos de idade, que antes usava óculos, de repente o patinho feio se transformou em um dos homens mais bonito que tinha visto. Mas desde agora, tem que aprender a não viver do passado, mesmo que seja melhor que o presente. As tentativas fracassam. Pamela tenta buscar naqueles devaneios um momento de tristeza, causado por Jonathan para prosseguir e ser forte, mas em nenhum momento, ele quebrou o seu coração ou a fez arder de ódio, como qualquer outro cara. É um ser incomum.

O acesso do automóvel é aberto por um chofer moreno e baixinho da locadora de carros, ela desce completamente perfeita para os outros, mas escassa para si mesma, como se estivesse pronta para desabar naquela escuridão. Anda até a entrada desacompanhada, tinha recusado a proposta do irmão mais velho de lhe induzir. As longas portas da igreja se desuniram, tocando a clássica marcha nupcial.

No altar o noivo com um belo sorriso estampado na face para a vítima e a família formada por Amália Monteiro, Levi Monteiro e Barbara Novak. Os padrinhos não foram colocados nessa união, por escolhas da noiva.

 

Ao redor do ambiente, aqueles rostos olham felizes e radiantes vislumbrados com a formosura de Pamela, que marcha como uma verdadeira boneca de porcelana absolutamente manipulada, chegando ao centro do tapete vermelho. Todos imaginam que este seria o momento mais marcante da vida daquela garota, o mais alegre, mas não é assim que ela pensa e ao menos assevera. 

Um homem misterioso cobrindo-se com um sobretudo e uma máscara preta, tampando todo rosto, invade a catedral, segurando um fuzil M16A2 de longo alcance, atirando duas vezes em direção à prometida. As duas balas atingiram Pamela diretamente nas costas e saíram de seu peito, eclodindo com o ar fresco do Nordeste. Ela cai no meio do templo cristão, uma poça de sangue surge no chão e por cima dela toda. Quando sua visão começa a desaparecer, a última imagem que avista na cabeça é da santa que nomeia a cidade. Pamela não pode mais escutar mais o barulho das ondas ou dos pássaros, nem mesmo o seu chamado. É apenas um corpo, sem vida, um cadáver e não existe a vertigem do assassino, que desaparece em meios aos olhos humanos.
 
     

 

     

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