Estações da Vida - Capítulo 04


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CAPÍTULO 04
 
     
     
     
     
 
 
 

CENA 01. COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DA DIREÇÃO. INT. DIA.

Continuação do capítulo anterior. Pato dá de cara com Leonardo na porta.

JULIANA: Por favor, Leonardo, entre. Pode ser que na sua presença seu filho se comporte melhor.

Pato volta pra sala. Leonardo o encara.

LEONARDO: Você não tem limites, não é garoto? Me fazer sair de uma reunião importante pra vir aqui resolver seus problemas. O que aconteceu dessa vez?

JULIANA: Seu filho, na companhia do aluno Diego Medeiros, soltaram uma bombinha na sala de aula. A brincadeira de mau gosto quase matou a professora Vanice.

DIEGO: Que exagero.

A diretora olha para Diego.

LEONARDO: O que você tem na cabeça, Patrício? Com que objetivo se faz uma sandice como essas? É pra me provocar? Tá querendo chamar minha atenção?

PATO (debochado): A gente só tava querendo deixar a aula um pouquinho mais animada.

LEONARDO: Animada vai ficar sua vida, já que como castigo você vai da casa pra escola e da escola pra casa, a partir de hoje. Nada de internet, nada de rolê com os amiguinhos, ouviu bem?

PATO: Você não pode fazer isso.

LEONARDO: Não só posso, como já está feito. Diretora, rédea curta com esse moleque, ok? Se for preciso coloque alguém no pé dele, o tempo todo.

JULIANA: O senhor não precisa se preocupar, faremos todo o possível para corrigir as condutas inadequadas do Patrício. O episódio de hoje foi inadmissível e é passível de expulsão.

PATO: Vocês tão de brincadeira né? Que que é isso aqui vai virar prisão agora?

JULIANA: Eu prefiro chamar de medida disciplinar compartilhada, já que a direção está atendendo ao pedido de seu pai.

PATO: Mas isso é um absurdo!

LEONARDO: Absurdo é o que você e seu amiguinho fizeram. Isso é coisa de delinquente.

PATO: Tá, tá, eu já entendi. Posso ir agora, diretora?

JULIANA: Tudo bem.

Pato sai de imediato.

LEONARDO: Garoto insolente.

JULIANA: Quanto a você, Diego. Só sai daqui quando sua avó aparecer.

Diego revira os olhos.

LEONARDO: Preciso voltar ao escritório.

JULIANA: Obrigada por vir, Leonardo. Sei o quanto você é um homem ocupado, mas tenha certeza que tomarei as devidas providências para colocar o Patrício na linha.

LEONARDO: É o que espero. Até mais ver.

Leonardo se retira batendo a porta. Juliana observa Diego, com ar de reprovação.

CENA 02. COLÉGIO FRAN VICENTINI. CORREDOR. INT. DIA.

Lua e Andréia estão mexendo em seus celulares, sentadas em um banco, encostado a uma janela.

LUA: Olha só essa foto que ele mandou.

Lua mostra, Andréia põe a mão na boca.

ANDRÉIA: Meio abusadinho esse seu crush né. Mal se conhecem e já tá mandando foto sem camisa.

LUA: Você ainda não viu nada. (ri)

ANDRÉIA: O que?

LUA: Ele quer que eu retribua mandando uma foto assim também.

ANDRÉIA: Assim? Sem nada?

Lua afirma, envergonhada.

ANDRÉIA: E você vai mandar?

LUA: Ainda não sei. Fico meio com medo. Lembra aquela garota do ensino médio, que vazaram umas fotos e a escola toda viu?

ANDRÉIA: Sim. Ela até saiu da escola.

LUA: Tenho medo que aconteça o mesmo. Mas ele não parece ser esse tipo de pessoa. Além do mais, olha que fofo!

Ela mostra o celular a outra e vai passando o dedo na tela.

ANDRÉIA: Ele é bonitinho mesmo. Vocês até que combinam!

LUA: Jura, miga?

Andréia afirma com a cabeça. Lua a abraça empolgada.

LUA: Eu acho que vou mandar a foto, então!

ANDRÉIA: Eu acho que você tem que ir com calma.

LUA: E se ele se cansar de mim?

ANDRÉIA: Ai, não pira, Lua. Se ele tá tão a fim de você, ele não vai cansar da noite pro dia.

LUA: É. Tem razão.

CENA 03. SALA DA DIREÇÃO. INT. DIA.

Juliana sentada atrás da mesa, Naná e Diego do outro lado, sentados nas cadeiras.

NANÁ: Juliana, perdoe as atitudes desse menino. Ele não sabe o que faz.

JULIANA: Dona Naná, nós duas sabemos que não é bem assim, não é mesmo? O Diego não é mais nenhuma criança. Ele já sabe exatamente o que faz e é plenamente capaz de arcar com as responsabilidades de seus atos. Essa brincadeira contra a professora foi muito infeliz e poderia ter ocasionado algo mais grave.

NANÁ: Eu sei, Juliana. Você tem toda razão. Eu prometo que vou conversar com meu neto. Ele vai melhorar não vai?

Olha para Diego, que revira os olhos.

JULIANA: Sua vó está falando com você, Diego.

DIEGO: Tá. Eu vou melhorar.

JULIANA: É o que eu espero. Até porque, numa próxima vez, eu não serei tão complacente.

DIEGO: Será que eu já posso ir?

Juliana e Naná trocam olhares. Ele não percebe.

JULIANA: Pode sim.

Diego se levanta e sai rapidamente pela porta.

JULIANA: Agora somos só nós duas.

Naná encara Juliana.

NANÁ: Desculpe pelo garoto.

JULIANA: Não precisa se desculpar. Eu entendo.

NANÁ: Você sabe que o comportamento rebelde do Diego tem uma razão de ser.

JULIANA: Eu sei. Você teve alguma notícia da Rebeca?

NANÁ: Infelizmente não. O comportamento do meu neto é consequência do desaparecimento inesperado dela. E da covardia do pai também, é claro.

JULIANA: O Afonso foi um canalha. Jamais esperaria que ele a abandonasse quando ela mais precisou.

NANÁ: Meu neto sente muita raiva, Juliana. Tenho medo que isso possa torna-lo uma pessoa ruim.

JULIANA: É compreensível o sentimento de revolta diante de tudo que ele passou. Mas, não se preocupe. Faremos o que estiver ao nosso alcance para que o Diego supere esse passado complicado. Você sabe que no fundo, ele é como se fosse um filho pra mim.

NANÁ: A amizade entre você e minha Rebeca era tão linda. Sinto falta dela.

JULIANA: Eu também sinto falta dela. Espero que um dia ela se dê da bobagem que fez e volte pra gente.

NANÁ: Quero que saiba que sou muito grata a você e por tudo que tem feito pelo meu neto. Eu, sozinha, não daria conta.

JULIANA: Você não está sozinha.

Elas dão-se as mãos, num gesto fraterno.

CENA 04. COLÉGIO FRAN VICENTINI. QUADRA DE ESPORTES. INT. DIA.

PLANO GERAL do ambiente. Aula de educação física, os meninos jogam futebol na quadra. As meninas na arquibancada fazem aquecimento. O professor (alto, forte, loiro, uniforme da escola) apita a partida, atento ao desempenho dos alunos. Dentre eles Pato, Diego, Caio e Grego. A partida esquenta, Pato corre com a bola e toca para Diego que dribla um aluno tocando o time pra frente, ele se aproxima do gol, percebe Grego pedindo a bola. CLOSE em seu olhar mal-intencionado. Ele chuta a bola com força atingindo Grego no rosto, quebrando os óculos do garoto, que cai no chão. Caio vai ajudar. Professor apita paralisando a partida.

PROFESSOR: Pow, Diego! Isso é futebol e não MMA.

DIEGO: Foi mal, professor Emílio. Coloquei muita força.

CAIO: Tudo bem, Grego?

GREGO: Cadê meus óculos?

EMÍLIO: Tudo bem aí, Gregório? Você precisa focar mais na partida, cara.

GREGO: Não enxergo sem meus óculos.

Pato pega os óculos no chão.

PATO: Se for esse aqui, já era.

E joga em direção a Grego, que se atrapalha e deixa cair no chão.

EMÍLIO: Beleza, por hoje é só pessoal. Pro chuveiro!

Eles reclamam, mas vão saindo. Caio se aproxima de Diego.

CAIO: Ce fez de propósito né?

DIEGO: É, foi. Vai defender o CDF de novo, Caio? Isso é pra ele aprender a não se meter com a gente.

PATO: Esse Grego é um pela-saco, Caio. Se liga!

Bate no peito dele e os dois vão. Caio balança a cabeça em negativo, mas segue junto com eles.

CENA 05. COLÉGIO FRAN VICENTINI. VESTIÁRIO MASCULINO. INT. DIA.

Os alunos vão entrando e se despindo, abrindo seus armários, retirando toalhas e material de higiene, indo em direção aos chuveiros. Pato, Diego e Caio entram e começam a fazer o mesmo enquanto conversam.  

DIEGO: Mas ces viram a cara do nerdinho?

PATO: Tu deixou o CDF desorientado, cara.

DIEGO: Mexeu com o cara errado.

CAIO: Mas aí, o que que rolou lá na direção?

PATO: Aquele mimimi de sempre.

CAIO: Achei estranho a diretora nem suspender vocês.

DIEGO: Ela não teria coragem.

CAIO: Ces deram foi sorte. A diretora é linha dura pra esse tipo de conduta. Cara, acho que comi besteira.

Passa a mão na barriga.

CAIO: Vou precisar resolver um problema.

PATO: Ih, sai pra lá ow!

Pato e Diego vão em direção aos chuveiros. Caio respira, aliviado e um tanto desconfiado se encaminha para o lavabo. Alguns garotos tiram sarro.

CENA 06. COLÉGIO FRAN VICENTINI. VESTIÁRIO FEMININO. INT. DIA.

Algumas garotas estão no local trocando de roupa. Paulinha está na frente do espelho, passando batom. Nanda se aproxima e fica do lado, fingindo retocar a maquiagem.

NANDA: Vai ficar me dando gelo até quando?

PAULINHA: Tá falando comigo?

NANDA: Com o batom é que não é.

PAULINHA: Olha, Nanda, me deixa tá? Eu preciso de um tempo na nossa amizade.

NANDA: Qual é, Paulinha! Você nem tem motivo pra estar brava comigo. No fundo sabe que eu jamais faria nada que pudesse te deixar mal. Eu NÃO beijei o Diego. Foi ELE que me beijou.

PAULINHA: Quando um não quer dois não se beijam.

NANDA: Você é muito imatura às vezes viu.

PAULINHA: Agora eu sou imatura? Pelo menos não sou fingida.

NANDA: Você me acusou de duas coisas que eu não fiz em menos de 24 horas. Eu quase fui expulsa da escola. Pensa bem em quem tem motivo pra estar chateada!

Nanda sai furiosa do local. Paulinha guarda o batom, bufa.

CENA 07. COLÉGIO FRAN VICENTINI. VESTIÁRIO MASCULINO. INT. DIA.

Pato e Diego mexem em seus armários. CAM detalha um celular vibrando no banco, em meio a roupas jogadas por ali. Pato pega o aparelho e vê quem tá ligando.

PATO: Olha só quem resolveu aparecer.

DIEGO: Quem é?

PATO: A gatinha da festa.

DIEGO: Não vai atender

PATO: Já é.

Pato põe o celular na orelha e faz gesto pra Diego continuar caminhando. TOCA a sirene sinalizando o fim da aula.

DIEGO: Finalmente!

Eles SAEM do vestiário enquanto Pato fala ao telefone.

AMANDA (off): Achei que não ia atender.

PATO: E perder a chance de falar com a gata mais gata da minha festa? Qual é a boa?

Diego da aquele sorrisinho sacana.

AMANDA (off): Tava pensando que a gente podia dar uma escapadinha, o que acha?

PATO: Acho ótimo. Inclusive, já estou disponível.

AMANDA (off): Ótimo. Em cinco minutos passo pra te pegar.

PATO: Mal posso esperar.

AMANDA (off): Beijos, gato.

Pato desliga.

DIEGO: Ela tá vindo te buscar, cara?

PATO: Sim, ela ta gamada no papai aqui. E olha que eu nem to correndo atrás.

DIEGO: Cara, essa mina já ta na tua. Eu preciso entrar em ação. Não quero perder a aposta.

PATO: Pois eu acho melhor tu já ir se acostumando, porque depois da treta que tu causou entre as meninas, duvido tu conseguir alguma coisa com qualquer uma delas.

DIEGO: Não comemore antes do tempo, parça.

PATO: Tempo! Taí uma coisa que tu não tem!

CENA 08. RUA. CARRO. INT. DIA.

CAM detalha uma mão feminina com unhas pintadas em vermelho, segurando um celular. ABRE PLANO e vemos Amanda, rindo à toa.

AMANDA: Isso vai ser mais fácil do que eu pensei.

Ela volta a rir. Coloca os óculos escuros. Liga o carro. CORTA PARA o exterior do veículo, onde ela arranca.

CENA 09. COLÉGIO FRAN VICENTINI. VESTIÁRIO MASCULINO. RESERVADO. INT. DIA.

Caio está sentado no vaso, bate os pés no chão, olha no relógio.

CAIO: Acho que já foi todo mundo.

Ele põe a mão na maçaneta pra abrir quando alguém entra assoviando.

CAIO: Droga! O professor!

Caio tenta olhar pela fechadura, sem sucesso. Ele sobe no vaso sanitário, observa. De seu ponto de vista, vemos Emílio tirando o uniforme, primeiro a blusa, os tênis e meias e por último a calça. Caio observa, atento. Ao se preparar para tirar a cueca Caio se desequilibra e CAI no reservado. Emílio se assusta.

EMÍLIO: Quem tá aí?

Ouve-se o som da descarga do vaso sanitário. Caio sai logo em seguida do reservado.

EMÍLIO: Ah é você, Caio! Que susto, moleque!

CAIO: Foi mal, professor. Não queria atrapalhar. É que...

EMÍLIO: Tá, tá.

Caio fica ali, paralisado.

EMÍLIO: Mais alguma coisa, Caio?

CAIO: Eu? Não.

EMÍLIO: Então...

Faz gesto pra Caio sair.

CAIO: Ah, sim, claro! Até a próxima aula!

Caio se retira.

CENA 10. COLÉGIO FRAN VICENTINI. ENTRADA. INT. DIA

Os alunos saindo da instituição, entre eles Nanda e Paulinha que seguem caminhos opostos. CAM vai buscar Nanda que se depara com a van da cena 17 do capítulo 3.

NANDA: Eu não acredito no que estou vendo!

Estela sai do veículo enquanto Celo buzina freneticamente. Alguns alunos riem da van pouco comum.

ESTELA: Filha!!!

Nanda tenta disfarçar, escondendo o rosto. Alguns alunos percebem que são os pais dela e encaram debochando. Estela se aproxima. Celo também.

NANDA: O que vocês estão fazendo aqui?

CELO: Viemos te buscar.

NANDA: E por que não avisaram?

CELO: Resolvemos fazer uma surpresa.

ESTELA: Você não gostou?

NANDA: Ah, gostar, eu gostei, mas...

CELO: Mas?

NANDA: Vocês poderiam ter avisado.

ESTELA: Filha, na próxima pode deixar que avisaremos, mas agora vá chamar seus amigos. Quero todos na Seven Night.

Nanda bufa, pega o celular e envia uma mensagem.

CENA 11. COLÉGIO FRAN VICENTINI. CORREDOR. INT. DIA

Caio caminha por ali meio atordoado quando seu celular emite uma mensagem. Ele verifica.

CAIO: Mensagem da Nanda no grupo. Deixa eu ver do que se trata. “Pessoal, meus pais estão na escola com a van. Bora dar um rolê na Seven Night?”

Caio sorri.

CAIO: Demorou.

Ele dá uma corridinha.

CENA 12. COLÉGIO FRAN VICENTINI. ENTRADA. INT. DIA

O fluxo de alunos agora é menor. Pato e Diego surgem, Caio aparece mais atrás, vem correndo.

CAIO: E aí seus pela!

DIEGO: Onde é que tu se meteu, cara?

Ele não responde. Um carro buzina na calçada.

DIEGO: Olha só, a sua gata é pontual.

Amanda acena para Diego do carro. Ele retribui. Nanda observa a tudo com cara de poucos amigos. Ela entra na VAN, com raiva.

DIEGO: E ai, você e a Amanda vão na Seven Night?

PATO: Vou dar um pulo lá, mas não vou demorar.

DIEGO: Você tá ferrado. Dessa vez teu pai sacaneou.

PATO: Pois é, vou ter me comportar por um tempo, caso contrário vou ficar sem o carro, e o principal, sem mesada. Mas ele não vai me controlar por muito tempo.

Amanda buzina.

PATO: Cara, preciso ir. Nos vemos na Seven.

DIEGO: Ta ok.

Pato se manda. Caio avista alguém.

CAIO: Ali não é a Paulinha, sentada no banco?

DIEGO: É. Vamo lá.

Eles se aproximam.

CAIO: Paulinha, você vai com a gente na Seven Night?

PAULINHA: Melhor não, Caio. Não to a fim de ficar olhando pra cara da Nanda. Já liguei pro motorista vir me buscar.

DIEGO: Qual é Paulinha? Você vai ficar correndo da Nanda agora?

PAULINHA: Eu não estou correndo.

DIEGO: Ah não? Então prova. Cancele com seu mordomo e venha com a gente pro Seven Night.

Paulinha encara Diego.

CENA 13. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA

MUSIC ON: (MEU ABRIGO – MELIM)

A van percorre pelas ruas mostrando o trânsito turbulento da capital. CAM corta para dentro da van, Celo dirige, se diverte com Estela que está batendo palmas e gritando. Paulinha está na última poltrona, emburrada. Diego intercala seu olhar entre ela e Nanda que conversa com Caio.

MUSIC OFF.

CENA 14. COLÉGIO FRAN VICENTINI. ENTRADA. INT. DIA

Os alunos do fundamental começam a sair. Lua vai em direção a um carro, o vidro abaixa, é Kátia.

KÁTIA: Cadê seu irmão?

LUA: Não faço ideia.

KÁTIA: Leonardo não vai gostar nada disso. Vamos.

Lua entra no banco do carona.

Kátia sai com o carro.

CENA 15. SEVEN NIGHT. INT. DIA.

Paulinha, Caio e Diego estão em uma mesa. Pato e Amanda em outra. Nanda está com os pais no balcão principal.

ESTELA: Que que tá acontecendo, filha?

CELO: É, que que tá acontecendo?

NANDA: Não sei do que vocês estão falando.

ESTELA: Não nos faça de bobos, garota. Seus amigos, tá todo mundo estranho, cadê aquela bagunça de sempre e quem é aquela garota?

Aponta discretamente para a mesa de Amanda e Pato.

NANDA: É a ridícula que o Pato tá namorando, eu acho.

CELO: Ela não é velha demais pra ele?

ESTELA: Você parece que não gostou muito dela.

NANDA: Ela é uma ridícula.

CELO: E por que você não se junta aos outros, na outra mesa?

NANDA: Não dá. To de mal da Paulinha.

ESTELA: Sério, filha? Mas vocês eram tão amigas.

NANDA: Ai mãe, eu não quero falar disso tá?

ESTELA: Desculpa.

CAM procura a mesa de Caio e Paulinha.

CAIO: Até quando você e a Nanda vão ficar de birra?

PAULINHA: Ai Caio, eu não quero falar disso ta?

DIEGO: É, Caio, não bota mais lenha nessa fogueira. Vai lá buscar um refri pra gente.

Ele pisca pra Caio, que percebe o sinal.

CAIO: Beleza.

Caio sai.

PAULINHA: Ela jura de pé junto que foi você que beijou primeiro.

DIEGO: E você acreditou?

PAULINHA: Nós somos amigas há muito tempo.

DIEGO: A gente também, aliás, mais que isso né.

PAULINHA: Só que você nunca me levou a sério. E sinceramente? Não acho que a Nanda faria isso comigo.

DIEGO: Logo, você acha que eu faria.

PAULINHA: Eu não sei. Vocês me deixam confusa, que saco!

Paulinha sai, enfurecida. Diego vai atrás. Do balcão, Caio, Nanda, Celo e Estela observam a cena.

CAIO: Parece que ele conseguiu piorar as coisas.

NANDA: O Diego é um idiota. Aliás, o Pato também. São dois patetas!

Nanda sai.

ESTELA: Onde é que ce vai, filha?

NANDA: Me enterrar no meu quarto.

ESTELA: Mas/

CELO: Deixa ela, Estela.

CAM procura a mesa de Pato e Amanda. Ele toma um gole de um suco vermelho.

AMANDA: Adorei que você tava disponível pra mim.

PATO: Pra você eu sempre to, gata.

AMANDA: Que amor! Mas a gente tá saindo há um tempo e não sei muito sobre você, sua família.

PATO: Nem vale a pena, na real. Eu odeio minha família. Meu pai é um zé mané que vive pegando no meu pé, como se fosse o exemplo a ser seguido.

AMANDA (interessada): E não é?

PATO: É um hipócrita, isso sim. Fez tanto a minha mãe sofrer que a coitada não suportou. Depois que descobriu a traição dele, entrou em depressão e morreu. O meu pai não pensou duas vezes e se casou com a sem vergonha da amante, que eu não suporto. A única pessoa da família que me dou bem é a Lua, minha irmãzinha.

Amanda coloca a mão no braço dele e aperta, acarinhando.

AMANDA: Nossa, que triste. Sinto muito, Pato.

PATO: Tudo bem. Como você pode perceber, o clima lá em casa é péssimo.

AMANDA: E o seu pai, o que ele faz?

PATO: Conhece os cosméticos Lambertini?

AMANDA: Quem não conhece né!

PATO: Pois é, ele é o dono.

AMANDA: Mentira?!

PATO: Pois é.

AMANDA: Mas ele é incrível.

PATO (bravo): Quer pra você?

AMANDA: Desculpe, não posso ignorar tudo o que você acabou de dizer sobre sua família e ele ser o responsável. Mas é que seu pai é um empresário respeitado no país.

PATO: Isso porque a maioria das pessoas desconhecem o passado desse senhor, mas as máscaras um dia caem, não acha?

Ele a encara.

AMANDA (sem graça): É... É... Concordo.

Ela toma um gole do suco.

CENA 16. SEVEN NIGHT. EXT. DIA.

Paulinha aguarda o sinal abrir para atravessar a rua, Diego surge na porta do bar.

DIEGO: Paulinha!

PAULINHA: O que é?

DIEGO: Onde é que ce vai?

PAULINHA: Qualquer lugar longe de vocês.

DIEGO: Espera aí.

Ele se aproxima e a pega belo braço. Voltam para a calçada.

PAULINHA: O que é que que você quer? Me fazer de idiota mais uma vez?

Ele se irrita.

DIEGO: Quer saber a verdade? Então eu vou te contar a verdade. Foi eu que beijei a Nanda, ela não queria. Eu to apaixonado por ela, ok? E lamento te informar, mas não tem espaço pra você na nossa relação.

PAULINHA: Você tá me dispensando?

DIEGO: É, eu to. O que tinha de rolar entre a gente já rolou. Acabou, deu pra entender?

PAULINHA: Vai pro inferno!

Paulinha corre pela calçada, arrasada, chora. Chega a um banco, senta e procura o celular na bolsa, faz uma ligação.

PAULINHA (ordena): Vem me buscar, agora!

CENA 17. MANSÃO DE PATO. SALA. INT. DIA

Kátia e Lua chegam da rua. Lua joga a mochila no chão e se deita no sofá, já pegando o celular.

KÁTIA: Como foi a aula?

Ela não responde, atenta ao celular.

KÁTIA: Lua, estou falando com você.

LUA: Oi, desculpa.

Kátia pega o celular das mãos da filha.

LUA (protesta): Mãe!

KÁTIA: Fiz uma pergunta.

LUA: Perdão Sua Majestade Real, o que deseja?

KÁTIA: Sem ironias comigo, mocinha. Eu sou a sua mãe e exijo respeito.

LUA: Desculpe.

KÁTIA: Como foi a aula?

LUA: Um tédio. Estava morrendo de sono.

KÁTIA: Ah é, foi um tédio? Bom saber. Você dorme tarde porque fica até altas horas mexendo no celular e não consegue prestar atenção na aula em decorrência de sono.

Lua fica séria.

KÁTIA: Preste atenção neste recado, Luana, se as suas notas começarem a cair, eu vou tirar seu celular. Eu espero não ter que falar novamente com você sobre esse assunto. Estamos entendidas?

LUA: Não precisa se preocupar.

KÁTIA: Agora vá tomar banho porque eu quero almoçar com você. Seu pai está em uma reunião e não virá para casa agora no almoço.

LUA: Não vai esperar o Pato?

KÁTIA: Não.

LUA: E meu celular?

KÁTIA: Depois do almoço.

Kátia sai. Lua revira os olhos.

LUA: Não, era só o que me faltava, perder minha liberdade.

Lua bate a mão no sofá.

CENA 18. CASA DIEGO. SALA. INT. DIA

No canto reservado a mesa de jantar, dona Naná almoça sozinha. CAM detalha o capricho na arrumação da mesa, simples, mas bem organizada. Naná está sentada olhando para o prato, não tocou na comida. Há outro prato posto na mesa.

NANÁ: Ele não vem.

Ela se serve de suco.

NANÁ: Ah Rebeca, o quê que você foi fazer da sua vida, minha filha? Por onde será que você anda?

MUSIC ON: (AMORES IMPERFEITOS - ANAVITORIA)

CENA 19. CASA PAULINHA. QUARTO. INT. DIA.

PLANO GERAL do cômodo sofisticado pintado em rosa, com cama de casal, closet, mesa com computador, estante com livros, etc.

A porta se abre e por ela passa Paulinha. Ela está aos prantos, joga na mochila no chão e grita de raiva. Pega um objeto na estante e lança em direção a uma parede.

PAULINHA: Garoto idiota!

Ela se joga na cama, vencida pelo cansaço.

MUSIC OFF.

CENA 20. GOURMET CARIOCA. INT. DIA.

CAM percorre pelo chique restaurante composto por mesas, cadeiras, lustres, quadros, vasos de flores. Há uma movimentação de profissionais trabalhando na decoração do local. Uma jovem (26 anos, loira, cabelos curtos) mexe com um arranjo de flores. Mirtes surge da parte interna do estabelecimento.

MIRTES: Lulu, capriche. Esse restaurante precisa ficar impecável. A equipe chega da agência daqui a pouco, inclusive a modelo. Esse comercial precisa causar.

LULU: Não precisa se preocupar.

MIRTES: Muito bem minha querida. Vou ver como estão as coisas na cozinha. Nada pode dar errado hoje.

LULU: Fique tranquila, senhora. Você é uma profissional competente e tudo vai dar certo.

MIRTES (sorrindo): Obrigada, querida.

TOCA um celular. Mirtes para de caminhar e atende.

MIRTES: Oi, Francisca.

VOZ FEMININA (off): Senhora Mirtes?

MIRTES: E quem mais poderia ser, criatura?

FRANCISCA (off): Desculpe ligar esse horário, mas a Paulinha...

MIRTES: O que aconteceu?

FRANCISCA (off): Ela acabou de chegar da escola chorando. Subiu as escadas, se trancou no quarto e não quer abrir a porta. Ouvi barulho de coisa quebrando.

Mirtes passa a mão na cabeça, impaciente.

MIRTES: Isso não tá acontecendo. Calma Mirtes, respira.

FRANCISCA (off): Senhora, está tudo bem?

MIRTES: Obrigada por avisar. (desliga) Preciso ir em casa, mas eu retorno logo. Assuma a coordenação dos trabalhos e qualquer dúvida me ligue.

LULU: Dona Mirtes, eu não sei o que fazer.

MIRTES: Me surpreenda como você sempre faz.

LULU: Mas...

MIRTES: Você não confia em mim?

Lulu concorda com a cabeça.

MIRTES: Então, assim como você confia em mim, eu confio em você. Agora eu preciso ir. Beijos.

Mirtes pega a bolsa no balcão e sai apressada. Lulu passa a mão na cabeça.

LULU: Meu Jesus Cristinho, me ajude.  

CENA 21. MANSÃO DE PATO. SALA DE ESTAR. INT. DIA

Kátia e Lua almoçam. Na mesa há dois celulares. Um deles vibra. Lua fica atenta. Kátia pega o celular e atende.

KÁTIA: Oi meu amor.

A tela divide durante ligação.

LEONARDO: Oi. Já estão em casa?

KÁTIA: Sim, eu e a Lua estamos almoçando.

LEONARDO: E o Pato?

KÁTIA: Ele não estava lá, querido.

LEONARDO: Eu não acredito que ele me desobedeceu.

KÁTIA: Você já deveria saber. Esse garoto precisa de um corretivo, Leonardo. Ele só dá trabalho. Diferente da Lua que é só orgulho pra gente.

Faz graça pra ela.

LEONARDO: Kátia, você sabe que eu não gosto dessas comparações, principalmente na frente deles.

KÁTIA: Desculpe, meu amor.

LEONARDO: Tudo bem. Vou localizar o Patrício. Boa tarde.

KÁTIA: Beijos.

Kátia desliga o celular.

LUA: O Pato tá encrencado?

KÁTIA: Está. E você também se não parar de fazer perguntas.

LUA: Aff.

Elas voltam a comer.

CENA 22. RUA. CARRO. EXT. DIA

Pato e Amanda se pegando. Ela, no colo dele, retira a camiseta do garoto.

PATO: Calma aí, gata.

AMANDA: Que foi? Você não quer?

PATO: Eu quero, mas aqui? No carro?

Ela sussurra no ouvido.

AMANDA (morde os lábios): Por que não? Eu adoro uma aventura.

PATO: E se chegar alguém?

AMANDA: Essa é a melhor parte, bobo, o risco de chegar alguém. O medo pode ser uma adrenalina inesquecível.

Ele ri, sacana, concordando.

PATO: Eu quero correr esse risco.

Amanda sorri. TOCA um celular. Pato tira Amanda de cima e saca o aparelho do bolso, verifica.

PATO: É o chato do meu pai.

AMANDA: Não vai atender?

PATO (ri): Claro que não.

Ela volta pra cima dele.

AMANDA: Isso. Esquece o mundo. Agora, somos só eu e você.

PATO (sacana): É, foda-se o mundo. Eu quero essa adrenalina.

Os dois se beijam. Pato, de olho aberto, tenta ligar a câmera do celular.

PATO (pensa): Preciso da prova pra mostrar ao Diego. Essa aposta tu já perdeu, moleque!

Ele inicia a gravação do vídeo enquanto Amanda crava as unhas nas costas e vai descendo.

 
     

 

     

autores
GABO OLSEN
DIOGO DE CASTRO


colaboração
IGOR FEIJÃO

elenco
NICOLAS PRATTES como PATO
ALICE WEGMANN como NANDA
JOSÉ VICTOR PIRES como DIEGO
LETÍCIA NAVAS como PAULINHA
JOÃO VITHOR OLIVEIRA como CAIO
LARISSA MANOELA como LUA
ERIBERTO LEÃO como LEONARDO
TALITA CASTRO como KÁTIA
JUAN ALBA como HEITOR
CAROLINA FERRAZ como SELMA
ÂNGELA LEAL como NANÁ
JANDIR FERRARI como MARCELO
ÂNGELA DIP como ESTELA
DALTON VIGH como RUBENS
LUCIANA VENDRAMINI como MIRTES
FILIPE BRAGANÇA como GREGO
LUCAS COTRIM como DJ
RAISSA CHADDAD como LARISSA
NICHOLAS TORRES como RICARDO
HESLAINE VIEIRA como ANDRÉIA
GABRIEL SANTANA como ISMAEL
CARLA FIORONI como JULIANA
MARCELLO AIROLDI como ARNALDO
VERA ZIMMERMANN como LÚCIA
SANDRA PÊRA como VANICE
WAGNER SANTISTEBAN como ALFREDO
MARISOL RIBEIRO como MILENA
JIDDÚ PINHEIRO como RAMIRO
FERNANDO PAVÃO como EMÍLIO


trilha sonora
SIPPIN' ON SUNSHINE - AVRIL LAVIGNE (ABERTURA)
MEU ABRIGO - MELIN
AMORES IMPERFEITOS - ANAVITORIA

produção
CRISTINA RAVELA


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução
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