Laços de Amizade - Capítulo 19




CAPÍTULO 19
 
     
 
     

 

     
 

| CENA 01 | São Paulo. Exterior. Fim da manhã.

MÚSICA: Filosofia de Bar – Jovelina e Seu Jorge”.

A câmera mostra imagens da grande São Paulo. Corte de cena.

| CENA 02 | Bar Ponto de Encontro. Interior.

Música off. No balcão central, Chad faz algumas anotações, com uma calculadora ao lado. O local está razoavelmente cheio, as pessoas começam a chegar para o almoço. Melissa vem vindo da cozinha. O som é ambiente, volume baixo.

CHAD: Cadê a Bruna hein? Daqui a pouco esse povo começa a pedir comida e a cozinheira ainda não tá aqui.

MELISSA: Calma, meu amor. Deve ter acontecido um imprevisto, mas ela já deve tá chegando.

CHAD: De qualquer maneira vou ligar.

MELISSA: Deixa de tanta preocupação, Chad. Você vai acabar tendo uma síncope. Aí sim é que a gente nunca vai casar. Se bem que você ia adorar se isso acontecesse.

Chad responde lhe dando um olhar mortal. Corta para a entrada do bar. Darlan entra no local com uma aparência não muito boa, e vai em direção ao balcão central, sentando-se em um banco à frente de Chad.

CHAD: (curioso) Tudo bem, seu Darlan?

DARLAN: Eu estou com cara de que tá tudo bem? Não responde. Me prepara um wisk, por favor.

CHAD: É pra já.

| CENA 03 | Condomínio Almirante. Apartamento 209. Int.

Isabel está sentada no sofá, lendo uma revista e à espera de seus filhos para o almoço. A campainha toca e ela vai atender. Ao abrir a porta:

ISABEL: (surpresa) Janaína?

JANAÍNA: (voz trêmula) Você é a única que pode me ajudar, Isabel.

Isabel percebe as malas de Janaína no chão.

JANAÍNA: (olhos lacrimejados) Ele descobriu tudo, amiga.

ISABEL: Meu Deus! Entra, senta um pouco.

Janaína pega às malas e entra no apartamento, indo em direção ao sofá.

ISABEL: Você quer uma água?

JANAÍNA: Não, não precisa.

ISABEL: Me explica isso direito. Como ele descobriu?

JANAÍNA: Não sei. Mas isso só pode ter sido coisa daquele cretino do Carlos. Ele deve ter descoberto onde ficava o escritório do Darlan e mostrou umas fotos minhas. Ele descobriu da pior maneira possível, amiga.

ISABEL: Vamos combinar que quando se trata de você, as coisas sempre acontecem da pior maneira possível né. Nunca vi alguém com tamanha falta de sorte. Mas eu te disse que ele acabaria descobrindo. Você errou em não ter falado logo.

JANAÍNA: Eu sei. Mas me faltou coragem. É muito fácil pra quem está de fora julgar, mas só Deus sabe como foi difícil mentir esse tempo todo ‘pro’ homem que eu amo, Isabel.

ISABEL: E no fim das contas, pra que serviu isso tudo? Pra ele te expulsar da casa dele. Você não devia ter sustentado essa mentira por tanto tempo.

JANAÍNA: Agora é tarde demais. Eu não tenho onde ficar Isabel, você é minha única esperança. (pausa) Eu posso ficar aqui por um tempo?

Close em Isabel, indecisa.

| CENA 04 | Bar Ponto de Encontro. Interior.

O local agora está mais cheio. Corta para a entrada do bar. Bruna e Marcelo entram e Melissa grita histérica por Bruna. O casal se aproxima do balcão central, onde Darlan ainda está bebendo em excesso e com pensamento distante.

MELISSA: Graças a Deus você apareceu minha filha! Esse aqui (para Chad) já estava a ponto de ter um ataque de pelanca. Já pensou se eu fico viúva antes mesmo de casar, que tragédia?!

BRUNA: Desculpa pelo atraso gente. Não vai acontecer de novo.

CHAD: Aposto que ficaram de chamego depois da aula e perderam a noção do tempo né. Sei bem como é isso. (nostálgico) Aah meus tempos de juventude!

Melissa não gosta do que Chad diz. Marcelo nota a presença do pai ali.

MARCELO: Bruna, acho melhor eu ir. Mais tarde a gente se vê.

Darlan reconhece a voz do filho, e vira-se levantando em sua direção. Bêbado, ele pronuncia.

DARLAN: Filho... Fica longe dessa garota. Ela deve ser uma vagabunda feito a mãe dela!

Tensão no ar.

| CENA 05 | Condomínio Almirante. Apartamento 209. Int.

Isabel e Janaína continuam sentadas no sofá.

ISABEL: (nervosa) Eu... Eu não sei se é uma boa ideia, Janaína. Imagina a reação dos meus filhos quando souberem que eu abriguei a assassina do pai deles na nossa casa?

JANAÍNA: (séria) Eu não matei seu marido e você sabe muito bem disso.

ISABEL: Claro que sei. Mas eles, não. Como eu vou dizer isso a meus filhos? Se só o fato de nós sermos amigas, mesmo com o que você supostamente fez, já é no mínimo estranho pra eles. Imagina com você morando aqui. É claro que eles vão desconfiar de alguma coisa.

JANAÍNA: Mas eu não te pediria uma coisa dessas, se eu tivesse alternativa. Eu não posso voltar pra casa do Carlos. Prefiro morar na rua a ter que me submeter às sacanagens que ele me obrigaria novamente. A Bruna mora de favor naquela república. Eu não tenho saída amiga.

Isabel está hesitante. 

ISABEL: Tudo bem. Por tudo que você fez por mim, eu vou te ajudar. Você pode ficar no quarto de hóspedes.

JANAÍNA: (aliviada) Muito obrigada, Isabel. De verdade.

ISABEL: Não quero nem pensar no que vai acontecer quando o Igor e a Jaque chegarem do colégio.

| CENA 06 | Bar Ponto de Encontro. Interior.

Os ânimos começam a se exaltar. Darlan, sob efeito do álcool, fala sem pudor. Chad, Melissa e Bruna estão paralisados e incrédulos com o que acabaram de ouvir. O semblante de Marcelo é de raiva.

MARCELO: Quem você pensa que é pra falar assim da minha namorada?

Darlan segura os ombros do filho.

DARLAN: Escuta, meu filho. Larga essa garota. Se ela for tão baixa quanto a mãe, e deve ser porque quem sai aos seus não degenera, você está em maus lençóis. Tal mãe, tal filha!

Marcelo se desvencilha do pai.

MARCELO: Seu bêbado doente!

DARLAN: Você sabia que sua ex-futura mamãe é uma prostituta?

Melissa põe a mão na boca, chocada. Chad não acredita no que acabara de ouvir.

BRUNA: Então o senhor já...

Darlan a interrompe grosseiramente.

DARLAN: Cala a boca, mocinha. Não ouse me dirigir a palavra. A conversa é entre eu e meu filho. Ouça Marcelo, saia dessa enquanto é tempo. Você é um Rezende. Essa garota não serve pra você, deve ser uma mulherzinha de quinta categoria, assim como a mãe.

Marcelo se descontrola e dá um soco no próprio pai. Os poucos clientes começam a cochichar e assistir de camarote a cena.

MELISSA: Faz alguma coisa Chad!

Chad limita-se a olhar Melissa, sem reação.

MARCELO: (bravo) Lava essa boca suja pra falar da Bruna. Aliás, você não tem moral nenhuma pra falar de ninguém! Só quem te conhece de verdade sabe do que to falando. Você fez um grande favor a Janaína terminando com ela. Você é um lixo de pessoa!

Darlan se recompõe, com a mão no queixo.

DARLAN: (incrédulo) Você me bateu?

Ele aumenta o tom de voz, para chamar atenção das pessoas no local.

DARLAN: Vocês estão vendo? Meu filho. Meu ÚNICO filho. Sangue do meu sangue... Acaba de me dá um soco! (para Marcelo) Você vai se arrepender de tudo isso.

Darlan retira a carteira do bolso, e de dentro dela, uma nota de R$ 100,00 colocando-a em cima do balcão e se retira do local. Marcelo perde o controle e tenta ir atrás do pai.

MARCELO: (grita) Que foi? Resolveu mostrar sua verdadeira face?! Perdeu a postura de bom moço na qual você quer que todo mundo acredite?! Volta aqui! Assassino! Seu assassino!

Bruna o impede de sair.

BRUNA: Calma meu amor. Calma! Deixa-o ir.

MELISSA: (exagerada) Geeeente. Que babado foi esse?! Tô passada, engomada e de alma lavada.

CHAD: Isso não é hora pra brincadeiras.

Marcelo se tranquiliza.

MARCELO: Desculpa por isso, Chad. Mas esse cara me faz perder o controle.

CHAD: Tudo bem, Marcelo. Mas as coisas não precisavam ter chegado a esse extremo. Você agrediu seu próprio pai.

MARCELO: (convicto/grosso) Eu não tenho pai.

MELISSA: (curiosa) E isso que ele falou da sua mãe, Bruna... Sobre ela... Bom... Você sabe...

BRUNA: Sim, Melissa. É tudo verdade. Mas é uma longa história.

CHAD: Que você não vai contar agora porque já está em serviço. Vamos pessoal, vamos ao trabalho!

| CENA 07 | Condomínio Almirante. Apartamento 209. Interior.

Reunidas à mesa de jantar estão Janaína e Isabel, fazendo a refeição enquanto conversam.

ISABEL: Todo santo dia é a mesma coisa. Eu os espero para o almoço, e eles me aparecem aqui quase na hora do jantar. Preciso dá um corretivo nesses meninos.

JANAÍNA: Eles são adolescentes, Isabel. Você tem que saber lidar com isso.

Ouve-se o barulho de porta batendo e uma voz masculina

VOZ: O almoço tá pronto? To varado de fome!

Igor e Jaqueline surgem na sala de jantar e se surpreendem com a presença de Janaína.

JAQUELINE: Quê que eu essa mulher tá fazendo aqui?

ISABEL: (nervosa) Calma, meninos. Calma. A Janaína está precisando da nossa ajuda e nós vamos acolhê-la aqui em casa por um tempo.

IGOR: (bravo) Como é que é?

JAQUELINE: Eu não acredito no que eu to ouvindo. Mãe... Você enlouqueceu? Ou esqueceu que essa mulher é a assassina do meu pai, SEU marido! Como é que você tem a audácia de trazê-la pra dentro da nossa casa?

IGOR: Isso é um absurdo!

JANAÍNA: Eu não sou quem vocês pensam meninos...

Isabel interrompe a fala de Janaína, com receio.

ISABEL: (autoritária) A Janaína é uma grande amiga. Que sempre me ajudou quando precisei. Agora, quem está precisando de ajuda é ela, e eu vou ajudá-la no que for possível, mesmo que seja contra a vontade de vocês. Estamos entendidos?

JAQUELINE: Pois você vai ter que decidir. Porque eu não vou dividir o mesmo teto com uma criminosa.

Jaqueline sai inconformada. Igor a segue. Isabel olha para Janaína.

ISABEL: E agora?!

| CENA 08 | São Paulo. Exterior.

“MÚSICA: É preciso – Jota Quest”.

Passagem de tempo. Noite.

|CENA 09 | República Universitária Laços de Amizade. Interior.

Música off. José e Celina estão organizando a mesa para o jantar. Na sala, sentados no sofá estão Bruna, Marcelo, Luciano e Fabiana. Cláudio desce as escadas e se joga entre os dois casais, de propósito. De onde estão, os republicanos tentam entender a conversa entre o casal de mexicanos. Fim da sonoplastia.

CELINA: Sabe José, a veces me quedava mirando nuestras fotos y los recuerdos venian todos a la mente. Era maravilloso, pero doloroso. [Sabe José, às vezes ficava admirando nossas fotos e as lembranças vinham todas a minha cabeça. Era maravilhoso, mas ao mesmo tempo, doloroso.]

JOSÉ: Ahora no hay más dolor, mi amor... Solo amor! [Agora não há mais dores, meu amor... Só amor!]

CELINA: Te quiero tanto!

JOSÉ: Yo también!

Eles se beijam. Corta para a sala.

CLÁUDIO: Alguém entendeu alguma coisa do que eles disseram?

BRUNA: Alguma coisa do tipo “te quero muito” e “eu também”...

CLÁUDIO: Já vi que vou ter que andar com um dicionário de espanhol pra poder falar com o José.

MARCELO: É...

BRUNA: Bom. Janto quando chegar. Tenho que voltar ‘pro’ bar. Não posso me dá ao luxo de chegar atrasada, duas vezes, no mesmo dia.

CLÁUDIO: (irônico) ‘Cê’ devia ter ido com o tico e o teco então.

FABIANA: A Bruna? No mesmo espaço em que Valeska e Vanessa? Acho que não né.

MARCELO: Que sem noção Cláudio. (para Bruna) Eu levo você, Bruna.

CLÁUDIO: Partiu! Vou com vocês. Deixa só eu pegar minha carteira.

Cláudio sobe às escadas correndo.

FABIANA: Quem chamou ele?!

BRUNA: Esse Cláudio... (para Fabiana e Luciano) Mas e vocês? Vão ficar aí com cara de quem comeu e não gostou?

LUCIANO: Eu não ‘tô’ com o menor saco pra balada.

E se levanta, sem mais explicações.

FABIANA: Ai amiga, eu também não vou não. Tenho uma prova pra estudar.

MARCELO: Já vi que vou ter que ficar de bobeira à noite toda e sem companhia.

BRUNA: Antes só que mal acompanhado. Da última vez não deu muito certo, por isso, fique longe da Valeska.

MARCELO: (debochado) Sim senhora.

FABIANA: Ai que susto! Pensei que tivesse falando de mim.

BRUNA: Claro que não boba.

MARCELO: Bom, vamos?!

Bruna pega sua bolsa, que estava jogada na mesinha de centro. Os dois caminham até a saída. Apenas Fabiana permanece na sala. Ela liga a TV. Celina surge na sala, empolgada.

CELINA: La cena se sirve! (desanimada) Dónde están todos? [O jantar está servido! Cadê todo mundo?]

Close em Fabiana, observando Celina.

| CENA 10 | São Paulo. Trânsito.

Um carro cinza desliza pela pista até parar diante de um sinal fechado. Os pedestres começam a atravessar na faixa. Corta para o interior do veículo. Marcelo está no volante, Bruna no carona e Cláudio no banco de trás.

BRUNA: Seu pai tava completamente desequilibrado, Marcelo. Eu nunca pensei vê-lo um dia perdendo a compostura daquele jeito. E na frente de todo mundo!

MARCELO: Esse é o Darlan que poucos conhecem, Bruna. Ele não é quem você pensa. Já conseguiu falar com a sua mãe?

BRUNA: Ainda não. Ela não atende. Pra onde será que ela foi Marcelo? To preocupada. Eu disse que ela contasse logo a verdade. Sabia que essa mentira não ia durar muito tempo.

O sinal abre.

MARCELO: (olhando para ela) Não se lamente tanto por ela. Acredite, ter se livrado do meu pai foi o melhor que podia ter acontecido com sua mãe.

Ele beija Bruna de leve.

CLÁUDIO: Ow vocês aí! O sinal já abriu pombinhos!

MARCELO: Vai se danar, cara.

Bruna ri.

CLÁUDIO: Eu hein!

| CENA 11 | Bar Ponto de Encontro. Interior.

A movimentação está intensa. No andar de cima a galera dança freneticamente na pista, ao som de um hit eletrônico. No andar de baixo, algumas mesas ocupadas. A música eletrônica que tocava dá lugar a:

MÚSICA: “Exagerado – MC Naldo”.

Andar de cima. Close nas irmãs Peduzzi abalando na pista. Valeska chama a atenção de todos com seu desempenho especialmente na música que toca agora.  Enquanto balança o esqueleto, ela toma uma bebida e provoca os rapazes ao seu redor. Vanessa tenta imitar a irmã, mas logo desiste. Abre-se um círculo diante da loira de olhos azuis, o que a faz se sentir uma estrela de Hollywood, dançando como se fosse a última música de sua vida sob os olhares de desejo dos rapazes e sob os olhares recalcados das outras garotas que por ali estão. Vanessa puxa o saco da irmã como pode. Corte de cena. As duas vêm descendo às escadas em direção ao andar de baixo, exaustas, mas animadas. Som ambiente.

VANESSA: Ai que tudo! Há tempos a gente não agitava isso aqui hein! Você ARRASOU na pista, maninha.

VALESKA: Nem me fale, querida. Ainda bem que ninguém se lembra mais do meu vexame no concurso gastronômico. Voltei em grande estilo!

VANESSA: É isso aí!

Ao descerem todos os degraus, elas caminham até uma mesa, onde se sentam. Close em Ronaldo, o homem de olhos fundos, amigo de Carlos. Ele veste uma blusa gola-polo vermelha, e uma calça jeans azul e observa Vanessa fixamente. Ela percebe.

VANESSA: Mana, olha lá aquele gato... Acho que tá olhando pra você!

VALESKA: Claro que não sua anta. É pra você.

VANESSA: (surpresa) Pra mim?!

VALESKA: Quer apostar? Dá um sorrisinho atraente pra ele.

VANESSA: Tem certeza?

VALESKA: Se você não der, eu dou hein...

Imediatamente Vanessa sorri para o homem, que ergue o copo de wisk que estava em sua mão, levando à boca logo em seguida. Vanessa encara a irmã, eufórica.

VALESKA: Contenha-se garota. Não demonstre mais do que ele precisa saber. Eu vou ao banheiro, enquanto isso o chame pra cá com o olhar. Ele parece ser um cara mais velho, então, vê se não faz ou fala besteira. Bye!

VANESSA: Espera, não me deixa aqui sozinha...

Valeska ignora a irmã e se retira. Vanessa fica acuada por um instante, mas volta a trocar olhares com Ronaldo. Ele chama um garçom e cochicha em seu ouvido. O garçom se retira. Ronaldo vai ao encontro de Vanessa que está imóvel, com sorriso exagerado e paralisado.

RONALDO: Oi, gatinha.

Close em Vanessa, paralisada.

| CENA 12 | República Universitária Laços de Amizade. Corredor. Interior.

Fabiana caminha pelo corredor até se posicionar a frente da porta do quarto Uva. Ela bate, e fala.

FABIANA: A Celina tá chamando pro jantar, Luciano.

Ela não obtém resposta.

FABIANA: Tem alguém aí?

Luciano abre a porta. Olha no olho da namorada, mas não diz nada. Prepara-se para sair, mas Fabiana o impede.

FABIANA: Antes eu queria falar uma coisa.

LUCIANO: Fala.

FABIANA: (tensa) Eu tomei uma decisão. Eu não vou tirar nosso filho.

Baque em Luciano, surpreso. Frente a frente, Luciano e Fabiana estão tensos.

LUCIANO: Você só pode tá de brincadeira né garota?!

FABIANA: Eu não posso fazer isso, Luciano. É nosso filho.

LUCIANO: Não tem filho nenhum ainda. O que você carrega aí não passa de um feto em desenvolvimento. E é por isso que quanto antes tirar, melhor.

FABIANA: Olha o jeito que você fala de uma vida. Eu já sinto meu filho aqui dentro. Quê que aconteceu com você Luciano?! Tá completamente diferente daquele cara por quem me apaixonei. Eu não posso fazer isso.

LUCIANO: Eu não mudei, só estou agindo com a cabeça. Eu não posso ser pai ainda. E nem você! Vai ser melhor pra todo mundo. Pensa bem Fabiana.

Fabiana baixa a cabeça, em dúvida.

FABIANA: Eu...

LUCIANO: Não tem volta. Eu já consegui a grana e já sei onde podemos fazer isso. (pausa) Vamos jantar.

Luciano ergue a cabeça da namorada e a abraça.

| CENA 13 | Bar Ponto de Encontro. Interior.

A casa está cheia. O som na pista de dança continua agitando o andar de cima, onde jovens dançam e bebem freneticamente. No andar de baixo, todas as mesas estão ocupadas. Corta para a mesa onde estão Vanessa e Ronaldo.

VANESSA: (nervosa) Oi...

RONALDO: Tava aqui te admirando. Você chamou a atenção dos marmanjos na pista. Dança muito, gatinha.

VANESSA: Brigada. Você é novo aqui? Nunca te vi.

RONALDO: Digamos que sim. Meu nome é Ronaldo, muito prazer.

VANESSA: Vanessa Peduzzi, o prazer é meu.

Ronaldo deixa escapar um risinho sacana.

RONALDO: Mas e aí, você...

O áudio do diálogo é cortado. O som ambiente aumenta. Corta para a mesa onde Marcelo está sentado, sozinho. Valeska surge de repente e senta-se sem ser convidada.

MARCELO: Valeska, na boa... Eu não to a fim de discutir com minha namorada por sua causa novamente.

VALESKA: (cara de pau) Prefere ficar sozinho?

MARCELO: Antes só que mal acompanhado.

VALESKA: Concordo plenamente. Mas como este não é o caso, eu fico.

Ela dá um sorriso descarado para ele, que está sério.

MARCELO: Sai daqui, Valeska, por favor.

VALESKA: Ai relaxa, gato. A Bruna não sai da cozinha tão cedo. Além do mais a Vanessa tá acompanhada.

Ela aponta para a mesa onde estão Vanessa e Ronaldo. Marcelo olha.

MARCELO: Aquele cara não é velho demais pra ela não?!

VALESKA: Que caretice, Marcelo. A idade é o que menos importa. To feliz por ela.

MARCELO: (provoca) Isso sim é novidade. Achei que você só ficasse feliz consigo mesma.

VALESKA: Que tipo de gente você acha que eu sou?!

Cláudio surge se intrometendo na conversa.

CLÁUDIO: Do tipo de gente chata, arrogante, mesquinha, autossuficiente e que só pensa em si mesmo.

Marcelo dá risada.

CLÁUDIO: (debochado) Esqueci alguma coisa?

VALESKA: (com ódio) Não tá vendo que tá sobrando aqui não, garoto?!

CLÁUDIO: Já pediram o rango? Tô varado de fome.

Cláudio senta-se. Marcelo não contém o riso.

CORTA PARA, mesa onde estão Vanessa e Ronaldo. Na mesa, duas cervejas e dois copos. Discretamente, ele põe mais bebida no copo de Vanessa.

RONALDO: Quer dizer que você cursa Pedagogia? Gosta de crianças?

Vanessa se empolga e fala sem parar.

VANESSA: (enfatiza) A-M-O! De paixão mesmo, cara. Meu pai ficou bolado comigo quando eu disse que faria Pedagogia. Ele falou que não tinha pagado escolas caras durante toda minha vida pra eu me tornar uma professorazinha qualquer sem era, nem beira. Com estas palavras. Vê se pode! Mas eu não dei a mínima, sempre tive uma paixão pela docência e é isso que eu quero fazer.

RONALDO: É... Seu pai não foi muito legal com você.

VANESSA: Ih meu filho, isso é o de menos... Você não sabe da missa, a metade! Hoje ele sequer se importa comigo e minha irmã. Vive fora do país, a negócios. Mas agora vamos falar coisas mais interessantes...

RONALDO: Como o quê, por exemplo?

VANESSA: Você...

Close em Ronaldo, desconfiado.

| CENA 14 | República Universitária Laços de Amizade. Interior.

Reunidos à mesa, fazem a refeição Celina, José, Fabiana e Luciano. O silêncio paira no ar. Fabiana cabisbaixa, mal toca na comida. Luciano tenta disfarçar sua tensão, mas Celina e José percebem que algo está errado. Eles trocam um olhar. Celina toma a palavra.

CELINA: ¿Qué pasa con ustedes, chicos? [O que está acontecendo com vocês, meninos?]

JOSÉ: ¿La comida no les agrada? [A comida não está agradando?]

CELINA: Creo que es más que eso, mi amor. [Acho que é mais do que isso, meu amor.]

FABIANA: Não é nada. Só estou sem fome. Eu vou pro meu quarto, tenho que estudar pra uma prova amanhã.

Fabiana levanta-se desconfiada e sobe as escadas. Luciano permanece em silêncio

JOSÉ: ¿Y tu muchacho? [E você, rapaz?]

LUCIANO: Eu o quê, José?

JOSÉ: ¿Que te parece la comida? [O que está achando da comida?]

LUCIANO: Ah! Tá ótima.

Luciano volta a comer, de cabeça baixa. Celina continua desconfiada e troca mais um olhar de cumplicidade com José.

| CENA 15 | Bar Ponto de Encontro. Close na entrada do bar.

Acabam de chegar ao local Igor e Jaqueline, ambos com cara de poucos amigos. Corta para a mesa onde estão Vanessa e Ronaldo. Ela, sorrindo, tenta pronunciar as palavras.

VANESSA: Cara, você é muito engraçado! Nem parece um quarentão.

RONALDO: Porque eu não sou. Ainda estou na casa dos trinta, mocinha. Pareço mais velho?

VANESSA: Ah, não é isso não. É como a gente costuma chamar os caras mais velhos sabe. Mas não, você não parece ter quarenta... Aliás, você é muito gato! Com todo respeito.

Ronaldo deixa escapar um risinho sacana, mas logo se torna sério. Olha fixamente no olho de Vanessa, que se desconcerta.

RONALDO: Nada, se comparado a você...

VANESSA (tímida): Brigada.

RONALDO: Você não gostaria de ir pra um lugar mais calmo?

Vanessa é pega de surpresa.

VANESSA: Hã... Não sei, acho melhor...

Ele a corta. Segura em seu queixo.

RONALDO: Garanto que não vai se arrepender.

MÚSICA: “Maré – NX Zero”.

Vanessa sorri demonstrando estar convencida. Ronaldo faz sinal para o garçom que se aproxima. Ele retira sua carteira do bolso e paga sua conta, levantando-se em seguida. Pega na mão de Vanessa que o acompanha em direção a saída. Discretamente ela olha pra trás tentando avistar a irmã que dá um “tchauzinho” da mesa onde está. Close em Marcelo, sentado à mesa com Valeska. Cláudio não está mais presente. Som agora é ambiente.

MARCELO: Você não vai fazer nada?

VALESKA: E estragar a noite da minha maninha, querida?! Claro que não, amore. Deixa ela se divertir. Tá mesmo precisando.

MARCELO: Sei não viu... Vanessa é muito inocente pro meu gosto. Esse cara não me pareceu confiável.

VALESKA: Você tem uma vocação pra pai careta que vou te contar viu!

Fim da sonoplastia.

| CENA 16 | Condomínio Almirante. Apartamento 209.

Isabel e Janaína tomam um cafezinho na sala de estar, enquanto conversam.

ISABEL: Janaína, eu preciso falar uma coisa com você.

JANAÍNA: (toma um gole de café) Do que se trata?

ISABEL: É que eu tomei uma decisão em relação a sua estada aqui na minha casa.

JANAÍNA: (colocando a xícara de café na mesinha) Não vai me dizer que...

Isabel também coloca a xícara na mesinha.

ISABEL: Eu quero que você saia do meu apartamento.

JANAÍNA: Mas, Isabel... Eu não tenho pra onde ir.

ISABEL: Eu sei. Mas entenda que eu não posso travar uma guerra com meus filhos, por você. Igor e Jaqueline estão sumidos desde cedo! Daqui a algum tempo essa situação vai ficar insustentável. Você não pode mais ficar aqui. Me desculpe.

JANAÍNA: Mas eu não tenho a quem recorrer, Isabel. Você não pode me deixar na mão justo agora que eu mais preciso.

ISABEL: Eu já fiz tanto por você te tirando daquela prisão...

JANAÍNA: (alterada) Como é que é? Foi isso mesmo que eu ouvi? Você fez tanto por mim?! Eu passei meses da minha vida pagando por um crime que VOCÊ cometeu e agora vem me dizer que já fez muito por mim?

ISABEL: Me entenda, Janaína...

Janaína se descontrola e levanta-se do sofá.

JANAÍNA: Quem precisa entender alguma coisa aqui é você, Isabel. Você tem uma dívida eterna comigo. Outra pessoa no meu lugar não teria feito o que fiz. Eu acabei com todas as esperanças de uma vida melhor quando assumi aquele crime.

ISABEL: Você vai me jogar isso na cara o resto da vida?

JANAÍNA: Não se trata de jogar na cara. Não estou te cobrando nada. Mas você precisa saber que me deve isso, e como preciso de ajuda nesse momento, você tem a obrigação de me ajudar.

ISABEL: Eu não vou colocar em risco a minha relação com meus filhos por você, Janaína. Sinto muito.

JANAÍNA: Ah, então é isso? Pois saiba que a partir do momento em que você me expulsar daqui a sua relação com Igor e Jaqueline corre muito mais perigo.

Isabel levanta-se do sofá.

ISABEL: Você está me ameaçando, Janaína?

JANAÍNA: Isso não é uma ameaça, Isabel. Isso é uma atitude desesperada de alguém que precisa da ajuda de uma amiga.

A campainha toca interrompendo o clima tenso do diálogo. Isabel vai atender, Janaína volta a sentar-se. Do outro lado da porta, Suzana.

ISABEL: Que surpresa, Suzana.

SUZANA: Perdoe-me pela hora, vizinha. Mas eu preciso de outro favorzinho.

ISABEL: Entre, por favor.

Suzana entra sem cerimônia e lança um sorrisinho para Janaína, que o devolve tentando se recuperar do estresse. Isabel troca um olhar com Janaína e faz sinal para Suzana sentar-se ao sofá, sentando-se em seguida.

ISABEL: Esta é Janaína, uma amiga. E esta é Suzana, minha nova vizinha.

JANAÍNA: Prazer.

SUZANA: O prazer é todo meu, querida.

Aperto de mãos.

SUZANA: Está tudo bem por aqui?

JANAÍNA: (disfarçando) Está sim.

ISABEL: Mas a que devo a honra de sua visita?

SUZANA: Açúcar. Eu sei que é muito inconveniente de minha parte, mas não tenho mais a quem recorrer. E não fica bem uma mulher ir desacompanhada ao supermercado a essa hora da noite, sim?! Por acaso o seu filho Igor não me acompanharia?

ISABEL: Ah, certamente acompanharia. Mas infelizmente ele não se encontra. Mas não se preocupe, querida. Eu providencio isso pra você. Afinal, é pra isso que servem os vizinhos, não?!

Isabel e Suzana riem, a segunda disfarça sua decepção. Janaína continua séria.

| CENA 17 | Bar Ponto de Encontro. Interior.

Movimentação intensa. Mesa onde estão Igor e Jaqueline. Ambos ainda inconformados com a novidade.

IGOR: A nossa mãe passou de todos os limites.

JAQUELINE: Levar aquela assassina pra dentro da nossa casa é o cúmulo do absurdo.

IGOR: Como é possível que exista um laço de amizade entre elas depois de tudo que aquela mulher fez?

JAQUELINE: Isso é no mínimo estranho, não acha?

IGOR: O que você quer dizer?

JAQUELINE: Tem mais coisa sobre a morte do nosso pai que não sabemos, Igor. Algo me diz que nossa mãe esconde alguma coisa.

IGOR: Será, Jaque?

JAQUELINE: Não posso afirmar nada, mas a partir de hoje vou ficar de olhos bem abertos com a dona Isabel. (pausa) Vou ao banheiro.

Jaqueline se retira. Igor toma um gole de seu suco de uva. Cláudio surge inesperadamente sentando-se à mesa.

IGOR: Quem te convidou a sentar, cara?!

CLÁUDIO: Eu tenho uma proposta pra te fazer.

Close em Igor, curioso.

| CENA 18 | Rua. Sinal de trânsito. Exterior.

Um corsa azul royal está parado diante da faixa de pedestres. As pessoas atravessam na faixa, apressadas. No interior do automóvel está Ronaldo ao volante, e Vanessa no carona.

VANESSA: Onde estamos indo?

RONALDO: Pra minha casa.

Close em Vanessa, tensa.

| CENA 19 | Condomínio Almirante. Apartamento 209.

Isabel serve café a Suzana que está sentada ao lado de Janaína no sofá central.

SUZANA: Seus filhos demoram, Isabel?

ISABEL: Quisera eu ter a resposta para essa pergunta.

SUZANA: Esses jovens não têm jeito. E você Janaína, tem filhos?

JANAÍNA: Tenho uma filha. Ela se chama Bruna.

SUZANA: Outro dia encontrei com Jaqueline e Igor no hospital onde meu filho está se recuperando, Isabel. Acabei esquecendo de te falar. Não sei se eles comentaram algo.

ISABEL: Não sabia que você tinha um filho, assim como também não sabia desse encontro de vocês.

SUZANA: E provavelmente não sabe que sua filha e meu filho são namorados.

ISABEL (surpresa): Não mesmo.

JANAÍNA: Do que ele está se recuperando, Suzana?

SUZANA: Acabou de acordar de um coma. Andou aprontando em minha ausência sabe. Se envolveu em um acidente de carro. O Celso sempre foi um garoto difícil.

JANAÍNA: (surpresa) Que mundo pequeno! Esse rapaz é morador da mesma república onde minha filha vive. Ela comentou comigo desse acidente. Muito triste.

SUZANA: Nossa, que coisa não?! Mas o pior já passou. Agora ele deve se recuperar em breve.

ISABEL: Espero que se recupere logo. Sendo ele seu filho, deve ser um bom rapaz. Aprovo o relacionamento dos dois. Seremos parentes, Suzana.

Elas riem amigavelmente.

| CENA 20 | Bar Ponto de Encontro. Interior. Mesa de Igor e Jaqueline.

IGOR: Tu tá me propondo uma aposta?

CLÁUDIO: É isso aí. ‘Vamo’ ver quem dois consegue deixar a coroa caidinha.

Igor dá risada.

IGOR: Cara tem certeza disso? Olha que ela já me deu prova de que eu sou muito bom, se é que me entende.

É a vez de Cláudio dá risada.

CLÁUDIO: Ela me deu condição no leito de hospital do próprio filho, ‘rapá’! Essa vai ser mole. A menos que ‘tu queira’ amarelar, como é de costume.

IGOR: Por falar em filho. Não se sente mal pelo Celso não?! Não se pega mãe de amigo, cara.

CLÁUDIO: Tu sabe muito bem como é difícil resistir aquela mulher... O Celso não precisa saber. Mas isso não vem ao caso, meu querido. Quero saber: topa ou não topa?

IGOR: Beleza. Vamos ver quem tem cacife suficiente pra conquistar o coração da dama de ferro.

Os dois sorriem em cumplicidade. Jaqueline volta do banheiro.

JAQUELINE: Que parte da novela eu perdi e os dois viraram amiguinhos?

CLÁUDIO: Amigo desse ‘zé mané’ aí? Não mesmo.

Cláudio se retira. Jaqueline encara Igor, desconfiada.

| CENA 21 | Bairro Santa Felícia. Casa de Carlos. Exterior.

Carlos acaba de passar pela porta, indo em direção à rua. O corsa azul Royal estaciona na frente da casa. Vanessa estranha.

VANESSA: Você mora aqui?

RONALDO: Digamos que sim.

Ele abre a porta e sai do carro. Dá a volta e abre a porta para Vanessa sair conduzindo-a até a porta de entrada da casa. Corta para o interior do local. Vanessa adentra, desconfiada da casa mal arrumada. Ronaldo fecha a porta com chave, para o desespero da garota.

VANESSA (tensa): Por que você trancou a porta?

O semblante amigável de Ronaldo se converte em um misto de malícia e maldade.

RONALDO: Porque agora somos só nós dois, belezinha. Eu e você.

Vanessa se desespera. Ronaldo se aproxima dela.

VANESSA: (tensa) Me deixa ir embora. Eu não quero ficar aqui.

RONALDO: Calminha, gostosa. A gente nem começou a se divertir ainda.

VANESSA (histérica): Abre essa porta. Eu quero ir pra casa. Não chega perto de mim.

Ronaldo a segura com força pela cintura. Ele cheira o pescoço de Vanessa, que treme de medo.

RONALDO (libidinoso): Quê que é isso... Assim eu fico louco!

Vanessa tenta se soltar, mas ele é mais forte.

VANESSA: Me larga. Por favor, me deixa em paz!

RONALDO: Quietinha. Caladinha. Você vai fazer tudo que eu mandar.

Ronaldo sorri malicioso. Close em Vanessa, apavorada.

 
     

 

     

autor
Diogo de Castro

elenco
Karla Tenório como Bruna
Daniel Ávila como Marcelo
Thaís Pacholek como Valeska
Letícia Colin como Vanessa
Andreia Horta como Fabiana Simões
Eduardo Pelizzari como Luciano
Alexandre Slaviero como Cláudio
Velson D’Souza como Celso
Cláudia Alencar como Janaína
Rosamaria Murtinho como Celina
Lucinha Lins como Isabel
Kleber Toledo como Igor
Giordanna Forte como Jaqueline
Chico Diaz como Carlos
Zé Carlos Machado como Darlan
Fábio Lado como Chad
Veridiana Toledo como Melissa
Osmar Prado como José
Claudio Lins como Dr. Humberto
Tania Casttello como Suzana
Jorge Pontual como Ronaldo


trilha sonora
Caiu na Babilônia - Strike (Abertura)
Filosofia de Bar – Jovelina e Seu Jorge
É preciso – Jota Quest
Exagerado – MC Naldo
Maré – NX Zero

produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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