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O Lado Oculto da Lua: Capítulo 19

Novela de Luiz Gustavo
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ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste capítulo possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.


O LADO OCULTO DA LUA - CAPÍTULO 19

“CANAL 02”

A MULHER TRAGAVA O CIGARRO ENQUANTO OBSERVAVA DE LONGE O ANOITECER SE FORMANDO. Aline Medeiros deixou sua bolsa no veículo do canal 02 e caminhou em direção ao barzinho na estrada da BA-001. O cinegrafista provavelmente estava dormindo ou procurando alguma notícia em torno do vilarejo. Ela se serviu com uma coxinha de molho duvidoso, enquanto o dono do estabelecimento arrumava o local para fechar, temeroso pelo Homem de Olhos Vermelhos.

A lenda assolava Vale Verde como uma espécie de lobisomem. Se fosse verdade, sua matéria seria apresentada nos principais jornais do país e certamente lhe renderia uma promoção na emissora. Aline sentiu um pingo de felicidade ao tomar o café gelado e amargo. Comprou mais um maço de Belmont e uma garrafa de vodca. A noite estava apenas começando, e ela desejava apenas um banho quente e um prato de comida fresco.

— Droga, não tem sinal nesse fim de mundo! — disse ela, discando um número no celular. O sinal sumiu rapidamente. Lembrou dos colegas de trabalho de outros canais que deixaram o vilarejo após o delegado não apresentar nenhum esclarecimento. Ela tentou fazer sua parte, conversando com Rafael, mas ele era um homem que não se encantava com a beleza de qualquer mulher. E o outro rapaz, Mathias, nem sequer a cumprimentou ao deixar o trabalho.

Aline tragou o cigarro mais uma vez, sentindo a frustração se misturar com a ansiedade. O Homem de Olhos Vermelhos não era apenas uma história; era uma oportunidade, um caminho para sair daquele vilarejo esquecido e conquistar algo maior. Ela olhou ao redor, vendo a escuridão tomar conta do lugar, e decidiu que, custasse o que custasse, ela iria descobrir a verdade.

Aline notou que as pessoas do lugar não eram muito amigáveis, e ela não conseguia compreender bem o dialeto local. Próximo às sete horas da noite, viu um carro se aproximando e desacelerando tranquilamente, reconhecendo a imagem do delegado que parou próximo à delegacia. Aline se aproximou do homem, que parecia ter chegado de Porto Seguro ou Arraial D’Ajuda.

— Vocês vão passar a noite aqui mesmo? — perguntou Rafael.

— Sim, a menos que você queira que eu passe na sua casa para elaborar melhor a minha matéria — disse Aline, abaixando um pouco mais o seu decote. Rafael não deu a mínima importância, ligando novamente o carro. Subitamente, ela pediu para o delegado parar e solicitou um rápido auxílio. — O que é esse Homem de Olhos Vermelhos, delegado? Fiz essa pergunta ontem, mas o senhor não me respondeu. Isso é uma matéria jornalística, um inocente morreu por causa desse ser que se esconde na floresta. Os moradores daqui não são muito agradáveis, principalmente com repórteres. Teve um que quase levantou a espingarda quando fiz uma pergunta. O senhor é estudado, se formou em uma das melhores faculdades de Teixeira de Freitas. Poderia me contar o que está acontecendo aqui nesse fim de mundo?

— Aline, se eu fosse a senhora, iria embora. Você sabe o que aconteceu e ainda quer fazer uma matéria para uma emissora de TV que nem deve te valorizar tanto assim. Esse ser é uma criatura macabra, capaz de matar qualquer pessoa, sem fazer distinção de homem ou mulher. O sangue de todos é igual. O Homem de Olhos Vermelhos se alimenta do medo e, com a lua cheia desta noite, ele está ainda mais forte. Não arrisque sua vida por um trabalho, nem a do seu cinegrafista. Não valerá a pena essa matéria. Até o próximo dia, as horas passarão como uma eternidade. Tenha uma excelente noite! E caso precise de ajuda, minha casa fica nesta rua mesmo — disse o delegado, apontando para um caminho cercado de árvores que, naquele momento, permanecia escuro. — Eu e minha esposa iríamos recebê-los com muito carinho.

O carro desapareceu ao entrar na rua, deixando a repórter com ainda mais questionamentos na cabeça. Aline era uma jornalista nata, cobriu os principais acontecimentos em Eunápolis. Uma vez, levou um tiro para levar uma matéria ao ar no canal 02, seu primeiro e único trabalho. Quando entrava no ar, ameaçava a vice-liderança das concorrentes. Não seria uma lenda urbana que a mandaria de volta.

O cinegrafista estava dormindo na van e surgiu ao lado de Aline de repente, quase a fazendo gritar ao ver o rosto de David Fernandes.

— Onde está a sua câmera? — indagou Aline, com um tom de frustração na voz.

— No banco de trás! — respondeu David, ainda meio desorientado.

— Eu já te disse para manter a câmera sempre ao seu lado, como de costume. As coisas podem acontecer de uma hora para outra. O delegado esteve aqui, falou, falou e não disse nada, como sempre. — Ela pegou um copo descartável da sacola e se serviu de um pouco de vodca. — O matagal deve ter corroído o cérebro dessas pessoas. Eu não queria passar a madrugada aqui, David, mas se for o caso, vou ter que ficar. A pior parte é encarar essa sua cara!

— Me dá um pouco dessa vodca! Comprou algo para comer?

As horas passavam e Aline não aguentava mais tamborilar com os dedos dentro do carro. Os caminhões passavam de vez em quando, mas estranhamente havia pouca movimentação de veículos à noite. O rádio AM do carro anunciou: "Boa noite! Agora são 21h35min. Vamos para as principais notícias do Brasil neste momento!"

— Não acredito que estamos perdendo nosso tempo aqui. — Ela desceu do veículo, pegou um cigarro da bolsa e caminhou até o outro lado da estrada, na frente de um barzinho que estava fechado. Aline sentou na mesa de sinuca e, quando estava prestes a acender o cigarro, o isqueiro caiu no chão molhado. Ela se abaixou para procurar o objeto, que parecia ter desaparecido, mesmo tendo caído bem diante de seus olhos. Uma pequena névoa começou a se formar, trazendo um frio cortante.

Foi então que a visão quase a fez cair do tamanco. A figura que todos na cidade comentavam, o Homem de Olhos Vermelhos, apareceu diante dela. Seus pés ficaram grudados ao chão e a única coisa que conseguiu fazer foi emitir um grito alto, desesperado, enquanto o homem se aproximava e lhe dava o beijo da morte no pescoço.

— SOCORRO! SOCORRO! SOCORRO!

David, apavorado com a cena diante de seus olhos, tentou correr em direção ao barzinho, porém o pânico e o desespero o imobilizaram momentaneamente. Enquanto filmava, suas mãos tremiam, e a câmera capturava apenas a névoa crescente e o som abafado dos gritos de Aline. O Homem de Olhos Vermelhos se virou para ele.

— Aline! — David gritou, tentando aproximar-se com a câmera. — Eu vou te ajudar!

Ao dar um passo, a névoa espessa se espraiou ao redor de David, tornando a visão ainda mais turva. O Homem de Olhos Vermelhos caminhou lentamente em direção a David, o seu olhar penetrante preenchendo a tela da câmera com uma intensidade estranha. O cinegrafista tentou retroceder, no entanto, seus pés pareciam presos ao chão, como se a névoa estivesse se envolvendo em torno dele, aprisionando-o.

Aline estava agora imóvel, seu grito de socorro diminuindo à medida que a vida se esvaía dela. O Homem de Olhos Vermelhos, com um gesto calculado, afastou-se dela e se dirigiu a David, a expressão no rosto permanecendo fria e impiedosa. David, tentando desesperadamente escapar, tropeçou e caiu, a câmera se chocando contra o chão, emitindo apenas um borrão de imagens enquanto ele tentava se levantar.

O Homem de Olhos Vermelhos aproximou-se de David, com suas garras afiadas brilhando sob a luz fraca do poste. David tentou levantar a câmera. O ser estendeu a mão e agarrou os cinegrafistas pelo pescoço, suas garras penetraram na pele. O rapaz lutou por um último momento.

Aline, agora inconsciente e com os olhos semicerrados, ainda estava deitada no chão, e a cena final que David capturou foi o momento em que o Homem de Olhos Vermelhos ergueu a cabeça e olhou diretamente para a câmera, um sorriso maligno desenhando-se em seu rosto.

O barulho do grito de David se misturou com o som abafado da névoa, e a câmera, finalmente, caiu do lado dele, a imagem tremendo e finalmente se apagando. O Homem de Olhos Vermelhos se afastou lentamente, desaparecendo na névoa crescente, enquanto a noite se fechava em torno dos corpos de Aline e David.

autor
Luiz Gustavo

elenco
Luna Azevedo
Rafael Duarte
Mathias Castro
Dona Mocinha
Odete Azevedo
Cássio Vitorino
Vicente
Dr. Luiz

Admilson
Padre Miguel
Chico
Nassy Castro

participações especiais
Lúcia da Silva Pinto
Rubens Pinto
Aline Medeiros
David
Henrique

Inspirada na lenda de A Caçada Selvagem e no Lobisomem

trilha sonora
Birth - 30 Seconds to Mars

direção
Carlos Mota
 
produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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