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Desígnios: Capítulo 17

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 17

  

Cena 1/Int./Portugal/Estoril/Casa de António Sérgio/Noite.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Manuela está sentada no sofá, António Sérgio a está encarando, com ódio, Gonçalo observa.

ANTÓNIO SÉRGIO

(firme) Vou pedir-lhe, uma única vez, que se vá embora. Se não sair, mandarei os seguranças tirá-la daqui, à força.

MANUELA

(sorri altiva) Duvido que alguém se atreva a tocar na Duquesa Viúva Manuela Castro Figueroa.

ANTÓNIO SÉRGIO

(nervoso/para Gonçalo) Tire esta mulher daqui, Gonçalo, e descubra quem a deixou entrar!

António Sérgio vai indo em direção à escada, Manuela se levanta, o segura pelo braço, o olha nos olhos.

MANUELA

(firme/altiva) Não se atreva a virar-me as costas! Você deve-me uma conversa!

ANTÓNIO SÉRGIO

(encara Manuela) Nós já tivemos uma conversa, e a senhora foi muito clara quando fez a sua escolha. Agora, já não faz parte da minha vida.

António Sérgio se solta, bruscamente, da mão de Manuela. 

ANTÓNIO SÉRGIO

(a encarando) Não se atreva a encurralar-me. Não a quero perto de mim. Não quero, sequer, estar no mesmo lugar que a senhora, porque a desprezo.

MANUELA

(o encara/sedutora) Continua a mentir para ti próprio.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri com desprezo) A sua loucura faz-me rir, Manuela. (para Gonçalo) Gonçalo, repito... Tire esta mulher daqui! E, se ela não quiser sair, chame os seguranças.

António Sérgio sobe as escadas, Manuela fica com vontade de chorar, de raiva, Gonçalo se aproxima dela.

GONÇALO

Dona Manuela, faça o favor de sair.

MANUELA

(raiva/altiva) Eu vou, cão fiel… Mas diga ao António Sérgio que, enquanto não falar com ele, não vou desistir.

Manuela sai com raiva.

Corta Para:

Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Benício e Lívia entram.

BENÍCIO

Não via a hora de chegar em casa. Estou cansado, mas não vou deixar de curtir a noite... Vou tomar um bom banho para tirar esse cheiro de pão, de mim.

LÍVIA

(acha graça) Até que o cheiro é bom.

BENÍCIO

(sorri) E você, vai fazer o quê?

LÍVIA

Eu vou estudar; minhas aulas começam em breve.

BENÍCIO

Então, vem comigo! As aulas, ainda, não começaram.

LÍVIA

(pensativa) Não sei se quero sair com você.

BENÍCIO

Lívia, nós passamos o dia juntos; qual o problema de sairmos à noite?

LÍVIA

O problema é que eu demorei para te esquecer, Beny... Não quero ter esperanças, de novo.

BENÍCIO

(olhando Lívia) E se eu estiver tendo esperanças com você?

Benício e Lívia se olham nos olhos, vão se aproximando lentamente. Roberto entra, Lívia e Benício se afastam, disfarçam.

ROBERTO

Meu filho, que bom que você está aqui. Precisamos conversar.

LÍVIA

Eu vou ver como minha mãe está, com licença.

Lívia sai.

BENÍCIO

Papai... Eu tô muito cansado para ouvir sermão.

ROBERTO

(sorri) Não é sermão, filho. Muito pelo contrário... Eu soube o que você fez na padaria... Não quis o pagamento.

BENÍCIO

Não... Eu não preciso. Sei que estou lá porque você quer me castigar.

ROBERTO

Não, você está lá para ver que as coisas não são fáceis... De certa forma, você viu isso e sabe que Dante, fora daqui, não tem muitos recursos, e você o ajudou.

BENÍCIO

Não foi nada demais, papai. Dante, pra mim, é um irmão.

ROBERTO

Eu admiro muito o seu gesto, filho.

BENÍCIO

(sorri) Agora você me libera do trabalho?

ROBERTO

Com duas condições... Que você fique mais uma semana e que, em seguida, me diga em que quer trabalhar.

BENÍCIO

(feliz) Fechado, papai!

Benício e Roberto se abraçam, Álvaro entra.

BENÍCIO

Eu vou subir e me arrumar.

Benício sobe as escadas.

ROBERTO

Que bom que você chegou, Álvaro... Já vou jantar, vem comigo.

ÁLVARO

Depois eu vou... Primeiro vou conversar com Elisa.

Elisa vem descendo as escadas.

ROBERTO

E Elisa quer falar com você?

Elisa se aproxima.

ELISA

Sim, papai, eu pedi para ele vir aqui.

ROBERTO

Está bem. Podem usar o escritório e, por favor, não briguem. Qualquer coisa, é só me chamar.

Roberto beija o rosto de Elisa, vai para a sala de jantar. Elisa e Álvaro se encaram.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/Escritório/Noite.

Álvaro e Elisa entram.

ÁLVARO

Elisa, eu quero pedir desculpas/

ELISA

(firme) Não, Álvaro... Não faça isso, porque eu sei que você vai fazer de novo, como sempre fez. Você me deixa mal, pede desculpas, me consola e, depois, faz tudo de novo... Era um maldito ciclo que não tinha fim mas, agora, teve, porque eu dei.

ÁLVARO

(calmo) É impressão sua, Elisa. Você sabe o quanto te amo e o quanto faço tudo para te ver bem.

ELISA

(sorri, sem humor) E isso, também, você faz, sempre. (firme) Se faz de vítima, não sei como, mas você consegue fazer com que eu me sinta culpada.

ÁLVARO

Você está enganada, nunca agi assim... Eu acho que alguém está fazendo a sua cabeça contra mim, meu amor.

ELISA

Álvaro, por favor, não me chame mais assim. Nosso noivado acabou. (tenta se acalmar) Eu estou magoada com as suas atitudes, mas sei que vamos conviver, porque você é o secretário particular do meu pai, então, vamos nos tratar bem... Não com intimidade, mas vamos manter a boa educação.

ÁLVARO

(olhar frio, sério) Vai ser assim, mesmo? É isso que você quer? (raiva, a olha nos olhos) Você, realmente, vai me trocar por um motorista?

Elisa fica sem ação, pensativa.

ELISA

Do que você está falando?

Álvaro se aproxima de Elisa, a olha nos olhos.

ÁLVARO

(tom baixo, raiva contida) Você acha que eu sou estupido, não é?... Eu sei que você e aquele motorista estão tendo um caso... Sei que você me traiu.

Elisa está um pouco amedrontada, se afasta de Álvaro.

ELISA

Não sei de onde você tirou isso.

ÁLVARO

(de costas para Elisa) Eu vi vocês se beijando na saída de um restaurante, mas eu já sabia que você estava gostando dele... É fácil ver dentro de você. (se vira de frente para ela, a encara, tom firme, frio) Você é fácil de manipular, e tenho certeza que o português viu isso e pegou o controle das minhas mãos.

Elisa fica incrédula ao ouvir as palavras de Álvaro. 

ELISA

(firme, inconformada) Como você fala essas coisas com tanta naturalidade?

ÁLVARO

Porque é verdade.

ELISA

Não é! (o encara) E já que você sabe... Sim, estou com Sérgio, mas nunca te trai, como você disse, e sabe por quê? Porque nós nunca estivemos juntos de verdade. Nunca houve um relacionamento entre nós e, muito menos, amor. Já, entre Sérgio e eu, há amor, há amizade, há coisas lindas... Coisas que, com você, nunca existiram.

Álvaro sorri, debochado, se aproxima de Elisa, até que a encoste na parede e a impossibilite de sair.

ÁLVARO

(olhar frio e assustador) Você vai se arrepender de tudo isso... Do que fez, do que disse. (pausa) Você não sabe o que eu sou capaz de fazer.

ELISA

(tentando não demonstrar medo, o encara) Finalmente, está me mostrando quem e o que você, realmente, é.

ÁLVARO

(sorri maldoso) Você ainda não viu quem sou eu.

Vai levando a mão em direção ao rosto de Elisa, devagar, segura o rosto dela, aperta levemente.

ÁLVARO

Mas vai saber.

Elisa tira a mão de Álvaro de seu rosto, o empurra, se afasta dele.

ELISA

A conversa acabou, pode sair.

ÁLVARO

(frio) Você e eu vamos nos casar! Você é minha e ninguém vai te tirar de mim.

Álvaro sai, Elisa se senta, começa a puxar o ar para respirar, está nervosa, preocupada.

Corta Para:

Cena 4/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Maya desce as escadas, Álvaro se aproxima dela.

ÁLVARO

Maya, agora, vamos ter que jogar pesado. Elisa, realmente, colocou um ponto final no nosso noivado.

MAYA

Eu sei, Álvaro, mas você está sozinho nessa.

ÁLVARO

(sério) Como é que é?

MAYA

Isso que você ouviu. Não me interessa mais prejudicar a minha irmã.

Elisa sai do escritório, Álvaro está com raiva.

ÁLVARO

(encara Elisa) Sabia que sua irmã foi até o quarto do motorista e deitou nua na cama com ele?

Álvaro sai, bate a porta, Maya fica com raiva.

ELISA

(pensativa) Maya... É verdade isso que o Álvaro falou?

MAYA

(nervosa) Ele só falou isso porque é um cretino! Um imbecil! (se acalma) Mas é verdade, Elisa... (se aproxima de Elisa, a olha nos olhos) Eu tava fazendo umas coisas erradas, mas me arrependi e não vou mais fazer. E só para te tranquilizar, Sérgio, além de não querer nada comigo, me mandou embora do quarto dele.

ELISA

(chateada) Que você estava estranha comigo, lógico que percebi, mas não poderia imaginar que seria capaz de agir para me ferir. Eu jamais faria uma coisa assim com você.

MAYA

(arrependida) Eu sei... E é por isso que peço desculpas, Elisa. Acredite em mim... Não vou mais fazer.

ELISA

(sorri um pouco) Vou te dar esse voto de confiança, Maya.

Maya abraça Elisa.

MAYA

(com vontade de chorar) Desculpa por tudo.

Corta Para:

Cena 5/Int./Portugal – Estoril/Casa de António Sérgio/Sala/Noite.

Gonçalo e António Sérgio estão sentados no sofá, conversando.

GONÇALO

Então, está decidido a não voltar mais para cá?

ANTÓNIO SÉRGIO

Sim. Para morar, não. Para visitar, sim. Mas com a Manuela por aí, fica impossível.

GONÇALO

(sorri maroto) O que é impossível é acreditar que tu, meu amigo, estás apaixonado por uma só mulher.

ANTÓNIO SÉRGIO

(sorri) Pois é, Gonçalo... Mas não é paixão que vem e passa... É amor! Eu amo a Elisa como nunca amei outra mulher antes.

GONÇALO

E, enquanto isso, ela ama o motorista...

ANTÓNIO SÉRGIO

(preocupado) Eu sei... Tenho de lhe contar a verdade, mas não quero fazê-lo agora porque, pela primeira vez, estou a sentir o que é ser amado pelo que sou — e não pela minha linhagem, pelos meus bens, pelo meu nome... A Elisa ama apenas o Sérgio, um simples motorista.

GONÇALO

E quando é que lhe vais contar a verdade?

ANTÓNIO SÉRGIO

Depois de a pedir em casamento... Quero ouvir a resposta dela ao Sérgio. E, se ela disser “sim”, então conto-lhe tudo.

GONÇALO

(instigando) Vais contar-lhe toda a história?

ANTÓNIO SÉRGIO

(pensativo) Tudo o que já passou, não... Mas quem eu sou, sim. Há coisas que prefiro deixar onde estão: no passado.

GONÇALO

António Sérgio, a Manuela saiu a cuspir fogo e veneno daqui. Tu sabes que ela não vai sossegar, enquanto não falar contigo.

ANTÓNIO SÉRGIO

(altivo) Por mim, ela pode se sufocar com as palavras.

Corta Para:

Cena 6/Int./Portugal – Palácio Castro Figueroa/Suíte de Manuela/Noite.

Manuela está falando pelo celular, fica séria, com raiva, ao ouvir o que estão falando.

MANUELA

(altiva) Continua a manter-me informada. (desliga o celular, está com raiva, altiva) Então, é isso, António Sérgio... Arranjaste uma coitada para te distrair... Tenho pena dessa tal Elisa. (se encara no espelho) Vou passar por cima dela como um trator. (sorri maldosa).


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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