ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste episódio possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.

FADE IN
CENA 1 BANCO [INT./MANHÃ]
Há muita movimentação, pessoas
andando de um lado e de outro e filas fazendo curvas.
Lá na frente está Raíza, de blusa
azul, calça jeans e sua bolsa xadrez. Seus cabelos estão mais curtos na altura
dos ombros e há uma presilha do lado.
A cena se aproxima. O painel indica o
número 05. É a vez da garota.
Na boca do caixa ela entrega um
cheque. Valor: Trezentos reais.
A cena dá um giro rápido e mostra um
homem de barba feita, camisa cor creme estampada, encostado à pilastra branca.
A perna está dobrada com o pé na pilastra. Ele olha o relógio, demonstra
impaciência.
A cena dá outro giro para o lado de
Raíza.
Esta guarda o dinheiro que é
observado atentamente pelo homem.
Caminha, passa por ele que em
seguida, tira do bolso um celular e disca.
HOMEM: Ela tá saindo...
Desliga, guarda o celular e sai atrás
como quem não quer nada.
CORTA PARA
BANCO [EXT./MANHÃ]
Raíza passa pela tortura da porta
eletrônica, desce as escadas em passos rápidos.
Um outro homem, aparentemente de uns
30 anos, olha fixo para o outro cara que vem atrás dela.
O homem de 30 anos anda por detrás
dela e encosta um canivete em sua cintura. Ela, assustada, olha para frente
caçando um policial.
HOMEM 2 (voz baixa): Finja que
estamos juntos, gatinha.
A moça dá uma olhada de canto, força
um andar vacilante e volta-se com o braço, o encarando de olhos arregalados.
RAÍZA: Hã? Que?
O cara titubeia, desvia o canivete
por um instante. Medo de chamar atenção.
Raíza sai correndo, os caras se
juntam e vão atrás. As pessoas olham assustadas. Alguns até são cruéis.
MULHER: Olha lá! Fica dando mole...
Raíza corre e olha para trás. Os
caras insistem. Ela abre a bolsa, enfia a mão. Com dificuldade, apanha o
celular e disca.
RAÍZA (tom desesperado): João! Tô sendo
seguida, João! A saidinha de banco...Estão atrás de mim!
JOÃO: Não acredito! Em que rua você está?
Vou ligar pra polícia!
RAÍZA (põe a mão na cabeça, aflita): Ai eu
nem sei mais em que rua eu tô...
JOÃO: É bem perto do banco?
RAÍZA: Já me afastei...Tinha uma padaria
de esquina quando entrei...Alô? Alô?
Raíza ouve um bip dando sinal que os
créditos acabaram.
A garota entra numa viela deserta,
casas de muro alto.
Disca o número a cobrar, mas não
chama. Ela então joga o celular dentro da bolsa e acaba se atrapalhando com o
zíper.
Olha para trás mais uma vez. Raíza se
aproxima da esquina.
Um dos caras pára, lança o canivete
com toda a ira. Raíza, apavorada, dá um giro pra rua da direita, avança um
passo diante do muro e não dá mais tempo; A garota coloca os braços pra frente
e ultrapassa o muro.
Perde o controle, bate contra o capô
de um carro verde parado e rola para o chão.
Deitada, a garota vê um rapaz, bem
afeiçoado e de olhar compenetrado estender sua mão.
CIPRIANO: Vem, Estou aqui pra te ajudar...
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 2 RUAS DA CIDADE [EXT./MANHÃ]
Raíza e Cipriano estão de mãos unidas
e olhando-se profundamente.
CIPRIANO: Você está bem? Parece que
estava...Fugindo?
A garota solta de sua mão, olha pro
muro, incrédula enquanto massageia o próprio pulso. Depois a desprende.
RAÍZA: Eu...Eu tô bem...Não sei como eu
saltei aquele muro...
CIPRIANO: Você não saltou, sabe disso...
A moça mira o rapaz e faz uma
expressão de medo.
VOZ MASCULINA: Meu Deus! O que aconteceu aqui? (os
dois olham para Camilo) Como é que...
CIPRIANO: ...Ela saltou o muro, não é?...
Raíza respira ofegante.
A mão de alguém aparece sobre o muro.
RAÍZA: Ai meu Deus! Eles não vão sossegar
enquanto não me pegarem!
Cipriano abre a porta do carro e faz
um sinal.
CIPRIANO: Vem, Entra! Vamos sair daqui.
A moça reluta um pouco.
RAÍZA: Mas eu não te conheço.
CIPRIANO: Prefere ficar aqui e ver o que eles
vão fazer contigo?
Raíza e Camilo entram mais do que
depressa e os três partem.
CORTA PARA
CENA 3 APTº 403 - COZINHA [INT./FIM DA
MANHÃ]
Josué, com uma toalha de prato sobre
os ombros, desliga o fogão, tira a toalha de si e o coloca no gancho ao lado da
pia. Raíza lava as panelas.
JOSUÉ: E você entrou no carro de um
desconhecido? Quantas vezes seu pai tem que...
RAÍZA: Eu sei, eu sei, eu não devia. Mas,
ou era isso ou os caras me enfiavam a faca.
BRUNO (O.S): Como é isso? (Bruno entra com
cara de espantado) Que história é essa de faca?
RAÍZA: Bem...Eu não queria te preocupar...
BRUNO: Desembucha.
RAÍZA: Tentaram me assaltar, pai.
Bruno nem a deixa terminar. A desvira
da pia, toca em seus braços e a examina de baixo em cima.
BRUNO: Cadê? Te fizeram alguma coisa? Ai
meu Deus...
RAÍZA: Pai!...Pai!...Eles não me fizeram
nada.
BRUNO: Por que você não ligou pro seu tio,
filha?
RAÍZA: Eu liguei, pai. Liguei pro João,
mas...
BRUNO (nitidamente afobado): O João não me
disse nada...Cadê aquele moleque que eu...
JOSUÉ: Não vá brigar com ele, ‘né’ Bruno?
Ele, com certeza não quis preocupá-lo. O problema aqui é o que Raíza fez pra
escapar...Ou diz que fez...
A garota olha pra ele e franze as
sobrancelhas, chateada.
Vira-se e mescla espanto e
deslumbramento.
RAÍZA: Eu ultrapassei o muro, pai! Quando
pensei que ficaria encurralada eu passei invisível, pai...Isso já havia
acontecido, lembra que te falei?
Bruno e o irmão trocam olhares
estranhos e preocupados.
CORTA PARA
CENA 4 L.A HOUSE [EXT./FIM DA MANHÃ]
A cena mostra um carro verde parado
em cima da calçada a alguns metros da boate. Dentro do carro, Cipriano aparenta
uma calma irritante, enquanto Camilo aviva o olhar, extasiado.
CIPRIANO: Então você já sabe, não? Você não
viu nada hoje...
CAMILO: Eu não entendo. Qual o problema do
mundo saber que podemos ter uma heroína?
Cipriano se irrita, mas sem parecer
violento.
CIPRIANO: Que heroína? Deixe de ser ridículo!
Ela não pode ser uma heroína...
CAMILO: Mas ela salvou a minha vida!
CIPRIANO: Tenha a certeza que se ela soubesse
quem era você, ela teria relutado.
Camilo abaixa a cabeça, desvia o
olhar pro lado da janela e torna a olhar para ele, confuso.
CAMILO: Do que você está falando?
Cipriano olha-o de forma penetrante.
CIPRIANO: Da sua tentativa de pôr um fim em
Marco...Ou em Micael...
CAMILO (olha para frente): Não sei do que
fala...
Cipriano apanha um bloco de dentro de
sua camisa.
CIPRIANO: Tem caneta?
Camilo abre sua bolsa, pega uma
caneta e o entrega.
Cipriano escreve no bloco, arranca a
folha e a mostra para o rapaz.
CIPRIANO: Tá vendo esse número aqui? É o meu
celular. Me ligue avisando em que presídio você estará pra eu mandar um
lanchinho. Dizem que a comida deles não é lá grandes coisas. Agora saia.
CAMILO: Espera! Como é que você sabe
que...Naquele dia só estava eu e...
Cipriano lhe dá uma olhada como quem
diz ‘É isso mesmo que você está pensando’ e Camilo esboça se lembrar de alguma
coisa.
CAMILO (abaixa a cabeça): Eu pensava que
era coisa da minha cabeça...(ele levanta a cabeça. Parece receber uma luz) Foi
ela?! Nossa! Logo ela...
CIPRIANO: Pra você ver só como são as coisas;
Num dia ela te atrapalha e no outro salva sua vida. Ainda acha que ela
enfrentaria aquelas chamas por você?
Camilo hesita, as palavras não saem
nesse instante.
CIPRIANO (cont.): Não (responde por ele)
Claro que não!
CAMILO: Isso é o que você tá dizendo. É o
que você faria. As pessoas não são tão cruéis assim.
CIPRIANO (falso drama, tom decepcionado):
Você me parece amador no mundo dos vivos. E você não tem idade pra acreditar em
contos de fadas.
CAMILO: Tudo bem. Vamos supor que ela
realmente seja cruel. Você não quer que eu espalhe o que vi se não você me
manda pra cadeia, certo?...Mas só? Não ganho mais nada por isso?
CIPRIANO (voz tranqüila e com teor de
sarcasmo): Não ir pra cadeia, não comer daquela comida e dormir junto de outros
tipos, não ter que passar a vida esperando que a próxima visita será pra tentar
te tirar de lá...Isso tudo não lhe diz nada?
Camilo vira o rosto, calado. Cipriano
arranca o papel de suas mãos, escreve e o entrega em seguida.
CIPRIANO: Esse é o meu endereço...Talvez você
queira passar lá...Agora saia.
Camilo olha o papel e abre a porta do
carro. Assim que sai e fecha a porta, Camilo se abaixa e olha Cipriano pela
janela.
CAMILO: A caneta.
Cipriano o devolve enquanto os dois
se fitam por alguns segundos.
CORTA PARA
CENA 5 APTº 403 – QUARTO DE RAÍZA
[INT./INÍCIO DA TARDE]
A cena vai passeando pelo quarto com
lajotas azuis, cortina azul escuro, móveis claros e uma cama. Há um quadro na
parede de frente para a cama com moldura preta e uma frase escrita: “Eu sei que
não há mais nada o que fazer, mas eu vou continuar lutando”. No quadro ao lado
há outra frase: “Isso também passa”.
Raíza está sentada na cama de frente
para o pai. De repente se levanta, aflita.
RAÍZA (olha para o próprio pulso): Tem uma
cruz aqui? (ela se volta) O senhor acha que é por isso que as coisas tem
acontecido comigo?
Bruno se vira ainda sentado na cama.
BRUNO (falsa dúvida): Não sei...Pode ser.
RAÍZA: E se eu tentasse arrancar?...(tom
de aflição) Pai! Não é normal o que tem me acontecido. Presenciar o futuro,
passar invisível e não ser atingida por concreto...O que mais falta me
acontecer?
BRUNO: Não faça isso! Sua mãe nunca tentou
por medo...
RAÍZA: Minha mãe também podia presenciar o
futuro?
Bruno levanta-se da cama meio
impaciente, olha e desvia o olhar da porta onde Josué está encostado.
BRUNO: Eu não sei se sua mãe tinha visões
ou sonhos como você; Ela nunca me falou...
Raíza cruza os braços, invocada.
BRUNO: Mas ela podia ficar invisível...Eu
odiava as vezes em que ela aparecia na minha frente...
RAÍZA (interrompe): Por que ela tinha essa
cruz?...Por que eu carrego essa cruz, pai?...Desde quando?
Bruno não consegue responder.
RAÍZA (cont.): Desde que sumi?
BRUNO: Filha...
RAÍZA (cont.): Aliás, quem colocou essa
cruz aqui? (ela mostra o pulso) Isso é uma espécie de batismo?...Quem me
batizou, pai?
Ouve-se o som abafado de um celular.
Raíza abre a bolsa, apanha o celular e atende.
RAÍZA (ao telefone): Oi Rafaela!...Tudo
bem...(pausa)...Minha nossa! Eu tinha até esquecido...Valeu por me lembrar,
hein...(ela olha pro pai, séria) Ah não pretendo perder MAIS (ênfase) esse
ano...(pausa)...Tchau.
A garota desliga.
BRUNO: o que foi?
RAÍZA: Eu tenho que garantir minha
matrícula no colégio França...(ela guarda o celular na bolsa) Eu já estava
esquecendo...
Ela se ajeita frente ao espelho,
apanha a bolsa e põe atravessado no pescoço.
RAÍZA: Mas depois a gente continua...
Ela sai. Em seguida, Josué entra de
braços cruzados.
JOSUÉ: Você realmente pretende falar mal
do Cipriano pra ela?
BRUNO: Vai me dizer que você é contra?
JOSUÉ: Não...(tom perspicaz) Mas ela já te
disse quem foi o salvador dela hoje?
BRUNO (medo): Você não tá...
JOSUÉ: Cipriano...
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 6 MANSÃO – ESCRITÓRIO [INT.]
Valentina está atrelada nas gavetas,
mexendo e remexendo em papéis.
Usa vestido verde, curto parecendo
capa de botijão de gás. Cabelos soltos, jogados na cara.
Apanha papéis e logo os coloca de
volta nas gavetas, impaciente.
Caminha até uma mesa, pega uma
garrafa e despeja um pouco no copo.
MARCO (O.S): Bebendo whisky a essa hora?
Valentina se volta, assustada.
VALENTINA: Aie! Vai assustar sua mãe!
MARCO (sorriso sacana, descendo as
escadas): Eu até faria isso se ela estivesse aqui...
Valentina toma um bom gole e se
mantém quieta.
MARCO: Vai dizer o que estava procurando
ns gavetas ou vou ter que adivinhar?
Valentina pára o copo nos lábios e
mira naquele tom de voz investigativo.
VALENTINA: Você anda pela casa espionando os
outros?
Marco se aproxima, toma o copo de
suas mãos. Toca os lábios nele olhando-a e bebe em seguida.
MARCO: Eu não espiono, querida...Eu
observo. (ele devolve o copo e dá as costas) É um direito que adquiri quando
vim morar aqui...
Valentina revira os olhos, irada.
VALENTINA: Você costuma ser bem mais agradável
que isso...
MARCO (se volta e sorri com ar de
deboche): Depende do lugar...
Os dois sorriem maliciosamente.
VALENTINA: Tá bom! Eu quero engravidar, é
isso.
MARCO: Eu pensei que já...
VALENTINA (cont.): ...Do Cael.
MARCO (fecha a cara): E o que eu tenho a
ver com isso?
VALENTINA: Você não perguntou? Então...(longa
pausa)...Lembra que Cael tinha uma noiva que não podia engravidar?
MARCO: Que conversa é essa? E eu lá quero
saber das antigas noivas dele...
VALENTINA: É, ele pelo menos teve uma...Agora,
você...
MARCO (impaciente): Veio falar de mim ou
do seu Caelzinho?
VALENTINA: Tá, escuta...Essa tal noiva não
podia engravidar, então Cael aceitou que fosse feita uma inseminação
artificial...
MARCO: Hã, e daí?
VALENTINA: Deixa eu terminar, pombas!...Bem,
acontece que preciso engravidar se eu quiser me casar com ele...
MARCO: Em pleno século 21 você acha
realmente que precisa disso?
VALENTINA: Eu acho que você não entendeu...Um
homem casado, com filho terá pouco tempo para empresa. Vai precisar de alguém
com mais poder para isso...
Marco caminha até a mesa, contorna-a
e senta na cadeira.
MARCO: Deixa eu ver se entendi...Você quer
que eu descubra em que hospital ele se cadastrou para fazer a inseminação e
depois...
VALENTINA (interrompe): Exatamente! Você
poderá ser o sócio maior da boate!
Marco sorri perspicaz e estranho.
MARCO: É deprimente ver como vocês
mulheres fazem tudo pra agarrar um homem.
Abre a gaveta, puxa uma pasta preta e
abre.
VALENTINA (surpresa): Mas eu não vi isso aí...
MARCO: A paixão é cega...
Ele a entrega um documento que a
deixa radiante.
CORTA PARA
CENA 7 RUAS DA CIDADE [TARDE]
Raíza caminha em passos largos pela
calçada.
A cena vai se afastando por suas
costas e dá uma virada brusca para algo que está vindo atrás. Aparentemente,
não há nada.
A cena se aproxima rapidamente pelas
costas da garota, ela olha para trás ao mesmo tempo em que vira à direita.
Coloca o pé fora da calçada e vira o rosto.
O ambiente está estranho. À medida que
ela vai andando o tempo vai escurecendo.
Ela olha para trás novamente e vê a
boate L.A House.
RAÍZA (em OFF): Ué...Mas...Essa rua...Eu
não lembro de ter passado ao lado da boate...Como é que eu não vi...
A garota caminha rapidamente e
observa o olhar de cumplicidade entre Camilo e Marco, à frente da boate. Ela
atravessa a rua, espreita-se pelas paredes.
MARCO: Tudo certo pra hoje? (sorri para
quem entra).
CAMILO: Só tô esperando o outro chefe
chegar...
Marco olha o relógio.
MARCO: Ainda há tempo. Você sabe como
fazer, não é?
CAMILO: Tá tudo no esquema. Primeiro irá
começar na boate e em seguida o subsolo. Sendo assim, acho meio difícil o seu
irmão querer pular a janela naquelas alturas no escritório...
MARCO: Me poupe dos detalhes; Eu só queria
que respondesse sim ou não.
CAMILO: E aquele carinha lá? O da família
da Raíza.
Marco faz cara de esnobe.
MARCO: Ele veio hoje de novo? (sorri
indiferente) O que tem ele?
CAMILO: Não é melhor dá um jeito de
despachá-lo?
MARCO: E por quê? Está com pena é?
CAMILO (cabisbaixo): É que...A moça salvou
a minha vida e...
MARCO: ...Mas ainda isso?! Eu pensei que
você já tivesse superado aquele dia.
CAMILO: Você sabe que pode poupar a vida
dele, ‘né’?
MARCO: Os negócios estão acima da emoção,
garoto.
CAMILO: Emoção, Marco? Você disse ‘emoção’?
Raíza ouve, estupefata. Um carro se
aproxima e a garota vê que é Cael quem está dirigindo. Marco não responde ao
rapaz e trata de sair dali. Raíza corre na direção do carro.
O carro dá uma parada brusca e
buzinas são ouvidas logo atrás.
Raíza se vira, o ambiente está claro
e volta à cena anterior. Ela está no meio-fio. Camilo, invisível, se esbarra
nela fazendo-a perder o equilíbrio e cair de bunda no chão. A garota ainda está
atordoada pelo o que acha que viu e ouviu.
RAÍZA (balbucia): O Camilo...O Camilo tem
que sair da boate...
Camilo a olha, desconfiado.
As pessoas olham pra garota sem
esboçar um riso. É quando Raíza observa onde está.
RAÍZA: Meu Deus! O que aconteceu:...Que
mico...
Um carro vem andando devagar pra
perto dela e pára. Dentro dele, Valentina levanta os óculos e se dirige a
Raíza.
VALENTINA: Ô louquinha... ‘Cê’ tá doida?
Levanta logo daí vai!
Raíza levanta, limpa as mãos do
asfalto, sem graça.
CORTA PARA
CENA 8 CASA Nº 77 [INT./TARDE]
A cena mostra
Cipriano num ambiente mal iluminado, seriamente.
CIPRIANO: Quem te deu permissão pra você
ficar saracoteando por aí invisível, hein?
CAMILO: Eu não estava saracoteando...Você
me pediu pra ficar na cola dela e...
CIPRIANO: Pelo visto a assustou...
CAMILO: A mim também...
CIPRIANO: Como? (cruza os braços).
CAMILO: Ela deu uma travada, achei até que
tinha me visto, não sei.
CIPRIANO: Impossível...A não ser que o efeito
da poção que eu te dei estava no fim.
Camilo coça o rosto, expressão de
dúvida.
CIPRIANO: Até que foi bom esse susto...(ele
anda até um grande espelho redondo e se volta) Se acontecer mais alguma coisa
ela não vai estranhar...
CAMILO: Não tô entendendo. ‘Mais alguma
coisa’ como assim?
CIPRIANO (tom de mistério): Você vai saber...
FADE OUT
FADE IN
CENA 9 APTº 403 – SALA
[INT./TARDE]
Raíza está sentada no sofá, corpo
inclinado, braços sobre os joelhos. Bruno, ao seu lado, também se mantém na
mesma posição.
BRUNO: Quantas vezes eu tenho que te dizer
pra tomar cuidado na rua, hein? Me diz?
RAÍZA: Ah pai, pelo amor de Deus ‘né’? Eu
já disse que alguma coisa passou por mim que me fez cair. Parecia...Não
sei...Invisível, não sei explicar...
BRUNO: ...Você não viu, mas sentiu a
vibração, é isso?
RAÍZA: Mais ou menos...Era um corpo eu
pude sentir, mas não vi nada.
Bruno se estica, fecha a mão e quase
dá um soco no ar.
BRUNO: Só pode ser um encosto, filha. Vou
te levar pra uma casa espírita ou uma mãe de santo...Qual você prefere?
Os dois se olham fixamente por um
instante.
BRUNO: Tá bom! Você não acha que tenha
sido um encosto, num é mesmo?
RAÍZA: É aquilo que te disse.
BRUNO: E você viu o Marco e o Camilo
juntos tramando algo, certo?
Raíza balança a cabeça
afirmativamente. Bruno toca sua mão.
BRUNO: Minha filha, você não pode bancar a
heroína o tempo todo. Lembra que você falou não querer mais se meter no futuro
dos outros, hein...
RAÍZA (olha para ele, angustiada): Se eu
não tivesse me metido no seu... ‘Peraí’! O senhor tá começando a aceitar que
vivencio o futuro?
Bruno volta a pôr os braços sobre os
joelhos.
BRUNO: Eu não tô começando nada! Não
viaje!...(pausa) Aliás, não viaja mesmo; Concentre-se no presente. O melhor que
você tem a fazer é treinar sua invisibilidade. Não deve ter nada pior que ser
pego de surpresa...
Raíza vai virando os olhos para
direção contrária ao pai com ar temeroso.
CORTA PARA
CENA 10 RUAS DA CIDADE [INÍCIO DA NOITE]
Raíza anda rapidamente pela calçada.
Pára próximo entre a estrada principal e uma outra estradinha. Entra na
estradinha e observa casas de um lado e barranco de outro.
O ambiente é um breu estranho. Raíza
abre a bolsa, saca o celular e disca.
RAÍZA (ao telefone): Rafinha?...Oi tudo
bem?(pausa)... ‘Pô’ ‘cê’ poderia dar um pulo aqui no início da estradinha?
RAFAELA (V.O): Caramba! ‘Cê’ tá sozinha? Por
que não chamou seu primo ou o Dc pra ir contigo?
RAÍZA: Meu primo anda fazendo um curso aí
de fotografia, sei lá...E o Dc, ‘pô’... O celular dele tá fora de área...
A cena a mostra ao longe andando ao
lado do barranco e algo corre em sua direção.
RAFAELA (V.O): Esse Dcr, viu... Mas ó
aguenta firme aí que vou chamar meu pai e a gente te pega de carro.
RAÍZA: Tá, mas vê se não demora, hein.
RAFAELA (V.O / brinca): Tá, daqui a umas
três horas estaremos aí...
A cena se aproxima ao máximo pelas
suas costas, Raíza pára, vira de imediato e algo a arremessa para o barranco.
RAÍZA: Aaah!
Ela grita, seu celular cai na calçada.
RAFAELA (V.O): Alô?
Raíza!...(pausa)...Raíza!
CENA 11 BARRANCO [INT./NOITE]
Raíza rola pelo
chão afora, passa pelas raízes de árvores e galhos secos caídos.
Ao chegar no final do barranco,
assustada, levanta devagar.
Ouve-se o canto da coruja. Arrepia-se.
O vento cobre toda a mata fazendo um
som medonho.
Raíza se agarra ao barranco, mas
escorrega. Ouve passos. Seu semblante é de medo. Aperta o pulso e faz expressão
de dor.
A garota corre sem rumo, olha para
trás, ouve passos rápidos, mas não vê seu agressor. Ela pára.
RAÍZA (assustada): Quem taí?
A garota recebe um empurrão e cai.
Tenta se levantar,tropeça, cai novamente e seu pé prende na raiz da árvore.
Com dificuldade ela arranca o pé
dali, levanta, corre e é empurrada contra outra árvore.
RAÍZA: Pára! Pára! Quem taí?
Na terceira vez em que é empurrada, a
blusa da garota agarra num galho e rasga. Ela pára, ofegante.
RAÍZA (flashback):
BRUNO: O melhor que você tem a fazer é
treinar sua invisibilidade. Não deve ter nada pior que ser pego de surpresa...’
Se põe a correr feito uma hiena
desesperada.
RAÍZA (murmura): Eu vou sair daqui...Eu
vou sair daqui...Eu vou...
Arrisca-se a olhar para trás
novamente e seu agressor começa a perder a invisibilidade.
RAÍZA (em OFF): Camilo!
Finge não ter visto, volta a olhar
pra frente.
BARRANCO [EXT./NOITE]
Adiante, um único carro aponta na
estrada.
CARRO [INT.]
O celular toca. Marco olha pro banco
ao lado, pega o celular e o visor mostra o nome de Valentina. Assim que atende
é interrompido antes de falar qualquer coisa.
VALENTINA (V.O): Você sabia que o doutor
Miranda estava de férias, Marco? Sabia?
MARCO: E eu lá trabalho no departamento
pessoal pra saber quando ele tira férias, Valentina?
VALENTINA (V.O): Uma tal de doutora Letícia
nem quis colaborar comigo...Nem oferecendo um...
MARCO (interrompe): Você ofereceu grana?
Mas a que nível você desceu, hein?
VALENTINA (V.O): Há! Mas com quem eu falo?...
BARRANCO [INT.]
Raíza alcança a beira da estrada;
Camilo, ao longe arremessa um pedaço de tronco. Raíza olha pra ele e recebe um
golpe na cabeça.
A garota cai no meio do asfalto,
inconsciente.
Um carro se aproxima...
CARRO [INT.]
MARCO (ao telefone): Você está
nervosa...Procure descansar...
[POV de Marco]
Ele vê um corpo caído na estrada, faz
um zigue-zague e pisa fundo no freio.
O carro derrapa e pára. Ele joga o
celular no banco ao lado, abre a porta e sai. A porta fica aberta.
A imagem daquela garota de roupa suja
e rasgada assusta o homem.
Abaixa-se, vira seu cabelo e se
surpreende.
MARCO: Raíza?...
VOZ MASCULINA: Deixe comigo; (Marco vira o rosto
para trás e vê Cipriano) Ela é minha sobrinha...
Os dois se olham meio estranhamente.
Cipriano a coloca em seus braços e vai embora.
Marco observa os dois.
Close em Camilo, correndo pra dentro
da mata.
FADE OUT
FADE IN
CENA 12 APTº 403 [INT./NOITE]
A campainha toca.
João Batista abre e dá com a prima nos braços de Cipriano.
JOÃO: Quem é você?
Cipriano entra sem cerimônias.
JOÃO: Ei! Você não pode entrar assim!
Bruno sai da cozinha.
BRUNO: Quem é, João?...
Bruno se assusta ao ver a cena e
tenta tirar a filha dos braços do rapaz.
BRUNO (indignado): O que você fez com ela?
Anda, diz!
Josué chega do corredor.
JOSUÉ: Calma Bruno!...
CIPRIANO: Eu só quis ajudar...
BRUNO (pega a filha no colo): Ajudar nada!
Sai pra lá! O que você fez com ela de novo?
João observa a cena, atento e
curioso.
CIPRIANO (tom complacente): Eu a encontrei no
meio da estrada assim mesmo...Parece que ela andou testando( ele olha ao redor,
para João e em seguida para Bruno) Você sabe e acabou...Caindo de mau jeito...
Bruno entrega a filha para Josué,
volta-se e segura pelo colarinho do rapaz.
BRUNO: Eu vou te mostrar o mau jeito que
vou dar em você já já...
João segura os ombros do tio e evita
uma briga feia.
JOÃO: Calma tio, calma.
A voz de Cipriano soa tranqüila,
serena de dar raiva.
CIPRIANO: Você não vai ajudar em nada agindo
assim...Não percebe que ela pode estar em sono profundo? E talvez...Um
dia...Quem sabe...Ela acorde?
Bruno olha sua filha nos braços do
irmão.
BRUNO: Vou levá-la ao hospital...
CIPRIANO: Você sabe que só eu posso ajudá-la,
não?
BRUNO: Nem pensar! Você não toca mais na
minha filha!
CIPRIANO (drástico): Ela pode morrer!
O silêncio é desconfortável.
CORTA PARA
CENA 13 APTº 403 – QUARTO [INT./NOITE]
Raíza está deitada na cama, Cipriano
está com sua mão sobre sua testa, olhos fechados.
Bruno e Josué, de braços cruzados,
estão à soleira da porta.
JOSUÉ (cochicha): Por que você foi deixar
ele ajudá-la, hein?
BRUNO (cochicha): O interesse dele é a
cruz; Ele não vai fazer nada de mal a ela enquanto não tiver o que ele quer.
João Batista espreita pelo canto do
corredor. Vira-se e seu olhar é sagaz.
A moça vai acordando diante daquele
rapaz simpático. A imagem se torna clara, ela aviva os olhos de surpresa e se
levanta.
RAÍZA: Onde eu tô?!
CIPRIANO: Calma...Você está em casa...Tudo
bem contigo?
RAÍZA: Eu lembro de você...Você me ajudou
hoje cedo quando eu fugia daqueles caras.
Bruno dá um empurrão em Cipriano e
toca nas mãos da filha.
BRUNO: Tá tudo bem mesmo, filha? O que
aconteceu? Como isso foi acontecer?
CIPRIANO (de pé): Assim você vai acabar
sufocando a garota.
Bruno vira-se pra ele.
BRUNO: Ela é MINHA (ênfase) filha. E eu
não tô sufocando ninguém.
RAÍZA (para Cipriano): Você me trouxe até
aqui?...Como? Eu estava sendo atacada por alguém na mata...Foi horrível...
CIPRIANO: Esquece isso. Eu fiz o que todo
parente faria...
Bruno e Josué olham pra ele,
indignados. João também.
RAÍZA: Parente? Não entendi.
CIPRIANO (falsa surpresa): Como? Vocês nunca
disseram a ela sobre mim?...
Bruno e Josué estão sem reação.
CIPRIANO: Raíza, eu sou teu tio, irmão de sua
mãe.
Raíza se levanta e senta na cama,
estagnada.
RAÍZA: O cara que me salvou duas...
BRUNO: Ele não te salvou, filha; Apenas as
circunstâncias...
CIPRIANO: ...Ela deve estar cansada...Muitas
emoções por hoje.
Cipriano dá as costas.
RAÍZA: Obrigada!
Cipriano sorri e faz um sinal para
Bruno acompanhá-lo.
CORTA PARA
CENA 14 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT.]
Bruno está na portaria e Cipriano do
lado de fora.
BRUNO: Eu não sei o que você fez...Mas não
pense que é essa imagem que ela vai ter de você não, hein.
CIPRIANO: Você devia me agradecer; Além de
tudo foi graças ao poder dela que você um dia foi salvo.
BRUNO: Não acho que você esteja
interessado nos atos heróicos da minha filha.
CIPRIANO: E como não? Eu mesmo estou surpreso
com meus atos! Salvei sua filha três (ele levanta três dedos) vezes!
BRUNO: Três vezes? Que três vezes?
CIPRIANO: Duas foram hoje. Que bom que eu
ainda conservo a mania de aparecer na hora certa.
BRUNO: Coincidência não?
CIPRIANO: O que você chama de coincidência eu
chamo de fato...Agora você vai poder dizer a ela a primeira vez que a salvei.
BRUNO: Primeira vez?
CIPRIANO: Ora, quando ela atravessou a frente
do meu carro e eu a atropelei.
BRUNO: Do que...Do que você tá falando?
CIPRIANO (cínico): Da vez em que eu me vi
obrigado a batizá-la para salvá-la da morte.
BRUNO: Que conversa é essa agora? Você não
a batizou pra isso!
CIPRIANO: Ah Bruno...(sua voz quase some num
tédio aparente) Somos inteligentes demais pra ficarmos nesse papo. E eu tenho
certeza que a sua filha, inteligente que é, vai acreditar em você quando disser
essa verdade...
Bruno olha incrédulo aquele cinismo
estampado no rosto do rapaz.
BRUNO: Você só pode tá brincando...Pra quê
isso? Tem medo de quê?
CIPRIANO: Eu não tenho medos!
BRUNO: Você quer a cruz, não é? Se eu
tivesse certeza que nada de mal aconteceria a Raíza eu mesmo arrancava essa
cruz dela.
CIPRIANO (tom assustado): Se você fizer isso
poderá provocar graves consequências!...
BRUNO: Você já provocou.
CIPRIANO: Raíza conseguirá superar o que
houve hoje...E com os meus conselhos ela não precisará temer mais nada.
BRUNO (indignado): Com os meus conselhos
você quis dizer ‘né’? Por que eu não vou deixar ela seguir UM sequer seu!
CIPRIANO: Como você faz mau juízo de mim,
Bruno. Prefere ver sua filha correr os perigos de hoje? Hoje ela escapou e
amanhã?
Bruno mantém um olhar fixo e
temeroso. Cala-se, não há mais nada a acrescentar.
FADE OUT
FADE IN
CENA 15 APTº 403 – QUARTO DE RAÍZA
[INT./NOITE]
Bruno chega da porta, encontra João
sentado na cama ao lado de Raíza. João olha para trás e se levanta rapidamente.
JOÃO (cara de curioso): A Raíza estava me
contando que alguma coisa a perseguiu na mata...Não é estranho, tio?
BRUNO (murmura): É só isso que tem
acontecido ultimamente...
JOÃO: Como?
BRUNO: Ahn...É...Você pode ajudar seu tio
lá na cozinha?
João fecha a expressão no rosto, olha
a prima e sai.
Bruno fecha a porta, põe as mãos nos
bolsos, se volta. Mantém-se calado por alguns minutos.
RAÍZA: Ai pai...A sensação que eu tive
naquela mata era de que eu não ia conseguir escapar...Mas eu fiz o que o senhor
pediu; Me concentrei e fiquei invisível...Nossa, é tão estranho dizer isso.
Bruno anda até a cama, senta, a olha
com certo pesar.
RAÍZA: O que foi, pai?...Tá se sentindo
bem?
BRUNO: O que você achou do Cipriano?
RAÍZA: Bem...Ele é meu tio, salvou minha
vida... É um cara bacana.
Bruno abaixa a cabeça e Raíza nota
sua expressão angustiada.
RAÍZA: Por que nunca me falou dele?...Quem
é Cipriano na verdade?
Bruno faz uma pausa longa. Torna a
olhá-la, sua voz está presa.
BRUNO: Ele é o cara que salvou sua vida...
RAÍZA: Sim, isso eu sei, mas...
BRUNO: Lembra que você me perguntou quem
colocou essa cruz aí?
Raíza faz uma expressão de quem está
tentando se lembrar.
RAÍZA (surpresa, olha pro pulso): Tá
querendo me dizer que...
Bruno não diz nada e a garota se
mostra indignada.
RAÍZA: Mas por que ele fez isso? Eu
pedi?...O senhor que pediu?
Bruno, novamente, faz uma longa
pausa.
RAÍZA: Então, pai?...Por que ele fez isso?
BRUNO: Era a única forma de salvar sua vida...
Raíza levanta e permanece sentada,
com ar de surpresa.
RAÍZA: Como assim? O que aconteceu há
quatro anos que não lembro?
BRUNO: Pelo o que sei, você foi atropelada
por ele e a única chance de sobreviver foi te batizando.
Bruno acaba de falar rapidamente como
se estivesse decorado o texto e quisesse acabar logo com aquilo.
RAÍZA: Quer dizer que as coisas vão
acontecer e não vou poder fazer nada?...Não, eu vou falar com ele...
BRUNO: E você vai dizer o quê? (ele
murmura) Que você anda vendo o futuro?...Não! Isso não é coisa que se diga por
aí! Se isso se espalha vão querer cobrar de você o que você não vai poder fazer
pelos outros.
RAÍZA (murmura): Eu não posso viver a
minha vida inteira nessa angústia!
BRUNO (murmura): Angústia maior vai ser
quando começarem a te culpar por você não ter evitado o futuro de alguém! E
você sabe...O futuro só a Deus pertence...(Raíza demonstra insatisfação)...Mas
nem todo mundo sabe disso...
Close no rosto de Raíza.
FADE OUT
FADE IN
CENA 16 MANSÃO – QUARTO DE MARCO [INT./NOITE]
Tocando: I wish it was easy – Limp Bizkit
A cena adentra um quarto e adiante
está Marco, deitado na cama, camisa cor bege, calça de moletom e uma bebida na
mão.
A cena vai aproximando até do outro
lado da cama.
O quarto é mal iluminado, chão de
lajotas verdes, persianas brancas, uma cômoda com abajur e quadros com pintura
moderna.
Valentina adentra o quarto e pára.
VALENTINA (alterada): Você não devia estar na
boate?
Marco mal olha para ela, tem o olhar
fixo em alguma coisa.
MARCO: E você não devia estar com o seu
namorado?
A moça está enfurecida.
VALENTINA: Você desligou o telefone na minha
cara, deve ser por que tem alguma coisa a ver com o sumiço do doutor...
MARCO (ele mira nela): Férias, você quis
dizer, não é?... Olha, hoje eu estou com dor de cabeça, já avisei ao Cael pra
tocar aquilo sem mim...Por que você não vai pra casa, hein?
Valentina se aproxima, senta na cama,
apóia as mãos entre os dois lados dele.
VALENTINA: Mas será possível! Você sabe o
quanto é importante...
MARCO: Eu darei um jeito nisso, mas que
coisa! (ele toma um gole da bebida) Agora vai...Antes que o seu namorado
resolva aparecer aqui como obra do destino...
Valentina se ergue, irada. Caminha
até a porta e olha para trás.
Marco está absorto, Valentina sai em
seguida.
MARCO (flashback):
A imagem daquela garota de roupa suja
e rasgada assusta o homem.
Abaixa-se, vira seu cabelo e se
surpreende ao ver que é Raíza.
MARCO: Raíza?...
(fim do flashback – fade out)
MARCO: Obra do destino...
Ele coloca o copo sobre a mesinha de
cabeceira, leva a mão ao abajur.
Apaga a luz.
A música termina
FADE OUT
Participação Especial:
Camilo (Sérgio Marone)
Trilha Sonora:
I Wish It Was Easy – Limp Bizkit

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