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O Lado Oculto da Lua: Capítulo 20

Novela de Luiz Gustavo
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ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste capítulo possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.


O LADO OCULTO DA LUA - CAPÍTULO 20

O PROTETOR

O AMANHECER CHEGOU ACOMPANHADO DE UM MAL PRESSÁGIO, DOIS CORPOS FORAM ENCONTRADOS SEM VIDA EM UM ESTABELECIMENTO PRÓXIMO À PISTA PRINCIPAL. A primeira pessoa a avistá-los foi uma senhora que saiu para caminhar às cinco horas da manhã, assim que o sol iluminou o vilarejo. Ninguém estava acreditando no que via: a jornalista e o cinegrafista, tinham sido vítimas do Homem de Olhos Vermelhos. Não demorou muito para tudo virar um cenário de caos. Carros de polícia e do IML logo chegaram ao local, e Rafael apareceu um pouco atrasado, ainda tentando processar tudo o que havia acontecido na noite anterior em sua residência.

Um furacão de incidentes se abatera sobre ele ao mesmo tempo.

Ele desceu de sua picape e foi imediatamente abordado por colegas e repórteres, todos exigindo respostas. Seu rosto mostrava cansaço, porém sua postura era firme. Sabia que precisava manter a calma e a autoridade, apesar do turbilhão de emoções que sentia por dentro.

— Delegado, o que o senhor pode nos dizer sobre esse crime? — perguntou um repórter, aproximando o microfone. — Uma colega nossa morreu essa noite, em busca de uma matéria televisiva. Sem apoio da delegacia e muito menos da comunidade local.

Rafael respirou fundo antes de responder.

— Olha, a nossa equipe ainda está investigando — respondeu Rafael. — Precisamos de tempo para entender o que realmente aconteceu aqui... Ontem à noite, eu vi a Aline e disse que haveria muitos riscos caso ela permanecesse aqui. O seu ideal investigativo acabou a colocando em apuros. E infelizmente, aconteceu o que aconteceu.

Enquanto os legistas examinavam os corpos, Rafael observou de longe. Henrique estava dialogando com Mathias, segurando a câmera do canal 02, que certamente continha provas contundentes sobre o ser que espalhava o manto de escuridão em torno de Vale Verde. Rafael aproximou-se dos dois, sentindo a urgência da situação.

— O que vocês encontraram? — perguntou Rafael, mantendo a voz baixa para não chamar atenção desnecessária.

— Delegado, acho que você vai querer ver isso — respondeu Henrique, passando a câmera para Rafael. — As últimas gravações de David. Elas capturaram algo... perturbador.

A imagem não parecia muito nítida. Havia muita névoa na noite anterior e a câmera tremia bastante. A única coisa que conseguiu registrar foi o grito de sofrimento de Aline, acompanhado de um pedido de socorro de David, seguido pelos olhos vermelhos, que empalideceram os pensamentos de Rafael. Aquilo não poderia ser considerado como prova, e qualquer indivíduo que visse aquela imagem certamente pensaria que era uma montagem mal feita.

Rafael desligou a câmera e olhou para Henrique e Mathias.

— Isso não é nada! — disse Rafael, observando os rostos de Mathias e Henrique, enquanto os corpos eram empacotados para serem levados pelo IML. Os repórteres permaneciam ao redor, um pouco menos enfurecidos desta vez, conversando com os moradores da comunidade. — Henrique, com certeza, com a repercussão desses acontecimentos, você será convidado a supervisionar o caso. Isso prova o que cada pessoa disse: esse homem, o Homem de Olhos Vermelhos, existe. Ele precisa ser morto; a maldição tem que terminar de uma vez por todas.

Henrique processou as palavras de Rafael em seus pensamentos. Em anos de profissão, nunca presenciou um crime tão meticulosamente perfeito. Rafael, apesar de habilidoso e experiente, enfrentava um inimigo que transcendia a lógica. A escuridão, encarnada pelo Homem de Olhos Vermelhos, era a razão pela qual tantos delegados desistiam daquela região.

— Qual o próximo passo? — questionou Henrique.

— A noite de lua cheia está chegando ao fim. Precisamos montar um plano com os moradores, verificar o que aconteceu em 1979 com a morte de Lúcia e constatar se é possível reverter tudo que ocorreu — respondeu Rafael com um olhar determinado. — Aqui moram muitas pessoas boas, que dependem da terra para viver e que precisam de esperança. Está na hora de acabar com o Homem de Olhos Vermelhos. Não serei mais um delegado na estatística. Eu nasci para lutar, Henrique. Se eu for afastado, ainda estarei aqui, lutando pela vida das pessoas de Vale Verde.

Henrique sentiu a força das palavras de Rafael. Ele sabia que aquele delegado não se deixaria abater pelos tons azuis. A coragem de Rafael era um farol de esperança em meio ao desespero que pairava sobre o ambiente.

— Então vamos começar — disse Henrique, finalmente convencido da gravidade da situação e da necessidade de agir.

Rafael assentiu, já começando a esboçar um plano em sua mente. Convocaria uma reunião com os moradores, escutaria suas histórias e, principalmente, buscaria qualquer informação que pudesse ajudar a desfazer a maldição. A história de Lúcia, morta em 1979, seria o ponto de partida. Era hora de enfrentar o passado e buscar respostas que pudessem iluminar o futuro.

Rafael tomou um gole de café preto e logo sua mente voltou para Luna. Ele sentia sua esposa distante, como se estivesse interpretando um papel. Na noite anterior, ao chegar em casa, viu os pais de Luna tentando reconforta-la, após um caso de atípico de convulsão. Cássio então decidiu que iria levar a filha de volta para Medeiros Neto antes do meio-dia. Rafael acreditava que essa fosse a melhor escolha para mantê-la afastada do Homem de Olhos Vermelhos.

Às oito horas da manhã, Dona Mocinha chegou pontualmente à delegacia, acompanhada de Vicente. Rafael estava surpreso, esperando que ela não fosse trabalhar tão cedo. A senhora trazia consigo um sorriso melancólico no rosto.

— Rafael, sei que você pediu segredo sobre o que aconteceu na noite anterior, mas não tinha como permanecer em silêncio. A Luna tem uma conexão com o Homem de Olhos Vermelhos. Quando olhei nos olhos dela, parecia que estava vendo a Lúcia. Tive que contar para o Vicente. Ele não é muito velho, porem entende muito bem das mitologias e já leu milhares de livros. Se tudo isso for real...

— A hospedeira não pode deixar a cidade — completou Vicente. — Se a Luna foi escolhida para ser a hospedeira, ela não pode deixar o vilarejo. Ela precisa continuar aqui para completar o ciclo da gestação. Se ultrapassar a barreira do vilarejo, ela pode morrer, Rafael...

— A LUNA NÃO É A HOSPEDEIRA! — bradou Rafael, deixando a xícara cair no chão. — O que você está pensando? Minha mulher precisa sair daqui antes que esse desgraçado a transforme nisso.

— Rafael, você não conhece a história muito bem... — ponderou Dona Mocinha. — Eu vi o que aconteceu em 1979, as mortes repentinas. Ele não consegue se esconder, não se alimenta apenas na floresta. Quando está determinado, quando a hospedeira é escolhida, o instinto dele muda.

— E se vocês estiverem errado. — indagou Rafael.

— Eu posso ir com os pais de Luna. Se ela não for a hospedeira, conseguiremos chegar em Medeiros Neto. Tenho familiares lá e posso passar alguns dias ou até mesmo monitorá-la. Mas não podemos arriscar a vida de nenhum inocente. Rubens tentou tirar Lúcia daqui e não conseguiu. "ELE" sabe muito bem quando a "ESCOLHIDA" precisa se retirar e acaba eliminando-a.

Rafael ponderou as palavras de Vicente, sentindo a gravidade da situação. 

※※※※

Os pais de Luna estranharam o motivo de Vicente acompanhando a viagem, e principalmente as palavras de Rafael, que soaram como ordens a Cássio:

— Se o Vicente falar para voltar, você vira o volante na primeira rotatória e volta! Não importa o que aconteça. É a vida da minha mulher, é a vida da sua filha, que está em risco. Não me faça muitas perguntas. Se Deus quiser, não será necessário. Eu não quero ver vocês ainda hoje.

As palavras foram ditas acompanhadas de algumas lágrimas no rosto do delegado, que não estava acostumado a se entregar facilmente aos prantos.

— Você é o meu protetor? — perguntou Luna a Vicente, colocando o cinto de segurança.

Vicente, com um olhar sereno, respondeu:

— Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para te proteger, Luna.

Cássio olhou para trás, encontrando o olhar de Rafael uma última vez antes de dar partida no carro. As estradas de Vale Verde eram sinuosas. Ele segurou as mãos da esposa com um sorriso pacífico. Odete retribuiu o carinho do marido, retirando do bolso um pequeno terço para fazer oração em silêncio, observando o rosto da filha no retrovisor, que mudava a cada quilômetro percorrido, como se estivesse sentindo uma pequena náusea.

Quando os paralelepípedos se transformaram em asfalto, Cássio deu um breve sorriso, acreditando que alcançara a liberdade. Mas o pesadelo da noite anterior retornou quando a visão de Luna escureceu, e ela começou a tremer no carro.

— PRECISAMOS VOLTAR! PRECISAMOS VOLTAR! — ordenou Vicente, com urgência na voz.

Cássio, sem hesitar, fez um retorno brusco, acelerando de volta para Vale Verde. A preocupação e o medo estavam estampados no rosto de todos. Vicente segurou a mão de Luna, tentando transmitir-lhe alguma força enquanto ela convulsionava.

Odete aumentou a intensidade de suas orações, apertando o terço entre os dedos enquanto lágrimas silenciosas escorriam pelo seu rosto. O carro avançava pela estrada, cada vez mais rápido, como se tentasse fugir da escuridão que os perseguia.

Quando finalmente avistaram os primeiros sinais de Vale Verde, Luna começou a respirar mais facilmente, e os tremores diminuíram.

— Ela é a hospedeira. 

autor
Luiz Gustavo

elenco
Luna Azevedo
Rafael Duarte
Mathias Castro
Dona Mocinha
Odete Azevedo
Cássio Vitorino
Vicente
Dr. Luiz

Admilson
Padre Miguel
Chico
Nassy Castro

participações especiais
Lúcia da Silva Pinto
Rubens Pinto
Aline Medeiros
David
Henrique

Inspirada na lenda de A Caçada Selvagem e no Lobisomem

trilha sonora
Birth - 30 Seconds to Mars

direção
Carlos Mota
 
produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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