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Desígnios: Capítulo 12

Novela de Débora Costa
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DESÍGNIOS - CAPÍTULO 12


 

Cena 1/Ext./Rua/Noite.

Cont. Imediata do capítulo anterior.

Álvaro está do outro lado da rua, vendo Sérgio e Elisa se beijarem. Celso percebe que Álvaro está distante.

CELSO

Álvaro... Está tudo bem?

Álvaro vira de costas para que Sérgio e Elisa não o vejam. Está pensativo, com raiva.

ÁLVARO

(atordoado) Não, tio... Não está nada bem.

CELSO

O que foi? Você está passando mal?

ÁLVARO

Tio, me espera aqui; eu vou fazer uma ligação, mas prefiro que seja dentro do restaurante. Já volto.

Álvaro entra no restaurante. Celso não entende.

Corta Para:

Cena 2/Int./Restaurante/Banheiro/Noite.

Álvaro entra, está nervoso. Pega o celular, faz uma ligação.

ÁLVARO

(ao celular) Maya, sou eu. (tenta ouvir) Espera, está muito barulho aí. Vai para um lugar mais calmo, porque preciso te contar uma coisa que acabei de ver. (ouve, nervoso) Vai logo! (espera alguns instantes) Ótimo! (raiva) Eu acabei de ver Sérgio e Elisa se beijando. (ouve, tom alto) Claro que tenho certeza! Eram eles! (ouve) Deixa de ser burra, Maya! Claro que ela falou que ia a um concerto; foi apenas um pretexto! Agora, presta atenção: não quero que eles saibam que os vi juntos e você também não vai contar nada. Além disso... não sei o que você vai fazer, mas faça qualquer coisa para tirar esse cara da vida de Elisa. (pausa, olhar frio) Porque se eu tiver que resolver isso sozinho... (raiva contida) acabo com a vida dele.

Corta Para:

Cena 3/Int./Mais tarde - Mansão Monteiro Diniz/Sala/Noite.

Clara e Roberto estão sentados no sofá conversando, Elisa entra.

CLARA

(sorri) Oi, minha querida, como foi o concerto?

Elisa se senta ao lado de Clara.

ELISA

(sorri, feliz) Foi incrível, mamãe... O melhor concerto que já vi na vida.

ROBERTO

Deve ter sido mesmo; sua felicidade transparece no seu rosto. (sorri).

CLARA

Ah, vida, essa felicidade nós sabemos o que é. O casamento já está chegando.

ELISA

Minha felicidade não tem nada a ver com o casamento, mamãe. (sorri) Já a noite de hoje, sim.

Maya entra, fica com raiva ao ver Elisa, se esforça para não demonstrar.

CLARA

(surpresa) Maya, achei que vocês iriam chegar mais tarde.

MAYA

(tenta disfarçar, sorri um pouco) Apenas eu vim mais cedo, mamãe. Beny e Dante vão vir mais tarde.

ROBERTO

Beny está se comportando?

MAYA

Está sim, nem bebeu.

ROBERTO

Que bom! Espero que não seja apenas hoje.

Elisa se levanta.

ELISA

Bem, eu vou para o meu quarto; amanhã nos falamos.

MAYA

(encara Elisa) Como foi o concerto, Elisa?

ELISA

(sorri) Maravilhoso.

MAYA

Mesmo? Qual o nome da orquestra que se apresentou?

ELISA

(pensativa) Sabe que eu nem sei, Maya?! Fiquei tão concentrada na apresentação que nem procurei saber.

MAYA

Como você compra ingresso para ver um concerto e não sabe quem vai se apresentar?

CLARA

É tudo igual, Maya... Maestro, músicos...

 

ELISA

(sorri um pouco) Boa noite.

Elisa beija o rosto de Clara, depois beija o rosto de Roberto.

ROBERTO

(carinhoso, olhando Elisa) Não importa o que seja, filha... Ver você feliz e bem, é o que me deixa feliz, também. Te amo!

ELISA

(sorri) Também te amo, papai!

Maya fica com raiva e ciúmes. Elisa sobe as escadas.

CLARA

Maya, já que a noite terminou/

MAYA

(Firme) Não, mamãe... A noite não acabou. Está apenas começando. (pensativa).

Corta Para:

Cena 4/Ext./Rua/Noite.

Em frente à boate, Sérgio está do outro lado da rua. Benício, Dante e Sol, saem.

DANTE

(a Sol) Sol, eu gostaria que você fosse jantar amanhã na minha casa.

SOL

(pensativa) Não sei, Dante... Sua mãe pode não gostar.

DANTE

Com a minha mãe eu me entendo. (sorri) O que me diz? Aceita?

SOL

(sorri) Tudo bem, eu vou.

Dante fica feliz. Renato sai da boate, ri alto e debochado, se aproxima de Benício.

RENATO

E aí Beny, tô sabendo que você agora é padeiro.

BENÍCIO

(raiva, sério) O que é? Virou fiscal da minha vida?

RENATO

Claro que não, mas é tão inusitado saber que o queridinho de uma família tão importante esteja trabalhando numa padaria de quinta.

SOL

(brava) Ei, olha como fala, hein. A padaria é do meu pai, e é excelente.

RENATO

(ri debochado) Ah, não... Então, é verdade. Agora vocês estão trazendo filha de padeiro para andar com a gente?

Dante faz que vai para cima de Renato, Benício o segura.

BENÍCIO

Não, primo... Faz tempo que Renato está me provocando.

RENATO

(instigando) Vai fazer o que, Beny? Me bater?

BENÍCIO

É o que você está merecendo.

Sérgio se aproxima ao perceber o que está acontecendo.

SÉRGIO

Benício, já estou à disposição. Podemos ir a hora que quiseres.

RENATO

(ri debochado) Vai, Benyzinho, porque senão a babá portuguesa vai te colocar de castigo.

Benicio dá um soco em Renato, derrubando-o no chão.

BENÍCIO

(raiva) Dá próxima vez pensa duas vezes antes de vir zoar com a minha cara.

Benício vai em direção ao carro; Dante, Sol e Sérgio vão, em seguida. Renato fica com raiva.

Corta Para:

Cena 5/Int./Apartamento de Álvaro/Quarto de Álvaro/Noite.

Álvaro está deitado na cama, pensativo, olhar frio e distante; se lembra do beijo que viu entre Sérgio e Elisa. Se lembra de ter visto Bruno e Elisa se beijando.

ÁLVARO

(para si, frio) Primeiro foi o Bruno... Agora, esse português. (pausa) Parece que a vida insiste em colocar alguém entre mim e aquilo que me pertence. (olhar distante) Elisa é minha. Sempre foi. E ninguém vai tirá-la de mim. Nem ela, nem a fortuna daquela família desprezível.

Corta Para:

Cena 6/Int./Dia Seguinte – Mansão Monteiro Diniz/Quarto de Sérgio/Madrugada.

Sérgio está dormindo. Maya abre a porta do quarto com uma chave extra, entra devagar, observa Sérgio dormindo, sorri maliciosa, tira a roupa, se deita devagar ao lado dele, se cobre com cuidado, começa a beijar o rosto dele, levemente. Sérgio se mexe um pouco, quase acordando. Maya o beija na boca, com vontade, Sérgio abre os olhos, fica surpreso, afasta Maya, bruscamente, ela acha graça.

SÉRGIO

(ofegante) Senhorita Maya, mas o que é isto?! Perdeste o juízo?

MAYA

(sensual) Isso, fala mais... Fala! Adoro ouvir esse teu sotaque. (fala no ouvido de Sérgio) Me excita.

Maya beija Sérgio novamente, abraçando-o. Ele consegue se soltar, se levanta, rapidamente.

SÉRGIO

(nervoso, ofegante) Por favor, pare com isso e saia daqui.

Maya se levanta, sorri maliciosamente, se aproxima de Sérgio.

MAYA

(sensual) Do que você tem medo, hein?

SÉRGIO

(tentando não olhar Maya) De muita coisa, senhorita... Mas, neste momento, só lhe peço que se vista.

MAYA

(sorri) Não... Fica comigo, Sérgio.

 

 

SÉRGIO

Se fosse há uns tempos, a senhorita nem precisaria de pedir. Eu ficaria sem pensar duas vezes. Mas isso nunca me trouxe nada de bom. Pelo contrário... Só me trouxe vazio e desilusão. Não é mais isso que procuro para a minha vida.

 

MAYA

(enlaça o pescoço de Sérgio) E o que você busca, Sérgio?

Sérgio

Com certeza, não é uma coisa passageira, como a senhorita pretende. (gentilmente, afasta os braços de Maya do seu pescoço e afasta-se) Por favor, saia do meu quarto. E peço-lhe que não volte a fazer isto, ou serei obrigado a contar ao senhor Roberto.

Maya fica com raiva, veste um roupão.

MAYA

Realmente, vai me rejeitar?

SÉRGIO

Não é rejeição, senhorita. É uma questão de prioridades, e a senhorita não é uma delas para mim. Não faz parte daquilo que eu sou agora.

MAYA

(encara Sérgio, raiva) Você vai se arrepender!

Maya sai, bate a porta. Sérgio se senta em sua cama, ofegante, passa a mão na cabeça.

Corta Para:

Cena 7/Int./Mansão Monteiro Diniz/Sala de jantar/Dia.

Roberto, Clara e Estela estão tomando café da manhã, Lívia entra.

LÍVIA

Bom dia. Desculpa atrapalhar, mas eu estou esperando o Beny, já tem uma hora, para a gente ir até a padaria e, até agora, nada.

CLARA

O Beny não vai trabalhar hoje. Ele chegou muito tarde e eu disse que ele poderia descansar.

Roberto se levanta.

ROBERTO

(firme) Clarinha, você não deveria ter feito isso sem me consultar! Estou tentando ensinar ao Benício que as coisas não são fáceis e você faz uma coisa dessas! (para Lívia) Lívia vá na frente, eu vou acordar o Benício.

LÍVIA

Sim, senhor.

Lívia sai pela cozinha. Roberto sai.

ESTELA

Eu não sei por que Roberto insiste nisso... Eu vou ver o que faço para afastar os meninos dessa padaria e daquela gentinha.

Álvaro entra.

ÁLVARO

Bom dia.

CLARA

(sorri) Bom dia, Álvaro. Sente – se.

ÁLVARO

Antes de tomar café, eu gostaria de falar com a Elisa; ela já acordou?

CLARA

Já, mas quis tomar café no ateliê. Ela disse que acordou inspirada. (sorri) E eu tenho certeza que é por causa do casamento de vocês.

ÁLVARO

(sabe que não é) Claro... Fico feliz em saber. Vou até lá falar com ela. Com licença.

Corta Para:

 

Cena 8/Int./Mansão Monteiro Diniz/Ateliê/Dia.

Elisa está sentada em uma banqueta, pintando um quadro, enquanto ouve música clássica; está feliz. Álvaro entra sem bater, Elisa não o vê por estar concentrada. Álvaro olha o vaso de flores, que são cravos vermelhos, observa o quadro; a pintura que está começando tem um ar romântico, dá para perceber que é a pintura de um casal se abraçando. Ele percebe que os olhos do homem se parecem com os olhos de Sérgio, fica com raiva, se controla, dá um passo para trás, bate na porta, entra.

ÁLVARO

(sorri) Bom dia, meu amor.

ELISA

(para de pintar) Bom dia, Álvaro.

ÁLVARO

(feliz) Eu não acreditei quando sua mãe disse que você estava aqui, pintando... que acordou inspirada.

ELISA

É... Ultimamente eu tenho me sentido muito bem e a inspiração voltou.

Álvaro puxa uma cadeira, se senta de frente para Elisa. Ele a olha, feliz.

ÁLVARO

Eu tenho duas surpresas para você. (sorri, pega uma caixinha de joias). A primeira é esta.

Álvaro abre a caixinha; dentro tem um par de alianças de casamento.

ÁLVARO

(tom baixo, devagar, toque de frieza) Eu achei ontem, meu amor... Estava em uma gaveta do escritório do Bruno. (pausa) Estas são as alianças que ele comprou para o casamento de vocês. (sorri de forma cruel) Eu vi como um sinal meu amor. Nós vamos usar elas no nosso casamento.

Elisa fica em choque, olhando as alianças; as lágrimas escorrem, não sabe o que dizer.

ÁLVARO

(sorri, entre lágrimas) Você está emocionada, não é? Eu também fiquei. É um pedacinho do meu irmão amado que volta para nós. (enxuga as lágrimas) E, agora, a segunda coisa e, meu amor, tenho certeza que você vai adorar.

Álvaro pega o celular.

ÁLVARO

(sorri) Olha quem te mandou uma mensagem.

Álvaro clica em um áudio que foi enviado por mensagem.

MÃE DE ÁLVARO E BRUNO

(V.O) Elisa, minha querida, como vai?

Elisa chora em silêncio; Álvaro a observa, friamente, gostando de ver que ela sofre.

 

MÃE DE ÁLVARO E BRUNO

(V.O) Quero que você saiba que estou muito feliz com o seu casamento com meu filho, da mesma forma que estava feliz com o seu casamento com Bruno... (voz embargada) O nosso príncipe que se foi tão cedo, mas tenho certeza que ele te queria tanto na nossa família que, agora, você e Álvaro vão se casar e eu vou, finalmente, ganhar uma filha, e fico feliz que esta filha seja você. Fique com Deus, querida. Te amo!

O áudio acaba. Álvaro guarda o celular, segura as mãos de Elisa, a olha nos olhos.

 

ÁLVARO

(feliz) Gostou, meu amor?

Elisa está sem saber o que dizer, não se sente bem, as lágrimas escorrem, Levanta-se, repentinamente.

ELISA

Eu preciso tomar ar.

Álvaro segura Elisa pelos braços, quase de maneira bruta, mas se controla, a olha nos olhos.

ÁLVARO

(firme, tom suave) O nosso casamento está escrito pelo destino, Elisa. Ninguém pode nos separar.

Álvaro beija Elisa, que o empurra, sai apressada do ateliê. Álvaro fica satisfeito, ri maldoso.

Corta Para:

Cena 9/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Rua.

Elisa passa correndo pelo jardim, Sérgio a vê. Ela corre para a rua, chega na calçada, se abaixa, coloca as mãos nos joelhos, puxa o ar, Sérgio se aproxima.

SÉRGIO

(preocupado) Elisa, estás bem?

Elisa abraça Sérgio, tem um crise de choro. Sérgio a consola, abraçando-a, sem saber o que aconteceu.

SÉRGIO

O que aconteceu?

Álvaro se aproxima.

ÁLVARO

(firme/raiva) Eu quero que você se afaste de minha noiva, imediatamente.

Álvaro e Sérgio se encaram.

ÁLVARO

(firme) Se afaste de Elisa!

SÉRGIO

Não, senhor. Ela não está bem e estou a ajudá-la.

ÁLVARO

Sua função aqui é ser motorista e não psicólogo.

Elisa não se afasta de Sérgio, ainda está chorando.

ELISA

Sai daqui, Álvaro!

ÁLVARO

Mas, Elisa/

Elisa se afasta de Sérgio, entra na mansão, vai para o jardim, está nervosa. Sérgio e Álvaro vão atrás dela.

Corta Para:

Cena 10/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.

Elisa está nervosa, tentando respirar. Sérgio e Álvaro se aproximam, Elisa torna a abraçar Sérgio.

ÁLVARO

Elisa, vamos entrar. Peço para Malu te fazer um chá.

ELISA

(nervosa) Eu quero que você saia daqui, Álvaro; eu preciso respirar.

ÁLVARO

(calmo, frio) Se for por causa das alianças de Bruno, eu/

Elisa se afasta um pouco de Sérgio, não aguenta mais a pressão.

ELISA

(tom alto) Para de falar no Bruno! Chega! Eu não aguento mais! Para com isso!

Sérgio segura a mão de Elisa, tentando acalmá-la.

SÉRGIO

Elisa, calma.

Roberto e Clara se aproximam, preocupados. Maya observa a cena da sacada de sua suíte.

ROBERTO

(preocupado) O que está acontecendo aqui?

ÁLVARO

Elisa deve estar tendo uma crise de ansiedade.

Elisa fecha os olhos, está tentando se acalmar.

CLARA

(com pena) Minha querida, vamos entrar.

 

ELISA

(respira fundo) Não, mamãe... Eu quero que me deixem sozinha.

ÁLVARO

Eu fico com ela.

ELISA

(tom alto) Não! Você não entendeu, ainda? Estou farta de você!

Clara fica espantada, Roberto fica preocupado, Álvaro fica sério, Sérgio está com vontade de proteger Elisa, mas se contém.

ROBERTO

Eu vou perguntar de novo... O que aconteceu?

ELISA

(explode, tom alto) Eu não aguento mais isso! Álvaro não sabe fazer outra coisa a não ser me atormentar com o fantasma do Bruno! Eu não aguento mais!

Elisa abraça Sérgio, chora. Clara estranha a atitude dela.

ÁLVARO

(se contém) Eu não falei nada demais... Apenas mostrei a aliança que Bruno comprou para o casamento deles/

Elisa encara Álvaro, está com raiva.

ELISA

Acabou, Álvaro! Não tem mais casamento.

Elisa e Álvaro se encaram.


Novela escrita por
Débora Costa

Releitura da Novela
Antônio Maria de
Geraldo Vietri

Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa

Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)

Núcleo
Entretenimento em Foco

Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.



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